









Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
As bases da organização da produção (produção artesanal, taylorismo-fordismo). Origens e princípios básicos do Sistema Toyota de Produção (STP). Mecanismo da função produção: conceito de processos e operações; conceito e classificação de perdas. Autonomação. Nivelamento da produção. Padronização de operações. Mapeamento do fluxo de valor. Impacto da produção enxuta sobre as condições de trabalho.
Tipologia: Slides
1 / 15
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!










2
objetivos
A U L A
Meta da aulaMeta da aula
111
222
História do Pensamento Administrativo | Da produção artesanal à produção industrial
Nesta aula de História do Pensamento Administrativo, você irá observar alguns aspectos históricos – de forma breve – em relação à evolução da mão-de-obra e sua representação como categoria social, aplicando-os às práticas de trabalho artesanal e industrial. Para tal, você está convidado a relembrar resumidamente alguns movimentos sócio-históricos que permitiram o surgimento do trabalhador, sua inserção na atividade trabalhista e na sociedade. Em seguida, você verá as principais características das práticas administrativas de manufatura e indústria.
Você já sabe que o Império Romano, marco da História Ocidental, tinha como objetivo conquistar e ocupar novos territórios, colonizando-os. Entretanto, essa colonização era nitidamente marcada por uma relação servil – ou de subordinação direta, posto que os altos cargos públicos eram ocupados, quase que exclusivamente, por romanos. Além disso, era evidente o descontentamento dos povos colonizados, pois, além de perderem sua liberdade, pagavam altos impostos para sustentar a ascensão do Império e os grandes gastos do imperador. Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente, por volta do século V d.C., conseqüência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das más políticas econômicas dos imperadores, várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e baixo desenvolvimento urbano. Isso ocorria devido às mortes provocadas pelas guerras, às doenças e à insegurança existentes logo após o fim do Império.
A partir do século V d.C., temos o início da chamada Idade Média. Em decorrência da queda do Império e das invasões, os nobres romanos começaram a se afastar das cidades. Nessa nova jornada, os nobres levavam consigo camponeses das cidades colonizadas (com medo de serem saqueados ou escravizados).
História do Pensamento Administrativo | Da produção artesanal à produção industrial
O trabalho realizado, em oposição à produção de subsistência do sistema feudal, tinha não só o objetivo de suprir necessidades da família, mas, sobretudo, da sociedade como um todo. O excedente de produção era oferecido no mercado regional e utilizado como objeto de troca e venda. Tal sistema denominava-se economia de troca.
Corporações de ofício As corporações agregavam membros da sociedade que exerciam o mesmo ofício. Para fazer parte da corporação, era preciso inicialmente ser aceito como aprendiz por um mestre, ois este detinha o conhecimento do ofício, as ferramentas necessárias e a matéria-prima para a produção.
Os aprendizes viviam com os mestres em troca de comida e roupa, especialmente pela possibilidade de aprender um ofício, pois trabalhavam na oficina. O aprendizado das tarefas era transmitido aos novos profissionais de maneira predominantemente prática, no próprio local de trabalho. Mas o que o mestre ganhava em troca? Na verdade, era bem simples. Em contrapartida ao ensino do ofício, o mestre-artesão obtinha mão-de- obra gratuita e fiel advinda de seus “pupilos”.
po
A produção dessa época era em pequena escala, pois, como o artesão produzia uma unidade de cada vez, só tinha condições de fazer pequenas quantidades. Agrupados em oficinas, os artesãos tinham o completo domínio sobre o seu trabalho e eram senhores da produção. Além disso, o próprio método de produção artesanal fazia com que o profissional fosse parte fundamental de todo o processo produtivo, desde a seleção da matéria-prima até o acabamento final.
Marcelo
Moura Figura 2.1: Produ- to manufaturado.
AULA
O Aprendiz^2 A palavra "aprendiz" nunca esteve tão em alta como atualmente, e isso se deve a uma série de programas televisivos cujo título é justamente "O Aprendiz ". Nestes, jovens (em sua maioria universitários) são desafiados a conquistar uma vaga cobiçadíssima ao lado do “mestre”. No canal de TV a cabo People & Arts há dois: um comandado pelo super-empresário e magnata Donald Trump e outro por Martha Stewart, idealizadora e apresentadora de um dos programas de maior audiência nos EUA. O sucesso desse tipo de entretenimento se deve, entre outras razões, ao simples fato de que nele vão sendo revelados os elementos que permitiram aos “mestres” colecionar uma grande fortuna e ser extremamente bem-sucedidos nos negócios que comandam. Para quem não tem TV a cabo, há uma versão brasileira comandada pelo empresário Roberto Justus e exibido pela Rede Record. A título de curiosidade, Justus é formado em Administração.
Mario Trejo
Figura 2.2: O mapa da mina.
