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Hemograma, sumário de Urina e Funções hepaticas
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 06/10/2019
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O hemograma completo é o exame de sangue que avalia as células que compõem o sangue, como os leucócitos, conhecidos como glóbulos brancos, as hemácias, também chamadas de glóbulos vermelhos ou eritrócitos, e as plaquetas. A parte do hemograma que corresponde à análise das hemácias recebe o nome de eritrograma que, além de indicar a quantidade das células sanguíneas, informa sobre a qualidade das hemácias, indicando se estão do tamanho adequado ou com quantidades recomendadas de hemoglobina no seu interior, o que ajuda a esclarecer causas de anemia, por exemplo. Essas informações são fornecidas pelos índices hematimétricos, que são HCM, VCM, CHCM e RDW. Para a sua coleta não é necessário a realização de jejum, entretanto, recomenda-se não realizar atividade física 24 horas antes do exame e ficar 48 horas sem tomar nenhum tipo de bebida alcoólica, pois podem alterar o resultado.
Para que serve: O hemograma serve para auxiliar diagnóstico e acompanhar a evolução de doenças que provocam alterações no sangue, como:
Anemias; Distúrbios da medula óssea; Infecções bacterianas, fúngicas ou virais; Inflamações; Câncer, especialmente leucemias ou linfomas; Alterações nas plaquetas, como o seu aumento (plaquetose) ou diminuição (plaquetopenia); Acompanhamento de situações que possam comprometer o funcionamento da medula óssea, como durante a quimioterapia, por exemplo.
Além disso, o hemograma é útil para acompanhar doenças crônicas que podem cursar com anemia, como insuficiência renal, artrite reumatoide, insuficiência cardíaca ou doenças pulmonares, por exemplo. O exame tem como função contar, avaliar e classificar as células sanguíneas de acordo com vários critérios estabelecidos. No entanto, mesmo com o resultado fornecido pelo equipamento é preciso que seja feita uma análise microscópica, chamada de contagem diferencial em esfregaço sanguíneo, que é feito por um profissional habilitado em Análises Clínicas. A contagem diferencial consiste na diferenciação dos leucócitos e visualização de estruturas presentes nas hemácias ou nos leucócitos. Além disso, a contagem por meio do microscópio permite identificar células imaturas e, assim, pode auxiliar no diagnóstico de leucemia, por exemplo.
Como interpretar o hemograma
Para interpretar o hemograma deve-se observar seus resultados e verificar se os valores estão normais, altos ou baixo, além de correlacioná-los com possíveis sintomas apresentados pela pessoa e o resultado de outros exames que possam ter sido solicitados.
1. Glóbulos vermelhos, hemácias ou eritrócitos
O eritrograma é a parte do hemograma em que são analisadas as características das células vermelhas do sangue, as hemácias, também conhecidas como eritrócitos.
HT ou HCT - Hematócrito
Representa a porcentagem do volume ocupado pelas hemácias no volume total de sangue
Alto: Desidratação, policitemia e choque; Baixo: Anemia, perda excessiva de sangue, doença renal, deficiência de ferro e de proteínas e sepse.
Hb - Hemoglobina
É um dos componentes das hemácias e é responsável pelo transporte de oxigênio
Alta: Policitemia, insuficiência cardíaca, doenças pulmonares e em altitudes elevadas; Baixa: Gravidez, anemia por deficiência de ferro, anemia megaloblástica, talassemia, câncer, desnutrição, doença hepática e lúpus.
Além da quantidade dos glóbulos vermelhos, um hemograma também deve analisar as suas características morfológicas, pois também podem indicar doenças. Esta avaliação é feita por meio dos seguintes índices hematimétricos:
VCM ou Volume Corpuscular Médio : mede o tamanho das hemácias, que pode estar aumentada em alguns tipos de anemia, como por deficiência de vitamina B ou ácido fólico, alcoolismo ou alterações na medula óssea. Caso esteja diminuído, pode indicar anemia por deficiência de ferro ou de origem genética, como a Talassemia, por exemplo.
HCM ou Hemoglobina Corpuscular Média : indica a concentração total de hemoglobina através da análise do tamanho e coloração da hemácia.
CHCM (concentração da hemoglobina corpuscular média) : demonstra a concentração da hemoglobina por hemácia, estando normalmente diminuído nas anemias, sendo essa situação denominada hipocromia;
RDW (Amplitude de distribuição dos glóbulos vermelhos) : é um índice que indica a porcentagem de variação de tamanho entre as hemácias de uma amostra de sangue, portanto, caso hajam hemácias de tamanhos variados na amostra, o exame poderá vir alterado, o que pode ser uma pista para o início de anemias por deficiência de ferro ou vitaminas, por exemplo, e seus valores de referência estão entre 10 a 15%.
