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Processo de produção açúcar e etanol, Teses (TCC) de Química Industrial

Processo de produção de açúcar e etanol.

Tipologia: Teses (TCC)

Antes de 2010

Compartilhado em 16/07/2022

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS
DEPARTAMENTO DE HIDRÁULICA E SANEAMENTO
MINIMIZAÇÃO E REUSO DE ÁGUAS EM INDÚSTRIAS
SUCROALCOOLEIRAS: ESTUDO DE CASO
SÔNIA MARIA KESSERLINGH
Dissertação apresentada à Escola de Engenharia de São
Carlos, Universidade de São Paulo, como parte dos
requisitos para obtenção do título de mestre em
Hidráulica e Saneamento.
ORIENTADOR: Prof. Dr. Luiz Antonio Daniel
São Carlos
2002
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Baixe Processo de produção açúcar e etanol e outras Teses (TCC) em PDF para Química Industrial, somente na Docsity!

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS

DEPARTAMENTO DE HIDRÁULICA E SANEAMENTO

MINIMIZAÇÃO E REUSO DE ÁGUAS EM INDÚSTRIAS

SUCROALCOOLEIRAS: ESTUDO DE CASO

SÔNIA MARIA KESSERLINGH

Dissertação apresentada à Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, como parte dos requisitos para obtenção do título de mestre em Hidráulica e Saneamento.

ORIENTADOR: Prof. Dr. Luiz Antonio Daniel

São Carlos 2002

i

Ao meu esposo José Carlos e minha filha Sofia

iii

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS........................................................................................... ix

LISTA DE TABELAS.......................................................................................... x

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS........................................................... xii

RESUMO.............................................................................................................. xiv

ABSTRACT.......................................................................................................... xv

  1. INTRODUÇÃO............................................................................................... 1
  2. OBJETIVO....................................................................................................... 4
  3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................................... 5 3.1 GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS POR BACIAS HIDROGRÁFICAS.............................................................................................. 5 3.2 POLÍTICA NACIONAL DOS RECURSOS HÍDRICOS............................. 7

3.3 ANA – AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS............................................... 9

3.4 COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA........................................................... 12

