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Teorias da Comunicação Parte2, Notas de estudo de Informática

Apostilas de Computação sobre Teorias da Comunicação, o que é teoria, o que é comunicação, Questões envolvendo teoria e comunicação, Paradigma clássico da comunicação.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 11/12/2013

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Outras influências: Gramsci (“hegemonia”), Marx e Althusser (“ideologia”),
Escola de Frankfurt e estruturalismo francês (Barthes).
Hegemonia = capacidade de um grupo social para assumir a direção
intelectual e moral sobre a sociedade, formando em torno de seu projeto
um novo sistema de alianças sociais, um novo “bloco histórico”, onde há
negociações / compromissos / mediações. Ou seja: hegemonia é a
construção do poder pela aquiescências dos dominados aos valores da
ordem social. Mesmo assim, classe dominante acaba, por vezes, tendo de
Ideologia = conjunto de imagens / representações / significações que
circulam no âmbito da mídia, visando o monopólio do poder social.
Assim:
- cultura é um universo no qual o sujeito é produto ativo dela própria.
- cultura NÃO É sabedoria / experiência passiva, mas sim um conjunto de
intervenções ativas que podem mudar a história e transmitir o passado.
Estudos Culturais se propõem a analisar e relacionar produção /
distribuição / recepção culturais a práticas econômicas associadas à
constituição do sentido cultural.
“4 . fonte principal” dos Estudos Culturais: Stuart Hall, segundo diretor do
a
CCCS. Texto-chave: “Codificação/Decodificação” (1973). Nele, Hall faz uma
análise do processo comunicativo televisivo.
Produção Circulação
Reprodução Distribuição/consumo
Hall defende que instâncias se articulam entre si, não podem ser
analisadas independentemente. Assim, por exemplo, diz Hall, audiência é
tanto a fonte quanto o receptor da mensagem (aqui, Hall retoma Marx: “o
consumo determina a produção, a produção determina o consumo”).
Funcionamento da mídia não pode ser visto como apenas a transmissão
mecânica de uma mensagem, por parte de uma fonte, pela recepção.
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Outras influências: Gramsci (“hegemonia”), Marx e Althusser (“ideologia”), Escola de Frankfurt e estruturalismo francês (Barthes).

Hegemonia = capacidade de um grupo social para assumir a direção intelectual e moral sobre a sociedade, formando em torno de seu projeto um novo sistema de alianças sociais, um novo “bloco histórico”, onde há negociações / compromissos / mediações. Ou seja: hegemonia é a construção do poder pela aquiescências dos dominados aos valores da ordem social. Mesmo assim, classe dominante acaba, por vezes, tendo de se “reenquadrar” nesse novo contexto.

Ideologia = conjunto de imagens / representações / significações que circulam no âmbito da mídia, visando o monopólio do poder social.

Assim:

  • cultura é um universo no qual o sujeito é produto ativo dela própria.
  • cultura NÃO É sabedoria / experiência passiva, mas sim um conjunto de intervenções ativas que podem mudar a história e transmitir o passado.

Estudos Culturais se propõem a analisar e relacionar produção / distribuição / recepção culturais a práticas econômicas associadas à constituição do sentido cultural.

“4. fonte principal” dos Estudos Culturais:a Stuart Hall , segundo diretor do CCCS. Texto-chave: “Codificação/Decodificação” (1973). Nele, Hall faz uma análise do processo comunicativo televisivo.

Produção Circulação

Reprodução Distribuição/consumo

Hall defende que instâncias se articulam entre si, não podem ser analisadas independentemente. Assim, por exemplo, diz Hall, audiência é tanto a fonte quanto o receptor da mensagem (aqui, Hall retoma Marx: “o consumo determina a produção, a produção determina o consumo”).

Funcionamento da mídia não pode ser visto como apenas a transmissão mecânica de uma mensagem, por parte de uma fonte, pela recepção.

Produção = processo de codificação que é realizado conforme:

Consumo = processo de decodificação que se dá de três modos possíveis, em relação à ideologia dominante

Assim, diz Hall: codificação = decodificação , pois processos distintos, ainda que interdependentes

Primeiros estudos culturais abriram espaço para outros tipos de análises culturais: feministas, culturas populares, grupos profissionais midiáticos, subculturas jovens, minorias étnicas etc. Sua fácil adaptabilidade a qualquer ambiente social (contraditório, socialmente falando) fez com que se desenvolvesse rapidamente em outros países.