O leucograma é um exame importante para ajudar a verificar a imunidade da pessoa e como o organismo consegue reagir a diferentes situações, como infecções e inflamações, por exemplo. Quando a concentração de leucócitos está elevada, a situação é denominada leucocitose, e o inverso, leucopenia.
Sangramento nas gengivas; Sangramento pelo nariz; Urina com sangue; Sangramento nas fezes; Menstruação volumosa; Feridas com sangramento de difícil controle. Estes sintomas podem surgir em qualquer pessoa com plaquetas baixas, mas são mais comuns quando elas estão muito reduzidas, como abaixo de 50. células/ mm³ de sangue, ou quando associados com outra doença, como dengue ou cirrose, que pioram a função da coagulação do sangue. Uma das doenças mais comummente associada à redução das plaquetas é a púrpura trombocitopênica.
O que pode ser
As plaquetas são produzidas na medula óssea, e vivem cerca de 10 dias, pois estão sempre se renovando. Os fatores que interferem no número de plaquetas do sangue são:
Quimioterapia, radioterapia ou exposição a substância tóxicas para a medula, como chumbo e alumínio;
4. Problemas no funcionamento do baço O baço é responsável por eliminar diversas células do sangue que estão velhas, incluindo as plaquetas, e, se ele estiver aumentado, como acontece em casos de doenças como cirrose hepática, sarcoidose e amiloidose, por exemplo, pode haver uma eliminação de plaquetas ainda saudáveis, em uma quantidade acima do normal. 5. Outras causas Na presença de plaquetas baixas sem uma causa definida, é importante pensar em algumas situações, como o erro de resultado do laboratório, pois pode acontecer agregação das plaquetas no tubo de coleta do sangue, devido à presença de um reagente no tubo, sendo importante repetir o exame, nestes casos. O alcoolismo também pode provocar redução de plaquetas, pois o consumo de álcool, além de ser tóxico para as células do sangue, também afeta produção pela medula óssea. Já na gravidez, pode ocorrer plaquetopenia fisiológica, devido à diluição do sangue pela retenção de líquidos, que costuma ser leve, e se resolve espontaneamente após o parto.
É comum que, nesses casos, haja também a presença de anemia e diminuição dos glóbulos brancos no exame de sangue, pois a medula óssea é responsável pela produção de diversos os componentes do sangue.
O que fazer em caso de plaquetas baixas
Na presença de uma plaquetopenia detectada no exame, é importante tomar alguns cuidados, para evitar o risco de sangramento, como evitar esforços intensos ou esportes de contato, evitar o consumo de álcool e não usar remédios que afetam a função das plaquetas ou aumentam o risco de sangramento, como aspirina, anti-inflamatórios, anti-coagulantes e ginkgo-biloba, por exemplo. Os cuidados devem ser reforçados quando as plaquetas estão abaixo de 50. células/ mm³ no sangue, e é preocupante quando abaixo de 20.000 células/ mm³ no sangue, podendo até ser necessária a internação para observação, em alguns casos. A alimentação deve ser bem equilibrada, rica em cereais, frutas, legumes, verduras e carnes magras, para auxiliar na formação do sangue e a recuperação do organismo. A transfusão de plaquetas nem sempre é necessária, pois com os cuidados e o tratamento, a pessoa pode se recuperar ou viver bem. Entretanto, o médico pode dar outras orientações quando há situações de hemorragia, quando é necessário fazer algum tipo de cirurgia, quando as plaquetas estão abaixo de 10.000 células/ mm³ no sangue ou quando estão abaixo de 20.000 células/ mm³ no sangue, mas também quando surge febre ou necessidade de quimioterapia, por exemplo.
Glicemia de jejum A glicemia de jejum ou glicose em jejum, é um exame de sangue que mede a taxa de glicose na circulação sanguínea e precisa ser feito após um jejum de 8 a 12 horas de duração, ou de acordo com a orientação do médico, sem o consumo de qualquer alimento ou bebida, exceto água. Este exame é muito utilizado para investigar o diagnóstico de diabetes, e para monitorar as taxas de açúcar no sangue de pessoas diabéticas ou com risco para esta doença.
70 ou 50 mg/dl, a depender de condições como hábito de vida, histórico de doenças ou a presença de outros fatores de risco cardiovasculares.
2. Colesterol HDL O HDL, ou high density cholesterol, é conhecido popularmente como bom colesterol e é importante que esteja aumentado na circulação, pois representa maior proteção cardíaca. É recomendado que seu valor esteja acima dos 40 mg para homens e mulheres, como forma de prevenir o risco de doenças cardiovasculares e, para isso, é indicada a realização de atividade física e ter uma alimentação rica em gorduras boas e fibras, presente em peixes, azeite, vegetais e sementes, por exemplo.
