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INTRODUÇÃO A todo instante estamos expostos a estímu- los diferentes e cada vez mais diversificados, criativos e simultâneos. A maioria deles se utiliza da leitura como ferramenta funda- mental para sua interpretação. Em função disto, a quantidade de material a ser lido cresce de modo inversamente proporcional ao tempo de que dispomos para ler o que nos impele a enfrentar um mundo onde quem não se atualiza e se mantém bem informado fica em desvantagem dos demais. A necessidade de um processo eficaz, que nos permita usufruir melhor da leitura e executá-la em menos tempo, torna-se emergente, além de nos permitir uma visão menos induzida que a dos meios de comunicação de massa, que se utilizam de imagens ou mensagens sonoras e que cada vez mais empregam artifícios para levar seus receptores a conclusões predeterminadas. Parece-nos algo tão normal o fato de lermos que, provavelmente, nunca paramos para pensar em como seria a nossa vida sem o conhecimento da leitura, ou melhor, como seria o mundo se o homem não soubesse ler! Sem dúvida nenhuma, o progresso da humanidade seria bem mais lento e, possivel- mente, ainda não teríamos chegado a invenções importantes como a penicilina. Percebemos que essa capacidade é tão importante e ajustada à nossa sociabili- dade que, muitas vezes, não investimos em seu melhor aproveitamento por achar que a prática se encarrega disto. É preciso reformular essa idéia. O ponto básico da nossa história de leitor é o período que passamos nos alfabetizando. Muitas vezes esse processo se dá em condições inadequadas; as limitações de cada um não são reconhecidas e ficamos à mercê de um método de alfabetização qualquer que pode ser, ou não, o mais indicado para o nosso caso, O ato de alfabetizar, durante muito tempo, foi visto nas escolas como uma exigência curricular, e sua importância posterior, na maioria das vezes, ficava esquecida. O pior é que carregamos os prejuízos no resto de nossas vidas sem saber que eles existem. À principal consequência é a queda na qualidade de leitura, que está relacionada com a percepção e retenção do texto e com o fato de uma população cada vez maior não gostar de ler. O hábito da leitura passa então a ficar vulnerável a fatores como o país, a comunidade, tradição cultural ou a classe social que o indivíduo ocupa. Pesquisas mostram que a maioria das pessoas que cursa o terceiro grau não lê corretamente e apresenta vícios de leitura adquiridos no período de alfabetização que a prejudicou durante toda sua vida escolar, Além de todas as vantagens que a leitura oferece, com ela estamos sempre enriquecendo nosso vocabulário, aumentando o conhecimento da lín- gua, aperfeiçoando nossa cultura e, principalmente, avivando nossa imagina- ção. Certamente você já se decepcionou ao ver um filme cuja história havia sido lida anteriormente. Isto porque as imagens que foram feitas no decorrer da leitura devem ter sido muito mais fantásticas e criativas do que as apresenta- das pelo filme. As técnicas oferecidas por este livro, ajustadas ao hábito da leitura, trarão rendimentos cada vez melhores, que serão notados com o tempo. O gráfico que isto poderá desenhar vai depender do interesse e do entusiasmo de cada um. Esquema da Visão A etapa mental da leitura é formada por duas fases: * Percepção — Perceber é conhecer, por meio dos sentidos, objetos e situações que estejam de corpo presente ou acontecendo neste ins- tante, de forma a ter acesso imediato e direto a estes. Caso contrário, não se trataria de percepção e sim de evocação ou imaginação. É um processo de interpretação de dados sensoriais. O que faz com que os estímulos sejam percebidos e compreendidos é a vontade de, ao possuí-los, conseguir algo — no caso da leitura, conhecimento ou mero status pessoal ou profissional, A organização do campo perceptivo é formada por fatores internos (ligados a quem percebe, como expe- riências anteriores, motivação, expectativas etc.) e externos, ligados ao estímulo e ao contexto em que ele está inserido). Por exemplo, é mais