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Gerontologia
Tipologia: Notas de estudo
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Ementa Esta disciplina é fundamentada no campo teórico da Gerontologia. O conhecimento gerontológico tem muito a contribuir para a cultura e para vida em sociedade. Trata-se de área com ligações com muitas disciplinas, como Psicologia, Ciência Política, Filosofia, Socio- logia e História. Muitos teóricos têm gerado conhecimento sobre o que significa envelhecer para aqueles que estão envelhecendo. Estas análises, que operam com conceitos derivados das Ciências Humanas e Sociais, são teorias emergentes do envelhecimento que pre- cisam ser aplicadas em muitas pesquisas para se estabelecerem como referenciais. Desta forma, vão se tornar mais e mais confiáveis e respei- tadas à medida que seus conceitos sejam testados com mais precisão e os estudos derivados destas teorias indiquem sua capacidade de prever fatos ou fenômenos. Esta disciplina pretende oferecer a oportunidade para a discussão e o aprofundamento dos conceitos básicos que vão possibilitar a consti- tuição de um novo paradigma no qual os idosos possam ser considerados cidadãos ativos e participantes.
Conteúdo programático e docentes Introdução à Gerontologia – Célia Pereira Caldas. Enfermeira, professora adjunta da Faculdade de Enfermagem da UERJ, vice-diretora da UnATI, mestre pela UERJ e doutora pela UFRJ.
Interdisciplinaridade em Gerontologia – Teresinha Mello. Psicólo- ga, professora do Instituto de Psicologia da UERJ, doutora pela PUC do Rio de Janeiro.
Coordenação – Professora Célia Pereira Caldas
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O desenvolvimento histórico e teórico da Gerontologia – Célia Pereira Caldas.
Desenvolvimento e envelhecimento: paradigmas contemporâneos
A prática gerontológica na atenção à saúde do idoso – Luciana Motta. Médica, coordenadora do ambulatório Núcleo de Atenção ao Idoso da UnATI, mestre pela UERJ.
Ementas z Introdução à Gerontologia – Célia Caldas Nesta aula serão apresentados os conceitos e os princípios básicos em Gerontologia, particularmente aqueles que fundamentam as aborda- gens da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mun- dial da Saúde (OMS), segundo as quais o envelhecimento populacional é uma das maiores conquistas da humanidade. As pessoas idosas são uma fonte preciosa de recursos para a nossa sociedade. No entanto, suas contribuições são ignoradas. Podemos responder ao desafio de envelhe- cer se formos valorizados, em vez de sermos considerados apenas um “peso” para os sistemas econômicos. Para isto, é necessário que organi- zações multinacionais, nacionais, regionais e locais, públicas, privadas ou não-governamentais estabeleçam políticas e programas que visem um “envelhecimento ativo”.
z Interdisciplinaridade em Gerontologia – Teresinha Mello Os cuidados necessários à pessoa idosa precisam dar conta da com- plexidade do processo do envelhecimento. Para isso, é necessário todo o conhecimento disponível, em todas as áreas do saber. Nesta aula, serão abordados os conceitos e tipos de práticas interdisciplinares e interparadigmáticas e apontada a possibilidade de uma abordagem transdisciplinar.
