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Notas de aula, fundamentos de matemática elementar.
Tipologia: Notas de aula
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CONJUNTO ´e uma no¸c˜ao primitiva que associamos a qualquer cole¸c˜ao de objetos, os quais chamamos de ELEMENTOS DO CONJUNTO.
Exemplos: Conjunto S dos s´ımbolos 4 , © , F e . Conjunto A de todos os alunos matriculados na UFJF. Conjunto IN dos chamados n´umeros naturais 1 , 2 , 3 , 4 , 5 , 6 ,.... Dada uma reta r em um plano, r ´e o conjunto de todos os seus pontos.
Dados um elemento x (de algum conjunto X) e um conjunto Y arbitr´arios, a rela¸c˜ao b´asica entre x e Y ´e a RELAC¸ AO DE PERTIN˜ ENCIA. Seˆ x ´e um dos elementos do conjunto Y ent˜ao dizemos que x pertence a Y e escrevemos x ∈ Y. Se x n˜ao ´e um dos elementos do conjunto Y ent˜ao dizemos que x n˜ao pertence a Y e escrevemos x /∈ Y.
Exemplos: Considerando os exemplos anteriores, temos: © ∈ S , ∈ S , ♦ ∈/ S. Cristiano A. D. ∈ A , Andr´e A. H. ∈/ A.
2 ∈ IN ,
P ∈ r , Q /∈ r.
Conjuntos 3
A cada ponto desta reta est´a associado um ´unico n´umero e o conjunto IR dos n´umeros reais ´e a cole¸c˜ao de todos os n´umeros associados a todos os pontos da reta (RETA REAL).
O ponto 0 “separa dois lados da Reta Real”. Pontos (distintos do 0) do mesmo lado do 0 que o 1 s˜ao associados aos n´umeros reais positivos e pontos (distintos do 0) no lado do 0 que ´e oposto ao lado do 1 s˜ao associados aos n´umeros negativos.
Obs.: Podemos ainda definir as opera¸c˜oes de ADIC¸ AO e MULTIPLICAC˜ ¸ AO de n´˜ umeros reais atrav´es da Geometria (veja o exerc´ıcio mais `a frente). O conjunto dos n´umeros reais, com essas duas opera¸c˜oes, satisfaz a uma s´erie de propriedades (comutativa, associativa, elemento neutro, elemento inverso, distributiva) e por isso ´e considerado o que chamamos de CORPO.
E f´´ acil ver que todo n´umero RACIONAL (inteiro ou n˜ao, natural ou n˜ao) tem seu ponto correspondente na reta real:
Mais ainda, existem n´umeros reais (pontos na Reta Real) que n˜ao s˜ao racionais. S˜ao os chamados n´umeros IRRACIONAIS. Para ver isto, como exemplo, vamos exibir um n´umero irracional na Reta Real.
Tomemos um triˆangulo retˆangulo cujos catetos medem uma unidade de comprimento. Do Teorema de Pit´agoras, temos que a medida da hipotenusa corresponde a um n´umero positivo cujo quadrado ´e igual a 2 e que chamaremos portanto de
Agora estamos portanto em condi¸c˜oes de marcar na Reta Real o ponto correspondente ao n´umero
Finalmente, mostra-se (TENTE!) que n˜ao existe n´umero racional cujo quadrado seja igual a 2, ou seja, o n´umero
2 que acabamos de marcar na Reta Real ´e um n´umero irracional.
Exerc´ıcio: Dados os n´umeros reais a e b (na Reta Real abaixo), obtenha geometricamente (e marque na Reta Real) os n´umeros a + b , a − b , b − a , 1 /a , a/b , a.b e
a.
O conjunto IR dos n´umeros reais (com todas as suas caracter´ısticas) pode ser definido de modo axiom´atico: “EXISTE UM CORPO ORDENADO COMPLETO IR” (An´alise na Reta).
O conjunto IN dos n´umeros naturais ´e caracterizado atrav´es dos AXIOMAS DE PEANO (veremos mais `a frente no Curso).
O conjunto vazio φ tamb´em ´e usualmente definido de modo axiom´atico (adiante).
O conjunto Z dos n´umeros inteiros pode ser constru´ıdo a partir dos naturais. O conjunto Q dos n´umeros racionais pode ser constru´ıdo a partir dos inteiros (via rela¸c˜ao de equivalˆencia, que estudaremos no pr´oximo cap´ıtulo).
O conjunto IR dos n´umeros reais pode ser constru´ıdo a partir dos racionais (atrav´es das chamadas Sequˆencias de Cauchy ou dos Cortes de Dedekind).
Axioma: Existe um conjunto que n˜ao possui elemento algum. Esse conjunto ´e chamado CONJUNTO VAZIO, denotado por φ e qualquer que seja x, tem-se x /∈ φ.
Exemplos: { x ∈ IR ; x^2 = − 1 } = φ , { } = φ , { x ∈ IN ; x + 7 = 0 } = φ.
