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Relatório laboratório sobre a água
Tipologia: Trabalhos
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SUSTENTARE FEIRA DE SANTANA – BA 2023
SUSTENTARE Atividade para a disciplina de Ciência do Ambiente, do professor(a) Zanna, do Curso de Engenharia Civil da UEFS, como complemento da nota do terceiro semestre. FEIRA DE SANTANA – BA 2023
Desde a Revolução Industrial, no século XX, os problemas ambientais estão sendo agravados, sendo o foco principal o lixo, resultado de uma sociedade altamente consumista. Lamentavelmente, sem uma organização sustentável dos resíduos, esse impasse irá perpetuar e acarretar as gerações futuras,com isso, para que não se torne uma realidade possível, uma das opções viáveis para destinação final do lixo é o aterro sanitário, que se tornou muito comum no Brasil em virtude do aumento da produção de resíduos. Neste presente trabalho, foi realizado uma visita técnica, no dia 17 de maio de 2023, ao Aterro Sanitário licenciado pela empresa Sustentare, localizado em Feira de Santana, desse modo, serão apresentados o funcionamento do aterro sanitário como medida de descarte adequado de resíduos, além de entender o funcionamento, a rotina de utilização dos mesmos e as etapas que os constituem.
A legislação brasileira ainda está engatinhando quando o assunto é leis e direitos ambientais, visto que só nas últimas décadas esse assunto vem sendo pauta nos códigos e leis específicas do País. Contudo, em 2010, o governo federal sancionou a lei 12.305, nomeada “Política Nacional de Resíduos Sólidos’’, que visava apontar as adversidades pendentes que não haviam sido discutidas anteriormente. Todavia, é por meio dessa nova visão que vem ganhando espaço no sistema que integra a conscientização ambiental, que o aterro sanitário se tornou uma alternativa. O Aterro sanitário é um local construído com o objetivo de garantir uma finalidade adequada aos resíduos sólidos urbanos, de modo que reduza o impacto ao meio ambiente caso o mesmo fosse descartado sem as medidas necessárias. Sendo assim, os aterros podem ser classificados em dois tipos; os aterros de superfície, que são construídos em regiões planas em que podem ser empregue os métodos de trincheira, de escavação, progressiva ou rampa e método da área; e os aterros de depressões, que são construídos em regiões que possuem um terreno acidentado, ondulações ou pedreiras extintas. 2.2 LOCAL DA VISITA O Aterro Sanitário de Feira de Santana, licenciado pela Sustentare, o Centro de Reciclagem (CRT) está localizado na Rua Miguel Pinto de Santana no Bairro da Nova Esperança. O CRT trata de resíduos de classe II, A e B, sendo respectivamente, o resíduo não contaminado inerte e não inerte. Anteriormente, havia o tratamento para classe I, os resíduos contaminados, resíduos esses, que não podem ter contato com a luz ou com água, ou seja, requer um tratamento de alto custo, por esse motivo, o serviço foi terceirizado a outra empresa.
(CRT Feira de Santana - Sustentare) Imagem retirada no google earth 2.3 INFORMAÇÕES SOBRE O ATERRO SANITÁRIO A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) é o órgão responsável por editar as normas que devem ser seguidas para a construção de um aterro sanitário como regulamentar e padronizar os aterros sanitários no Brasil, determinando a maneira na qual devem ser feitos, a métrica, sua capacidade, seu funcionamento e tudo que está relacionado ao padrão que deve ser adotado nesse tipo de local de descarte/tratamento de resíduo. Essas normas devem ser seguidas para se fazer jus ao NBR 8419/1992 da ABNT, “Aterro Sanitário é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais.” Atualmente o Aterro Sanitário de Feira de Santana recebe em média 60 m³ por dia para tratamento, que corresponde a seis caminhões de lixo. Vale ressaltar, que o aterro atende não apenas o município de Feira de Santana, como também os municípios de Conceição do Jacuípe, Amélia Rodrigues e São Gonçalo. O CRT - Feira de Santana utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho ou a intervalos menores, se necessário. Esse método de disposição final de resíduos deve contar com todos os elementos de proteção ambiental:
A vida útil é determinada em anos, sendo obtida, dividindo o número de valas possível de dispor no aterro por 12 meses. O ideal é alcançar uma vida útil para o aterro de valas de pequenas dimensões em torno de 10 anos. Quando o aterro esgota sua capacidade, é preciso fechá-lo e providenciar medidas como o reflorestamento, para diminuir os impactos ambientais. Durante sua vida útil, para que seja mantido em boas condições, necessita a execução rotineira e sistemática de serviços de manutenção de seus sistemas viário, de drenagem e de tratamento dos efluentes líquidos e gasosos, das superfícies aterradas, e em especial dos taludes e do sistema de drenagem de águas pluviais dos dispositivos previstos para promover à descida d’água sobre a superfície dos taludes. O aterro presente tem cerca de 40 anos de vida útil, devido a sua extensa área, todavia mesmo após encerrar suas atividades terá que manter a fiscalização por mais 20 anos.