3.5 REUSO, RECICLO E MINIMIZAÇÃO........................................................ 14

3.5.1 REUSO E RECICLO................................................................................... 14

3.5.2 MINIMIZAÇÃO.......................................................................................... 16

3.6 GESTÃO AMBIENTAL................................................................................ 17

iv

3.7 BENEFÍCIOS DE UM SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL.................. 19

3.8 GESTÃO AMBIENTAL EM INDÚSTRIAS SUCROALCOOLEIRAS...... 21

3.9 CONCEITO DE EFLUENTE ZERO NA INDÚSTRIA

SUCROALCOOLEIRA – EXPERIÊNCIA DA ÁFRICA DO SUL.................... 25

3.9.1 INTRODUÇÃO AO PROJETO EFLUENTE ZERO................................. 25

3.9.2 A MUDANÇA DE PARADGIMA: DO TRATAMENTO DE

EFLUENTE PARA A PREVENÇÃO.................................................................. 27

3.9.3 IMPLANTAÇÃO DO PROJETO EFLUENTE ZERO............................... 28

3.9.3.1 A PRIMEIRA REDE DO PROJETO EFLUENTE ZERO....................... 30

3.9.3.2 A SEGUNDA REDE DO PROJETO EFLUENTE ZERO....................... 31

3.9.4 EFICIÊNCIA DO PROJETO EFLUENTE ZERO...................................... 34

3.9.5 IMPACTO DO PROJETO EFLUENTE ZERO NA RECUPERAÇÃO

DE SACAROSE................................................................................................... 36

3.10 GERAÇÃO DE EFLUENTES EM INDÚSTRIAS AÇUCAREIRAS –

PESQUISA INTERNACIONAL.......................................................................... 37

3.10.1 PRINCIPAIS CONTAMINANTES DOS EFLUENTES DE

INDÚSTRIAS AÇUCAREIRAS.......................................................................... 37

3.10.2 QUANTIDADE DE EFLUENTES........................................................... 42

3.10.3 CONCENTRAÇÕES DOS EFLUENTES GERADOS............................. 42

3.10.4 TRATAMENTO OU DISPOSIÇÃO DE EFLUENTES UTILIZADOS.. 43

3.11 TIPOS DE EFLUENTES GERADOS EM INDÚSTRIAS

SUCROALCOOLEIRAS..................................................................................... 44

3.12 TRATAMENTO BIOLÓGICO DE EFLUENTES...................................... 47

3.13 SISTEMAS DE RESFRIAMENTO DE ÁGUA.......................................... 49

vi

5.1.1 CARACTERIZAÇÃO DE PRODUÇÃO.................................................... 65

5.1.2 SISTEMA DE QUALIDADE DA UNIDADE INDUSTRIAL................... 66

5.1.2.1 HOUSEKEEPING.................................................................................... 67

5.1.2.2 BPF – BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (BPF) E ANÁLISE DE

RISCOS E PONTOS CRÍTICOS DE CONTROLE (ARPCC)............................ 67

5.1.2.3 IMPLANTAÇÃO DE PPR – PLANO DE PARTICIPAÇÃO EM

RESULTADOS..................................................................................................... 67

5.2 DESCRIÇÃO DO PROCESSO INDUSTRIAL............................................. 69

5.2.1 RECEPÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA (CANA-DE-AÇÚCAR)................. 69

5.2.2 PROCESSO DE OBTENÇÃO DE SACAROSE – EXTRAÇÃO DO

CALDO................................................................................................................. 70

5.2.3 PRODUÇÃO DE AÇÚCAR........................................................................ 71

5.2.4 PRODUÇÃO DE ÁLCOOL........................................................................ 75

5.2.5 UTILIDADES.............................................................................................. 77

5.3 FLUXOGRAMAS DO PROCESSO INDUSTRIAL..................................... 79

5.4 CARACTERIZAÇÃO DE QUALIDADE DO AÇÚCAR PRODUZIDO

NA INDÚSTRIA.................................................................................................. 87

5.5 CARACTERIZAÇÃO DE QUALIDADE DO ÁLCOOL PRODUZIDO

NA INDÚSTRIA.................................................................................................. 88

5.6 CARACTERIZAÇÃO DE QUALIDADE DA LEVEDURA PRODUZIDA

NA INDÚSTRIA.................................................................................................. 89

5.7 CARACTERIZAÇÃO DO CORPO DE ÁGUA DE CAPTAÇÃO............... 89

5.8 PONTOS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA NA UNIDADE INDUSTRIAL E

CÁLCULO DA TAXA DE CAPTAÇÃO ATUAL............................................. 90

5.9 LANÇAMENTO DE EFLUENTES............................................................... 92

vii

5.9.1 LANÇAMENTO DE EFLUENTE 01......................................................... 93

5.9.2 LANÇAMENTO DE EFLUENTE 02......................................................... 94

5.9.3 LANÇAMENTO DE EFLUENTE 03......................................................... 95

5.10 CARACTERIZAÇÃO DAS ÁGUAS UTILIZADAS E EFLUENTES

GERADOS............................................................................................................ 95

5.11 RESULTADOS DO LEVANTAMENTO DE REUSOS E RECICLOS

PRATICADOS NA INDÚSTRIA........................................................................ 98

5.12 DISCUSSÕES............................................................................................ 99

5.12.1 MINIMIZAÇÃO DA CAPTAÇÃO DE ÁGUA........................................ 99

5.12.1.1 ÁGUA DE LAVAGEM DE CANA....................................................... 99

5.12.1.2 ÁGUA PARA FORMAÇÃO DE VÁCUO POR RESFRIAMENTO

POR MUTIJATOS, NAS ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO DE CALDO E

COZIMENTO PARA PRODUÇÃO DE AÇÚCAR............................................

