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fundamentos da eletricidade
Tipologia: Notas de estudo
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Este capítulo ilustra as precauções de segurança e os conhecimentos básicos necessários para a manutenção dos sistemas elétricos. Outros capítulos relacionados com os sistemas elétricos não contêm as informações básicas apre- sentadas neste capítulo. Leia portanto este capítulo inteiro para compreender bem os procedimentos básicos de segu- rança e os métodos de diagnóstico antes de realizar qualquer serviço de manutenção.
a
Não deixe cair as peças que contenham semiconduto- res. Os semicondutores são frágeis e sensíveis a cho- ques. Ao cair, o semicondutor pode ser danificado ou destruído.
NOTAS
Todos os componentes elétricos são fornecidos em corrente al- ternada ou corrente contínua, cujas abreviaturas são CA para corrente alternada e CC para corrente contínua. A característica básica das duas correntes difere completamen- te e, para efeitos de serviços, é necessário compreender bem a diferença.
Corrente alternada A corrente alternada (CA) muda o valor da tensão e a polaridade com o tempo. A corrente alternada flui em um sentido até atingir a tensão máxima e, em seguida, cai para zero volts, então muda de sentido ou de polaridade até atingir a tensão máxima, voltan- do a cair até zero volts, mudando novamente de polaridade. Do início da tensão positiva até o término da tensão negativa é co- nhecido como um ciclo.
Nas motocicletas, toda eletricidade gerada é corrente alternada. Entretanto, a CA pode ser convertida em corrente contínua (CC) por retificação. A corrente contínua é então fornecida aos com- ponentes que operam com CC. Por exemplo, alguns modelos usam CC para os faróis e outros usam CA. Para os faróis que operam em CA, as lâmpadas se apagam quando o fluxo de corrente é zero e, em seguida, acendem-se de novo quando a polaridade se torna invertida. Este ciclo acen- de-apaga é repetido em alta freqüência (número de ciclos em um segundo) e portanto as pessoas não percebem, tendo a im- pressão de que permanecem acesos continuamente.
Corrente contínua A corrente contínua é uma corrente cuja magnitude e cujo senti- do permanecem constantes. A representação gráfica da corren- te contínua é mostrada na ilustração ao lado. A corrente contí- nua é abreviada com as letras CC. As baterias das motocicletas e as baterias domésticas fornecem corrente contínua.
A corrente contínua tem as seguintes características, opostas à corrente alternada.
Como mostra a ilustração ao lado, quando dois tanques de água, A e B, são ligados entre si, a água flui do tanque A para o tanque B. Este fluxo é o resultado da diferença de pressão entre os dois tanques.
O mesmo conceito aplica-se à eletricidade. A diferença de pressão, chamada de diferença de potencial elé- trico, faz a corrente fluir através de um circuito. A diferença de potencial é medida em volts (V).
Como é do conhecimento de todos, a água flui com mais facili- dade em um tubo maior do que em um tubo menor. Isto aconte- ce porque o tubo menor oferece maior resistência. Da mesma maneira, a corrente elétrica passa com mais facilidade em um fio grosso do que em um fio mais fino. A resistência que limita o fluxo de eletricidade através de um fio é medida em ohms (Ω).
A resistência aumenta de acordo com a redução do tamanho do fio e o aumento de comprimento. Esse valor de resistência pode ser medido com o ohmímetro.
FLUXO DA ÁGUA
FLUXO DA ELETRICIDADE
FIO FINO (RESISTÊNCIA MAIOR)
FIO ESPESSO (RESISTÊNCIA MENOR)
FLUXO MENOR FLUXO MAIOR
TUBO FINO
TUBO LARGO
DIFERENÇA DE PRESSÃO (DIFERENÇA DE ALTURA)
DIFERENÇA DE POTENCIAL (VOLTAGEM)
Circuito em série O circuito em série é um circuito elétrico em que as resistências estão ligadas em série (as resistências estão ligadas positivo a negativo entre si) e, depois, para terra. Há somente uma trajetó- ria disponível de corrente, onde passam a mesma intensidade de corrente em cada resistência e a tensão é dividida de acordo com a resistência. A resistência total (Ω) pode ser encontrada simplesmente adicionando todas as resistências. Por exemplo, R = R1 + R2.