Estudos culturais têm realidade diferente da Escola de Frankfurt:

mídia = situada no âmago da sociedade, não estranha a ela; classe dominante = existe, mas tem de negociar com classes subalternas; “dominados” = não passivos, negociam sentido conforme sua cultura; tende-se a falar, atualmente, de comunidades interpretativas (Stanley Fish).

Problema dos estudos culturais: tender a focar demais na recepção, deixando de lado aspectos e particularidades de quem detém os meios de produção simbólica e não considerar outras leituras possíveis (feministas, gays etc.)

imagens da audiência

códigos profissionais

dominante - hegemônica

oposicional - contestária

negociada - mesclada ou “contraditória”

PARA LER MAIS:

ESCOSTEGUY, Ana Carolina. “Os Estudos Culturais”. In: HOHLFELDT, Antonio, MARTINO, Luiz C. & FRANÇA, Vera Veiga. Teorias da Comuni- cação. Petrópolis, Vozes, 2001, pp. 151-70.

HALL, Stuart. Da Diáspora - identidades e mediações culturais. Belo Ho- rizonte, UFMG/UNESCO, 2003.

MATTELART, Armand & NEVEU, Érik. Introdução aos Estudos Culturais. São Paulo, Parábola Editorial, 2004.

SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). O Que é, Afinal, Estudos Culturais? Belo Horizonte, Autêntica, 2000.

Para alguns, análise de Breed visibiliza os critérios subjetivos que interferem na produção de uma notícia; assim, passamos do gatekeeping para o newsmaking , para a análise dos modos e rotinas de produção em um jornal, ou seja, o que faz algo ser notícia ( newsworthiness ).

Mais precisamente: notícia passa a ser aquilo que se adequa à linha editorial de cada jornal, não algo que seja “particular” do jornalista. Para Peter Golding e Phillip Elliot (1979), passa-se da noção de “distorção voluntária” para a “distorção involuntária” ( unwitting bias ). Denis McQuail (1985) define quatro tipos de distorção, sendo as duas primeiras mais facilmente localizáveis e as duas últimas mais “invisíveis”:

  • posição partidária (voluntária e explícita)
  • propaganda (involuntária e explícita)
  • ideologia (voluntária e implícita)
  • unwitting bias (involuntária e implícita)

De modo geral, o modus operandi do jornalista diz respeito a dois grupos de fatores (geralmente desconhecidos do público em geral):

  1. a cultura profissional do jornalista (a naturalização das práticas profissionais);
  2. a organização do trabalho e suas e processos produtivos (convenções que acabam por definir a noticiabilidade de um fato).

Exemplos de naturalização:

  1. depoimento (fonte) = texto editado (em tempo, tamanho);

  2. opção (atual) pelo relato lógico, não cronológico;

  3. texto jornalístico = indexical (só se refere ao referente, raramente ao modo como ele próprio - texto - é produzido).

  4. uso de recursos lingüísticos similar ao dos textos históricos e científicos: “apagamento” do sujeito enunciador.

Conseqüências:

  1. superficialidade e acontextualidade (em relação aos textos históricos e científicos), pois enfoque é maior no “o quê?”, “como?”, “onde?” etc., e menor - muitas vezes - no “por quê?”). Paradoxo: quanto (de informação) em quanto tempo / espaço.
  1. Importâncias e hierarquizações se dão conforme certas características:
  • critérios de noticiabilidade: grau / nível dos envolvidos no fato + impacto sobre país / interesse nacional + número de pessoas envolvidas no fato / capacidade de evolução do assunto.
  • critérios do produto: disponibilidade / acessibilidade ao material + brevidade + ideologia da notícia (desvio é melhor do que rotina) + atualidade + qualidade + equilíbrio (balanceamento dos fatos).
  • critérios dos MCM: existência de apoio visual (imagens, fotos) + freqüência do fato (aparecerá uma vez ou várias?) + formato (duração / tamanho / formato da matéria).
  • critérios do público (imaginado)
  • critérios de concorrência: fragmentação exagerada / exacerbada (boxes : rubricas etc.) + expectativas recíprocas (um pensa no que o outro vai escrever / publicar) + expectativas recíprocas que desencorajam inovações
  • modelos de referência (“se FSP vai dar...” ou “se O Globo não der...”).

