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Tipologia: Notas de estudo
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Cleide de Jesus Ramalho RGM: 10368- Karla Rufino RGM: 7927-
Trabalho de aproveitamento da disciplina Introdução à Filosofia do Curso de Pedagogia da Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL 1º E – Noturno Profª Paula Leonardi
São Paulo – SP / 2006
Neste trabalho mostraremos que, os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos. Para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas através da literatura oral. Grande parte destas lendas e mitos chegou até os dias atuais e são importantes fontes de informações para entendermos a história da civilização da Grécia Antiga. São histórias riquíssimas em dados psicológicos, econômicos, materiais, artísticos, políticos e culturais.
COMO ENTENDER A MITOLOGIA GREGA
Os gregos antigos enxergavam vida em quase tudo que os cercavam, e buscavam explicações para tudo. A imaginação fértil deste povo criou personagens e figuras mitológicas como Heróis, deuses, ninfas, titãs e centauros que habitavam o mundo material, influenciando em suas vidas. Bastava ler o sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos. A pitonisa, espécie de sacerdotisa, era uma importante personagem neste contexto. Os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre coisas que estavam acontecendo, esta por sua vez buscava explicações mitológicas para os acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material.
Hoje, a maioria das pessoas que se debruça sobre a Mitologia Grega, que por curiosidade, por dever intelectual ou até mesmo por prazer em conhece-la, raros aqueles que retomam a leitura dos mitos tal como era sua origem. A maioria permite-se conhecer somente fragmentos desconexos e apenas interpretações vinculadas ao conhecimento mais superficial das teorias mais populares. A mitologia e o conhecimento dos mitos vincula-se ao conhecimentos de temas e formas simbólicas que dizem respeito à conflitos e motivações essenciais para o entendimento do Homem Ocidental. Os poetas da Grécia Antiga nos deixaram uma mostra riquíssima dos conflitos humanos, pois as narrativas mitológicas não se subordinavam a julgamentos de valores, ainda que vinculadas às noções de ordem e ética daquele período. A liberdade poética nos permite conhecer algo de muito específico do homem grego da antiguidade e também conhecer elementos determinantes do homem contemporâneo. Pensar os mitos gregos, significa pensar um prisma triangular, pensar nas três faces do prisma é pensar em Religião, Arte e História, formando um todo único e indivisível.
Trazem todo pano de fundo que permite o desenvolvimento do cristianismo. A significação mítica e mística de Zeus, Apolo e Prometeu assemelha-se a do Cristo, que é o centro da religião ocidental dos nossos dias. Conhecer os mitos gregos, significa conhecermos o nosso mundo, a nossa sociedade e o homem contemporâneo. Não é por acaso que os grandes pensadores, que desenvolveram teorias que nos ajudam a compreender o Homem Moderno e Contemporâneo, beberam da fonte da Mitologia Grega.
NARRATIVAS DIVINAS
Os mitos são tão antigos quanto os homens. Os mitos criaram as culturas, foi através das narrativas repetidas em torno de uma fogueira por xamãs de tribos primitivas ou cantadas por poetas nas cortes dos nobres gregos ou nas praças das polis como Tebas, Corinto ou Atenas. Essas narrativas ligam o homem aos divino, o divino à terra, o homem à terra, o homem ao homem, os deuses ao tempo, o presente ao futuro, o futuro ao passado e o homem ao passado e ao futuro. Acredita-se que a gestação dos mitos gregos tenha acontecido em torno de três mil anos antes de Cristo e que tenha resistido e migrado oralmente até o século VIII a.C., quando temos o aparecimento da escrita ( alfabeto ) na cultura grega e conseqüentemente da possibilidade de conhecermos o primeiro grande poeta, Homero. Homero era um poeta que vivia nas cortes, praças e se apresentava com sua lira, nunca teve a intenção de sistematizar a religião ou ordenar o panteão grego. Os poetas gregos podiam tratar livremente dos episódios que envolviam os deuses. O sucesso ou fracasso de suas obras dependia da aceitação popular que tivessem e não necessariamente de qualquer coerência ou linearidade religiosa. Ao contrário da religião católica, na qual os fiéis não podem sequer interpretar os textos bíblicos.
