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Profae - caderno 8, Notas de estudo de Administração Empresarial

É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte. Série F. Comunicação e Educação em Saúde Tiragem: 2.ª edição - 1.a reimpressão - 2003 - 100.000 exemplares

Tipologia: Notas de estudo

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Cadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do Aluno

SAÚDE DA MULHER, DA CRIANÇA

E DO ADOLESCENTE 8

©2001. Ministério da Saúde. É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte. Série F. Comunicação e Educação em Saúde Tiragem: 2.ª edição - 1.a reimpressão - 2003 - 100.000 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem Esplanada dos Ministérios, bloco G, edifício sede, 7.º andar, sala 733 CEP: 70058-900, Brasília - DF Tel.: (61) 315 2993

Fundação Oswaldo Cruz Presidente: Paulo Marchiori Buss Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública: Jorge Antonio Zepeda Bermudez Diretor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio: André Paulo da Silva Malhão

Curso de Qualificação Profissional de Auxiliar de Enfermagem Coordenação - PROFAE: Leila Bernarda Donato Göttems, Solange Baraldi Coordenação - FIOCRUZ: Antonio Ivo de Carvalho

Colaboradores: Ana Márcia Marques Oliveira, Angela Maria la Cava de Souza, Leila Bernarda Donato Göttems, Glória Regina Gomes da Silva, Inah Maria de Queiroz, Lucia Helena Penna, Luciane Marques de Araujo, Luiza Mara Correa, Maria de Fátima Hasek Nogueira, Maria Regina Araújo Reicherte Pimentel, Marta de Fátima Lima Barbosa, Sandra Ferreira Gesto Bittar, Maysa Luduvice Gomes, Sandra Teixeira de Araujo Pacheco, Silvéria Maria dos Santos, Tania Ward Abdala, Vânia de Carvalho Ferreira

Capa e projeto gráfico: Carlota Rios, Adriana Costa e Silva Editoração eletrônica: Carlota Rios, Ramon Carlos de Moraes Ilustrações: Marcelo Tibúrcio, Maurício Veneza Revisores de português e copidesque: Lílian Rose Ulup, Monica Camuniti Ron-Ren Apoio: Abrasco

Impresso no Brasil/ Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde da mulher, da criança e do adolescente / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Departamento de Gestão da Educação na Saúde, Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. - 2. ed., 1.a reimpr. - Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

160 p.: il. - (Série F. Comunicação e Educação em Saúde) ISBN 85-334-0550-

  1. Educação Profissionalizante. 2. Auxiliares de Enfermagem. 3. Saúde da Mulher. 4. Saúde Infantil. I. Brasil. Ministério da Saúde. II. Brasil. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde.Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. III. Título. IV. Série. NLM WY 18.

Catalogação na fonte - Editora MS

SUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIO

1 Apresentação pág. 7

2 Saúde da Mulher, da Criança pág. 9 e do Adolescente

APRESENTAPRESENTAPRESENTAPRESENTAPRESENTAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃO

MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA DE GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE

PROJETO DE PROFISSIONALIZAÇÃO DOS TRABALHADORES DA ÁREA DE ENFERMAGEM

processo de construção de Sistema Único de Saúde (SUS) colocou a área de gestão de pessoal da saúde na ordem das prioridades para a configuração do sistema de saúde brasileiro. A formação e o desenvolvimento dos profissionais de saúde, a regulamentação do exercício profissional e a regulação e acompanhamento do mercado de trabalho nessa área passaram a exigir ações estratégicas e deliberadas dos órgãos de gestão do Sistema. A descentralização da gestão do SUS, o fortalecimento do controle social em saúde e a organização de práticas de saúde orientadas pela integralidade da atenção são tarefas que nos impõem esforço e dedicação. Lutamos por conquistar em nosso país o Sistema Único de Saúde, agora lutamos por implantá- lo efetivamente. Após a Constituição Federal de 1988, a União, os estados e os municípios passaram a ser parceiros de condução do SUS, sem relação hierárquica. De meros executores dos programas centrais, cada esfera de governo passou a ter papel próprio de formulação da política de saúde em seu âmbito, o que requer desprendimento das velhas formas que seguem arraigadas em nossos modos de pensar e conduzir e coordenação dos processos de gestão e de formação. Necessitamos de desenhos organizacionais de atenção à saúde capazes de privilegiar, no cotidiano, as ações de promoção e prevenção, sem prejuízo do cuidado e tratamento requeridos em cada caso. Precisamos de profissionais que sejam capazes de dar conta dessa tarefa e de participar ativamente da construção do SUS. Por isso, a importância de um "novo perfil" dos trabalhadores passa pela oferta de adequados processos de profissionalização e de educação permanente, bem como pelo aperfeiçoamento docente e renovação das políticas pedagógicas adotadas no ensino de profissionais de saúde. Visando superar o enfoque tradicional da educação profissional, baseado apenas na preparação do trabalhador para execução de um determinado conjunto de tarefas, e buscando conferir ao trabalhador das profissões técnicas da saúde o merecido lugar de destaque na qualidade da formação e desenvolvimento continuado, tornou-se necessário qualificar a formação pedagógica dos docentes

