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Autor: Sergio Alfredo Macore / Helldriver Rapper
Tipologia: Traduções
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Introdução
Os papéis de trabalho utilizados pelo auditor constitui o nosso objecto de estudo, e estes formam um conjunto de formulários e documentos que contém as informações e apontamentos obtidos pelo auditor durante seu exame, as provas e descrições dessas realizações; iremos abordar de forma sucinta e clara os aspectos relacionados a Organização e conteúdo dos papéis de trabalho do auditor, entre os quais faremos menção dos seguintes: Tipos de papéis de trabalho; Natureza dos papéis de trabalho; Técnicas de elaboração dos papéis de trabalho; Codificação e arquivamento dos papéis de trabalho; Revisão dos papéis de trabalho; Controlo físico dos papéis de trabalho; Modelos dos papéis de trabalho, que estes constam nos anexos no final do trabalho, proporcionando assim uma percepção fácil dos conteúdos dos papeis de trabalho.
É importante ressaltar que a revisão dos papéis de trabalho é um excelente instrumento para o treinamento e avaliação de auditores.
Objectivos do trabalho
Objectivo geral:
✓ Estudar a importância da organização e conteúdo dos papéis de trabalho utilizados pelo auditor.
Objectivos específicos:
✓ Descrever os tipos de papéis de trabalho usados pelo auditor;
✓ Conhecer a importância da codificação e arquivamento dos papéis de trabalho;
✓ Descrever as técnicas usadas na elaboração dos papéis de trabalho;
✓ Identificar os principais modelos de papéis de trabalho.
Metodologia
Para a concretização do trabalho foi indispensável a pesquisa bibliográfica, tendo se recorrido a obras de dois autores com mais destaque para o ALMEIDA.
1.2 Tipos de papéis de trabalho
Segundo ALMEIDA:2009, são os seguintes os tipos de papéis de trabalho utilizados pelo auditor:
1.2.1 Programa de auditoria
Conceito:
É o plano de acção voltado para orientar e controlar a execução dos exames de auditoria. (ATTIE, 1998:167)
Normalmente, as firmas de auditoria preparam programas-padrões, a serem preenchidos pelos auditores, para todas as áreas das demonstrações financeiras e também para outros assuntos relacionados com o exame de auditoria (planeamento, supervisão, riscos em auditoria, avaliação do controlo interno, etc.). O esboço gráfico de um programa de auditoria é apresentado no quadro 4.1. (ALMEIDA, 2009:89)
O programa de auditoria é dividido basicamente em três partes, que são as seguintes:
✓ (^) Listagem dos procedimentos de auditoria;
✓ Espaço para o auditor assinar ou rubricar, a fim de evidenciar que o serviço foi feito e quem o fez;
✓ Espaço para comentários, observações, referências, etc.
Os principais objectivos dos programas de auditoria são os seguintes:
✓ Estabelecer por escrito a política da firma de auditoria;
✓ Padronizar os procedimentos de auditoria dos profissionais de uma mesma organização;
✓ Evitar que sejam omissos procedimentos importantes de auditoria;
✓ Melhorar a qualidade dos serviços de auditoria.
Tendo em vista que o grau de complexidade da auditoria varia de empresa para empresa, pode ocorrer que determinados procedimentos relatados no programa de auditoria não sejam aplicáveis, como também pode ocorrer que o auditor tenha de
adicionar outros procedimentos de auditoria, em função de circunstancias peculiares de determinada companhia. (ALMEIDA, 2009:89)
Para ATTIE: 1998, as vantagens fornecidas pelo programa de auditoria são:
✓ Estabelecer a forma adequada de realização dos trabalhos;
✓ As considerações feitas pelo auditor para determinação de seu trabalho;
✓ Controlar o tempo despendido na realização do trabalho;
✓ A sequência lógica de realização do trabalho; e
✓ Evidência dos trabalhos e quaisquer modificações ocorridas em relação ao original.
