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Probabilidade Estatistica, Manuais, Projetos, Pesquisas de Probabilidade

Manual de iniciação a probabilidade e estatiscas

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2011

Compartilhado em 08/11/2011

carlos-henrique-alves-dos-santos-3
carlos-henrique-alves-dos-santos-3 🇧🇷

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CAPÍTULO I

Acontecimentos e Probabilidades

1.1. Frequência e Probabilidade

Definição 1.1.1.

Experiência Aleatória

É o processo de observação ou de acção cujos resultados, embora podendo ser descrito no

seu conjunto, não são determináveis a priori, antes de realizado a experiência

Definição 1.1.2.

Espaço Amostral

É o conjunto de todos os resultados possíveis de uma experiência aleatória

Exemplo

A  Sair fase 2   2 

B  Sair fase par  2, 4, 6

C  Sair fase inferior a 7  1, 2, 3, 4, 5, 6  

D  Sair fase 7  

Definição 1.1.3.

Acontecimento

É um conjunto de resultados possíveis de experiência aleatória. Em particular alguns

acontecimentos têm designação própria:

i) Acontecimento Elementar:

ii) Acontecimento Certo:

iii) Acontecimento Impossível:

Definição 1.1.4.

Dois acontecimentos

A

e

B

, são denominados Incompatíveis ou Mutuamente Exclusivos,

se eles não podem ocorrer simultaneamente. Isto é,

A  B  

Definição 1.1.5.

Probabilidade

Se os resultados elementares de uma experiência aleatória são em número finito e todos

igualmente possíveis, a probabilidade de qualquer acontecimento

A

associado a essa

experiência é a razão entre o número de resultados elementares

n A, que produzem

A

e o

número total de resultados

n

, isto é,

P  A  

n A

n

Seja uma experiência

e um espaço amostral

associado a

. A cada acontecimento

A

associamos um número real representado por

P  A 

e denominado probabilidade de

A

, que

satisfaça às seguintes propriedades:

0  P  A   1

P   1

  1. Se

A

e

B

são acontecimentos mutuamente exclusivos,

P  A  B   P  A   P  B 

  1. Se

A

1

, , A

n

forem, dois a dois, acontecimentos mutuamente exclusivos, então

P

i  1

A

i

 P  A

1

   P  A

n

Observe-se que da Propriedade 3, decorre imediatamente que, para qualquer

n finito,

P

i  1

n

A

i

i  1

n

P  A

i

Teorema 1.1.6.

A probabilidade do acontecimento impossível é zero, isto é,

P   0

Demonstração

P  A  B   P  B   P  A   P  B  Ā   P  A  B   P  B  Ā 

P

A  B

 P

A

 P

B

 P

A  B

Teorema 1.1.9.

Se

A

B

e

C

são três acontecimentos quaisquer, então

P  A  B  C   P  A   P  B   P  C   P  A  B   P  A  C   P  B  C   P  A  B  C 

Demonstração

P  A  B  C   P  A  B   C 

Aplicando o Teorema 1.1.8, obtemos

P  A  B   C   P  A  B   P  C   P  A  B   C 

 P  A  B   P  C   P  A  C    B  C 

 P  A  B   P  C   P  A  C   P  B  C   P  A  C    B  C 

 P

A  B

 P

C

 P

A  C

 P

B  C

 P

A  B

 C

 P

A

 P

B

 P

C

 P

A  B

 P

A  C

 P

B  C

 P

A  B  C

Logo,

P  A  B  C   P  A   P  B   P  C   P  A  B   P  A  C   P  B  C   P  A  B  C 

Uma extensão do Teorema 1.1.9.

Sejam

A

1

, , A

k quaisquer

k

acontecimentos. Então,

P

i  1

k

A

i

ii

k

P  A

i

ij  2

k

P  A

i

 A

j

ijr  3

k

P  A

i

 A

j

 A

r

k  1

P

i  1

k

A

i

Teorema 1.1.10.

Se

A  B

, então

P  A   P  B 

Demonstração

Podemos decompor

B

em dois acontecimentos mutuamente exclusivos, da seguinte forma:

B  A   B  Ā 

Assim,

P  B   P  A   P  B  Ā   P  A 

pois,

P  B  Ā   0

, pela propriedade 1.

1.2. Álgebra de Acontecimentos

Definição 1.2.11.

