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GABARITO DE QUESTOES DE MATEMATICA
Tipologia: Exercícios
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Are female artists worth collecting? Tate doesn’t seem to think so The museum preaches diversity, but its annual acquisitions suggest that great art is mostly created by men. The dire situation for equality in the British visual arts has been laid bare. We’ve reversed back into the Victorian age, where women can’t paint and women can’t write. My research suggests that female creatives are less likely to succeed now than they were in the 1990s. Today, when men’s artwork is signed, it goes up in value; conversely when work by women is signed, it goes down in value, and the addition of a woman’s signature can devalue artwork to the extent that female artists are more likely to leave their work unsigned. Hysteria, the female-specific Victorian malady, has returned to the UK, with women accused of being mad and out of control if they don’t conform to gallerists’ often unreasonable demands. GORRIL, H. Disponível em: . Acesso em: 13 ago. 2018 (Adaptação). No trecho do artigo anterior sobre museus no Reino Unido, a menção à Era Vitoriana tem como objetivo A. fazer uma crítica ao governo britânico atual. B. apontar um momento de retrocesso no cenário das artes visuais. C. alertar para o retorno de uma doença conhecida como histeria. D. refletir sobre a importância das artistas mulheres do século XIX. E. comparar a arte produzida na Era Vitoriana à arte contemporânea. Alternativa B Resolução: Está correta a alternativa B. Ao alegar que voltamos à Era Vitoriana, quando as mulheres não podiam pintar nem escrever ( We’ve reversed back into the Victorian age, where women can’t paint and women can’t write ), a autora do texto menciona essa época com a finalidade de colocar em evidência certas restrições impostas a mulheres no cenário atual das artes. As demais alternativas estão incorretas porque: não há, no texto, nenhuma menção ao governo britânico atual (A); embora a autora mencione o retorno da histeria ao Reino Unido, ela o faz de forma simbólica para traçar um paralelo com a maneira que as mulheres têm sido tratadas atualmente (C); o trecho não menciona nenhuma mulher artista do século XIX (D); a arte da Era Vitoriana também não aparece no texto (E). CWI
Hundreds of drones took over Shanghai’s night sky on Saturday with a light show that ended with a giant QR code, a symbol of China’s booming digital economy and consumerism. The illuminated QR code, effectively a billboard advertisement in the air, was part of a light show put on by Chinese video-streaming company Bilibili on the first anniversary of the China release of the game Princess Connect! Re:Dive. A photo of it went viral on Twitter, prompting reactions ranging from amazement to disgust. Some critics compared it to the ad-filled world of Blade Runner 2049 , where massive holographic advertisements compete for people’s attention and constantly nudge them to buy and consume more. In a show sponsored by the fire department of Shanghai’s Huangpu district last year, drones morphed into the shape of a firefighting vehicle to attract recruits. Luxury brands also had their logos displayed in the air using drones. ZHOU, V. Disponível em: . Acesso em: 9 abr. 2022. [Fragmento] O uso de novas tecnologias para fins publicitários tem se tornado comum. Um desses exemplos foi o lançamento de um jogo da empresa Bilibili, cuja campanha consistiu em A. criar anúncios holográficos inspirados em filmes. B. projetar um código escaneável no céu usando drones. C. usar drones para homenagear o Corpo de Bombeiros. D. realizar um show de luzes com o símbolo da China. E. postar fotos em tempo real para viralizar na internet. Alternativa B Resolução: O texto relata um espetáculo de luzes em Xangai em que uma série de drones formou um código QR gigante, funcionando como um outdoor no céu, de modo que as pessoas pudessem escaneá-lo usando seus celulares, conforme indica o primeiro parágrafo. No segundo parágrafo, o texto afirma que o objetivo desse espetáculo foi promover um jogo desenvolvido pela empresa chinesa Bilibili. Sendo assim, a alternativa correta é a B. As demais alternativas estão incorretas porque: A) O show de luzes mencionado no texto foi criticado por alguns e comparado às propagandas enormes que aparecem no filme Blade Runner 2049. C) Os drones não foram usados para homenagear o Corpo de Bombeiros. O último parágrafo afirma, entretanto, que shows de luzes já foram usados para atrair candidatos a bombeiros. D) No primeiro parágrafo, o texto afirma que o código QR se tornou um símbolo da economia e do consumismo chinês, mas não do país em si. E) A campanha não consistiu em postar fotos para viralizar na internet, mas projetar um código QR no céu para as pessoas escanearem, visando promover um jogo. Algumas fotos do espetáculo viralizaram no Twitter como consequência da campanha. OHSL B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. EXTRA – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 1
Girl Wash the white clothes on Monday; wash the color clothes on Tuesday; don’t walk bare-head in the hot sun; soak salt fish overnight before you cook it; on Sundays try to walk like a lady; don’t sing benna in Sunday school; you mustn’t speak to wharf-rat boys, not even to give directions; don’t eat fruits on the street – flies will follow you; but I don’t sing benna on Sundays at all and never in Sunday school ; this is how to hem a dress when you see the hem coming down; this is how you iron your father’s pants so that they don’t have a crease; this is how you grow okra – far from the house, because okra tree harbors red ants; this is how you smile to someone you don’t like much; this is how you smile to someone you don’t like at all; this is how you smile to someone you like completely; this is how you set a table for dinner; this is how you set a table for dinner with an important guest; be sure to wash every day, even if it is with your own spit; don’t squat down to play marbles – you are not a boy, you know; this is how to make a good medicine for a cold; always squeeze bread to make sure it’s fresh; but what if the baker won’t let me feel the bread? ; you mean to say that after all you are really going to be the kind of woman who the baker won’t let near the bread? KINCAID, J. Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2022. [Fragmento] Vocabulário Benna: música folk antiguana. O conto “Girl”, da autora antiguana Jamaica Kincaid, explora a relação entre mãe e filha. As interrupções por parte da garota revelam um(a) A. contestação dos saberes de seus antepassados. B. empoderamento ao expressar o que sente. C. receio de se comportar de forma imprópria. D. tentativa de defesa e de esclarecimento. E. insatisfação com as críticas que recebe. Alternativa D Resolução: Após ouvir uma longa lista de instruções da mãe sobre como se comportar, cuidar de si e do lar, a filha a interrompe apenas duas vezes com a intenção de se defender ( but I don’t sing benna on Sundays at all and never in Sunday school ) e de fazer uma pergunta, buscando receber um esclarecimento ( but what if the baker won’t let me feel the bread? ). Logo, a alternativa correta é a D. As demais alternativas não refletem as intenções da menina ao interromper a mãe e devem, portanto, ser descartadas. Ø1H B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. EXTRA – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 3
