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Trabalho de praticas extensionistas
Tipologia: Trabalhos
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Ao observamos o meio em que vivemos, nota -se o estado degradante o qual se encontra o planeta e observa-se também o seu clemente pedido de socorro, segundo os seus sinais, que podem ser observados nos mais diversos pontos do mundo, como é o caso das enchentes, dos desmoronamentos, do efeito estufa. A população precisa ser conscientizada que os espaços públicos não são depósitos de lixo e que os canais foram construídos para a captação de água da chuva. Estes atos reiteradamente contribuem de maneira significativa para a proliferação de doenças e contaminação dos canais, causando prejuízos à saúde dos que convivem na comunidade. No período chuvoso a situação agrava ainda mais, os entulhos e lixos que são jogados próximos ou dentro dos canais impede o escoamento das águas, causando o transbordamento, levando as águas poluídas para dentro das residências. Com o intuído de amenizar boa parte dos maus tratos sofridos pelo meio ambiente, foi desenvolvida uma pratica de conscientização social, onde se realizou uma divulgação em massa, por meio sonoro de frases de resgate a vida ambiental.
Nos últimos três séculos houve um grande crescimento do conhecimento humano, proporcionando um amplo desenvolvimento das ciências e da tecnologia. Ao mesmo tempo também ocorreram mudanças nos valores e modos de vida da sociedade, com o surgimento do processo industrial e o crescimento das cidades, aumentando a utilização dos recursos naturais e a produção de resíduos. Enfim, todos esses fatos geraram profundas mudanças na cultura, afetando principalmente a percepção do ambiente pelos seres humanos, que passaram a vê-lo como um objeto de uso para atender suas vontades, sem se preocupar em estabelecer limites e critérios apropriados. Não demorou muito para surgirem as conseqüências dessa cultura moderna: o surgimento de problemas ambientais que afetam a qualidade de vida. Em pouco tempo ficou claro que havia uma crise de relações entre sociedade e meio ambiente. A preocupação com essa situação fez com que surgisse a mobilização da sociedade, exigindo soluções e mudanças. Na década de 60, do séc. XX, a partir dos movimentos contraculturais, surgiu o movimento ecológico que trazia como uma de suas propostas a difusão da educação ambiental como ferramenta de mudanças nas relações do homem com o ambiente. A Educação Ambiental (EA) surge como resposta à preocupação da sociedade com o futuro da vida. Sua proposta principal é a de superar a dicotomia entre natureza e sociedade, através da formação de uma atitude ecológica nas pessoas. Um dos seus fundamentos é a visão socioambiental, que afirma que o meio ambiente é um espaço de relações, é um campo de interações culturais, sociais e naturais (a dimensão física e biológica dos processos vitais). Ressalte-se que, de acordo com essa visão, nem
sempre as interações humanas com a natureza são daninhas, porque existe um co- pertencimento, uma coevolução entre o homem e seu meio. (ARAUJ0, 2007)
3.2- A HISTORICIDADE DA QUESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL E NO MUNDO O primeiro evento foi a Conferência das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente (1972), conhecida como Conferência de Estocolmo. Com a participação de 113 países, esse evento, que denunciou a devastação da natureza que ocorria naquele momento, deliberou que o crescimento humano precisaria ser repensado imediatamente (Pedrini: 1998 p. 26). Nesse encontro, foram elaborados dois documentos: a “Declaração Sobre Meio Ambiente Humano” e o “Plano de Ação Mundial”. A principal recomendação dessa conferência foi a de que deveria ser dada ênfase à educação ambiental como forma de se criticar e combater os problemas ambientais existentes na época (Dias: 2000, p. 79). É importante lembrar que nesse evento os países subdesenvolvidos não pouparam críticas aos países ricos, por acreditarem que estes queriam limitar o desenvolvimento econômico dos países pobres “usando políticas ambientais de controle da poluição como meio de inibir a competição no mercado internacional (Dias: 2000, p.79) Em função da Conferência de Estocolmo, o governo brasileiro, pressionado pelo Banco Mundial, criou a Secretaria Especial do Meio Ambiente, com o objetivo de implementar uma gestão integrada do meio ambiente. Esse órgão possuía apenas três funcionários, o que mostrava o descaso da ditadura militar com as questões ambientais em nosso país. De acordo com Perini (1998), o plano de ação dessa conferência sugeria a capacitação dos professores, assim como uma metodologia de ação para a educação ambiental em nível mundial. Tendo em vista essa política, foram