3. Colesterol VLDL O VLDL é o tipo de colesterol que tem como função o transporte dos triglicerídeos e do colesterol para os tecidos do corpo, e faz parte do grupo colesterol não-HDL, por isso, deve ser mantido em valores baixos, não sendo recomendado que seus valores estejam acima dos 30 mg/dL.
4. Colesterol não-HDL É a soma de todos os tipos de colesterol, exceto o HDL e, assim como o colesterol LDL isolado, também é considerado pelos médicos um importante fator de risco de doenças cardiovasculares, e podem ser utilizados para o acompanhamento e orientação do tratamento.
O colesterol não-HDL deve estar com níveis 30 mg/dl acima do considerado ideal para o LDL, assim, se o máximo do valor do LDL recomendado para uma pessoa for 130 mg/dl, o colesterol não-HDL é considerado normal se for de até 160 mg/dl.
5. Colesterol total É a soma do HDL, LDL e do VLDL, e o desejável é que esteja com valor abaixo de 190 mg/dL, já que quando está alto também aumenta o risco de doenças como infarto, AVC, angina ou pancreatite, por exemplo. Entretanto, deve-se ter em consideração que, se o colesterol bom (HDL) estiver muito alto, pode aumentar o valor do colesterol total, por isso, é sempre importante comparar os valores do perfil lipídico completo.
6. Triglicerídeos Também conhecidos como triglicérides, estas moléculas de gordura são uma importante fonte de energia para o corpo e para os músculos, entretanto, quando estão elevados na circulação sanguínea, podem facilitar o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
O valor desejável de triglicerídeos no exame de perfil lipídico é menor que 150 mg/dl, e quanto maior o seu valor, maior as chances de complicações. Além das doenças cardiovasculares, os triglicerídeos excessivamente elevados também podem provocar pancreatite.
Quando é indicado o exame de perfil lipídico
Geralmente, a dosagem do lipidograma é feita para adultos a cada 5 anos, entretanto, se houver maior risco para doenças do coração ou se o colesterol estiver alterado em outros exames, este intervalo deve ser menor. Apesar de, normalmente, este exame não ser solicitado para crianças e adolescentes, pode ser feito naqueles com grandes chances de desenvolverem doenças cardíacas,
como aqueles com doenças genéticas do colesterol, diabetes, pressão alta ou obesidade, por exemplo. O que fazer quando está alterado Quando o perfil lipídico está alterado é importante realizar o tratamento, que é orientado pelo médico e, de preferência, com um acompanhamento por um nutricionista. As principais formas de tratar estas alterações incluem: Mudanças na dieta: deve-se evitar alimentos ricos em gordura, como frituras ou carnes gordas, e excesso de carboidratos. Entretanto, nunca se deve esquecer que a dieta deve ser equilibrada, e com as quantidades ideais dos nutrientes para cada pessoa, por isso, é recomendado o seguimento com um nutricionista, para que se saiba selecionar melhor os alimentos e na quantidade ideal e prática de exercícios.
Curva Glicêmica
O exame da curva glicêmica, também chamado de teste oral de tolerância à glicose, ou TOTG, é um exame que pode ser solicitado pelo médico com o objetivo de auxiliar no diagnóstico de diabetes, pré-diabetes, resistência à insulina ou outras alterações relacionadas às células pancreáticas. Esse exame é feito a partir da análise da concentração de glicose no sangue em jejum e depois da ingestão de um líquido açucarado fornecido pelo laboratório. Assim, o médico pode avaliar como o organismo funciona frente a elevadas concentrações de glicose. O TOTG é um exame importante durante a gestação, sendo incluído na lista de exames pré-natais, pois a diabetes gestacional pode representar risco tanto para a mãe quanto para o bebê.
Valores de referência da curva glicêmica A interpretação da curva glicêmica após 2 horas é da seguinte forma: Normal: inferior a 140 mg/dl; Tolerância diminuída à glicose: entre 140 e 199 mg/dl; Diabetes: igual ou superior a 200 mg/dl. Quando o resultado é a tolerância diminuída à glicose, significa que há um grande risco de desenvolver diabetes, podendo ser considerada uma pré-diabetes. Além disso, somente uma amostra deste exame não é suficiente para o diagnóstico da doença, devendo-se ter uma coleta da glicemia de jejum em outro dia para confirmar.