Primeiro, há a coleta do lixo pela cidade, logo, há a descarga do lixo, ao depositá-lo na frente de serviço para ser examinado por um fiscal, para um controle do tipo. Com isso, haverá o espalhamento e a compactação do material, que será aplicado em rampa, em uma proporção de 1 na vertical para 3, sendo no sopé do talude, em seguida, o trator de esteira deve compactar o lixo com movimentos de vai e vem, em uma área demarcada. Depois de depositado e espalhado, esses resíduos devem ser recobertos por uma cobertura de terra, espalhada de baixo para cima. Essa, deve ter uma camada diária de junta A3, com argila de 15 a 20 cm de espessura, cujo objetivo, é evitar vetores como ratos, baratas e aves ( sendo essas aves, tentam afastá-las de todas as maneiras possíveis, com bandeiras, canhão afasta pássaros, fogos de artifício, etc.), além de prevenir que o lixo se espalhe em dias de ventania. Entre as camadas se coloca uma geomembrana de 2 mm, PEAD, que é soldado por termofusão, e aplica mais camadas de argila por cima. Entre as camadas citadas na cobertura dos resíduos, se aplica faixas de brita e pedras para drenagem, que ocorre horizontalmente como drenos internos de chorume e verticalmente para os gases que são queimados para impedir, principalmente, o mau cheiro. Quando está no fim, o aterro precisa regular os taludes e colocar uma última camada grossa de terra, com um cinturão verde para reter a água e o chorume, e também manter o terreno compactado unido. Porém, mesmo finalizados, é imprescindível o uso de teste semestralmente para confirmar que a pressão interna não seja maior que 12/16. É importante salientar, que em vista a grande quantidade de resíduos sólidos em circulação na sociedade, é complicado estabelecer um padrão de tratamento que seja apropriado para, particularmente, cada resíduo sólido, uma vez que são diferentes tipos descartados e acumulados, dos mais variados materiais. É por conta disso, que é fundamental ter gerenciamentos diferentes para cada material que possui suas características próprias,para que assim, etapas como a coleta, transporte, tratamento e a destinação final possam seguir à risca essas características para não impactar o meio ambiente.
O lixo após ser aterrado, sobretudo os orgânicos, passam pelo processo natural de decomposição, processo esse predominantemente anaeróbico. Durante essa etapa, são formados os biogás, rico em gás metano(CH4), que pode ser captado e convertido em energia elétrica, por meio da sua combustão em motores geradores. No entanto, é muito difícil possuir um sistema de captação que consiga recuperar 100% desse gás, visto que, uma pequena parcela acaba escapando e indo para atmosfera. Contudo, mesmo possuindo um potencial energético eficiente, a captação do metano para essa finalidade não é a realidade de muitos aterros, e lamentavelmente, mesmo possuindo uma pesquisa em prol dessa causa, o Aterro Sanitário situado em Feira de Santana não possui esse sistema de reaproveitamento do gás metano, sendo o mesmo, tratado por meio da queima no momento de escape pelos drenos verticais que são revestidos por uma camada de brita e deverão estar dispostos a uma distância que varia entre 50 e 100m um do outro acima do aterro. 3.3 DRENAGEM DE ÁGUAS PLUVIAIS E PERCOLADOS A drenagem de líquidos percolados terá por finalidade a coleta dos líquidos oriundos do aterro sanitário (água de chuva percolada e chorume) evitando assim uma eventual poluição do lençol freático e certificar uma melhor estabilidade da massa de resíduos. No Aterro de Feira de Santana, o chorume é drenado para lagoas para armazenar, depois ele é captado e levado para Cetrel, Empresa de Proteção Ambiental, em Camaçari. O volume de chorume produzido diariamente é cerca de 220 m³, que pode ser maior se estiver chovendo, é por esse motivo que a escolha do local é fundamental, devido a drenagem e a preferência de locais secos. A drenagem é do tipo superficial, ou seja, tem por finalidade evitar que as águas cheguem às áreas das células e as penetrem, diminuindo a quantidade de líquido percolado.
Podemos concluir que o Aterro Sanitário nos foi apresentado com muito cuidado em relação a palestra sobre a operação CTR, tentando repassar a situação do aterro e todos os projetos que ocorrem pela empresa responsavel do local. Vale ressaltar que mesmo que não estivemos em todos os locais do aterro, essas apresentações ajudaram bastante a ver como estamos indo em relação aos nossos resíduos. Em uma análise sobre isso, podemos notar que ainda se pode melhorar em relação ao tratamento, pois mesmo sendo um pouco mais caro, poderia haver uma separação do lixo, segregado o material para ser reciclado, o que seria muito bom, já que os próprios funcionários afirmam no estudo gravimétrico que metade dos resíduos são recicláveis e não precisavam ser aterrados.