fácil perceber o estímulo causado por um livro que desejamos ler (motivação) a fim de adquirir conhecimento sobre a novidade que ocorreu em nosso campo profissional ( identificação com experiências anteriores) para que consigamos “bater” a meta proposta pela em- presa (expectativa), do que ler um livro imposto pela chefia autoritá- ria que comanda o setor. Ao estímulo confiamos características como intensidade, contraste, agrupamento, constância, fechamento, conti- nuidade e movimento para acentuar sua percepção. Assim, se quero que funcionários percebam o cartaz que fala sobre prevenção de acidentes, devo fazê-lo com características intensas de cor, tornando- o por exemplo, contrastante dos demais cartazes, atribuindo caracte- rísticas que o façam sobressair do resto, enfim, seduzindo meu público-alvo. Na leitura acelerada, buscamos fazer com que o processo não ocorra palavra por palavra, mas sim pelo bloco de palavras que forma uma idéia, dinamizando a leitura e tornando-a mais atrativa. Além disso, como já possuí- mos considerável conhecimento de nosso idioma, algumas palavras não preci- sam ser lidas totalmente, pois partes delas, ao serem lidas, já nos reportam ao seu significado. Isto acontece porque a raiz da palavra é comum a todos os seus derivados. Por exemplo: BIBLIO BIBLIOteca BIBLIOgrafia TECNO TECNOcrata TECNOlogia A Gestalt, por meio do princípio do fechamento, explica também a capacidade que a mente tem de perceber figuras ou idéias incompletas; assim, apenas parte do que está escrito ou o desenho incomplete da letra já nos permite a leitura, O TALENTO NO CER HIIMANIO É LIMA QMAVIRADE INFRENTE AE [HE DACCIBILITA CAZED AVAUIMA PNICA NIA VIRA Um dos problemas da percepção na leitura é o fato de não compreen- dermos o sentido real dado pelo autor àquela obra; a reconstrução do pensa- mento que o autor escreveu, tal como ele o imaginou. O que vai interferir nessa decodificação é o grau de conhecimento e experiências anteriores de cada leitor. a. Passatempo — aquela em que não estamos adquirindo nenhum conhecimento: é imediatamente inteligível para nós, como a leitu- ra de jornais, revistas ou qualquer outro veículo que apenas nos desperte a curiosidade sobre determinado assunto. Informação — aquela em que estamos no mesmo nível de informa- ção que o autor. À leitura é como um diálogo entre os dois, visando a ampliação na visão de determinados aspectos, maior abrangên- cia e aprofundamento do assunto. O autor leva o leitor à reflexão. Compreensão — basicamente, é o objeto de estudo deste livro. Ao se preparar para executá-la, o leitor estará também se preparando para qualquer outra dimensão de leitura, tendo em vista que esta requer maior empenho e atenção. À leitura com compreensão é aquela em que há uma desigualdade inicial entre o autor e o leitor. O primeiro escreve algo que pode aumentar o conhecimento ou tornar conhecido determinado assunto. Para este tipo de leitura, é necessário maior desgaste de energia a fim de que a compreensão seja o mais satisfatória possível. A tendência é que, em determina- do ponto, o conhecimento de ambos se iguale. Sem dúvida, este tipo de leitura é mais difícil que os demais, porém é muito mais praze- roso atingir os objetivos por meio de nosso próprio esforço. LEITURA EFICIENTE Aleitura eficiente não depende unicamente de quem está lendo. O autor também in- fluencia. Neste resultado e, principalmente se tratando da leitura voltada para a com- preensão, é indispensável que ele faça bom uso da arte de escrever. À linguagem deve ser o mais clara possível, visando o leitor, sem sofisticações que apenas atrapalham. O livro deve estimular a leitura por inter- médio da sua qualidade. Boas letras, espa- co entre as linhas, encadernação resistente e material durável são característi- cas indispensáveis. O leitor deve, antes de tudo, estar estimulado para a leitura, procurar executá-la num ambiente adequado, nem desconfortável nem confortá- vel demais. É comum encontrarmos pessoas que reclamam de nunca conseguir chegar ao fim de determinado livro. Elas preparam uma poltrona