Como é feito o exame
O exame é feito com o objetivo de verificar como o organismo reage frente a elevadas concentrações de glicose. Para isso, a primeira coleta de sangue deve ser feita com o paciente em jejum de pelo menos 8 horas. Após a primeira coleta, o paciente deve beber um líquido açucarado que contém cerca de 75 g de glicose, no caso dos adultos, ou 1,75g de glicose por cada quilo da criança. Após o consumo do líquido são feitas algumas coletas de acordo com a recomendação médica. Normalmente são realizadas 4 coletas de sangue até que sejam completados 2 horas da ingestão da bebida, ou seja, são feitas coletas 30, 60, 90 e 120 minutos após o consumo do líquido. Em alguns casos, o médico pode solicitar apenas uma única dosagem após 2 horas do consumo do líquido. As amostras coletadas são enviadas para o laboratório, em que são feitas análises com o objetivo de identificar a quantidade de açúcar no sangue. O resultado pode ser liberado em forma de gráfico, indicando a quantidade de glicose no sangue em cada momento, o que permite uma visão mais direta do caso, ou em forma de resultados individuais, devendo o médico fazer o gráfico para avaliar a condição de saúde do paciente.
Normalmente também é dosada a quantidade de ácido ascórbico na urina (vitamina C) com o objetivo de verificar se houve ou não interferência no resultado de hemoglobina, glicose, nitritos, bilirrubinas e cetonas, por exemplo. O aumento da quantidade de ácido ascórbico na urina pode ser devido ao uso de remédios ou suplementos de vitamina C ou ao consumo excessivo de alimentos ricos em vitamina C.
Como se preparar para o exame de urina
Geralmente não é necessário qualquer tipo de cuidado especial antes de fazer o exame de urina, no entanto alguns médicos podem pedir que se evite o uso de suplementos de vitamina C, laxantes com antraquinonas ou antibióticos, como o Metronidazol, alguns dias antes, já que podem alterar os resultados. É importante também realizar corretamente a coleta da urina, já que a coleta do primeiro jato ou a falta de higienização correta pode levar a resultados que não refletem a condição do paciente. Além disso, não é aconselhado que as mulheres realizem o exame de urina durante o período menstrual, pois os resultados podem ser alterados.
b) Aspecto — Comumente a urina apresenta-se límpida ou transparente, podendo todavia, exibir aspecto turvo por precipitação de fosfatos, uratos e oxalates ou células epiteliais, leucocitos, hemácias, proteínas e germes, quando estes estão presentes em quantidade excessiva. Na urina reservada em repouso, o sedimento pode depositar-se no fundo do recipiente. Na urina normal esse depósito é mínimo, mas haverá depósito mais ou menos intenso nos casos de piúria, uricosúria e outros. Na colheita das amostras esse depósito deve, também, ser considerado, pois, ao ser agitado no recipiente, fica novamente em suspensão, dando uniformidade à composição do volume total.
c ) Cor — A urina normal exibe cor amarela, variando da tonalidade pálida à de âmbar. Essa coloração é devida a concentração de pigmentos urinarios e, até certo ponto, está relacionada com a densidade. Na poliuria é clara ou incolor e na oliguria ou na ictericia pode apresentar-se castanha. As variações de cor que mais interessam são as das urinas avermelhadas que poderão corresponder à hematuria ou hemoglobinuria. As ácidas são mais escuras que as alcalinas. Em repouso a cor acentua-se com o tempo. Isso se deve ao aparecimento de urobilina e urocromo, produtos da desintegração da bilirrubina pela oxidaçao quando a urina é exposta ao ar ambiente.
d) Cheiro — Odor sui generis, aromático, é devido aos ácidos orgânicos voláteis. Pode apresentar-se amoniacal nas bacteriúrias acentuadas e nas urinas já eliminadas há algum tempo e em repouso. Isso ocorre devido à hidrólise bacteriana da uréia, resultando em amônia e amoníaco. O odor adocicado pode ser devido à presença de corpos cetônicos em quantidade anormal. O odor pútrido relaciona-se com as infecções urinarias.
e) Densidade — Varia em função do estado de hidratação do paciente. Medida num volume de 24 horas e misturada homogéneamente, a densidade deverá oscilar entre 1015 a 1025. Quando o paciente é submetido a regime seco, deverá ultrapassar
f) Reação (pH) — O organismo lança mão da urina para eliminar os íons de hidrogênio que se formam durante o processo metabólico, garantindo, dessa forma, o equilíbrio ácido-básico do meio interno. Como a tendência do desequilíbrio se faz sempre para o lado ácido, parece lógico que a urina seja sempre de reação ácida. O pH urinario varia entre 4,5 e 7, porém, essa acidez se eleva após dieta abundante em proteínas. Durante as infecções urinarias, a urina se apresenta geralmente alcalina, devido à ação dos germes sobre a uréia, formando amônia. Essa reação alcalina aparece também na urina emitida após dieta rica em verduras e frutas, pois as cinzas desses alimentos são ricas em bicarbonatos. Para evitar essa interferência colhe-se, para exame, a urina da primeira micção da manhã. Em pacientes que ingerem alimentos alcalinos ou que apresentam vômitos repetidos, a urina exibe igualmente reação alcalina. Esses fatos devem ser conhecidos, quando se colhe amostra para exame de urina tipo I.