z O desenvolvimento histórico e teórico da Gerontologia – Célia Pereira Caldas O propósito desta aula é apresentar o desenvolvimento histórico e as aplicações das teorias do envelhecimento, pois é muito importante a fundamentação teórica nos discursos sobre os problemas do envelheci-
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A Gerontologia é um campo interdisciplinar que visa estu- dar as mudanças típicas do processo do envelhecimento e de seus determinantes biológicos, psicológicos e socioculturais. É um campo multiprofissional e multidisciplinar. Embora a Gerontologia envolva mui- tas disciplinas, a pesquisa repousa sobre um eixo formado pela Biologia, pela Psicologia e pelas Ciências Sociais. A Geriatria é o estudo clínico da velhice. Compreende a preven- ção e o manejo das doenças do envelhecimento. É uma especialidade em Medicina e também em Enfermagem, Odontologia e Fisioterapia. Em termos biológicos, o envelhecimento compreende os processos de transformação do organismo que ocorrem após a maturação sexual e que implicam na diminuição gradual da probabilidade de sobrevivência. No entanto, o envelhecimento e o desenvolvimento são processos que coexistem ao longo do ciclo vital. A idade cronológica é uma informação que não diz muito sobre o real envelhecimento humano, embora seja um parâmetro importante para o planejamento de políticas de atenção ao idoso ou para a gestão de serviços. A única característica importante a ser destacada em relação ao processo de envelhecimento humano é a heterogeneidade. Ou seja, cada indivíduo envelhece de maneira própria, pois se trata de um pro- cesso multifatorial. Tradicionalmente, considera-se a velhice uma “terceira idade”; a infância é a primeira idade, e a idade adulta, a segunda. Hoje, com o aumento da expectativa de vida já próximo ao limite biológico da espé- cie humana, fala-se de uma “quarta idade”, que seria um período difícil de se determinar, pois foge ao critério cronológico. A quarta idade seria uma fase da vida na qual o organismo não consegue dar conta das de-
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mandas exigidas pelo meio ambiente e os recursos externos – meios de apoio e suporte – se tornam insuficientes. Ou seja, na quarta idade vale o conceito de idade funcional e não o conceito de idade cronológica. A capacidade funcional é o principal indicador da capacidade adaptativa do ser humano. Sua determinação nos informa sobre a idade ou o envelhecimento funcional do indivíduo, e isso não depende da idade cronológica. Ou seja, existem pessoas jovens cronologicamente e bastante envelhecidas funcionalmente, e vice-versa. Já a idade social é determinada pela atualidade da participação na sociedade. O envelhecimento social ocorre quando existe um desengajamento do indivíduo, que deixa de interagir socialmente. Isto é, quando a sociedade oferece oportunidade para o engajamento e os indivíduos mantêm a capacidade de se adequarem ao desempenho de papéis sociais, o envelhecimento social pode até não ocorrer. A aposen- tadoria e a chamada “síndrome do ninho vazio”, que é quando a mulher que se dedicou à família se vê só com a partida dos filhos, são situações que podem precipitar o envelhecimento social. Por isso, é muito impor- tante que o indivíduo atualize seus projetos de vida. Idade psicológica e envelhecimento psicológico se referem à rela- ção entre a idade cronológica e as capacidades de percepção, aprendi- zagem e memória – potencial de funcionamento futuro –, e inclui um senso subjetivo de idade, na comparação com outros. Embora haja uma alteração das funções cognitivas, perceptíveis em testes de desempenho mental com o avançar da idade, não foi detectada uma alteração marcante na personalidade. Destacam-se como características psicossociais do envelhecimento, a vivência de perdas, o declínio físico, a intensificação de reflexões sobre a vida e a diminuição de perspectiva de futuro. São características de um processo natural de desenvolvimento em fases avançadas da vida, ou seja, de um envelhecimento normativo. O envelhecimento normativo pode ser sistematizado em dois ní- veis: o primário, que está presente em todas as pessoas, por ser geneti- camente determinado, e o secundário, que varia entre indivíduos e é decorrente de fatores cronológicos, geográficos e culturais. O conceito de envelhecimento bem-sucedido (Rowe & Kahn, 1987) envolve baixo risco de doenças e de incapacidades, funcionamento físico e mental excelente e envolvimento ativo com a vida. Depende da capa- cidade de adaptação às mudanças físicas, emocionais e sociais. Esta ha-
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determina os tipos de cuidados que serão necessários. Para se avaliar o grau de dependência, utiliza-se o Método de Avaliação Funcional. Fun- ção é a capacidade do indivíduo de se adaptar aos problemas cotidianos, ou seja, àquelas atividades que lhe são requeridas por seu entorno ime- diato, o que inclui a sua participação social, ainda que apresente limita- ção física, mental ou social. Martins Sá (2002), ao apresentar o perfil do gerontólogo, declara que este profissional precisa estar apto a apreender, histórica e critica- mente, o processo do envelhecimento em seu conjunto; compreender o significado social da ação gerontológica; situar o desenvolvimento da Gerontologia no contexto sócio-histórico; atuar nas expressões da ques- tão da velhice e do envelhecimento, com elaboração e implementação de propostas para o enfrentamento; realizar pesquisas que subsidiem a formulação de ações gerontológicas; compreender a natureza interdisciplinar da Gerontologia, com ações compatíveis no ensino, pes- quisa e assistência; zelar por uma postura ética e solidária no desempe- nho de suas funções e orientar a população idosa na identificação de recursos para o atendimento às necessidades básicas e de defesa de seus direitos.