recomendações à atuação internacional e regional sobre o tema. Segundo Dias (2000, p. 82), foi recomendado nessa reunião que se considerassem na questão ambiental não somente a fauna e a flora, mas “os aspectos sociais, econômicos, científicos, tecnológicos, culturais, ecológicos e éticos”. Além dessa questão, foi deliberado também que a educação ambiental deveria ser multidisplinar. Cabe destacar que as resoluções da Conferência de Tbilisi não conseguiram por em prática seus objetivos e princípios, de forma a implementar um amplo programa de educação ambiental em nível internacional. A Terceira Conferência Internacional sobre Educação Ambiental aconteceu em 1987, em Moscou (URSS), reunindo educadores ambientais de cem países vinculados às organizações não governamentais. Esse encontro reforçou os princípios e objetivos traçados em Tbilisi, na qual a educação ambiental deveria formar os indivíduos,desenvolver habilidades e disseminar valores e princípios que permitissem à sociedade elaborar propostas para a solução dos problemas ambientais. Para tanto, acordou-se que deveria haver uma reorientação da política de educação ambiental a partir de um plano de ação para a década de 90, com base nas seguintes diretrizes: a) implementação de um modelo curricular constituído a partir da troca de experiências mundiais; b) capacitação de educadores que atuassem com projetos de educação ambiental; c) utilização das áreas de conservação ambiental como pólo de pesquisa e formação docente; d) intensificação e melhoraria da qualidade das informações ambientais veiculadas na mídia internacional (Pedrini: 1998, 29-30). O governo brasileiro não apresentou nenhum projeto nesse encontro, provocando reações negativas por parte da comunidade internacional e do Banco Mundial. Com o objetivo de amenizar o problema, o Conselho Federal de Educação aprovou o parecer 226/87 que
incluiu o tema educação ambiental, aos moldes da Conferência de Tbilisi, na proposta curricular do ensino básico e médio em nosso país. Em função da pressão do movimento ambientalista, nacional e internacional, a Constituição promulgada em 1988 criou um capítulo sobre o meio ambiente, no qual a educação ambiental, em todos os níveis de ensino, passou a ser dever do Estado. Em 1989, o governo federal criou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA), com o objetivo de formular e coordenar a execução da política nacional de meio ambiente, além de incentivar as ações voltadas à educação ambiental. No ano de 1992, a cidade do Rio de Janeiro sediou a Conferência de Cúpula da Terra, conhecida como Rio-92. Essa reunião, que congregou representantes de 182 países, aprovou cinco acordos de extrema relevância para o mundo: a) a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; b) a Agenda 21 e suas formas de implementação; c) a Convenção Sobre Mudanças Climáticas; d) a Convenção sobre Diversidade Biológica; e) a Declaração de Florestas. Em um evento paralelo à Rio-92, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), foi aprovada a “Carta Brasileira para a Educação Ambiental”, que enfocou o papel do Estado enquanto promotor da educação ambiental em nível nacional. Concomitante à Rio-92, houve uma reunião de aproximadamente dez mil ONGs mundiais, na qual foi dada ênfase à educação ambiental “como referencial a ser considerado, reforçando-os como marco metodológico no ensino formal e informal” Segundo Dias (2000, p. 171), a Rio-92 reafirmou a tese da Conferência de Tbilisi, principalmente aquela que dizia respeito à interdisciplinaridade da educação ambiental, priorizando três metas: a) reorientar a educação ambiental para o desenvolvimento
Educação Ambiental, antes de tudo é ampliar os horizontes da consciência ingênua e compartimentalizada para a realidade que está exposta em nossa volta. Minc diz ainda: “Enquanto a história concreta da devastação da mata atlântica, primeiro pelo escravismo colonial e depois pelo capitalismo predatório, nos ciclos do café, cana, pecuária e especulação imobiliária, não ganhava espaço para ser analisado e discutido e não deslindavam as relações entre modelos de desenvolvimento e os ritmos e formas da alteração radical. (e muitas vezes irreversível) do nosso meio ambiente.” (MINC 1993, p.15) Dizem que o povo pobre, oprimido, excluído não tem sequer posse ou interesse nesta temática, isto, no entanto, trata-se de uma grande omissão. O povo em geral não tem a menor idéia de desenvolvimento sustentável ou dinâmica dos ecossistemas, mas na realidade possuem uma vivencia direta e dramática com as piores “desgraças ambientais” existentes. A poluição não é democrática. Ela atinge a todos, é verdade, com a chuva ácida, dispersão de metais pesados, efeito estufa, buraco na camada de ozônio, etc. Mas, sobretudo, ela agride àqueles que estão todos os dias em contato com gases em seu local de trabalho, sofrem com a poluição sonora, perdendo semanalmente parte de seus tímpanos, pulmões, e do sistema nervoso. Atinge também, àqueles que não têm emprego, nem casa, nem comida, estrutura social e muitas coisas. Como conversar sobre meio ambiente, poluição, qualidade de vida com essas pessoas? Surgem com isso várias propostas de trabalhos comunitários de geração de renda e emprego para essas famílias. Através destas iniciativas voltadas para a inclusão e a qualidade de vida, vemos a necessidade relevante da elaboração de mais projetos de cunho social e participativo (QUADROS, 2007)