O

para esse âmbito do ensino. O contato, o debate e a reflexão sobre as relações entre educação e trabalho e entre ensino, serviço e gestão do SUS, de onde emanam efetivamente as necessidades educacionais, são necessários e devem ser estruturantes dos processos pedagógicos a adotar.

Não por outro motivo, o Ministério da Saúde, já no primeiro ano da atual gestão, criou uma Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, que passa a abrigar o Projeto de profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (PROFAE) em seu Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Dessa forma, o conjunto da Educação Profissional na Área da Saúde ganha, na estrutura de gestão ministerial, nome, lugar e tempo de reflexão, formulação e intervenção. As reformulações e os desafios a serem enfrentados pela Secretaria repercutirão em breve nas políticas setoriais federais e, para isso, contamos com a ajuda, colaboração, sugestões e críticas de todos aqueles comprometidos com uma educação e um trabalho de farta qualidade e elevada dignidade no setor da saúde.

O Profae exemplifica a formação e se insere nesta nova proposta de educação permanente. É imprescindível que as orientações conceituais relativas aos programas e projetos de formação e qualificação profissional na área da saúde tenham suas diretrizes revistas em cada realidade. Essa orientação vale mesmo para os projetos que estão em execução, como é o caso do Profae. O importante é que todos estejam comprometidos com uma educação e um trabalho de qualidade. Esta compreensão e direção ganham máxima relevância nos cursos integrantes do Profae, sejam eles de nível técnico ou superior, pois estão orientadas ao atendimento das necessidades de formação do segmento de trabalhadores que representa o maior quantitativo de pessoal de saúde e que, historicamente, ficava à mercê dos "treinamentos em serviço", sem acesso à educação profissional de qualidade para o trabalho no SUS. O Profae vem operando a transformação desta realidade. Precisamos estreitar as relações entre os serviços e a sociedade, os trabalhadores e os usuários, as políticas públicas e a cidadania e entre formação e empregabilidade.

Sabe-se que o investimento nos recursos humanos no campo da saúde terá influência decisiva na melhoria dos serviços de saúde prestados à população. Por isso, a preparação dos profissionais-alunos é fundamental e requer material didático criterioso e de qualidade, ao lado de outras ações e atitudes que causem impacto na formação profissional desses trabalhadores. Os livros didáticos para o Curso de Qualificação Profissional de Auxiliar de Enfermagem, já em sua 3ª edição, constituem-se, sem dúvida, em forte contribuição no conjunto das ações que visam a integração entre educação, serviço, gestão do SUS e controle social no setor de saúde.

Humberto Costa Ministro de Estado da Saúde

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ÍNDICEÍNDICEÍNDICEÍNDICEÍNDICE

1 Apresentação

2 Saúde da Mulher, um Direito a ser Conquistado

2.1 A enfermagem e a consulta clínico- ginecológica 2.2 Afecções ginecológicas

3 Planejamento Familiar

3.1 Assistência aos casais férteis 3.2 Assistência aos casais portadores de esterilidade e infertilidade

4 Conhecendo o Processo de Gestação

4.1 Diagnosticando a gravidez 4.2 Assistência Pré-natal

5 Assistência de Enfermagem em Situações Obstétricas de Risco 5.1 Abortamento 5.2 Placenta Prévia (PP) 5.3 Prenhez ectópica ou extra-uterina 5.4 Doenças hipertensivas específicas da gestação (DHEG) 5.5 Sofrimento fetal agudo (SFA)

