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Segurança alimentar manual, Manuais, Projetos, Pesquisas de Nutrição

Sobre segurança alimentar existe um manual, no aham estou postando pra vocês

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021

Compartilhado em 05/04/2021

carlos-felipe-85
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Segurança alimentar e informação nutricional podem reduzir a intoxicação fora do lar
Rev Bras Nutr Clin 2016; 31 (2): 91-6
91
Unitermos:
Doenças Transmitidas por Alimentos. Contaminação
de Alimentos. Diarreia. Estilo de Vida.
Keywords:
Foodborne Diseases. Food Contamination. Diarrhea.
Life Style.
Endereço para correspondência:
Daniel Magnoni. Rua Cubatão, 86 - cj.602 Vila
Mariana – São Paulo, SP, Brasil – CEP 04013-000.
Submissão:
4 de dezembro de 2015
Aceito para publicação:
1 de março de 2016
RESUMO
Introdução: Doenças do aparelho digestivo, como quadros de tóxico-infecção intestinal decorrentes
da alimentação contaminada, comprometem a qualidade de vida. Transformações advindas da
urbanização e globalização provocaram mudanças no estilo de vida das populações. A falta de
tempo no preparo dos alimentos também é um fator que desencadeia o aumento das refeições fora
de casa. Um fator negativo em relação a alimentos servidos fora de casa é o risco de contaminação,
ocasionando as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). O objetivo deste trabalho é, por meio de
dados estatísticos, desenvolver um manual básico, educacional e normativo das práticas seguras na
alimentação fora do lar. Método: Foram utilizados dados epidemiológicos da Pesquisa de Orçamentos
Familiares, dados estatísticos do Centro de Vigilância Epidemiológica e do setor de epidemiologia do
Hospital do Coração. Além disso, foi feita pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, Lilacs
e SciELO, para auxiliar na interpretação dos conceitos. Resultados: Dados estatísticos e epidemioló-
gicos demonstram crescimento de refeições realizadas fora do lar na população brasileira. Notou-se
aumento do número de casos de DTAs com alimentação fora do lar. Conclusões: Observou-se, por
meio de dados estatísticos, o aumento das refeições fora do lar e, com isso, o crescimento nos casos
de DTAs, principalmente os de diarreia. Torna-se importante a orientação e informação sobre práticas
de segurança alimentar fora do lar, com objetivo na prevenção de DTAs.
ABSTRACT
Background: Digestive diseases, as intestinal toxic infection deriving from contaminated food,
endanger life quality. Globalization and urban transformation have changed the population’s
lifestyle. Having less time to prepare food is also a reason that increases eating out. The negative
side of eating out is the risk of food contamination that might occur causing Foodborne Illnesses.
Methods: Epidemiologic data from Pesquisa de Orçamentos Familiares (Family Budget Survey),
statistics data from Centro de Vigilância Epidemiológica (Epidemiological Surveillance Center) and
from Hospital do Coração epidemiologic sector also was used. Bibliographic research on PubMed,
Lilacs and SciELO databases was used for concept’s interpretation. Results: Data shows a growth
in meals eaten out among Brazilians. It is possible to observe an increase in the foodborne illness
cases alongside these meals. Conclusion: Through the statistic and epidemiologic data could been
seen the raise on eaten out meals along with the increase in foodborne illness cases, mainly the
diarrhea cases. Therefore, it is important to instruct and inform people about safe eating out practices
to prevent Foodborne Illnesses.
1. Cardiologista, Nutrólogo. Mestre pela UNIFESP-EPM. Chefe do Setor de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração (HCor). Diretor
de Nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC-SP). Coordenador do conselho consultivo da Oraculum Inteligência em Nutrição
e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
2. Nutricionista. Graduada em Nutrição pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Nutricionista Clínica da Oraculum
Inteligência em Nutrição e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
3. Nutricionista. Especialista em Obesidade pela UNIFESP. Nutricionista Clínica da Oraculum Inteligência em Nutrição e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
4. Médica Epidemiologista, Mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública (USP). Médica Epidemiologista do setor de Epidemiologia do
Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.
5. Enfermeira. Graduada em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP). Enfermeira Epidemiologista do setor
de Epidemiologia do Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.
6. Estatístico. Graduado pelo Centro Universitário Capital – UNICAPITAL. Analista Administrativo do setor de Epidemiologia do Hospital do Coração
(HCor), São Paulo, SP, Brasil.
7. Nutricionista. Mestre em Ciências pela UNIFESP, especialista em Nutrição em Cardiologia pela SOCESP, em Nutrição Clínica e Distúrbios Metabó-
licos e Risco Cardiovascular. Responsável pelo Ambulatório de Nutrição Clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP, Brasil.
8. Nutricionista. Graduada em Nutrição pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Nutricionista Clínica da Oraculum
Inteligência em Nutrição e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
9. Cardiologista. Graduada em Medicina na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). Médico Cardiologista do coordenador do serviço de Pronto
Socorro do Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.
10. Nutrólogo. Graduado em Medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS). Médico Nutrólogo do Hospital do Coração (HCor),
São Paulo, SP, Brasil.
Segurança alimentar e informação nutricional
podem reduzir a intoxicação alimentar na
alimentação fora do lar
Food safety and nutritional information could reduce an alimentary intoxication outside home
A
Artigo Original
Daniel Magnoni1
Marcela Tardioli2
Marilia Zagato3
Marisa Miyagi4
Priscila Takayama5
Sergio Moura6
Cristiane Kovacs7
Vera Camelo8
Marcos Barbosa9
Celso Cukier10
pf3
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Segurança alimentar e informação nutricional podem reduzir a intoxicação fora do lar