5.12.1.3 ÁGUA DE RESFRIAMENTO DE DORNAS E CONDENSAÇÃO

PARA PRODUÇÃO DE ÁLCOOL.................................................................... 101

5.12.1.4 ÁGUA DE RESFRIAMENTO DO TURBOGERADOR...................... 101

5.12.2 GERENCIAMENTO INDUSTRIAL........................................................ 102

6. PROPOSTAS PARA MINIMIZAÇÃO, REUSO OU RECICLO DE

ÁGUA................................................................................................................... 105

6.1 APROVEITAMENTO DO CONDENSADO................................................ 105

6.2 ÁGUAS DE RESFRIAMENTO DA PRODUÇÃO DE ÁLCOOL............... 105

6.3IMPLANTAÇÃO TAXAS DE DASCAPTAÇÃO PROPOSTAS DE DEÁGUA, MINIMIZAÇÃO, ANTES E REUSOAPÓS AE

RECICLO.............................................................................................................

7. CONCLUSÕES................................................................................................ 110

ix

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 01

Sistema de gerenciamento de águas em Maidstone, antes da implantação do projeto efluente zero......................................

FIGURA 02

Sistema de gerenciamento de águas em Maidstone, após a implantação do projeto efluente zero......................................

FIGURA 03^ Torre de resfriamento atmosférica, alimentada por nebulização (circulação natural).............................................

FIGURA 04

Torre de resfriamento atmosférica, alimentada por nebulização, (circulação com enchimento).............................^51 FIGURA 05 Torre de tiragem mecânica, com tiragem forçada.................. 52 FIGURA 06 Torre de refrigeração de tiragem mecânica induzida, em contracorrente.........................................................................

FIGURA 07

Torre de refrigeração de tiragem mecânica induzida, em fluxo cruzado..........................................................................

FIGURA 08

Fluxograma da área de recebimento e processamento de matéria-prima (cana-de-açúcar)..............................................

FIGURA 09 Fluxograma da área de produção de açúcar – parte 01........... 81 FIGURA 10 Fluxograma da área de produção de açúcar – parte 02........... 82 FIGURA 11 Fluxograma da área de produção de açúcar – parte 03........... 83 FIGURA 12 Fluxograma da área de produção de álcool – parte 01........... 84 FIGURA 13 Fluxograma da área de produção de álcool – parte 02........... 85 FIGURA 14 Fluxograma da área de utilidades........................................... 86 FIGURA 15 Torre de refrigeração de fluxo cruzado, de entrada dupla...... 111

x

LISTA DE TABELAS

TABELA 01 Usos da água no setor sucroalcooleiro.................................... 02 TABELA 02 Produção média de efluentes e utilização de água bruta na indústria Maidstone................................................................

TABELA 03 Padrões requeridos por diferentes países para efluentes lançados em corpos de água públicos.....................................

TABELA 04 Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e temperatura dos efluentes líquidos de indústrias, conforme estudo realizado pela COPERSUCAR em 1985................................

TABELA 05 Composição da vinhaça – principal efluente líquido da produção de álcool..................................................................

TABELA 06 Captação de água e forma de determinação da vazão............ 60 TABELA 07 Principais requisitos de qualidade para o açúcar produzido na Unidade Industrial, para mercado interno..........................

TABELA 08 Especificações para produção de álcool................................. 88 TABELA 09 Especificações para a produção de levedura seca................... 89 TABELA 10 Pontos de captação de água da unidade industrial sucroalcooleira em estudo.......................................................^90 TABELA 11 Caracterização físico-química das águas utilizadas na indústria, água superficial captada, água dos circuitos fechados, efluentes gerados e água do corpo receptor após todos os lançamentos da industria..........................................

