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Prova 1 volume 3 2022 , linguagens e ciências humanas - Bernoulli 2022
Tipologia: Provas
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People worldwide are living longer. Today most people can expect to live into their sixties and beyond. Every country in the world is experiencing growth in both the size and the proportion of older persons in the population. By 2030, 1 in 6 people in the world will be aged 60 years or over. At this time the share of the population aged 60 years and over will increase from 1 billion in 2020 to 1.4 billion. By 2050, the world’s population of people aged 60 years and older will double (2.1 billion). The number of persons aged 80 years or older is expected to triple between 2020 and 2050 to reach 426 million. While this shift in distribution of a country’s population towards older ages – known as population ageing – started in high-income countries (for example in Japan 30% of the population is already over 60 years old), it is now low- and middle-income countries that are experiencing the greatest change. By 2050, two-thirds of the world’s population over 60 years will live in low- and middle-income countries. Disponível em: . Acesso em: 6 jun. 2022 [Fragmento] O texto da Organização Mundial da Saúde, que aborda questões referentes ao envelhecimento, prevê que A. o número de octogenários passará de meio bilhão de pessoas nos próximos 30 anos. B. a maior parte das pessoas não viverá além dos 60 anos nos países de baixa renda. C. o envelhecimento mais pronunciado ocorrerá em populações de países de renda alta. D. os países de média ou baixa renda abrigarão dois terços dos sexagenários em 2050. E. um terço da população mundial terá sessenta anos ou mais por volta de 2030. Alternativa D Resolução: A) Incorreta. O número de octogenários crescerá, mas não passará de meio bilhão de pessoas nos próximos 30 anos: The number of persons aged 80 years or older is expected to triple between 2020 and 2050 to reach 426 million. B) Incorreta. Todos os países do mundo apresentam crescimento na quantidade de pessoas acima dos 60 anos. Até 2050, 2/3 da população mundial acima dessa faixa etária estará nos países de baixa e média renda: Every country in the world is experiencing growth in both the size and the proportion of older persons in the population. […] By 2050, two-thirds of the world’s population over 60 years will live in low- and middle-income countries. C) Incorreta. Como já dito, as pessoas estão vivendo mais em todos os países do mundo.
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D) Correta. A alternativa encontra respaldo no seguinte trecho do texto: By 2050, two-thirds of the world’s population over 60 years will live in low- and middle-income countries. E) Incorreta. Por volta de 2030 um sexto – e não um terço – da população terá 60 anos ou mais: By 2030, 1 in 6 people in the world will be aged 60 years or over.
QUESTÃO 02 Back To You You could break my heart in two But when it heals, it beats for you I know it’s forward, but it’s true
I wanna hold you when I’m not supposed to When I’m lying close to someone else You’re stuck in my head And I can’t get you out of it If I could do it all again I know I’d go back to you
You know my thoughts are running loose It’s just a thing you make me do And I could fight, but what’s the use? I know I’d go back to you GOMEZ, S. Disponível em: . Acesso em: 22 maio 2022. [Fragmento] Na letra da canção, a expressão I’m not supposed to é empregada para evidenciar que o eu lírico A. pretende dar fim a um relacionamento infeliz. B. arrepende-se de ter reatado o romance com seu ex. C. enfrenta dificuldades para esquecer o antigo parceiro. D. está se envolvendo com alguém que pode lhe fazer mal. E. reconhece que é errado enganar o parceiro atual. Alternativa C Resolução: A construção be supposed to é usada para referir-se a algo que deve ser feito. Na letra da música, o eu lírico queixa-se de querer abraçar alguém quando não deveria ( not supposed to ) fazer isso. Ele acrescenta que a pessoa não sai de sua cabeça. Ao longo da canção, várias menções são feitas à impossibilidade de deixar o relacionamento com essa pessoa no passado e seguir em frente. Logo, a alternativa C é a que expressa corretamente os sentimentos do eu lírico. As demais alternativas estão incorretas porque: A) O relacionamento já terminou, mas o eu lírico não consegue esquecer o parceiro. B) O eu lírico não reatou o romance, mas demonstra que ainda nutre sentimentos pelo ex-parceiro. D) A pessoa que pode machucá-la é o ex-parceiro. E) O eu lírico não chega a reconhecer que é errado enganar o parceiro atual. Admite apenas que, mesmo quando está com alguém diferente, continua pensando no relacionamento anterior.
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B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O EM 2ª SÉRIE – VOL. 3 – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 1
O comércio frequentemente recorre à criatividade para atrair novos clientes. Para atingir esse objetivo, o projeto divulgado no anúncio pretende A. surpreender os clientes com um exemplar misterioso. B. organizar um clube de leitura exclusivo para membros. C. ajudar deficientes visuais a manter contato com a literatura. D. promover o encontro de pessoas com o mesmo gosto literário. E. estimular a troca de recomendações de livros entre os clientes. Alternativa A Resolução: A proposta do Blind Date with a Book é promover um encontro às cegas entre leitores e obras literárias que eles provavelmente não conhecem, já que o livro está embalado de modo a não ser possível ver o título: We wrap a book in brown paper, and paste on a bullet-pointed “dating profile” indicating some key features you can match to your taste. [...] How do I know which book is inside? You don’t! That’s the fun. You’ll just have to read it and find out. A alternativa correta é, portanto, a A.
B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O EM 2ª SÉRIE – VOL. 3 – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 3
El fin específico de la educación es la perfección de las potencias humanas. El ser humano viene al mundo con increíbles capacidades que lo diferencian claramente del resto de los seres vivos. Puede comprender los misterios de la física, de organizarse en estructuras políticas, elegir libremente por medio de la voluntad. Es capaz de soñar y realizar grandes proyectos. Pero para que esto suceda los niños y jóvenes deben recibir educación de calidad, que tenga al alumno como centro y le permita desarrollar plenamente sus potencialidades. Más allá de las modalidades y niveles, la educación es una sola y tiene la potencia de ser transformadora. Es el resultado de un proceso, que tiene como fin la plenitud del ser humano; plenitud plasmada en el logro de un proyecto de vida. Esto se relaciona con el liderazgo sobre sí mismo, con la capacidad de que los alumnos puedan ver sus fortalezas, debilidades, introyectar valores y lograr el autoconocimiento a través de procesos de introspección y gestión de las emociones. KLOSTER, E. Disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2022. [Fragmento] O texto anterior, uma carta de uma leitora a um jornal argentino, tem o objetivo de A. reivindicar uma educação de qualidade para crianças e adolescentes. B. criticar o projeto educacional proposto por autoridades governamentais. C. esclarecer que o processo educativo é amplo e precisa fomentar a mudança. D. diferenciar a educação para a vida da educação para o mundo do trabalho. E. definir as etapas educativas que podem promover a autonomia dos estudantes. Alternativa C Resolução: Segundo a carta da leitora publicada no jornal La Nación , a educação tem o objetivo de aperfeiçoar as potências humanas, sendo o resultado de um processo que almeja a transformação e a plenitude do ser humano concretizada em um projeto de vida, e não apenas a soma de ensinamentos ministrados em instituições escolares. Nesse sentido, o objetivo do texto é esclarecer o que é a educação, de acordo com a perspectiva da leitora, deixando claro que se trata de um processo amplo ( Más allá de las modalidades y niveles ) e que deve fomentar a mudança ( tiene la potencia de ser transformadora ). Portanto, está correta a alternativa C. A alternativa A está incorreta porque, na carta, não é feita uma reivindicação, mas a explicação de uma ideia.