Los peces mbuna cebra y las rayas de agua dulce son capaces de sumar y restar los números del uno al cinco, lo que sitúa sus capacidades numéricas a la par de otras especies de vertebrados e invertebrados. Un estudio que publica Scientific Reports probó si ocho mbuna cebra ( Pseudotropheus zebra ) y otras tantas rayas de agua dulce ( Potamotrygon motoro ) podían ser entrenados para efectuar esas operaciones matemáticas sencillas. Los animales tenían que aprender a reconocer el color azul como símbolo de adición por un factor de uno y el color amarillo de sustracción por el mismo factor. A continuación se les mostraban tarjetas con formas azules o amarillas y se les presentaban dos puertas que contenían tarjetas con diferentes números de formas, una de las cuales era la respuesta correcta y si la elegían recibían una recompensa. Si a un pez se le mostraba una tarjeta con tres formas azules, sumaba uno a tres y nadaba a través de una puerta que contenía la tarjeta con cuatro formas. Disponível em: . Acesso em: 18 abr. 2022. [Fragmento] O texto, sobre a capacidade de somar e subtrair de peixes- -zebra e arraias, esclarece ao leitor que esses animais A. reconhecem os numerais especificados nos cartões. B. relacionam as cores com as operações matemáticas. C. nadam de modo aleatório em busca da recompensa. D. usam as mesmas estratégias de outros vertebrados. E. confundem os cartões coloridos em algumas ocasiões. Alternativa B Resolução: No texto em análise, é informado que os peixes-zebra e as arraias apresentaram a capacidade de aprender a reconhecer a cor azul como símbolo de adição e a cor amarela como símbolo de subtração e executar operações matemáticas ( tenían que aprender a reconocer el color azul como símbolo de adición por un factor de uno y el color amarillo de sustracción por el mismo factor .). Portanto, está correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta porque os animais não reconhecem os numerais, mas sim formas na cor azul ou amarela. A alternativa C está incorreta porque os peixes e as arraias não nadam de modo aleatório em busca de recompensa, mas sim recebem-na quando expressam uma resposta correta. A alternativa D está incorreta porque é informado no texto que os peixes-zebra e as arraias têm capacidades numéricas comparáveis às de outras espécies de vertebrados e invertebrados, e não que usam as mesmas estratégias de outros vertebrados. A alternativa E está incorreta porque o texto não menciona que os animais confundam os cartões em certas ocasiões. V84R
Un equipo de científicos de la NASA planea contactar con inteligencia extraterrestre, a través de un mensaje de código binario que tendrá información sobre conceptos físicos y matemáticos para establecer un medio de comunicación entre humanos y vida marciana. Además, se enviará la ubicación de nuestro planeta en el Sistema Solar. Se trata de un mensaje actualizado que, anteriormente, se había enviado al espacio en 1974, desde Puerto Rico. El código fue denominado como “Mensaje de Arrecibo”. Ahora, la NASA mandará un nuevo mensaje bajo el nombre “Faro de la Galaxia” o “Beacon in the Galaxy” (BITG), que será desarrollado por Jonathan Jiang, un científico que forma parte del laboratorio de propulsión de la institución. De acuerdo con un artículo publicado en “arXiv.org”, servicio de distribución de contenido académico de la Universidad de Cornell, el BITG contendrá información de la humanidad: la composición química de la vida en el planeta, un mapa de la Tierra con su ubicación específica en la Vía Láctea, así como representaciones digitalizadas del Sistema Solar. Y algunos expertos han cuestionado parte de la información enviada en el mensaje, la posición de la Tierra en la galaxia, ya que podría ser una invitación para que una especie potencialmente hostil causara daños en nuestro mundo. Disponível em: . Acesso em: 18 abr. 2022. [Fragmento] A respeito do envio de informações ao espaço, o leitor deduz que A. os cientistas estão desperdiçando recursos com uma ação arriscada. B. as vidas inteligentes podem compreender os conhecimentos humanos. C. a atualização da mensagem contempla as mudanças no Sistema Solar. D. a localização geográfica da Terra é um detalhe em meio às informações. E. os extraterrestres podem usar conceitos matemáticos contra os humanos. Alternativa B Resolução: Ao ler o texto sobre a ação da Nasa de enviar uma mensagem ao espaço para extraterrestres, entende-se que os cientistas partem do pressuposto de que as vidas inteligentes fora do planeta Terra têm a capacidade de decodificar as informações enviadas pelos humanos. Assim, o que fica implícito para o leitor é que os extraterrestres podem compreender os conhecimentos humanos presentes na mensagem. Portanto, está correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta porque não há menção à questão dos recursos gastos ou ao fato de a ação ser arriscada; apenas alguns cientistas questionam a ideia de enviar ao espaço a localização da Terra na galáxia. A alternativa C está incorreta porque o texto não aborda mudanças no Sistema Solar. 9PHP LCT – PROVA I – PÁGINA 4 ENEM – VOL. EXTRA – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
