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Rádio e Multimédia
1. A rádio enquanto meio de comunicação, suas características e funções
- Há sempre um grande recurso à imaginação quando ouvimos rádio ( fantasiar ) | A rádio diz e nós
imaginamos | Meio cego (tal como a literatura)
- A rádio evoca as nossas memórias
- A rádio tem muito entretenimento e pouco de formação
- Não há associação visual
- Pluralidade da rádio
- Falar em rádio não é como estar sentado com mãos e pés atados
- Recurso à imaginação, entretenimento, companhia e informação
- Meio de expressão, de partilha e informação
• Segundo Andrew Crisel (1994)- Understanding radio:
- Visão —> Ajuda-nos a sentir o mundo | Palavras —> Principal forma de comunicar sobre o
mundo
- Rádio como meio portátil e intimador
- Escrita em rádio: Vocabulário familiar e sintaxe descomplicada
- Potencial “ do it yourself ” da rádio —> Aparelho barato, portátil e eficaz (tanto para a
comunicação ponto-a-ponto como ponto-a-massa)
2. Podcasting, podcasts, Rádio, Radiodifusão e programas
Podcasting (1) vs. Radiodifusão (2) (1) Liberdade, amador, independente, sem legislação e/ou restrições (2) É uma transmissão unilateral de comunicação sonora, por meio de ondas radioelétricas ou de qualquer outra forma apropriada, destinada à receção pelo público. Existem 3 tipos de serviço: Serviço público (Antena 1), serviço privado e serviço universitário (U. Algarve) Tabela com as características em comum: Rádiodifusão Podcasting Programas e apps Efeitos sonoros Storytelling Voz
3. A importância da voz e da prosódia
• Segundo Rodero (2013)- The perception of a broadcasting voice
- Voz como elemento crucial na comunicação | Voz —> Conteúdo da rádio
- Nas emissões de rádio, a perceção e a compreensão da audiência são determinadas não só pelo
conteúdo, mas também pela forma de apresentação. | Perceção e compreensão —> Conteúdo e apresentação
- As mensagens radiofónicas têm um grande impacto e influência sobre a audiência. |
Mensagens radiofónicas —> Impacto e influência sobre a audiência
- Os “novos jornalistas” não possuem uma colocação de voz adequada ao meio radiofónico.
- A alteração na voz influencia a perceção que a audiência tem na mensagem
- Uma dicção natural resulta numa audiência mais atenta ao conteúdo, enquanto que uma voz
muito colocada faz com que a audiência perca o conteúdo da mensagem transmitida
- Quando existe variação na voz nomeadamente, na velocidade, força, qualidade e tom, há
tendência para uma maior atenção por parte da audiência
- Qualidades da voz: Intensidade (1), Tom (2) e Timbre (3)
(1) A força da voz está dependente da pressão exercida sobre as cordas vocais. A perceção da intensidade da voz reflete-se no volume que chega até ao recetor. A intensidade que se deve usar na rádio deve ser suficientemente forte a fim de transmitir segurança. (2) É a elevação de voz determinada pelo número de vezes pelo qual as cordas vocais vibram. Em rádio, um tom de voz mais baixo desperta, mais facilmente, um sentimento de confiança e credibilidade. (3) É considerada a personalidade da voz. O timbre, em rádio, é valorizado quando apresenta as seguintes características: ressonância, brilho e clareza.
- A prosódia é composta por 3 elementos: a entoação (1), o ritmo (2) e o sotaque (3).
Arquivo Distribuição Captação Marketing Modelos de negócio
- Música
- Efeitos sonoros (inclui silêncio)
- Produção de conteúdo:
- Contar bem, o que há para contar
- Mais do que produzir uma notícia, temos de contar uma história
- Texto claro, conciso e concreto (3 C´s) —> Escrever para cintar uma história
- Aproximar a audiência
- Emoção
- Introduzir informação
- Regras:
- 1 frase, 1 ideia
- Textos curtos
- Falar normalmente (linguagem simples e direta)
- Organização da mensagem
- Não incluir sinónimos
- Poucas palavras
- Originalidade
- Sujeito + Predicato + Complemento direto
- Evitar rimar
- Voz ativa ou “vai acontecer/vai estar”
- Atenção ao valor fonético das palavras
5. A linguagem da rádio. | A criação e a redacção de conteúdos na rádio.
• Segundo Armand (1994)- El lenguaje radiofónico
- Rádio como meio de expressão, sugestão e estimulação
- Hoje em dia a programação radiofónica baseia-se na combinação da palavra e da música. A
palavra oferece informação e a música companhia- concessão dualista
- A rádio é considerado o meio que dá as notícias mais rapidamente (face à televisão e à
imprensa)
- A rádio deixa de ser um mero canal de difusão de mensagens sonoros, para ser um meio de
expressão.