E a Administração, já existia? Sim, naquela época ela tinha como base a adoção de controles contábeis-financeiros com vistas ao registro da movimentação de mercadorias entre regiões. Sua maior importância centrava-se na organização da demanda da produção artesanal realizada pelas corporações e nos ganhos e garantias obtidos pela comercialização dos produtos.
No período em que predominaram as corporações de ofício, a produção industrial era controlada pelas oficinas, e o comércio estava limitado a associações regionais que administravam a produção e o consumo. O resultado disso era uma certa acomodação, uma forma
Veja como o historiador Arthur Birne, em História econômica da Europa , descreve a organização industrial medieval: Antes da Revolução Industrial a organização da indústria estava em harmonia com a pequena escala em que eram efetuadas as operações de manufatura. A unidade industrial era a oficina, onde o artífice-chefe labutava ao lado de seus oficiais assalariados e aprendizes, como fizera na Idade Média. A organização medieval das ligas artesanais sobreviveu em toda a Europa (1964, p. 20).
AULA
^2
Com isso, muitas das tarefas realizadas manualmente por esses profissionais foram mecanizadas, ou seja, boa parte da mão-de-obra foi substituída por máquinas, o que gerou uma divisão no trabalho, e também diminuiu o status social do trabalhador-especialista (como os mestres). Nesse momento desapareceram os ofícios. As tarefas foram simplificadas e padronizadas. Tornaram-se, portanto, tarefas simples e repetitivas, que poderiam ser executadas por pessoas sem nenhuma qualifi cação.
Isso motivou uma súbita e violenta competição por postos de trabalho. A unidade doméstica de produção – a oficina, o artesanato em família – desapareceu, surgindo daí uma pluralidade de operários e de máquinas nas fábricas. A esse período histórico de intensas modificações socioeconômicas que transformaram a Europa dos séculos XVIII e XIX se dá o nome de Revolução Industrial. Com a Revolução Industrial, iniciou-se um processo ininterrupto de produção coletiva em massa, de geração de lucro e de acúmulo de capital. As sociedades foram superando os tradicionais critérios da aristocracia (principalmente a do privilégio de nascimento, a descendência nobre), e os novos “senhores” passara a ser os donos das fábricas e do capital. A independência do artesão durou pouco. O capitalista, afinal, criou algo novo que lhe garantiu domínio total sobre o trabalho humano. Com o surgimento das primeiras fábricas e da divisão do trabalho, nascia o capitalismo industrial.
O sistema de produção industrial, surgido nos séculos XVIII e XIX, diferia substancialmente do sistema radicional. Neste, as fábricas se caracterizavam pelas relações ravagistas, com predominância do trabalho cativo, de tecnologias tacionárias (instrumentos rudimentares e ferramentas de uso comum) e, sobretudo, pela ausência da necessidade capitalista de expandir cada unidade de capital empregado. Obtinha mão-de-obra gratuita e fiel advinda de seus “pupilos”.
t esc est
História do Pensamento Administrativo | Da produção artesanal à produção industrial
Voltando aos dias atuais (e deixando as questões ideológicas trazidas pela História para sua refl exão), veja as principais diferenças entre o sistema artesanal e o sistema industrial moderno. Uma delas, talvez a mais importante, é o nível de produção: o artesanal, em pequena escala; e o industrial, em grande escala. Mas existem outras diferenças substanciais entre a manufatura e a produção em massa, que você verá nos quadros a seguir (conforme RIFKIN, 2004, p. 96).
Na produção artesanal, o produto é feito por encomenda, sendo produzido um de cada vez com o uso de ferramentas manuais. O artesão tem o pleno domínio do processo produtivo, pois conhece e realiza todas
Você não deve pensar que o trabalho artesanal deixou de existir. Ao contrário, ele está mais presente do que nunca, pois há necessidades específicas que não podem ser feitas em linhas de produção, por diversos motivos (operacionais, mercadológicos etc.). Tampouco você deve concluir que a industrialização foi responsável pela desumanização do trabalho. Tanto a produção artesanal quanto a industrial sofreram um processo de acomodação imposto pelo mercado. Se você quer um armário sob medida, por exemplo, não será possível modificar toda a linha de montagem de uma fábrica para moldar-se ao seu projeto. Para necessidades específicas, modos de produção específicos.
Tabela 1
Processo artesanal
Produção em massa
História do Pensamento Administrativo | Da produção artesanal à produção industrial
A fábrica, essencialmente, é o local de reunião dos trabalhadores com o intuito de produzir algo. O sistema fábrica é, portanto, o resultado da concentração dos trabalhadores num mesmo local de trabalho. Dominado e controlado pelo capitalista (investidor, aquele que detém o capital), o trabalhador utiliza os meios de produção que não lhe pertencem, trabalhando em um ambiente estranho e produzindo um produto a ser vendido para clientes que não são os seus.