Referências bibliográficas
MARTINS DE SÁ, J. L. A formação de recursos humanos em Gerontologia: funda- mentos epistemológicos e conceituais. In: FREITAS, E. V. et al. (Org.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. MORAGAS, R. M. Gerontologia social : envelhecimento e qualidade de vida. São Paulo: Paulinas, 1997. NERI, A. L. Palavras-chave em Gerontologia. Campinas, SP: Alínea, 2001. ROWE, J. W. & KAHN, R. L. Successful aging. New York: Dell Trade Paperback, 1999.
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O número crescente de idosos no Brasil e no mundo con- duz a pensar na atenção e cuidados adequados a essa faixa da população. O envelhecer é uma etapa do ciclo de vida com perdas e ganhos, inserida em um momento histórico, sociocultural, econômico e político, como qualquer outra fase da vida. Diante disso, os profissionais de Saúde se vêem confrontados com as demandas da totalidade do sujeito idoso. É nesse contexto que as práticas interdisciplinares se apresentam como um modelo adequado para os profissionais que vão trabalhar com adultos mais velhos na área da Educação e da Saúde. As especializações científicas têm seu apogeu no início do século XX, com o objetivo de possibilitar o aprofundamento do saber. Surgem as rami- ficações que buscam atingir o nível micro, como o estudo do gene de uma bactéria, por exemplo. A despeito da importância destes estudos, a compartimentalização favorece o esfacelamento do conhecimento se não houver uma ponte para o diálogo e para possíveis ligações. Faz-se necessário estabelecer conexões lógicas em prol de um objetivo maior. Assim, a interdisciplinaridade toma expressão na década de 70 do século passado. Segundo Japiassu (1976), a interdisciplinaridade se faz com a co- laboração de disciplinas diferentes ou de setores heterogêneos de uma mesma ciência. Contudo, é preciso que haja interação e um tanto de reciprocidade nos intercâmbios para que cada disciplina, ao final, saia mais enriquecida. O espaço interdisciplinar é, ao mesmo tempo, teórico e prático, se levarmos em conta a complexidade das questões humanas. Assim, tanto a produção de conhecimento – que tem uma dimensão teórica – é favorecida pelo intercâmbio disciplinar como a necessidade de atender às demandas sociopolíticas – dimensão prática – são metas da abordagem interdisciplinar.
Teresinha Mello da Silveira
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nações, na prática, deixa de ser importante, e valorizam o conceito mais amplo de equipe. Para eles, “se falarmos de múlti plos profissionais inter ativos, com interesse de trans ferir conhecimentos em todos os sentidos, estamos falando de uma equipe, tenha ela o adjetivo que tiver, e não de um conjunto de profissionais” (p. 440). Numa equipe multidisciplinar não existe hierarquia de papéis. Profissionais de diversas áreas do saber, com diferentes propostas de trabalho e atuações variadas, agem dentro dos seus limites e interseções, num exercício constante – a interdisciplinaridade é uma construção. Ela deve ser desenvolvida de tal forma que as “ações sejam planejadas e executadas segundo um código de ética e de organização comum a todos os integrantes” (p. 442). O trabalho com idosos, em seu modelo mais atual, se concretiza na interdisciplinaridade. No entanto, não se trata de quem está com a razão e sim qual é o objetivo de cada profissional. A prática da interdisciplinaridade implica numa tentativa constante de acrescentar algo ao conhecimento de um determinado especialista, em prol da to- talidade da pessoa que procura um atendimento. Torna-se necessário uma visão de conjunto, na qual olhares diferentes contribuem