6 Parto e Nascimento Humanizado

6.1 Admitindo a parturiente 6.2 Assistência durante o trabalho de parto

7 Assistência de Enfermagem Durante o Parto Cesáreo

8 Puerpério e suas Complicações

9 Classificação dos Recém-nascidos (RNs)

9.1 Classificação de acordo com o peso 9.2 Classificação de acordo com a IG 9.3 Classificação de acordo com a relação peso/IG

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10 Características Anatomofisiológicas dos RNs

11 Assistência de Enfermagem nos Cuidados Imediatos e Mediatos ao RN

12 Assistência de Enfermagem ao RN no Alojamento Conjunto 12.1 Amamentação

13 Humanização da Assistência ao RN de Baixo Peso

13.1 Atendimento à família em unidades neonatais 13.2 Método Canguru

14 Assistência de Enfermagem ao RN Portador de Patologias Prevalentes no Período Neonatal 14.1 Prematuridade 14.2 RN filho de mãe diabética 14.3 RN com hiperbilirrubinemia

15 Procedimentos de Rotina Utilizados no Atendimento ao Recém-Nascido 15.1 Cuidados com a pele do RN 15.2 Coleta de sangue periférico 15.3 Administração de medicamentos, fluidos e soluções

16 Enfermagem e a Saúde Integral da Criança e do Adolescente 16.1 Aspectos históricos 16.2 O papel da família: cuidados na atenção à criança e ao adolescente 16.3 A criança/adolescente no processo saúde-doença 16.4 A hospitalização da criança e da família

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Identificando a ação educativa PPP PPRRRORR OOOOFFFFFAAAAAEEEEE

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Criança e doCriança e doCriança e doCriança e doCriança e do

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1- APRESENTAÇÃO

presente trabalho, direcionado ao processo de qua- lificação de auxiliares de enfermagem, abrange os con- teúdos de enfermagem relacionados à saúde da mu- lher, da criança e do adolescente. Em sua concepção, procura-se contextualizar a mulher como um ser total, cuja saúde é um direito a ser conquistado, seja no que se refere à sua promoção, seja no que diz respeito à sua prevenção. Aborda também o planejamento familiar como uma respon- sabilidade do casal, além de discutir todo o processo gravídico- puerperal, bem como a assistência de enfermagem desenvolvida junto ao recém-nato, considerando todos os aspectos do cresci- mento, do desenvolvimento e agravos à saúde desde a infância até a adolescência. A ênfase deste material didático está em discutir com os au- xiliares de enfermagem a importância da realização de um traba- lho educativo pela equipe de saúde como um todo, visando a aprofundar questões que possibilitem reflexões a serem transfor- madas em ações concretas de uma assistência humanizada.

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Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente

2- SAÚDE DA MULHER, UM DIREITO A SER CONQUISTADO

O mundo feminino é cheio de detalhes próprios, que precisam ser analisados de maneira sensível, com um olhar de mulher. Muitas famílias hoje são chefiadas por mulheres, que possuem uma dupla jornada de trabalho – pois, além de traba- lhar fora, dão conta de todas as tarefas domésticas. Entender que mulheres e homens são diferentes, não só do ponto de vis- ta físico e biológico, mas também na forma como entendem o mundo, como apresentam suas necessidades e como querem ser aceitos (as), valorizados (as) e entendidos (as), significa analisar estas questões sob a ótica do gênero. Faz-se necessário, portanto, compreender, sob vários aspectos, as questões que estão relacionadas com as ações preconizadas para atender às demandas de saúde da mulher. A maior parte dos adultos que procuram os serviços de saúde são mulheres que apresentam di- versas necessidades, esperando que sejam atendidas. É importante res- saltar que o índice de abandono dos tratamentos de saúde é significati- vo e relaciona-se com a dificuldade em receber atendimento e a forma como os profissionais atendem as pacientes, muitas vezes de forma desinteressada e desrespeitosa. Inúmeras são as causas que levam a mulher ao adoecimento e à morte o que chamamos morbimortalidade feminina. Estas causas es- tão diretamente relacionadas às condições e hábitos de vida. Como exemplo, podemos dizer que as mulheres, por terem adquirido o hábito de fumar, associado ao estresse, ao longo dos anos foram aumentando o número de casos de doenças do coração, como infarto do miocárdio e outros problemas ligados à circulação sangüínea, que eram mais fre- qüentes nos homens. Por isto, para compreendermos os seus proble- mas de saúde é importante pensar como as mulheres vivem atualmente e os novos hábitos que vêm adquirindo. Em busca de reconhecimento e valorização do seu trabalho, de suas necessidades de saúde, as mulheres, de forma organizada, através do chamado Movimento de Mulheres , vêm participando da formula- ção das políticas públicas, cobrando ações que sejam coerentes com o que precisam para sua saúde. Se voltarmos um pouco, à década de 70, vamos encontrar pro- postas de programas para dar assistência à saúde da mulher, que eram destinadas à mulher-mãe, obedecendo a uma tradicional visão onde a maternidade era a única forma da mulher ser reconhecida socialmente

