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Intoxicação ambiental, Notas de estudo de Toxicologia

Este documento contém assuntos relacionados a intoxicação ambiental, além da inter-relação deste com o ser humano

Tipologia: Notas de estudo

2021

Compartilhado em 12/04/2022

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ana-luisa-gomes-4 🇧🇷

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A Toxicologia é a "ciência dos efeitos adversos de substâncias químicas sobre os
organismos vivos ou ainda "a ciência que define os limites de segurança dos agentes
químicos, entendendo-se como segurança a probabilidade de uma substância não
produzir danos em condições específicas". A dose correta determina o remédio e o
veneno". Doses gradativas de uma droga dada a um indivíduo geralmente provocam
magnitude de resposta aumentada à medida que as doses são elevadas.
As intoxicações são causadas pela ingestão, aspiração ou introdução no organismo,
acidental ou não, de substâncias tóxicas, como entorpecentes, medicamentos,
produtos químicos utilizados em laboratório e limpeza, alimentos deteriorados,
venenos, gases tóxicos.
Intoxicação é um processo patológico causado por substâncias endógenas ou
exógenas, caracterizado por desequilíbrio fisiológico, consequente das alterações
bioquímicas no organismo. O processo de intoxicação é evidenciado por sinais e
sintomas ou mediante dados laboratoriais e pode ser desdobrado em quatro fases:
exposição, toxicocinética, toxicodinâmica, clínica (MORAES; SZNELWAR;
FERNICOLA, 1991).
Fatores importantes do processo de intoxicação:
tempo de exposição - quanto maior for o tempo em que a pessoa ficou
exposta aos produtos químicos, maiores serão as possibilidades deste produto
causar danos à sua saúde.
concentração do agente - quanto maior for a concentração do agente
químico, maior será a chance de poder causar um efeito danoso à saúde.
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A Toxicologia é a "ciência dos efeitos adversos de substâncias químicas sobre os organismos vivos ou ainda "a ciência que define os limites de segurança dos agentes químicos, entendendo-se como segurança a probabilidade de uma substância não produzir danos em condições específicas". A dose correta determina o remédio e o veneno". Doses gradativas de uma droga dada a um indivíduo geralmente provocam magnitude de resposta aumentada à medida que as doses são elevadas. As intoxicações são causadas pela ingestão, aspiração ou introdução no organismo, acidental ou não, de substâncias tóxicas, como entorpecentes, medicamentos, produtos químicos utilizados em laboratório e limpeza, alimentos deteriorados, venenos, gases tóxicos. Intoxicação é um processo patológico causado por substâncias endógenas ou exógenas, caracterizado por desequilíbrio fisiológico, consequente das alterações bioquímicas no organismo. O processo de intoxicação é evidenciado por sinais e sintomas ou mediante dados laboratoriais e pode ser desdobrado em quatro fases: exposição, toxicocinética, toxicodinâmica, clínica (MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 1991). Fatores importantes do processo de intoxicação: ƒ tempo de exposição - quanto maior for o tempo em que a pessoa ficou exposta aos produtos químicos, maiores serão as possibilidades deste produto causar danos à sua saúde. ƒ concentração do agente - quanto maior for a concentração do agente químico, maior será a chance de poder causar um efeito danoso à saúde.

ƒ toxicidade - algumas substâncias são mais tóxicas que outras, se comparadas a uma mesma concentração. ƒ natureza da substância química ± se é um gás, um líquido, vapor, etc. Isto tem relação com a forma de entrada deste tóxico no organismo, que veremos mais abaixo. ƒ susceptibilidade individual - algumas pessoas são mais sensíveis do que outras a determinados agentes químicos. Classificação quanto á duração da exposição:

