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Tipologia: Notas de estudo
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Como fazemos para chegar à nossa casa? Como sabemos o ponto do ônibus onde devemos descer, em que rua entrar à direita, em que porta entrar? Se cairmos de paraquedas, de olhos vendados, num certo lugar, como saberemos, ao tirar a venda, que estamos na Praça Sete de Setembro, em Belo Horizonte?
As respostas são várias: “É o 2º ponto depois da Praça Tiradentes”, “É em frente à padaria do Joaquim”, “O paraquedas ficou enganchado no ‘Pirulito’ e eu estou dependurado de frente para o Edifício Júlia Nunes Guerra”... Todos esses elementos são pontos de referência. Com base neles, podemos saber onde estamos, para onde vamos, se estamos no caminho certo.
Fazendo estas coisas, estamos, inconscientemente, praticando orientação e navegação. Orientar-se é determinar com precisão onde se está e, a partir daí, para onde se quer ir e qual o melhor caminho. Navegar é deslocar-se orientadamente , ou seja, caminhar sabendo com precisão onde se está e se o deslocamento se mantém na direção desejada.
Termos ligados à navegação estão muito presentes na linguagem cotidiana. Uma pessoa desnorteada está desarvorada, sem saber o que fazer, sem objetivos (está sem o norte). Um desorientado também não sabe para onde ir, quais as suas prioridades, o que pode ou não fazer (está sem o oriente). Orientar alguém é indicar-lhe ações a executar, rumos a tomar, atitudes a assumir, dar-lhe referenciais. Como podemos ver, estes termos referem-se ao norte , para onde uma extremidade da bússola aponta e que é tomado como direção-base; e ao oriente , de onde surge o sol e que nos serve também como direção de referência ou ponto cardeal. Na antiga China, a direção-base era o sul (simplesmente a outra ponta da agulha magnética), mas a hegemonia das nações ocidentais do Hemisfério Norte se impôs às convenções cartográficas e à navegação. E o oriente é tomado como referência, mais do que o ocidente, por ser a direção por onde o
Percebendo, assim, a importância da espacialidade, vamos estabelecer maior intimidade com problemas que a envolvam e seu processamento, começando pelas formas de representação do espaço.
Nós, humanos, somos capazes de gerar conhecimento e transmitir esse conhecimento por meio de linguagens, uma das quais é a dos símbolos. Os símbolos são convencionados, podendo assemelhar-se mais ou menos ao que é representado. As formas de representação podem ser principalmente: Objetais: por objetos; uma estatueta da pessoa ou do animal-totem, ou um objeto ritual, como o cetro real ou o cálice eucarístico; Pictóricas: por meio de figuras, como pinturas rupestres, histórias em quadrinhos, ícones, plantas baixas ou croquis; Sonoras: meios e códigos de sinalização (como o Morse), ou leitmotifs (tema musical associado a um personagem), ou toques instrumentais (vozes de comando por corneta, ou toques indicativos de autoridade); ou Gráficas: letras e números.
Nossa atenção terá como foco principal as representações pictóricas e gráficas, valendo-nos particularmente dos mapas. Vejamos, então, alguns conceitos básicos.
MAPA: é a representação de uma série de dados. Um mapa administrativo, por exemplo, consiste em uma tabela (planilha) quantificada – pode-se citar um mapa de controle de estoques; ou então um mapa de processo, no qual se apresentam as várias etapas de um processo (este pode também ser representado pictoricamente por um fluxograma). No entanto, a ideia mais comum de mapa refere-se a ele como representação pictórica (por figuras) de uma área geográfica, de acordo com o aspecto que se queira destacar: divisão político-administrativa, densidade populacional, nichos ecológicos, atividade econômica, minerais existentes no terreno, tipo de rocha, ruas e atrações turísticas (caso dos mapas urbanos e turísticos, que geralmente não mostram as variações do terreno), rodovias e estradas vicinais (mapas rodoviários, que também geralmente não mostram as elevações e vales)... Sendo que essa figura procurará reproduzir as proporções entre as áreas que retrata, num tamanho manuseável pelo seu
Mapa populacional
CARTA TOPOGRÁFICA: tipo especial de mapa que dá mais ênfase ao aspecto morfológico do terreno, ou seja, a forma como o terreno se apresenta, com os seus acidentes naturais e artificiais (elevações, depressões, cursos d’água, edificações, estradas, por meio de sinais convencionais), de forma mensurável, mostrando as posições horizontais e verticais (indicadas pelas curvas de nível).