para a compreensão de um ser global. Falar em ser global faz lembrar que a interdisciplinaridade se torna mais relevante como um apelo aos estudiosos para se preocuparem com o homem enquanto humano. Assim, a interdisciplinaridade, para além do técnico e do científico, tem uma chamada ética. Ela inclui uma postura de abertura, de cooperação, de exercício de uma boa comuni- cação, de respeito às diferenças em prol do que se propõe. Desta forma, a interdisciplinaridade transcende o conhecimento e, na medida em que envolve o portador desse saber, ela só é plenamente reconhecível quando é possível vivê-la. Por fim, cabe-nos dizer que o exercício da interdisciplinaridade exige esforço, já que posições diferentes geram conflitos que podem e devem ser geridos pelo grupo, quando não solucionados. Contudo, al- guns fatores favorecem e outros dificultam, ou mesmo obstruem, o fluir da prática em equipe. De fato, é preciso que os participantes sejam razoavelmente maduros e construtivos, diminuam as lutas pelo poder e equilibrem competição e cooperação, fenômenos sempre presentes nos grupos. É preciso que haja competência e segurança para que os parti- cipantes não se sintam ameaçados de perder sua identidade profissional
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e mantenham atitudes corporativistas. Resta-nos lembrar que, se a insti- tuição tiver uma outra ideologia de trabalho, as equipes interdisciplinares estão fadadas a fracassar.
Referências bibliográficas
JACOB FILHO, W. & SITTA, M. C. Interprofissionalidade. In: PAPALÉO NETTO, M. et al. Gerontologia: a velhice e o envelhecimento em visão globalizada. São Paulo: Atheneu, 1996. p. 440-450. JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976. VASCONCELOS, E. M. Complexidade e pesquisa interdisciplinar : epistemologia e metodologia operativa_._ Rio de Janeiro: Vozes, 2002.
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râneos. Em seu texto, ele mescla resultados da pesquisa básica sobre o envelhecimento com sugestões práticas para os idosos. Nos anos anteriores à Segunda Grande Guerra, as abordagens holísticas ganham força nos Estados Unidos. Os cientistas se preocupam com o estabelecimento de uma “grande teoria” que abrangesse todo o conhecimento de outras disciplinas para explicar o envelhecimento. A realização mais destacada deste período foi a obra Problemas do envelheci- mento , de 1939, organizada e editada por E. V. Cowdry, com recrutamen- to de 25 cientistas e apoio financeiro do Conselho Nacional de Pesquisa. Esta obra permanece como um marco, pelo qual se pode avaliar os esforços subseqüentes para a construção teórica gerontológica. Ao longo de todo o século XX houve uma polarização entre os teóricos e os cientistas que se preocupavam com o envelhecimento: al- guns especialistas afirmaram que o envelhecimento resultava de “doen- ças degenerativas” enquanto outros consideravam o envelhecimento como um processo natural, sem relação com qualquer particular patologia. John Dewey, o mais importante filósofo norte-americano nesta época, enfatizava a dificuldade inerente ao fato de se desconectar dados “cien- tíficos” do contexto “social”. Ele foi um precursor do reconhecimento de que, não importam os mecanismos subjacentes, as expressões das nuanças dos contextos sociais podem traduzir a diferença entre o que Rowe & Kahn (1987) se referiram meio século após como envelheci- mento “normal” ou “envelhecimento bem-sucedido”. Na segunda edição de Problemas do envelhecimento , em 1942, Lawrence Frank apontou que “o problema é multidimensional e irá requerer para sua solução não apenas uma abordagem multidisciplinar, mas também