  • AGUDA: quando há uma exposição do paciente pelo produto químico por até 24 horas; aplicando-se à realidade dos trabalhadores, considera-se agudo como um único incidente/episódio. Em geral os indivíduos tendem a apresentar os efeitos dessa toxicidade de forma imediata, no entanto, podem apresentar período de latência e então manifestar os sintomas, que inclusive podem ou não assemelhar-se a uma intoxicação crônica (toxicidade retardada)
  • exposição única ou múltipla que ocorra em um período máximo de 24 horas.
  • SUB-AGUDA: ocorre durante algumas semanas
  • SUB-CRÔNICA: ocorre durante alguns meses
  • CRÔNICA: ocorre por um tempo maior do que 3 meses. Frequência: Doses fracionadas reduzem efeito tóxico, caso a duração da exposição não seja aumentada. ° velocidade de eliminação// efeito tóxico revertido No entanto, devido à dificuldade de estimar com precisão esse tempo (no caso de indivíduos humanos), essas são consideradas como subcrônicas (poucos meses) e crônicas (meses a anos). Essas contaminações apresentam clínica diferente das agudas, possuindo outros sintomas e apresentando-se mais tardiamente. No entanto, assim como há variações na intoxicação aguda (t. retardada), indivíduos podem apresentar sintomas agudos (acentuados a cada exposição) além dos efeitos crônicos da substância. FASES DA INTOXICAÇÃO Fase de Exposição: É a fase em que as superfícies externa ou interna do organismo entram em contato com o toxicante. É importante considerar nessa fase a via de
  • armazenamento
  • eliminação: biotransformação e excreção Fase Toxicodinâmica: compreende a interação entre as moléculas do toxicante e os sítios de ação, específicos ou não, dos órgãos e, conse- quentemente, a alteração do equilíbrio homeostático. Ação do AT no organismo. Atingindo o alvo, o AT interage biologicamente causando alterações morfológicas e funcionais produzindo danos. Fase Clínica: a fase em que há evidências de sinais e sintomas, ou ainda, alterações patológicas detectáveis mediante provas diagnósticas, caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do toxicante com o organismo. TIPOS DE INTOXICAÇÃO Existem dois tipos principais de intoxicação, como: x Intoxicação exógena: acontece quando a substância intoxicante está no ambiente, capaz de contaminar através da ingestão, contato com a pele ou inalação pelo ar. As mais comuns são o uso de medicamentos em doses elevadas, como antidepressivos, analgésicos, anticonvulsivantes ou ansiolíticos, uso de drogas ilícitas, picada de animais venenosos, como cobra ou escorpião, consumo de álcool em excesso ou inalação de produtos químicos. x Intoxicação endógena: é causada pelo acúmulo de substâncias maléficas que o próprio organismo produz, como a ureia, mas que costumam ser eliminadas através da ação do fígado e filtragem pelos rins, e podem ser acumuladas quando estes órgãos apresentam uma insuficiência. INTERAÇÕES ENTRE SUBSTÂNCIAS A exposição simultânea a várias substâncias pode alterar uma série de fatores (absorção, ligação protéica, metabolização e excreção)que influem na toxicidade de cada uma delas em separado. Assim, a resposta final a tóxicos combinados pode ser maior ou menor que a soma dos efeitos de cada um deles, podendo-se ter: Ɣ Efeito Aditivo (efeito final igual à soma dos efeitos de cada um dos agentes envolvidos); Ɣ Efeito Sinérgico (efeito maior que a soma dos efeitos de cada agente em separado); Ɣ Potencialização (o efeito de um agente é aumentado quando em combinação com outro agente); Ɣ Antagonismo (o efeito de um agente é diminuído, inativado ou eliminado quando se combina com outro agente).

Segundo a severidade Leve ± são rapidamente reversíveis, e desaparecem com o fim da exposição. Moderada ± quando os distúrbios são reversíveis e não são suficientes para provocar danos. Severa ± quando ocorrem mudanças irreversíveis suficientemente severas para produzir lesões graves ou morte. Segundo a EPA Local aguda ± efeitos sobre pele, membranas mucosas e olhos após exposição que varia de segundos a horas. Sistêmica aguda ± efeitos nos diversos sistemas orgânicos após absorção de substâncias por diversas vias, a exposição pode ser de segundos ou horas. Local crônica ± efeitos sobre pele e olhos após repetidas exposições durante meses e anos. Sistêmica crônica ± efeitos nos sistemas orgânicos após repetidas exposições por diversas vias durante longo período de tempo. Outras classificações Desconhecida ± quando os dados toxicológicos sobre a substância são insuficientes. Imediata ± ocorre rapidamente após única exposição. Retardada ± ocorre rapidamente após longo período de latência Os metais compõem um grupo de elementos químicos sólidos no seu estado puro, com exceção do mercúrio. Dentre estes elementos, existem alguns que apresentam uma densidade mais elevada do que a dos demais, e, por isso, são denominados metais pesados. Além da densidade elevada, se caracterizam por apresentarem altos valores de número atômico (acima de 20), massa específica e massa atômica Os metais pesados, a partir do contato com o organismo humano, podem representar diferentes riscos à saúde. Esses riscos podem ser imediatos, como também podem ter efeitos nocivos em médio ou longo prazo, visto que sua contaminação é progressiva e cumulativa. Possuem a capacidade característica de afetar diferentes órgãos e tecidos do organismo em decorrência dos processos bioquímicos que resultam na afinidade com um ou outro órgão ou tecido.