Nos encontramos en tiempos preocupantes. La crisis climática, las ostensibles desigualdades, los conflictos sangrientos, las transgresiones de los derechos humanos y la devastación individual y económica que ha traído consigo la pandemia de covid-19 han creado en nuestro mundo más tensiones de las que he visto en toda mi vida.
Sin embargo, la amenaza existencial que ensombreció la primera mitad de mi vida ya no recibe la atención que debería. Las armas nucleares han desaparecido de los titulares y de los guiones de Hollywood, aunque el peligro que representan es tan grande como siempre y crece año tras año. No hace falta más que un malentendido o un error de cálculo para desencadenar el exterminio nuclear – una espada de Damocles que conllevaría no solo muerte y sufrimiento a una escala horrorosa, sino el final de la vida en la Tierra.
GUTERRES, A. Disponível em: . Acesso em: 17 jun. 2022. [Fragmento]
Segundo António Guterres, a humanidade atravessa um tempo inquietante. Nesse contexto, o termo ensombreció está ligado
A. aos problemas políticos e sociais da atualidade.
B. às tensões que a vida moderna pode ocasionar.
C. à insegurança humana devido às desigualdades.
D. ao risco das armas nucleares para as sociedades.
E. à especulação sobre o fim do mundo e dos humanos.
Alternativa D
Resolução: No texto de António Guterres, é utilizado o termo ensombreció para se referir a algo que cobriu de sombras, que tornou sombria a primeira metade da vida do autor ( la amenaza existencial que ensombreció la primera mitad de mi vida ). Essa ameaça, de acordo com Guterres, relaciona-se às armas nucleares, nas quais se falava muito quando ele era jovem, mas atualmente, apesar de serem um perigo, não recebem a atenção que merecem ( ya no recibe la atención que debería. Las armas nucleares han desaparecido de los titulares y de los guiones de Hollywood, aunque el peligro que representan es tan grande ). Portanto, está correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque não se trata de problemas políticos e sociais inespecíficos. As alternativas B e C estão incorretas porque, embora as armas nucleares gerem tensão ou insegurança nas comunidades, o termo não está relacionado às tensões da vida moderna ou à insegurança pelas desigualdades. A alternativa E está incorreta porque, ainda que as armas nucleares possam causar um extermínio, o vocábulo ensombreció não alude a uma especulação sobre o fim do mundo e dos humanos.
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LCT – PROVA I – PÁGINA 4 EM 2ª SÉRIE – VOL. 3 – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
O cartunista El Roto, por meio de sua obra, expressa uma visão crítica das questões sociais. No cartum anterior, sua análise reflete sobre a
A. ansiedade vivenciada pelas pessoas atualmente.
B. divergência de opinião entre as diferentes gerações.
C. dificuldade de se aceitar as transformações históricas.
D. demora nas mudanças relativas à igualdade de gênero.
E. falta de empatia com as demandas das pessoas idosas.
Alternativa D
Resolução: No cartum em análise, um homem pede a uma mulher que tenha paciência, pois as coisas estão melhorando, afirmando que é somente questão de séculos. Além do texto, a imagem (a mulher ilustrada em um nível abaixo do homem; ela com uma roupa que remete a um vestuário de séculos passados, e ele com um terno remetendo à modernidade) contribui para o entendimento de que existe uma demora nas mudanças referentes à igualdade de gênero. Portanto, está correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque a personagem feminina não demonstra ansiedade, já que está esperando por mudanças há séculos. A alternativa B está incorreta porque não é demonstrada divergência de opinião, já que apenas o homem expressa seu pensamento no texto. A alternativa C está incorreta porque o texto revela haver poucas transformações históricas relacionadas à questão de gênero. A alternativa E está incorreta porque, embora a perspectiva do tempo esteja colocada no texto, não se aborda a falta de empatia com as pessoas idosas (as duas personagens aparentam ser mais velhas).
QUESTÃO 05
Disponível em: . Acesso em: 07 set. 2017.
Nesse grafite do Acción Poética, grupo dedicado a realizar intervenções artísticas no espaço urbano, a construção de sentido do jogo de palavras presente na frase ocorre por meio da
A. contraposição de ideias.
B. confirmação da hipótese inicial.
C. comparação entre os discursos.
D. manutenção do enigma.
E. reprovação implícita ao interlocutor.
Alternativa A
Resolução: A construção de sentido na frase ocorre por meio da contraposição de ideias, como propõe a alternativa A. O verbo gustar é central na construção do jogo de palavras. O autor ou autora da frase diz a seu interlocutor que não pensa em revelar de quem gosta, porém, ao usar a estrutura me gustas , que faz referência ao sujeito de segunda pessoa ( tú ), o autor ou autora da frase revela que gosta do próprio interlocutor. Portanto, está correta a alternativa A. As demais alternativas estão incorretas porque a frase não expressa confirmação (B), comparação (C), manutenção (D) ou reprovação (E.)
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LCT – PROVA I – PÁGINA 6 EM 2ª SÉRIE – VOL. 3 – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
A banda Blitz mudou a história da música brasileira. E como se isso fosse pouco, o grupo dos vocalistas Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e Márcia Bulcão também inaugurou uma nova era no entretenimento do país. Sem a Blitz, a década de 1980 seria bem diferente. Os elementos já estavam no ar. Além do próprio grupo de teatro que funcionou como base para a banda – Asdrúbal Trouxe o Trombone, que, além de Evandro e do guitarrista Ricardo Barreto, também revelaria nomes como Luís Fernando Guimarães, Regina Casé e Patrícia Travassos –, outros artistas já carregavam características que transformaram a Blitz em um sucesso. Tanto a Gang 90, de Júlio Barroso, quanto o Grupo Rumo ou a ópera pop Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé, já flertavam com a colisão entre o pop e linguagens de vanguarda, misturando referências como quadrinhos, música erudita e vocais falados e cantados tanto por homens quanto mulheres. Mas a Blitz carregava o espírito de uma época específica – a do Rio de Janeiro do início dos anos 1980. MATIAS, A. Pop, teatro e quadrinhos : como a Blitz redefiniu a estética da música nos anos 1980. Disponível em: . Acesso em: 17 jun. 2022. [Fragmento adaptado]
No artigo de opinião, o diálogo estabelecido entre a Blitz e os diferentes grupos artísticos dos anos 1980 tem como objetivo comunicativo A. dissertar sobre a cultura da época. B. contrastar as produções do período. C. defender as linguagens de vanguarda. D. convencer sobre a relevância da banda. E. explicar o espírito da cidade do carioca. Aternativa D Resolução: A alternativa correta é a D, pois, ao estabelecer um diálogo com os grupos citados, o autor demonstra, por um lado, que alguns integrantes da banda participavam de um importante grupo de teatro e, por outro, que a Blitz estava inserida em um contexto de efervescência cultural, do qual era expoente. Estes são, por sua vez, argumentos utilizados para convencer o leitor da tese defendida: a relevância da banda no início da década de
QUESTÃO 07 Os alienados foram alojados por classes. Fez-se uma galeria de modestos; isto é, os loucos em que predominava esta perfeição moral; outra de tolerantes, outra de verídicos, outra de símplices, outra de leais, outra de magnânimos, outra de sinceros etc.
