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Este arquivo contém informações técnicas e objetivas sobre o processo de geração de cavaco.
Tipologia: Notas de estudo
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Professor Heraldo Amorim Porto Alegre, maio de 2003
corte ortogonal. O exemplo mais facilmente assimilado de corte ortogonal é o de um cilindro, com um anel usinado ao seu redor (Figura 1), que é torneado em direção ao centro da peça com uma ferramenta de corte. Para um expectador posicionado em frente ao plano que contém a seção transversal do cilindro, este corte se realiza num plano. As demais simplificações assumidas são: ¸ Cavaco contínuo, sem APC (aresta postiça de corte); ¸ Superfície de folga da ferramenta e a peça sem contato; ¸ Avanço menor que a espessura de corte; ¸ Largura de corte menor que a aresta de corte; ¸ Largura de corte ( b ) igual à largura do cavaco.
Figura 1 – Exemplo de corte ortogonal (fonte: Machado e Silva).
Considere-se agora o volume representado pelas letras klmn na Figura 2. Este volume é deformado elasticamente, conforme vai ocorrendo sua aproximação da aresta de corte. Próximo à aresta o material escoa, deformando-se plasticamente até que as tensões tornam ao material impossível manter o regime, causando a ruptura. Estas deformações continuam ocorrendo até que, ainda dentro da zona de cisalhamento primária, os altos valores de tensão causam a ruptura do material. A fim de facilitar o estudo, costuma-se representar a zona de cisalhamento como o plano (^) OD , chamado então de plano de cisalhamento.
chamado plano de cisalhamento. O ângulo deste plano com o plano de corte é chamado ângulo de cisalhamento ( φ ). Devido às deformações sofridas pelo material durante a usinagem, a espessura do cavaco gerado ( h’ ) é maior do que a espessura do material a ser removido ( h ), o que geralmente pode ser
observado experimentalmente. Dessa maneira, o cavaco gerado é mais curto do que o percurso percorrido pela ferramenta durante a usinagem, com a velocidade do cavaco ( Vcav ) sendo menor do que a velocidade de corte empregada ( Vc ). Através das espessuras inicial e final do material, pode-se obter o grau de recalque (equação 2).
Vel cav
Vc h Rc = h '^ = (1.)
Através do grau de recalque, pode-se obter o ângulo de cisalhamento (equação 2):
n
n Tg (^) Rc γ φ γ sen
cos = (^) − (2.)
Onde γn é o ângulo der saída medido no plano normal da ferramenta (no caso do corte ortogonal, γn = γo, pois λs = 0). Dessa maneira, o valor tanto do grau de recalque quanto do ângulo de cisalhamento do material é uma informação valiosa a respeito da deformação sofrida pelo material na zona de cisalhamento. Materiais dúcteis, devido ao fato de sofrerem grandes deformações, costumam gerar valores baixos de φ. Isto faz com que o cavaco gerado seja mais espesso, e deslize com maior força de atrito sobre a ferramenta. Também as condições observadas na interface cavaco-ferramenta influem no ângulo de cisalhamento. Quando a superfície de saída da ferramenta oferece maior resistência à passagem do cavaco, φ tende a diminuir, aumentando o comprimento do plano de cisalhamento primário. Algumas tentativas foram feitas para determinar (^) φ de forma teórica. Algumas delas,
citadas por Machado (2000), são as teorias de Ernest e Merchant (equação 3) e de Lee e Shaffer (equação 4).
φ + β + γ =^ π ne (4.) Onde k é uma constante referente ao material usinado e γne o ângulo de saída normal efetivo.
1.2 Temperatura nas interfaces cavaco-ferramenta e ferramenta peça Um aspecto importante a se considerar na formação de cavaco diz respeito ao calor gerado pelo mesmo. Este calor é gerado pela combinação de altas taxas de deformação com um forte atrito entre peça-ferramenta-cavaco. A figura 3 mostra as isotermas observadas na interface cavaco-ferramenta durante a usinagem de aço com ferramenta de metal duro P20 a uma velocidade de corte de 60 m/min.
Figura 3. Distribuição da temperatura na ferramenta, no cavaco e na peça durante a usinagem.