Em suma: fato de atender potencialmente boa parte desses critérios para se tornar um “acontecimento jornalístico”. Por isso, diz Adriano Duarte Rodrigues, “o fato cria a notícia, a notícia cria o fato”.

Rotinas produtivas: dizem respeito ao cotidiano das redações.

  • recolha de informações (fontes, agências, press-kits, releases, agendamento de datas e fatos etc.);
  • seleção de informações (conhecimento prévio + qualidade visual + visibilidade / existência nos MCM);
  • apresentação das informações (edição, diagramação, “recontextualização”, hierarquização dos fatos e “apagamento do público”).

Problemas do newsmaking :

  1. o going native (assemelhamento do estrangeiro ao pesquisado);
  2. o “não estranhamento” (como jornalista se “afasta” de colegas / (^) realidade?);
  3. após conhecer rotinas, difícil não pensar na mesma lógica do jornalista.

Interesse midiático recai sobre:

  • filósofos (puros / pessimistas / sintéticos / antevêem o futuro);
  • historiadores (“úteis” para falar sobre o hoje / se nutrem do passado);
  • médicos (interesse humano sobre vida / morte / doença / saúde);
  • sábios.

Desinteresse midiático recai sobre:

  • cientistas (herméticos / sérios / tecnicistas / sem charme);
  • cientistas sociais (não generalizam conceitos / não são tão claros / parecem “inúteis” aos olhos da mídia / parecem semiconcorrentes da imprensa).

Exceções tendenciais: economistas e cientistas políticos (trabalham com números e estatísticas, que parecem mais “objetivos”).

Demais intelectuais: exceções, são solicitados em questões pontuais / emergenciais / extremas.

Em suma: mídia tem conjunto de regras próprias para seu funcionamento; isso levará a críticas de autores pós-modernos / pessimistas ( Jean Baudrillard, Lucien Sfez, Paul Virilio )

PARA LER MAIS:

BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edi- tor, 1997.

BREED, Warren. “Controlo Social na Redacção: uma análise funcional”. In: TRAQUINA, Nelson (org.). Jornalismo: questões, teorias e “estórias”. Lisboa, Vega, 1993, pp. 152-66.

TRAVANCAS, Isabel. O Mundo dos Jornalistas. São Paulo, Summus, 1993.

WHITE, David. “O Gatekeeper: uma análise de caso na selecção de no- tícias”. In: TRAQUINA, Nelson (org.). Jornalismo: questões, teorias e “es- tórias”. Lisboa, Vega, 1993, pp. 142-51.

WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. 4. ed., Lisboa, Presença, 1995, pp. 159-227.

WOLTON, Dominique. Elogio do Grande Público - uma teoria crítica da televisão. São Paulo, Ática, 1996.

OS EFEITOS A LONGO PRAZO ( AGENDA-SETTING , ESPIRAL DO

SILÊNCIO)

Para entender o que se quer dizer com “efeitos a longo prazo”, é preciso entender antes como podem ser classificados os efeitos da mídia em geral. Denis McQuail propõe uma tipologia desses efeitos, a partir de estudos de Peter Golding (1980).

Tipologia dos Efeitos dos Meios de Comunicação de Massa

Intencionalidade

voluntária

  • resposta individual - difusão (planejada) de
  • campanhas educativas / desenvolvimento informativas - distribuição de conhecimento (notícias, informações etc.) Tempo

curto prazo longo prazo

  • reações individuais coletivizadas - controle social (manutenção de
  • reações individuais não previstas ordem e autoridade) (imitação, agressividade, excitação, transtornos, medos etc.) - socialização (adoção informal de normas, valores, comportamentos)
  • definição de realidade (tendência dos MCM a apresentar visão incompleta / particular da realidade
  • troca institucional (efeitos sobre outras instituições sociais)

involuntária

Para McQuail, podemos classificar os quatro modos nos seguintes termos:

  • intencionais a curto prazo = tendenciosos
  • não intencionais a curto prazo = tendenciosos inconscientes
  • intencionais a longo prazo = políticos
  • não intencionais a longo prazo = ideológicos

AGENDA-SETTING

Tipos de agendas possíveis numa sociedade de massas:

  • agenda individual (intrapessoal);
  • agenda interpessoal manifestada;
  • agenda da mídia;
  • agenda pública (da sociedade como um todo);
  • agenda institucional (prioridades temáticas eleitas por uma instituição).

Fatores condicionantes:

  1. origem da mensagem (mesmas agências, mesmas fontes);
  2. veículo da mensagem (TV = tempo menor de agendamento, jornal = tempo maior de agendamento);
  3. conteúdo da mensagem (se é temático ou acontecimento, se é próximo ou afastado do cotidiano dos leitores etc.).

Críticas ao agenda-setting :

  1. falta de critérios precisos para a determinação de um time-lag (intervalo de tempo do agendamento) adequado para análise;
  2. falta de critérios precisos para a determinação de uma amostragem de indivíduos condizente com determinados universos sociais estudados;
  3. dúvida sobre foco da análise: conhecimento do receptor, hierarquização temática ou abordagem específica de um fato;
  4. dificuldade de localizar nível da análise: tematização do assunto (editoria); conhecimento; ou argumentação sobre o assunto;
  5. predominância de temas políticos na análise, em detrimentos de outros assuntos;
  6. falta de homogeneidade metodológica nos estudos da área.

ESPIRAL DO SILÊNCIO

  • Silêncio - indivíduo tem medo do isolamento social, assim ele prefere omitir sua opinião (minoritária).
  • Espiral - opinião minoritária tende a ser “abafada” pelo silêncio, que cresce de modo espiralado.

silêncio tendencial Receptor “acuado” tende a: mudança de opinião tendencial

Outro fator inibidor: medo de opinar por falta de competência específica sobre um assunto (quanto mais conhecedor de algo, mais à vontade se sente a pessoa e vice-versa) = hipótese do knowledge gap (intervalo, hiato ou diferença de conhecimento), proposta por Philip. J. Tichenor, George A. Donohue & Clarice N. Olien (1970).

entrevistado bem-preparado AI knowledge gap

entrevistado malpreparado


0 (zero) (^) AI = absorção de informação

Hipótese do knowledge gap : MCM servem como instrumento de reprodução de desigualdades sociais (quem sabe mais tem mais chances de saber mais, principalmente temas complexos). Há autores que discordam dessa hipótese, dizendo que diferenças podem diminuir quando há interesse das camadas menos favorecidas (do ponto de vista do acesso à informação, e que pode ser também, mas não apenas, econômico) em relação a um determinado assunto. De qualquer modo, a diferença de conhecimento pode influenciar no silêncio de alguns em relação a certos temas (política, economia, arte, assuntos internacionais etc.).

Problema: como aferir de fato a opinião pública? Algumas premissas falsas na noção de “opinião pública” (Bourdieu e Patrick Champagne ):

  1. de que todos têm uma opinião, algo a dizer, sobre tema pesquisado;
  2. de que todas as opiniões têm o mesmo peso, que se equivalem;
  3. de que as mesmas perguntas sejam relevantes para todos;
  4. entrevistado sempre diz a verdade.

Outros pontos complicadores (como indivíduo percebe opiniões alheias):

  • falsa impressão da inexistência do efeito “terceira pessoa” (“alguém” substitui “eu” quando entrevistado fala);
  • falsa impressão (por parte do entrevistado) de que sua própria opinião é igual à opinião da maioria;
  • fato de que indivíduo “mente” quando interrogado sobre questões polêmicas (caso sua opinião seja “politicamente incorreta”, dissonante) e “diz a própria opinião” quando perguntado sobre opinião dominante.

Os brasileiros no âmbito da América Latina: Luiz Beltrão e Paulo Freire.

