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Esse resumo aborda os seguintes assuntos: (1) O complexo do ombro; (2) Articulações do complexo do ombro: esternoclavicular, acrômioclavicular, escapulotorácica, subdeltóidea e glenoumeral; (3) Estabilização passiva do complexo do ombro, entre outros...
Tipologia: Resumos
Compartilhado em 04/07/2021
4.7
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o ombro não está constituído por uma articulação, mas por cinco articulações que formam o COMPLEXO ARTICULAR DO OMBRo.
O complexo articular do ombro é uma das estruturas mais complexa do corpo humano, principalmente porque inclui “cinco articulações” diferentes.
Articulação Glenoumeral (fig. 1): Articulação verdadeira do ponto de vista anatômico (contato de duas superfícies carti- laginosas de deslizamento).
Esta articulação é a mais importante do grupo.
Articulação Subdeltóidea (fig. 2): Do ponto de vista anatômico não se trata de uma articulação; contudo podemos considerar do ponto de vista fisiológico, devido ser com- posta por duas superfícies que deslizam uma sobre a outra.
Articulação escapulotorácica (fig. 2): Neste caso se trata outra vez de uma articula- ção fisiológica e não anatômica.
Articulação Acrômioclavicular (fig. 1): Articulação verdadeira, localizada na porção externa da clavícula.
Articulação Esternoclavicular (fig. 1): Articulação verdadeira, localizada na porção interna da clavícula.
Fig. 1: articulações verdadeiras do complexo do ombro.
Fig. 2: articulações falsas do complexo do ombro.
podemos afirmar que as cinco articulações do complexo articular do ombro funcionam simultaneamente e em proporções variáveis.
É a única articulação que atua como suporte para ligar o membro superior diretamente ao esqueleto axial.
A articulação esternoclavicular é formada pela face articular côncava da extremidade esternal da clavícula e pela incisura do manúbrio do esterno e pela parte superomedial da primeira cartilagem costal.
A articulação Esternoclavicular é do tipo selar complexa (como se fosse uma sela usada para cavalgar) (fig. 3)
Fig. 3: articulação esternoclavicular, tipo selar.
Ligamentos da articulação esternoclavicular
A articulação tem um disco e três fortes ligamentos estabilizadores (fig. 4 e 5).
É achatado e está interposto entre as superfícies articu- lares do manúbrio do esterno e da clavícula.
Funções do disco articular:
O disco serve como um dobradiça para o movimento;
Aumenta a estabilidade da articulação, reduzindo o risco de a clavícula deslizar no manúbrio;
Aumento da congruência entre as superfícies articulares;
Reduz as tensões articulares com a melhora da absorção de choques
protegem contra tensões articulares anteriores e poste- riores.
Impede o deslocamento superior da clavícula na articu- lação esternoclavicular.
Ligamento que insere a clavícula na primeira costela.
restringe os movimentos de elevação e de rotações da clavícula.
Fig. 4: disco da articulação esternoclavicular.
Fig. 5: ligamentos da articulação esternoclavicular.
Cinemática da articulação esternoclavicular Os movimentos osteocinemáticos da articulação esterno- clavicular ocorrem em três graus de liberdade (fig. 6):
Elevação e depressão; Protração e retração; Rotações em torno do seu eixo longitudinal.
Os movimentos da articulação EsternoClavicular acom- panham os movimentos do cíngulo do membro superior. Embora sejam movimentos mais sutis que os movimentos da maioria das outras articulações, eles são muito importantes. Basicamente, a clavícula se move enquanto o esterno permanece imóvel.
A articulação escapulotorácica é uma articulação falsa, sendo formada entre a superfície anterior da escápula e a região posterior do tórax (fig. 9).
Separando a escápula do tórax, estão estruturas de tecidos suaves, incluíndo uma grande bolsa subescapular.
Fig. 9: articulação escapulotorácica.
Função da articulação escapulotorácica
A função normal da articulação escapulotorácica é essencial para a mobilidade e a estabilidade do membro superior.
O movimento da articulação escapulotorácica propicia uma base motora para o úmero e, assim, fornece diversas funções inportantes:
Aumento da amplitude do movimento do ombro de modo a gerar maior alcançe;
Manutenção da relação favorável de comprimento- tensão para que o músculo deltóide gere mais de 90° de elevação do ombro a fim de permitir melhor estabilidade articular para o ombro durante um movimento maior;
Estabilidade do ombro, mantendo a articulação gle- noumeral alinhada para trabalhar acima da cabeça;
Proteção contra lesões pela absorção de choque aplicado ao braço estendido;
Elevação do corpo em atividades como caminhar de muletas ou no ato de levantar durante trans- ferências realizadas por indivíduos com deficiência física.
Cinemática da articulação escapulotorácica Existe uma relação íntima entre a quantidade e a quali- dade de movimento possível na articulação escapulo- torácica e nas articulações esternoclavicular e acro- mioclavicular.
O movimento da escapulotorácica é resultado direto do movimento entre as articulações esternoclavicular e acromioclavicular. Esse efeito combinado gera o movi- mento escapulotorácico para que a cavidade glenóide possa se voltar para cima, para frente ou para baixo, conforme a necessidade, enquanto sua superfície anterior permanece perto do tórax.
Na elevação, escápula desliza superiormente sobre o tórax em relação a sua posição de repouso.
A elevação escapular é resultado de um grande movimen- to de elevação na articulação esternoclavicular e de um pequeno movimento na articulação acromioclavicular.