Alternativa A Resolução: O cartaz em análise apresenta benefícios de se empregar a mobilidade sustentável, ou seja, promover meios de locomoção que gerem menos impactos ambientais. Esses benefícios seriam a redução de gastos financeiros e de gases poluentes, melhor qualidade do ar para todos e mais qualidade ambiental. Portanto, está correta a alternativa A. A alternativa B está incorreta porque no cartaz não há projeções, mas consequências positivas da mobilidade sustentável. A alternativa C está incorreta porque, embora o cartaz utilize a frase Educación para vivir mejor , não são apresentadas mudanças comportamentais que derivem do processo educativo. A alternativa D está incorreta porque o texto também não aborda ações humanas a serem realizadas. A alternativa E está incorreta porque o texto não menciona medidas contrárias ao prejuízo econômico, mas sim vantagens da mobilidade sustentável. QUESTÃO 05 NIK. Disponível em: . Acesso em: 21 mar. 2019. O uso do termo “ peros ”, em destaque no último quadrinho da tirinha, A. demonstra a coerência nas considerações feitas pela gata. B. indica temor do gato em ser contrariado em qualquer circunstância. C. manifesta perturbação do gato devido à segurança na fala da gata. D. remete às hesitações da gata diante das investidas amorosas do gato. E. denota reconhecimento da perturbação que lhe causam os cachorros. Alternativa D Resolução: Na tirinha em análise, os “ peros ” (poréns) a que se refere Gaturro são aqueles que Ágatha usa para demovê-lo de suas tentativas de conquista amorosa. Portanto, está correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque as falas da gata são contraditas tão logo ela as enuncia, não havendo, portanto, coerência. A alternativa B está incorreta porque não há elementos suficientes no quadrinho para afirmar que o gato teme ser contrariado em qualquer circunstância que esteja fora do contexto amoroso a que o uso de “ peros ” se refere. A alternativa C está incorreta porque não há segurança na fala de Ágatha; ao contrário, há dúvidas e contradições, pois, se por um momento ela responde afirmativamente àquilo que o gato lhe pergunta, logo em seguida muda de ideia. A alternativa E está incorreta porque o termo “ peros ” refere-se aos usos da conjunção adversativa, e não a “ perros ”, cuja escrita é muito semelhante, mas que significa “cachorros”. ZSIN LCT – PROVA I – PÁGINA 6 ENEM – VOL. EXTRA – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
A cidade A cidade não para A cidade só cresce O de cima sobe E o de baixo desce SCIENCE, C. Chico Science & Nação Zumbi. Da lama ao caos. Chaos, 1994. [Fragmento] Na letra da canção, o autor emprega linguagem figurada para criticar a A. urbanização de zonas rurais, que sofrem com a construção incessante de edifícios. B. manutenção da desigualdade social, que se intensifica com o suposto progresso. C. aceleração do mercado de trabalho, que impede o descanso dos trabalhadores. D. ausência de preocupação ambiental, que dá lugar às ambições capitalistas. E. antipatia entre os cidadãos, que evitam o convívio próximo e harmônico. Alternativa B Resolução: O trecho da canção de Chico Science aborda o movimento constante nas cidades, o que se pode entender pelo movimento de carros, pessoas, obras, tudo para o desenvolvimento e crescimento. Porém, toda a movimentação faz parte de um sistema que pressiona os “menores” para que aqueles que se encontram em posição considerada privilegiada alcancem posições ainda mais altas, forçando os que estão “embaixo” cada vez mais para baixo, aumentando a desigualdade. Assim, está correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta, pois não é possível depreender do trecho que se trata de mudanças em ambientes rurais. A alternativa C está incorreta, pois a crítica recai sobre a sociedade em geral, não apenas em relação ao mercado de trabalho. A alternativa D está incorreta, pois não se pode inferir do texto algo que remete a questões ambientais. A alternativa E está incorreta, pois o aumento da distância entre o “de cima” e o “de baixo” não se refere a aspecto físico, de convivência, mas a questões de oportunidades, valorização e renda. QUESTÃO 07 Já no momento em que entramos na classe, a professora se pôs a falar sobre a data... Vi que a narrativa dela não batia com a que nos fizera a Vó Rosária. Aqueles escravos da Vó Rosária eram bons, simples, humanos, religiosos. Esses apresentados pela professora eram bobos, covardes, imbecis. Não reagiam aos castigos, não se defendiam, ao menos. Eu era a única pessoa da sala representando uma raça digna de compaixão, desprezo. Quis sumir, evaporar, não pude. Quando cheguei em casa, vi que minha mãe pegou o preparado de pó de tijolo e com ele se pôs a tirar da panela o carvão grudado no fundo. YJB TJY Eu juntei o pó restante e, com ele, esfreguei a barriga da perna. Esfreguei, esfreguei, e vi que, diante de tanta dor, era impossível tirar todo o negro da pele. Dentro de uma semana, na perna só uns riscos denunciavam a violência contra mim, de mim para mim mesma. Só ficaram as chagas da alma esperando. GUIMARÃES, G. Leite do peito : contos. Ilustrações de Regina Miranda. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2001. [Fragmento] Em Leite do peito , Geni Guimarães traça sua biografia de forma linear. Neste fragmento, o processo de reconstituição do tempo vivido elaborado pela narradora baseia-se na A. exclusão de fatos da cena narrada. B. reflexão das memórias da infância. C. valorização do aprendizado escolar. D. decepção com a própria ancestralidade. E. relação de incoerência com o passado. Alternativa B Resolução: A narrativa, declarada biográfica pela autora Geni Guimarães, reconstrói o tempo vivido pela narradora por meio de imagens de suas memórias afetivas da infância. No texto, é recuperada a experiência de um dia na escola e os desdobramentos dessa aula. Logo, está correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta, pois a omissão de fatos expostos na cena, na verdade, evidencia os sentimentos da narradora-personagem, sendo que estes, ligados às memórias, são a base da reconstituição do tempo vivido. A alternativa C está incorreta, pois o aprendizado escolar serve como ponto de partida para a reflexão sobre aquilo que é dito sobre os negros na escola e aquilo que é vivido / conhecido pela personagem. Ela não valoriza aquele ensinamento, sentindo-se desprezada por ele. A alternativa D está incorreta, pois a mágoa da personagem é explicitada, mas a relação com as perdas sócio-históricas pode ser inferida apenas pelo leitor – a perda da narradora- -personagem se relaciona aos seus sentimentos feridos, o que lhe resulta em mágoas sobre como sua ancestralidade é vista pela professora. A alternativa E está incorreta, pois há incoerência entre as narrativas da avó e da professora – portanto, num mesmo tempo. No entanto, não é um sentimento sobre isso que fundamenta o conjunto de imagens projetadas pela narradora-personagem. QUESTÃO 08 Afirmar que há línguas primitivas é um equívoco equivalente a afirmar que a Lua é um planeta, que o Sol gira ao redor da Terra, que as estrelas estão fixas em uma abóbada. Tais equívocos foram correntes, mas hoje há um argumento forte contra eles: o conhecimento científico. Da mesma maneira, hoje sabemos que todas as línguas são estruturas de igual complexidade. Isto significa que não há línguas simples e línguas complexas, primitivas e desenvolvidas. O que há são línguas diferentes. POSSENTI, S. Por que (não) ensinar gramática na escola.
