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Teorias da Comunicação Parte1, Notas de estudo de Informática

Apostilas de Computação sobre Teorias da Comunicação, o que é teoria, o que é comunicação, Questões envolvendo teoria e comunicação, Paradigma clássico da comunicação.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 11/12/2013

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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
ESPECIALIZAÇÃO EM TEORIAS DA COMUNICAÇÃO E DA IMAGEM
DISCIPLINA: TEORIAS DA COMUNICAÇÃO
PROF. RICARDO JORGE DE LUCENA LUCAS
APOSTILA
(teorias da comunicação)
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL ESPECIALIZAÇÃO EM TEORIAS DA COMUNICAÇÃO E DA IMAGEM DISCIPLINA: TEORIAS DA COMUNICAÇÃO PROF. RICARDO JORGE DE LUCENA LUCAS

APOSTILA

(teorias da comunicação)

Atualizada em 2010

ANTES DE TUDO: COMO LER E ESTUDAR

O quê estudar? Qual seu tema? Qual o problema que seu tema propõe?

  1. passo: procurando o tema
  • qual o assunto que lhe interessa?
  • é um aspecto específico dele? Ou é algo muito geral?
  • o quê você tem sobre o assunto? (livros, artigos, trabalhos anteriores etc.)
  • você saberia discorrer sobre esse tema? (se sim, tente fazer um pequeno texto sobre esse tema)
  • você tem alguma(s) dúvida(s) sobre o tema?
  1. passo: preparando o tema
  • monte (ou tente montar) uma bibliografia que possa ser útil;
  • pesquise bibliografias comentadas;
  • procure referências e bibliografias comentadas sobre o assunto na Internet em sites confiáveis (na dúvida, consulte o site www.allwhois.com);
  • pesquise em livrarias e bibliotecas, livros e revistas acadêmicas;
  • pesquise ementas e bibliografias de disciplinas de cursos de graduação e pós-graduação da área que lhe interessa (para perceber as obras mais recorrentes);
  • perceba se há ou não obras que se refiram ao seu tema (atenção: ausência de obras NÃO significa ausência de possibilidade de pesquisa).
  1. passo: preparando a futura orientação
  • vislumbre um professor com perfil adequado ao seu tema;
  • monte (ou tente montar) sua própria bibliografia;
  • submeta-a, junto com o texto no qual discorreu sobre seu tema, ao professor candidato a orientador.
  1. passo: preparando o ambiente de estudo
  • separe ou dedique um espaço de sua residência para estudar, sem som, TV, telefone e quaisquer objetos que possam tirar sua concentração;
  • defina para si próprio o tempo e o horário que irá separar para estudar;
  • tente perceber qual o horário de estudo para você (não se preocupe se não é o mesmo horário de outras pessoas).
  • tente ser rígido consigo próprio nesse quesito
TEORIA DA COMUNICAÇÃO; ANTES:
O QUE É TEORIA? O QUE É COMUNICAÇÃO?

Teoria - vem do grego, theoria (significa, dentre várias possibilidades, contemplação, espetáculo, especulação, concepção mental, reflexão sobre algo). Para alguns, pela theoria o homem se aproxima de Theous - Deus. Teoria = conjunto de leis que sistematizam e/ou definem um fenômeno, ou um conjunto de hipóteses que tentam confirmar/verificar/corrigir um fenômeno. Teorias tendem ou a convergir ou a entrar em choque. Ciência = campo do saber que tenta explicar de modo o mais completo possível um certo campo de fenômenos. Para alguns, a ciência é limitada, pois se constitui de um “recorte da realidade” acrescida de jargões de uma dada área. Paradigma = modelo ou “fórmula” que é a base de uma teoria dominante. Aquilo que membros de uma comunidade científica partilham (Thomas S. Kuhn); ao mesmo tempo, uma comunidade científica é formada de indivíduos que partilham um paradigma (observação: sentido de “partilhar um paradigma” não é o mesmo de “concordar com um paradigma”). Paradigma pode tanto facilitar quanto “emburrecer” a ciência. Verdade científica = limitada no tempo, no espaço e num dado meio científico-social. Metanarrativas (grandes narrativas) = saberes que tentam explicar a realidade a partir de um determinado foco (“significado transcendental”, diria Jacques Derrida: o capital, no capitalismo; o operariado, no socialismo; o inconsciente, na psicanálise; Deus, no catolicismo etc.). Ponto de viragem: física clássica física quântica observação direta escolha subjetiva certezas probabilidades Se verdade científica é algo limitado, ela pode ser colocada em xeque. Alguns apontam para uma “crise dos paradigmas” (Jean-François Lyotard, Michel Serres, Bruno Latour), uma vez que percebe-se que não há saber que explique o todo ontológico da realidade (marxismo, capitalismo, comunismo, psicanálise etc.)