Na depressão, a escápula desliza para baixo no tórax em relação à sua posição de repouso. Durante este movimento, ocorre também a depressão da clavícula na articulação esternoclavicular.
A importância do movimento de depressão da escápula está na estabilização da escápula e na elevação do corpo du- rante a sustentação de peso com os membros superiores,
como nos movimentos de ginástica em barras paralelas, na marcha com muletas ou em transferências de cadeiras de rodas.
Fig. 10: elevação e depressão escapular.
Durante a protração, a extremidade lateral da clavícula e a escápula movem-se anteriormente em torno da caixa torácica, de modo que a margem medial da escápula se afasta da linha média. Durante este movimento a extremidade esternal da clavícula desliza no sentido anterior na articulação esternoclavicular.
A retração é o movimento oposto da protração. Na retração, a extremidade acromial da clavícula e a escá- pula movem-se posteriormente. A borda medial da escápula se aproxima da linha média.
Fig. 11: protração e retração escapular.
Durante a rotação superior o ângulo inferior da escápula roda para cima e se afasta da linha média (se afasta da coluna torácica); o ângulo superior da escápula roda inferior e medialmente; a cavidade glenóide fica voltada para cima.
A amplitude máxima de rotação superior ocorre com a elevação total do membro superior.
A rotação inferior determina o retorno à posição anatômica em repouso, com a aproximação do ângulo inferior da escápula da linha média; a cavidade glenóide se move de modo a ficar voltada para baixo.
A amplitude total da rotação inferior ocorre quando a mão é colocada na região lombar ou quando o ombro está em extensão máxima.
Fig. 12: rotação superior e inferior da escápula.
Normalmente, as bolsas têm pouca quantidade de líquido dentro delas. Entretanto, se ficarem irritadas ou inflamadas, a quantidade de líquido aumenta. Na região subacromial, esse aumento de volume pode ser proble- mático, uma vez que o espaço é limitado.
A inflamação das bolsas do ombro não costuma ser uma patologia primária, mas sim secundária a outras lesões preexistentes, como por exemplo, lesões no tendão su- praespinal.
Arco coracoacromial
O arco coracoacromial é um arco osteoligamentar formado pela região anterior do acrômio, pelo processo coracóide e pelo ligamento coracoacromial (fig. 16).
Este arco é a cobertura da articulação glenoumeral e tem como função proteger a articulação do ombro de luxa- ções superiores.
Fig. 16: estruturas que formam o arco coracoacromial.
A articulação glenoumeral é do tipo esferoidal (bola e soquete) formada entre a superfície convexa da cabeça do úmero e a superfície côncava da cavidade glenóide da escápula (fig. 17).
POssui três graus de liberdade, sendo bastante móvel, porém com pouca estabilidade óssea.
A cabeça do úmero é duas vezes maior que a cavidade glenóide e apenas parte de sua superfíce fica em contato com ela.
Fig. 17: articulação glenoumeral.
Orientações da cabeça do úmero e da cavidade glenóide
A cabeça umeral fica voltada em direção posterior, medial e superior no plano escapular (fig. 18).
A cabeça do úmero em relação a diáfise umeral, apresenta um ângulo de inclinação de 135º e um ângulo de retro- versão de 30º (fig. 18).
Sua superfície está orientada em direção lateral, anterior e levemente superior (fig. 18).
A sua superfície é menor que a da cabeça do úmero, sendo três vezes menor que a do mesmo.
Fig. 18: orientação da cabeça do úmero e da cavidade glenóide.
Estabilizadores ativos da articulação Glenoumeral
São aqueles que, ao mesmo tempo, auxiliam na movimen- tação e na estabilização do ombro.
Os músculos profundos do ombro proporcionam grande reforço ao mesmo, através de seus tendões de inserção.
O músculos periarticulares transversais proporcionam a coaptação das superfícies articulares, ou seja, encaixam a cabeça do úmero na cavidade glenóide.
Manguito rotador:
M. Supraespinal: impede o deslocamento da cabeça do úmero para cima;
M. Subescapular: impede o deslocamento da cabeça do úmero para frente;
M. Infraespinal: impede o deslocamento da cabeça do úmero para trás;
M. Redondo menor: impede o deslocamento da cabeça do úmero para trás.
Cabeça longa do m. biceps braquial: impede o desloca- mento da cabeça do úmero para cima.
Fig. 19: coaptação transversa da cabeça do úmero.
O músculos longitudinais do braço e da cintura escapular impedem que a cabeça do úmero se desloque para baixo da cavidade glenóide
Fig. 20: coaptação longitudinal da cabeça do úmero.
Estabilizadores Passivos da articulação Glenoumeral Ligamentos e tendões se combinam com a cápsula articu- lar do ombro e a reforçam a fim de aumentar sua estabi- lidade.
É um recipiente de paredes finas fixado em torno da cavi- dade glenóide da escápula e do colo anatômico do úmero.
A cápsula articular é formada por uma membrana fibrosa externa e uma membrana sinovial interna.
Quando o braço está pendente ao lado do corpo, a região superior está tensa e a região inferior relaxada.
Quando o braço está abduzido, a região inferior da cápsula está tensa e a superior relaxada.
Fixa-se na parte lateral do processo coracoide, estende-se lateral e anteriormente à articulação do ombro até a região medial do tubérculo maior.
Reforça a parte superior da cápsula articular.
Fig. 24: movimentos da articulação do ombro.
LIPPERT LS. CInesiologia CLínica e Anatomia. 5 ed. Rio de Janeiro. Guanabara koogan. 2013.
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