O excesso de calor pode causar a redução da dureza do material da ferramenta (em especial em ferramentas de aço), e do material usinado. Na ferramenta, pode ainda facilitar a difusão de átomos do cavaco para a ferramenta, gerando uma superfície com baixa resistência ao
cisalhamento e, portanto, mais suscetível ao desgaste. A combinação entre as altas temperaturas e pressões que ocorrem na aresta de corte da ferramenta pode causar inclusive a soldagem de material da peça na aresta cortante, gerando o fenômeno conhecido como aresta postiça de corte ( built up edge ), que geralmente é danoso ao processo. A APC ocorre geralmente em baixas velocidades, sendo, por isso, mais comum na usinagem com ferramenta de aço rápido. Problemas decorrentes da ocorrência da APC são a queda do acabamento superficial e o fato de que, quando arrancado da ferramenta (Figura ), pode levar consigo pequenas quantidades de material da aresta de corte (mecanismo de desgaste conhecido como desgaste por adesão). Como efeito positivo, a ocorrência da APC causa a redução da força de corte, devido ao aumento do ângulo de saída efetivo.
termoplástico catastrófico”. Segundo esses autores, este tipo de cavaco pode ocorrer inclusive na usinagem de materiais com boa condutividade térmica, a partir de uma velocidade de corte, chamada pelos autores de “ velocidade de corte crítica ”, característica do material. O controle do tipo de cavaco produzido é de extrema importância. O cavaco contínuo, além de oferecer perigo ao operador, pode emaranhar-se ao redor da peça ou ferramenta, dificultando a operação e tornando a superfície usinada menos atrativa. Além disso, ainda há o alto coeficiente volumétrico do cavaco contínuo em relação aos outros tipos.
O coeficiente volumétrico (equação 5) é um índice definido como a razão entre o volume ocupado pelo cavaco ( Vcav ) e o volume ocupado pela mesma quantidade, em massa, do mesmo material ( Vp ).
p
cav V ω = V (5.)
Não é rara a ocorrência de cavacos contínuos com (^) ω=200, o que dificulta tanto a
estocagem do cavaco quanto a remoção do mesmo. Apesar disso, alguns autores, como Stemmer, 1995, defendem que, do ponto de vista do acabamento superficial, da durabilidade da ferramenta e da energia consumida, o cavaco contínuo é o mais benéfico. Também o cavaco parcialmente contínuo pode apresentar problemas, como geração de vibrações, que podem acarretar danos como ondulações na superfície usinada, desgaste excessivo da ferramenta, e até mesmo efeitos nocivos como desbalanceamento rotativo nos principais mancais do torno. A ocorrência de cavaco contínuo pode ser evitada, ou ao menos minimizada adotando-se alterações nos parâmetros de corte, dentre as quais estão: ¸ Diminuição do ângulo de saída e de inclinação da ferramenta, ou ainda o uso destes como valores negativos; ¸ Aumento do avanço e da profundidade de corte; ¸ Diminuição da velocidade de corte; ¸ Uso de quebra-cavaco. Destas opções, a mais comumente adotada em processos cujos parâmetros de corte propiciem a formação de cavaco contínuo, é o uso de quebra-cavacos na superfície de saída da ferramenta, pois, além de proporcionar uma solução simples e rápida para o problema, o uso de quebra-cavaco dispensa alterações nos parâmetros de corte.
1.4 Formas de Cavaco Além da extensão do cavaco, também é possível diferenciá-lo quanto à sua forma. A importância desta diferenciação se deve ao fato de algumas formas de cavaco dificultarem a operação de usinagem, prejudicarem o acabamento superficial da peça e desgastarem mais ou menos a ferramenta. A classificação usual dada às formas de cavacos é a seguinte:
Figura 5 – Classificação da forma dos cavacos, de acordo com a norma ISO 3685.
Segundo Ferraresi (1970), a forma mais conveniente é geralmente a helicoidal, sendo o cavaco em lascas preferido em casos onde o cavaco deve ser removido pelo fluído de corte ou
quando há pouco espaço disponível para o cavaco. O cavaco em fita é o mais problemático, pode gerar acidentes e ocupa muito espaço. A Figura mostra a variação do coeficiente volumétrico de acordo com a forma do cavaco.
Ferraresi, D., 1970. “ Fundamentos da usinagem dos metais ”, Editora Edgard Blücher, São Paulo. ISO, 1993. “ Tool Life Testing with Single Point Turning ”, ISO 3685. Machado, A., da Silva, M. B., 2000. “ Usinagem dos Metais ”, Apostila, DEEME – UFU, Uberlândia. Shaw, M. C., 1984. “ Metal Cutting Principles ”, Oxford University Press, Great Britain. Stemmer, C.E., 1995. “ Ferramentas de Corte I ”, 3ª edição, Editora da UFSC, Florianópolis.