CARTA PLANIMÉTRICA: representa apenas a dimensão horizontal do terreno, omitindo os dados de relevo. O principal exemplo é o mapa urbano, que indica as ruas e suas posições relativas, mas não se é um vale ou uma elevação íngreme. Um mapa urbano, rodoviário ou turístico (planimétricos) usualmente omitirá sinais convencionais cartográficos, preferindo apresentar pictogramas (um pneu para indicar uma borracharia, um avião para indicar um aeródromo, uma chave de boca para indicar uma oficina) e ideogramas (a logomarca da rede de postos de combustível ao lado do pictograma da bomba), não necessariamente proporcionais à área representada na carta. Mapas planimétricos poderão, ou não, observar uma escala precisa, assim como reproduzir fielmente o traçado das ruas/estradas, ou ser apresentados de maneira esquemática simplificada (por exemplo, um mapa da rota rodoviária de São Paulo ao Rio de Janeiro pode ser apresentado em uma página como uma reta, tendo escritas as distâncias e posicionados símbolos indicando as principais cidades à margem da rodovia). Um símbolo
pode ser apresentado com tamanhos ou cores diferentes indicando o porte, capacidade ou importância daquilo que está representado.
Mapa planimétrico urbano
CARTA FOTOGRÁFICA: reprodução de uma fotografia aérea que se completou com uma quadriculação arbitrária, inserção de dados marginais, nomes de localidades, numeração de estradas, elevações importantes, limites, escala e orientação aproximada.
CARTA EM RELEVO OU COROGRÁFICA: reproduz as diferenças de nível por meio de nuanças de cor e sombramento. Usualmente feitas em escalas menores (1:100.000 e menores), representam mais regiões do que localidades; sua precisão costuma ser menor, retendo apenas as curvas de nível mais significativas, para dar “uma ideia geral” do relevo da região.
Carta corográfica de Gênova – 1878
CARTA NÁUTICA: representa as variações de relevo no fundo de uma massa de água navegável (rio, lago ou mar – pedras, recifes, bancos de areia, canais, declividade do fundo, redemoinhos, correntes) e as intervenções humanas (boias, faróis, atracadouros, represas, quebra-mares, obstáculos). Os portulanos da Era das Navegações traziam, ainda, informações sobre a localidade (amigável ou não, relações com os vizinhos),
PLANTA: forma representativa que procura reproduzir, “visto de cima”, um traçado, seja de uma casa, de um bairro ou de uma cidade. No caso de um bairro ou cidade, costuma assemelhar-se à carta planimétrica, omitindo ou representando de maneira muito sucinta a conformação do terreno.
Geralmente, os mapas de áreas geográficas, cartas topográficas e plantas são feitos em escala, ou seja, procuram reproduzir na representação as proporções entre os elementos e espaços representados. Vejamos, então, o que é essa topografia à qual certos mapas se referem.
Mapa da América do Sul – Séc. XVI
Conhecer o terreno é uma necessidade que se manifesta desde a Antiguidade, para o estabelecimento das habitações, para o comércio, para a guerra... Tal conhecimento nos permite saber se podemos transpor o terreno, qual o grau de dificuldade de travessia em certos trechos, quais são os pontos em que há estrangulamento da rota e possibilidade de emboscada, os locais próprios para pouso temporário ou instalação permanente (pela possibilidade de alagamento, salubridade ou defensabilidade), e também para distribuição de lotes e de fronteiras, as quais são geralmente balizadas por acidentes capitais – uma linha de crista, um rio... E como somos capazes de transmitir informações por meio de símbolos, não poderíamos deixar de desenvolver alguma forma de, por meio de símbolos, indicar “o que existe no terreno”. Essa necessidade fez nascer a TOPOGRAFIA.
TOPOGRAFIA (do grego: topos , lugar; graphein , escrita) é a arte de representar num plano uma determinada porção da superfície da Terra com as particularidades notáveis, naturais ou artificiais, do terreno. O plano em que é feita essa representação (bidimensional, uma folha de papel) é denominado carta topográfica.