Hoje a educação popular centra-se no atendimento das camadas populares marginalizadas para que estes se apropriem do saber como conhecimento/instrumento; de um saber usado na realização de objetivos de cunho social dessas camadas de excluídos. Falar em educação popular é dizer da necessidade formal de ocultar o seu modo próprio de ver e entender o mundo que o cerca, sua cultura e não tentar impor outro modo de vida. A educação popular deve partir de projetos populares que abranjam as necessidades e aspirações do povo para o povo, caso contrário esta seria apenas controlado por alguns "atores sociais" que querem a manutenção do sistema e da ordem social, estes formam grupos que querem o populismo educativo. A ordem social, estes formam grupos que querem o populismo educativo. A educação popular é criada na classe popular e por isso deve fugir de ideologias e domínio de um sistema pré- estabelecido. Ela é histórica, concreta e, portanto autentica e autônoma – baseia-se na construção de um saber instrumento, pois os métodos devem variar conforme as necessidades, um saber instrumento é distinto de seu cotidiano. (QUADROS, 2007)
3.5- A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA E O MEIO AMBIENTE Cidadania, palavra que vem do latim “civitas”, que quer dizer cidade. Na Roma antiga mostrava o envolvimento político, assim como os direitos adquiridos por cada pessoa, que segundo Dalmo Dallari:
A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social. (DALLARI, 1998)
Mais uma vez, vê-se a necessidade de ser/sentir-se parte integrante de sua história, sua trajetória, suas ações e atuações junto a sociedade e ao ambiente natural em que está vivenciando sua relação/ intervenção do homem pelo homem. Repensar esta relação de forma mais justa, humanitária e igualitária faz-se necessário através de mobilizações, interações , reflexão e ação sobre seu meio e realidade, levando em consideração a justiça social e organização sócio – política e econômica mais coerente. Nasce cooperativas e associações de moradores de bairro, comunitárias e populares, na busca de uma economia solidária, na tentativa da humanização e responsabilização social perante nossa estrutura atual. (QUADROS, 2007)
4- MATERIAIS E MÉTODOS 4.1- DESCRIÇÃO DA ÁREA DA PRÁTICA A presente prática foi realizada no Conjunto Augusto Franco , na cidade de Aracaju capital do estado de Sergipe. Este bairro é o mais populoso da cidade com aproximadamente 100.000 (cem mil moradores), e possuidor de uma estrutura única e valorização imobiliária acima da média, fruto principalmente da instalação da Universidade Tiradentes na década de noventa.
Figura 1 – Vista do bairro Augusto Franco
Atualmente a maioria da população que ali se instalaram na época da criação do bairro na década de oitenta , eram formadas por trabalhadores da indústria é comércio, pelo mesmo ser considerado um bairro popular construído principalmente para pessoas de baixa renda. Existem muitas áreas de espaço comunitário (praças), e as avenidas principais do conjunto foram dotadas de canais revestidas com cimento com o objetivo de servir de escoamento para as águas pluviais. Porem pela falta de conscientização de uma pequena parte , o excesso de lixo jogados nas praças e dentro dos canais na época do inverno transbordam causando muitos problemas para a maioria da população.
Figura 2 – Lixo dentro dos canais
O objetivo desta prática foi justamente conscientizar a população da importância da manutenção da limpeza dos canais, através de um trabalho de divulgação sonora, utilizando uma bicicleta de som que percorreu todo o bairro durante um período de três dias. A mensagem foi gravada em estúdio com o seguinte texto: “ Atenção você do conjunto Augusto Franco, tempos de chuvas são tempos de atenção redobrada em relação ao meio ambiente. Bueiros, canais, rios, precisam ficar limpos evitando grandes problemas para a população; portanto faça a diferença não abandonem sacos plásticos, garrafas pets, restos de materiais de construção nas ruas ou terrenos baldios. Pois quando as chuvas vêm os entulhos são levados pelas águas, entupindo canais e causando enchentes. Jogue o lixo no lixo tenha uma vida mais saudável e tranqüila. Cidade limpa não é que mais se varre é que menos se suja. Uma campanha dos alunos do segundo período do curso de engenharia civil da UNIT – Universidade Tiradentes, transformando sonhos em realidade”
Figura 5 - bicicleta com o som acoplado
O método de divulgação escolhido, através de uma bicicleta com um som acoplado foi acertadamente muito positivo, percebemos tal fato após acompanharmos e observamos por algumas horas, pois atingiu de forma consciente e inconsciente toda a população por onde a mesma percorreu, além do fato de se tratar de uma campanha educativa, diferente do tradicional, não comercial e nem eleitoreira, agradando a muitos que sofrem com a falta de educação de poucos. Observamos que o Conjunto Augusto Franco hoje, em um contexto geral, é bem cuidado pela administração municipal, porém só isto não basta, é injustificável atitudes como a que observamos nas fotos acima, somente através iniciativas populares com mobilização e ações pontuais é possível transformar sua vida para melhor, seu meio físico-natural adequado e equilibrado e as inter-relações sociais mais justas e solidárias, em prol da melhoria da qualidade de vida em um todo. Após a realização deste trabalho pode-se concluir que é possível articular e planejar ações entre a população e a comunidade universitária, explicitando aí a importância da disciplina “práticas extensionistas” na grade curricular do curso de engenharia civil, onde podemos aguçar o sentido de planejamento, coordenação e atitude, que com certeza fará parte do cotidiano da nossa vida profissional.