Ações preconizadas - São ações estabelecidas pelo go- verno nos diferentes progra- mas, com o objetivo de unifi- car o atendimento aos proble- mas apresentados por uma determinada clientela. Por exemplo, um grande número de mulheres morrem anual- mente, e a causa é o câncer de mama. Ações são implementadas para que o diagnóstico seja precoce, o tratamento eficiente e a cura alcançada. Para isto, preconi- zam-se trabalhos educativos que estimulem e ensinem a mulher a realizar o auto exa- me. Para os profissionais da área, é necessário promover treinamentos específicos, ter disponível medicações e exa- mes complementares. Morbimortalidade feminina – É a taxa de adoecimento e morte de mulheres.

Movimento de Mulheres - Ma- nifestações sistemáticas contra a discriminação feminina, inici- ando-se com a luta das mulhe- res pelo direito de votar. Movi- mento que vai gradualmente tendo visibilidade e organiza- ção na virada do século XIX para o XX, acontecendo, nas décadas de 60 e 70, uma grande movimentação com reivindicações por maior repre- sentação na vida pública, opor- tunidades de estudo e acesso às profissões entre outros.

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Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente

a) Alterações no volume: hipermenorréia (aumento do volume sangüíneo) ou hipomenorréia (diminuição do volume sangüíneo). b) Período dos ciclos: polimenorréia (ciclos menstruais freqüen- tes), oligomenorréia (diminuição dos ciclos menstruais) ou amenorréia (ausência de menstruação). As amenorréias podem ser primárias quando aparecem na adolescência, e secundárias, quando presentes em mulheres ou adolescentes que já mens- truaram e cujos ciclos se interromperam por pelo menos três meses. c) A menorragia representa o aumento quantitativo dos sangramentos menstruais, com alongamento freqüente da du- ração das menstruações. As menorragias se diferenciam da metrorragias, que são sangramentos que aparecem fora dos ci- clos menstruais. d) A dismenorréia ou menstruação dolorosa pode surgir antes, no desencadeamento ou durante o ciclo menstrual. Em seu meca- nismo estão presentes fenômenos espasmódicos, vasculares, congestivos e, com freqüência, também psicológicos. As hemorragias genitais podem ser provenientes de qual- quer ponto do aparelho genital, mas geralmente procedem do úte- ro e de seus anexos e através do canal vaginal exteriorizam-se na vulva. Têm valor diagnóstico muito grande. Por isso, deve-se especificá-las considerando principalmente as características abai- xo relacionadas: ! Cor vermelho vivo ou escurecido, com ou sem coágulos; ! Volume; ! Associação com outros sintomas, notadamente dores, leucorréias e menstruação; ! Tempo de aparecimento, duração e periodicidade; ! Associação com outras doenças; ! Existência de outros elementos, como as secreções purulentas, urina (no caso de fistulas vesico-uterinas) e/ou tecido necrótico ou embrionário. O corrimento vaginal, chamado leucorréia, é representado pela saída de secreção de coloração e abundância variável. A leucorréia fisiológica é uma secreção normalmente produzida pelas mucosas vulvares, endocervical, ectocervical e sobretudo vaginal que pode ocasionar corrimento sem dar motivo para inquietação e/ ou tratamento. As leucorréias patológicas estão ligadas a inflama- ções vulvovaginais, e pela sua relevância e freqüência devem ser diagnosticadas e tratadas.