A narrativa é centrada em um conflito vivido pelas personagens, que são os elementos vitais na construção desse tipo de texto. A caracterização do garoto Azarias, no fragmento do conto de Mia Couto, o anuncia como uma personagem A. constrangida pelos embaraços da profissão. B. desvalorizada pela ausência de educação. C. incapaz de tomar decisões próprias. D. limitada por seus aspectos físicos. E. explorada em suas fraquezas. Alternativa E Resolução: No fragmento do conto de Mia Couto, autor moçambicano, Azarias é explorado pelo tio. Embora seja uma criança, é privado de estudar e brincar, sendo, em vez disso, obrigado a trabalhar o dia todo. Ele não recebe carinho e “dentro dele já não havia resto de infância”. Além disso, por ser jovem e ingênuo, recebe constantemente ameaças e ainda é alvo de brincadeiras ofensivas, o que fica claro em ambas as falas do tio. Por isso, está correta a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque o menino não se sente constrangido pela profissão, mas sim obrigado a trabalhar o dia todo, sem poder se dedicar a outras atividades compatíveis com a sua idade; além disso, cuidar dos bois não deve ser interpretado como a sua profissão, uma vez que Azarias é uma criança. A caracterização dessa personagem no conto reforça a exploração que ela sente por suas fraquezas nas circunstâncias em que vive, e não por cuidar dos bois do seu tio. A alternativa B está incorreta porque Azarias não é retratado como alguém desvalorizado por não ter estudado. Sua falta de estudo é uma consequência do abuso psicológico que sofre, e não a causa. A alternativa C está incorreta porque o fragmento revela que o menino é capaz de tomar as próprias decisões, como a de fugir. Finalmente, a alternativa D está incorreta porque nada do que acontece a Azarias tem como origem algum aspecto físico dessa personagem, que é explorada por causa de todas as circunstâncias que o cercam: ele é novo e inexperiente, enquanto seu tio o obriga a trabalhar e o impede de viver a vida como a criança que ele é. QUESTÃO 11 Era uma vez dois pobres lenhadores, que voltavam para casa através de um grande pinheiral. Era inverno, e a noite estava extremamente fria. A neve jazia espessa no solo e sobre os galhos das árvores: a geada fazia estalar os tenros ramos por onde eles passavam; e quando chegaram à Cachoeira da Montanha, viram-na suspensa, imóvel no ar, pois o Rei Gelo a beijara. O frio era tamanho que nem mesmo os animais e os pássaros sabiam como se arranjar.
O texto foi extraído da seção da revista na qual os leitores têm suas dúvidas respondidas pelo “Oráculo”. Para responder à pergunta-título, foram utilizados A. argumentos de autoridades que impediram o aumento de roubos de artefatos. B. conselhos de especialistas que condenam a captação de bens de outros países. C. relatos de condenados pela apropriação de bens históricos de regiões carentes. D. trechos expositivos sobre a expropriação de tesouros em terras estrangeiras. E. encadeamentos de informações que mostram a crise do comércio de antiguidades. Alternativa D Resolução: Os dois primeiros parágrafos são articulados por meio de sequências expositivas nas quais se informa o que acontece a quem se apropria indevidamente de bens de outros países e os riscos sofridos por países sem a estrutura necessária para proteger suas relíquias. Já o último parágrafo apresenta um relato de um evento histórico que firmou o compromisso de diversos países no combate à evasão de artefatos históricos. Portanto, a alternativa correta é a D. A alternativa A é incorreta, pois o texto informa que nem todas as potências arqueológicas têm a infraestrutura necessária para o controle da coleta e do tráfico dos itens históricos. A alternativa B é incorreta, pois o texto apenas menciona a convenção da UNESCO para lidar com o combate de bens culturais, mas não traz opiniões de especialistas a respeito. A alternativa C é incorreta, pois o “Oráculo” trouxe o valor da multa caso alguém colete ou trafique artefatos históricos no Egito, no entanto, não incluiu nenhum relato de condenados por esses crimes. A alternativa E está incorreta, pois a soma bilionária informada no texto referente ao comércio de bens culturais indica que esse negócio não está em crise. QUESTÃO 13 TEXTO I Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. [...] O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. [...] Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo. ANDRADE, C. D. Poema das Sete Faces. In: ______. Alguma Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. EKSU
quando nasci não veio anjo algum o Sol se escondia do outro lado do planeta e eu surgi completamente noturna por entre as pernas roliças de minha mãe: “vai, filha, desbravar trilha”. RIBEIRO, A. E. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2022. O eu lírico do poema de Ana Elisa Ribeiro reforça a função poética presente no texto ao estabelecer uma homenagem ao “Poema das Sete Faces”, de Carlos Drummond de Andrade. Um dos diálogos possíveis estabelecido no texto II em relação ao texto I se dá por meio da A. omissão da sensibilidade na apresentação das emoções. B. contraposição entre as fases do amanhecer e do anoitecer. C. aproximação entre o anjo e a mãe, que orientam o eu lírico. D. menção ao ritmo moderno, baseado no movimento das pernas. E. reflexão sobre a criação poética a partir do ciclo do nascimento. Alternativa C Resolução: A alternativa correta é a C. O poema de Ana Elisa Ribeiro apresenta muitas referências a uma tradição poética iniciada por Drummond, como o início do poema, em que ela utiliza o verso “Quando eu nasci”, que também abre o “Poema das Sete Faces”. Enquanto, no texto I, há a figura de um anjo que, ironicamente, abençoa e indica a trajetória a ser seguida pelo eu lírico, no texto II, essa figura não existe. A referência angelical serve apenas para constatar: “não veio anjo algum”. No poema de Ana Elisa Ribeiro, quem assume esse papel de abençoar / orientar os caminhos é a mãe. Embora o texto II apresente um caráter mais descritivo, o texto I é marcado por um eu lírico bastante sensível. Portanto, a alternativa A está incorreta. A alternativa B é incorreta, pois apenas o texto II associa o nascimento ao Sol escondido, enquanto a referência ao anoitecer, no texto I, serve apenas para marcar a comoção do eu lírico. A referência às pernas está presente nos dois textos. No entanto, em nenhum deles, observa-se a associação entre as pernas e a modernidade, o que invalida a alternativa D. Finalmente, a alternativa E é incorreta porque a referência ao momento do nascimento não serve como ponto de partida para uma reflexão sobre o fazer poético. LCT – PROVA I – PÁGINA 10 ENEM – VOL. EXTRA – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2022. A relação entre os elementos verbal e não verbal na campanha publicitária garante que o leitor construa a coerência externa deste texto, pois A. reitera o ideal universal da importância da família na vida das pessoas. B. atesta o impacto do uso excessivo da tecnologia nas relações familiares. C. provoca a identificação dos indivíduos aos quais a