- Definição de linguagem: código, mensagem, uso social e cultural
- Existe um sistema de signos que está sujeito a uma série de recursos técnico-expressivos e
delimitado pelo processo de receção, em que o ouvinte acaba construindo mentalmente o produto radiofónico recebido- a linguagem é o único instrumento capaz de elaborar mensagens radiofónicas
- Os emissores costumam incidir mais na vertente semântica da informação do que na estética,
como se o importante fosse dizer e não como se diz.
- Características da comunicação radiofónica: instantaniedade, rapidez e simultaneidade —> a
estética é tão ou mais importante do que o significado.
- A linguagem radiofónica explica cada um dos sistemas sonoros e não sonoros que a constituem:
a palavra, a música, os efeitos sonoros e o silêncio.
- Palavra radiofónica : Tem de obedecer às condições que impõem a receção de uma mensagem.
- Há tendência para se confundir “verbo radiofónico” e “verbo escrito”
- A palavra radiofónica expressa-se mediante a voz que chega ao recetor através dos ouvidos
- As pausas, o ritmo, a cor da voz, a entoação, os vocábulos escolhidos, concedem um valor polissémico maior do que pode ter um texto escrito, no entanto devem substituir a falta de informação cinética/movimentos, fundamental na comunicação interpessoal.
- Música : Tem um valor estético inquestionável, no entanto é difícil de encontrar na rádio que é
atualmente produzida.
- A música adquire outra dimensão quando entra no âmbito radiofónico: é capaz de descrever emoções, estados psicológicos, ambientes, lugares
- A música acompanhada com a palavra pode desenhar imagens auditivas impressionantes.
- Efeitos sonoros : São essenciais na criação de uma mensagem radiofónica.
- Os programas humorísticos estavam sob vigilância da censura, obrigando a manobras linguísticas
para que os textos passassem.
- O regime político autoritário estabelecido em Portugal, tinha um serviço de censura prévia às
publicações.
- As relações da rádio com o poder político centravam-se numa estratégia de manipulação da
opinião pública em defesa dos valores proclamados pelo Estado Novo.
- A radiodifusão estava reservada aos governantes e todas iniciativas que pudessem prejudicar o
regime eram imediatamente proibidas.
- Rádio como meio de legitimação da ditadura.
- Rádio como meio de distração dos problemas que afetavam a nação.
- Aparecimento da televisão a preto e branco.
- Obrigou a rádio a mudar: inovação no discurso- contratar a uniformidade da comunicação
instrumentalizada pelo Estado Novo
- Modernização da rádio: surgiram novas ideias, como a música e a ficção
Década de 60
- Vários programas impertinentes que se aproximavam demasiado dos limites impostos pela
censura
- A rádio começou a assumir um papel de divulgação cultural- programas de informação de
atualidade e/ou divulgação musical
- Ruptura da rádio devido ao facto da realidade e o sistema confortável de música e conversa
mostrarem-se caduco e desadequado.
- As horas noturnas tornaram-se o principal horário de rádio, com provarás que desenvolviam
ações informativas e formativas. Num novo formato de rádio que testemunhava e acompanhava a vida nacional: reagia, observava e criticava.
- Devido aos programas em direto, a rádio conseguia escapar às malhas da censura prévia
- Exoneração de Salazar, marcou o final de uma década plena de lutas pelos direitos e liberdades,
movimentos revolucionários e conflitos bélicos de maior ou menor grau.
- “Primavera Marcelista”: Início da liberdade nos conteúdos
1974 e pós 25 de Abril
- No 25 de Abril de 1974, foi a rádio que transmitiu as “senhas” que confirmaram o início da
marcha militar: abolição da censura
- Nesta fase, começaram a exigir os chamados “medias privados”
- A rádio passou por 3 fases:
- 1ª. Fase: Nacionalização das rádios em Portugal;
- 2ª. Fase: Aparecimento de rádios livres e rádios piratas;
- 3ª. Fase: Criação de uma lei que regulamentasse a atividade e que desse resposta às necessidades das estações radiofónica.