Obs.: O axioma acima utilizado para garantir a existˆencia do conjunto vazio ´e conhecido como AXIOMA DE EXISTENCIA e faz parte de um conjunto de axiomas conhecidos comoˆ Axiomas de Zermelo-Fraenkel (ZF), os quais, juntamente com o chamado Axioma da Escolha (“Choice” , em inglˆes), constituem a base (ZFC) mais utilizada para o desenvolvimento da Teoria dos Conjuntos.
Temos ent˜ao que φ ⊂ A , qualquer que seja o conjunto A, pois caso contr´ario ( φ 6 ⊂ A ) deveria haver pelo menos um elemento do conjunto vazio φ que n˜ao pertenceria ao conjunto A, o que ´e claramente um ABSURDO (pois o conjunto φ n˜ao possui elemento algum).
Dizemos que dois conjuntos A e B s˜ao IGUAIS (e escrevemos A = B) se, e somente se, possuem os mesmos elementos, ou seja, todo elemento de A pertence a B (A ⊂ B) e todo elemento de B pertence a A (B ⊂ A). Assim, temos:
A = B ⇔ A ⊂ B e B ⊂ A
Quando se escreve A ⊂ B n˜ao se exclui a possibilidade de se ter A = B. No caso em que A ⊂ B e A 6 = B (B 6 ⊂ A necessariamente) dizemos que A ´e uma PARTE PR OPRIA ou um´ SUBCONJUNTO PR OPRIO de´ B (alguns autores usam a nota¸c˜ao A B para este caso).
Dado um conjunto X, indica-se por P(X) o conjunto cujos elementos s˜ao os subconjuntos de X. P(X) ´e chamado o CONJUNTO DAS PARTES de X.
Afirmar que A ∈ P(X) ´e o mesmo que dizer que A ⊂ X. P(X) = { A ; A ⊂ X }. P(X) nunca ´e vazio, pois φ ∈ P(X) e X ∈ P(X) (propriedades 1 e 2 acima). Exemplos: Se X = { 4, F, }, temos:
P(X) = { φ , {4} , {F} , {} , {4, F} , {4, } , {F, } , {4, F, } = X }.
P( φ ) = { φ }. Q ∈ P(IR) , pois Q ⊂ IR.
Conjuntos 7
1.3 Algebra dos conjuntos´
Obs.: As vezes, ´` e ´util a representa¸c˜ao de um conjunto por um recinto plano delimitado por uma linha fechada e n˜ao entrela¸cada qualquer. Tal representa¸c˜ao recebe o nome de DI- AGRAMA DE VENN. Num Diagrama de Venn, os elementos do conjunto s˜ao representados por pontos internos ao recinto e elementos que n˜ao pertencem ao conjunto s˜ao representados por pontos externos ao mesmo recinto. Por exemplo, sejam A = { 2 , 3 } , B = { 1 , 2 , 3 , 4 } e U = { 0 , 1 , 2 , 3 , 4 , 5 } :
A REUNI AO de dois conjuntos˜ A e B, denotada por A ∪ B, ´e o conjunto
A ∪ B = { x ; x ∈ A ou x ∈ B }
Conv´em observar que a palavra ou empregada na propriedade que define A ∪ B n˜ao tem sentido exclusivo, ou seja, pode acontecer que um elemento x ∈ A ∪ B perten¸ca simultanea- mente aos conjuntos A e B.
Propriedades da reuni˜ao: (EXERC´ICIO) Sejam A, B e C conjuntos quaisquer num universo U. Temos:
Conjuntos 9
A DIFERENC¸ A entre os conjuntos A e B, nessa ordem, ´e o conjunto A\B formado pelos elementos de A que n˜ao pertencem a B:
A\B = { x ; x ∈ A e x /∈ B }
Obs.: Muitos autores usam a nota¸c˜ao A − B para a diferen¸ca entre A e B. Vamos evitar essa nota¸c˜ao, pois ela pode causar confus˜ao com OUTRO TIPO de diferen¸ca de conjuntos (muito presente quando trabalhamos com conjuntos num´ericos ou espa¸cos vetoriais), dada por A − B = { a − b ; a ∈ A e b ∈ B }.
Quando B ⊂ A , a diferen¸ca A\B chama-se COMPLEMENTAR de B em RELAC¸ AO a˜
Em rela¸c˜ao ao conjunto universo U , a diferen¸ca U \X chama-se simplesmente COMPLE-
Propriedades da diferen¸ca e do complementar: (EXERC´ICIO) Sejam A, B e C conjuntos quaisquer num universo U. Temos:
1.4 Exerc´ıcios
(g) (A\C) ∩ (B\C) = (A ∩ B)\C (h) A ∪ B = A ∪ C ⇒ B = C (i) (A\B) ∩ C = (A ∩ C)(B ∩ C) (j) A ∪ (B\C) = (A ∪ B)(A ∪ C)
Defini¸c˜ao 2.1. (Par ordenado) Dados dois elementos a e b, chama-se PAR ORDENADO um terceiro elemento que se indica por (a, b).
O elemento a chama-se o primeiro elemento (ou a primeira coordenada) do par orde- nado (a, b) e o elemento b chama-se o segundo elemento (ou a segunda coordenada) do par ordenado (a, b).
