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frações - frações
Tipologia: Notas de estudo
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Compartilhado em 14/12/2011
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É fácil aprender frações? Os números naturais são aqueles com os quais as crianças têm o primeiro contato: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,.. No entanto, esses números não conseguem resolver certos problemas que as frações resolvem. Vejamos um exemplo: Pelo telefone, Dona Maria dá uma receita de bolo a Dona Lúcia. •Use 2 xícaras de farinha e menos que a metade de uma xícara de requeijão... Não. É menos que a metade, mas é mais que a metade da metade. Ficou complicado, não é mesmo? É provável que Dona Maria estivesse pensando numa quantidade equivalente à fração 1/3 (um terço):
Se tivesse dito "um terço", Dona Lúcia teria entendido melhor a receita, se soubesse frações. Este foi um pequeno exemplo da utilidade das frações. Veremos outros no decorrer dessa lição. Note que, na maneira de Dona Maria dar a receita, há um outro problema: as xícaras em geral têm um formato que torna difícil saber o que é exatamente a metade. Por isso, na ilustração representamos uma caneca, na qual é fácil marcar a metade. Cláudia teve sua primeira aula sobre frações. Ela aprendeu que a parte sombreada desse retângulo corresponde à fração 2/3 (dois terços).
Perguntamos à Cláudia:
Ora, sabemos que, a região sombreada não corresponde a 3/4, porque a figura não foi dividida em 4 partes iguais. Para se ter uma fração é preciso considerar:
Essas designações têm razão de ser: "denominador" significa "aquele que dá o nome" (no exemplo acima, estamos lidando com "terços") e "numerador" significa "aquele que dá o número de partes consideradas”. Portanto, os nomes das frações dependem do número de partes em que a unidade é dividida e do número de partes que estamos considerando.
Vejamos alguns exemplos:
Marcelo entendeu que 2/3 de cada goiaba tinha bichos. Nesse caso, todas as goiabas estariam estragadas. Como poderia ele ter uma idéia tão esquisita? É que Marcelo estava acostumado com frações de uma figura geométrica ou de um objeto. Isto é, a unidade considerada (ou o todo) era sempre uma coisa só. No entanto, neste problema são as 18 goiabas que constituem o todo, ou seja, a unidade considerada é uma coleção de objetos. É natural, que neste caso o menino ficasse confuso. Temos aqui outra das idéias básicas que formam o conceito de fração: a unidade pode ser de dois tipos:
compreendem que 12 goiabas estavam estragadas.
Um adulto já familiarizado com a noção de fração de um todo formado por vários objetos percebe que as respostas a problemas desse tipo podem ser obtidas por meio de cálculos. No problema das goiabas, por exemplo:
A partir dos egípcios, encontramos as frações nas civilizações que se seguiram, pois o seu uso sempre se mostrou necessário. Entretanto, continuavam sendo usadas apenas para expressar quantidades menores que a unidade. Mas, então, como surgiram as frações maiores que a unidade? Elas surgiram para expressar quantidades maiores que a unidade. Vejamos um exemplo:
Esse anúncio, que poderia ter sido feito por uma empresa que constrói casas, na realidade, era de uma fábrica de refrigerantes. Essa fábrica pôs à venda uma garrafa que continha 1/4 de litro a mais, em comparação com as garrafas comuns que contém um litro.
Fazendo desenhos para representar frações, percebemos que podemos indicar uma mesma
parte da unidade de maneiras diferentes. Vejamos alguns exemplos:
Exemplo 1: Começamos com um retângulo dividido em 3 partes e sombreamos 1 dessas partes:
Em seguida duplicamos o número de partes em que a unidade foi dividida e duplicamos também o número de partes sombreadas.
O que fizemos foi multiplicar por 2 o numerador e o denominador da fração 1/3.
Observando a figura, vemos que essas duas frações representam a mesma parte da unidade.
Exemplo 2
Neste exemplo, triplicamos o número de partes em que o retângulo foi dividido e triplicamos o número de partes sombreadas.
São chamadas de frações equivalentes.
"Equi" indica igualdade. "Valente" significa "que tem valor". Entretanto, em alguns livros, após a afirmação de que, por exemplo, 2/3 e 4/6 são equivalentes, encontra-se a representação de igualdade:
Esta situação pode provocar controvérsia: será que 1/3 é mesmo igual a 2/6? Afinal, 1/3 é um pedaço só e 2/6 são dois pedaços. E quanto a nós professores? Devemos dizer "frações equivalentes" e escrever que são"iguais"?
Em nossa opinião, podemos dizer e escrever "igual", pois as duas frações representam partes do mesmo tamanho. Já vimos que o valor de uma fração não muda quando multiplicamos seu numerador e seu denominador por um mesmo número.
Agora vamos ver o que acontece quando dividimos o numerador por um mesmo número. Usando o exemplo acima, é evidente que, se passamos de 2/5 para 6/15, multiplicando por 3, podemos fazer o caminho inverso e voltar a 2/5 , dividindo por 3 o numerador e o denominador de 6/15.
Quando fazemos isto, dizemos que a fração 6/15foi simplificada. Note que nem toda fração pode ser simplificada. Por exemplo, a fração 2/5 não pode ser mais simplificada porque não podemos dividir seu numerador e seu denominador por um mesmo número para obter números naturais menores que 2 e 5. Dizemos que 2/5 é uma fração irredutível.