Conjunto Universal

É identificado como o espaço amostral

de experiência aleatória e cada acontecimento

A

por uma região interior a

Aplicando aos acontecimentos de

as operações sobre conjuntos, obtemos outros

acontecimentos de

. Assim,

  1. Se

A

e

B

são acontecimentos,

A  B

é o acontecimento que ocorre se, e somente se,

A

ou

B

(ou ambos) ocorrem;

  1. Se

A

e

B

são acontecimentos,

A  B

é o acontecimento que ocorre se, e somente se,

A

e

B

ocorrem;

  1. Se

A

é acontecimentos,

é o acontecimento que ocorre se, e somente se,

A

não

ocorre;

  1. Se

A

1

, , A

n é uma qualquer colecção finita de acontecimentos, então

i  1

n

A

i

é o

acontecimento que ocorre se, e somente se, ao menos um dos acontecimentos

A

i ocorrer;

  1. Se

A

1

, , A

n é uma qualquer colecção finita de acontecimentos, então

i  1

n

A

i

é o

acontecimento que ocorre se, e somente se, todos os acontecimentos

A

i ocorrerem;

  1. Se

A

1

, , A

n

é uma qualquer colecção finita de acontecimentos, então

i  1

A

i

é o

acontecimento que ocorre se, e somente se, ao menos um dos acontecimentos

A

i ocorrer;

EXERCÍCIO 1.1. (Ficha 1)

1. Extrai-se ao acaso uma carta de um baralho ordinário de

cartas. Determine a

probabilidade de a carta ser:

a) Um às;

RESOLUÇÂO:

A  A carta extraída ser um às

P  A  

4

52

1

13

b) Valete de copas;

RESOLUÇÂO:

A  A carta extraída ser valete de copas

P  A  

1

52

c) Três de paus ou seis de ouros;

RESOLUÇÂO:

A  A carta extraída ser três de paus

B  A carta extraída ser seis de ouros

P  A  B   P  A   P  B  

1

52

1

52

2

52

1

26

d) Uma carta de copas;

RESOLUÇÂO:

A  A carta extraída ser copas

P  A  

13

52

1

4

e) De qualquer naipe excepto copas;

RESOLUÇÂO:

Ā  A carta extraída não ser copas

P  Ā   1  P  A   1 

1

4

3

4

f) Um dez ou uma carta de espadas;

RESOLUÇÂO:

A  A carta extraída ser um dez

B  A carta extraída ser espadas

P  A  B   P  A   P  B   P  A  B  

4

52

13

52

1

52

16

52

4

13

g) Nem quatro nem carta de paus.

RESOLUÇÂO:

Ā  A carta extraída não ser quatro

B

A carta extraída não ser paus

P  Ā  B

  P  A  B   1  P  A  B  

 1   P  A   P  B   P  A  B  

4

52

13

52

1

52

16

52

36

52

9

13

2. Extrai-se ao acaso uma bola de uma caixa que contém

bolas vermelhas,

brancas e

azuis. Determine a probabilidade de a bola extraída ser:

a) Vermelha;

RESOLUÇÂO:

A  A bola extraída ser vermelha

P  A  

6

15

2

5

b) Branca;

RESOLUÇÂO:

A  A bola extraída ser branca

P  A  

4

15

c) Azul;

RESOLUÇÂO:

A  A bola extraída ser azul

P  A  

5

15

1

3

c)

P  B

RESOLUÇÂO:

P  B

  1  P  B   1 

1

2

1

2

d)

P  Ā  B

RESOLUÇÂO:

P  Ā  B

  P  A  B   1  P  A  B   1 

5

8

3

8

e)

P  Ā  B

RESOLUÇÂO:

P  Ā  B

  P  A  B   1  P  A  B   1 

1

4

3

4

f)

P  A  B

RESOLUÇÂO:

P  A  B

  P  A   P  A  B  

3

8

1

4

1

8

g)

P  B  Ā 

RESOLUÇÂO:

P

B  Ā

 P

B

 P

B  A

1

2

1

4

1

4

5. Sejam

A

e

B

dois acontecimentos associados a uma experiência aleatória

. Se

P  A  B  

3

4

P

2

3

e

P  A  B  

1

4

, qual o valor de:

a)

P  A 

RESOLUÇÂO:

P

A

 1  P

2

3

1

3

b)

P  B 

RESOLUÇÂO:

P  A  B   P  A   P  B   P  A  B  

3

4

1

3

 P  B  

1

4

 P  B  

2

3

c)

P  A  B

RESOLUÇÂO:

P  A  B

  P  A   P  A  B  

1

3

1

4

1

12

6. Dispõe-se de dois dados, um normal e outro com duas faces numeradas com

e as

outras com os números

. Lançam-se os dois dados ao acaso. Determine a

probabilidade de que:

a) A soma dos pontos obtidos seja

RESOLUÇÂO:

A  A soma dos pontos obtidos seja 6

P

A

6

36

1

6

b) A soma dos pontos obtidos seja inferior a

RESOLUÇÂO:

A  A soma dos pontos obtidos seja inferior a 5

P  A  

9

36

1

4

c) A soma dos pontos obtidos seja superior a

RESOLUÇÂO:

P  A  

2

6

1

3

9. Dados os seguintes valores obtidos numa dada cidade:

Rendimento familiar (u.m.) Nº de famílias

Menos de

mais de

Indique qual a probabilidade de uma família escolhida ao acaso ter um rendimento:

a) Inferior a

u.m.;

RESOLUÇÂO:

A  Uma família ter um redimento inferior a 10000 u.m.