Dois pares ordenados (a, b) e (c, d) s˜ao iguais se, e somente se, a = c e b = d.
Obs.: N˜ao se deve confundir o par ordenado (a, b) com o conjunto {a, b}. De fato, como dois conjuntos que possuem os mesmos elemento s˜ao iguais, temos {a, b} = {b, a} sejam quais forem a e b. Por outro lado, se a 6 = b temos (a, b) 6 = (b, a).
Defini¸c˜ao 2.2. (Produto cartesiano) Dados dois conjuntos A e B, chama-se PRODUTO CARTESIANO de A por B e denota-se por A × B ao conjunto formado por todos os pares ordenados (a, b) cujo primeiro elemento pertence a A e cujo segundo elemento pertence a B:
A × B = { (a, b) ; a ∈ A e b ∈ B }
Exemplos: (a) Se A = { 1 , 2 , 3 } e B = {4, F} , temos: A × B = { (1, 4 ) , (1, F) , (2, 4 ) , (2, F) , (3, 4 ) , (3, F) }.
(b) IR × IR = { (x, y) ; x, y ∈ IR } = IR^2. Por exemplo: (
3 , −7) , (8, π) , (0, 0) ∈ IR^2.
Rela¸c˜oes 15
(e) Seja C uma cole¸c˜ao de subconjuntos de um conjunto X, ou seja, C ⊂ P(X). A INCLUS AO de conjuntos representa uma rela¸˜ c˜ao R⊂ de C em C :
R⊂ = { (A, B) ∈ C × C ; A ⊂ B } ,
ou seja, dados A, B ∈ C , temos: A R⊂ B ⇔ A ⊂ B.
(f) Seja R a cole¸c˜ao de todas as retas de um plano α. Dadas duas retas r, s ∈ R , diremos que r e s s˜ao PARALELAS e escreveremos r 66 s quando r e s s˜ao coincidentes (r = s) ou r ∩ s = φ. Definimos ent˜ao a rela¸c˜ao de paralelismo, de R em R :
R 6 6 = { (r, s) ∈ R × R ; r 66 s }.
Obs.: Se A = φ ou B = φ ent˜ao A × B = φ e s´o existir´a uma rela¸c˜ao de A em B, a saber R = φ. Por este motivo, de agora em diante, consideraremos sempre A e B n˜ao-vazios.
Seja R uma rela¸c˜ao de A em B. Chama-se o DOM´INIO de R e denota-se por D (R) o subconjunto de A formado pelos elementos x para os quais existe algum y em B tal que xR y:
D (R) = { x ∈ A ; ∃ y ∈ B com xR y } = { x ∈ A ; ∃ y ∈ B com (x, y) ∈ R }.
Chama-se o IMAGEM de R e denota-se por Im (R) o subconjunto de B formado pelos elementos y para os quais existe algum x em A tal que xR y:
Im (R) = { y ∈ B ; ∃ x ∈ A com xR y } = { y ∈ B ; ∃ x ∈ A com (x, y) ∈ R }.
Em outros termos, D (R) ´e o subconjunto de A formado pelos primeiros termos dos pares ordenados que constituem R e Im (R) ´e o subconjunto de B formado pelos segundos termos dos pares ordenados de R.
Exemplos: (a) Sejam R 2 = { (2, F) } e R 3 = { (1, 4 ) , (2, 4 ) , (1, F) } rela¸c˜oes de A = { 1 , 2 , 3 } em B = {4, F}. Temos: D (R 2 ) = { 2 } , Im (R 2 ) = {F} , D (R 3 ) = { 1 , 2 } e Im (R 3 ) = B.
(b) Se R 1 =
(x, y) ∈ IR^2 ; y ≥ 0
, ent˜ao D (R 1 ) = IR e Im (R 1 ) = IR+^ ∪{ 0 } (conjunto dos n´umeros reais n˜ao-negativos).
Gr´afico Cartesiano: Quando os conjuntos de partida A e de chegada B de uma rela¸c˜ao R ⊂ A × B s˜ao ambos subconjuntos de IR , temos R ⊂ A × B ⊂ IR × IR = IR^2. Nesse caso, o GR AFICO da rela¸´ c˜ao R ´e o conjunto dos pontos do plano cujas abscissas s˜ao os primeiros termos e as ordenadas s˜ao os segundos termos dos pares ordenados que constituem a rela¸c˜ao:
Exemplos: (a) R = { (x, y) ∈ Z × Z ; x^2 + y^2 ≤ 3 }
(b) R 1 =
(x, y) ∈ IR^2 ; y ≥ 0
Esquema de flechas: Em certas situa¸c˜oes, sobretudo quando A e B s˜ao conjuntos finitos com “poucos” elementos, ´e comum representarmos uma rela¸c˜ao R de A em B representando A e B po meio de Diagramas de Venn e indicando cada par ordenado (x, y) ∈ R por uma flecha com origem x e extremidade y:
Exemplo: R 3 = { (1, 4 ) , (2, 4 ) , (1, F) } ⊂ A × B, com A = { 1 , 2 , 3 } e B = {4, F} :