Circuito em paralelo O circuito em paralelo é um circuito elétrico onde as resistências estão ligadas positivo com positivo e negativo com negativo en- tre si. Há uma trajetória para fluxo de corrente para cada resis- tência. A tensão para cada resistência é a mesma, mas a inten- sidade de corrente varia de acordo com o valor da resistência. A intensidade de corrente para cada resistência pode ser calcula- da dessa forma: i1 = E ÷ r1, i2 = E ÷ r2. A corrente total (I) é a soma de todas as correntes que passam por cada resistência.
A condutividade elétrica dos semicondutores está situada entre os condutores e os isoladores. Antes de compreender como os semicondutores funcionam nos circuitos é preciso conhecer basicamente as características dos semicondutores.
O diodo permite que a corrente passe somente em uma direção. Quando a corrente está passando, há uma ligeira queda de ten- são no diodo.
O diodo zener permite que a corrente flua em uma direção, se- melhante ao diodo acima. Quando for aplicada uma tensão in- versa acima de uma determinada tensão, ele permite a passa- gem da corrente para o sentido inverso. Quando a tensão dimi- nuir até abaixo da tensão inversa, ele interrompe a passagem da corrente para o sentido inverso.
r
r
i
i
r
r
A CORRENTE FLUI
A CORRENTE NÃO FLUI ABAIXO DA TENSÃO INVERSA A CORRENTE FLUI ACIMA DA TENSÃO INVERSA
DIODO ZENER
TENSÃO INVERSA
TENSÃO
CORRENTE
Os tiristores dispõem de três terminais: ânodo, cátodo e gate. A corrente que passa do ânodo para o cátodo é considerada como corrente de sentido positivo. Como os diodos, os tiristores não conduzem a corrente no senti- do negativo. Os tiristores permitem que a corrente flua do ânodo para cátodo somente quando o tiristor estiver ativado.
O tiristor será ativado quando certa quantidade de tensão é apli- cada ao gate. Esse pulso elétrico de entrada do gate é chama- do tensão de gate ou tensão de disparo. Quando o tiristor é ativado, não há necessidade de uma aplica- ção contínua de tensão ao gate e a sua característica torna-se idêntica à do diodo comum.
Transístor O transístor tem três terminais: emissor (E), coletor (C) e base (B). Há dois tipos de transístores: tipo PNP e NPN.
Nos transístores de tipo PNP, quando a tensão positiva é aplica- da ao emissor e a tensão negativa é aplicada ao coletor, quase nenhuma corrente flui entre coletor e o emissor. Se a tensão do emissor é elevada levemente mais do que a tensão de base e uma pequena corrente passa do emissor para a base, uma grande quantidade de corrente fluirá do emissor para a coletor.
TIRISTOR
A
E
E
E
E: EMISSOR C: COLETOR B: BASE
C
C
C
B B
B
K
G
ÂNODO A K CÁTODO
NÃO FLUI CORRENTE
A CORRENTE FLUI QUANDO O SCR ESTÁ ATIVO
NÃO FLUI CORRENTE
NÃO FLUI CORRENTE
CORRENTE DE BASE
SÍMBOLOS DE TRANSÍSTORES
G GATE
TENSÃO DE GATE
TIPO PNP TIPO NPN
SÍMBOLOS ELÉTRICOS
Os símbolos abaixo são os símbolos mais comuns usados nos circuitos elétricos.
As abreviaturas usadas nos dispositivos de comutação são as seguintes: NO (normalmente aberto): o interruptor está aberto em esta- do normal NC (normalmente fechado): o interruptor está fechado em estado normal.
