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Serviço social comtemporaneo, Trabalhos de Serviço Social

Trabalho sobre serviço social apresentado para Unopar

Tipologia: Trabalhos

2016

Compartilhado em 21/09/2022

Crisjoel
Crisjoel 🇧🇷

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2016
SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO
SERVIÇO SOCIAL
O TRABALHO PROFISSIONAL
INSTRUMENTAÇÃO PARA A INTERVENÇÃO
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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

SERVIÇO SOCIAL

O TRABALHO PROFISSIONAL

INSTRUMENTAÇÃO PARA A INTERVENÇÃO

O TRABALHO PROFISSIONAL

INSTRUMENTAÇÃO PARA A INTERVENÇÃO

Trabalho de Grupo apresentado à Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, como requisito parcial para a obtenção de média nas disciplinas Gestão Social, Serviço Social, Terceiro Setor e Oficina de Formação Pesquisa Social - TCC Professores: Maria Angela Santini, Clarice da Luz kernkamp, Maria Lucimar Pereira

INTRODUÇÃO

O objetivo desse trabalho é proporcionar ao discente a reflexão sobre o exercício profissional do assistente social no que se refere à gestão social a fim de aprofundar os elementos constituintes do 8°Semestre. A primeira vista, o tema instrumentalidade no exercício profissional do assistente social parece ser algo referente ao uso daqueles instrumentos necessários ao agir profissional, através dos quais os assistentes sociais podem efetivamente objetivar suas finalidades em resultados profissionais propriamente ditos. Porém, uma reflexão mais apurada sobre o termo instrumentalidade nos faria perceber que o sufixo “idade” tem a ver com a capacidade, qualidade ou propriedade de algo. Com isso podemos afirmar que a instrumentalidade no exercício profissional refere-se, não ao conjunto de instrumentos e técnicas (neste caso, a instrumentação técnica), mas a uma determinada capacidade ou propriedade constitutiva da profissão, construída e reconstruída no processo sócio histórico. Compreender as políticas sociais é fundamental para o profissional de serviço social, seu contexto histórico, suas influências e mudanças na realidade social. A Política Social está inserida no cenário político das lutas de classes, de reivindicações de trabalhadores, é dirigida prioritariamente à classe trabalhadora, mas não de forma exclusiva. Esse trabalho pretende analisar e refletir sobre essa política, suas conquistas, avanços e desafios diante das constantes mudanças históricas, econômicas e sociais ao longo do tempo. A análise será relacionada com o serviço social e a atuação profissional do assistente social com as políticas sociais, o trabalho desse profissional no processo de intervenção na realidade, suas ações e planejamentos como forma de intervir satisfatoriamente na luta dos direitos sociais.

DESENVOLVIMENTO

É essencial entender as Políticas Sociais como sendo um processo e resultado de lutas e relações conflituosas entre o Estado e a sociedade que reivindicou direitos de proteção social, direitos coletivos. O Estado capitalista é desigual em sua estrutura e não permitiu oportunidade e divisão de riquezas em igualdade. Foram criadas então as Políticas Sociais, para atender a uma camada da população que não participa do processo produtivo. No conjunto de sua funcionalidade ao modo capitalista de produção da vida social, as políticas sociais são apresentadas como ajuda, como preocupação do Estado com as desigualdades sociais. O estado tem uma função central na gestão e controle da classe trabalhadora. Compete ao estado garantir as condições necessárias para a manutenção do sistema. A expansão da política de assistência social vem demandando cada vez mais a inserção de assistentes sociais comprometidos (as) com a consolidação do Estado democrático dos direitos, a universalização da seguridade social e das políticas públicas e o fortalecimento dos espaços de controle social democrático. Isso requer o fortalecimento de uma intervenção profissional crítica, autônoma, ética e politicamente comprometida com a classe trabalhadora e com as organizações populares de defesa de direitos. Esses parâmetros têm como pressuposto que a definição de estratégias e procedimentos no exercício do trabalho deve ser prerrogativa dos assistentes sociais, de acordo com sua competência e autonomia profissional. Não se pode pensar o Serviço Social apenas como resultado da questão social e nem tampouco como uma profissão nascida das exigências e demandas próprias à ordem burguesa. Se faz necessário a leitura da profissão como inserida nas peculiaridades da sociedade burguesa consolidada na organização monopólica em que há na verdade uma correlação de forças que no início da profissão pouco se faz observar devido aos contexto sócio histórico e indicativos profissionais do período, mas que em seu desenvolvimento se fazem visíveis e indispensáveis para a construção profissional. Atualmente é fundamental que o profissional do Serviço Social seja crítico e questionador para que possa conhecer a realidade tal como ela realmente é, rompendo com a mera aparência. De posse desse conhecimento, o profissional