bem macia, travesseiros para apoiar a cabeça, música ambiente... O que poderiam encon- trar além de um bom período de sono? O ideal é que haja um ambiente de leitura rotineiro, de forma que os estímulos ambientais não sejam novidades que dispersem o leitor, Uma boa postura, em que nenhum segmento corporal esteja em desconforto, vai contribuir para que o período de leitura seja bastante agradável e proveitoso. A luz deve incidir na página a ser lida, pelo lado posterior esquerdo, para que não haja brilhos, sombra nem penumbra sobre as páginas. O livro não deve estar muito afastado nem junto demais dos olhos e deve ser apoiado em algum móvel, a fim de deixar pelo menos uma das mãos livres para o caso de alguma anotação e para não forçar muito a musculatura de braço, antebraço e punhos. A mão que vira a página deve estar colocada na parte superior daquela que será mudada, processo que deve iniciar antes que seja lida a última frase, de forma que este movimento não implique perda de tempo e interrupções. Anotações feitas a lápis nas páginas para salientar dado importante, ou mesmo compará-lo com a visão de outro autor sobre o assunto, sempre melhora o aproveitamento da leitura. Não se trata apenas de anotações feitas numa primeira leitura; elas devem ser feitas para salientar pontos importantes ou que concentrem a idéia principal do capítulo. E importante que, ao serem relidas, façam o leitor lembrar do tema abordado. E recomendável que não se grife, por exemplo, frases soltas, O tipo de marcação a ser feita, seja uma chave ou sublinhado de alguns aspectos, deve ser estabelecido pelo leitor de modo que, ao visualizá-la, saberá seu significado, seja uma citação importante ou o que julgar necessário consultar. O ato de sublinhar exige uma observação importan- te: devemos sempre sublinhar palavras-chave do parágrafo que, ao serem consideradas, nos reportem ao tema abordado. Em se tratando de documentos, artigos ou algum texto que seja do interesse de um número maior de pessoas, deve-se usar o salientador amarelo, pois, caso seja necessária uma reprodução xerográfica, o texto sairá limpo, sem as anotações feitas no original. Muitos autores criticam o uso de marcações nas páginas dos livros, uma vez que elas podem delinear o que é importante para um leitor mas que pode não o ser para outro que leia o texto a seguir. Contudo, o ideal é que a posse do livro seja integral e que haja liberdade para qualquer atitude que aumente o aproveitamento da leitura. E para que não fique arquivado e sem valor, vamos colocar em prática ou associar a aspectos do nosso cotidiano tudo o que for visto. O que não podemos é nos comportar como simples “cabeças-duras” da leitura que, exerci- tam a chamada ignorância literária, ou seja, lêem muito, mas lêem mal. Bem, estamos agora iniciando a leitura: livro na mão, disposição e então começamos o processo. Existem algumas perguntas que devemos fazer antes de ler um livro, a fim de começar já de forma objetiva: * Por que ler este livro? * Será uma leitura útil? * Dentro de que contexto ele poderá se enquadrar? Durante a leitura, novamente deveremos levantar alguns questiona- mentos: * Qualo ponto de vista do autor? * Qualo tema principal? * Olivro trata o tema com profundidade? Certamente, você deve estar se perguntando se as respostas o apenas com a análise do título, Lógico que não, Elas surgem com um único objetivo: o de que a qualidade do livro seja percebida o quanto antes, para que não seja necessário chegar à última página para perceber que a leitura não foi proveitosa, Elas serão respondidas à medida que formos passando pelos dife- rentes níveis de leitura, associação da palavra escrita ao seu homólogo oral, depois, a partir da intensificação do processo de leitura, esta passa a ocorrer fluente- mente, sem necessitar dessa reaudição. Segundo a neurolingiúística, a linguagem é uma atividade nervosa complexa, que, entre outras atribuições, permite a comunicação interindividual de estados psicoafetivos; desta forma, a presença de sociabilidade se torna imprescindível. A leitura, como