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Naturalmente as famílias e os amigos dos reclusos bradavam contra a teoria; e alguns tentaram compelir a câmara a cassar a licença. A câmara, porém, não esquecera a linguagem do vereador Galvão, e, se cassasse a licença, vê-lo-ia na rua e restituído ao lugar; pelo que, recusou. Simão Bacamarte oficiou aos vereadores, não agradecendo, mas felicitando-os por esse ato de vingança pessoal. ASSIS, M. O Alienista. São Paulo: Ciranda Cultural, 2009. [Fragmento]
O Alienista é uma das grandes obras de Machado de Assis, autor reconhecido pela expressividade no Realismo brasileiro. No fragmento, tais características se justificam, uma vez que está presente a A. exaltação às regras do Estado. B. defesa da vingança na política. C. crítica às hierarquizações sociais. D. representação da população iletrada. E. discussão sobre a situação manicomial. Alternativa C Resolução: A alternativa C é a correta, pois, por meio da descrição irônica das classes de internos na “casa de alienados” (manicômio) de Simão Bacamarte, há uma crítica às hierarquias sociais criadas até mesmo no espaço de tratamento mental. Essas classes são baseadas nos mais altos valores morais, enquanto na esfera política há a presença de comportamentos corruptíveis e vingativos. A alternativa A é incorreta, pois não há exaltação, mas crítica, ao Estado e às instituições. A alternativa B é incorreta, pois não há uma defesa da vingança na política, uma vez que o ponto de vista de Simão Bacamarte nos é apresentado de forma irônica, e não como se fosse moralmente correto. A alternativa D é incorreta, pois a população, no fragmento, não é definida a partir do letramento, mas do comportamento: os modestos, os moralmente perfeitos, os tolerantes, os magnânimos e os sinceros. A alternativa E é incorreta, pois não há uma discussão dissertativa acerca da situação dos manicômios em geral.
QUESTÃO 08 A chegada do VAR foi cercada de expectativas de justiça no futebol. Finalmente, acreditaram muitos, o jogo ganharia sua merecida dimensão de igualdade, de isonomia, de equilíbrio. O VAR foi coberto com a roupagem de um Deus. Mas o VAR não é um Deus, nem mesmo um rei. O VAR são pessoas. Uma tecnologia operada por aquela personagem futebolística que todos detestam: o juiz. O que poderia dar errado, não é mesmo? Bem, tudo. E é o que temos visto acontecer. Isso significa que o VAR deva morrer? Não. Significa apenas que, como qualquer outra tecnologia, precisaremos saber como usar o VAR. Um martelo, por exemplo, é uma tecnologia que pode, como diz o linguista Noam Chomsky, destruir um crânio e construir uma casa. O que faremos com ele? LACOMBE, M. Como o VAR aumenta a sensação de injustiça e frustração no futebol. Disponível em: . Acesso em: 17 jun. 2022. [Fragmento]
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B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O EM 2ª SÉRIE – VOL. 3 – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 7
A alternativa B é incorreta, pois o poema descreve o mundo onírico, sem, no entanto, focar um sofrimento do eu lírico. A alternativa D é incorreta, pois não é um poema cristão, mas místico, esotérico. A alternativa E é incorreta, pois, embora existam elementos de personificação da natureza, com “Astros” cantando, “Sóis” e “Estrelas” fecundando, não há a personificação das emoções. Além disso, não é possível identificar no poema o retorno de referências mitológicas da Antiguidade. O uso de letra maiúscula, em determinados momentos, foi uma escolha estilística – que remonta ao Classicismo, como também demonstra a menção à Hélade (Grécia).
QUESTÃO 11
MUNCH, E. Melancolia. 1896. Disponível em: . Acesso em: 24 maio 2022. A obra “Melancolia”, de Edvard Munch, se relaciona com o Simbolismo, pois tem como uma de suas características a A. tradução da musicalidade nas artes plásticas. B. expressão da vida exterior do sujeito moderno. C. utilização de imagens para evocar uma emoção. D. comparação da figura do artista com o escultor. E. promoção do ideal artístico científico-materialista. Alternativa C Resolução: A alternativa correta é a C. Por meio de sua pintura, Edvard Munch utiliza imagens que evocam a melancolia, como o personagem em destaque, que aparece em posição contemplativa com a mão sustentando o rosto. Essa representação do sujeito melancólico também mostra uma referência à imagem de mesmo título, de Albrecht Dürer. Além disso, observa-se ao fundo pessoas que estão em um píer, distanciadas desse sujeito melancólico, marcando o sentimento de solidão que a melancolia provoca nas pessoas. A alternativa A é incorreta, pois, embora a musicalidade seja um recurso presente na poesia simbolista, ela não está expressa na obra de Munch. A alternativa B é incorreta, porque tanto o título da pintura quanto a imagem apresentada expressam a condição subjetiva do indivíduo retratado no quadro e não dizem respeito, necessariamente, ao sujeito moderno em geral. A alternativa D é incorreta, pois a associação do trabalho do artista ao escultor é uma característica presente na estética parnasiana. Além disso, não se observa no quadro essa relação. Por fim, a alternativa E é incorreta porque um dos ideais defendidos pelo Simbolismo foi a negação da arte científico-materialista.
QUESTÃO 12 Se você recebeu uma mensagem com promessa de emprego remoto e com alta remuneração diária, tome cuidado: provavelmente é uma tentativa de golpe. Há casos em que o esquema é relativamente simples.
