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Humanização na Rede SUS: Valorizando Sujeitos e Produzindo Saúde Integral, Notas de estudo de Enfermagem

Este documento discute a importância da humanização na rede sus brasileira, enfatizando a necessidade de valorizar os diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores. O texto aborda os desafios e avanços do sus, incluindo a fragmentação do processo de trabalho, a necessidade de co-gestão e a importância de respeitar os direitos dos usuários. Além disso, são apresentados princípios norteadores para a humanização, como a valorização da dimensão subjetiva e social em todas as práticas de atenção e gestão, o fortalecimento de trabalho em equipe multiprofissional e a co-responsabilidade dos sujeitos.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 08/11/2008

vanessa-moura-cantaruti-6
vanessa-moura-cantaruti-6 🇧🇷

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bg1
SUS
P o l í t i c a N a c i o n a l d e H u m a n i z a ç ã o
D o c u m e n t o b a s e p a r a G e s t o r e s e T r a b a l h a d o r e s d o S U S
Brasília janeiro/2004
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Baixe Humanização na Rede SUS: Valorizando Sujeitos e Produzindo Saúde Integral e outras Notas de estudo em PDF para Enfermagem, somente na Docsity!

SUS

P o l í t i c a

N a c i o n a l

d e

H u m a n i z a ç ã o

D o c u m e n t o

b a s e

p a r a

G e s t o r e s

e

T r a b a l h a d o r e s

d o

S U S

Brasília

janeiro/

SUS

A esse quadro acrescente-se a desvalorização dos trabalhadores de saúde,expressiva precarização das relações de trabalho, baixo investimento numprocessosaúde é direito de todos e dever do Estado". .Esta é uma conquista dopovo brasileiro. Toda conquista é, entretanto, resultado e início de umoutro processo.Em 1988, votamos a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Com eleafirmamos a universalidade, a integralidade e a eqüidade da atenção emsaúde. Com ele também apontamos para uma concepção de saúde quenão se reduz à ausência de doença, mas a uma vida com qualidade.Muitas são as dimensões com as quais estamos comprometidos: prevenir,cuidar, proteger, tratar, recuperar, promover, enfim, produzir saúde.Muitos são os desafios que aceitamos enfrentar quando estamos lidandocom a defesa da vida, com a garantia do direito à saúde.Neste percurso de 15 anos de SUS, acompanhamos avanços que nosalegram, novas questões que demandam outras respostas, mas tambémproblemas que persistem sem solução, impondo a urgência seja deaperfeiçoamento do sistema, seja de mudança de rumos.Especialmente num país como o Brasil, com as profundas desigualdadessocioeconômicas que ainda o caracterizam, o acesso aos serviços e aosbens de saúde com conseqüente responsabilização de acompanhamentodas necessidades de cada usuário permanece com graves lacunas.

de

educação

permanente

desses

trabalhadores,

pouca

participação na gestão dos serviços e frágil vínculo com os usuários.Um dos aspectos que mais tem chamado a atenção quando da avaliaçãodos serviços é o despreparo dos profissionais para lidar com a dimensãosubjetiva que toda prática de saúde supõe. Ligado a esse aspecto, umoutro que se destaca é a presença de modelos de gestão centralizados everticais desapropriando o trabalhador de seu próprio processo detrabalho.O cenário indica, então, a necessidade de mudanças. Mudanças nomodelo de atenção que não se farão, a nosso ver, sem mudanças nomodelo de gestão.Queremos um SUS com essas mudanças. Para isso, estamos construindouma política que nomeamos Política Nacional de Humanização daatenção e gestão no Sistema Único de Saúde HumanizaSUS.Por

humanização

entendemos

a

valorização

dos

diferentes

sujeitos

implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores egestores. Os valores que norteiam esta política são a autonomia e oprotagonismo

dos

sujeitos,

a

co-responsabilidade

entre

eles,

o

estabelecimento

de

vínculos

solidários

e

a

participação

coletiva

no

processo de gestão.Queremos um SUS humanizado. Entendemos que essa tarefa nos convocaa todos: gestores, trabalhadores e usuários.Queremos um SUS

em todas as suas instâncias, programas e projetos

comprometido com a humanização.Queremos um SUS fortalecido em seu processo de pactuação democráticae coletiva.Enfim, queremos um SUS de todos e para todos. Queremos um SUShumanizado!O documento que ora apresentamos é produto da contribuição de muitosque se envolveram na proposição da Política Nacional de Humanização.O Ministério da Saúde entende que tem a responsabilidade de ampliaresse debate, de sensibilizar outros segmentos e, principalmente, de tornara humanização uma política pública de saúde.