societárias mais amplas. O exercício profissional, expressão material e concreta do processo de trabalho do Assistente Social, explicita a natureza interventiva da profissão, cujo fim último é sempre a emancipação social dos sujeitos com quem atua. Para tanto, em cada ato profissional são mobilizados conhecimentos, saberes e práticas que, mediante uma ampla cadeia de mediações e do uso adequado de instrumentais de trabalho, visam a alcançar os resultados estabelecidos. Cada um desses momentos é saturado de determinações políticas, econômicas, históricas, culturais que estão presentes no atendimento demandado e nas respostas oferecidas, pautadas sempre em valores éticos que informam e conformam a prática do Serviço Social, emanando de nosso Projeto ético-político, como síntese que é do Código de Ética, aprovado pela Resolução do CFESS nº. 273/93, da Lei nº. 8662, de junho de 1993, que regulamenta o exercício profissional, bem como das diretrizes curriculares, aprovadas pelo Parecer CNE/CES nº. 492/91, de abril de 2001. Os instrumentos de gestão podem contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais no âmbito da Assistência Social, considerando que esses instrumentos podem favorecer a construção de planos de trabalho nas diferentes etapas da Política de Assistência Social. No entanto, o profissional deve estar aberto às possibilidades de incorporar os princípios da gestão no cotidiano. Mas, compreende-se que este processo de apropriação, perpassa pela necessária aquisição ou aperfeiçoamento de conhecimentos sobre os conceitos e princípios que fundamentam a gestão enquanto metodologia de realização do trabalho profissional, agregando-os enquanto recurso legal no desenvolvimento do trabalho. O processo de formulação e implementação das políticas sociais é uma dimensão privilegiada de atuação do assistente social e a instrumentação propositiva do profissional, fundamentada em princípios teóricos e práticos da gestão podem contribuir para o desenvolvimento técnico-operacional dos assistentes sociais inseridos no processo de formulação e implementação dos serviços públicos. Sob esta perspectiva, a apropriação dos instrumentos de gestão para a realização do trabalho profissional, no âmbito da Assistência Social, tornam- se estratégia e recurso legal no enfrentamento das demandas apresentadas ao assistente social, tanto pela população usuária dos serviços públicos como pelo Estado, enquanto instituição empregadora.

Reconhecer a instrumentalidade como mediação significa tomar o Serviço Social como totalidade constituída de múltiplas dimensões: técnico- instrumental, teórico-intelectual, ético-política e formativa (Guerra, 1997), e a instrumentalidade como uma particularidade e como tal, campo de mediações que porta a capacidade tanto de articular estas dimensões quanto de ser o conduto pelo qual as mesmas traduzem-se em respostas profissionais. No primeiro caso a instrumentalidade articula as dimensões da profissão e é a síntese das mesmas. No segundo, ela possibilita a passagem dos referenciais técnicos, teóricos, valorativos e políticos e sua concretização, de modo que estes se traduzam em ações profissionais, em estratégias políticas, em instrumentos técnico-operativos. Em outros termos, ela permite que os sujeitos, face a sua intencionalidade, invistam na criação e articulação dos meios e instrumentos necessários à consecução das suas finalidades profissionais. O trabalho do assistente social na Política de Assistência Social, como em qualquer outra área, demanda competências e habilidades para construir planos de trabalho condizentes com as demandas emergentes no cotidiano profissional. Os instrumentos de gestão podem contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais, ponderando que estes instrumentos favorecem a construção de planos de trabalho nas diferentes etapas de operacionalização e implementação da Política de Assistência Social. Entretanto, o profissional deve estar aberto a incorporar os princípios da gestão no cotidiano de trabalho. Visando assim, contribuir para a construção de um novo perfil profissional, capaz de responder conscientemente as demandas emergentes na sociedade, através do exercício profissional propositivo pautado em ações previamente planejada, fundada no conhecimento e domínio dos princípios de gestão, bem como sobre as dimensões teórico-prático postulados pelo Serviço Social e que fundamentam o exercício profissional. Sendo o Serviço Social uma profissão inscrita na divisão social do trabalho, todo e qualquer novo contexto do mundo do trabalho repercute diretamente no exercício profissional, seja pela ampliação da demanda, seja pela redução dos recursos destinados ao exercício dessa profissão. Com as mudanças no mundo do trabalho o assistente social, como qualquer outro trabalhador que vende sua força de trabalho, fica a mercê das novas regras e impactos que recaem sobre as formas de inserção e de permanência em