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2.2 Afecções Ginecológicas

2.2.1 Vulvovaginites

Considera-se como vulvovaginites todas as manifestações infla- matórias e/ou infecciosas, de caráter agudo ou crônico que podem aco- meter a vulva, vagina ou o colo uterino, podendo atingir também a bexiga, ureter, ânus e face interna das coxas.

As vulvovaginites manifestam-se por meio de leucorréias de as- pectos e consistências distintas, segundo as características do agente infeccioso, do grau de infestação e das condições clínicas do hospedei- ro (mulher). O corrimento pode se apresentar associado a um ou mais dos seguintes sintomas: prurido contínuo no canal vaginal e vulva, dor ou ardor local e/ou ao urinar e sensação de desconforto pélvico; os pequenos lábios, o clitóris e o intróito vaginal podem apresentar edema e hiperemia, como também escoriações devido ao prurido.

É imprescindível o tratamento do parceiro nas vulvovaginites recidivantes. O tratamento, depois de iniciado, não deverá ser inter- rompido mesmo durante a menstruação. É importante o uso de preser- vativos durante a relação sexual, enquanto permanecer o tratamento

Dentre as vulvovaginites mais comuns, temos: ! Vaginoses bacterianas - caracterizadas por um desequilíbrio da flora vaginal normal, devido a um aumento exagerado de bac- térias, em especial as anaeróbias ( Gardnerella vaginalis ), adquiri- das através da relação sexual ou hábitos precários de higiene (limpeza inadequada da genitália, não lavagem das mãos antes e após as eliminações, não troca freqüente da roupa íntima, uso de roupa íntima de outra pessoa). O diagnóstico é feito através da anamnese, que identifica a queixa de prurido vulvar acom- panhado de corrimento amarelado e odor fétido. A confirma- ção do diagnóstico ocorre através da leitura de uma lâmina de esfregaço vaginal. O tratamento deverá ser do casal na forma sistêmica e poderá estar associado a um bactericida tópico. ! Candidíase vulvovaginal - infecção da vulva e canal vagina cau- sada por um fungo que habita a mucosa vaginal, a Candida albicans. A relação sexual é considerada a principal forma de transmissão; outros fatores, como gravidez, diabetes melitus, obesidade, antibióticos, corticóides, uso de anticoncepcional hormonal também são fatores predisponentes da candidíase vulvovaginal. A sintomatologia dependerá do grau de infecção e da localização do tecido inflamado, podendo apresentar-se como prurido vulvovaginal, ardor ou dor à micção, corrimento branco, grumoso, inodoro e com aspecto caseoso (leite coalha- do), hiperemia, edema, fissuras e maceração da vulva, dispareunia (dor à relação sexual). O diagnóstico é confirmado

Nas crianças, as vulvovagi- nites desenvolvem-se basica- mente por higiene precária, parasitas (oxiúrus) e presença de corpo estranho.

Prurido – Termo técnico que significa coceira. Vulvovaginites recidivantes – São aquelas que reaparecem após tratamento, tendo com causas o não tratamento do parceiro, higiene precária, baixa imunidade.

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A causa da formação do mioma é desconhecida. É ligeiramente mais comum em mulheres nuligestas e nas de raça negra. Está relacio- nado com a produção hormonal, não apresentando crescimento com a menopausa.

Em mulheres não grávidas, os miomas podem ou não trazer pro- blemas. Cerca de 25%, entretanto, causam sangramento uterino anor- mal. Algumas mulheres queixam-se de plenitude ou sensação de peso pélvico. Podem ainda causar dismenorréia, leucorréia, hipermenorréia ou menorragia. Pode ocorrer um quadro de anemia e ou de infecção. O tra- tamento inicial sempre é conservador, com o uso de terapêutica hormonal, mas na ausência de resposta e tratamento poderá tornar-se cirúrgico.

Em mulheres grávidas, os miomas podem causar os seguintes ris- cos adicionais: aborto, falta de encaixamento, trabalho de parto prematu- ro, dor, distocia, trabalho de parto prolongado e hemorragia pós-parto.

2.2.4 Câncer de colo de útero e de mamas

A prevenção do câncer de colo de útero ou cérvice, com a colhei- ta da citologia oncótica, e o exame clínico das mamas com orientação para o auto exame, ocupam um lugar importante na consulta.