Rev Bras Nutr Clin 2016; 31 (2): 91-

Unitermos: Doenças Transmitidas por Alimentos. Contaminação de Alimentos. Diarreia. Estilo de Vida.

Keywords: Foodborne Diseases. Food Contamination. Diarrhea. Life Style.

Endereço para correspondência: Daniel Magnoni. Rua Cubatão, 86 - cj.602 – Vila Mariana – São Paulo, SP, Brasil – CEP 04013-000. E-mail: [email protected]

Submissão: 4 de dezembro de 2015

Aceito para publicação: 1 de março de 2016

RESUMO

Introdução: Doenças do aparelho digestivo, como quadros de tóxico-infecção intestinal decorrentes da alimentação contaminada, comprometem a qualidade de vida. Transformações advindas da urbanização e globalização provocaram mudanças no estilo de vida das populações. A falta de tempo no preparo dos alimentos também é um fator que desencadeia o aumento das refeições fora de casa. Um fator negativo em relação a alimentos servidos fora de casa é o risco de contaminação, ocasionando as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). O objetivo deste trabalho é, por meio de dados estatísticos, desenvolver um manual básico, educacional e normativo das práticas seguras na alimentação fora do lar. Método: Foram utilizados dados epidemiológicos da Pesquisa de Orçamentos Familiares, dados estatísticos do Centro de Vigilância Epidemiológica e do setor de epidemiologia do Hospital do Coração. Além disso, foi feita pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, Lilacs e SciELO, para auxiliar na interpretação dos conceitos. Resultados: Dados estatísticos e epidemioló- gicos demonstram crescimento de refeições realizadas fora do lar na população brasileira. Notou-se aumento do número de casos de DTAs com alimentação fora do lar. Conclusões: Observou-se, por meio de dados estatísticos, o aumento das refeições fora do lar e, com isso, o crescimento nos casos de DTAs, principalmente os de diarreia. Torna-se importante a orientação e informação sobre práticas de segurança alimentar fora do lar, com objetivo na prevenção de DTAs.