P  A  

500

5000

1

10

b) Entre

e

u.m.;

RESOLUÇÂO:

A  Uma família ter um redimento entre 10000 e 20000 u.m.

P  A  

1000

5000

1

5

c) Inferior a

ou superior a

u.m..

RESOLUÇÂO:

A  Uma família ter um redimento inferior a 10000 u.m.

B  Uma família ter um redimento superior a 50000 u.m.

P  A  B   P  A   P  B  

500

5000

400

5000

900

5000

9

50

10. De um grupo de

crianças,

estão vacinadas contra a varíola,

contra o

sarampo e

contra a varíola e o sarampo. Se uma for escolhida ao acaso qual a

probabilidade de:

a) Estar vacinada contra a varíola ou sarampo;

RESOLUÇÂO:

A  A criança estar vacinada contra a varíola

B  A criança estar vacinada contra o sarampo

P

A

60

120

1

2

P  B  

50

120

5

12

P

A  B

20

120

1

6

P  A  B   P  A   P  B   P  A  B  

60

120

50

120

20

120

90

120

3

4

b) Não estar vacinada nem contra a varíola nem contra o sarampo.

RESOLUÇÂO:

Ā  A criança não estar vacinada contra a varíola

B

A criança não estar vacinada contra o sarampo

P  Ā  B   P  A  B   1  P  A  B   1 

3

4

1

4

11. Uma cidade com

habitantes possui apenas três jornais diários

A

B

e

C

Uma investigação mostrou que:

Nº pessoas Jornal que lêem

20000 A

10000 C

16000 B

12000 A

e

B

3000 B

e

C

7000 A

e

C

1000 A

B

e

C

Qual a probabilidade de que um habitante, escolhido aleatoriamente, leia pelo menos

um jornal?

RESOLUÇÂO:

A  Um habitante ler o jornal A

B  Um habitante ler o jornal B

C  Um habitante ler o jornal C

P  A  B  C   P  A   P  B   P  C   P  A  B   P  A  C   P  B  C   P  A  B  C  

20000

50000

16000

50000

10000

50000

12000

50000

7000

50000

3000

50000

1000

50000

25000

50000

1

2

C  nº impar  1, 3, 5

P  A   P  2    4    6  

2

21

4

21

6

21

12

21

4

7

P

B

 P

2

21

3

21

5

21

10

21

P  C   P  1    3    5  

1

21

3

21

5

21

9

21

3

7

P Cara  Coroa  1  2 pp  1  p

1

3

c) A probabilidade de um nº par ou um nº primo ocorra;

RESOLUÇÂO:

A  nº par  2, 4, 6

B  nº primo  2, 3, 5

P  A  B   P  A   P  B   P  A  B  

12

21

10

21

2

21

20

21

Cálculo Auxiliar

P  A  B   P  2  

2

21

d) A probabilidade de um nº impar primo ocorra;

RESOLUÇÂO:

B  nº primo  2, 3, 5

C  nº impar  1, 3, 5

P  B  C   P 3, 5  P  3    5  

3

21

5

21

8

21

e) A probabilidade de que

A

ocorra, mas

B

não.

RESOLUÇÂO:

P  A  B

  P  A   P  A  B  

12

21

2

21

10

21

1.3. Probabilidade Condicionada

Considere um lote com 100 peças, das quais, 80 são não-defeituosas e 20 são defeituosas.

Suponha-se que escolhemos duas peças desse lote:

a) Com reposição;

b) Sem reposição.

Definamos os dois acontecimentos seguintes:

A  A primeira peça é defeituosa

B  A segunda peça é defeituosa

a) Com reposição;

P  A  

20

100

1

5

P  B  

20

100

1

5

b) Sem reposição.

P  A  

20

100

1

5

P  B  ?

É evidente que, a fim de calcularmos

P  B 

, deveremos conhecer a composição do lote no

momento de se extrair a segunda peça. Isto é, deveremos saber se

A

ocorreu ou não. Este

exemplo mostra a necessidade de se introduzir o seguinte importante conceito.

Sejam

A

e

B

dois acontecimentos associados à experiência

. Denotamos por

P  B  A 

a probabilidade condicionada do acontecimento

B

, quando

A

tiver ocorrido. Assim,

P  B  A  

19

99 , porque se

A

tiver ocorrido, então para a segunda extracção restarão

somente

peças, das quais

delas serão defeituosas.

Definição 1.3.12.

Probabilidade Condicionada

P  B  A  

P  A  B 

P  A 

ou

P  A  B  

P  A  B 

P

B

desde que

P  A , P  B   0

Teorema 1.3.13. (Teorema de Multiplicação)

 P  A  B   P  A  B   P  B 

 P  A  B   P  B  A   P  A 