Questões envolvendo teoria e comunicação:

  1. Comunicação é uma ciência, um campo teórico ou um fenômeno? (MUNIZ SODRÉ: “uma verdadeira teoria da Comunicação seria uma colocação em xeque das outras Ciências Humanas”).
  2. Comunicação é uma área/campo que historicamente se constituiu a partir de outros campos do saber (Psicologia, Sociologia, Filosofia, Lingüística, Antropologia, Informática etc.).
  3. por não ser, certamente, uma ciência exata, mesmas causas implicam em diferentes conseqüências ou efeitos. Para se trabalhar com pesquisa em Comunicação, é preciso definir o viés com o qual se pretende trabalhar:
  • p sicológico (comportamento das pessoas individualmente)
  • sociológico (comportamento do público coletivamente)
  • lingüístico-semiológico (análise de textos e/ou mensagens)
  • antropológico (relações grupais, aspectos culturais)
  • filosófico (ética, verdade)
  • estético (gráfico, artístico)
  • informático (redes de computadores, mídias digitais)
  • histórico (gênese de meios e tecnologias de comunicação, resgate histórico) A opção por um desses vieses NÃO EXCLUI necessariamente os outros aspectos. ATENÇÃO: PARADIGMA CLÁSSICO DA COMUNICAÇÃO: Emissor -> mensagem -> Receptor Ou simplesmente: E -> R E (emissor) = quem gera uma mensagem -> = conteúdo a ser transmitido de E a R R (receptor) = quem recebe uma mensagem Crise dos paradigmas irá afetar e/ou problematizar, em alguns aspectos, o paradigma clássico da Comunicação.
NÍVEIS DE COMUNICAÇÃO:

comunicação intrapessoal - efetuada consigo próprio; emissor e receptor coincidem. ( E = R) comunicação interpessoal (ou face-a-face, presencial) - entre diferentes pessoas, que são simultaneamente emissor e receptor. (E/R <-> E/R) comunicação intergrupal - entre diferentes grupos sociais. comunicação massiva - apoiada nos tradicionais meios de comunicação de massa (MCM), como rádio, televisão e mídia impressa. Emissor e receptor são instâncias separadas pelo tempo e/ou espaço. R MCM (E) R R comunicação mediada pelo computador - efetuada através de computadores interligados em rede, operando em “tempo real” (Internet, intranets). Traz aspectos da comunicação interpessoal (onde pessoas são simultaneamente emissor e receptor) e da comunicação massiva (há um suporte técnico mediando os agentes sociais envolvidos no processo). E/R E/R E/R E/R E/R E/R Comunicação ocorre ainda entre:

  • seres brutos (matérias) - transmissão, no sentido físico-químico
  • seres orgânicos (animais) - informação, no sentido biológico
  • seres humanos - interação + interpretação, no sentido cultural-simbólico

PRINCIPAIS CONCEITOS

DO CAMPO TEÓRICO DA COMUNICAÇÃO

COMUNICAÇÃO = conceito que se confunde com outros conceitos paralelos (informação e transmissão) Isso ocorre porque, nas sociedades tradicionais (pré-modernas), comunicação e informação tendencialmente “caminhavam” juntas. Além disso, uma noção de comunicação vai se desenhar na primeira metade do século XX (consolidando-se nos anos 40-50), a partir do momento em que os meios de comunicação de massa (rádio, cinema, televisão) vão se tornando elementos cotidianos na vida das pessoas. COMUNICAÇÃO vem do latim COMMUNICATIO , onde: CO + MUNIS + TIO SIMULTANEIDADE + ESTAR ENCARREGADO DE + AÇÃO-ATIVIDADE Ou seja, a idéia de comunicação implica em uma atividade ou ação na qual se pressupõe um compartilhar de algo. A partir desses radicais, surgem outras palavras afins, como COMUNGAR. Dicionários designam geralmente a comunicação como:

  • ato de estabelecer relação (coisas, células, animais, seres humanos);
  • ato de transmitir sinais através de códigos (animais, seres humanos);
  • ato de trocar pensamentos ou sentimentos (seres humanos);
  • usar meios tecnológicos (comunicação telefônica, via Internet);
  • mensagem ou informação;
  • vias que ligam espaços distintos, ou circulação;
  • disciplina, saber, ciência ou grupo de ciências. Vamos precisar o conceito de COMUNICAÇÃO e diferenciá-lo de INFORMAÇÃO
ASPECTO CENTRAL DA COMUNICAÇÃO = TROCA
TROCA => OUTRAS ÁREAS (ECONOMIA E ANTROPOLOGIA)

ECONOMIA = pensamento fisiocrata - FRANÇA, SÉC. XVIII ( François Quesnay ) Premissa = fisiocratas eram anti-mercantilistas (mercantilismo pregava o centralismo do estado nas decisões). Fisiocratas adotam o lema do laissez-faire, laissez-passer (“deixar fazer, deixar passar”) e a figura da “mão invisível do mercado”. Progresso político-econômico viria com o desenvolvimento dos meios de comunicação (ou melhor, das vias fluviais, marítimas e terrestres de comunicação), interligando diferentes pontos, fazendo circular produtos e renda. Ou seja: há uma visão de interdependência entre as partes, sistêmica, no qual tudo precisa funcionar bem para que todos estejam bem. Economia de fluxo, de trocas, era vista como algo “natural”. ANTROPOLOGIA = estudo sobre dádiva - FRANÇA, SÉC XIX-XX ( Marcel Mauss ). Premissa = troca é um fato social total (conforme definição do tio, Émile Durkheim , ou seja, quando a totalidade do social está presente, ou ainda, quando o fato é puramente social, não pode se dar apenas na instância do estritamente individual). Mauss = dádiva é um fato social baseado numa tríade: dar, receber e retribuir (objetos materiais ou simbólicos), criando laços sociais. DÁDIVA = processo de mão dupla “desigual”, pois: QUEM DÁ, PODE RECEBER - QUEM RECEBE, DEVE RETRIBUIR Está em vantagem, portanto, quem dá, criando uma obrigação para quem deve retribuir. Mesmo que o recebedor não queira “entrar no sistema”, ele já está nele ao receber, e mesmo que se recuse a receber ou a retribuir. Ou seja: o que está em jogo aqui são a honra e o prestígio (de dar ou de retribuir). DIFERENÇAS ECONOMIA: TROCA = LUCRO (MERCADO + SOLIDÃO) ANTROPOLOGIA: TROCA = HONRA (ALIANÇA + SOCIABILIDADE)

ASPECTO CENTRAL DA INFORMAÇÃO = TRANSMISSÃO
(DA MENSAGEM)

INFORMAÇÃO = mensagem referente a acontecimento inesperado, desconhecido ou novo, do ponto-de-vista de quem NÃO o conhece e que depende das probabilidades de acontecer ou não. INFORMAÇÃO = matéria-prima da comunicação e da cultura de massas (novelas, noticiários, eventos esportivos etc.), uma vez que trabalham com subentendidos do tipo “saiba que”. INFORMAÇÃO = transmissão UNILATERAL de um suposto SABER, da parte de quem sabe (EMISSOR) direcionado para um ou mais destinatários que supostamente NÃO SABEM DE OU DESCONHECEM ALGO. Preocupação: que mensagem emitida seja a mesma a ser recebida pelo destinatário, sem perda de elementos ou falhas de transmissão. Mensagem enviada (emissor) = Mensagem recebida (receptor) COMUNICAÇÃO = baseia-se na TROCA INFORMAÇÃO = baseia-se na TRANSMISSÃO DE ALGO (MENSAGEM) Antigamente (sociedades pré-modernas), comunicação e informação caminhavam juntas, ou seja, partilhavam a mesma EXPERIÊNCIA para os indivíduos envolvidos. Com o desenvolvimento da comunicação de massa, instâncias da comunicação e da informação se separam. SODRÉ: “a regra do jogo é fingir que o medium (o intermediário técnico entre falante e ouvinte) equivale à completa realidade comunicacional dos sujeitos. E o primeiro grande falseamento operado por essa ficção é confundir informação com comunicação ” (SODRÉ, 1977: 24) COMUNICAÇÃO DE MASSA (THOMPSON) = “série de fenômenos que emergiram historicamente através do desenvolvimento de instituições que procuravam explorar novas oportunidades para reunir e registrar informações, para produzir e reproduzir formas simbólicas, e para transmitir informação e conteúdo simbólico para uma pluralidade de destinatários em troca de algum tipo de remuneração financeira. Sejamos mais precisos: eu usarei a expressão ‘comunicação de massa’ para me referir à produção institucionalizada e difusão generalizada de bens simbólicos através da fixação e transmissão de informações ou conteúdo simbólico ” (THOMPSON, 1998: 32. Grifos no original).