Para a elaboração adequada de um programa de auditoria deve se sempre levar em consideração:
✓ Definição dos objectivos da área ou tarefa a auditar;
✓ Avaliação do controlo interno como base para extensão e profundidade do trabalho a ser realizado;
✓ Avaliação da relevância ou relatividade; e
✓ Definição dos procedimentos de auditoria e o momento da sua aplicação.
1.2.2 Os papéis elaborados pelo auditor
Representam os papéis de trabalho que o auditor prepara à medida que vai analisando as diversas contas do razão geral da contabilidade, com o objectivo de ter um registo de serviço executado. Os auditores utilizam folhas quadriculadas de seis, doze e dezasseis colunas (um exemplo é dado no quadro 4.2). Também são utilizadas folhas de blocos para redigir explicações mais longas ou memorandos.
1.3. Outros papéis de trabalho
Os outros papéis de trabalho compreendem:
1.2.3.1 Cartas de confirmação de terceiros:
✓ Aplicações financeiras;
✓ Investimentos;
✓ Imobilizados;
✓ Diferido;
✓ Contas a pagar;
✓ Imposto de rendas;
✓ Resultados de exercícios futuros;
✓ Património líquido;
✓ Receitas e despesas;
✓ Demonstrações financeiras;
✓ Revisão analítica;
✓ Questionário de controlo interno
São exemplos de papéis de trabalho permanente:
✓ (^) Estatuto social ou contracto social;
✓ Copias de contractos bancários de financiamentos a longo prazo;
✓ Copias de contractos de assistência técnica;
✓ Cartões de assinaturas e rubricas das pessoas responsáveis pela aprovação das transacções;
✓ Manuais de procedimentos internos;
✓ Copias de atas de reuniões (as decisões tomadas devem abranger mais de um exercício social);
✓ Legislações específicas aplicáveis a empresa auditada.
1.4 Técnicas de elaboração de papéis de trabalho
Por ocasião da elaboração dos papéis de trabalho, para ALMEIDA:2009, existem algumas técnicas básicas a serem observadas pelos auditores:
✓ Os papéis de trabalho devem, sempre que possível, ser escritos a lápis (preto), a fim de facilitar possíveis alterações durante a execução de serviço, principalmente em função revisões feitas por auditores mais experientes. Actualmente, a maioria dos auditores já elabora seus papéis de trabalho no computador;
✓ Na parte superior do papel de trabalho devem ser colocados o nome da empresa auditada, a data-base do exame e o título (caixa, bancos, teste de amortização, teste das depreciações);
✓ Não deve ser utilizado o verso da folha do papel de trabalho;
✓ Os números e as informações devem ser colocados na parte superior do papel de trabalho (logo após o titulo) e as explicações sobre o trabalho executado na parte inferior;
✓ Os tiques ou símbolos são apostos ao lado do número auditado e explicados na parte inferior do papel de trabalho, evidenciando dessa forma o serviço executado. Segue-se alguns exemplos de tiques:
= Soma conferida;
= Conferimos com o razão geral;
= Conferimos com nossos papéis de trabalho do exercício social anterior;
= Cálculos conferidos;
= Conferimos com o somatório dos registos analíticos;
= Conferimos com documentação -suporte;
No quadro 4.3 é apresentado o balanço patrimonial. Esse quadro demonstra que os detalhes de caixa e bancos estão no papel de trabalho 2-1 (quadro 4.4).
O papel de trabalho 2-1 faz referência aos detalhes de bancos no papel de trabalho 2- (quadro 4.5). Por outro lado, a folha 2-3 relata que o serviço de auditoria na conta corrente do Itaú foi realizado no papel de trabalho 2-6 (quadro 4.6). Algumas conclusões podem se tirar dos factos supracitados:
✓ Todos os papéis de trabalho devem ser codificados;
✓ Os números das demonstrações financeiras devem ser referenciados ou cruzados para sãs análises gerais, e dessas para as análises específicas;
✓ O sistema de codificação e cruzamento deve permitir também que se saia da análise específica até chegar aos números das demonstrações financeiras.