ABSTRACT

Background: Digestive diseases, as intestinal toxic infection deriving from contaminated food, endanger life quality. Globalization and urban transformation have changed the population’s lifestyle. Having less time to prepare food is also a reason that increases eating out. The negative side of eating out is the risk of food contamination that might occur causing Foodborne Illnesses. Methods: Epidemiologic data from Pesquisa de Orçamentos Familiares (Family Budget Survey), statistics data from Centro de Vigilância Epidemiológica (Epidemiological Surveillance Center) and from Hospital do Coração epidemiologic sector also was used. Bibliographic research on PubMed, Lilacs and SciELO databases was used for concept’s interpretation. Results: Data shows a growth in meals eaten out among Brazilians. It is possible to observe an increase in the foodborne illness cases alongside these meals. Conclusion: Through the statistic and epidemiologic data could been seen the raise on eaten out meals along with the increase in foodborne illness cases, mainly the diarrhea cases. Therefore, it is important to instruct and inform people about safe eating out practices to prevent Foodborne Illnesses.

  1. Cardiologista, Nutrólogo. Mestre pela UNIFESP-EPM. Chefe do Setor de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração (HCor). Diretor de Nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC-SP). Coordenador do conselho consultivo da Oraculum Inteligência em Nutrição e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
  2. Nutricionista. Graduada em Nutrição pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Nutricionista Clínica da Oraculum Inteligência em Nutrição e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
  3. Nutricionista. Especialista em Obesidade pela UNIFESP. Nutricionista Clínica da Oraculum Inteligência em Nutrição e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
  4. Médica Epidemiologista, Mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública (USP). Médica Epidemiologista do setor de Epidemiologia do Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.
  5. Enfermeira. Graduada em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP). Enfermeira Epidemiologista do setor de Epidemiologia do Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.
  6. Estatístico. Graduado pelo Centro Universitário Capital – UNICAPITAL. Analista Administrativo do setor de Epidemiologia do Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.
  7. Nutricionista. Mestre em Ciências pela UNIFESP, especialista em Nutrição em Cardiologia pela SOCESP, em Nutrição Clínica e Distúrbios Metabó- licos e Risco Cardiovascular. Responsável pelo Ambulatório de Nutrição Clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP, Brasil.
  8. Nutricionista. Graduada em Nutrição pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Nutricionista Clínica da Oraculum Inteligência em Nutrição e Saúde, São Paulo, SP, Brasil.
  9. Cardiologista. Graduada em Medicina na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). Médico Cardiologista do coordenador do serviço de Pronto Socorro do Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.
  10. Nutrólogo. Graduado em Medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS). Médico Nutrólogo do Hospital do Coração (HCor), São Paulo, SP, Brasil.

Segurança alimentar e informação nutricional

podem reduzir a intoxicação alimentar na

alimentação fora do lar

Food safety and nutritional information could reduce an alimentary intoxication outside home

A

Artigo Original

Daniel Magnoni^1 Marcela Tardioli 2 Marilia Zagato 3 Marisa Miyagi^4 Priscila Takayama 5 Sergio Moura 6 Cristiane Kovacs 7 Vera Camelo 8 Marcos Barbosa 9 Celso Cukier^10

Rev Bras Nutr Clin 2016; 31 (2): 91-

Magnoni D et al.

INTRODUÇÃO

As doenças do aparelho digestivo, mais precisamente os

quadros de tóxico-infecção intestinal decorrentes da alimen-

tação contaminada, comprometem a qualidade de vida e

inserem um fator agravante ao absenteísmo no mercado de

trabalho.

Rotineiramente, são publicados manuais e guias de refe-

rência para uma alimentação saudável e rica em alimentos

chamados “bons para a saúde”. No entanto, no cotidiano

das pessoas que procuram se alimentar de forma adequada,

existe grande carência de guias para uma alimentação

com segurança. Escolher o alimento saudável e, de forma

conjunta, optar por alimentos seguros, deve ser uma prática

corriqueira e regular.

