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Resenha Império do Café, Resumos de História

A autora Ana Luiza Martins, formada em História, pela Universidade de São Paulo, e que pós se graduou em História Econômica e Social pela mesma, onde concluiu sua tese de mestrado, traz como objetivo de seu livro a reconstituição histórica do império do café, caracterizando suas estruturas sociais, culturais, políticas e econômicas, formando uma cronologia desde o início da expansão do café, até a mudança de monarquia para república, no qual a autora tipifica o café como principal causador.

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 15/05/2020

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RESENHA
Resenha do livro: MARTINS, Ana Luiza. Império do Café: A grande lavoura no
Brasil 1850 a 1890. 7. ed. São Paulo: Historia em Documentos, 1999. 128 p.
Lucas Manoel Gonçalves1
A autora Ana Luiza Martins, formada em História, pela Universidade de São
Paulo, e que pós se graduou em História Econômica e Social pela mesma, onde
concluiu sua tese de mestrado, traz como objetivo de seu livro a reconstituição
histórica do império do café, caracterizando suas estruturas sociais, culturais,
políticas e econômicas, formando uma cronologia desde o início da expansão do
café, até a mudança de monarquia para república, no qual a autora tipifica o café
como principal causador dessa mudança.
O café, fruta exótica do Oriente, que tem sua origem do norte da África,
chegou ao Brasil por volta do século XVIII, como um presente elegante (pois era
uma bebida rara, chique e cobiçada, encontradas em poucas mesas europeias),
pela Sra. Orvilliers, esposa do governador de Caiena, para o Sargento Francisco de
Melo Palheta, em 1727. Porém a autora, mais adiante em seu livro irá citar, uma
nova versão por cronistas, que estudaram farta documentação, dizendo que a
introdução do café no Brasil, foi em clima de romance, no qual foram doadas
clandestinamente a Melo, pela esposa do governador.
Quando chegou ao Brasil, o café começou a se espalhar de Norte a Sul,
saindo do fundo de um quintal, para o consumo doméstico, centralizando no Sul do
Rio de Janeiro, especificamente no Vale do Paraíba fluminense e paulista. De início,
o produto não foi muito aceito em determinado contexto pelos senhores de engenho,
porém perceberam que o açúcar não era um produto mais tão consumido, pelo
mercado internacional. O Haiti era o maior produtor de café, entretanto parou de
fornecer, pois lutava pela sua independência, com isso, o Brasil usou dessa brecha,
para produção e exportação do café. De certo modo, a Europa estava no contexto
de Revolução Industrial, assim seu interesse era voltado a atividade industrial
(gerava mais lucro), sem agricultura de exportação. Assim, gerou um incentivo da
agricultura, nas colônias da América.
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1 Graduando de História da Universidade Sagrado Coração. Resenha realizada sob a orientação da Dra.
Lourdes Conde Feitosa.
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RESENHA

Resenha do livro: MARTINS, Ana Luiza. Império do Café: A grande lavoura no Brasil 1850 a 1890. 7. ed. São Paulo: Historia em Documentos, 1999. 128 p. Lucas Manoel Gonçalves^1 A autora Ana Luiza Martins, formada em História, pela Universidade de São Paulo, e que pós se graduou em História Econômica e Social pela mesma, onde concluiu sua tese de mestrado, traz como objetivo de seu livro a reconstituição histórica do império do café, caracterizando suas estruturas sociais, culturais, políticas e econômicas, formando uma cronologia desde o início da expansão do café, até a mudança de monarquia para república, no qual a autora tipifica o café como principal causador dessa mudança. O café, fruta exótica do Oriente, que tem sua origem do norte da África, chegou ao Brasil por volta do século XVIII, como um presente elegante (pois era uma bebida rara, chique e cobiçada, encontradas em poucas mesas europeias), pela Sra. Orvilliers, esposa do governador de Caiena, para o Sargento Francisco de Melo Palheta, em 1727. Porém a autora, mais adiante em seu livro irá citar, uma nova versão por cronistas, que estudaram farta documentação, dizendo que a introdução do café no Brasil, foi em clima de romance, no qual foram doadas clandestinamente a Melo, pela esposa do governador. Quando chegou ao Brasil, o café começou a se espalhar de Norte a Sul, saindo do fundo de um quintal, para o consumo doméstico, centralizando no Sul do Rio de Janeiro, especificamente no Vale do Paraíba fluminense e paulista. De início, o produto não foi muito aceito em determinado contexto pelos senhores de engenho, porém perceberam que o açúcar não era um produto mais tão consumido, pelo mercado internacional. O Haiti era o maior produtor de café, entretanto parou de fornecer, pois lutava pela sua independência, com isso, o Brasil usou dessa brecha, para produção e exportação do café. De certo modo, a Europa estava no contexto de Revolução Industrial, assim seu interesse era voltado a atividade industrial (gerava mais lucro), sem agricultura de exportação. Assim, gerou um incentivo da agricultura, nas colônias da América.


1 Graduando de História da Universidade Sagrado Coração. Resenha realizada sob a orientação da Dra. Lourdes Conde Feitosa.