O colo é a parte do útero que se encontra no fundo do canal vaginal e pela sua localização torna-se mais exposto ao risco de desen- volver doenças. Para a detecção precoce de fatores predisponentes do câncer de colo do útero é feito o exame de papanicolau que consiste em retirar uma pequena quantidade de material do colo do útero para aná- lise em laboratório especializado.

O câncer cérvico-uterino, juntamente com o de mama, represen- taram no período de 1978 a 1986 as maiores taxas de mortalidade entre as mulheres. A distribuição de óbitos por essas duas doenças apresenta diferenças regionais, relacionando-as ao grau de desenvolvimento eco- nômico-social. O câncer cérvico-uterino aparece com maior freqüên- cia em mulheres que moram nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. O câncer de mama ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. Esta doença é mais freqüentemente descoberta entre os 40 e 60 anos de idade. Já no câncer de colo, a faixa etária priorizada é de 25 a 60 anos, para realização do exame.

As ações de controle do câncer cérvico-uterino compõem-se de: consulta clínico- ginecológica, colheita de material para esfregaço cérvico-vaginal (colheita de preventivo), tratamento dos processos in- flamatórios e neoplasias, encaminhamento para clínica especializada para dar continuidade aos tratamentos.

A etiologia do câncer cérvico-uterino ainda é desconhecida. Sabe- se que, como todo câncer, é uma doença que atinge as células do colo

O útero possui três cama- das; endométrio (camada interna), miométrio (cama- da muscular) e serosa (ca- mada de revestimento ex- terno).

Nuligestação - É quando a mulher nunca engravidou.

Citologia oncótica – É o exame para identificação de células cancerígenas.

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Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente

uterino, desordenando seu crescimento até formar um tumor. Porém existem fatores de risco que estão relacionados, tais como: ! Início da atividade sexual em idade precoce; ! Vários parceiros; ! História de doenças sexualmente transmissíveis, principalmen- te decorrentes de infecções por papilomavírus e herpes vírus; ! Baixo nível socioeconômico; ! Tabagismo; ! Carências nutricionais, como a hipovitaminose A. De acordo com o Ministério da Saúde^2 , as variáveis acima des- critas caracterizam o comportamento de risco de câncer-cérvico uterino e devem ser consideradas na determinação da população-alvo do pro- grama. As peculiaridades regionais e a incidência por grupo etário po- dem determinar um perfil diferenciado. O processo de instalação do câncer de colo demora muitos anos (10 a 20 anos) e as alterações celulares são facilmente detectadas atra- vés do exame citológico. Por isso, as possibilidades de cura são de 100% se a mulher fizer o exame periódico e seguir o tratamento adequado. Para o exame é necessário o preparo do ambiente para que a cliente não se sinta constrangida e favoreça a colheita adequada. O ambiente deverá propiciar privacidade e especialmente segurança. Os materias para a realização do exame são: espéculos vaginais (descartáveis ou não) de tamanhos adequados com relação à idade e à paridade (número de filhos) da cliente; campo estéril, espátula de ma- deira (tipo ayre ou similar), escovinha Campos da Paz, swab de cabo longo (para colheita em mulheres virgens), lâmina, frasco, fixador, foco de luz e biombo. Para garantir a boa qualidade do exame, o auxiliar de enferma- gem deve orientar a mulher quanto a alguns cuidados importantes an- tes da realização do mesmo, como: não realizar o exame no período menstrual ou de sangramento, não ter relações sexuais por 24 horas e não utilizar duchas, lavagens e medicamentos via vaginal por 48 ou 72 horas que antecedem o exame. Ao proceder o preparo da cliente na unidade de saúde, devemos orientá-la a urinar, pois o esvaziamento vesical permite um maior rela- xamento. Devemos oferecer uma camisola com a abertura voltada para a frente e um local para que a cliente retire toda a roupa com total privacidade. Ao colocar a cliente na mesa em posição ginecológica, as náde- gas devem estar na borda da mesa e os pés no local próprio para apoio. Atentar para que apenas a área que será examinada deva permanecer exposta. Durante o exame, visando proporcionar relaxamento à clien-

O câncer do colo do útero geralmente apresenta sin- tomas quando já está em fase avançada; a mulher não deve esperar os sinto- mas para se prevenir ou tratar, como acontece em muitos casos.

2 Ministério da Saúde, 1994, p. 14