A introdução da mulher no mercado de trabalho, o

aumento da aglomeração de pessoas nos centros urba-

nizados e as alterações no estilo de vida da população

inserem um contexto de mudança nos padrões alimentares^1.

As transformações advindas da urbanização e globalização

provocaram mudanças no estilo de vida das populações^2. A

falta de tempo no preparo dos alimentos também é um fator

que desencadeia o aumento das refeições realizadas fora de

casa, assim como as visitas aos restaurantes por quilo, fast

food e outros locais de alimentação fora do lar, que estão

se multiplicando rapidamente 3.

Devido a essas mudanças no padrão alimentar, há uma

preocupação maior com a qualidade e segurança dos

alimentos, que devem ter um controle higiênico sanitário, que

consiste em técnicas e normas para verificar se os alimentos

estão sendo manipulados, produzidos, fabricados ou distri-

buídos de acordo com Boas Práticas 4. Um fator negativo de

alimentos servidos fora de casa é o risco de contaminação,

ocasionando as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) 5.

O objetivo deste estudo é basear-se em dados estatísticos

para desenvolvimento de um manual básico, educacional e

normativo das práticas seguras na alimentação fora do lar.

MÉTODO

Foram utilizados dados epidemiológicos da Pesquisa de

Orçamentos Familiares (POF) da Coordenação de Índices

de Preços dos anos de 2002-2003 e 2008-2009 e também

dados estatísticos do Centro de Vigilância Epidemiológica

(CVE) da Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo. Foram

considerados, também, os dados epidemiológicos do setor

de epidemiologia do Hospital do Coração (HCor), de São

Paulo, SP, que avaliou ocorrência de queixas de diarreias

e distúrbios gastrointestinais desde 2009. Os diagnósticos

foram extraídos no fechamento da ficha de atendimento e

não no preenchimento do cadastro, configurando, dessa

forma, maior especificidade e validação das informações.

Além disso, foi feita pesquisa bibliográfica realizada

nas bases de dados PubMed, Lilacs e SciELO, utilizando os

descritores: segurança dos alimentos, doenças transmitidas

por alimentos e alimentação fora de casa. A pesquisa foi

realizada para auxiliar na interpretação dos conceitos “Segu-

rança dos Alimentos” e “DTAs”.

Tendência alimentar na população brasileira

Na população brasileira, é possível observar o aumento

no consumo de produtos industrializados e a diminuição

dos alimentos in natura^6. Quando comparados os dados

da POF^7 de 2002-2003 com os de 2008-2009, nota-se

um aumento no número de refeições fora do domicílio em

um período de seis anos. Na área urbana de 25,74% em

2002-2003 para 33,1% em 2008-2009 e também na área

rural de 13,07% em 2002-2003 para 17,5% em 2008-2009,

conforme a Figura 1.

Da mesma forma, quando comparados os dados de

porcentagem de refeições fora do domicílio por região,

observa-se um aumento em todas elas, dos anos de 2002-

2003 para 2008-2009 8. A região Sudeste tem o maior

percentual, com 26,91% em 2002 e 37,2% em 2008, e a

região Nordeste o menor em relação às outras regiões, com

19,52% em 2002 e 23,5% em 2008.

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Refei-

ções Coletivas (ABERC)^9 indicam que, no ano de 2013, foram

produzidas, aproximadamente, 11,7 milhões de refeições

coletivas e estima-se que, em 2014, seriam produzidas 12,

milhões.

Dados epidemiológicos

As DTAs, segundo o CVE 9, são: “afecções sindrômicas,

em sua grande maioria com manifestações de diarreia aguda,

provocadas pelo consumo de alimentos, incluindo-se a água,

contaminados por microrganismos patogênicos e/ou suas

toxinas e outras substâncias tóxicas em quantidade que afete

a saúde humana”.

