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O presente trabalho tem como objetivo estudar as mudanças e a variação linguística. Compreender os conceitos de língua, dialeto e socioleto, bem como os fatores internos e externos que influenciam a variação linguística. Aborda a variação nos diferentes níveis da língua, como o lexical, fonológico, morfofonológico, morfológico e morfossintático. Também discute a dimensão externa da variação, analisando os fatores sociais, estilísticos e diamésicos (fala e escrita) que condicionam as diferenças linguísticas. Uma visão abrangente sobre a heterogeneidade da língua, destacando a importância de entender a variação como um fenômeno inerente ao sistema linguístico e não como um desvio ou erro. Essa compreensão é fundamental para desconstruir preconceitos e valorizar as diversas formas de expressão de uma língua.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Folha de Feedback Categorias Indicadores Padrões Classificação Pontuação máxima Nota do tutor Subtotal Estrutura Aspectos organizacionai s Capa 0. Índice 0. Introdução 0. Discussão 0. Conclusão 0. Bibliografia 0. Conteúdo Introdução Contextualização (Indicação clara do problema)
Descrição dos objectivos
Metodologia adequada ao objecto do trabalho
Análise e discussão Articulação e domínio do discurso académico (expressão escrita cuidada, coerência / coesão textual)
Revisão bibliográfica nacional e internacionais relevantes na área de estudo
Exploração dos dados 2. Conclusão Contributos teóricos práticos
Aspectos gerais Formatação Paginação, tipo e tamanho de letra, paragrafo, espaçamento entre linhas
Referências Bibliográficas Normas APA 6ª edição em citações e bibliografia Rigor e coerência das citações/referências bibliográficas
Introdução Os sociolinguistas actualmente têm se voltado para a análise das relações entre a estigmatização linguística e a mobilidade social. De acordo com Mollica (2004, p.13), o preconceito linguístico tem sido um ponto bastante debatido na área, uma vez que se nota ainda a predominância de “práticas pedagógicas assentadas em directrizes maniqueístas do tipo certo/errado”, que tomam como referência o padrão culto. Para a autora, os estudos sociolinguísticos “oferecem valiosa contribuição no sentido de destruir preconceitos linguísticos e de relativizar a noção de erro, ao buscar descrever o padrão real que a escola, por exemplo, procura desqualificar e banir como expressão linguística natural e legítima”. O presente trabalho tem como pano do fundo o estudo de mudanças e variação linguística. O trabalho está estruturado em uma introdução, onde constam os objectivos e as metodologias usadas, desenvolvimento e conclusão. Objectivos: Objectivo geral: Compreender as mudanças e variação linguística Objectivos específicos: Diferenciar mudanças da variação linguística; Definir dialectos, sociolectos, idiolectos e etnolectos; Explicar os registos (ou diátipos) 1.1. Metodologia usada na investigação Métodos constituem etapas mais concretas da investigação com finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenómenos menos abstractos. Portanto, na materialização do presente trabalho mostrou-se imprescindível o uso do método de revisão bibliográfica que segundo CARVALHO (1989: 100) é o processo de identificação de fontes diversas de informação escrita, para colectar dados específicos a respeito do tema.
a) Variação lexical É certo que, quando se fala em variação linguística, os exemplos que costumam vir primeiro à mente dizem respeito ao vocabulário (léxico), quase sempre associados à variação regional ou diatópica. A mesma realidade é representada, conforme a região, por palavras diferentes. Mas há também usos variados conforme a situação – mais formal ou menos formal – em que se está falando, associados, portanto, à variação estilística ou diafásica. Exemplo de alguns casos de variação no nível lexical: banheiro, toalete, w.c. mulher, dona, senhora; negócio, venda; b) Variação fonológica Para exemplificar esse tipo de variação, começamos retomando nossa conhecida piada sobre um certo político que foi famoso no nosso país. Raranja, rimão. Como vemos, há uma troca do fonema /l/ pelo /r/ nas palavras ‘laranja’ e ‘limão’, constituindo-se um caso de variação fonológica. Esse fenómeno de troca de /l/ por /r/ se chama rotacismo. c) Variação morfofonológica, morfológica e morfossintática Vamos considerar como variação morfológica aquela alteração que ocorre num morfema da palavra. Exemplo: eu vou pa (para) casa. / Eu tô (estou) bem. d) Variação sintáctica Os fenómenos que estão em variação sintáctica são: Construções relativas: O filme a que me referi é muito bom / O filme que me referi é muito bom/O filme que me referi a ele é muito bom.