Luiz Beltrão – considerado pioneiro latino-americano dos estudos comunicacionais no continente, criador da folkcomunicação: “conjunto de procedimentos de intercâmbio de informações, idéias, opiniões, atitudes dos públicos marginalizados urbanos e rurais, através de agentes e de meios direta ou indiretamente ligados ao folclore” (BELTRÃO, 1980: 24).

Para Beltrão, há dois sistemas de comunicação no Brasil, ligados a dois grupos sociais distintos: um deles é o urbano/rural industrializado e alfabetizado tecnologicamente; o outro é o grupo dos analfabetos funcionais. Neste grupo, os indivíduos trocam informações através de processos atravessados pela cultura popular (ou folclore). É o que permite a Beltrão fazer uma releitura da teoria do duplo fluxo da comunicação, à luz da cultura brasileira, onde “desaparecem” os líderes de opinião e surgem os “agentes coletivos”. Assim, a comunicação entre esses indivíduos tem 3 características:

  • horizontalidade (E = R)
  • dialogia (E e R = opções do indivíduo)
  • participatividade (E e R = agentes em total interatividade).

Paulo Freire – para Jesús Martín-Barbero, a pedagogia de Paulo Freire é “a primeira teoria latino-americana da comunicação” (MARTÍN-BARBERO, 2003:

  1. e que não está voltada apenas para os países subdesenvolvidos.

Premissa de Paulo Freire = inter-relação entre palavra e ação, onde ambas são nulas se uma não está de algum modo ligada à outra. O aprendizado da língua deve equivaler à liberação da palavra própria (do outro ). Assim, o verdadeiro processo pedagógico é aquele que “quebra” aquilo que Freire chama de cultura do silêncio , a qual foi imposta pelos colonizadores aos moradores originais da América Latina.

Para Freire, o analfabeto é “o homem impedido de dizer sua palavra”, pois o analfabetismo não é uma simples “falta de instrução”. O processo pedagógico tem a ver com tomada de consciência, por parte do oprimido, de sua própria condição de opressão.

Crítica da linguagem = investiga a presença da linguagem na conformação da sociedade como sistema, o papel da linguagem na gestação das estruturas mentais, coletivas e sociais. A linguagem, como fato social, permite (ou não) a entrada do indivíduo nas diferentes esferas sociais. Como diz Martín-Barbero: “falar não é só servir-se de uma língua, mas por um mundo em comum, fazer dela lugar de encontro” ((MARTÍN-BARBERO, 2003: 31).

Atuais nomes da Escola Latino-Americana: Jesús Martín-Barbero, Néstor García Canclini, Guillermo Gómez Orozco, Valerio Fuenzalida, Jorge González.

Outros nomes relevantes no pensamento comunicacional latino-americano: Maria Elena Hermosilla, Beatriz Sarlo, Anibal Ford, Renato Ortiz.

Esses autores levam os estudos latino-americanos de comunicação para o campo da recepção (depois da mediação), tentando não perder de vista o todo do processo comunicacional.

CONSUMO CULTURAL - Néstor García Canclini - estuda o consumo como prática cultural (“o consumo serve para pensar”).

Canclini propõe uma teoria sócio-cultural do consumo para abordar os processos de comunicação e recepção dos bens simbólicos.

Consumo = algo mais complexo do que relação entre meios manipuladores e dóceis audiências; é o conjunto de processos sócio-culturais em que se realizam a apropriação e o uso de produtos e bens simbólicos.

Hegemonia cultural - não se exerce verticalmente, pois entre “dominados e dominantes” há os mediadores (família, bairro, colegas de trabalho etc.).

Comunicação = relação de dominação Comunicação = eficaz se apresentar relações de colaboração / transação entre emissor e receptor.

Ato de consumo NÃO É exercício de gostos, caprichos e compras impensadas segundo julgamentos moralistas / atitudes individuais, mas pode ser um exercício refletido de cidadania (consumidor pode virar cidadão).

Pesquisa de consumo tradicional = preocupa-se com quem tem e quem não tem; deveria se preocupar com pesquisar entre quem tem e quem não tem mas reconhece / compartilha o significado sócio-cultural do objeto.