um segmento da linguagem, vai depender da presença do outro tanto para que se aprenda a utilizar o código convencionado pela comunidade usuária da língua, bem como para despertar o desejo de comunicação. Este nível começa com a aquisição de palavras. O indivíduo, no início, domina em torno de 400 e percebe-as dentro de um contexto, Parte então para a leitura elementar formada de vocábulos fáceis. A tendência é de, com o tempo, aperfeiçoar este processo. É como se pegássemos a pedra preciosa em seu estado bruto e começássemos a lapidá-la. Contudo, qualquer erro nessa lapidação implicaria desvalorização da jóia. Neste nível, muitas vezes acontecem erros na “lapidação”, mas que podem ser consertados no decorrer da vida. Por acontecer, na maioria das vezes, no período da infância, a impor- tância atribuída à alfabetização é muito pequena, principalmente porque os objetivos a serem atingidos dizem respeito à quantidade de pessoas alfabetiza- das e pouco se interessa pela qualidade do processo. Só na década de 1970, considerada como a década da leitura, nós, brasileiros, paramos para questio- nar a validade dos métodos de alfabetização aplicados nas escolas. Podemos dizer que demoramos muito para perceber o que precisava mudar e que até hoje cometemos falhas por ainda não termos encontrado o método ideal. O segundo nível de leitura é o inspecional ou pré-leitura, Nele, basica- mente, encontramos respostas a algumas das perguntas citadas no capítulo “Leitura Eficiente”. Ele consta de duas fases: Primeiramente, há um folheio sistemático ou a pré-leitura propria- mente dita. Nossa preocupação é olhar o prefácio, analisar um pouco da história da origem do livro, se houve edição anterior e detalhes que normalmente suscitam sua importância e o tipo de resultado que se obtém ao lê-lo, Depois verificamos o sumário, observando os temas abordados, sua sequência e subi- tens. Caso o livro possua o que conhecemos por orelhas, procuramos alguma informação sobre a obra e sobre o autor. Existem leitores que, ao terminarem de ler um texto, não sabem quem o escreveu. Muitas vezes, ao reconhecermos o nome do autor, estamos percebendo toda a essência do livro. É indispensável que saibamos o título do livro para poder “arquivá-lo” adequadamente em nossa biblioteca mental e também para justificá-lo no decorrer da leitura. Isto ajuda a concluir a temática. Embora muitas vezes o título não pareça fazer jus ao livro, sempre conseguimos encontrar seu porquê no texto. Hoje em dia tornou- se praxe incluir nos livros pequenas críticas de intelectuais ou pessoas famosas que leram o livro. Vale a pena conferi-las. Verificamos ainda os capítulos, suas divisões e, por fim, vamos folheá-los bem rapidamente. A seguir, faremos uma leitura superficial que conhecemos como skim- ming (do verbo to skim — deslizar), ou seja, deslizamos nossos olhos sobre o texto. Procuramos ler o livro sem nos deter em obstáculos como termos desco- nhecidos ou parágrafos em que o autor nos propõe uma reflexão. O exercício dessa fase descreve um movimento ocular em forma de “S”, conforme o desenho que segue: Deve-se iniciar este exercício lentamente e aumentar sua velocidade posteriormente. Fazê-lo da esquerda para direita é mais fácil, a princípio, porque é o movimento básico da leitura de nossa língua. Contudo, é preciso procurar apenas VER as palavras escritas, sem nos preocuparmos com a com- preensão, que virá com a prática. Quando estivermos lendo da direita para a esquerda, procuraremos “empurrar” a parte visualizada. O terceiro nível de leitura é o analítico. Repare que estamos nos aprofundando cada vez mais no que diz respeito ao processo de leitura em si. O interessante é que os níveis anteriores estão sempre presentes e são indispen- sáveis para o exercício do nível posterior. Após o vasculhamento feito na pré-lei- tura, atingimos a análise do livro. Note que, como o próprio nome diz, para que possamos analisá-lo, precisamos saber em que gênero ele se enquadra. O livro é um tratado, um romance, uma ficção ou uma exposição sobre determinado assunto? E, ainda: o