A composição da urina compreende várias substâncias químicas, citadas a seguir.
a) Proteínas — A urina contém normalmente quantidades insignificantes de proteínas. Em situação anormal, esse valor poderá oscilar entre 200 mg e 50 g por litro de urina. A presença de proteinuria poderá indicar afecções gerais como febre ,inflamações das vias urinarias e outras. Nesse caso, o exame do sedimento não acusará cilindrúria. A proteinuria pode ocorrer igualmente nas afecções renais, quando então se acompanhará de cilindros hialinos. Essa proteinuria pode também se originar de substâncias contaminantes, como esperma, pus, secreção albuminosa vaginal e uterina ou menstrual. Esses fatos alertam a enfermeira para alguns detalhes na técnica de colheita, como higiene cuidadosa dos genitais e do perineo, acompanhada, na mulher, de tamponamento vaginal. Para a higiene íntima, é suficiente usar água morna e sabão e enxugar o perineo com toalha limpa, sem uso. Outro aspecto importante, quando a colheita se faz para dosagem de proteína em volume total de 24 horas, é o de que não se deve conservar a diurese com cristais de timol, pois esta, ao ser examinado em laboratorio, apresentará um anel de nitrotimol, que simula o da albúmina, propiciando informação falsa.
b) Açúcares — Entre os vários hidratos de carbono, que podem esporadicamente estar presentes na urina, o mais importante é a glicose, o que constitui a glicosúria. Normalmente, porém, a urina não contém glicose. Transitoriamente poderá ocorrer a "glicosúria alimentar", quando o indivíduo ingeriu grandes quantidades de açúcares pouco tempo antes da colheita, sendo considerada fisiológica. Quando duradoura, a glicosúria indica sempre uma condição patológica que, na maioria dos casos, é diabetes mellitus.
c ) Corpos cetônicos — Quando presentes na urina normal, podem atingir o nível insignificante de até 50 mg em volume excretado nas 24 horas. Corresponde a produtos finais da decomposição de ácidos graxos. Surgem em quantidade patológica quando o organismo se vale das gorduras para atender a suas necessidades energéticas por déficit de glicose. Isso ocorre mais comumente no
e que falseará os resultados. Pelos motivos expostos vê-se que o encaminhamento da amostra ao laboratório não deverá ultrapassar o prazo máximo de quatro horas após colheita.
3. Características microscópicas do sedimento urinario
O estudo do sedimento urinario é considerado como meio auxiliar de grande importância, não só para diagnosticar como também para avaliar a evolução das doenças renais, urológicas, hipertensivas e outras. Este exame inclui a análise dos elementos abaixo citados:
a) Hemácias — Comumente a urina não contém glóbulos vermelhos ou, quando ocorre, não ultrapassa o valor de um ou dois por campo microscópico. Quantidades superiores a esta são sempre patológicas e constituem as hematurias microscópica ou macroscópica. Esta última tem lugar quando a taxa de hemácias atinge ou supera 1 ml de sangue por litro de urina, tornando-se, então, visível à vista desarmada. É preciso que a enfermeira evite na colheita a contaminação da urina com sangue genital ou hemorroidal. Nesse sentido, não se faz a colheita em dias muito próximos do início ou do fim do período menstrual. Havendo urgência do exame, colhe-se a amostra através de sondagem vesical, obedecendo-se rigorosamente aos princípios de assepsia. Deve-se, também, precaver contra a usual confusão na avaliação da urina colorida por medicamentos ou corantes alimentares e a hematuria verdadeira. A primeira só ocorre macroscópicamente.
b) Leucocitos — A urina não deve conter leucocitos; entretanto, a presença destes em número reduzido — dois a três por campo — e estando os mesmos inalterados, a sua presença pode ser considerada fato normal. Ressalte-se que, se estiverem presentes, o seu aspecto terá grande importância. Quando degenerados ou agrupados, formando grumos, sugerem processos inflamatorios das vias excretoras. Se sua presença for conseqüência de perdas sangüíneas, mostram se bem conservados e guardam a mesma proporção de um leucocito para quinhentas hemácias, como a encontrada no sangue circulante. Deve-se ter sempre em conta que a possibilidade de leucocitos contaminantes estará constantemente presente, desde que a urina não tenha sido colhida com técnica adequada. Nesse sentido à higiene genital e perineal, já referidas anteriormente, acrescenta-se a antissepsia rigorosa do meato urinario feita com produtos de comprovada eficácia. Se for solicitado exame de cultura urinaria, evitam-se desinfetantes do tipo "Fisohex", pois poderão esterilizar a urina, não permitindo que a cultura se desenvolva, o que levará a resultados enganosos. Nos dias atuais, vários estudos têm desaconselhado a colheita de urina por sondagem vesical, dada a possibilidade de o catéter carregar bactérias da uretra inferior, contaminando a amostra e propiciando o aparecimento de cistite no indivíduo.