Mas para que representar o terreno numa carta? Acontece que nem sempre a nossa memória guarda com perfeição um trajeto, especialmente se o local aonde vamos nos é desconhecido. Para que nos preparemos adequadamente para ir até lá, precisamos antecipar alguns dados, do tipo: Onde fica, em relação ao ponto em que estamos (pois tudo é uma questão de referencial)? Fica perto de onde (locais que possam servir como referência)? Qual a distância daqui até lá? Como é o acesso? O terreno tem muitas irregularidades ou trechos de progressão difícil? O que o local tem a oferecer como vantagens? Que riscos o local apresenta?
Desta maneira podemos selecionar com melhor probabilidade de acerto o meio de transporte a empregar, estimar o tempo de percurso, indicar o equipamento necessário, avaliar em que estado chegaremos lá, identificar os principais acidentes do terreno...
Acidentes do terreno não são colisões entre montanhas ou machucados nas árvores (apesar de uma queda d’água ser um acidente do terreno). Tal expressão designa as formas que introduzem alterações na continuidade do terreno: elevações, ravinas, obras de engenharia, cursos d’água, quedas d’água...
Acidentes capitais são aqueles que se destacam por alguma característica: o morro mais alto, as torres que são pontos de referência, uma ponte importante...
ESCALA é a razão entre uma medida na carta e sua equivalente no terreno. É indicada por um número fracionário e é obtida pela aplicação da fórmula:
E = d D
Se uma carta nos é apresentada, por exemplo, em escala 1: 25.000, significa que para cada 1 mm que medimos na carta corresponde no terreno uma distância de 25. mm, ou seja, 25 m. Assim, se numa carta em escala 1: 25.000 a distância em linha reta entre duas pontes é de 5 mm, a distância real será assim obtida: E= d = 1 = 5 mm Portanto, D = 5 mm X 25.000 = 125.000 mm = 125 m D 25.000 D
Resultado final, D = 125 m
As cartas podem vir em escala: a) pequena: menor que ou iguala 1:600.000; b) média: entre 1:600.000 e 1:75.000; ou c) grande: maior que ou igual a 1:75.000.
Vimos que a escala é um número fracionário. Assim, lembrando que a fração é tão maior quanto menor for o número no seu denominador, deduzimos que quanto menor o número do denominador da escala, maior será a escala, ou seja, mais próxima do tamanho real. Trabalhar com cartas em escala maior nos traz principalmente duas vantagens: a) menor probabilidade de erro na determinação de distâncias e locação de pontos (numa carta 1:25.000, um erro de 1 mm é um erro de 25 m; numa
carta 1:100.000, é um erro de 100 m, que pode fazer alguma diferença quanto a chegar a um ponto de travessia de rio ou a um endereço); b) maior riqueza de detalhes (tome como exemplo um modelo em miniatura de um automóvel: em escala 1:48, você poderá enxergar a marcação dos instrumentos do painel; em escala 1:144, três vezes menor, por muito favor poderão ser visíveis os mostradores, como pontinhos pretos).
E se temos em mãos uma carta cuja escala não conhecemos? O que fazer? Há alguns meios pelos quais podemos determinar essa escala.
A escala indicada por algarismos na forma fracionária é chamada escala numérica. A representada por linhas ou superfícies é denominada escala gráfica , e é usada para facilitar a determinação de uma distância ou área. A escala gráfica consiste de um quadrado (para medida de superfícies) ou de uma linha (para medida de distâncias). No caso da linha, ela é traçada com tamanho equivalente a um determinado número de
Na UD sobre conceitos, vimos o conceito de carta topográfica e algumas noções sobre seus elementos principais. Vamos, agora, interpretar as informações que ela nos traz.
LENDO A CARTA
Podemos ler qualquer coisa, desde que dominemos o código. O código que utilizamos para leitura de cartas é constituído pelos símbolos e convenções cartográficas estabelecidos pelo Conselho Nacional de Geografia, seguindo normas internacionais.
A folha da carta topográfica nos traz muitos elementos para facilitar a leitura. No topo, traz o nome da região abrangida; nos cantos, as coordenadas geográficas dos limites da carta; no pé da folha, a escala, o ano de edição (que nos permitirá atualizar a declinação magnética), equidistância das curvas de nível, principais símbolos cartográficos, folhas que se articulam com a nossa para que tenhamos uma visão do restante da região, localização da área abrangida pela carta no Estado e no País, as três direções-base e os ângulos entre elas...
Articulação de cartas topográficas.
Direção-base é aquela que serve como referência. As três direções-base são:
Norte Verdadeiro ou Geográfico (NV ou NG): ponto de encontro dos meridianos terrestres. Norte Magnético: para onde indica a ponta N da agulha magnética da bússola. Norte de Quadrícula ou da carta (NQ ou NC): indicado pela parte superior das verticais das quadrículas.