Preenchimento do sujeito anafórico: Nós fomos à praia / Ø Fomos à praia/A gente foi à praia / Ø Foi à praia. Posição do clítico: Eu vi-o no cinema/Eu o vi no cinema. Construções passivas versus índice de indeterminação do sujeito: Alugam-se casas / Aluga-se casas. e) Variação e discurso Trata-se do mesmo contexto de introdução de discurso direto. Em todos os casos, o elemento variável dá sequenciação, de modo coesivo, ao texto. Exemplo: Mas ele insistiu e disse: “Olha, tu vais conseguir”. Então eu disse: “Se é assim, tudo bem, eu posso tentar.” 1.1.2. A dimensão externa da variação linguística Na dimensão externa da variação, estudamos os factores extralinguísticos – aqueles que, como o nome sugere, encontram-se fora da estrutura da língua. Para a Sociolinguística, esses factores são tão importantes quanto os linguísticos. Variação geográfica ou diatópica; Variação social ou diastrática; Variação estilística ou diafásica; Variação na fala e na escrita, também chamada de variação diamésica (cf. ILARI; BASSO, 2006). Ressalte-se que essa classificação por tipos não quer dizer que eles ocorram separadamente, e nem que sejam independentes da dimensão interna da variação. Normalmente, o que ocorre é uma combinação dos factores que condicionam a forma como falamos. 1.2. Variação geográfica ou diatópica A variação regional está associada, algumas vezes, à etnia colonizadora de uma comunidade. Isso ocorre porque a língua do povo colonizador acaba influenciando a língua da região colonizada.
sistemas, pode também abranger várias normas «[…] que representam modelos, escolhas que se consagraram dentro das possibilidades de realizações de um sistema linguístico[…]». No âmbito desta discussão, Evanildo Bechara (Moderna Gramática da Língua Portuguesa, 2003, pág. 37) começa por definir «língua histórica» como um «[…] produto cultural histórico, constituída como unidade ideal, reconhecida pelos falantes nativos ou por falantes de outras línguas, e praticada por todas as comunidades integrantes desse domínio linguístico». O termo língua-padrão não é usado por este gramático, que recorre a norma, a língua comum língua exemplar. Deste modo, para Bechara, norma é tudo o «[…] que é tradicional, comum e constante, ou, em outras palavras, tudo o que se diz “assim, e não de outra maneira”». Língua comum é uma «[…] unidade linguística ideal – que nem sempre cala o prestígio de outros dialetos nem afoga localismos lingüístcos […]». Finalmente, também baseado em Eugénio Coseriu, Bechara refere-se a língua exemplar como «[…] um tipo de outra língua comum, mais disciplinada, normatizada idealmente, mediante a eleição de usos fonético-fonológicos, gramaticais e léxicos como padrões exemplares a toda a comunidade e a toda a nação, a serem praticados em determinadas situações sociais, culturais e administrativas do intercâmbio superior […]». É assim que este gramático fala de uma «exemplaridade do português do Brasil ao lado de uma exemplaridade do português de Portugal», o que me parece significar que ele se refere a dois padrões ou duas normas diferentes no extenso domínio da língua portuguesa.
3. Língua e Dialecto Iniciamos a reflexão proposta para o presente trabalho com a definição que Saussure (2006) apresenta sobre língua. Esta, para o teórico: [...] não se confunde com a linguagem; é somente uma parte determinada, essencial dela, indubitavelmente. É, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adoptadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos. (SAUSSURE, 2006, p. 17).
Saussure (2006) considera a língua um facto social distinto, por várias características, dos outros fatos sociais humanos, como as instituições políticas, jurídicas etc. Assim, a língua consiste num sistema de signos utilizados pelo homem para exprimir conceitos, ideias, dar sentido às coisas e aos fenómenos. A partir do exposto sobre o conceito de língua, é relevante, também, discutirmos a compreensão de dialecto, entendido como uma variedade da língua. Assim, dialecto é tido como qualquer outra forma da língua que “não seja a oficial de um país” (BIZZOCCHI, 2006, p. 12). Um dialecto é um desdobramento da língua, a qual se diversifica, variando conforme as regiões de determinado território, de acordo com as diversas camadas socioeconómicas da população, sua faixa etária, bem como os acentos idiossincráticos dos diferentes indivíduos. Estabelecer uma fronteira entre a língua e o dialecto fica mais difícil à medida que ambos, linguisticamente, não têm diferenças fundamentais, pois os dois possuem estruturas lexicais e gramaticais. No entanto, apesar de estar em condição de desprestígio, um dialecto sempre é uma variante, uma situação diversa na forma, não no conteúdo. Independentemente da região onde estejamos, por exemplo, em Moçambique, ao norte ou ao sul, a forma de falar se modifica, o acento da fala difere, o mesmo fonema pode ser pronunciado de jeitos diferentes, mas a língua é sempre a mesma: o português. O que a língua contém em si, o substrato, se mantém coeso.