O CVE coordena o Sistema de Vigilância Epidemiológica

de Surtos das Doenças Transmitidas por Alimentos (SVE DTA),

da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. No mesmo

setor existe a Vigilância Epidemiológica de Surtos de Doenças

Transmitidas por Água e Alimentos (VE DTA), que possui um

sistema de vigilância passivo, com enfoque na investigação

e notificação de surtos.

As DTAs são importantes causas de morbidade e morta-

lidade no mundo, especialmente as gastrenterites/doenças

diarreicas agudas 10. Diarreia é conceituada como uma

alteração das funções gastrintestinais, ocasionando três ou

mais evacuações amolecidas ou líquidas, em um período

de 24 horas 11.

Rev Bras Nutr Clin 2016; 31 (2): 91-

Magnoni D et al.

Quando observados os anos de 2008, 2009 e 2010 12 ,

conclui-se também que a maior incidência de tipo de doenças

por DTAs são as diarreicas. E 2010 foi o ano de maior

notificação, com 20.419 casos. Entre os anos de 2008 e

2009, foram notificados 13.114 casos, dentre eles 12.

de diarreia. Desde o ano de 2008 até 2012, quatro óbitos

por diarreia foram notificados.

Diante dos fatos acima apresentados, cresce a necessi-

dade de informação do ponto de vista de qualidade, segu-

rança do alimento e práticas seguras de manipulação, para

conscientização e alerta à população que faz refeições fora

do domicílio.

O serviço de Nutrologia e Nutrição Clínica do HCor, por

meio de levantamentos epidemiológicos resultantes do banco

de dados do setor de epidemiologia, avaliou a ocorrência

de queixas de diarreias e distúrbios gastrointestinais desde

2009, observando um aumento significativo e impactante

na realidade assistencial da unidade de pronto atendimento.

O pronto atendimento desse hospital, referência na

cidade de São Paulo em atendimento a doenças do coração,

não é identificado como uma unidade básica em emer-

gências fora do escopo das doenças cardiovasculares. No

entanto, mesmo uma amostragem focada e direcionada às

emergências nessa área, possui um aumento crescente em

queixas não cardíacas e notadamente as tóxico-infecciosas

decorrentes de alimentação inadequada.

A Figura 3 apresenta com maior detalhamento o volume

de atendimentos no PS, segundo a descrição dos diagnósticos

mais frequentes, por ordem de frequência, no PS HCor, de

2009 a 2013. Os diagnósticos são extraídos no fechamento

da ficha de atendimento, efetivada pelo médico responsável

pelo atendimento e/ou pela enfermeira da unidade, e não

no preenchimento do cadastro, configurando, desta forma,

maior especificidade e validação das informações.

A comparação anual mostra um aumento das queixas e

sintomas digestivos e infecciosos.

Por fim, na Tabela 1, que sumariza as queixas e diag-

nósticos, podemos observar um aumento de 123% nas

ocorrências relacionadas a distúrbios gastrointestinais presu-

mivelmente relacionadas a infecções alimentares.

Dessa forma, como medida de saúde pública e de

educação aos pacientes, o serviço de Nutrologia e Nutrição

Clínica do HCor, aliado ao Instituto de Metabolismo e

Nutrição – IMeN, a consultoria ORACULUM – Inteligência

em Nutrição e Saúde e a Diretoria de Nutrição do Instituto

Dante Pazzanese de Cardiologia, desenvolveu um manual

básico, educacional e normativo das práticas seguras na

alimentação fora do lar.

Figura 3 – Volume anual de atendimento do Pronto Socorro segundo diagnóstico (descrição) do Hospital HCor, dados epidemiológicos dos anos 2009 a 2013. Fonte: Banco de dados Hosix, HCor, 2009-2013.