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O golpista entra em contato anunciando a seleção para uma vaga, mas pede um pagamento, supostamente para a realização de um exame admissional ou de um curso necessário para o trabalho. Disponível em: . Acesso em: 30 maio 2022. [Fragmento] O fragmento fala sobre um tipo de anúncio que tem chegado ao celular de muitos brasileiros. Com isso, o texto cumpre o objetivo comunicativo de A. criticar os anúncios de vagas de trabalho remoto. B. denunciar uma nova prática de crime cibernético. C. ironizar a simplicidade do esquema de empregos. D. analisar a alta remuneração apresentada na oferta. E. avaliar a exigência de pagar o exame de admissão. Alternativa B Resolução: O texto chama a atenção para uma prática comum no Brasil: o envio de uma mensagem de texto com oferta de emprego em regime remoto, com promessa de alta remuneração. Em seguida, o fragmento apresenta o funcionamento do golpe após a pessoa responder à mensagem recebida. Desse modo, o texto denuncia essa prática de crime virtual, sendo correta a alternativa B. A alternativa A é incorreta, pois o fragmento não faz uma crítica às ofertas de emprego de trabalho em regime remoto. Há apenas o comentário sobre os golpes que anunciam falsas oportunidades para esse regime de trabalho. A alternativa C é incorreta porque a descrição sobre as promessas de emprego não apresenta ironia nem questiona a simplicidade do esquema de trabalho oferecido. A alternativa D é incorreta, pois o comentário sobre a remuneração é apresentado apenas para contextualizar a situação descrita. Finalmente, é incorreta a alternativa E. No fragmento, a menção ao exame admissional indica que ele serve como uma desculpa para os golpistas roubarem dinheiro das vítimas, contudo, não há no texto uma crítica à exigência desse pagamento. QUESTÃO 13 João da Mata era um sujeito esgrouvinhado, esguio e alto, carão magro de tísico, com uma cor hepática denunciando vícios de sangue, pouco cabelo, óculos escuros através dos quais buliam dois olhos miúdos e vesgos. Usava pera e bigode ralo caindo sobre os beiços tesos como fios de arame; a testa ampla confundia-se com a meia calva reluzente. Falava depressa, com um sotaque abemolado, gesticulando bruscamente, e, quando ria, punha em evidência a medonha dentuça postiça. CAMINHA, A. A normalista. São Paulo: Martin Claret, 2007. [Fragmento adaptado] Pera: barba cultivada abaixo do ponto central do lábio inferior. Abemolado: voz baixa, doce e suave. Publicado em 1893, o romance A normalista , de Adolfo Caminha, é marcado pelas ideias do Naturalismo. No fragmento anterior, a característica que remete a esse movimento literário é a A. descrição subjetiva da personagem. B. construção idealizada de João da Mata. C. adoção de linguagem simples e exagerada. D. utilização do cientificismo na caracterização. E. exibição do caráter instintivo em função do meio.
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B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O EM 2ª SÉRIE – VOL. 3 – 2022 LCT – PROVA I – PÁGINA 9
Alternativa C
Resolução: Na maior parte do texto, o narrador descreve João da Mata com uma linguagem simples, sem os rodeios típicos do Romantismo. Além disso, a personagem também é descrita a partir de alguns exageros. Sua face, por exemplo, é apresentada como “carão magro de tísico, com uma cor hepática denunciando vícios de sangue”. A sua fala é descrita como ligeira, e o sotaque, delicado, em contraste com os gestos bruscos e a risada que expunha o uso de prótese dentária. Tudo isso, em conjunto, cria um perfil exagerado de João da Mata, o que torna a alternativa C correta. A alternativa A é incorreta porque a subjetividade não é um traço característico do Naturalismo. Além disso, no texto, há apenas a descrição física da personagem. O fragmento tampouco oferece uma apresentação idealizada de João da Mata. O narrador parte da apresentação das características físicas de João da Mata para acentuá-las, compondo uma espécie de caricatura da personagem, o que torna incorreta a alternativa B. A alternativa D é incorreta, pois, embora o cientificismo seja um dos elementos que ajudaram a compor a estética naturalista, não há no fragmento nenhuma referência científica na caracterização da personagem. Por fim, a alternativa E também é incorreta, porque, mesmo que o determinismo do meio sobre os indivíduos seja uma característica do Naturalismo, ela também não está presente no fragmento em questão.
QUESTÃO 14
DAHMER, A. Disponível em: . Acesso em: 20 ago. 2019.
No terceiro quadrinho da tira, a oração se inicia com um termo cujo valor semântico é de
A. concessão, tendo em vista a exclusão do computador, pelo homem, como instrumento de escrita.
B. adição, pois se acrescenta uma nova informação a respeito da escrita da personagem.
C. explicação, pois a personagem detalha o que não a faz utilizar computador.
D. condição, pelo fato de o sangue constituir-se única possibilidade para o registro.
E. contraste, já que escrever e digitar são formas opostas de se produzir um texto.
Alternativa C
Resolução : A tirinha de Dahmer constrói-se sobre um diálogo no qual o indivíduo afirma que escreverá a história da humanidade, mas sua mesa contém apenas um lápis e uma folha de papel. Quando questionado sobre a não utilização de um computador por sua interlocutora, a personagem explica-lhe, por um processo de detalhamento sobre sua ação de escrever, que o fará com sangue. Logo, está correta a alternativa C.
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A alternativa A está incorreta, pois a concessão é uma exceção a determinada regra, o que não acontece na tirinha, uma vez que o homem menciona a história da humanidade, não vários episódios de diversas histórias e, por isso, não utilizará diferentes instrumentos. A alternativa B está incorreta, pois o detalhamento é dado sobre a mesma ação mencionada na primeira fala do indivíduo, no primeiro quadrinho – não há um acréscimo de informação sobre a escrita, mas um detalhamento sobre como esta será. A alternativa D está incorreta, pois a personagem não condiciona o uso de sangue à sua escrita, ou vice-versa. A alternativa E está incorreta, pois no primeiro quadrinho o locutor não menciona uma forma oposta ao sangue – ele apenas não dá essa informação, que é explicada quando sua interlocutora o questiona sobre seu instrumento de trabalho.
QUESTÃO 15
HENFIL. Disponível em: . Acesso em: 16 maio
A charge tem a crítica centrada numa quebra de expectativa revelada pela descoberta do “inimigo”, o que ocorre linguisticamente por meio do(a) A. concordância do verbo “ser”. B. plural do vocativo “rapazes”. C. duplo sentido do verbo “achei”. D. uso do sujeito desinencial para “achei”. E. pontuação reticente sobre a descoberta. Alternativa A Resolução: A norma-padrão da Língua Portuguesa determina que “o verbo ser concorda com o pronome pessoal, seja este sujeito ou predicativo”. Logo, a concordância do verbo “ser” resulta em quebra de expectativa do leitor e dos outros soldados, personagens charge. Portanto, está correta a alternativa A. A alternativa B está incorreta, pois o plural do vocativo “rapazes” evidencia o aspecto não verbal da charge de modo coerente. A alternativa C está incorreta, pois o outro sentido do verbo “achar” (acreditar) não pode ser inferido – apenas “encontrar” é compreendido no contexto da charge. A alternativa D está incorreta, pois o sujeito desinencial “eu” fica evidente pelo aspecto não verbal, que explicita o soldado emissor da comunicação. A alternativa E está incorreta, pois as reticências têm como efeito de sentido apenas o tom reflexivo sobre a constatação do emissor acerca da situação.
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LCT – PROVA I – PÁGINA 10 EM 2ª SÉRIE – VOL. 3 – 2022 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
O fragmento do poema de Alphonsus de Guimaraens ilustra como o Simbolismo, movimento literário do qual o poeta faz parte, se opôs ao cientificismo realista vigente no período, dando ênfase a uma figura feminina
A. caracterizada pelo sofrimento eterno.
B. ligada à pureza da religiosidade cristã.
C. representada como donzela inatingível. D. restrita ao espaço subjetivo dos sonhos.
E. protegida por escudeiros misericordiosos.
Alternativa B
Resolução: A alternativa B é a correta, pois o poema tematiza a vida de Maria, figura bíblica de grande relevância, sendo a representação da pureza e objeto de fé e exaltação por parte do eu lírico. A alternativa A é incorreta, pois o poema não tematiza o sofrimento, mas a vida misericordiosa de Maria. A alternativa C é incorreta, pois Maria não é comparada a uma donzela, mas a uma deusa e uma rainha. A alternativa D é incorreta, pois, no poema, Maria pertence ao imaginário da religiosidade, e não ao espaço onírico. A alternativa E é incorreta, pois a figura feminina não é apresentada a partir da proteção dos escudeiros.