segmental e, possivelmente, degeneração axonal. A intoxicação por chumbo tem efeitos mais prejudiciais em crianças do que em adultos, porque as crianças absorvem cinco vezes mais chumbo quando expostas do que os adultos. O chumbo também pode causar sérios problemas de desenvolvimento neurológico em crianças devido aos seus efeitos prejudiciais sobre o crescimento de células nervosas e o cérebro em desenvolvimento. Nas crianças expostas ao chumbo desde o nascimento, o nível de chumbo no sangue atinge o pico em torno de 18 a 24 meses, que é um período fundamental em termos de desenvolvimento neurológico, quando as crianças estão adquirindo rapidamente várias habilidades diferentes. A formação de sinapses entre células nervosas (sinaptogênese) também é rápida nesse período e alguns estudos indicam que a inibição desse processo é um dos principais mecanismos patológicos que levam à lesão do sistema nervoso em crianças. INTOXICAÇÃO Uma vez absorvido, o chumbo é distribuído para o sangue onde tem meia-vida de 37 dias, nos tecidos moles, sua meia-vida é de 40 dias e nos ossos, sua meia-vida é de 27 anos, constituindo estes o maior depósito corporal do metal armazenando 90 a 95% do chumbo presente no corpo. A excreção é extremamente lenta, ocorrendo 65% por via renal e 35% por via biliar. O restante é pelo suor, unhas, cabelos, descamação da pele. Os efeitos são a neurotoxicidade, distúrbios hematológicos, distúrbios renais, hipertensão arterial, carcinogenicidade com evidência suficiente em animais e evidência inadequada em humanos (IARC). Também apresenta efeitos reprodutivos com possível aumento de abortos, malformações, natimortos e redução na contagem de espermatozoides. MERCÚRIO ± Hg Metal líquido à temperatura ambiente, inodoro, bom condutor de eletricidade, insolúvel em água e solúvel em ácido nítrico. Os compostos químicos contendo mercúrio são classificados, do ponto de vista toxicológico, em dois grupos principais: compostos orgânicos e compostos inorgânicos, onde se inclui também o mercúrio atômico ou elementar. É encontrado em minérios, combustíveis fósseis (carvão/petróleo) e erupções vulcânicas. INTOXICAÇÃO O mercúrio elementar é solúvel em gorduras, o que lhe permite atravessar membranas. A principal via de penetração são os pulmões, através da inalação dos

vapores metálicos. Cerca de 80% dos vapores inalados são absorvidos nos alvéolos pulmonares, em consequência da alta difusibilidade da substância. O mercúrio é também absorvido através da pele por contato com a forma líquida ou vapor, e através do aparelho digestivo ele é absorvido na proporção de 2 a 10% da quantidade ingerida. Após penetrar no organismo, o mercúrio apresenta-se na forma metálica o que permite atravessar a Barreira Hematoencefálica (BHE), atingindo o cérebro. No sangue e nos tecidos, ele é rapidamente oxidado ao íon mercúrio (Hg2+) que se fixa às proteínas (albumina) e aos glóbulos vermelhos, sendo distribuído. É armazenado no nível do cérebro e dos rins, com baixa taxa de eliminação através dos intestinos e rins, devido à sua baixa excreção renal. No sistema nervoso, armazena-se durante meses. É também eliminado pelas glândulas salivares, lacrimais e sudoríparas Os efeitos agudos na exposição são: ‡ Aparelho respiratório ± os vapores são irritantes, provocando bronquite e edema pulmonar. Surge salivação, gosto metálico, lesão renal, tremores e convulsão. ‡ Aparelho digestivo ± gosto metálico na boca, sede, dor abdominal, vômito e diarreia. ‡ Aparelho urinário ± lesão renal, insuficiência renal e morte. ‡ Sistema nervoso ± alucinações, irritabilidade, perda de memória, irritabilidade emocional, confusão mental, anormalidades nos reflexos, coma e morte. ‡ Pele ± irritação cutânea, edema e pústula ulcerosa nas extremidades dos dedos. A exposição prolongada ao mercúrio elementar leva às seguintes alterações: ‡ Boca ± inflamação da gengiva, que fica mole e esponjosa, dentes moles, inchação das glândulas salivares, excesso de saliva. ‡ Sistema nervoso ± tremores nos braços, nas mãos, pernas, pálpebras, nos dedos e lábios, vertigem e rubor. ‡ Psiquismo ± irritabilidade, perda de memória, alucinações, perda do autocontrole, insônia, depressão, pesadelos. ‡ Outras alterações ± rubor na face e lesões na pele.