mensagem se dirige. D. evidencia a comparação entre a função do celular e uma emoção humana. E. reforça o humor ao representar a interação entre tecnologia e as pessoas. Alternativa D Resolução: A campanha publicitária brinca com o duplo sentido do verbo “vibrar”, que pode ser usado para se referir a uma das funções do celular ou à emoção extrema vivida por seres humanos. A compreensão desse jogo de palavras depende, portanto, que o leitor saiba que celulares possuem a função de vibração. A combinação dos elementos verbais e não verbais do texto garante que haja a associação entre esses dois diferentes sentidos de vibrar. Os traços em cima do celular indicam que ele “vibra” de raiva por ser deixado de lado no desenho. Por sua vez, a expressão alegre da criança dá a entender que ela também vibra, mas de alegria. Assim, a alternativa D está correta. A alternativa A está incorreta, pois a campanha “Conecte-se ao que importa” apresenta uma reflexão sobre as conexões familiares, e não necessariamente sobre a importância da família. A alternativa B está incorreta, pois a mensagem da campanha se volta para a potencial melhoria na relação dos pais com os filhos quando o celular é deixado de lado. A alternativa C está incorreta, pois a identificação da campanha se dá por extrapolação, tendo em vista que os elementos não verbais representam um pai e um filho genéricos. Finalmente, a alternativa E está incorreta, pois a humanização do celular na campanha tem importância para a coerência interna do texto, não fazendo referência à interação entre as pessoas e a tecnologia de uma forma mais genérica. QUESTÃO 17 QUINO, J. L. Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 2010. Q3H YZBF LCT – PROVA I – PÁGINA 12 ENEM – VOL. EXTRA – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
Na tirinha, Mafalda chama sua conversa com Susanita de “conversa literária”. A literariedade mencionada pela personagem que faz referência à linguagem poética está presente no(a) A. emprego do verbo “amassar”, estabelecendo uma relação onomatopeica. B. recorrência do advérbio “sim”, enfatizando a positividade do gesto da mãe. C. repetição dos fonemas “m” e “s”, simulando o movimento de sovar a massa. D. semelhança entre “massa” e “amassa”, criando um efeito humorístico na cena. E. efeito sonoro da letra “a”, relacionando o ato de cozinhar a um gesto de amor. Alternativa C Resolução: A tirinha explora a sonoridade das figuras de linguagem, aspecto marcante de textos do gênero lírico, para criar humor. Mafalda chama sua conversa de literária com base em sua forma, no entanto, há certa trivialidade no tema dessa conversa, o que quebra a expectativa do leitor quanto à profundidade esperada de uma conversa literária. A forma, no entanto, é aspecto fundamental do texto literário e reforça no texto o ato de sovar a massa por meio de repetição de “m” e “s”, que simulam o bater e arrastar da sova. A alternativa C está, portanto, correta. A alternativa A está incorreta, pois as onomatopeias reproduzem sons por meio de combinações de letras que não constituem palavras com sentido no léxico linguístico. A alternativa B está incorreta, pois a palavra “sim” se apresenta na tirinha como recurso de interlocução, representando a compreensão entre as personagens. A alternativa D está incorreta, pois o humor reside na quebra de expectativa entre a temática aparentemente cotidiana e banal e a percepção que Mafalda tem da conversa. Ademais, “a massa” e “amassa” criam um trocadilho, pois, ao serem faladas, soam idênticas. Finalmente, a alternativa E está incorreta, pois a assonância em “a” se apresenta como parte da reprodução sonora do amassar da massa, representando a abertura das mãos por meio da abertura da boca necessária para a reprodução desse som. QUESTÃO 18 Coringa Coringa é um filme único. O longa mostra um estudo de personagem sobre um dos maiores vilões da história em quadrinhos e Joaquin Phoenix entrega uma das melhores atuações do ano em uma produção que equilibra muito bem o humor sombrio com o drama. O filme decide dar uma identidade para o Coringa e segue a história de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um homem lutando para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham. Trabalhando como palhaço durante o dia, ele tenta a sorte como comediante de stand-up à noite. O filme usa como base filmes de estudo de personagem como clássicos como Rede de Intrigas , Dia de Cão , NWM Taxi Driver e, especialmente, Rei da Comédia. Desde a participação de Robert De Niro (que no filme de Scorsese vivia um comediante fracassado que tentava participar de todo jeito de um programa de talk show e, agora, vive justamente o apresentador do talk show principal de Gotham) até o esquema de cores do figurino que conversa com cenário. Coringa é um daqueles filmes acima da média. Conta com grandes atuações, uma ótima fotografia e uma história que merece ser vista mais de uma vez. O filme tem tudo para abrir uma nova linha de filmes para a DC. Mais adultos, com temas mais pesados e diferente do que é feito atualmente. Joaquin Phoenix entrega mais uma grande atuação e o longa deve quebrar barreiras também no Oscar – pois ele deve, e merece, ser lembrado na premiação. GOMES, F. S. Disponível em: . Acesso em: 9 jul. 2020. [Fragmento] A construção e o desenvolvimento das ideias estão de acordo com o gênero ao qual pertence esse fragmento, pois o(a) A. sequência textual é predominantemente narrativa. B. exposição dos fatos acontece de maneira imparcial. C. apreciação crítica associa-se à apresentação geral da obra. D. autor elabora uma argumentação multifacetada sobre o tema. E. enredo do filme é revelado sucintamente e com linguagem acessível. Alternativa C Resolução: O texto é uma resenha crítica sobre o filme Coringa , por isso, o autor apresenta suas impressões sobre diferentes aspectos da obra para firmar seu ponto de vista. Assim, está correta a alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois, embora haja trechos narrativos nos relatos de cena do filme, não é essa a tipologia que predomina nesse texto e em outros exemplares desse gênero. A alternativa B está incorreta, pois a exposição transmite um ponto de vista, sendo, portanto, parcial. A alternativa D está incorreta, pois o autor não expõe pontos de vista diferentes ou analisados por variadas perspectivas, atendo-se à sua observação do filme. A alternativa E está incorreta, pois o autor não revela spoilers do filme; além disso, mesmo se revelasse, não seria essa a característica que definiria o gênero textual em análise. QUESTÃO 19 Velha a Chen Te – É uma mocinha da roça, nossa parenta. Esperamos não estar sendo demais para você. Quando você morava em nossa casa, nós não éramos tantos, não se lembra? Depois é que nós fomos aumentando. Quanto pior corriam as coisas, mais a família aumentava; e quanto mais a família aumentava, as coisas pioravam. Agora acho melhor trancar a porta, senão a gente não vai ter descanso. Ela tranca a porta e sentam-se todos. A coisa mais importante é não atrapalharmos você nos seus negócios; do contrário, como é que a chaminé vai fumegar? [...] ØJKE B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. EXTRA – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 13