Objeto = bem potencialmente “múltiplo”, cuja “biografia” é irregular (vide os objetos de artesanato, canções, filmes, peças etc., que podem mudar constantemente de valor de uso, de valor estético etc. à medida em que mudam de contexto).

Problemas do pensamento de García Canclini:

  1. é possível conciliar cinco visões sócio-econômicas com uma visão psicanalítica? Se sim, como?
  2. proposta de Canclini, de transformação do consumidor em cidadão, é viável na prática?

USO SOCIAL DOS MEIOS - Jesús Martín-Barbero. Propõe:

  1. a troca do conceito de recepção pelo de mediação;
  2. um estudo dos processos de comunicação a partir da cultura;
  3. a articulação entre práticas de comunicação e os movimentos sociais.

Barbero se opõe a:

  1. o modelo lasswelliano + semiologia estruturalista (ideologista, de “denúncia política”, com interesse exclusivo “nos passos do dominador, nunca do dominado ou do conflito entre eles”);

  2. modelo informacional (Teoria da informação) (cientificista, que deixa de lado a questão do poder e do sentido [das interpretações], em prol de uma visão racional do processo comunicativo).

  3. conceito clássico de recepção (que remete à passividade). Barbero quer “conceito dinâmico” (receptor ativo, leitura crítica da comunicação) que inclua a problemática da ideologia “interferindo” na recepção e traga à tona a noção de “classe social”.

Foco - deve passar dos MCM para as mediações.

Mediação - conjunto de influências que estrutura, organiza e reorganiza a percepção da realidade na qual está inserida o receptor, tendo poder também para valorizar implícita ou explicitamente esta realidade. Mediação produz/reproduz os significados sociais, sendo ela o “espaço” que possibilita compreender as interações entre produção e recepção.

Parâmetros para análise:

  • cotidianidade (estudo do espaço doméstico e do cotidiano) [Certeau];
  • consumo (lugar de interiorização muda da diferenciação social) [Canclini];
  • leitura - abordagem de leituras sociais possíveis de um texto [Iser, Jauss];
  • usos (do corpo, espaço, tempo, habitat etc.);
  • lugares de mediação

Para Barbero, os lugares de mediações oferecidos pela TV (que é o contraponto do medo na América Latina) são:

  1. cotidianidade familiar = um dos poucos espaços no qual o indivíduo pode se confrontar com os outros e expor suas ânsias e frustrações (na medida em que a TV tem, na América Latina, a família como “unidade básica de audiência”). É, muitas vezes, o espaço de leitura e codificação da TV. Para isso, a TV se utiliza da simulação do contato e da retórica do direto.

Simulação do contato = função fática (Jakobson) para chamar a atenção do núcleo familiar, através a) do apresentador (interlocutor) e b) do tom do programa (diálogo coloquial).

Retórica do direto = proximidade à imagem + magia do “ver ao vivo” + imediatez, que também garante sensação de cotidianidade (por oposição ao distanciamento existente no cinema, gravado e editado). Ou seja: TV aproxima e familiariza tudo e todos; é a “familiarização da realidade”.

  1. temporalidade social = tempo social é diferente do tempo produtivo (valorizado e que pode ser medido).

Tempo social / cotidiano = repetitivo, feito de fragmentos, e serve de base para a TV, que se utiliza disso através da serialização dos produtos e de suas transformações em palimpsestos fragmentados (gêneros se remetem uns aos outros [intertextualidade], ao mesmo tempo em que o tempo é trabalhado de modo rentável). Baseia-se na:

  • estética da repetição (descontinuidade do tempo da narrativa + continuidade do tempo narrado);
  • sentimento de duração (típico do folhetim).
  1. competência cultural = envolvimento do público com os gêneros (“gramáticas”) e não com os textos em si. Enquanto críticos falam da qualidade do texto (“âmbito da estética”), pessoas se interessam por gêneros (policial, suspense, romance, erótico, ficção etc.) na condição de formas que geram expectativas prévias (“âmbito da textualização”).

Esses três níveis implicam nos usos possíveis, por parte dos receptores, para os processos de decodificação e ressignificação.

Verón chama a essa instância de operações de investimento do sentido ou operações produtivas de significação em matérias significantes, as quais geram textos (objetos textuais). Só que essas operações são (também) práticas sociais específicas (pois Verón pensa a linguagem como uma forma de ação).