como seus compostos sejam extremamente venenosos. É encontrado principalmente sob forma de sulfeto em uma grande variedade de minerais que contém ouro, cobre, chumbo, ferro, níquel, cobalto e outros metais. INTOXICAÇÃO A absorção pode dar-se essencialmente por 3 vias:

  • oral (cerca e 95% dos casos);
  • inalação (25 a 40% dos casos);
  • dérmica (comprovada mas ainda não quantificada). A absorção está dependente da forma química e do tamanho das partículas sendo que as formas pentavalentes são melhor absorvidas através do intestino, enquanto as trivalentes são mais solúveis nas membranas lipídicas. A toxicidade resulta essencialmente da absorção dérmica, embora a inalação possa provocar sintomas severos de intoxicação, quando a exposição é crônica. Inicialmente, o As localiza-se no sangue, ligado à globulina. Depois, é amplamente distribuído por todo o organismo, acumulando-se no fígado, rins e pulmões numa fase primordial e depositando-se nas unhas e cabelo, numa fase mais tardia. Pode ainda substituir o fósforo nos ossos e lá permanecer durante vários anos. Apenas uma pequena parte do As consegue penetrar a barreira hematoencefálica, embora esteja comprovada a sua passagem através da placenta. CROMO O cromo é um metal de transição, duro, frágil, de coloração cinza semelhante ao aço, com forma cúbica cristalina, sem odor e muito resistente à corrosão. O cromo metálico não existe livre na natureza, mas somente na forma de seus compostos. Obtém-se o cromo a partir da cromita (FeCr2O4), principal minério de cromo, aquecendo-a em presença de alumínio ou silício O cromo é um mineral essencial ao homem e também tóxico dependendo da forma como ele é encontrado, ou seja, sua forma de oxidação. Um dos usos mais importante do cromo é em metalurgia para aumentar a resistência à corrosão e dar um acabamento brilhante. Dessa forma, é amplamente utilizado para a produção de aços especiais e em processos de cromagem que consiste na eletrodeposição de uma capa protetora de cromo sobre uma peça. Para a produção de aços especiais, o cromo é adicionado sob a forma de liga com o ferro, conhecido como ferro-cromo.

INTOXICAÇÃO

Os compostos de cromo produzem efeitos cutâneos, nasais, bronco-pulmonares, renais, gastrointestinais e carcinogênicos. Os cutâneos são caracterizados por irritação no dorso das mãos e dos dedos, podendo transformar-se em úlceras. As lesões nasais iniciam-se com um quadro irritativo inflamatório, supuração e formação crostosa. Em níveis bronco pulmonares e gastrointestinais produzem irritação bronquial, alteração da função respiratória e úlceras gastroduodenais O cromo metálico e os compostos de cromo III não representam um risco importante para a saúde humana, já os compostos de cromo VI são tóxicos quando ingeridos, sendo a dose letal de alguns gramas. Em níveis não letais, o cromo VI é carcinogênico. A maioria dos compostos de cromo VI irritam os olhos, a pele e as mucosas. A exposição crônica a compostos de cromo VI pode provocar danos permanentes nos olhos. As principais atividades que envolvem a contaminação por cromo são a mineração e a indústria. A extração de cromita é a fonte mais evidente e pode causar as concentrações mais altas de cromo no ambiente. As indústrias que representam maior risco pela presença de cromo são: indústria de cimento, corantes, construção, curtimento, pinturas (anticorrosivos) e material fotográfico A principal via de absorção de compostos de cromo é pulmonar. Dessa forma, os vapores, névoas, fumos e poeiras no estado metálico, hexavalente e trivalentes, são sugados com uma velocidade equivalente ao diâmetro aerodinâmico da partícula, da solubilidade das membranas celulares e do número de oxidação do cromo no composto, além da atividade dos macrófagos alveolares. NÍQUEL É um metal de transição de coloração branco-prateada, condutor de eletricidade e calor, dúctil e maleável, porém não pode ser laminado, polido ou forjado facilmente, apresentando certo caráter ferromagnético. É encontrado em diversos minerais, em meteoritos (formando liga metálica com o ferro) e, em princípio, existe níquel no núcleo da Terra. É resistente a corrosão, e só pode ser utilizado como revestimento por eletrodeposição. O metal e algumas de suas ligas metálicas são utilizados para manejar o flúor e alguns fluoretos porque reage com dificuldade com essas substâncias. O níquel é usado sob sua forma pura para a produção de protetores de peças metálicas, devido à sua alta resistência à oxidação. É aplicado principalmente em ligas ferrosas e não ferrosas para consumo no setor industrial, em material bélico, em