Entendendo o passado Os artesãos, especialistas autônomos e profundos conhecedores do seu ofício, viram-se, de repente, presos e confinados a um ambiente fechado – a fábrica. E, ali, sujeitos ao controle, à disciplina e aos métodos e gestão que lhes eram impostos. Autores como Decca e averman enfatizaram o caráter despótico das fábricas: (...) o sistema de fábrica ao ser implantado trouxe consigo todas as seqüelas relacionadas à disciplina, hierarquia e controle do processo de trabalho, e o saber técnico aplicado esteve muito longe de ser detido pelos próprios trabalhadores (DECCA, 1987, p. 38). Dentro das oficinas, a gerência primitiva assumiu formas rígidas e despóticas, visto que a criação de uma força de trabalho livre exigia métodos coercitivos para habituar os empregados às suas tarefas e mantê-los trabalhando durante dias e anos (BRAVERMAN, 1977, p. 67).
f de Bra
Na fábrica predominam a hierarquia, a disciplina, a vigilância e, sobretudo, o controle de tarefas e movimentos dos trabalhadores dispostos em seqüência nas linhas de produção. A divisão do trabalho em setores, funções e posições tornou-se o conceito-chave para a indústria capitalista, já que permitia justamente o controle da produção e dos trabalhadores. A produção deslocou-se da oficina caseira, de propriedade do artesão, para a fábrica, de propriedade do capitalista. Dono da fábrica e dos meios de produção (ferramentas, máquinas, equipamentos), o capitalista criou um “sistema de gerência” despótico, baseado no controle,
AULA
^2
na disciplina, na ordem e na obediência hierárquica. E criou métodos e sistemas de trabalho rápido, gerando maior produção, produtividade e lucro. É nesse contexto que surge a primeira teoria administrativa – a Gerência ou Administração Científica, que você verá na Aula 3.
Homem ou máquina? Charles Chaplin, em seu filme Tempos modernos , satirizou o modo de produção capitalista das fábricas. A cena em que ele, como operário, trabalhando numa linha de montagem, se desespera por não conseguir acompanhar o intenso ritmo de trabalho que lhe é imposto pela esteira é um dos momentos sublimes da história do cinema. A cena inicial, na qual os trabalhadores surgem pequenos comparados ao tamanho colossal da fábrica e das máquinas, já evidencia a natureza da crítica chapliniana ao sistema capitalista de produção: o apogeu da máquina e a submissão do homem ao ritmo frenético da produção. As cenas posteriores na linha de produção satirizam a total dependência do homem à máquina. É possível imaginar o ambiente precário das fábricas no início da Revolução Industrial. Artesãos e agricultores eram transformados em operários e submetidos à rigorosa disciplina do capital e ao ritmo intenso da produção industrial. Assista ao filme; vale a pena!
A Administração nasceu com as primeiras comunidades primitivas, quando já existia uma rudimentar divisão do trabalho. Os homens se dedicavam à caça e à pesca, e as mulheres, às atividades domésticas. O homem primitivo construía suas próprias ferramentas a partir de um conjunto de atividades básicas, como cortar, afiar, laminar e polir a pedra lascada.
Produção artesanal
http:// www.mamiraua.org.br/5-1-4.html
AULA
Levando em consideração que...^^2
a. ...as empresas precisam atender à demanda; portanto, não produzem muito mais do que vendem; b. ...a capacidade de produção é limitada pelo modo de confecção do produto (industrial ou artesanal);
c. ...a cerveja artesanal, caso quisesse aumentar sua oferta, precisaria industrializar-se; d. ...a cerveja industrial pode facilmente aumentar sua produção caso haja um aumento da demanda;
Responda:
Em qual modo de produção a cerveja Devassa se encaixa? Por quê? ––––––––––––-––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––-–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–– ––––––––––-–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Resposta Comentada A cerveja Devassa apresenta um modo de produção artesanal-industrial. Sua produção não é totalmente automatizada e seu volume de produção é inferior ao padrão industrializado. Como seus ingredientes são especiais e sua qualidade é superior, além de ter um design criativo e sabores especiais, conseqüentemente seu preço é mais alto, e seus pontos de distribuição apresentam um certo requinte. Sua clientela também é diferenciada. Ela não é puramente artesanal, pois parte de seu processo produtivo é industrializado, e não é simplesmente industrializada, por não ser capaz de aumentar a produção rapidamente caso haja aumento da demanda. Se fosse esse o caso, a cerveja em questão perderia o referencial de qualidade que, neste caso, somente o processo artesanal pode oferecer.
História do Pensamento Administrativo | Da produção artesanal à produção industrial
Nas oficinas medievais predominava o modelo de produção artesanal. Com o desenvolvimento da maquinaria, fruto das descobertas científicas da Revolução Industrial, as fábricas emergiram como os novos locais de produção, em substituição às oficinas dos artesãos. Nas fábricas, o sistema artesanal deu lugar ao sistema industrial moderno, consolidando-o como modo de produção e dando origem aos modelos administrativos.
Na Aula 3 veremos os estudos pioneiros de Adam Smith, Babbage e Whitney sobre a divisão do trabalho, além da visão crítica de Marx e Braverman em relação a esse processo.