autor fez uma exposição prática ou foi teórico? Caso tenha sido teórico, procure associar sempre o assunto a atividades que possam exerci- tar os conhecimentos aprendidos. Nesta primeira fase de análise, devemos ser capazes de resumir o assunto do livro em duas frases, de sintetizá-lo em nossa mente de forma que nos conscientizemos em relação ao material a que estamos nos dedicando. Cada pessoa vai passar por esta fase visando ao objetivo de sua leitura. Não esperamos que alguém leia um romance, visando-o como uma leitura do tipo “passatempo”, e tenha tantos cuidados quanto se tivesse lendo aquele livro que foi indicado para resolver problemas administrativos da sua empresa, por exemplo. É preciso frisar que estamos falando da leitura para compreensão! Percebemos que o autor tem uma mensagem básica, que é expli- cada à medida que os capítulos do livro forem avançando. Para que nós, leitores, possamos entender 0 pensamento do autor, este deve obedecer a uma sequência nas informações a fim de direcionar nossa linha de raciocínio. Note que é do interesse dele que toda a mensagem seja compreendida. Para isso, ele precisa trilhar caminhos fáceis e dispô-los organizadamente. Esta organização está implícita no relacionamento e na sequência dos capítulos. Leia as primei- ras frases de cada capítulo para perceber do que se trata e o fechamento que, costumeiramente, apresenta um breve resumo do tema abordado. Desta forma, podemos perceber o encadeamento das idéias. Procure observar os títulos dos capítulos e o elo que eles têm com os que os precedem. Aos poucos, O que vamos conseguir é quase uma conversa com o autor do livro. Chegamos a um grau de intimidade, no qual somos capazes de perce- ber a linguagem usada por ele, quais suas palavras-chave, que tipo de argu- mentos ele utiliza para justificar suas colocações e se, no todo, o livro conseguiu solucionar os problemas que são levantados no decorrer da leitura. Quantas vezes já não nos deparamos na nossa vida profissional com neologismos ou termos específicos que determinada pessoa criou num livro ou em situações de debate como congressos ou reuniões de negócio! Certamente, você deve ter um conhecido que é lembrado toda vez que uma expressão de seu uso cotidiano é ouvida... Um livro expõe respostas a perguntas que ficam implícitas no decorrer dos capítulos; procure descobri-las! Muitas vezes, podemos encontrar citações que ficam sem respostas nesta leitura, mas cabe ao bom leitor compará-las com suas próprias experiên- cias e respondê-las ou então questioná-las em uma leitura complementar. O quarto nível de leitura é o denominado “controle”. Trata-se de uma leitura bem rápida, pelo fato de estarmos familiarizados com o texto, mas vem com uma função específica: revisar se nossa leitura está encaminhada adequa- damente, se não houve perda de conteúdo ou desvio do objetivo do autor. E neste nível que devemos usar o recurso das anotações a lápis, se necessitarmos. A leitura, assim, não será interrompida, mas acrescida de dados. À leitura sintética representa o quinto e último nível, no qual o leitor despenderá maior exercício, contudo sua prática será muito proveitosa, princi- palmente por permitir a verificação de vários livros relacionados com o mesmo assunto, obtendo maior quantidade de informações. É preciso que o leitor já consiga executar a fase analítica nos livros que selecionou previamente, observando que todos falam sobre o assunto a ser pesquisado. Se na leitura analítica nos preocupamos em perceber a linguagem do autor, na sintética vamos considerar uma linguagem nossa, visto que cada autor utilizará seus próprios recursos para traduzir seu pensamento. Para que consigamos direcionar todo o material lido, é preciso que os pontos comuns sejam encontrados e que seja desenvolvida uma linguagem neutra. Seleciona- dos os livros relevantes dentro da escala de interesse determinada, procurare- mos lê-los com o intuito de responder aos requisitos que preestabelecemos, ou seja, o que pretendemos adquirir com estes livros, e quais são as perguntas que devem ser respondidas