QUESTÃO 20 Poros Pequenos. Pequenininhos. Pequenininhos Poros praticamente invisíveis. Resultado garantido. Após a redução instantânea dos poros, graças a efeitos ópticos, sua preocupação com poros dilatados irá praticamente desaparecer em apenas duas semanas. Sol, envelhecimento, obesidade, genética, hormônios podem danificar e alargar a estrutura dos poros.
Seja qual for a causa, o nosso novo oil-free elimina suavemente as impurezas e células mortas, ao mesmo tempo em que fortalece a estrutura da pele para que as células fiquem mais saudáveis. Os poros voltam então a entrar em forma. Em apenas duas semanas, veja 58% de redução dos poros.
Disponível em: . Acesso em: 29 fev. 2012.
No anúncio, o recurso que explicita o efeito e a eficácia do produto é a
A. utilização da frase “os poros voltam a entrar em forma”.
B. menção ao fato de o produto ser oil-free. C. sequência inicial de palavras cujo tamanho se reduz gradativamente.
D. garantia de redução dos poros em duas semanas.
E. informação de que o produto fortalece também a estrutura da pele.
Alternativa C
Resolução: O produto promovido promete a redução de poros cutâneos. Assim, o recurso utilizado pela publicidade é reduzir gradativamente a fonte com que a palavra “pequenos” aparece, derivando-a em seu diminutivo, na medida em que também perde a “força” de sua cor, transformando-se de um preto forte, em negrito, a um cinza-claro – resultado do “enfraquecimento” do preto por sua diluição com o branco. Dessa maneira, está correta a alternativa C.
UM9H
Pequenos. Pequenininhos. PequenininhosPequenininhos.Pequenininhos
A frase “os poros voltam a entrar em forma”, apesar do sentido conotativo que pode atribuir à publicidade, não é um recurso que apresenta o efeito e a eficácia do produto, mas apenas uma informação sobre os efeitos deste. Logo, a alternativa A está incorreta. A informação sobre a composição não oleosa do produto não é um recurso que explicita seu efeito e eficácia, mas os elementos que o compõem. Portanto, está incorreta a alternativa B. Garantir o resultado pelo uso do produto não pode ser considerado um recurso evidenciador de efeito e eficácia, uma vez que apenas reforça o efeito. Assim, está incorreta a alternativa D. A informação de que o produto fortalece também a estrutura da pele é um efeito além do efeito primeiro do produto, não sendo, desse modo, um recurso que explicite seu efeito e sua eficácia, o que torna a alternativa E incorreta.
QUESTÃO 21
SAMUCA. Disponível em: . Acesso em: 11 fev. 2015. Com base na relação crítica entre o vestido da professora e a pirâmide social apresentados na charge, a educação no Brasil apresenta-se como um(a) A. elemento praticamente prescindível para a sociedade. B. estrato social de mesma relevância que os demais. C. item supervalorizado na sociedade brasileira. D. reconhecimento do valor do ser humano. E. relação aleatória entre as classes sociais. Alternativa A Resolução: Por meio da identificação entre a estampa do vestido da professora e o hachurado na pirâmide, critica-se como os profissionais de educação são desvalorizados, enquadrando-se no estrato mais baixo das classes sociais. Logo, o texto demonstra o apreço que a sociedade dá à educação, tratando-a como dispensável e sem importância. Assim, a alternativa correta é a A. A alternativa B é incorreta, pois a relação com o vestido demonstra justamente que o estrato social em que se enquadram os professores não é igual aos outros. A alternativa C é incorreta, pois a posição do estrato na pirâmide sugere que a educação não é um item valorizado na sociedade brasileira. A alternativa D é incorreta, pois a charge mostra que os professores não são valorizados para a formação dos cidadãos no Brasil. A alternativa E é incorreta, pois, como demonstra a feição da professora, a relação com as classes não é aleatória, construindo a crítica da charge.
KGJ
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Somos o que comemos. E se fôssemos quem seguimos? Esses dias, me peguei pensando naquela frase que diz “somos o que comemos”. Na minha visão, essa expressão popular poderia tranquilamente ser traduzida, nesses tempos de hiperconexão, para “somos o que consumimos”. Vivemos a expectativa de que precisamos ser a “mãe zen” como tal blogueira mostrou que é, de que precisamos fazer a melhor comida como aquela influenciadora fez (em dois minutos de vídeo, viu?) e ter, ao mesmo tempo, o corpo perfeitamente sarado. Isso acaba nos empurrando para uma versão Frankstein do mundo perfeito, mas será que ele existe mesmo? São tempos difíceis em que tudo parece acelerado, pasteurizado, ficando fácil perder a conexão com quem realmente queremos ser, com como queremos gastar nosso tempo e onde queremos investir nossa energia. BASILE, T. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2022. [Fragmento] Em sua crônica, Thais Basile apresenta argumentos que buscam discutir a A. perfeição possível atrás da imagem monstruosa de Frankstein. B. dificuldade de tempo disponível para investir no ideal de perfeição. C. aceleração das informações que impedem a conexão com a essência. D. importância de fazer as receitas compartilhadas pelas influenciadoras. E. hiperconectividade que permite a aproximação de diferentes pessoas. Alternativa C Resolução: No fragmento, Thais Basile adapta a frase “somos o que comemos” para “somos o que consumimos”. Com isso, ela quer mostrar que a hiperconexão faz com que as pessoas se percam em modos de ser e viver que são incompatíveis com a realidade, distanciando-se cada vez mais de suas essências. Desse modo, a alternativa correta é a C. A alternativa A é incorreta porque a autora questiona o ideal de perfeição que, em vez de real e possível, é monstruoso como o personagem de Mary Shelley. Outro ponto levantado pela autora é a perda de controle sobre o tempo conectado para investir no que realmente importa, em vez de seguir tendências ditadas na internet, o que invalida a alternativa B. A alternativa D é incorreta, pois as receitas divulgadas pelas influenciadoras são citadas apenas como exemplos das expectativas lançadas pela hiperconectividade. No entanto, Thais Basile questiona a necessidade de seguir todos esses imperativos de cozinhar melhor, ser a melhor mãe e ter um belo corpo. Por fim, a autora ressalta os problemas da hiperconectividade, sem pontuar o benefício do contato com outras pessoas. Assim, é incorreta a alternativa E. QUESTÃO 23 Como se moço e não bem velho eu fosse Como se moço e não bem velho eu fosse, Uma nova ilusão veio animar-me, Na minh’alma floriu um novo carme, O meu ser para o céu alcandorou-se.