xii

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AAR – Atividade ambientalmente relevante ANA – Agência Nacional de Águas ARPCC – Análise de riscos e pontos críticos de controle BPF – Boas práticas de fabricação CBH-PCJ – Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí CEEIJAPI – Comitê Executivo de Estudos Integrados das Bacias dos Rios Jaguari e Piracicaba CEF01 – Circuito fechado 01 CEF 02 – Circuito fechado 02 CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente COPERSUCAR – Cooperativa dos produtores de açúcar e álcool do estado de São Paulo CPFL – Companhia Paulista de Força e Luz DAEE – Departamento de águas e energia elétrica DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio DPA – Departamento de Proteção Ambiental DQO – Demanda Química de Oxigênio E.T.A. – Estação de Tratamento de Água E.U.A. – Estados Unidos da América ISO – International Standards Organization LPCTS - Laboratório de Pagamento de Cana por Teor de Sacarose N - Nitrogênio

xiii

O.D. – Oxigênio dissolvido

ONGs – Organizações não governamentais

PPR – Plano de participação em resultados

SFT – Sólidos Fixos Totais

SGA – Sistema de Gestão Ambiental

SIGRH – Sistema Integrado de Gerenciamento dos Recursos Hídricos

SMA – SP – Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

SMA-SP – Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

SS – Sólidos Suspensos

Ssed – Sólidos Sedimentáveis

SSF – Sólidos Suspensos Fixos

SST – Sólidos Suspensos Totais

SSV – Sólidos Suspensos Voláteis

ST – Sólidos totais

STF – Sólidos Totais Fixos

STV – Sólidos Totais Voláteis

Temp. - Temperatura

USEPA – United States Environmental Protection Agency

xv

ABSTRACT

Kesserlingh, S.M. “Minimization and reuse of water in Sugar and Ethanol industries: a case study”. São Carlos, 2002, 125 p. Dissertation (M.Sc.) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.

It is a fact that the Sugar and Ethanol industry in Brazil has a high level of water consumption and consequent production of effluents, with a negative impact to the environment. Also, the environmental legislation indicates a continuous raise in the charge for the usage of water from natural sources. As a consequence of the present situation, this work brings up several alternatives for the minimization and reuse of water at Sugar and Ethanol industries, aiming the reduction of pollutants at their source and the minimization of water uptake from the available supplies, by reusing the effluents inside the production process itself. It is also presented the results from a case study carried out in an industry where the production process was analyzed in the point-of-view of water usage and effluent generation. Alternatives for water uptake and effluent generation minimization are therefore proposed.

Key-words: Sugar and Ethanol industry; minimization and reuse of water, liquid effluents, zero effluent.

1

1. INTRODUÇÃO

Segundo HSIEH (1995), a água contida na cana-de-açúcar é mais que suficiente para o processamento industrial da mesma, sendo que por reciclagem e reuso, o consumo de água externa pode ser minimizado.

LIMA et al (2001) informam que uma tonelada de cana-de-açúcar moída produz em média 850 litros de caldo, do qual entre 78-86% é água, de 10 à 20% é sacarose, de 0,1 à 2% é açúcares redutores, 0,3 à 0,5 % é cinzas e entre 0,5 e 1,0% são compostos nitrogenados.

SAPKAL et al (2001) relata que para a produção de açúcar a água é utilizada para resfriamento de equipamentos, limpezas diárias e mensais, uso doméstico e reposição para o processo. A quantidade de água captada e efluentes gerados, segundo SAPKAL et al (2001), podem ser consideravelmente reduzidos se águas de resfriamento de equipamentos forem recirculadas, água proveniente de vapor condensado for reutilizada e se boas práticas de fabricação foram adotadas no gerenciamento da indústria.

Segundo a COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO - COPERSUCAR (SEMINÁRIO INDUSTRIAL, 1.996), o setor sucroalcooleiro é responsável pela captação de aproximadamente 13 % do total de água superficial captada no Estado de São Paulo.

De acordo com a COPERSUCAR (1996), o setor sucroalcooleiro representa 42% da demanda de água superficial para utilização industrial no Estado de São Paulo, apesar de representarem somente 4% das indústrias.

3

  • diminuição da água captada;
  • reaproveitamento máximo de efluentes;
  • controle preventivo da poluição;
  • efluente zero;
  • automonitoramento da qualidade e quantidade da água captada, utilizada no processo e lançadas aos corpos de água.

4

2. OBJETIVO

Realizar um estudo de caso em uma indústria sucroalcooleira, caracterizando o processo industrial, de forma a possibilitar o estudo de alternativas para redução do consumo de água superficial e a geração de efluentes, minimizando ou eliminando impactos ambientais.