No Brasil, o Decreto Federal no 4.074, de 4 de janeiro de 2002, que regulamenta a Lei Federal no 7.802, de 11 de julho de 1989, em seu Artigo 1o, Inciso IV, define o termo agrotóxico e afins como produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens, proteção de florestas nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais. São utilizados para alterar a composição da flora ou da fauna, com a finalidade de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. Também estão incluídas as substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento. Ou seja: são substâncias utilizadas para combate de pragas (como insetos, larvas, fungos, carrapatos) e para controle do crescimento de vegetação, entre outras funções. O termo agrotóxico, ao invés de defensivo agrícola, passou a ser utilizado no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988, sendo esta modificação fruto de grande mobilização da sociedade civil organizada. Mais do que uma simples mudança de terminologia, este termo coloca em evidência a toxicidade desses produtos para o meio ambiente e para a saúde humana. Popularmente, os agrotóxicos são também chamados de venenos, remédios, defensivos ou pesticidas. Sua maior utilização é na agricultura. São também utilizados na saúde pública (controle de vetores), no tratamento de madeira, no armazenamento de grãos e sementes, na produção de flores, no combate a piolhos e outros parasitas no homem e na pecuária CLASSIFICAÇÃO Conforme a toxicidade Os agrotóxicos são classificados pela ANVISA, órgão de controle do Ministério da Saúde, em quatro classes de perigo para sua saúde. Cada classe é representada por uma cor no rótulo e na bula do produto

Conforme o organismo alvo e grupo químico Os agrotóxicos também podem ser classificados segundo o grupo químico ao qual pertencem e o tipo de ação (natureza da praga controlada). A forma de classificar os agrotóxicos é importante e pode ser útil para o diagnóstico das intoxicações e para a adoção de tratamento específico. PRINCIPAIS USOS Calcula-se que atualmente são utilizadas cerca de 2000 substâncias diferentes como praguicidas (ingredientes ativos) em todo o mundo. E a partir dessas são produzidas misturas ou formulações com outros ingredientes ativos ou com solventes e emulsificantes. O Brasil está entre os principais consumidores mundiais de agrotóxicos. A maior utilização dessas substâncias está na agricultura, no combate às mais variadas pragas e como desfolhantes e dessecantes. Também tem sido amplamente utilizados no ambiente domiciliar como ratici- das, baraticidas, piolhicidas, mosquicidas, na jardinagem amadora, etc. Ainda são incluídos na medicina veterinária para o controle de carrapatos, miíase, mosca-dos-chifres, pediculoses e outros. Na saúde pública, na eliminação e controle de vetores transmissores de doenças endêmicas. E, ainda, no tratamento de madeira para construção, no armazenamento