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GIR
Ouvi gritos em mim como um alarme. E o meu olhar, outrora suave e doce, Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se Todo em raios, que vinham desolar-me.
Vi-me no cimo eterno da montanha Tentando unir ao peito a luz dos círios Que brilhavam na paz da noite estranha.
Acordei do áureo sonho em sobressalto; Do céu tombei ao caos dos meus martírios, Sem saber para que subi tão alto... GUIMARAENS, A. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. A rejeição de uma concepção materialista da existência caracteriza o contexto simbolista e se manifesta no poema por meio do(a) A. realce dado ao alívio ao perceber que foi um sonho. B. ênfase na busca por uma comunhão transcendental. C. relevância do recurso sinestésico na construção poética. D. destaque da percepção objetiva garantida pelos sentidos. E. evidência dada à visão pessimista da passagem do tempo. Alternativa B Resolução: No poema, a rejeição de uma concepção materialista da existência se manifesta de acordo com o contexto simbolista. No ambiente onírico do poema, o eu lírico descreve sua ilusão de ter se elevado ao céu e comungado com sensações místicas, para, no último terceto, lamentar ter acordado do sonho. Há, portanto, uma ênfase no sonho da busca de uma comunhão cósmica, o que torna correta a alternativa B. A alternativa A sugere que o eu lírico tenha sentido um alívio de perceber que tudo foi um sonho, o que está incorreto, pois a vida material é descrita como “caos dos meus martírios” em contraste com a experiencia sublime do sonho. A relevância do recurso sinestésico na construção poética diz respeito à forma de expressão, e não ao conteúdo, o que invalida a alternativa C. O destaque da percepção objetiva por meio dos sentidos, sugerido na alternativa D, está incorreto porque a percepção do eu lírico é subjetiva. Não é possível inferir uma evidência dada à visão pessimista da passagem do tempo, como sugere a alternativa E, pois o poema trata de estados emocionais e psíquicos, e não de diferentes estados temporais.
QUESTÃO 24 Adeus, Lou Reed, príncipe da escuridão O rock como nós o conhecemos não existiria se não fosse por Lou Reed. Em meados dos anos 1960, quando Reed conheceu John Cale, Sterling Morrison e Moe Tucker e juntos montaram o Velvet Underground, o rock era jovem – tinha 15 ou 16 anos
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No poema em análise, não se evidencia uma reflexão sobre o papel político e social da literatura, não sendo esse tema abordado no texto nem uma preocupação dos poetas simbolistas. Logo, a alternativa B está incorreta. A alternativa C é incorreta, pois, embora muitos poetas simbolistas retratem a morte e a noite em seus poemas, sendo essa uma temática recorrente desse movimento literário, essa temática não é discutida explicitamente em “Alucinação”. Por fim, a alternativa D está incorreta, porque não se observa, no poema em análise, a objetividade e a impessoalidade do eu lírico, tampouco elas podem ser consideradas características do Simbolismo.
QUESTÃO 27 Satisfeita a curiosidade científica de Lenita quanto ao estudo experimental da eletrologia, que ela dantes só aprendera teoricamente, passaram à química e à fisiologia. Depois foram à glótica, estudaram línguas, grego e latim com especialidade: traduziram os fragmentos de Epicuro e o De Natura Reram de Lucrécio. Em estudos, em conversações que eram prolongamentos dos estudos, em passeios e excursões campestres, voava o tempo. Levantavam-se muito cedo, estendiam os serões até muito tarde. Uma vez o moleque, que fora buscar o correio, trouxe para Barbosa um volume lacrado. Era a exposição das teorias transformistas de Darwin e Haeckel por Viana de Lima. Lenita ficou doida de contente com a novidade escrita em francês por um brasileiro. Começaram a leitura depois da ceia, prolongaram-na pela noite adiante, e embeveceram-se a tal ponto que o dia os surpreendeu. Ao empalidecer a luz das velas com os primeiros albores do dia, foi que deram acordo de si. Riam muito, recolheram-se desapontados aos seus aposentos, não dormiram. Compareceram ao almoço e depois dele continuaram com a leitura_._ RIBEIRO, J. A carne. São Paulo: Ateliê Editorial, 2015.
Publicado em 1888, A carne , de Júlio Ribeiro, é um dos romances mais ousados do Naturalismo brasileiro. Uma das inovações trazidas pelo escritor, presente no fragmento, é a A. valorização do emprego das inovações científicas do período. B. descrição do cotidiano das sociedades burguesas do século XIX. C. apresentação de uma personagem feminina letrada e estudiosa. D. citação das teorias cientificistas positivistas de Darwin e Haeckel. E. retomada da inspiração de escritores pertencentes à Antiguidade. Alternativa C Resolução: No fragmento, acompanhamos um momento em que a personagem Lenita passa em uma fazenda, encontrando um amigo que, assim como ela, mantinha a mesma curiosidade pelos estudos. No início do texto, o narrador apresenta a “curiosidade científica de Lenita”, em eletrologia, química e fisiologia.
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Em seguida, o texto expõe o interesse da personagem pelo estudo das línguas clássicas e também indica a fluência de Lenita em francês, leitura que as duas personagens seguiram pela madrugada. A presença de uma personagem feminina culta e interessada em estudos tão diversos – e tradicionalmente relacionados ao universo de interesses do gênero masculino – apresenta Lenita como uma mulher inovadora, nesse sentido, à frente do seu tempo e das representações de personagens femininas que predominavam naquele período. Logo, a alternativa correta é a C. A alternativa A é incorreta, pois a influência cientificista na literatura naturalista era algo característico do estilo, não uma inovação trazida por Júlio Ribeiro. Além disso, essa característica é presente também no movimento realista. A alternativa B é incorreta porque o trecho descreve o cotidiano bastante específico da personagem, que não pode ser entendido como uma leitura da sociedade burguesa do século XIX. A alternativa D é incorreta porque a referência aos cientistas Darwin e Haeckel e às suas teorias positivistas estiveram presentes em outras obras publicadas no mesmo período. Finalmente, a alternativa E é incorreta porque a citação dos clássicos Epicuro e Lucrécio servem apenas para destacar a erudição da personagem, mas não indicam uma retomada aos valores clássicos, característica presente em movimentos como o Renascimento e o Arcadismo, por exemplo.
QUESTÃO 28 TEXTO I Arremedo O chinelo do meu pai já ganhou a forma do pé do meu irmão um chinelo velho para um pé doente BRANTES, S. Quase todas as noites. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2016. TEXTO II ar·re·me·do |ê| substantivo masculino
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Alternativa E
Resolução: A alternativa E é a correta, pois o emprego da palavra “arremedo”, no poema de Simone Brantes, não é propriamente uma imitação, mas a constatação poética de que o irmão foi se transformando com o tempo, ficando mais parecido com o pai. O irmão da voz poética não imita, faz um arremedo, propositalmente do pai, tampouco, há ironia no poema, o que torna incorreta a alternativa A. A alternativa B é incorreta, pois não há crítica, apenas uma reflexão sobre o irmão. A alternativa C é incorreta, pois o poema não trata de uma questão social, mas íntima / familiar. A alternativa D é incorreta, pois não há ridicularização da situação – pelo contrário, a voz poética se demonstra empática a ela.