Os papéis de trabalho são arquivados em pastas próprias, ou seja, uma para os papéis correntes e outra para os papéis permanentes. Evidentemente, se o volume de papéis de trabalho for muito grande, poderá ser aberta mais de uma pasta corrente ou permanente. Essa segregação prende-se ao facto de que os papéis permanentes serão utilizados durante vários exercícios sociais, enquanto os correntes são apenas usados no ano-base em que foi realizada a auditoria e para consultas no exercício social seguinte. Na frente da pasta, são apostos o nome da empresa, a data-base do exame e o índice dos papéis de trabalho.
1.6 Revisão dos papéis de trabalho
O objectivo principal da revisão dos papéis de trabalho é garantir que o serviço foi executado de acordo com as normas de auditoria geralmente aceites. (ALMEIDA, 2009:94)
Uma equipe de auditoria é composta normalmente de auditores-assistentes, semi- séniores, sénior, gerente e sócio. O auditor-assistente tem de zero à dois anos de experiência, o semi-sénior de dois à quatro anos de experiência, o sénior de quatro à oito anos de experiência, o gerente de oito à doze anos e o sócio acima de doze anos.
acesso aos papéis de trabalho. Esse facto exige que os papéis de trabalho durante sua permanência no escritório do cliente sejam guardados em malas com fechaduras, por ocasião do almoço e à noite. Na empresa de auditoria, os papéis de trabalho devem ser arquivados em local fechado, com controlo de entrada e saída e protegidos contra incêndio. Esses procedimentos de controlo são para evitar possíveis modificações no conteúdos dos papéis de trabalho, resguardar as técnicas específicas desenvolvidas pela empresa de auditoria e impedir a divulgação de assuntos confidenciais da empresa auditada. (ALMEIDA, 2009:95)
1.8 Modelos de papéis de trabalho
Geralmente, os papéis de trabalho são padronizados para facilitar seu uso, entendimento, arquivo e sobretudo a arquitectura da evidência do exame praticado.
Quando, por exemplo, o auditor executa um trabalho de contagem física de stocks e relato dos procedimentos adoptados pela empresa, critérios empregados por ele e pela empresa, utiliza um papel de trabalho denominado memorando.
Em outras circunstâncias, quando o auditar realiza um exame mais apurado, por exemplo, uma conciliação ou analise, além de expressar o objectivo, relatará também os exames e evidências praticados; usará nessas ocasiões um papel de trabalho de sete a catorze colunas.
O layout dos papéis de trabalhos deve incluir, obrigatoriamente, espaço que determine o nome da unidade, departamento, empresa ou área que se refere; espaço para a codificação do papel de trabalho; espaço para a evidenciação de quem o preparou, revisou, aprovou; e datas. (ATTIE, 1998: 156).
Apresentamos a seguir alguns modelos de papéis de trabalho normalmente utilizados pelos auditores: (ver anexos)
Conclusão
O estudo objectivista deste trabalho dimensionou-se na consolidação de conhecimentos para um progresso adequado na matéria em estudo e a uma profunda reflexão para a realidade e complexidade do estudo da organização e conteúdo dos papéis de trabalho.
Visto que auditar em uma organização não tem sido tarefa fácil para o auditor e este utiliza documentos originais de propriedade da empresa, e é grande o volume de documentos e transacções. Para evitar o grande volume de documentos e dar outra forma ao trabalho, o auditor utiliza os papéis de trabalho para registar as descobertas realizadas e comprovar o trabalho cumprido.
Com este prólogo passamos a verificar que os papéis de trabalho devem ser elaborados segundo o raciocínio lógico, apresentando a sequência natural dos factos e o objectivo a ser atingido. São estes propriedade do auditor, devido, principalmente, a neles estar fundamentada a opinião do auditor.
Deste modo, os papéis de trabalho são espelho do auditor que os prepara, colocando, de forma escrita, seus sentimentos e pontos de vista a cerca da matéria examinada.
Concluímos por dizer que o produto do trabalho de auditoria é evidenciado nos papéis de trabalho, que devem formar um conjunto harmonioso e coeso da matéria examinada e que podem conter dados que sejam aplicáveis a mais de um trabalho, e por vezes, durante muito tempo.