no decorrer da leitura? Depois, verificaremos as possí- veis divergências e se podem ser solucionadas com afirmações de outros auto- res. É importante que nos mantenhamos o mais imparciais possível, algumas vezes até citando o parecer do próprio autor, para que tenhamos uma visão abrangente do assunto lido. Então, estando o material organizado, conseguire- mos formular um resumo no qual nos basearemos para responder a nossos questionamentos. O leitor oscilará basicamente entre o nível analítico e o sintético, de acordo com o interesse pelo livro em questão, O importante é ressaltar que, para ocorrerem com qualidade, é essencial que se passe pelo nível inspecional. Procure ter um relacionamento prévio com o livro para depois executar a leitura propriamente dita. Você perceberá como este ato vai lhe parecer mais fácil. LEITURA NÚMERO 1 Distraídos tropeçam no inconsciente Um psicólogo decretaria ato falho, mas rasteiras do inconsciente no consciente podem ser chamadas simplesmente de distração. Ela é sempre motivo de aborrecimento para quem comete, mas provoca boas risadas em quem a nota. Juscelino Kubitschek, que quase sempre tirava os sapatos para descansar os pés, numa cerimônia no Palácio do Catete aproveitou a proteção da mesa e ficou descalço. Depois, em animada conversa com o coronel Walter Santos, dirigiu-se ao salão para o coquetel, pisando firme, sobre meias pretas. Einstein também era excessivamente distraído: esquecia-se de vestir meias, não se lembrava de agasalhos no inverno e chegou a perder um cheque vultuo- so, que usou como marcador de livros. E esqueceu onde colocara o livro. Até a astrologia tenta explicar o fenômeno. Para os astrólogos, os signos do ar como aquário, libra e gêmeos, e da água, como escorpião, peixes e câncer, têm uma tendência à abstração. O importante é que, para que o sistema de atenção funcione bem, é preciso que 0 córtex parietal, região cerebral localizada na parte superior da cabeça, não tenha sofrido nenhuma lesão. 160 palavras em minutos e segundos. (Texto retirado do jornal O Globo , domingo, & de julho de 1990.) Esta leitura servirá de base para avaliarmos o desenvolvimento adqui- rido no decorrer do livro. É interessante notar que só o fato de lermos preocupa- dos com o tempo já vai aumentar nossa velocidade real. Para que seja calculado o número de palavras lidas por minuto, divida o número de palavras do texto pela quantidade de minutos gastos. Aproveitando o Texto nº 1, a fórmula seria: PLM =160+tempo= No caso de o tempo ser fracionário e possuir segundos, faça a divisão convertendo o tempo utilizado para a leitura em segundos e multiplique o resultado por 60 para obtê-lo em minutos novamente, Suponhamos que você tenha lido o Texto nº 1 em 2 minutos e 35 segundos; então teremos: 2x 60 + 35 = 155 segundos 160 + 155 = 1,032 (palavras lidas por segundo) 1,032 x 60 = 62 (palavras lidas por minuto) Para avaliar o grau de retenção e compreensão do texto lido, vamos propor sempre depois de cada leitura um questionário de avaliação que, após ser corrigido, informará o percentual de compreensão e retenção relativo à leitura. Responda às perguntas abaixo sem consultar o texto e verifique seu grau de retenção. 1. Qual era o título? 2. Onde foi a cerimônia citada? 3. Onde estava o cheque citado? 4. Qual região cerebral foi citada no texto? 5. O que protegia Juscelino para que ele tirasse seus sapatos? 6. Qual ciência tenta explicar o fenômeno da distração? 7. Qual a patente do senhor que conversava com Juscelino? 8. De que Einstein se esquecia no inverno? 9. De onde foi retirado o texto? 10. Qual foi o ano da sua publicação? Total de acertos:......10= — — % de compreensão(PC) Com mais este resultado, seremos capazes de obter a nossa compreen- são de palavras lidas por minuto (PCM). Para isto, basta multiplicar o nosso PLM (palavras lidas por minuto) pelo nosso PC (percentual de compreensão do texto) e, em seguida, dividir por 100: PCM = (PLM x PC) + 100 Procure preencher os gráficos que se seguem com os resultados obtidos nas leituras propostas no decorrer do livro.