Meus olhos crescem e choram famintos de eternidade até serem duas estrelas brilhantes no céu imenso E o infinito se detém em mim Na noite longa uma remotíssima nostalgia afunda minha alma e eu choro marítimas lágrimas enquanto meu desejo heroico de engolir os céus se alarga e é já céu Tenho então a sensação esparsamente longa de vagar no absoluto FONSECA, M. Poesia africana de Língua Portuguesa : antologia. Rio de janeiro: Lacerda Editores, 2003. p.163-164. Em meados do século XX, a literatura de Cabo Verde conquistou um espaço definitivo no cenário lusófono, divulgando um fazer poético rico em metáforas que evocam as mazelas de um povo achacado pela sociedade colonial. No poema do escritor Mário Fonseca, a imagem da noite longa aparece metaforicamente associada à A. conduta insensível do sujeito perante a natureza. B. pobreza de um povo maltratado pela fome e pela miséria. C. impotência humana diante dos desígnios divinos. D. repulsa do indivíduo moderno às tradições do seu povo. E. sensação de imobilidade perante a vastidão do universo. Alternativa B Resolução: O enunciado traz informações que se somam ao texto-base, contextualizando o poema de Mário Fonseca, cuja obra está voltada para a denúncia das mazelas sociais do povo cabo-verdiano. No poema, que traz um eu lírico contemplando o céu noturno estrelado, alguns trechos apontam para essa abordagem do autor, entre eles: “chora sua fome de séculos”, “e choram famintos de eternidade”, “eu choro marítimas lágrimas / enquanto meu desejo heroico / de engolir os céus / se alarga e já é céu”. O conteúdo desses versos relaciona-se à desigualdade social causadora da fome, o legado colonial deixado por Portugal (os termos “remotíssima nostalgia” e “marítimas lágrimas” podem ser associados à literatura portuguesa e à política de navegação desse país). Assim sendo, a resposta correta é a alternativa B. A alternativa A está incorreta porque o eu lírico é, sim, sensibilizado pela natureza quando observa o céu. A alternativa C está incorreta porque o texto não se volta para aspectos religiosos. A alternativa D está incorreta porque o eu lírico não contesta as tradições de seu povo nem se mostra contrário a elas; seu texto, antes, rememora, metaforicamente, o passado. Finalmente, a alternativa E está incorreta porque o eu lírico mostra-se, na verdade, vagando num mundo metafórico que mistura seu passado de sofrimento e sua ânsia por um futuro melhor.
Além da catequese escrita ou decorada por meio do canto, o teatro desempenhou papel, igualmente, importante na missionação de brancos, índios e negros, tendo sido escritos, pela primeira vez ou adaptados, autos, éclogas, comédias, tragicomédias, dramas ou diálogos em português, castelhano e tupi. Algumas destas produções são bilíngues ou até trilíngues, tendo como referente, em certos casos, o teatro de Gil Vicente. Anchieta, concretamente, distinguiu-se como escritor no gênero teatral. O Auto da Pregação Universal , escrito em português e tupi entre 1567-1570, por iniciativa de Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, é considerado a primeira peça do teatro brasileiro. Esta literatura “catequética”, naturalmente, não teve expressão apenas no Brasil. E, a este respeito, uma vez mais Francisco Xavier poderá ser apontado como pioneiro, já que, para uso sobretudo dos meninos orientais, escreveu, em português, um compêndio de doutrina ou catecismo. Foi impresso pela Companhia em 1557 (já depois da sua morte), mas não resta um único exemplar; apenas uma cópia manuscrita na Biblioteca da Ajuda. Em 1561, saiu também da tipografia o Compendio Spiritual da Vida Christã , da autoria de D. Gaspar de Leão Pereira, arcebispo de Goa, e, entre 1556-1578, o jesuíta António da Costa compôs, em português, um Tratado de como se hão de catequizar os novamente convertidos , o qual ficou manuscrito e também se perdeu. E poderíamos dar outros exemplos da produção escrita de agentes da Companhia de Jesus para serem usados na missionação à escala universal. SANTOS, J. M. A escrita e as suas funções na missão jesuítica do Brasil quinhentista. História , São Paulo, v. 34, p. 114. [Fragmento] Para além das cartas de viagem, outras formas de apreensão do mundo pela linguagem literária foram produzidas durante o Quinhentismo brasileiro. O texto anterior permite compreender o fazer artístico deste momento histórico, pois desmistifica a ideia de que a A. produção literária quinhentista seguiu respeitando os limites do território nacional. B. conversão de gentios à fé cristã foi mediada com autorização dos líderes nativos. C. criação teatral de cunho religioso era uma expressão artística de menor importância. D. divulgação dos textos jesuíticos foi desenvolvida para formação dos catequistas. E. catequização dos índios, negros e brancos era restrita aos autos, sermões e cantos. Alternativa E Resolução: O fragmento mostra que a literatura jesuítica do Quinhentismo brasileiro para a catequização de índios, brancos e negros não estava restrita apenas à catequese. De acordo com as informações apresentadas por João Marinho dos Santos, a catequização dessas pessoas também foi praticada com o uso das peças teatrais. Portanto, a alternativa correta é a E. A alternativa A é incorreta, pois o fragmento mostra que a estratégia de catequização foi utilizada em outros territórios do Oriente. O texto não aborda a relação entre líderes nativos e o processo de catequização, o que torna a alternativa B incorreta. A alternativa C é incorreta, pois João Marinho dos Santos afirma que o uso da dramaturgia foi uma prática igualmente importante ao lado de outras formas de literatura “catequética” daquele período. 2577 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. EXTRA – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 15
A alternativa D está incorreta, pois a divulgação dos textos jesuíticos citada no texto era voltada para a catequização, e não para a formação dos religiosos. QUESTÃO 23 Quando eu morrer, meu chalé cairá comigo, para dar lugar a mais um edifício de apartamentos. Terá sido a última casa de Copacabana, que então se igualará à ilha de Manhattan, apinhada de arranha-céus. Mas antes disso, Copacabana se assemelhará a Chicago, com policiais e gangsters trocando tiros pelas ruas, e ainda assim dormirei de portas abertas. Pouco importa que entrem meliantes pela minha casa, e mendigos e alijados e leprosos e drogados e malucos, contanto que me deixem dormir até mais tarde. BUARQUE, C. Leite derramado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. [Fragmento] Considerando os elementos utilizados para a construção coesa do texto, o fato de o narrador abordar eventos que estão por acontecer é marcado pelo(a) A. predominância de verbos intransitivos. B. presença de advérbios de intensidade. C. sujeito simples na construção das frases. D. conjugação verbal no futuro do indicativo. E. uso de locuções verbais no início das orações. Alternativa D Resolução: Para marcar que os fatos