Humberto Costa Ministro da Saúde

Marco teórico-político

Assim, entendemos Humanização como:

Valorização

dos

diferentes

sujeitos

implicados

no

processo

de

produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores;

Fomento da autonomia e do protagonismo desses sujeitos;Aumento do grau de co-responsabilidade na produção de saúde e de sujeitos;

Estabelecimento de vínculos solidários e de participação coletiva no processo de gestão;

Identificação das necessidades sociais de saúde;Mudança nos modelos de atenção e gestão dos processos de trabalho tendo como foco as necessidades dos cidadãos e a produção de saúde;

Compromisso com a ambiência, melhoria das condições de trabalho e de atendimento.

Para isso, a Humanização do SUS se operacionaliza com:

A troca e a construção de saberes;

O trabalho em rede com equipes multiprofissionais;A identificação das necessidades, desejos e interesses dos diferentes sujeitos do campo da saúde;

O

pacto

entre

os

diferentes

níveis

de

gestão

do

SUS

(federal,

estadual

e

municipal),

entre

as

diferentes

instâncias

de

efetivação

das políticas públicas de saúde (instâncias da gestão e da atenção),assim como entre gestores, trabalhadores e usuários desta rede;

O resgate dos fundamentos básicos que norteiam as práticas de saúde no SUS, reconhecendo os gestores, trabalhadores e usuários como sujeitosativos e protagonistas das ações de saúde;

Construção

de

redes

solidárias

e

interativas,

participativas

e

protagonistas do SUS

Destacamos, então, os princípios norteadores da política dehumanização:

Princípios norteadores

  • Valorização da dimensão subjetiva e social em todas as práticas deatenção e gestão no SUS, fortalecendo o compromisso com osdireitos do cidadão, destacando-se o respeito às questões degênero, etnia, raça, orientação sexual e às populações específicas(índios, quilombolas, ribeirinhos, assentados, etc.);- Fortalecimento de trabalho em equipemultiprofissional,fomentando a transversalidade e a grupalidade- Apoio à construção de redes cooperativas, solidárias ecomprometidas com a produção de saúde e com a produção desujeitos;- Construção de autonomia e protagonismo dos sujeitos e coletivosimplicados na rede do SUS;- Co-responsabilidade desses sujeitos nos processos de gestão eatenção;- Fortalecimento do controle social com caráter participativo emtodas as instâncias gestoras do SUS;- Compromisso com a democratização das relações de trabalho evalorização dos profissionais de saúde, estimulando processos deeducação permanente.

Marcas

A implementação da PNH pressupõe vários eixos de ação que objetivama institucionalização, difusão desta estratégia e, principalmente, aapropriação de seus resultados pela sociedade.

  • No eixo das instituições do SUS, pretende-se que a PNH faça partedo Plano Nacional, dos Planos Estaduais e Municipais dos váriosgovernos, sendo pactuada na agenda de saúde (agenda decompromissos) pelos gestores e pelo Conselho de Saúdecorrespondente; -

No eixo da gestão do trabalho, propõe-se a promoção de ações

que assegurem a participação dos trabalhadores nos processos dediscussão e decisão, fortalecendo e valorizando os trabalhadores, suamotivação, o autodesenvolvimento e o crescimento profissional; -

No eixo do financiamento, propõe-se a integração de recursos

vinculados a programas específicos de humanização e outrosrecursos de subsídio à atenção, unificando-os e repassando-os fundoa fundo mediante o compromisso dos gestores com a PNH; -

No eixo da atenção, propõe-se uma política incentivadora do

  • protagonismo dos sujeitos e da ampliação da atenção integral àsaúde, promovendo a intersetorialidade;

No eixo da educação permanente, indica-se que a PNH componha

o conteúdo profissionalizante na graduação, pós-graduação eextensão em saúde, vinculando-a aos Pólos de Educação Permanentee às instituições de formação; -

No eixo da informação/comunicação, indica-se por meio de ação

de mídia e discurso social amplo a inclusão da PNH no debate dasaúde; -

No eixo da gestão da PNH, indica-se o acompanhamento e avaliação sistemáticos das ações realizadas, estimulando a pesquisarelacionada às necessidades do SUS na perspectiva da humanização.