- Programação generalista, organizada de acordo com o que se supunha ser público da estação.
- Algumas rádios fecharam; Outras alteraram o seu projeto inicial, num movimento de adaptação
que obrigava à profissionalização da estrutura e da própria comunicação radiofónica
- Busca de publicidade para sobreviverem
- Adoção de programações mais ligeiras que se organizaram em sequências horárias ao longo do
dia: emissão de notícias ou emissão de música- audiência mais definida que apenas procurava “fundo” musical para as acompanhar noutras tarefas
- Alteração do esquema de negócio da rádio —> Centrado em grandes empresas —> Produto
radiofónico
- 3 elementos que constituem o panorama comunicacional da rádio em Portugal:
- 1- Conjunto de operadores de pequenas dimensões: fracos conteúdos e pouca preocupação estética
- Rádio em Portugal agora: Comunicação dialógica —> Comunicação interativa | Comunicação
bidirecional
- Receção radiofónica — INTERNET —> Recetor X —> Usuário (Atitude ativa de pesquisa e
consumo de conteúdos) | NET —> Ameaça (Perca de ouvintes no suporte tradicional para ganhar online)
7. Lei da Rádio
- A radiodifusão é a transmissão unilateral de comunicação sonora , por meio de ondas
radioelétricas ou de qualquer outra forma apropriada, destinada à receção do público em geral.
- Um operador de radiodifusão é a pessoa que está legalmente habilitada para o exercício da
atividade de radiodifusão. Isto é, os interlocutores de cada estação.
- Em Portugal, perante o 7º artigo da Lei da Rádio , os serviços e programas podem ter cobertura
a nível Internacional (RDP Internacional), Nacional (Rádio Comercial), Regional (dividida em regiões norte com a TSF e região sul com a M80) e Locais.
- Segundo o 48º artigo da Lei da Rádio , a estrutura e o funcionamento do operador de serviço
público de rádio deve ser independente dos demais poderes públicos , bem como deve assegurar a possibilidade de expressão e uma programação atenta à informação, à cultura, à música e ao conhecimento
8. Podcasting
• Segundo Berry (2006)- Will the iPod Kill the Radio Star? Profiling Podcasting as
Radio.
- O podcasting permite que qualquer pessoa com um PC crie um programa “rádio” e o distribua
gratuitamente, através da Internet, pelos leitores MP3 portáteis de assinantes em todo o mundo.
- O podcasting remove barreiras globais à recepção e os principais fatores que impedem o
crescimento da rádio na Internet.
- Características principais: portabilidade, intimidade e acessibilidade.
- O público é o produtor , a tecnologia assume novos papéis onde o público redescobre a sua voz.
- O Podcasting foi adotado por emissoras de todo o mundo e amplamente discutido nas páginas de
média e tecnologia desde o seu aparecimento em 2004.
- Podcasting não é apenas um meio convergente (reunindo áudio, web e dispositivos média
portáteis), mas também uma tecnologia disruptiva (uma nova tecnologia que veio provocar uma ruptura nos médias tradicionais) e que já forçou alguns no ramo da rádio a reconsiderar algumas práticas estabelecidas e preconceitos sobre público, consumo, produção e distribuição.
- O Podcasting fez despertar atenção, no sentido em que se começou a repensar no que o público
realmente deseja.
- Os Podcasts podem ser reproduzidos numa variedade de dispositivos média genéricos e
computadores.
- O termo “ Podcast ” é usado como um termo abrangente para qualquer conteúdo de áudio baixado
da Internet, seja manualmente de um site da web ou automaticamente, por meio de aplicativos de software.
- O podcasting funciona como um assinatura, exceto pelo facto de ser arquivos de áudio entregues
no computador de casa ou do do escritório, em vez de material impresso que entra pela porta. O áudio é geralmente gravado em formato audio MP3, um formato genérico usado por dispositivos de áudio portáteis, como o Apple iPod.