CONCLUSÃO

Podemos concluir que “novas possibilidades de trabalho se apresentam e necessitam ser apropriadas, decifradas e desenvolvidas; se os assistentes sociais não o fizerem, outros o farão absorvendo progressivamente espaços ocupacionais até então a eles reservados” (IAMAMOTO, 2001, p. 48). A responsabilidade da compreensão e, mesmo, do enfrentamento desse contexto desafiante do qual os assistentes sociais vivenciam deve partir de uma ação coletiva do conjunto da categoria. Ao compreendermos que o Serviço Social é uma profissão historicamente constituída, percebemos também que ela é mutável e, portanto, suas determinações estão dadas na realidade. Sendo assim, o aprofundamento das expressões da questão social tem colocado novas demandas para o Serviço Social e consequentemente novos espaços sócio ocupacionais estão surgindo. Estes espaços já são pré-definidos pela Lei de Regulamentação da Profissão (8.662 de 7 de junho de 1993) que prevê em seu artigo 4º o exercício profissional do assistente social em “entidades e organizações populares”, “em órgãos de administração pública direta e indireta”, “aos movimentos sociais” e “outras entidades”. No entanto, é preciso ainda entendermos e analisarmos esses novos espaços, a sua representatividade, suas condições de trabalho, os interesses que permeiam a reprodução das relações sociais e até mesmo de que forma esses novos espaços oportunizam um exercício profissional tendo em vista o Código de Ética da Profissão. Este que preconiza a liberdade como valor ético central e o compromisso com autonomia e valores emancipatórios dos indivíduos. A própria compreensão da função do assistente social nesses novos espaços já se configura como um desafio para a profissão, de forma que os mesmos sejam conscientemente ocupados e sirvam de instrumentos de consolidação dos princípios de ética profissional e de superação da ordem social do capital. A intervenção engloba também o campo das habilidades profissionais. Essas habilidades são percebidas no modo e na direção que o assistente social dá ao seu exercício profissional. A postura assumida revela inclusive a compreensão acerca do protagonismo do usuário no trato interventivo. Reconhecer esse protagonismo pode ser uma via de superação do paternalismo que ainda se faz presente no exercício profissional de parcela dos assistentes sociais,

como se os usuários precisassem ser ouvidos somente por suas queixas e não por sua capacidade e autonomia de decisão. Garantir condições de expressão aos usuários significa também defender seus interesses, explicitar seu projeto societário, a sua auto percepção acerca de suas condições objetivas de vida e de sua própria concepção de mundo. O reconhecimento dos resultados do trabalho interventivo é visível quando o assistente social analisa tanto as condições objetivas de vida do usuário, como os impactos deste na qualidade de vida do usuário. Esse conjunto de elementos e características do processo interventivo reforça a visão de que o exercício profissional não é auto explicável ou ainda auto referenciado, ou seja, “adquire seu sentido, descobre suas alternativas na história da sociedade da qual é parte”. (IAMAMOTO, 1992, p. 120). O assistente social atua nessa correlação de forças: a organização determina o seu fazer e o profissional entende que pode exercer suas ações tomando também como referência o projeto da profissão. Ao colocar em movimentos seus saberes na realização do exercício profissional, o assistente social identifica o quanto é heterogêneo seu campo de trabalho, bem como as atividades que realiza. O campo da prestação de serviços requer do profissional que ele reconheça o lugar que ocupa no espaço sócio organizacional. Esse posicionamento requer dele uma competência política, na defesa de ideias e ações que de fato favoreçam a construção de um projeto societário democrático.

NETTO, José Paulo. Capitalismo monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez,

________. “Razão, Ontologia e Práxis”. In: Serviço Social e Sociedade n. 44, ANO XV. São Paulo: Cortez, 1994. ________. “Para a crítica da vida cotidiana”. In: Netto e Falcão. Cotidiano: conhecimento e crítica. São Paulo: Cortez, 1987. COSTA, M. D. H. da. O trabalho nos serviços de saúde e a inserção dos (as) assistentes sociais; Revista Serviço Social e Sociedade, São Paulo: Cortez, n. 62, p. 35 – 72, 2000. GUERRA, Y. A instrumentalidade do Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1995. IAMAMOTO, M. V. & CARVALHO, R. Relações sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1983.