Ações de Implantação 2004

  • Propor que os planos estaduais e municipais de saúde contemplem asestratégias gerais da PNH (agenda de compromissos);- Consolidar e expandir Grupos de Trabalho de Humanização (GTH) noMinistério da Saúde (referência nacional das ações), nas SES (referênciaestadual das ações), nas SMS (referência municipal das ações) e nos serviçosde saúde, inclusive prestadores e hospitais filantrópicos (referência local dasações);- Selecionar, apoiar e publicizar experiências na rede SUS com funçãomultiplicadora;-

Garantir

recursos

necessários

para

a

implementação

da

PNH

com

participação dos três níveis do governo;- Instituir sistemática de acompanhamento e avaliação da PNH articuladacom outros processos de avaliação do MS (Programa de Avaliação deServiços Hospitalares, Pactos de Atenção Básica,

etc.);

  • Articular programas e projetos do Ministério da Saúde (Hospital Amigo daCriança, Humanização do Parto, etc.) à PNH, com vistas a diminuir averticalização e implicando a co-responsabilidade dos gestores estaduais emunicipais na implementação da PNH;-

Construção

e

revisão

dos

contratos/convênios,

protocolos

e

fluxos

assistenciais incorporando as diretrizes do PNH;- Implementar campanha nacional da PNH.

  • Implementar sistema de comunicação e informação que promova oautodesenvolvimento

e

amplie

o

compromisso

social

dos

trabalhadores de saúde;- Promover ações de incentivo e valorização da jornada integral ao SUS,do trabalho em equipe e da participação em processos de educaçãopermanente que qualifiquem sua ação e sua inserção na rede SUS.

Parâmetros para acompanhamento da implementação Na Atenção Básica

  • Elaboração de projetos de saúde individuais e coletivos para usuários esua

rede

social,

considerando

as

políticas

intersetoriais

e

as

necessidades de saúde;- Incentivo às práticas promocionais da saúde;- Formas de acolhimento e inclusão do usuário que promovam a

otimização dos serviços, o fim das filas, a hierarquização

deriscos e o acesso aos demais níveis do sistema efetivadas.

Na Urgência e Emergência, nos Pronto-Socorros,Pronto-Atendimentos, Assistência Pré-Hospitalar e outros:

  • Demanda acolhida através de critérios de avaliação de risco, garantidoo acesso referenciado aos demais níveis de assistência;- Garantida a referência e contra-referência, resolução da urgência eemergência, provido o acesso à estrutura hospitalar e a transferênciasegura conforme a necessidade dos usuários;-

Definição

de

protocolos

clínicos,

garantindo

a

eliminação

de

intervenções desnecessárias e respeitando a individualidade do sujeito.

Na Atenção Especializada:

  • Garantia de agenda extraordinária em função da análise de risco e dasnecessidades do usuário;- Critérios de acesso: identificados de forma pública, incluídos na redeassistencial, com efetivação de protocolos de referência e contra-referência;

Na Atenção Hospitalar

Otimização

do

atendimento

ao

usuário,

articulando

a

agenda

multiprofissional em ações diagnósticas, terapêuticas que impliquemdiferentes saberes e terapêuticas de reabilitação;-

Definição

de

protocolos

clínicos,

garantindo

a

eliminação

de

intervenções desnecessárias e respeitando a individualidade do sujeito.

Neste âmbito, propomos dois níveis crescentes (B e A) de padrões paraadesão à PNH: Parâmetros para o Nível B

  • Mecanismos de escuta para a população e trabalhadores;- Equipe multiprofissional (minimamente com médico e enfermeiro) deatenção à saúde para seguimento dos pacientes internados e comhorário pactuado para atendimento à família e/ou sua rede social;- Existência de mecanismos de desospitalização, visando alternativas àspráticas hospitalares como as de cuidados domiciliares;- Garantia de continuidade de assistência com sistema de referência econtra-referência. - Existência de Grupos de Trabalho de Humanização (GTH) com planode trabalho definido;- Garantia de visita aberta, através da presença do acompanhante e desua rede social, respeitando a dinâmica de cada unidade hospitalar epeculiaridades das necessidades do acompanhante;- Mecanismos de recepção com acolhimento aos usuários;

Parâmetros para o Nível A

  • Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) com plano de trabalhoimplantado;- Garantia de visita aberta, através da presença do acompanhante e desua rede social, respeitando a dinâmica de cada unidade hospitalar epeculiaridades das necessidades do acompanhante;- Ouvidoria funcionando;

Ministério da SaúdeSecretaria Executiva

Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização

Esplanada dos Ministérios, Edifício Sede, Bloco G, 3º andar, sala 336

CEP 70058-900, Brasília - DFTel. (61) 315 2587 / 315 2957 www.saude.gov.br/humanizasus

[email protected]