Segurança alimentar e informação nutricional podem reduzir a intoxicação fora do lar

Rev Bras Nutr Clin 2016; 31 (2): 91-

Tabela 1 – Distribuição anual dos atendimentos do Pronto Socorro segundo diagnóstico (CID 10 - categoria) do Hospital do Coração, dados epidemioló- gicos dos anos 2009 a 2013.

Categoria

Ano Variação 2009 2010 2011 2012 2013 2013 (%) 2013-2009 (%) Dor torácica 3748 4307 4955 6211 6498 33,6 73 Hipertensão essencial 3125 3060 3282 2752 2471 12,8 -20, Traumas ortopédicos 1251 1632 1982 2602 2122 11 69, Anormalidades do batimento cardíaco, arritmia e fibrilação atrial

Insuficiência cardíaca 868 967 1036 1038 1052 5,5 21, Infecções respiratórias 622 781 841 996 1366 7,1 54, Cefaleia 510 603 790 963 987 5,1 93, Mal-estar, fadiga 541 809 1076 1140 947 4,9 75, Angina pectoris 822 829 852 946 926 4,8 12, Dor abdominal e pélvica 274 406 458 652 646 3,3 135, Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível

Total 13514 15419 17412 19718 19314 100 30, Fonte: Banco de dados Hosix, HCor, 2009-2013.

O material intitulado “Decálogo da alimentação segura” deve

ser informado aos pacientes e familiares, bem como ao público

leigo, visando à criação de uma base de indivíduos atentos e

conscientizados a avaliar, julgar e decidir por opções de alimentos

e instituições seguras na oferta de alimentos. De forma sequencial,

indivíduos com conhecimentos em alimentação segura podem

disseminar os conhecimentos, envolvendo de forma piramidal

outros indivíduos na prática correta da segurança alimentar.

Manual básico informativo de práticas seguras na

alimentação fora do lar: “Decálogo da Alimenta-

ção Segura”

  • Procure um estabelecimento limpo, e com demonstrações

objetivas de preocupação na higiene do ambiente e dos

funcionários, observe a movimentação dos funcionários

na reposição dos pratos expostos;

  • Atenção às preparações gastronômicas e culinárias com

alimentos que podem ser reaproveitados de um dia para

o outro;

  • Evite alimentos de origem animal que sejam apresentados

na forma crua, mesmo que sejam pratos culturais;

  • Verifique se os alimentos apresentados em buffets estão

adequadamente refrigerados. Existem legislações sobre

refrigeração e temperatura de alimentos em buffets;

  • Evite cremes e molhos para salada que não estejam sob

refrigeração. Observe as datas de validade dos produtos

industrializados e as etiquetas de fabricação nos alimentos

manipulados;

  • Observe se os alimentos quentes estão expostos por muito

tempo, evite aqueles que já estão mornos e deveriam ser

servidos quentes;

  • Fique atento às frituras e grelhados, sempre prefira os que

são produzidos segundo a necessidade da demanda e

dentro de boa visibilidade do cliente;

  • Evite sobremesas e bolos com recheios cremosos base-

ados em leite e ovos;

  • Prefira buffets com proteção aos alimentos expostos, como

vidros sobre o balcão self service.

  • Por fim, às vezes, o responsável pode ser você mesmo,

lave sempre as mãos antes das refeições!

RESULTADOS

Observando os dados da POF, é possível notar o aumento

de refeições fora do lar entre os anos de 2002-2003 para

2008-2009. E o maior aumento é na zona urbana e na

região Sudeste do Brasil.

Os dados epidemiológicos do CVE apontam o

crescimento no número de surtos e casos de diarreia.

De 2008 para 2010, a variação foi de 299% nos

casos de DTAs e de 319% nos de diarreia. No ano de

2011, aproximadamente 91% das DTAs ocasionaram

diarreia. E, no ano de 2012, esta porcentagem sobe

para 94%.

Dados epidemiológicos do HCor apontam o aumento de

123% nos diagnósticos e queixas de quadros gastrointesti-

nais, relacionados a infecções alimentares.