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numeros magicos, Notas de estudo de Engenharia Mecânica

numeros mágicos nucleares

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 21/10/2010

michelle-lrs-9
michelle-lrs-9 🇧🇷

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Os Números Mágicos
O modelo da gota líquida descreve adequadamente o comportamento
médio dos núcleos em relação à massa e, portanto, em relação à estabilidade.
Entretanto, para certos valores de Z e/ou N, temos núcleos que se afastam
significativamente desse comportamento médio por serem extremamente
estáveis. Esses valores de Z e N são chamados números mágicos.
2, 8, 20, 28, 50, 82, 126.
A situação é análoga à estabilidade inusitada dos sistemas eletrônicos
dos gases nobres que contém um dos números mágicos 2, 10, 18, 36, 54 e 86
de elétrons. Entretanto, no caso nuclear, os efeitos indicando estabilidade extra
não são tão pronunciados como no caso atômico, sendo necessária a
consideração de todos os efeitos para que seja demonstrado de maneira
conclusiva o caráter mágico desses números. Essas considerações, devidas
grandemente a Mayer (1948), são as seguintes:
1. Existe uma tendência para os núcleos preferirem Z e/ou N mágicos. Por
exemplo, existe seis isótopos estáveis para Z = 20, enquanto que o
número médio de isótopos estáveis nessa região da tabela periódica é
de cerca de 2. Para Z = 50 cerca de 10 isótopos estáveis, embora
nessa região o número médio seja aproximadamente 4. Existem sete
núcleos estáveis com N = 82, embora o número médio nessa região seja
apenas 3. Podem ser constatados outros exemplos similares.
2. A energia média por núcleon é significativamente mais alta para os
núcleos que tem Z e/ou N iguais a 2 e 8 do que para os núcleos
vizinhos. Um exemplo é o 2He4, para o qual Z = N = 2. Esses efeitos
serão ainda mais pronunciados se for considerada uma medida é Eb, a
energia de ligação do “último” nêutron ou próton no núcleo, que é igual
à energia mínima requerida para separar um nêutron ou um próton do
núcleo. Como exemplo, a energia de ligação do último nêutron no 2He4
(isto é, a energia necessária para a produção da reação 2He4 2He3 +
0n1) é 20,6 Mev. A energia de ligação do último próton no 2He4 é 19,8
Mev. Esses números são anormalmente altos.
3. Há também um certo número de evidências menos convincente, como o
fato de que, para três dos quatros elementos conhecidos que emitem
nêutrons espontaneamente, 8O17, 36Kr87 e 54Xe137, N é igual a um
número mágico mais 1. Isto implica em uma inusitadamente pequena
afinidade para o nêutron extra.
A analogia entre a existência de números mágicos para núcleos e
átomos fez com que muitas pessoas procurassem a explicação do fenômeno
nuclear em analogia com a explicação dada para o fenômeno atômico. O leitor
certamente está lembrado de que o ponto central da explicação no caso
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Os Números Mágicos

O modelo da gota líquida descreve adequadamente o comportamento médio dos núcleos em relação à massa e, portanto, em relação à estabilidade. Entretanto, para certos valores de Z e/ou N, temos núcleos que se afastam significativamente desse comportamento médio por serem extremamente estáveis. Esses valores de Z e N são chamados números mágicos.

A situação é análoga à estabilidade inusitada dos sistemas eletrônicos dos gases nobres que contém um dos números mágicos 2, 10, 18, 36, 54 e 86 de elétrons. Entretanto, no caso nuclear, os efeitos indicando estabilidade extra não são tão pronunciados como no caso atômico, sendo necessária a consideração de todos os efeitos para que seja demonstrado de maneira conclusiva o caráter mágico desses números. Essas considerações, devidas grandemente a Mayer (1948), são as seguintes:

  1. Existe uma tendência para os núcleos preferirem Z e/ou N mágicos. Por exemplo, existe seis isótopos estáveis para Z = 20, enquanto que o número médio de isótopos estáveis nessa região da tabela periódica é de cerca de 2. Para Z = 50 há cerca de 10 isótopos estáveis, embora nessa região o número médio seja aproximadamente 4. Existem sete núcleos estáveis com N = 82, embora o número médio nessa região seja apenas 3. Podem ser constatados outros exemplos similares.
  2. A energia média por núcleon é significativamente mais alta para os núcleos que tem Z e/ou N iguais a 2 e 8 do que para os núcleos vizinhos. Um exemplo é o 2 He^4 , para o qual Z = N = 2. Esses efeitos serão ainda mais pronunciados se for considerada uma medida é E (^) b, a energia de ligação do “último” nêutron ou próton no núcleo, que é igual à energia mínima requerida para separar um nêutron ou um próton do núcleo. Como exemplo, a energia de ligação do último nêutron no 2 He^4 (isto é, a energia necessária para a produção da reação 2 He^4 → 2 He^3 + (^0) n (^1) ) é 20,6 Mev. A energia de ligação do último próton no 2 He (^4) é 19, Mev. Esses números são anormalmente altos.
  3. Há também um certo número de evidências menos convincente, como o fato de que, para três dos quatros elementos conhecidos que emitem nêutrons espontaneamente, 8 O 17 , 36 Kr 87 e 54 Xe 137 , N é igual a um número mágico mais 1. Isto implica em uma inusitadamente pequena afinidade para o nêutron extra.

A analogia entre a existência de números mágicos para núcleos e átomos fez com que muitas pessoas procurassem a explicação do fenômeno nuclear em analogia com a explicação dada para o fenômeno atômico. O leitor certamente está lembrado de que o ponto central da explicação no caso

atômico é a formação de camadas fechadas de elétrons se movendo independentemente no potencial atômico. Entretanto, quando se iniciou seriamente a discussão dos números mágicos nucleares (1948), pareceu muito difícil entender como qualquer explicação baseada em movimento de partícula independente poderia ser válido para núcleos. A razão disto foi que o muito bem sucedido modelo da gota líquida tinha sido dominante por muitos anos e, aparentemente, era essencial para esse modelo que um núcleon em um núcleo interagisse muito fortemente com seus vizinhos. Com essa interação forte, um núcleon colidiria constantemente com outros núcleons quando atravessasse um núcleo, descrevendo um movimento muito mais parecido com o movimento browniano do que com o movimento de um elétron se movendo independentemente dos outros em uma camada fechada.

Do ponto de vista que estamos adotando, não há qualquer problema para se entender o movimento de partícula independente dos núcleons em um núcleo. De fato, uma extrapolação muito razoável do modelo óptico (1952) explica esse fato.

Essencialmente, todas as colisões entre um núcleon e outro envolvem perda de energia nesse sistema de referências e, portanto, segue-se que, se o potencial for puramente real para um núcleon ligado, não pode haver colisões entre núcleons, que, portanto se movem independentemente através do núcleo.

Bibliografia

EISBERG, Robert Martin. Fundamentos da Física Moderna. Ed. Guanabara Dois