apresentados ocorrerão no futuro, o autor utilizou os verbos no presente do indicativo, como “cairá”, “igualará”. Assim, está correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta, pois não há predominância de verbos intransitivos, e essa não poderia ser uma marca temporal. A alternativa B está incorreta, pois advérbios de intensidade garantem ênfase na ação, mas não são utilizados para determinar o tempo. A alternativa C está incorreta, pois sujeitos simples determinam a concordância verbal em número, não sendo responsáveis pela conjugação temporal. Por fim, não há presença de locuções verbais iniciando todas as orações, por isso, a alternativa E está incorreta. QUESTÃO 24 Passion-paixão. Tema do São Paulo Fashion Week que acontece este mês. Se o amor vicia, como diz a antropóloga Helen Fisher, nossa entrevistada desta edição, o mesmo se pode dizer da moda, que é uma paixão e vicia também. Quando nos reunimos no acervo da Marie Claire para montar uma matéria, rodeados de araras e mais araras de roupa, discutindo – às vezes acirradamente – se devemos fotografar ou não cada peça, a cartela de cores, a modelo ideal e os mínimos detalhes da história, tenho dúvidas sobre nossa sanidade. “Esta mulher jamais usaria joias pesadas” ou “não concordo com esse escarpim nessa história, é absurdo”. Como assim? Que mulher é essa e como um simples sapato pode ser questão de vida ou morte? Mas pode e é. A insanidade que acomete o ser apaixonado é a mesma que permeia nosso trabalho. Tomada por esse sentimento, toda a redação ficou dividida entre a turma da Birkin e a da 2.55. Se você não entendeu nada, leia a matéria “It bags” e escolha a sua preferida. Nela, concluímos que todas as bolsas mais famosas do mundo são absolutamente necessárias e... apaixonantes. Mônica Serino Diretora de Redação Disponível em: . Acesso: 8 abr. 2022. [Fragmento adaptado] Os gêneros textuais frequentemente apresentam características híbridas, o que faz com que, muitas vezes, o leitor tenha dificuldade em identificá-las. O texto anterior contém essa hibridização, no entanto, é possível perceber a predominância do gênero textual A. artigo de opinião, pois traz o ponto de vista de uma articulista. B. notícia, pois pretende divulgar os acontecimentos de um desfile. C. crônica, pois reflete de modo aprofundado sobre o amor viciante. D. carta de leitor, pois apresenta a opinião do público sobre a revista. E. editorial, pois traz a posição do veículo sobre o tema da nova edição. Alternativa E Resolução: A alternativa correta é a E. O fragmento pode ser identificado como editorial a partir de elementos apresentados. O primeiro deles é a assinatura, que indica que a autora do texto é a diretora de redação, logo, uma figura que representa o posicionamento defendido pela revista. Esse papel de porta-voz também pode ser observado pelo uso de verbos na primeira pessoa do plural: “reunimos” e “concluímos”. O texto utiliza ainda o tema do evento de moda, o amor, para relacionar essa temática aos assuntos que serão apresentados na revista Marie Claire: a entrevista com a antropóloga Helen Fisher e a matéria das “It Bags”. O artigo de opinião é um gênero argumentativo que busca defender um ponto de vista. RCVQ OIDA LCT – PROVA I – PÁGINA 16 ENEM – VOL. EXTRA – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
Alternativa D Resolução: No texto I, Clarice Falcão reconhece como ponto central de sua obra a contação de histórias a partir da ironia e do humor. A canção “Eu me lembro”, fragmento representado no texto II, reforça a importância da narrativa na sua estrutura de dueto, que apresenta a interlocução entre duas personagens, e também pelo desenvolvimento de uma narrativa, representando a confluência entre os gêneros lírico e narrativo, apresentando com humor o ponto de vista de cada personagem sobre o relacionamento amoroso. Desse modo, a alternativa D está correta. A alternativa A está incorreta, pois o gênero lírico é tipicamente subjetivo, sendo marcada a presença de um eu lírico, aspecto que favorece a representação do indivíduo. A alternativa B está incorreta, pois o gênero dramático se caracteriza pela presença de instruções, rubricas, que favoreçam a encenação do texto. A alternativa C está incorreta, pois a temática cotidiana também se faz presente no texto lírico, diferindo do texto narrativo, como a crônica, pela perspectiva subjetiva do eu lírico. Por fim, a alternativa E está incorreta, pois o texto épico se caracteriza pela representação de feitos heroicos e grandiosos. O texto II nos apresenta um casal discordando sobre como se conheceram, temática cotidiana e banal. QUESTÃO 27 Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar a criar confusões de prosódias E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade [...] Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate E (xeque-mate) explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo Sejamos o lobo do lobo do homem Lobo do lobo do lobo do homem VELOSO, C. Língua. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2022. A canção de Caetano Veloso presta uma homenagem à Língua Portuguesa, construída a partir da A. afirmação da superioridade do “português” falado no Brasil. B. inversão sintática dos versos, violando as regras poéticas. HSDI C. convocação de referências formadoras da cultura popular. D. sobreposição das citações estrangeiras às nacionais. E. educação de novas gerações acerca da identidade brasileira. Alternativa C Resolução: A letra de Caetano Veloso brinca com elementos da língua portuguesa, como a duplicidade de sentido da forma verbal “gosto”, que pode fazer referência à preferência por algo e também ao que sentimos por meio do paladar, ou como a existência dos verbos “ser” e “estar”, que, em outras línguas, são expressos por apenas um verbo. Adicionalmente a esse elemento mais linguístico, o poeta e cantor trouxe figuras famosas pela sua relação com a Língua Portuguesa, como Luís de Camões, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Carmem Miranda e Chico Buarque. Essa intertextualidade é fundamental no tratado proposto no texto de Caetano, assim, a alternativa C está correta. A alternativa A está incorreta, pois Caetano abraça e aceita a relação da nossa língua com o português europeu por meio da referência a Camões e a Pessoa, estabelecendo uma relação de equilíbrio, não de superioridade de um jeito de falar sobre o outro. A alternativa B está incorreta, pois a música possui licença poética para mexer nos elementos dos versos visando à sonoridade, o que não prejudica sua aceitação pelo público. A alternativa D está incorreta, pois a menção às referências estrangeiras tem como objetivo traçar uma linha do tempo da língua portuguesa, iniciada em Luís de Camões. A alternativa E está incorreta, pois a letra da canção não é didática, o que indicaria a intenção de instrução. A riqueza de relações que Caetano Veloso faz entre os cânones da cultura popular em Língua Portuguesa exige um conhecimento prévio do leitor. QUESTÃO 28 BUONAROTTI, M. A criação de Adão .1508-1512. Afresco, 280 × 570 cm. Disponível em: . Acesso em: 28 abr.