O ângulo entre o NV e o NQ é chamado convergência de meridianos.
O ângulo entre o NV e o NM é chamado declinação magnética. Varia de lugar para lugar e de ano para ano. Pode ser para leste (NM à direita do NV) ou para oeste (NM à esquerda do NV).
O ângulo entre o NM e o NQ é chamado QM.
Todas as demais direções formam ângulo com um desses Nortes; se o ângulo tem por base o NV, é chamado azimute verdadeiro; se tem por base o NM, é chamado azimute magnético; se tem por base o NQ, é chamado lançamento. Vejamos, agora, algo mais sobre as convenções cartográficas, nosso código para a leitura das cartas.
Em boa parte dos casos, as cartas estarão iluminadas, ou seja, coloridas, tornando mais fácil a caracterização dos acidentes do terreno. Se nossa carta estiver em preto-e- branco, procuraremos iluminar no mínimo a hidrografia. As cores básicas são:
mar, e altura é a distância vertical entre um ponto e determinado nível do terreno). Isso é bem visível quando se planta café numa encosta: os pés ficam dispostos em fileiras, cada fileira num nível, num “degrau”. Como se cortássemos a elevação em camadas. Para a representação gráfica, agimos de forma similar. “Cortamos” a elevação a intervalos verticais regulares (e como essa distância vertical entre as curvas é mantida constante, chamamo-la eqüidistância) e fazemos uma projeção como se olhássemos de cima. Assim, as curvas de nível mostram a variação altimétrica, o “movimento” do terreno em suas formas salientes e reentrantes. As formas salientes constituem o terreno elevado, com vertentes, tendo no divisor de águas uma crista ou linha de festo. As formas reentrantes são os coletores de águas: concavidades no terreno em forma de calha, como as ravinas e os vales (menos notáveis como calha do que as ravinas devido às suas maiores dimensões), ou de bacia (depressões), com uma linha de nível mais baixo denominada linha de fundo, linha de águas ou talvegue (do alemão thal – vale e weg – caminho; talvegue = caminho do vale). O talvegue é a linha mais baixa numa concavidade, ou a parte do leito de um rio em que a água corre com maior velocidade.
Como saber, observando as curvas de nível, se o terreno é mais plano ou mais íngreme? Dado que a distância vertical entre duas curvas é constante numa mesma carta, o que varia é a distância horizontal. Assim, quanto mais próximas entre si estiverem as curvas, mais acentuada a inclinação que elas representam. Duas curvas de nível em regra não se cortam. há casos especiais de perfis do terreno, em que as curvas chegam a tocar- se, até se sobreporem. Nestes casos, suprime-se as curvas de nível e substitui-se por um sinal convencional designado ESCARPADO. O caso em que as curvas poderiam cruzar-se seria quando na elevação se produzisse um teto ou abóbada; mas, como as cartas nos dão simplesmente o terreno “visto de cima”, e não em raio-X, os tetos entram também na categoria “escarpado”.
Uma curva de nível ao atravessar uma linha de água sofre uma inflexão, cuja curva se volta para montante.
Uma curva de nível nunca corta uma linha de água em mais de um ponto. Caso contrário a linha de água teria a mesma cota em mais do que um ponto. Uma situação
como essa caracterizaria uma represa ou bacia, dificilmente encontrável como obra da natureza.
Conforme as leis do modelado apresentadas mais adiante, não existe interrupção na continuidade das linhas de festo ou dos talvegues. Em consequência, uma curva de nível nunca se interrompe dentro dos limites do desenho da carta.
Como saber as altitudes do terreno representado na carta? Observemos as curvas de nível. A cada 5 curvas, uma delas é grafada com mais força e apresenta uma numeração, que é a da altitude, em metros, dos pontos compreendidos naquela curva. Essa curva grafada com mais força chama-se curva-mestra (também chamada curva- índice). Já falamos anteriormente da importância da curva-mestra para determinarmos a eqüidistância quando ela não for informada no pé da folha da carta.
Geralmente, quando as sucessivas curvas de nível vão representando cotas mais altas e vão formando uma figura convexa de área cada vez menor, isso indica tratar-se de uma elevação.
Numa elevação aparece um “X” com numeração ao lado? É o ponto mais alto, a cota da elevação; os algarismos indicam a altitude em metros.