QUESTÃO 29
A primeira crônica Assim eu quereria a minha primeira crônica: que fosse pura como esse sorriso. O sorriso escancarado, com todos os dentes à mostra, que eu abria quando era pequena. Não os dentes miúdos das amigas que invejei secretamente. Mas os dentes grandes, brancos e fortes que eu sempre tive. Os dentes elogiados pelos outros, de que nunca gostei. Será que ainda se ensina na escola que os escravos mais caros eram escolhidos pela qualidade dos dentes? Foi assim que eu aprendi. Era assim que eu percebia meus dentes. E eu nunca quis ser boa escrava.
SANTANA, B. Quando me descobri negra. São Paulo: SESI-SP editora, 2015.
No início do texto, a narradora enfatiza o desejo de realizar uma crônica com a pureza de um sorriso. A partir disso, ela
A. apresenta uma crítica aos dentes pequenos.
B. mostra o descontentamento com sua dentição.
C. exibe a resistência ao não sorrir para os outros.
D. destaca a importância da qualidade dos dentes.
E. revela o desejo de rir como quando era criança.
Alternativa E
Resolução: A alternativa E é correta. No texto, a narradora revela o desejo de que sua primeira crônica seja pura como um sorriso, que ela “abria quando era pequena”. A alternativa A é incorreta porque a narradora diz que sentia inveja dos dentes miúdos das amigas durante a infância. A alternativa B é incorreta, pois essa narradora mostra uma mudança na percepção dos próprios dentes. Se antes ela não sorria por temer uma referência à sua ancestralidade escravizada, hoje esses dentes “grandes, brancos e fortes” são motivo de orgulho e de retomada do sorriso. A alternativa C é incorreta porque não há no texto uma referência direta à resistência para não sorrir para outras pessoas. A alternativa D é incorreta porque a questão central apresentada no fragmento não é a qualidade dos dentes, mas o orgulho de assumir a própria identidade e as características da herança afro-brasileira.
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EAKINS, T. The Agnew Clinic. 1889. Óleo sobre tela, 214 × 300 cm. Universidade da Pensilvânia.
A obra do pintor realista Thomas Eakins causou escândalo ao retratar uma cirurgia de câncer de mama feita pelo Doutor Agnew diante de estudantes e médicos. Um elemento defendido pela estética realista presente na pintura é o(a) A. destaque na representação objetiva da cena. B. realce da relação entre cientificismo e religião. C. contraste entre os cirurgiões e os espectadores. D. ênfase no retrato animalesco do corpo humano. E. representação de figuras femininas em destaque. Alternativa A Resolução: Um dos principais objetivos defendidos pelo Realismo era o tratamento imparcial e objetivo dos temas. Na pintura, é possível observar uma representação bem objetiva da cena, como se ela se assemelhasse a uma fotografia. Três cirurgiões estão próximos à mulher operada, enquanto o Dr. Agnew observa o trabalho desses médicos. Ao lado deles, uma mulher, possivelmente enfermeira, também observa a cena. Ao fundo, os estudantes de Medicina testemunham atentos à cirurgia. Desse modo, a alternativa correta é a A. A alternativa B é incorreta porque, embora o quadro represente uma cirurgia e o avanço de uma técnica médica, não há, nem no quadro nem no movimento realista, a presença do aspecto religioso em relação ao cientificismo. A alternativa C é incorreta porque o contraste entre a apresentação dos cirurgiões, com mais luz e destaque, com os espectadores no fundo escuro foi apenas uma escolha estilística do pintor Thomas Eakins, o que não se relaciona diretamente ao Realismo. A alternativa D é incorreta porque os corpos retratados seguem as características de proporção e objetividade, longe de qualquer animalização. A alternativa E é incorreta porque as figuras femininas são apresentadas porque fazem parte da cena, mas isso não expressa nenhuma característica da estética realista.
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Alternativa A
Resolução: A alternativa correta é a A, pois a personagem Aristarco é descrita a partir de elementos que confirmam seu prestígio, como a origem (“da conhecida família do Visconde de Ramos”) e sua função (“enchia o Império com seu renome de pedagogo”). A alternativa B é incorreta, pois não há no texto aspectos que marquem a subjetividade da personagem. A alternativa C é incorreta porque a posição de prestígio de Aristarco é evidenciada por sua agenda repleta de eventos: com conferências e boletins de propaganda. As instituições educacionais não são exaltadas no fragmento apresentado, o que invalida a alternativa D. Finalmente, a alternativa E é incorreta, pois o texto não defende a erudição da sociedade, mas mostra uma personagem que percorre as escolas públicas como pedagogo e seu trabalho com os “afaimados de alfabeto”.
QUESTÃO 34
Violência contra mulheres, crianças e ativistas avança na Amazônia há anos O povo Xingu e a sua sabedoria ancestral chama a brabeza do rio de banzeiro. O rio agitado, sem controle, capaz de engolir quem se atreve atravessá-lo. Ouso aqui empregar a palavra como sinônimo para escrever que a Amazônia inteira está sendo engolida num imenso banzeiro provocado pelo homem. Se contorcendo com o mercúrio que os garimpeiros jogam no rio em busca de ouro, despencando sua vitalidade a cada árvore que tomba no chão sob o gritar da motosserra, presa nas redes da pesca predatória, sob os tiros de fuzis do crime organizado que domina, alicia, estupra e mata. No encalço das desgraças que rondam as mais de 350 comunidades indígenas da região, se solidifica o temor implantado por garimpeiros, madeireiros e toda a sorte de criminosos que estão aliciando mulheres e adolescentes indígenas em troca de comida, embebedando, estuprando e levando vítimas à morte. GUTERRES, C. Disponível em: . Acesso em: 17 jun. 2022. [Fragmento adaptado]
A articulista inicia seu artigo de opinião com o conceito de “banzeiro”, para introduzir a tese a ser defendida, uma vez que
A. evoca os mitos do Xingu contra os garimpeiros.
B. ilustra as violências praticadas contra os indígenas.
C. demonstra os perigos dos rios na região amazônica.
D. compara o sentido da palavra com a situação da Amazônia.
E. defende o conhecimento adquirido com os povos ancestrais.
Alternativa D
Resolução: A alternativa correta é a D, pois, ao dizer que a situação pela qual a Amazônia passa é sinônimo de “banzeiro”, a autora utiliza o mesmo termo adotado pelos indígenas para tratar da fúria do rio para se referir à violência provocada pelo homem na região amazônica. Além da contaminação da vegetação e dos rios, as comunidades indígenas têm sofrido com a ação de garimpeiros e madeireiros que vêm aliciando mulheres e jovens.