RETÓRICA = primeira sistematização de conhecimentos e idéias acerca da Comunicação. Influenciou outros campos do discurso (Jornalismo, Publicidade, Direito, Pedagogia etc.) É ampliada por Górgias na Grécia antiga, depois por demais sofistas. Sofistas = combatidos por Platão, por praticarem, em vez da boa retórica em busca da Verdade ( psicagogia : formação das almas pela palavra), uma má retórica ( logografia : fala-se sobre qualquer coisa em troca de dinheiro e “exibicionismo”). Aristóteles sistematiza Retórica para tratar do verossímil (aquilo a que não cabe uma verdade, pois trata do “que lhe parece” - opinião - e não “do que é”) e transforma-a, efetivamente, na primeira teoria da Comunicação:

  1. Arte Retórica trata de três instâncias: ORADOR (tomo I) JUÍZES (tomo II) ESTILO (tomo III) EMISSOR RECEPTOR MENSAGEM
  2. retórica baseia-se no kairós ( , senso de oportunidade ou politropia): adapta-se o discurso para cada situação e cada platéia a ser convencida (oposto, um mesmo discurso para todos = monotropia).
  3. sistema retórico permite seu uso para praticamente todas as produções textuais (orais, escritas, audiovisuais etc.).
  4. Retórica aristotélica é, para alguns, ainda a primeira teoria da Recepção, uma vez que discurso deve ser adaptado, ou seja: a recepção é pensada antes e no momento da emissão. Esse aspecto será esquecido por grande partes das posteriores teorias da comunicação de massa. O SISTEMA RETÓRICO é composto de 3, 4 ou 5 partes (varia conforme autores):
  • inventio ( heuresis ) = escolha dos argumentos (e não invenção)
  • dispositio ( taxis ) = disposição, ordenamento dos argumentos
  • elocutio ( lexis ) = estilo de expressão dos argumentos; ornamento
  • actio ( hypocrisis ) = estilo corporal/gestual para apresentar argumentos
  • memoria ( mneme ) = capacidade mnemômica de expor argumentos

Inventio - busca dos argumentos para convencer a um auditório, depende:

  1. do gênero do discurso:
  2. do tipo de argumento: etos ( ethos ) - caráter (do orador) - MORAL patos ( pathos , passio ) - emoções (do auditório) - PSICOLÓGICO logos - argumentação dialética (do discurso) - LÓGICO “Los medios operan, de distintas maneras y con resultados diferentes según las circunstancias, sobre las tres dimensiones básicas de la comunicación: la dimension de las reglas (qué se debe hacer o no hacer: el componente ético); la dimensión de los hechos (cómo se describe un acontecimiento determinado, cómo se lo narra, cómo se lo contextualiza: el componente relativo a la veracidad de la información) y los sentimientos (qué sensaciones, impresiones, afectos, son asociados a tal o cual hecho: el componente emocional de la información)”. (VERÓN, 1999: 131) Dispositio - ordenação dos argumentos, constitui-se de: exórdio - início do discurso - etos narração - exposição clara, breve e crível dos fatos - logos confirmação - conjunto de provas - logos peroração - fim do discurso - logos + patos Pode haver ainda: digressão - relaxamento do discurso recapitulação - resumo da argumentação Judiciário Juízes Passado Acusar/defender Justo/injusto Entinema Possível/ (dedutivo) impossível Deliberativo Assembléia Futuro (^) Aconselhar/desaconselhar Útil/nocivo Exemplo Real/ (indutivo) não-real Epidíctico Espectador Presente Louvar/censurar Nobre/vil Amplificação^ Mais/ menos
FUNCIONALISMO NORTE-AMERICANO