Este trabalho de Michelangelo no teto da Capela Sistina é uma das obras de arte mais famosas do período renascentista e representa o momento em que Deus concede a dádiva da vida para a criação da humanidade. Considerando a interpretação difundida a partir dos anos 90 de que o manto de Deus na imagem representaria o corte do crânio e do cérebro humanos, reforça-se a relação da obra com o Classicismo, pois 7YWV LCT – PROVA I – PÁGINA 18 ENEM – VOL. EXTRA – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
A. exemplifica o culto à espiritualidade. B. explicita o drama do gesto criador. C. recusa o padrão estético clássico. D. reitera a defesa do ideal humanista. E. marca o acordo entre os polos da obra. Alternativa D Resolução: Apesar de tratar de uma representação religiosa encomendada pela igreja para adornar a Capela Sistina, a interpretação proposta pelo enunciado estabelece relações de “A criação de Adão” com o movimento do Classicismo e com as ideias vigentes na época. A representação precisa de um órgão humano está em congruência com o cientificismo, movimento resultante dos estudos anatômicos e do esforço em representar o corpo humano de forma realista nas obras de arte. Associação ainda mais forte encontramos, no entanto, ao percebermos Deus como representação de uma das partes da mente humana, o que indica a superação da visão mística associada à religião, muito presente na Idade Média, e, consequentemente, a superação da autoridade da igreja. Tais ideias são condizentes com o antropocentrismo, elemento fundamental do Classicismo, que passa a representar o ideal humanista, com o homem como o centro do mundo e, portanto, da arte. Assim, a alternativa D está correta. A alternativa A está incorreta, pois o Classicismo defendia o culto à razão, não à espiritualidade. A alternativa B está incorreta, porque a interpretação proposta no enunciado posiciona Deus como fruto do pensamento humano, representando a religião como uma criação desse pensamento. Além disso, a representação desse gesto transmite leveza, e não dramaticidade. A alternativa C é incorreta porque a pintura representa os valores do Classicismo. Por fim, a alternativa E é incorreta, pois o homem é representado sozinho à medida que Deus é representado com Eva e vários anjos, havendo um desbalanço entre os dois lados da representação. QUESTÃO 29 Proponho-me falar de encontros, ocorridos no contexto de um movimento complexo que designamos de Fronteiras Urbanas, iniciado em 2010 como um projeto de investigação etnográfica em educação comunitária, envolvendo uma comunidade acadêmica e duas comunidades locais da Costa da Caparica. Recorto alguns episódios, inscritos em breves narrativas, poemas e textos de gênero inclassificável, onde a reflexão e a descrição se mesclam e dialogam. Os episódios são organizados em torno de conceitos, agrupados pela sua letra inicial, convergindo numa rede de significações que renova o seu potencial compreensivo e para a qual são convocadas vozes que falam da experiência e outras que a teorizam. A poesia surge como um instrumento de multi, inter e transculturalidade, de inclusão e de identidade, mas também de insatisfação, conscientização política e despertar da sensibilidade aos outros e ao mundo. CAETANO, A. P. Transpondo fronteiras urbanas. Encontros e mediações num projeto de educação comunitária. 2016. In: GOMES, C. A. et al (coord.). Atas do XIII Congresso SPCE - Fronteiras, diálogos e transições na educação. Viseu: Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Viseu. [Fragmento adaptado] LG8T O texto é o resumo de um artigo acadêmico sobre os encontros e as mediações em um projeto de educação comunitária. No fragmento, para introduzir a temática do texto, a autora A. enfatiza a importância da função poética em sua leitura. B. relaciona ciência e poesia a partir da ideia de oposição. C. constrói uma relação com episódios do cotidiano do leitor. D. monta um panorama das ideias a serem desenvolvidas. E. contrapõe teoria e prática no processo de investigação. Alternativa D Resolução: A autora do fragmento apresenta um breve resumo da estrutura do seu texto, de sua proposta de trabalho e dos temas que o leitor encontrará ao longo da leitura. Essa é uma estratégia de introdução que permite que o leitor visualize mentalmente o texto em sua completude. Desse modo, a alternativa D está correta. A alternativa A está incorreta, pois a poesia surge no texto como um resultado do movimento Fronteiras Urbanas. A alternativa B está incorreta, pois a ciência se apresenta no texto como uma forma de analisar os episódios ali recortados e a função da poesia no movimento, não estando, portanto, em oposição à poesia. A alternativa C está incorreta, pois o texto se contextualiza dentro de um movimento específico em 2010 voltado para a educação comunitária. Por fim, a alternativa E está incorreta, pois teoria e prática são divisões gerais conferidas às vozes que se manifestam nos episódios analisados pela autora. QUESTÃO 30 Quem nunca teve dificuldade de resistir ao olhar “pidão” de um cachorro? Mas, afinal, por que as feições desses peludos são tão apelativas para nós? Um novo estudo da Universidade Duquesne, nos Estados Unidos, revela as principais características anatômicas que podem explicar o fenômeno. A pesquisa se baseia na anatomia de pequenos músculos usados para formar expressões faciais, os chamados de músculos miméticos. Em humanos, essas estruturas se contraem rapidamente, mas também se cansam com facilidade, o que explica por que podemos formar expressões faciais de maneira ágil, mas não as manter por muito tempo. Os resultados revelaram que, assim como os humanos, cães e lobos têm músculos faciais com predominância de fibras de contração rápida, mas os lobos têm uma porcentagem maior de fibras de contração lenta em relação aos cachorros. “Essas diferenças sugerem que ter fibras musculares mais rápidas contribui para a capacidade do cão de se comunicar efetivamente com as pessoas”, observa Anne Burrows. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2022. [Fragmento adaptado] O fragmento apresenta a explicação sobre olhar dos cães que sensibiliza os humanos. Para isso, é utilizada uma comparação, que tem como objetivo TC2Y B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. EXTRA – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 19