4. Sociolectos Como vimos que um dialecto é uma variedade linguística que se caracteriza pelas suas características compartidas por uma comunidade, ou por outra, é uma forma particular de uma língua, o sociolecto trata-se de um dialecto social. O sociolecto é uma variedade da língua que usa uma certa classe ou um grupo social. Os grupos sociais, ao desenvolverem os seus discursos, apelam a um sociolecto cujos integrantes compartem e que lhes permitem comunicar entre ele e, às vezes, com os outros. Dado que o sociolecto é compartido por um grupo da sociedade, os restantes membros da comunidade podem não compreender alguns termos e expressões usados pelos falantes. Existem
Por sua vez, etnolecto é uma variação linguística de uma variação linguística de um grupo étnico.
7. Língua Nacional É a língua do povo de uma nação enquanto relacionada com um Estado politicamente constituído. A língua nacional é por isso vista como a língua oficial de um país. Ter uma língua como própria de um país funciona como um elemento de sua identidade política e cultural. Mas não há correspondência direta entre uma língua nacional e um Estado. Cada país pode ter mais de uma língua oficial em virtude de ter na sua história e constituição povos diferentes. A língua nacional caracteriza-se como uma em virtude de uma relação de unidade imaginária da língua que é atribuída à Nação. No entanto se observamos uma língua nacional vamos observar que no seu funcionamento global ela apresenta uma diversidade interna muito grande. Há a língua do quotidiano que difere da língua escrita. Há a língua de um grupo social que difere da língua de outro grupo social Há a língua de uma região que difere da língua de outra região. Há a língua de um grupo profissional que difere da língua de outro grupo profissional. Em Moçambique, por exemplo, é um país multilingue com diferenças grandes entre as línguas do Norte, Centro e as do Sul. E mesmo dentro de uma região podemos ver diferenças significativas. Até mesmo dentro de uma cidade, se ela for grande, estas diferenças podem aparecer. É nesta medida que a língua nacional aparece como uma unidade imaginária que funciona como a garantia de que todos, o povo, tem a mesma língua. 8. Mudança linguística Fenómeno que resulta da projecção da língua de uma comunidade na história dessa comunidade e das suas comunidades descendentes. Fruto da mudança linguística, a língua do passado é diferente da língua do presente. A disciplina que estuda essa diferença é a linguística histórica. A mudança linguística observa-se a todos os níveis gramaticais e resulta da combinação de diferentes factores de mudança: os factores internos, que são constituídos pela própria estrutura da língua, e os factores externos, de natureza sobretudo geográfica e social. É através da variação social que a mudança linguística se propaga numa comunidade.
9. Registos ou Diátipos Propriedade que as línguas têm de se diferenciarem em função da geografia, da sociedade e do tempo, dando origem a variantes e a variedades linguísticas. a) Variação histórica Resultado da mudança linguística. Consiste no contraste entre a gramática antiga de uma língua e uma gramática posterior dessa mesma língua. Não é necessário esperar séculos para que se possa observar uma variação histórica ou diacrónica. Numa mesma língua e numa mesma época, podem coexistir duas gramáticas com regras diferentes, sendo que uma delas é arcaizante e a outra já apresenta o resultado de uma mudança linguística. Neste caso, as diferenças observadas na língua dos falantes das duas gramáticas chamam-se mudanças em curso. b) Variedades geográficas Diferentes formas que uma mesma língua assume ao longo da sua extensão territorial. A estas variedades chama-se também "dialectos regionais" ou, simplesmente, "dialectos". c) Variedades situacionais Resultado da capacidade dos falantes para adaptarem o estilo de linguagem à situação de comunicação que enfrentam. Essa capacidade chama-se "competência comunicativa". A existência de variedades situacionais conduz quase sempre a comentários prescritivos, ou de autoridade, sobre o que, na língua, é "correcto" ou "incorrecto". d) Variedades sociais Também chamadas "sociolectos" ou "dialectos sociais", são variedades de uma língua usadas por falantes que pertencem à mesma classe social. Entre estes falantes há uma partilha de ambiente socioeconómico ou educacional. A disciplina que estuda as variedades sociais da língua ("sociolinguística") considera uma série de factores sociais de variação (chamados "variáveis extralinguísticas"): classe social, nível de instrução, tipo de educação, idade, sexo, origem étnica, etc.
Referências bibliográficas BAGNO, M. (2004). Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. 31. ed. São Paulo: Loyola BIZZOCCHI, A. (2006). A Distância Entre Língua e Dialeto. Revista Língua Portuguesa, ano 2, n. 14. Disponível em: . Acesso em: 19 set. 2023. GUY, G.; ZILLES, A. (2007) Sociolingüística quantitativa: instrumental de análise. São Paulo: Parábola. LABOV, W. (2008). Padrões sociolingüísticos. Trad. de M. Bagno; M. M. P. Scherre; C. R. Cardoso. São Paulo: Parábola Editorial, [1972] MOLLICA, M. C.; BRAGA, M. L. (Orgs.). (2008). Introdução à Sociolingüística: o tratamento da variação. São Paulo: Contexto. SAUSSURE, F. de. (2006). Curso de Linguística Geral. 2.ed. São Paulo: Cultrix.