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A alternativa A é incorreta, pois a articulista utiliza o conceito com fins textuais, e não como um ataque aos garimpeiros, que são criticados no artigo. A alternativa B é incorreta, pois a menção a “banzeiro” não tem finalidade ilustrativa, mas argumentativa. A alternativa C é incorreta, pois a autora constrói, com sua comparação, o sentido por meio de recursos figurativos, não abordando, de fato, os perigos dos rios. A alternativa E é incorreta, pois, apesar de legitimar o conhecimento dos povos originários, a menção ao conceito não se presta a isso, mas à construção do argumento sobre a violência contra as mulheres indígenas.
QUESTÃO 35 O ato de escrever é prazer, diversão. É sensação de poder, de domínio. Criar gente, fabricar fantasias, inventar cidades, dar vida e dar morte, criar um terremoto ou furacão, fazer o que eu quiser. Escrever é um jogo, brincadeira. Escrever é o meu modo de gritar contra as dores do mundo, o sofrimento da condição humana, é o meu depoimento sobre minha época, a meu respeito, sendo eu um cidadão, síntese de toda uma classe social. Escrever é uma forma de tentar conquistar o amor das pessoas. E também oferecer divertimento, distração. BRANDÃO, I. O homem do furo na mão e outras histórias. São Paulo: Ática, 1987. Ao definir a escrita como forma de denunciar as mazelas sociais, Ignácio de Loyola Brandão aproxima sua definição de um determinado estilo de época, identificado como A. Barroco, por causa da presença do jogo de palavras, do cultismo e do ludismo verbal. B. Romantismo, em virtude de uma postura de lazer, associada ao entretenimento. C. Arcadismo, já que se prioriza uma posição de negação da cidade, da vida urbana, e apelo ao campo. D. Realismo, devido ao desapego a formas concretas de ver o mundo, destacando-se o prazer acima de tudo. E. Naturalismo, pois houve grande ênfase às questões sociais e políticas, destacando-se o sofrimento do ser humano. Alternativa E Resolução: O autor, ao definir o ato de escrita, diz este ser a sua melhor forma de se colocar no mundo e falar de sua realidade a partir de seus sentimentos, como o sofrimento pela condição humana. Essa é uma característica encontrada no período do Naturalismo e, portanto, a alternativa correta é a E. A alternativa A é incorreta, pois não há um jogo barroco de palavras, que se constitui por meio de termos opostos e de paradoxos. A alternativa B é incorreta, pois o Romantismo não se caracteriza por esta relação com o lazer. A alternativa C é incorreta, pois o texto não faz menção à vida no campo. A alternativa D é incorreta, pois, no fragmento, o autor não abre mão dos prazeres e das emoções – da vida e da escrita.
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GONSALES, F. Níquel Náusea – A vaca foi pro brejo atrás do carro na frente dos bois. São Paulo: Devir, 2010. As escolhas discursivas dos textos contribuem para a construção de seu sentido. No primeiro quadro, a fala “Colocaram uma cesta com gatinhos na minha porta” apresenta um sujeito A. simples, indicando um único responsável pela ação. B. composto, indicando mais de uma pessoa envolvida. C. oculto, indicando o responsável no quadro seguinte. D. inexistente, indicando um acontecimento espontâneo. E. indeterminado, indicando a incerteza sobre o remetente. Alternativa E Resolução: No primeiro quadro, quando a senhora vê uma nova cesta com gatinhos e diz: “Colocaram uma cesta com gatinhos na minha porta”, o sujeito é indeterminado. Ou seja, ela não sabe quem foi o responsável (ou os responsáveis) por trazerem uma nova cesta para sua porta. Assim, é correta a alternativa E. A alternativa A é incorreta, porque não se pode reconhecer o fornecedor das cestas com gatinhos, nem pelo contexto nem pela desinência do verbo utilizado na tirinha. A alternativa B também é incorreta, pois não é possível identificar se há mais de um responsável pelo gesto de deixar as cestas na porta. A alternativa C é incorreta, pois, ainda que não exista um sujeito grafado na oração, a conjugação verbal na terceira pessoa do plural e a presença da cesta na porta indicam um agente da ação de deixar a cesta com os gatos para a senhora. Finalmente, é incorreta a alternativa D, pois o trecho não apresenta um verbo impessoal, que demarca a presença de um sujeito inexistente.
QUESTÃO 37 Por que estamos nos sentindo tão ansiosos nos últimos tempos? Segundo dados de um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019, o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Há 18,6 milhões de brasileiros com diagnóstico de transtorno de ansiedade, o que equivale a 9,3% de todo o país. A OMS classifica, inclusive, que vivemos uma epidemia de ansiedade. O fator principal de termos um índice de diagnósticos de transtorno de ansiedade maior atualmente no Brasil é, segundo a psicóloga Lorna Alves, o maior acesso à informação. “Tem uma teoria que diz que nós fomos evoluindo cognitivamente, mas o nosso corpo não estava preparado para receber tudo isso. O nosso corpo não acompanha a evolução da nossa mente, nós temos que aprender a lidar com tudo isso”. A desigualdade no acesso a cuidados médicos também é um fator, segundo ela, que contribui para esses índices.
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“O fato de não termos acesso a uma saúde mental pública é um fator que interfere bastante porque a primeira linha de tratamento é por meio da terapia. E isso não é acessível, o tratamento é bem fora da realidade, há muita gente que nunca nem ouviu falar em psicólogo”. Disponível em: . Acesso em: 19 jul. 2022. [Fragmento adaptado] Para defender sua tese sobre o aumento da ansiedade em brasileiros, o texto utiliza como estratégia argumentativa o(a) A. conhecimento do senso comum. B. metáfora da situação pandêmica. C. uso de dados e fontes confiáveis. D. comparação com o cenário mundial. E. explicação dos sintomas do transtorno. Alternativa C Resolução: A alternativa correta é a C, pois o texto, para defender a preocupação com o aumento da ansiedade, apresenta as seguintes estratégias argumentativas: os dados da OMS (confiáveis, pela legitimidade da instituição) e a opinião de uma psicóloga, profissional especializada indicada para falar sobre o assunto. A alternativa A é incorreta, pois o texto fez uso de argumentos de autoridade e legitimidade de dados da Organização Mundial de Saúde e da psicóloga ouvida. A alternativa B é incorreta, pois o uso do vocábulo “pandemia” não foi adotado em sentido figurado, já que o texto trata do aumento do número de pessoas ansiosas. Não há, no texto, dados sobre a ansiedade em outros países, logo, não é estabelecida nenhuma comparação no fragmento, tornando incorreta a alternativa D. A alternativa E é incorreta, pois o texto trata do aumento dos casos de ansiedade no mundo, sem, no entanto, discorrer sobre os sintomas presentes em pessoas ansiosas.
QUESTÃO 38 Nesse risonho lar, A dor caiu neste momento, Como se fosse a chuva, o vento, O raio, e bate sem cessar... Bate e estala, Como uma louca, De boca em boca, De sala em sala... Somente tu, flor delicada, Como quem veio Fatigada De um passeio, Tombaste ali, silenciosa, Sobre o sofá, No abandono, Pálido rosa, De um longo sono, De que ninguém te acordará! PERNETA, E. Mors. In: Poesias completas. Biogr. Andrade Muricy. Est. crít. Tasso da Silveira. Rio de Janeiro: Z. Valverde, 1945.
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