uma correlação sinóptica de diversos achados e diversos pontos de vista”. Estas posições emolduraram a agenda do desenvolvi- mento da Gerontologia no século XX. Os esforços de Cowdry, John Dewey e Lawrence Frank para cons- truir teorias baseadas na multidisciplinaridade não foram continuados pelas gerações subseqüentes de pesquisadores do envelhecimento. A maioria dos gerontólogos construiu sua reputação ao se aprofundar nos temas relativos ao envelhecimento, em sua especialidade de origem. A partir de então, teorias inovadoras passaram a surgir do trabalho realiza- do no interior de campos específicos e não de investigações conduzidas com lógica interdisciplinar. A American Geriatrics Society, fundada em 1942, complementaria a missão da Gerontological Society of América
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(1945), mas se subscreve aos cânones das Ciências Médicas e endossa apenas secundariamente os princípios da pesquisa transdisciplinar. O esforço para gerar teorias ressurge no pós-Guerra. Só que agora cada área se preocupa com seus objetos próprios, sem buscar uma integração de saberes com os outros campos de conhecimento. Assim, a Biologia desenvolve as teorias biológicas do envelhecimento e as Ciências Humanas e Sociais aperfeiçoam as teorias psicológicas e sociais. Os biólogos assumem como definição de envelhecimento “uma série de mudanças letais que diminuem as probabilidades de sobrevivên- cia do indivíduo” e passam a se preocupar com a busca pelos determinantes ou marcadores do envelhecimento. As teorias biológicas mais conhecidas são as seguintes: Teoria do Envelhecimento Celular (Weismann, 1882); Teoria do Uso e Desgaste (Pearl, 1928); Teoria dos Radicais Livres (Harman, 1956); Teoria da Mutação Somática (Curtis, 1961); Teorias Imunológicas (Walford, 1969; Finch & Rose, 1995); e Teorias Hormonais – Relógio Biológico (Denckla, 1975). Nas Ciências Sociais, principalmente na Psicologia e na Sociologia, observa-se maior esforço para gerar teorias do envelhecimento. Na Soci- ologia, há três gerações distintas de conceituações. A primeira, de 1949 a 1969, caracterizou a Gerontologia Social, cujos precursores são as obras Personal Adjustment in old Age (Cavan, Burgess, Havinghurst & Goldhammer, 1949) e Older People (Havinghurst & Albrecht, 1953). São os marcos teóricos da Gerontologia Social. Estes esforços se alinhavavam com as abordagens da Psicologia So- cial e tratavam das várias formas de atividade e da satisfação de viver. Para explicar o ajuste em face do suposto declínio entre os idosos, estas abordagens se baseavam em fatores de nível micro, como papéis, normas e grupos de referência. As teorias desta geração destacam o indivíduo como a unidade de análise, no seu esforço de explicar os padrões ótimos e os padrões não funcionais de ajuste. Estas teorias foram apresentadas como modelos aplicáveis universalmente, independentes de arranjos contextuais ou sociais. Virtualmente sem exceção, os primeiros esforços se concentraram no ajuste individual, com os fatores sociais considera- dos como inquestionavelmente dados. São alguns exemplos de teorias sociológicas da primeira geração: Teoria do Desengajamento (Cumming & Henry, 1961); Teoria da Atividade (Havighurst, 1968); Teoria da Modernização (Cowgill & Holmes, 1972); e Teoria da Subcultura (Rose, 1965).
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Paradigma da Mudança Ordenada (Bühler, 1935; Jung, 1930; Erikson, 1950); Paradigma Contextualista (Neugarten, 1969; Havighurst, 1951); e Paradigma do Desenvolvimento ao Longo de Toda a Vida ( Life-Span Development ), de orientação dialética (Riegel, 1973, 1975, 1976).