O Brasil, com sua grande extensão rural, farta mão-de-obra escrava barata, clima e solo favorável começou assim produzir café. Quando capitais, que eram antigos mineradores, enxergam as vantagens vistas na cultura cafeeira, começam a produzi-lo também, pois já contavam com escravos e ferramentas, que trabalhavam em suas minas. Além desses capitais, tropeiros e atacadistas começaram a investir no café. Em 1850, sobrevêm uma iniciativa marcante, a abolição do tráfico por tomada do governo brasileiro, através da Lei Eusébio de Queirós, apesar da lei, o tráfico de negros não acabou, muitos navios negreiros continuaram a cruzar clandestinamente o Atlântico. Os escravos no Brasil não viviam em condições favoráveis, tinham uma estimativa de vida, de 12 anos, e muitos vinham a morrer até antes. Martins, nos relata que muitos escravos já vinham da África com certas doenças, porém quando chegavam ao Brasil, e iam para as senzalas acabavam transmitindo doenças a outros escravos, por isso era constante a perda de escravos por doenças, pois todo ano vinham mais e mais escravos do continente Africano. Porém como o escravo era um produto caro, com o tempo certos fazendeiros começaram a preservá-los, e tomarem conta de suas enfermidades. “A precariedade das instalações era relativa... Convém lembrar que o escravo era um produto valioso para o fazendeiro, no qual havia investido uma grande soma, sendo conveniente que preservasse sua saúde para maior rendimento do trabalho” (MARTINS, 1999) A senzala, onde se alojavam, não tinha uma estrutura confortável e suntuosa, baseava-se em “camas” expostas ao chão feita de palha e feno, ali se encontrava a falta de higiene, a umidade e o desconforto, pois por um lado não eram todos os fazendeiros que zelavam pelo bem-estar de seu escravo. Na Casa-Grande, o fazendeiro ou o barão, vivam em extrema abundância e conforto, como um palácio elegante, no qual os escravos tinham muito respeito a figura do fazendeiro. O fazendeiro era limitado ao seu mundo rural e conservador, porém tem sua vida na cidade também, na qual, desenvolve outros tipos de atividades econômicas.

primeiras companhias, Companhia Paulista (1872), a Companhia Mojiana (1875) e a Companhia Sorocabana (1875). “Com a locomotiva chegou o progresso. As distancias encurtaram, os fazendeiros não mais permaneciam nas fazendas... com a facilidade dos transportes, promoveram-se melhoramentos urbanos que embelezaram as cidades. Até a circulação de notícias se fez com mais rapidez, com o transporte de jornais das capitais para o interior. Eram novos tempos” (MARTINS, 1999) Em relação as cidades do império, a autora caracteriza, que a um exagero em dizer que, quase mais da metade das cidades paulistas resultaram da cultura cafeeira. Sim, muitas cidades nasceram do café, porém haviam outras vilas que se dedicavam a produção em função do comércio, do cultivo de arroz e a cultura do algodão. Podemos dizer que muitas dessas vilas não eram desenvolvidas em sentido que não ficavam próximas a ferrovia, dificultando a seu desenvolvimento. Já as cidades com maior desenvolvimento, ou seja, as que ficavam mais próximas aos trilhos dos trens, começaram a crescer cada vez mais, pois pertenciam as regiões ricas, os cofres públicos municipais continuaram vazios e os benefícios urbanos registrados eram de iniciativa dos fazendeiros locais, que embelezavam a cidade na maioria das vezes para ostentar seu poderio. Nessas cidades, em meio as novas edificações, circula uma nova sociedade. Começam a surgir lojas de armarinhos, onde se comprava de tudo, desde alimentos a tecidos e máquinas, consultórios médicos, colégios, escritórios de advocacia e a fundação dos jornais, o funcionalismo público se amplia. Assim surge a camada média urbana, sobretudo, junto a essa camada os cafeicultores progressistas, nos quais querem mudanças na política. Assim, entramos em um dos objetivos principais da autora, caracterizando a transição de monarquia para republica, nos quais geraram várias mudanças. Quando o café chegou ao brasil, ele ainda pertencia a Portugal, e ainda quando ele se espalhou pelo país, ele transcorria sobre regime monárquico, podemos dizer que a cultura cafeeira na qual foi a força econômica, que deu sustentação para o império brasileiro. Muitos fazendeiros da região do Vale do Paraíba, sustentavam a

monarquia garantindo diversos privilégios, como a manutenção da escravatura, esses as quais pertenciam ao partido conservador. Já os fazendeiros dos centro- oeste, tidos por liberais, já haviam instaurados a imigração, em função da mão-de- obra livre, nascia aí o partido liberal, ou partido republicano. Assim, em 1888, com o fim da escravidão, muitos são os fazendeiros do Vale do Paraíba que saem prejudicados, e os cafeicultores do centro-oeste ainda vão à luta por uma voz na política brasileira, e com apoio das camadas médias e do exército, derrubam a monarquia e instituem a república. “Importa reter, porém, que essas mudanças decorrem da transformação do capital produzido pelo café. Em outras palavras: o capital agrícola, transformou-se pela sua mercantilização em capital comercial, que mais tarde investido em industrias e no mercado de ações produziu o capital industrial e financeiro. Por traz de tudo isso, o mundialmente famoso “cafezinho brasileiro. ” (MARTINS, 1999) O Livro, nos apresenta uma perspectiva muito grande sobre o império do café. Em sua primeira parte, tenta remeter os acontecimentos de 1850 a 1890 de forma sintética e sem complexidade, fazendo que o leitor entenda o momento de forma dinâmica e objetiva. Já na segunda parte do livro a autora enfatiza todo o contexto de uma forma mais detalhada com base em documentos no sentido mais abrangente: desde os textos oficiais até os registros, em diferentes linguagens, de experiências humanas no período enfocado: depoimentos, letras de música, textos literários, descrições de viajantes, artigos de jornal, pinturas, charges, fotos. Acredito que é um livro interessante a ser analisado nos primeiros anos do ensino fundamental II, até mesmo ser discutido nos primeiros anos do ensino médio, pois para ambos fornece uma linguagem facilitadora e compreensiva, na qual podemos analisar e comparar os diversos contextos (econômico, político, social e cultural), fazendo uma analogia de outros momentos históricos com tais do império do café, com base no ensino que ali está sendo aplicado.