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Necroses diversas no interior da Célula
Tipologia: Notas de estudo
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A apoptose é um fenômeno espontâneo fisiológico presente em vários processos,
como se as células cometessem suicídio, uma vez que sua função não é mais
necessária.
Exemplos: involução de estruturas embrionárias; involução do corpo lúteo;
renovação dos tecidos; atrofia dos órgãos hormono-dependentes; necrose de
muitas neoplasias; necroses secundárias a vírus e nas mediadas por imunidade
celular.
citoplasma
1) Degeneração hidrópica ou Edema celular → lesões celulares
com acúmulo de água → falta de oxigênio (anoxia ou hipoxia –
estados de choque que leva a hipotensão prolongada) ou falta de
substrato (glicose, aminoácidos, ácidos graxos – desnutrição grave) ou
destruição das enzimas de oxidação (ATPase – estados
infecciosos).
Retenção de Na+^ no citoplasma, deixando escapar o K+, levando ao
aumento de água citoplasmática, e consequente inchaço da célula ,
que se torna volumosa e pálida, vista com mais frequência no
parênquima dos rins, fígado e coração.
Faltará ATP para a bomba Na/K e a
membrana celular não conseguirá
fazer a extrusão do Na+
citoplasma
3) Degenerações hialinas → lesões celulares onde o metabolismo
protéico está alterado, com consequente acúmulo de proteína.
Ocorrem nas paredes dos
vasos, arteríolas
(arteriolosclerose) e
capilares glomerulares
(isquemia, atrofia, e
encapsução), em caso de
hipertensão, diabetes
(microangiopatia diabética),
lúpus eritematoso,
glomerulonefrites etc.
Podem atingir o tecido conjuntivo
fibroso, encontradas em cicatrizes
antigas decorrentes de processos
inflamatórios.
Cicatrização: vista nas úlceras de pele,
incisões cirúrgicas, queimaduras; às
vezes se torna exuberante, composta
por tecido consistente, branco-
amarelado ou avermelhado (quelóide)
NECROSE TECIDUAL
A expressão morfológica da necrose vai depender do tecido
morto e da agressão sofrida.
A morte da célula não significa desaparecimento imediato do
seu arcabouço – existem diferentes vias de dissolução que se
seguem após a morte celular.
A identificação do tipo de necrose leva à sua provável causa.
1) Necrose por coagulação → o tipo mais comum – há obstrução de
ramo arterial no órgão = necrose isquêmica, observadas nos infartos
cardíacos, renais, esplênicos e nos tumores de rápido crescimento.
A célula morta passa de estado líquido para gel (estado sólido) como
resultado da perda de água e coagulação protéica (ação de enzimas
ativadas pelo cálcio que atuam sobre as proteínas estruturais).
O foco necrótico vai sendo desfeito e os restos das células mortas vão
sendo fagocitados por macrófagos.
A célula perde o núcleo mas preserva a forma, permitindo o
reconhecimento dos contornos celulares e da arquitetura do tecido,
tornando possível o diagnóstico do órgão.
3) Necrose caseosa → a estrutura necrosada assemelha-se a uma
massa grumosa esbranquiçada, amorfa, de
consistência pastosa e seca.
É uma combinação da necrose de coagulação com a necrose de
liquefação, sendo resultado da agressão celular pelo bacilo de Koch,
portanto, da tuberculose.
4) Necrose gordurosa → é a esteatonecrose – necrose do tecido
adiposo, como resultado da ação das enzimas
pancreáticas ou como consequência da agressão
mecânica traumática no tecido gorduroso.
Em ambos os casos, a aparência é de pingos de vela ou de giz branco
sobre o tecido adiposo, com contornos imprecisos da célula gordurosa
morta cujo conteúdo lipídico foi lipolisado.
6) Necrose gangrenosa (=gangrena) → é uma forma de evolução
da necrose de coagulação.
Ocorrem às custas do somatório de 2 fenômenos: isquemia e liquefação
por ação de bactérias e leucócitos, levando a putrefação do tecido
necrótico, mais comumente acometendo as extremidades dos membros
inferiores decorrentes de tromboses ou tromboembolias arteriais,
aterosclerose, arteriopatia diabética, traumatismos.
Há necrose da pele, dos músculos e de todas as estruturas do pé e/ou
perna, com presença de bactérias junto com inflamação supurativa nas
bordas vivas marginais à área necrótica.
CONSEQUÊNCIAS DA NECROSE
São extremamente variáveis e dependem da causa da necrose, da extensão da
área lesada e do local onde ocorrem.
(^) Baço: vastas áreas de necrose não levam a maiores consequências para a
saúde do indivíduo e na maioria das vezes ocorrem sem nenhuma manifestação
clínica.
(^) Outras áreas: pequenas necroses podem determinar a morte do paciente, como
quando ocorre isquemia com morte tecidual atingindo o sistema e condução do
coração.
(^) Cérebro: intermédio destes extremos - necrose com encapsulamento interno
podendo causar hemiplegia.
(^) Rim: pode produzir hipertensão.
(^) Área de necrose é pequena: o foco necrótico pode sofrer absorção pelos
tecidos vivos circunvizinhos, através da fagocitose por macrófagos.
(^) Drenagem do foco necrótico: através das vias excretoras normais (árvore
brônquica, intestino, colédoco etc) ou neoformadas (=fístulas).
(^) A necrose pode ser substituída por cicatriz fibrosa ou ser calcificada por
depósito de sais de cálcio no tecido morto, ou ainda, virar cisto (= pseudocistos ).