por OF é a síndrome intermediária, que pode ocorrer 24 a 96 horas após a crise aguda, tendo duração aproximada de 6 semanas e apresenta-se como uma sequência de sinais neurológicos e fraqueza muscular O terceiro estágio clínico descrito é a neurotoxidade retardada induzida por organofosforados. Os sintomas podem surgir de 2 a 5 semanas após a exposição aguda, apresentando um quadro clínico que inclui fraqueza progressiva, paralisia distal flácida de membros inferiores e superiores e paralisia de músculos respiratórios. A recuperação pode ser demorada (de meses a anos), podendo não ocorrer total reversão do quadro. Assim, é importante que pacientes intoxicados agudamente por OF sejam acompanhados por semanas durante a recuperação de uma intoxicação aguda, para que se observe se ocorrerá a evolução do quadro para algum dos estágios citados Alguns organofosforados e carbamatos estão presentes na revisão da IARC em 2009: ‡ Diclorvós (organofosforado) ± grupo 2B (possivelmente cancerígeno para o homem). ‡ Malation, Paration (organofosforados); Aldicarb, Carbaril, Maneb (carbamatos) ± grupo 3 (não classificado como carcinogênico para o homem). INSETICIDAS ORGANOCLORADOS São agrotóxicos de lenta degradação, com capacidade de acumulação nos seres vivos e no meio ambiente, podendo persistir por até 30 anos no solo. São altamente lipossolúveis e o homem pode ser contaminado não só por contato direto, mas também através da cadeia alimentar ± ingestão de água e alimentos contaminados. Esses inseticidas foram utilizados por várias décadas na saúde pública para o controle de vetores de doenças endêmicas, como a malária, assim como na agricultura. O DDT (inseticida organoclorado) foi banido em vários países a partir da década de 1970. Na intoxicação aguda os sintomas são: irritabilidade, sensação de dormência na língua, nos lábios e nos membros inferiores, desorientação, dor de cabeça persistente (que não cede aos analgésicos comuns), fraqueza, vertigem, náuseas, vômitos, contrações musculares involuntárias, tremores, convulsões, coma e morte. Em caso de inalação, podem ocorrer sintomas como tosse, rouquidão, edema pulmonar, broncopneumonia e taquicardia. Na intoxicação crônica ocorrem alterações no sistema nervoso, alterações sanguíneas diversas, como aplasia medular, lesões no fígado, arritmias cardíacas e lesões na pele (BRASIL, 2010). $ ,$5& FODVVLILFD DOJXQV RUJDQRFORUDGRV FRPR SHUWHQFHQWHV DR JUXSR Â%à (possivelmente cancerígeno para a espécie humana). O DDT, por exemplo, pertence

a este grupo por estar associado ao desenvolvimento de câncer de fígado, de pulmão e linfomas em animais de laboratório. Outros organoclorados pertencentes ao grupo 2B são Clordane, Heptacloro, Hexaclorobenzeno, Mirex. O endossulfam é um inseticida e acaricida do grupo dos organoclorados que ainda é comercializado no Brasil. A ANVISA vêm propondo a reavaliação desse químico, visando à sua proibição no país, por se mostrar como risco à saúde humana, incluindo potencial carcinogênico TRATAMENTO

  • De modo geral, os pacientes com intoxicações agudas devem ser tratadas da mesma maneira que outras situações ameaçadas á visa.
  • Princípios gerais no manejo de uma intoxicação:
  • Reconhecer uma intoxicação
  • Identificação do tóxico
  • Avaliar o risco e a gravidade da intoxicação
  • Estabilizar o paciente clinicamente
  • Diminuir a absorção e aumentar a eliminação do tóxico
  • Prevenir reexposição com uma minuciosa avaliação psiquiátrica
  • Prevenção da absorção e aumento da excreção dos tóxicos de acordo com as vias de intoxicação.
  • Pele: retirada das roupas e resíduos através da lavagem capiosa.
  • Ocular: lavagem capiosa com soro fisiológico e avaliação com oftalmologista
  • TGI: o carvão mineral é utilizado, na maioria das vezes, em dose única, porém em certos casos podem ser ministrado em doses de 4/4h. A lavagem gástrica somente deve ser indicada quando o tempo de ingestão for menor do que uma hora, a substancia for potencialmente tóxica ou desconhecida e sem contraindicações á lavagem. A irrigação intestinal é raramente utilizada para diminuir a absorção de tóxicos, porém pode ser útil para indivíduos que ingeriram grande doses de metais pesados e para expelir pacotes de drogas. A hiper ± hidratação pode induzir a diurese forçada, porém deve manter cuidado com sobrecarga de volume e congestão pulmonar. A alcalinização da urina pode aumentar a excreção de alguns tóxicos. Nunca induzir vômitos.
  • Métodos dialíticos: a hemodiálise clássica é o método mais utilizado e disponível, embora existam a hemofiltração e a hemoperfusão. A hemodiálise é raramente utilizada nos quadros de intoxicações agudas, porém quando necessária pode salvar a vida do paciente.