Homero, narra duas grandes aventuras em que os atores e agentes são humanos, vivendo dramas humanos sob a interferência dos deuses, podendo destacar A ILÍADA – Trata do cerco que os gregos fizeram à cidade de Tróia ( ìlion), pois o príncipe troiano Paris raptou a esposa do rei Grego Menelau – esse é o plano terreno dos acontecimentos. No plano divino, temos as posições e interferências dos deuses em relação aos acontecimentos na terra. Há deuses que protegem os gregos e deuses que lutam pelos troianos e que também combatem entre si durante os 10 anos de duração do cerco. Homero apresenta e caracteriza os deuses gregos de acordo com a tradição oral que recebera do passado cultural da Grécia e das necessidades narrativas de seu poema. Outra importantíssima fonte de conhecimento das narrativas míticas é o poeta Hesíodo. No século VII a C., propõe – se a sistematizar os mitos e a ordenar o panteão grego. A TEOGÔNIA , trata do surgimento dos deuses e fixa sua narrativa poética entre o CAOS e a instalação de Zeus no Olimpo. Hesíodo apresenta divindades primordiais, o nascimento dos deuses e os episódios que levam Zeus ao poder supremo entre os imortais. Hesíodo ainda nos legou outro poema o chamado O TRABALHO E OS DIAS que trata da vida social grega além de obras a respeito da genealogia de Deuses e Heróis.
DO CAOS À CORTE
Um elemento que caracteriza as narrativas míticas é o seu poder de resistirem igualmente pulsantes e poderosas mesmo diante de variações, contradições e passagens realmente conflitantes. Homero e Hesíodo são fontes seguras das narrativas mitológicas, mas não são as únicas. Relembrando apenas o que foi registrado em palavras, podemos citar os hinos religiosos, as lendas populares que resistiram e encontraram uma forma escrita, Platão e outros filósofos gregos que registraram, criticaram e contribuíram para a mitologia, os autores teatrais e os poemas líricos que restaram. Existem ainda as preciosas contribuições romanas para a mitologia e há ainda ilustrações de vasos, esculturas e pinturas que também nos trazem informações sobre os deuses.
A mitologia grega não diz respeito apenas aos deuses, há também um conjunto de seres especiais, de origem híbrida ( humana e divina ) a que chamamos Heróis. Os Heróis são mortais e recebiam cultos religiosos em torno de seus “túmulos”. O culto aos heróis, pode ser grosseiramente entendido como uma evolução do primitivo culto aos mortos, aos reis ancestrais das primeira das tribos. Mitologicamente, os heróis podem ser aparentados aos deuses por parte de pai ou mãe, podem ser reis-míticos ou ainda podem ser divindades menores que encontraram seu espaço entre os heróis. Esses aparecem como pertencentes a uma única narrativa que trata de sua origem, peripécia heróica e morte, diferente dos deuses que são imortais e aparecem em diversas aventurar e narrativas. As narrativas heróicas chegaram aos nosso dias das mais diversas fontes, desde as peças de teatro às fábulas e lendas populares, guardando sempre uma forte relação com a forma como nos foi transmitida. Há um ciclo de narrativas heróicas que iram em torno da BUSCA DO VELOCINO DE OURO. Apolônio de Rodes, Píndaro e Eurípedes são os autores mais importantes que trataram desse ciclo.
HERÓIS HOMÉRICOS
Homero organiza as obras em dois planos, o terreno e o divno, Tróia e o Olimpo na Ilíada e os locais onde aportaram Ulisses e sua tripulação e novamente o Olimpo na Odisséia. Herdeiros da tradição épica grega, Virgílio, poeta romano, escreve a Eneida que narra as aventuras do herói Enéas. Trata das aventuras e das conseqüências. Outro ciclo importante das narrativas heróicas é o que gira em torno de Hércules. Esse é um personagem tão importante e tão desenvolvido que se torna um deus após sua morte e passará sua eternidade no Olímpio casado com Hebe, filha de Zeus e Hera. Ovídio, Eurípedes, Sófocles, Píndaro, Teócrito e Apolodoro são os autores que conservaram todos os episódios da trajetória heróico-divina de Hércules, desde o seu nascimento até sua morte, após os famosos doze trabalhos.