c ) Células epiteliais — Na excreção urinaria de um indivíduo normal é observada a presença de pequeno número de células que provêm da descamação normal das paredes tubulares. Quando estas aparecem em grande número, sugerem sempre processo de irritação e descamação das células epiteliais das vias de eliminação.
c) Cilindros — Formam-se pela coagulação de proteínas que se moldam ao atingir os túbulos renais. Isto se dá em torno de um núcleo mucoprotéico formado por uma globulina secretada pelas células tubulares. Estes moldes tubulares ou cilindros podem se apresentar de várias maneiras. São hialinos, quando constituídos só por proteínas, mostrando-se homogêneos e transparentes. Podem se apresentar com aspecto hemático, leucocitário, epitelial ou misto, se contiverem na sua constituição esses elementos. Tais elementos incluídos no cilindro indicam que a localização do
processo patológico que lhe deu origem está no parênquima renal, daí advindo o seu valor diagnóstico.
d) Muco — Sua presença é normal na urina, onde se apresenta com aspecto filamentoso ou fusiforme. Quando ocorre em quantidade aumentada, indica a ocorrência de processos inflamatorios e irritativos das vias urinarias.
e) Cristais — A presença de cristais no sedimento é um achado comum, mesmo quando estiverem abundantes. Dependem do tipo de alimentação e da reação ácida ou alcalina da urina emitida.
A existência de cristais pode corresponder a uma calculóse renal, porém, não é por si só conclusiva para o diagnóstico. Há litíase evidente que não se acompanha de sedimento típico, assim como existe cristalúria sem a calculóse. Nas urinas ácidas e neutras encontram-se cristais de ácido úrico, uratos, oxalatos de cálcio, cistina, leucina, tirosina e sulfas. Nas alcalinas são mais evidentes os depósitos de fosfato, carbonato de cálcio e urato de amonio. Os exames do sedimento urinario e cultura podem conduzir facilmente a erros diagnósticos se a amostra encaminhada ao laboratório sofrer defeitos na colheita, no encaminhamento ou na identificação. Para prevenir tais ocorrências, além dos cuidados já referidos, acrescenta-se que a amostra deverá ser de urina recente, retirada de preferência na primeira micção da manhã. PÕe-se aqui em evidência a colheita pelo "jato médio". Nesse método, após a higiene e antissepsia do meato urinario, rejeita-se o primeiro jato da micção (o qual limpa o canal uretral); o jato seguinte — médio — é recolhido em cuba esterilizada e imediatamente passado desta para o tubo de ensaio, igualmente esterilizado. 0 encaminhamento do material, devidamente identificado, ao laboratório será, de preferência, imediato ou, pelo menos, dentro do prazo de quatro horas. Há ocasiões em que o próprio paciente ou cliente está em condições de colher sua urina. Nesse caso, é preciso que receba da enfermeira que o assiste orientação simples e objetiva. Se ele estiver alertado para a importância diagnostica da análise da urina, certamente se esforçará por executar com o máximo cuidado o que lhe for ensinado.
Destruição das hemácias velhas ou anormais; Participar na digestão da gordura no processo digestivo, através da secreção da bile; Armazenamento e liberação de glicose; Síntese de proteínas do plasma; Síntese do colesterol; Produção de gorduras (Lipogênese); Produção de precursores das plaquetas; Conversão de amônia em ureia; Purificação e destoxificação de várias toxinas; Metaboliza os medicamentos. O fígado tem uma grande capacidade de regeneração e é por isso que pode-se doar parte do fígado, fazendo a doação em vida. No entanto, existem muitas doenças que podem afetar o fígado, tais como hepatite, gordura no fígado e cirrose.
Doenças relacionadas ao fígado
Quando o fígado encontra-se afetado por alguma doença é comum o surgimento de sintomas como cor amarela na pele e nos olhos, urina escura, fezes claras, aumento do fígado, ficando inchado, e pode haver dor no abdômen, especialmente no lado direito depois de comer. No entanto, o fígado também pode estar comprometido e a pessoa não apresentar nenhum sintoma, sendo descoberta alguma alteração ao realizar exames de sangue que avaliam as enzima hepáticas como ALT, AST, GGT e bilirrubina, ou através de exames de imagem como tomografia ou ultrassonografia, por exemplo.