Mariana já está na 5ª série e sempre gostou de estudar as frações. Sabe desenhar 2/3 de uma figura, calcular 3/5 de 60, somar 2/3 com 2/5. Pedimos a Mariana que nos dissesse um número entre 0 e 1. Após pensar um pouco, Mariana disse: 0,8.
Nesses casos as frações não parecem números porque não indicam claramente quantidades e também não indicam medidas. No entanto, já vimos que as frações podem indicar medidas e quantidades:
O professor, muito satisfeito, enfatizou aquilo que todos estavam vendo:
O sinal tocou. O professor saiu da sala conversando com o Zezinho:
A idéia de juntar corresponde, na Matemática, à adição. Podemos então somar Frações 2/
Representando-as em figuras e juntando as partes indicadas. Vejamos a Adição
Este exemplo justifica a regra utilizada para somar frações: Para somar frações de mesmo denominador, somamos os numeradores e conservamos
o denominador.
No entanto, quando as frações têm denominadores diferentes, aparece uma dificuldade.
Como vamos somar 1/4 e 1/6 por exemplo?
Agora precisamos descobrir a que fração corresponde a parte sombreada que representa 1/4 + 1/6. A solução do problema está no fato de que é possível escrever 1/4 de muitas outras maneiras, o mesmo ocorrendo com 1/6. Procuraremos,então, nas várias escritas de 1/4 e de 1/6, aquelas que tem denominadores iguais:
Agora, sim, podemos somar: em vez de escrever 1/4, escrevemos 3/12, e em vez de 1/6, escrevemos 2/12. Este processo se chama “ reduzir frações ao mesmo denominador”. Depois que as frações estão com o mesmo denominador, efetuamos a adição:
Podemos representar esta subtração por meio de um retângulo dividido em 16 partes:
Tirando 1/16 de 8/16, restam 7/16. Portanto, as regras para a subtração são análogas às da adição: Para subtrair frações que têm o mesmo denominador, subtraímos os numeradores e conservamos o denominador.
Para subtrair frações que têm denominadores diferentes, reduzimos as frações ao mesmo denominador, subtraímos os numeradores e conservamos o denominador.
Sabemos que 3 x 5 = 5 + 5 + 5 =15.
Da mesma forma:
Nestes dois exemplos estamos utilizando a idéia de que multiplicar por 3 é somar 3 parcelas iguais. O problema é que não podemos utilizar essa mesma idéia para efetuar, por exemplo,
Esta multiplicação não é uma adição de parcelas iguais. Em casos como este devemos considerar a multiplicação de outra maneira. Sabemos que expressões como "o dobro de", "o triplo de", etc., estão relacionadas com multiplicações. Estas expressões são expressões multiplicativas.
Analogamente, as expressões "a metade de", "a terça parte de", "a quarta parte de", ou 1/ de, 1/3 de, 1/4 de, conduzem as divisões.
Para se ter a metade, é necessário dividir por 2. Para se ter a terça parte, é necessário dividir por 3.
E assim por diante. Vamos utilizar essas idéias e nos apoiar em desenhos para interpretar a multiplicação de frações. Comecemos pelo exemplo citado:
O que queremos saber é quanto vale "o dobro" da "terça parte" de 4/9.
Comecemos por representar 4/9.
Depois marcamos a “terça parte” de 4/9:
Por último, marcamos “o dobro” da “terça parte” de 4/9:
Agora, vamos repetir o desenho destacando apenas o resultado:
Quanto vale a parte marcada, em relação ao retângulo todo?
A parte marcada corresponde a 8/27 do retângulo todo. Concluímos que
Podemos resumir tudo isso numa regra simples:
Para multiplicar frações, multiplicamos os numeradores entre si e os denominadores entre si. Para confirmar esta regra, podemos testá-la em outras multiplicações:
Seguindo a regra da multiplicação, vamos multiplicar a fração 2/3 pela 3/2.
Um desenho mostra que 6/6 equivalem à unidade:
Podemos chegar à mesma conclusão por outro caminho. Como já vimos, se queremos achar o resultado de ,devemos primeiro achar a metade de 2/3:
e, depois, 3 vezes a metade de 2/3:
Chegamos, então, ao mesmo resultado anterior:
Dizemos que 3/2 é o inverso multiplicativo 2/3. Este fato será usado logo adiante.
Temos três caminhos para chegar ao resultado de uma divisão de frações. 1° caminho:RE PA RT INDO Podemos encontrar o resultado de algumas divisões de frações utilizando a idéia de repartir. Por exemplo, se repartimos 1/3 de uma barra de chocolate entre 2 crianças, cada uma
receberá a metade de 1/3 da barra:
Então o resultado da divisão de 1/3 por 2 é 1/6. Escrevemos
2° caminho: QUANTAS VEZES CABE? Em outros casos encontramos o resultado verificando quantas vezes um número cabe no outro. Com números naturais estamos acostumados a fazer isto. Por exemplo, se queremos achar o resultado de 8 dividido por 4, procuramos quantas vezes 4cabe em 8. Como 4 cabe 2 vezes em 8 (2 x 4 = 8), dizemos que 8 : 4 = 2.
Podemos aplicar esta idéia a frações. Quando procuramos o resultado de estamos querendo saber quantas vezes 1/4 cabe em 1/2. Um desenho responde imediatamente:
então podemos escrever:
Como se pode perceber, as idéias de "repartir" e de "quantas vezes cabe" são equivalentes. É
uma questão de se achar mais fácil ou mais difícil usar cada uma delas, em cada caso.