BATERIA
BOMBA CONECTOR P = # do pino COR
CONECTOR (Tipo redondo)
CONECTOR (Tipo plano)
TERMINAL DE OLHAL
INTERRUPTOR DE IGNIÇÃO
(Símbolo do circuito) (Símbolo da fiação)
INTERRUPTOR DE IGNIÇÃO
INTERRUPTOR (Dois terminais)
INTERRUPTOR (Tipo três terminais)
FILAMENTO DUPLO
INTERRUPTOR (Tipo combinado)
FUSÍVEL RELÉ (Tipo NO) RELÉ (Tipo NC) LÂMPADA TERRA
VELA DE IGNIÇÃO RESÍSTOR RESÍSTOR VARIÁVEL BOBINA SOLENÓIDE LED (Diodo de emissão de luz
CAPACITOR
ALTERNADOR TRIFÁSICO
ALTERNADOR GERADOR DE PULSOS MONOFÁSICO
BOBINA DE IGNIÇÃO (Tipo simples)
BOBINA DE IGNIÇÃO (Tipo duplo)
LIGAÇÃO MULTITESTER MOTOR Voltímetro Ohmímetro Ligado
Lado fêmea
Lado fêmea
NO NC
HL
Hi
Lo
Lado macho
Lado fêmea
Lado macho
Lado macho
Sem ligação
Amperímetro
MÉTODOS BÁSICOS DE DIAGNÓSTICO DA
PARTE ELÉTRICA
A medição da tensão é um método fundamental para verificar os componentes do circuito. A medição é feita visando aos seguin- tes objetivos:
Para verificar se há tensão. A lâmpada de teste pode ser usa- da nesse caso. Para medir o valor da tensão real. O voltímetro é usado para determinar se o componente elétrico está operando nor- malmente.
Selecione uma escala de medição que seja uma escala mais alta do que o valor de tensão desejado. Aplique o tester verme- lho ao terminal positivo e o tester preto ao terminal negativo do circuito. O esquema ao lado mostra o voltímetro registrando a tensão através da lâmpada. Os voltímetros deverão ser ligados sempre em paralelo e nunca em série.
Verifique se a superfície do terra está limpa e livre de pintura. Use o parafuso fixado diretamente ao chassi.
Exemplo 1 Estude primeiro o esquema de circuito. Se as lâmpadas, B e C não funcionarem e a lâmpada A estiver em boas condições, o defeito estará entre as ligações à terra em B e C e no interruptor A. Se a lâmpada A também não funcionar, o problema estará entre as ligações à terra em A, B e C e no interruptor de ignição.
VOLTÍMETRO
VOLTÍMETRO
PRETO
PRETO
PRETO
PRETO
PRETO
PRETO
PRETO
LIGADO EM PARALELO (CORRETO)
INTERRUPTOR DE IGNIÇÃO
INTERRUPTOR DE IGNIÇÃO
INTERRUPTOR A
INTERRUPTOR A
CONECTOR A
CONECTOR B
LIGADO EM SÉRIE (INCORRETO)
VOLTÍMETRO
LÂMPADA
LÂMPADA A
LÂMPADA B
LÂMPADA B
LÂMPADA C
LÂMPADA C
FIAÇÃO PRINCIPAL
Juntamente com a tensão, a resistência é outro parâmetro bási- co para diagnosticar os circuitos e seus componentes. Mede-se a resistência visando aos seguintes objetivos: Para verificar se os componentes estão funcionando correta- mente. O valor da resistência da bobina (por exemplo, da bobi- na de ignição) indica se a bobina está normal ou com defeito. Para verificar se há fios partidos. A verificação da continuida- de indica se o fio está intacto ou partido.
Como medir a resistência com o ohmímetro.