O que é Insuficiência hepática
A insuficiência hepática acontece quando o fígado não consegue participar com eficiência do processo de desintoxicação do organismo e de todas as outras funções de metabolismo, podendo causar sinais e sintomas como icterícia, inchaço ou mesmo lesões cerebrais. A insuficiência hepática é a consequência mais grave de doenças crônicas no fígado, podendo levar à morte caso não seja realizado um transplante.
Quais os sinais e sintomas
Os sinais e sintomas mais comuns da insuficiência hepática são:
Icterícia, em que a pele e mucosas ficam amareladas pelo acúmulo de bilirrubina no organismo; Baixa concentração de albumina no corpo, causando inchaços; Excesso de amônia no organismo, podendo causar lesões cerebrais; Odor corporal descrito como "bolorento" ou "agridoce"; Tendência a sangramentos vindo do estômago e intestinos; Ascite, que consiste no acúmulo de líquidos na região abdominal. Além disso, podem ainda surgir outros sintomas como cansaço, fraqueza, enjoos e falta de apetite.
Possíveis causas
Geralmente, a insuficiência hepática pode ocorrer devido a uma hepatite causada por vírus, cirrose hepática devido por exemplo ao excesso de consumo de álcool, intoxicação por medicamentos ou suplementos, doenças autoimunes ou causas desconhecidas.
Tipos de insuficiência hepática A insuficiência hepática pode ser aguda ou crônica:
1. Insuficiência hepática aguda A insuficiência hepática aguda é definida como uma doença grave do fígado, que ocorre muito rapidamente, devido a lesões cerebrais em apenas seis meses após o diagnóstico inicial. A destruição do fígado geralmente é causada por ingestão de drogas, toxinas, exposição a agentes químicos, certos medicamentos, envenenamento por cogumelos e infecção pelo vírus da hepatite.
2. Insuficiência hepática crônica A insuficiência hepática crônica desenvolve-se mais lentamente do que a aguda, podendo demorar meses ou mesmo anos a manifestar sintomas e geralmente resulta de uma cirrose devido ao abuso de ingestão de álcool.
Em que consiste o diagnóstico
O diagnóstico da insuficiência hepática pode ser feito através da análise do quadro clínico do paciente e confirmado por exame de sangue. Além disso, pode ainda ser realizada uma biópsia, em que é retirada uma amostra de fígado que é depois analisada em laboratório.
Quais os exames que avaliam o fígado
Para avaliar a saúde do fígado o médico pode solicitar exames de sangue, ultrassonografia e até mesmo uma biópsia, pois são exames que fornecem informações importantes sobre as alterações nesse órgão.
O fígado participa da digestão e metabolismo dos alimentos e, além disso, é por ele que passam os medicamentos ingeridos, por exemplo. Assim, quando há alguma disfunção no fígado, a pessoa pode ter mais dificuldade em digerir corretamente as gorduras, precisando seguir uma dieta especial, além de evitar usar medicamentos sem prescrição médica. Confira as funções do fígado.
Os exames que o médico pode solicitar para avaliar a saúde do fígado incluem:
1. Exames de sangue: AST, ALT, Gama-GT Sempre que o médico precisa avaliar a saúde do fígado ele começa solicitando um exame de sangue chamado Hepatograma, que avalia: AST, ALT, GGT, albumina, bilirrubina, lactato desidrogenase e o tempo de protrombina. Esses exames normalmente são solicitados juntos e fornecem informações importantes sobre a condição do fígado, estando alterados quando há alguma lesão, já que são marcadores muito sensíveis
TGP-ALT: Alanina Aminotransferase O exame da alanina aminotransferase, também conhecido como ALT ou TGP, é um exame de sangue que ajuda a identificar lesões e doenças do fígado devido à
Infarto; Queimaduras; Hipoxia; Obstrução das vias biliares, como colangite, coledocolitíase; Lesão muscular e hipotireoidismo; Uso de remédios como heparinoterapia, salicilatos, opiáceos, tetraciclina, torazina ou isoniazida
Os valores acima de 150 U/L geralmente indicam alguma lesão no fígado e acima de 1000 U/L pode indicar hepatite causada pelo uso de medicamentos, como paracetamol, ou hepatite isquêmica, por exemplo. Por outro lado, os valores diminuídos de AST podem indicar deficiência de vitamina B6 no caso de pessoas que precisam fazer diálise.