Detalhe (polêmico): para Verón, sujeito é “apenas” um suporte dessas operações, nas quais não se considera a sua “intencionalidade” em transmitir uma mensagem, pois ele é considerado apenas em termos de sua posição social. Esse aspecto vai determinar o segundo processo:

b) condições de produção (extratextuais e sociais), que determinam o lugar social dos produtores (suportes).

Importante: processos de produção e condições de produção são processos complementares e inseparáveis. A soma de ambos gera um modo de produção discursiva a ser analisado.

Sistema produtivo = articulação entre produção + circulação + consumo

Análise semiológica se dá por diferenças (um texto não tem propriedades em si mesmo, mas só em comparações com outro textos ou outros textos). Assim, análise nunca é de um texto, mas de vários, e suas diferenças ocorrem por conta da posição social dos produtores.

Verón reconhece que textos não admitem uma leitura única, o que o leva a considerar a existência do que ele chama de gramáticas , as quais raramente são idênticas entre elas mesmas:

a) gramática de produção (modos como o texto é produzido), e b) gramática de reconhecimento (modos como o texto é lido).

Há ainda a instância da circulação, “processo pelo qual o sistema de relações entre condições e produção e condições de recepção é socialmente produzido” (VERÓN, 1980: 108). Exemplos: comunicação de massa = instantânea ou diária; arte = prorrogável; ciência = indefinida.

Para Verón, discursos tendem a ser marcados pela luta de classes, como o científico, porque são em essência ideológicos. Ideológico, aqui, significa:

a) dimensão de todos os discursos no interior de uma formação social; b) nome do sistema de relações entre discurso e condições de produção; c) aquilo que é tornado “natural”, espontâneo (conforme mito em Barthes).

Falar do ideológico é falar da natureza produtiva de qualquer fenômeno de sentido.

Os discursos sociais, para Verón, fazem parte daquilo que ele chama de semiose social , e aqui seu pensamento se volta para as idéias ternárias de Frege e Peirce. Ambos não consideram a relação entre objetos e nomes, como até certo ponto faz Saussure (que fala em “conceitos”), como algo binário, mas sim como um sistema ternário.

Frege Peirce Verón Análise de produção discursiva Zeichen (expressão)

sign (signo) operações produção (texto)

sinn (sentido) Interpretant (interpretante)

discurso traços (discurso)

bedeutung (denotação)

object (objeto) representações reconhecimento (leituras)

Em Frege, bedeutung equivale a um invariante associado a vários sentidos (ou seja, um mesmo objeto pode ter vários nomes, o que Frege chama de modos de dizer ). Em Peirce, o signo faz parte de uma cadeia semiósica, relacionando-se com um objeto e gerando um certo efeito (o interpretante). Para Verón, o “mesmo” ocorreria com os discursos sociais. O que importa para Verón não é a relação (primeira) signo/objeto, mas a representação da relação entre representação de primeira ordem e o objeto (ou Argumento, nos termos de Peirce).

Exemplo: democracia. Não interessa o que seja a democracia em si (como objeto), mas sim como é representada uma já dada representação dessa noção de democracia (“ditadura”, “liberdade dos povos”. “liberdade de mercado”, “neoliberalismo” etc.) em diferentes discursos. Assim, a representação é construída, reforçada ou alterada por uma comunidade (social, donde o “esvaziamento” do sujeito).

Seria o “peso do social” aquilo que esvazia o poder do sujeito diante da sociedade. Assim, por exemplo, ser jornalista implica em ocupar um papel social (do qual se espera o adequado desempenho desse mesmo papel social) e Dominar os processos de produção jornalística. Ou seja: o jornalista não fala “por si próprio”, ele é um suporte das operações que permitem a construção do sentido jornalístico (ou seja: o jornalista “só é jornalista” quando é jornalista). Por isso Verón, ao abordar a estrutura da semiose social, que é ternária, afirma que os sujeitos são vetores de atualização dessa tecedura:

  • objeto (representado) = ator social
  • signo = mediação
  • interpretante = suporte/ponto de passagem de operações de produção do sentido