Referências bibliográficas
HENDRICKS, J. & ACHENBAUM, A. Historical development of theories of aging. In: BENGTSON, V. L. & SCHAIE, K. W. (Eds.). Handbook of theories of aging. New York: Springer Publishing Company, 1999. NERI, A. L. Palavras-chave em Gerontologia. Campinas, SP: Alínea: 2001. ____. Paradigmas contemporâneos sobre o desenvolvimento humano em Psicolo- gia e em Sociologia. In: ____. (Org.). Desenvolvimento e envelhecimento. Campinas, SP: Papirus, 2001. ____. Teorias psicológicas do envelhecimento. In: FREITAS, E. V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. ____. ROWE, J. W. & KAHN, R. L. Successful Aging. New York: Dell Trade Paperback,
SIQUEIRA, M. E. C. Teorias sociológicas do envelhecimento. In: FREITAS, E. V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
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O Paradigma do Desenvolvimento ao Longo de Toda a Vida ( Life-Span Development ) é reconhecido como fundamental para a investigação gerontológica mais atual. Embora seja uma abordagem ori- ginada na Psicologia, esta perspectiva teórica é fruto de uma síntese entre as perspectivas sociológicas e psicológicas. Suas formulações têm origem nas óticas do Ciclo de Vida – da Psicologia – e do Curso de Vida – da Sociologia. Na Psicologia, a perspectiva do Ciclo de Vida, proposto por Erik Erikson na década de 1950, adota o critério de estágios como princípio organizador do desenvolvimento – Paradigma da Mudança Ordenada. Na Sociologia, o ponto de vista do Curso de Vida – a partir de 1970 – entende que a sociedade constrói percursos de vida na medida em que prescreve expectativas e normas de comportamento apropriado para as diferentes faixas etárias – teorias sociológicas de segunda e terceira ge- ração. Ainda na Psicologia, Erikson (1950) consagrou o termo “Ciclo de Vida” quando o utilizou em sua teoria de desenvolvimento sobre as oito idades do homem. Em sua concepção, as idades representam ciclos; também a vida humana, uma vez completa, representa um ciclo. O autor exerceu influência sobre os teóricos dos modelos de Curso de Vida – Sociologia – e Life-Span – Psicologia. Na Sociologia, a perspectiva do Curso de Vida começa a se firmar na década de 1970 e é usada para se analisar questões como a natureza dinâmica e processual do envelhecimento; como o envelhecimento é moldado pelo contexto, pela estrutura social e pelos significados culturais; e como o tempo, o período histórico e a coorte acomodam o processo de envelhecimento, tanto para indivíduos como para grupos sociais.
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o desenvolvimento: a) normativas, graduadas por idade; b) normativas, balizadas por história; e c) não-normativas. As variáveis normativas graduadas por idade são as influências bio- lógicas e socioculturais claramente associadas à passagem do tempo. Por exemplo, maturação física; casamento, etc. As variáveis normativas liga- das à história são eventos de alcance genérico, que são vividos por indi- víduos de uma dada unidade cultural e que guardam relações com mudanças biossociais que afetam todo o grupo etário. São exemplos, a guerra, as crises econômicas, etc. As variáveis não-normativas podem ser de caráter biológico ou ambiental e não atingem a todos os indivíduos de um grupo etário ao mesmo tempo. Podemos exemplificar com de- semprego, divórcio, adoecer repentinamente, etc. A descrição do envelhecimento cognitivo como um duplo processo que prevê o aperfeiçoamento da inteligência cristalizada e, ao mesmo tempo, o declínio da inteligência fluida exemplifica essa questão. O Paradigma de Desenvolvimento ao Longo de Toda a Vida – Life-Span – adota uma perspectiva de “declínio com compensação”. De fato, há prejuízos nas capacidades biológicas e comportamentais. No entanto, o declínio é moderado por experiências sociais que produzem capacida- des socializadas estáveis ou até crescentes. Para Baltes (1987, 1997), a idade cronológica não causa o desen- volvimento nem o envelhecimento, mas é um importante indicador. Na verdade, o desenvolvimento se estende por toda a vida. Trata-se de um processo finito e limitado por influências genético-biológicas, determinantes que o indivíduo na velhice seja cada vez mais dependen- te dos recursos da cultura e, simultaneamente, cada vez menos responsivo às suas influências. Com o envelhecimento, diminui a plasticidade comportamental, definida como a possibilidade de mudar para se adaptar ao meio. Fica resguardado o potencial de desenvolvimento, dentro dos limites da plasticidade individual, a qual depende das condições histórico- culturais. Cada idade tem sua própria dinâmica de desenvolvimento.
Referências bibliográficas
NERI, A. L. Paradigmas contemporâneos sobre o desenvolvimento humano em Psicologia e em Sociologia. In: NERI, A. L. (Org.). Desenvolvimento e envelhecimen- to. Campinas, SP: Papirus, 2001. ____. Teorias psicológicas do envelhecimento. In: FREITAS, E. V. et al. (Org.). Tratado
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de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. SIQUEIRA, M. E. C. Teorias Sociológicas do Envelhecimento. In: FREITAS, E. V. et al. (Org.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.