A Comunicação volta a ser estudada sistematicamente só no início do século XX (em particular no período entre as duas Grandes Guerras), com o advento e expansão dos MCM. Essas retomadas influenciaram boa parte dos anos 60/70 (70/80 no Brasil). Suas origens: CONTEXTO = EUA, pós-I Guerra Mundial INFLUÊNCIAS = behaviorismo (John Watson) + condicionamento clássico (Ivan Pavlov). Visão psicanalítica (inconsciente, ego) é aqui ignorada. América do Norte Teorias matemáticas, pensamento funcionalista norte-americano e ideário de Marshall McLuhan Europa a teoria crítica da Escola de Frankfurt e a semiologia francesa Behaviorismo comportamento humano é analisável porque observável, graças aos estímulos que provocam respostas (atos do indivíduo); recusam-se conceitos mentais (não-observáveis) E > R (estímulo provoca resposta) Condicionamento pavloviano tentava mostrar que biologia natural podia ser influenciada por estímulos externos. Padrões comportamentais não eram herdados ou genéticos, apenas, mas também alterados E externo > atividade natural Cria-se a idéia dos MCM como instâncias criadoras de “estímulos” (conteúdos), que provocariam “respostas” (efeitos) junto à audiência (vide notícias sobre a guerra, propaganda, programa de rádio A Guerra dos Mundos, de Orson Welles etc.). É a base para a Teoria da Agulha Hipodérmica (ou Teoria da Bala Mágica ou da Correia de Transmissão): MCM = onipotentes, poderosos X massa = impotente, passiva (massa = sociedade de indivíduos isolados, conforme pensamento de Gustave Le Bon e José Ortega y Gasset ) PLEBE, Armando & EMANUELE, Pietro. Manual de Retórica. São Paulo, Martins Fontes, 1992. REBOUL, Olivier. Introdução à Retórica. São Paulo, Martins Fontes, 1998.

É no final dos anos 40, dentro desse cenário de paranóia/medo, que surgem, nos EUA, dois dos paradigmas mais clássicos da Comunicação e que orientarão grande parte dos estudos posteriores na área: o modelo teórico de Harold Lasswell e a Teoria Matemática da Informação de Shannon & Weaver. Harold Lasswell 1948, “A Estrutura e a Função da Comunicação na Sociedade” quem? diz o quê? em qual canal? para quem? com quais efeitos? Viés funcionalista: vê o sistema social como um organismo cujas partes, de funções específicas, devem funcionar bem para o todo funcionar bem Meta: funcionalidade do sistema Claude Shannon e Warren Weaver 1949, “A Teoria Matemática da Comunicação” Viés matemático-informacional: vê partes componentes do sistema (e não o processo comunicacional) comunicativo apenas do ponto-de-vista técnico, com particular preocupação de que os sinais da mensagem transmitida cheguem ao destinatário do mesmo modo que “saíram” da fonte. Meta: transmissão otimizada da mensagem, sem preocupação com o seu conteúdo fonte destinatário mensagem mensagem codificador (E) sinal canal sinal decodificador (R) sentido da transmissão (ruído) Diferenças nas propostas paradigmáticas de Lasswell e de Shannon & Weaver: Em ambos os casos, só uma coisa importa: o sistema (social ou técnico) Shannon & Weaver preocupação apenas com o funcionamento técnico (não semântico) do sistema comunicativo. Lasswell preocupação com o papel da mídia na sociedade. Funções: vigilância + correlação das partes sociais + transmissão da herança cultural

Lazarsfeld chegou a trabalhar nos anos 50 junto com Adorno (a quem acusou de não fazer a verificação das hipóteses com as quais trabalhava) e, apesar de defender a administrative research , percebeu três funções dos MCM, juntamente com Robert King Merton:

  1. o poder de atribuir status a questões públicas, pessoas, organizações e movimentos sociais (estabilização e coerção à hierarquia da sociedade);
  2. a execução de normas sociais (normatização e visibilização dos desvios possíveis numa sociedade);
  3. a capacidade de narcotizar o público (chamado pelos autores de “disfunção narcotizante”). Ou seja: o indivíduo prefere “saber sobre algo” a “fazer algo sobre” (informação inibe a ação). Joseph T. Klapper - ex-aluno de Lazarsfeld e sociólogo, Klapper propõe modelo teórico no qual os MCM não podem ser tomados como causa única e suficiente dos efeitos junto ao público. Visão fenomênica de Klapper vê “os meios de comunicação como uma influência que opera entre outras influências dentro de uma situação total” ( apud MCQUAIL, 1985: 228). Klapper aprofunda noção da capacidade seletiva do público, pois crê que:
  4. pessoas preferem se expor aos MCM condizentes com as suas atitudes individuais; portanto, na verdade, em vez de serem influenciadas pelos MCM, as pessoas reforçariam seus sistemas de crenças, pois
  5. as pessoas não estão diante dos MCM em estado de “nudez psicológica”, mas sim com um conjunto de pré-disposições já existentes. Percebe-se, aqui, que foco dos estudos sobre os MCM vai gradativamente deixando de lado os conteúdos e os efeitos que eles provocam, e passam a se dirigir para o lado dos receptores. PARA LER MAIS: ARAÚJO, Carlos Alberto. “A Pesquisa Norte-Americana”. In: HOHLFELDT, Antonio, MARTINO, Luiz C. & FRANÇA, Vera Veiga. Teorias da Comuni- cação. Petrópolis, Vozes, 2001, pp. 119-30. POLISTCHUK, Ilana & TRINTA, Aluizio Ramos. Teorias da Comunicação. Rio de Janeiro, Campus, 2003, pp. 83-108. WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa, Presença, 1987.
ESCOLA CANADENSE DE ESTUDOS EM COMUNICAÇÃO

Outro conjunto de idéias sobre os MCM vem do Canadá (anos 60) na polêmica obra de Marshall McLuhan, seguidor das idéias de Harold Innis (começo dos anos 50), geógrafo e economista. Foco de Innis = determinismo tecnológico; tecnologias da comunicação (e outras também, como transporte) são base de processos políticos e econômicos. Traços culturais de cada civilização antiga estão ligados aos meios por ela usados (meio “predispõe” uma forma social específica). Comunicação, tecnologia e esfera econômica = favorecem “monopolização do conhecimento” por parte de um grupo que cria/domina uma nova tecnologia, criando um “desequilíbrio” na sociedade (experts x “analfabetos tecnológicos”). Resultado: ou se impede o desenvolvimento ou surgem novos mecanismos para tentar “corrigir” esse desequilíbrio. Dimensões fundamentais = tempo e espaço (cada meio se adapta melhor a uma dimensão do que a outra). Exemplos: papel e papiros (da ordem da inscrição e leves) e comunicação eletrônica tendem a vencer o espaço, por se “moverem” mais facilmente; pedra, pergaminho e argila (da ordem da inscrição mas pesados e resistentes) tendem a vencer o tempo. Esses aspectos influenciam no desenvolvimento de uma civilização. Innis troca as considerações sobre os efeitos e os conteúdos (mensagens) por questionamentos sobre os canais. Seu pensamento terá influências, diretas ou indiretas, nas obras de McLuhan, Pierre Lévy, Derrick de Kerchove e Régis Debray. McLuhan - para alguns, precursor dos estudos midiológicos (“lógica da mídia”). Foge do formalismo do funcionalismo, mas não do funcionalismo em si (ao prever a “aldeia global”, espécie de “expansão/conexão mundial” da mídia até então localizada, por exemplo). McLuhan privilegia em suas análises o sensorial, nunca o ideológico. Importava para ele como o canal e a mensagem (“massagem”) atuavam no receptor, mas não o quê a mensagem significava. Para McLuhan, um novo meio modifica a percepção sensorial da realidade, uma vez que ele é uma extensão de algum sentido humano; um novo meio cria um novo ambiente, com conseqüências psíquicas e sociais. Meios se influenciam, se alternam, superam um ao outro, mas não se destróem.