também pode diminuir a variabilidade genética das espécies vegetais e animais que estão presentes no ambiente em que são utilizados. Com relação ao ar, pode-se considerar que a contaminação por deriva pode atingir os recursos hídricos, fauna e flora que não são alvo da utilização. A poluição e a contaminação dos recursos naturais são outros efeitos dos agrotóxicos no ambiente. Se uma área agrícola localizada em região de manancial ou próxima a nascentes do corpo de água responsável pelo abastecimento de água de um município, a utilização de agrotóxicos pode afetar a qualidade da água consumida, expondo não somente os trabalhadores rurais ou pessoas próximas a essa lavoura, mas toda a população que consome a água. A intoxicação é um problema de Saúde Pública de importância global. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2012, foi estimado que 193.460 pessoas morreram em todo mundo devido a intoxicações não intencionais. Em torno de 1.000.000 pessoas morrem a cada ano devido ao suicídio, sendo significante o número relacionado às substâncias químicas e os pesticidas foram responsáveis por 370. destas mortes. Nos Estados Unidos, em 2014, foram registrados, pelos Centros de Controle de Intoxicação, 2.165.142 atendimentos de casos de exposição humana. No Brasil, embora a dimensão ainda não seja conhecida em sua plenitude, foram registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), entre 2010 a 2014, 376.506 casos suspeitos de intoxicação. Deste total, o estado de São Paulo representou 24,5% (n=92.020). O município de São Paulo, nesse mesmo período, registrou 21.407 casos, representando 23% do total notificado no estado de São Paulo e 5,7% do total do Brasil, conferindo ao município de São Paulo o título de maior notificador do país. A notificação das Intoxicações Exógenas se tornou obrigatória a partir de 2011, com a publicação da Portaria GM/MS no 104 de 25 de janeiro de 2011, que incluiu a intoxicação exógena (IE) na lista de agravos de notificação compulsória, posteriormente a Portaria GM/MS no 1271, de 06 de junho de 2014, manteve a IE na lista de doenças e agravos de notificação compulsória e definiu sua periodicidade de notificação como semanal. A mesma portaria definiu também que a tentativa de suicídio, contida no agravo da violência, é de notificação compulsória imediata e deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente, em até 24 (vinte e quatro) horas desse atendimento, pelo meio mais rápido disponível. Portaria mais recente, a GM/MS no 204, de 17 de fevereiro de 2016 (anexo I) veio substituir a última, sem modificações em relação às IE.

Apesar da importância do agravo na demanda diária dos serviços de saúde da atenção primária, secundária e terciária, o tema é ainda negligenciado na graduação dos profissionais de saúde, diretamente envolvidos em seu atendimento, em especial, na graduação médica. A atualização médica nos temas de toxicologia é imprescindível para a atuação prática, principalmente, no setor de atendimento de emergências, urgências e pronto atendimento no município de São Paulo, tornando este manual um instrumento muito útil para os profissionais de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo conta com o Centro de Controle de Intoxicações, (CCI-SP) que foi criado em 1971 e está instalado no Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya (HMARS), no bairro do Jabaquara. A equipe multiprofissional do CCI-SP, composta por médicos, enfermeiros e psicólogos, oferece orientações e informações, por telefone sobre o diagnóstico e tratamento das intoxicações e atendimento presencial ao pacientes da área de referencia do HMARS. Os organizadores deste manual, baseados na experiência do CCI-SP, não tiveram a pretensão de esgotar os assuntos abordados em seus capítulos. Os objetivos principais deste manual são: fornecer informações essenciais para construir ou descartar o diagnóstico das intoxicações, contribuir para seu tratamento e registrar sua ocorrência no instrumento de notificação compulsória FIIE. À medida que o conhecimento dos agentes tóxicos, suas características de toxicidade, mecanismos de ação e o quadro clínico que produzem passam a ser de domínio dos profissionais de saúde, a hipótese diagnóstica da intoxicação pode ser incluída na avaliação dos pacientes. Da mesma forma, o reconhecimento do agravo e o desenho de seu perfil epidemiológico facilitam o desenvolvimento das políticas de saúde necessárias para sua prevenção e controle. No município de São Paulo, essas medidas são urgentes, uma vez que a intoxicação, principalmente por drogas de abuso, tem sido importante causa de óbito em adolescentes e adultos jovens. Para a escolha dos temas que compõem este manual, nesta primeira edição, foi considerada principalmente a epidemiologia do agravo, onde os agentes tóxicos mais frequentes foram contemplados. Foram incluídos também outros agentes, que embora não representem frequência expressiva em nosso meio, podem levar a quadros graves ou de difícil diagnóstico como: intoxicações por cianeto, opioides, digoxina, metanol, novas drogas de abuso, entre outras.