Júpiter, segundo os poetas, é o pai, o rei dos deuses e dos homens, reina no Olimpo, e, com um movimento de sua cabeça, agita o universo. Era filho de Reia e Saturno, adolescente, ele se associou à deusa Metis, a Prudência. Com o auxílio dos irmãos Netuno e Plutão, destronou seu pai e baniu os titãs. Predisse a terra uma vitória completa se conseguisse libertar alguns dos titãs encarcerados por seu pai no Tártaro e o persuadir a combater por ele, depois de haver matado Campe, a carcereira confiada a guarda dos titãs nos Infernos. Foi então que os Ciclopes deram a Zeus o trovão, o relâmpago e o raio, um capacete a Plutão e um tridente a Netuno, com essas armas venceram Saturno expulsando-o do trono e da Sociedade. Com a vitória dos três irmãos, vendo-se senhores do mundo, partilharam-no entre si. Zeus teve o céu, Netuno o mar e Plutão os infernos. Segundo Hesíodo, Zeus foi casado sete vezes, desposou sucessivamente Metis, Temis, Eurinome, Ceres, Mnemosine, Latona e Juno, sua irmã, que foi a última das suas mulheres. Tomou-se também de amor por um grande número de simples mortais, que umas e outras lhe deram muitos filhos, colocados entre os deuses e semideuses. A sua autoridade suprema, reconhecida por todos os habitantes do céu e da terra foi, mais de uma vez contrariada por Juno, sua esposa. Ela ousou mesmo urdir contra ele uma conspiração dos deuses. Graças ao concurso de tetis e a intervenção do terrível gigante Briareu, essa conspiração foi prontamente sufocada e reentrou o Olimpo na eterna obediência. Entre as divindades, Zeus ocupava sempre primeiro lugar, e o seu culto era o mais solene e o mais universalmente espalhado. A quinta feira, dia da seman, era- lhe consagrada. Na fabula, o nome de Júpiter (Zeus) precede ao de muitos outros deuses, mesmo reis, Jupiter-Amon da Líbia, Júpiter-Serapis no Egito, Júpiter-Bel na Assíria, Júpiter-Apis, rei de Argos, Júpiter-Astério, rei de Creta, etc. Júpiter é geralmente representado sob a figura de um homem majestoso, com barba, abundante cabeleira, e sentado sobre um trono. Com a destra segura o raio que é representado ou por um tição flamejante de duas pontas ou por uma máquina pontiaguda dos dois lados e armada de duas flechas, com a mão esquerda sustem uma vitória, a seus pés, com as asas dobradas, descansa a águia raptora de Ganimedes. A parte superior do seu corpo está nua, e a inferior coberta.
A melhor atividade a se desenvolver em relação aos mitos gregos é envolver-se com eles, mergulhar na leitura, procurar outras versões para uma única história. Atividade essencial é remontando o “quebra-cabeça”, descobrindo as genealogias, recompondo as árvores, completando as histórias que faltam. Relacionar a Mitologia com as artes, descobrindo os pintores que retrataram os episódios, descobrindo como os escultores criaram as imagens dos deuses, como os pintores os enxergavam. Uma atividade importante é tentar capturar a essência da personalidade de cada um dos deuses, analisando as histórias, e descobrindo quantos dessas personalidades estão ainda em nós, de que faceta nossa elas falam. Que os mitos sejam apresentados de forma viva como um recado dos vivos aos vivos.
BRASIL, Fábio – Mitologia Grega no Caleidos Arte e Ensino. http:// www.caleidos.com.br. Acesso em 03 de mar 2006
MARQUES, Isabel – Artigos para coluna Arte e Educação nas partes de Arte e Cultura. http://www.agenciacartamaior.com.br. Acesso em: 06 de mar 2006
MITOLOGIA GREGO ROMANA. http://www.mundosdosfilosofos.com.br/ mitologiagregoromana. Acesso em 04 de mar 2006.