Gama glutamil transferase (GGT)
O exame GGT, também conhecido por Gama GT ou gama glutamil transferase, é normalmente solicitado para verificar a presença de problemas no fígado ou obstrução biliar, já que nessas situações a concentração de GGT está elevada. A gama glutamil transferase é uma enzima produzida no pâncreas, coração e fígado, principalmente, podendo estar elevada quando há comprometimento de algum desses órgãos, como pancreatite, infarto e cirrose, por exemplo. Assim, para auxiliar o diagnóstico de problemas hepáticos e biliares o médico normalmente solicita sua dosagem juntamento com TGO, TGP, bilirrubinas e fosfatase alcalina , que é uma enzima também dosada pra auxiliar o diagnóstico de problemas no fígado e obstrução biliar.
Esse exame pode ser solicitado como exame de rotina pelo clínico geral ou quando há suspeita de pancreatite, por exemplo. No entanto a realização desse exame é mais recomendada nos casos de suspeita de cirrose, esteatose hepática, que é a gordura no fígado, e uso excessivo de álcool. O valor de referência variam de acordo com o laboratório sendo normalmente entre 7 e 50 UI/L.
O que significa o valor alterado
Os valores deste exame de sangue devem ser sempre avaliados por um hepatologista ou clínico geral, no entanto, algumas alterações são:
Gama glutamil transferase alto
Esta situação normalmente indica a presença de um problema no fígado, como: Hepatite viral crônica; Diminuição da circulação sanguínea para o fígado; Tumor hepático; Cirrose; Consumo excessivo de álcool ou drogas. Porém, não é possível saber qual o problema específico, sendo necessário fazer outros exames como tomografia computadorizado ou ultrassonografia, por exemplo, além de outros exames laboratoriais. Em alguns casos mais raros, estes valores também podem estar alterados devido a doenças não relacionadas com o fígado, como insuficiência cardíaca, diabetes ou pancreatite.
Gama glutamil transferase baixo
O valor de GGT baixo é semelhante ao valor normal e indica que não existe qualquer alteração no fígado ou consumo excessivo de bebidas alcoólicas, por exemplo. No entanto, se o valor de GGT estiver baixo, mas o valor de fosfatase alcalina estiver alto, por exemplo, pode indicar problemas ósseos, como deficiência de vitamina D ou doença de Paget, sendo importante fazer mais testes para avaliar essa possibilidade.
Como deve ser feito o preparo para o exame
O exame deve ser feito em jejum de pelo menos 8 horas, já que os níveis de GGT podem diminuir após refeições. Além disso, deve-se evitar consumir bebidas alcoólicas 24 horas antes do exame, pois podem alterar o resultado. Alguns medicamentos devem ser suspendidos, pois podem elevar a concentração dessa enzima. É importante comunicar também quando foi a última vez que foi ingerido bebida alcoólica para que seja considerado na hora da análise do resultado, pois mesmo que não tenha sido nas 24 horas anteriores ao exame, pode ainda assim haver elevação na concentração de GGT.
Bilirrubina direta e indireta
O exame de bilirrubina auxilia o diagnóstico de problemas no fígado, vias biliares ou anemia hemolítica, por exemplo, já que a bilirrubina é produto da destruição das hemácias e para ser eliminada pelo organismo necessita ser conjugada a um açúcar no fígado e sofrer a ação da bile.
Existem dois tipos principais de bilirrubina que podem ser medidos com este exame:
Bilirrubina indireta ou não conjugada : é a substância que se forma no momento da destruição dos glóbulos vermelhos no sangue e que depois é transportada para o fígado. Por isso, sua concentração é maior no sangue e pode estar alterada quando existe alguma condição envolvendo as hemácias, como a anemia hemolítica, por exemplo;
Bilirrubina direta ou conjugada : corresponde à conjugação entre a bilirrubina e o ácido glicurônico, um açúcar, no fígado. A bilirrubina direta sofre ação da bile no intestino, sendo eliminada na forma de urobilinogênio ou estercobilinogênio. Assim, a concentração de bilirrubina direta está alterada quando há alguma lesão hepática ou obstrução biliar.
O exame da bilirrubina é solicitado com o objetivo de avaliar a função do fígado, monitorar o tratamento de recém-nascidos ictéricos e avaliar doenças que podem interferir na produção, armazenamento, metabolismo ou excreção de bilirrubinas. Normalmente o médico solicita a bilirrubina total, no entanto os laboratórios também costumam liberar as dosagens de bilirrubina direta e indireta, já que essas duas dosagens são responsáveis pelo valor da bilirrubina total. O exame da bilirrubina não necessita de preparo e é realizado com uma pequena quantidade de sangue. No entanto o resultado desse exame pode sofrer interferência quando a amostra se encontra hemolisada, ou seja, quando a quantidade de hemácias destruídas é muito grande, o que normalmente acontece quando a coleta não é realizada de maneira correta. Por isso é importante que a coleta seja feita em um laboratório de confiança e com profissionais capacitados.