- O ouvinte tornou-se responsável pela programação da transmissão, escolhendo o que quer ouvir,
quando, em que ordem e- talvez mais significativamente- onde. —> Existe uma grande mudança no poder de programação para ouvintes
- Os produtores mantém controle sobre o conteúdo, os ouvintes tomam decisões sobre a
programação e o ambiente da audição —> Mudança fundamental para os produtores de conteúdo de rádio.
- Qualquer pessoa pode criar um Podcast: não é necessário a obtenção de uma licença, nem de um
estúdio de rádio.
- O Podcasting combina dispositivos com conteúdo online e feeds RSS como um sistema de
distribuição.
- O Podcasting surgiu através de dois pioneiros da Internet que estrava a refletir na forma como
poderiam compartilhar e baixar os seus conteúdos favoritos.
- O Podcasting oferece uma forma de média “horizontal” clássica : os produtores são
consumidores e os consumidores tornam-se produtores e conversam entre si.
- Para além dos Podcasts oferecerem maior flexibilidade quando a programação de áudio é
ouvida, o podcasting invariavelmente também oferece aos ouvintes uma fuga da publicidade que assola a transmissão de rádio tradicional.
- Os Podcasters vêem o seu “trabalho” como algo que desejam fazer, num estilo natural para
eles.
- A natureza de nicho do Podcasting oferece um mecanismo de entrega muito focado, visando
menores grupos de indivíduos geograficamente dispares, mas com ideias semelhantes.
- O uso da natureza auditiva dos Podcasts para completar outra atividade, para promover um
produto e fornecer conteúdo de valor para os fãs.
- Podcasts nas universidades, na igreja, em agências, palestras, na política
- Identificar podcasts como rádio pode ignorar algumas das qualidades de cada meio e talvez
termos como “radiofónico” ou “radioesco” sejam mais úteis.
- O Podcasting é uma forma única, na medida em que tem características para as quais pode ser
reproduzido. —> A rádio é móvel, o ouvinte não é fixado a uma programação cronometrada.
- Sempre que um novo média entra em cena, o seu conteúdo inicial vem de outro média. Mas para
tirar o melhor proveito do novo meio electrónico, o conteúdo precisa de ser especialmente criado com o novo meio em mente.
- A transmissão em rádio é um meio “push”. A rádio de internet é um meio “pull”. O
Podcasts é um meio …?. Enquanto o ouvinte seleciona o conteúdo que seja assinar, o conteúdo chega por um mecanismo “push” (empurrado) e os usuários decidem quando é que o reproduzem- “pull” (puxado) —-> Os Podcasts são, então, definidos como conteúdo com os benefícios preguiçosos do média “push”, mas com todos os recursos de personalização do média “pull”.
- O Podcasting é então um “meio personalizado”, o que significa que é um meio mais
acessível do que a rádio na web e mais sintonizado com as necessidades de alguns públicos do que a transmissão de serviços.
- Os Podcasts são consumidos sozinhos e, como a rádio, tendem a ser lineares na sua natureza ,
pois o conteúdo é ouvido como se fosse ao vivo, mas com a conveniência adicional de poder pausar ou retroceder , se necessitar.
- O Podcasting permite que qualquer pessoa- física ou jurídica- produza para públicos que não se
importam particularmente de onde ele vem.
- Pioneiros do Podcast: Curry e Winer
• Segundo Cordeiro (2020)- Podcasting is the new sexy
- O Podcasts é um conteúdo áudio , disponibilizado através de um arquivo de som que se
descarrega ou se escuta em streaming ( através da internet ), numa lógica de consumo on demand , que pode acontecer a qualquer momento , de acordo com a conveniência de quem nos escuta.
- Um podcast é como um programa de rádio, também se organiza em episódios como muitos
programas de rádio e também está disponível na web, para escuta em diferido como muitos programas de rádio com a diferença que… não é rádio.
- O podcast é um formato de comunicação que se tornou popular muito recentemente e que
começa a ganhar grandes proporções em termos de oportunidades de negócio, por duas razões muito concretas: - a escuta é intencional, não acontece por acaso - a relação é intimista porque, regra geral, falamos ou ouvido de quem nos escuta, permitindo criar uma relação de intimidade maior do que através de qualquer outro formato de comunicação.
- O alcance e acessibilidade dos podcasts permitem construir uma relação baseada numa troca
intencional , na qual o produtor fornece informação ou entretenimento que o público recebe de forma rápida, fácil e, por enquanto, gratuita.