NOTA
A zeragem correta do ohmímetro é necessária para obter as medições corretas. Toque os dois testes e ajuste o ohmíme- tro de modo que marque 0 (Ω).
Como a polaridade dos terminais não é importante, qualquer dos testes pode ser aplicado ao terminal. Entretanto, como os diodos permitem que a corrente passe somente em uma dire- ção, a polaridade se torna importante.
Diferente de uma medição de tensão, é necessário desligar o componente do circuito. Se medir a resistência com o circuito totalmente ligado, o ohmímetro indicará um valor menor do que o valor correto.
Da mesma maneira, se o circuito tiver ramificação, o conector principal do ramal específico deverá ser desligado para obter a leitura correta.
VERIFICAÇÃO DE BOBINA
AJUSTADOR DO ZERO OHM
BOM RUIM
R
CONECTOR R
COM O CONECTOR LIGADO COM O CONECTOR DESLIGADO
R1 R
R1 x R R = ————— R1 + R
R1 x R R = ————— R1 + R
R = R
R = R
R
R
VERIFICAÇÃO DE FIOS PARTIDOS
Quando o ohmímetro estiver ligado em série, os valores de resis- tência serão grandes. No esquema, meça a resistência R1, colocando o tester para terra.
Exemplo Para verificar a bobina de excitação do CDI, a resistência pode ser medida nos pontos e . Medindo a resistência no ponto automaticamente estará verificando se há fio solto (preto/ver- melho) e se há má conexão no conector do alternador. Se a re- sistência estiver normal no ponto , o ponto não precisa ser verificado. Se o ponto for verificado primeiro e se a resistência estiver correta, ainda é possível que haja um fio interrompido e conec- tor solto. Neste caso ainda há necessidade de verificar e locali- zar o defeito.
Se colocar o tester negativo no fio terra (verde) para medir a re- sistência no ponto terá um resultado melhor sobre a verifica- ção de conexão com a terra. Para verificar o funcionamento de uma bobina de excitação co- loque os testers como está indicado na ilustração ao lado. Se a resistência estiver normal, então a bobina de excitação, o fio li- gado à bobina (preto/vermelho) e o fio terra (verde) estão nor- mais.
Se a resistência estiver longe do valor normal, verifique os se- guintes pontos:
R
VERDE
VERDE
VERDE
UNIDADE CDI
FIO TERRA
TERMINAL TERRA
FIAÇÃO PRINCIPAL
BOBINA DE EXCITAÇÃO CDI
PRETO/VERMELHO
PRETO/VERMELHO
PRETO/VERMELHO
PRETO/ VERMELHO
PRETO/ VERMELHO
PRETO/ VERMELHO
R = R1 + R
R
COMO UTILIZAR ESTE MANUAL
Este manual apresenta as teorias de funcionamento de vários sistemas comuns às motocicletas e moto- netas. Ele fornece também as informações básicas sobre diagnóstico de defeitos, inspeção e reparos dos componentes e sistemas encontrados nessas máquinas.
Consulte o Manual de Serviços do modelo específi- co para obter as informações específicas deste mo- delo que esteja manuseando (ex. especificações técnicas, valores de torque, ferramentas especiais, ajustes e reparos).
Capítulo 1 refere-se às informações gerais sobre toda a motocicleta, assim como precauções e cui- dados para efetuar a manutenção e reparos.
Capítulos 2 a 15 referem-se às partes do motor e transmissão.
Capítulos 16 a 20 incluem todos os grupos de com- ponentes que formam o chassi.
Capítulos 21 a 25 aplicam-se a todos os componen- tes e sistemas elétricos instalados nas motocicletas HONDA.
Localize o capítulo que você pretende consultar nesta página (Índice Geral). Na primeira página de cada capítulo você encontrará um índice específico.
Departamento de Serviços Pós-Venda Setor de Publicações Técnicas
ÍNDICE GERAL
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SUPLEMENTO (^) 26