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Slides que tratam sobre Variações Linguísticas
Tipologia: Resumos
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do meu tempo. Agora, é como se eu tivesse me casado e logo no primeiro ano tivessem nascido quadrigêmeos. Fiquei com muito mais respon- sabilidades, sob muita pressão. A coisa de que eu mais sinto falta é sair com a minha mulher, ir a um restaurante, jantar normalmente.” ( Globo. Rio de Janeiro. 13 set 2004.) Calma, esse material não é sobre política! Quer dizer... Mais ou menos. Ele também é sobre política. Por quê? Você já notou que não há apenas uma língua portuguesa? Não estamos falando do português do Brasil ou do de Portugal. Dentro do Brasil, dentro da sociedade em que você vive, você já deve ter perce- bido que nem sempre usamos o português da mesma forma. Quando se liga a televisão para ver um jornal, esperamos uma linguagem diferente da usada, por exemplo, em uma novela, ou em um filme. Qualquer idioma apresenta variações linguís- ticas , níveis diferentes da linguagem adaptados a situações específicas. Mas qual é o modo certo de falar? Qual é a maneira correta de escrever? E de que maneira essas perguntas – ou as respostas a elas – são úteis para um estudante? Vamos passar então a outra questão. Para que existe um idioma? Essa invenção do homem tem como objetivo único e primordial: a comunicação. Comunicamo-nos uns com os outros porque temos a necessidade de interagir com o mundo. Comunicação é interação. Como bem disse nosso presidente, “comunica- ção é a arte de falar e ser entendido pelas pessoas”. Historicamente vítima de um tipo de preconceito enraizado, mas velado em nossa sociedade, Lula re- almente rompeu uma grande barreira ao ser eleito. A felicidade do presidente Lula Gustavo Krieger e Delmo Moreira Alinhado com a ortodoxia da área econô- mica, Lula trata os índices inflacionários como obsessão. “O que a gente não pode deixar é a inflação subir. É como quando um sujeito se descuida, exagera no churrasco e engorda 1 quilo no fim de semana. Para perder esse quilo, demora meses.” Esta foi uma das 14 metáforas – na maioria futebolísticas – que Lula utilizou durante a en- trevista à revista ÉPOCA. O estilo lhe agrada muitíssimo: “Comunicação é a arte de falar e ser entendido pelas pessoas”, define. Atribui as críticas a suas já famosas comparações ao fato de “uma parte da sociedade brasileira” ser “co- lonizada intelectualmente”. E segue em frente: “É possível que um ou outro intelectual não gos- te, mas como sou compreendido pela sociedade estou satisfeito. As pessoas se impressionam porque estão acostumadas com outro tipo de presidente. Pela primeira vez, chegou ao poder alguém como eu. Toda a estrutura de poder foi montada para que isso não acontecesse. Me cobram muito a liturgia do cargo. Eu sei da im- portância do cargo, da responsabilidade. Mas não vou mudar meu jeito”. É com mais uma metáfora que Lula explica as mudanças ocorridas em sua vida desde a pos- se na Presidência, em janeiro do ano passado. “É como se, antes, eu fosse solteiro, livre, dono
E olhe que você nem precisa apoiá-lo, ou discor- dar dele, para reconhecer isso. Mas a pergunta que deixamos no ar é esta: como um nordestino que “fala errado” pôde chegar à Presidência da República?
Este texto é de autoria do filósofo e pensador Jean-Jacques Rousseau. Procure ver se ele está de acordo com a definição de comunicação dada pelo Presidente Lula. Vamos ver o que dizia Oswald de Andrade, nosso grande escritor modernista, a respeito dessa questão, já no século passado. A partir do momento em que o idioma se torna um obstáculo à comunicação, ele perde sua razão de existir. Pode a língua portuguesa obstruir a interação entre seus usuários? Talvez todos nós já tenhamos passado pela situação de sermos corrigidos enquanto falamos. Alguém talvez nos tenha dito que falamos “errado”. Quer um exemplo? Voltemos ao texto sobre o Presi- dente Lula. “ Me cobram muito a liturgia do cargo. Eu sei da importância do cargo, da responsabilidade.” Alguns diriam que Lula cometeu uma “heresia gramatical”, um “pecado linguístico”, uma “aberra- ção”, um “estupro à língua” ao iniciar sua frase com um pronome oblíquo átono. É... Ainda há pessoas que acreditam piamente que os pronomes que nós usamos são átonos, que não têm carga tônica própria para iniciar períodos... Isso em pleno século XXI! É “errado” dizer “Me dá um cigarro” porque o cigarro causa muitos males à saúde, mas a sentença em si é gramatical, ou seja, gera comunicação, em- bora de uma maneira não prevista pela linguagem padrão. O que o poeta questiona é exatamente o que estamos tentando entender: o conflito existente en- tre a gramática padrão e a gramática popular. Mas existe uma gramática popular? Talvez não do jeito como se pode esperar: um livro contendo as “regras” Vamos! me dê sua patinha! C Rinho aChoR- inteLiGente! BaF Que uma expressão seja ou não seja o que se chama de francesa ou de bom uso, não é disso que se trata; as pessoas só falam e escrevem para fazer-se entender; desde que sejamos inte- ligíveis, alcançamos nosso objetivo; mas quando se é claro, melhor ainda. Falai, pois, com clareza para quem quer que entenda o francês; essa é a regra e estai certo de que, mesmo cometendo uma demasia de cento e cinquenta barbarismos, não tereis escrito menos bem. Vou ainda mais longe e sustento que é mister, às vezes, cometer erros de gramática para ser claro; é nisso e não em todas as pedantices do purismo que consiste a verdadeira arte de escrever. (ROUSSEAU, Jean-Jaques. In: BAGNO, Marcos. Dramática da Língua Portuguesa – Tradição gramatical, mídia & exclu- são social. São Paulo: Loyola, 2000.) pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (ANDRADE, Oswald de. Poesias Reunidas. 5. ed. São Paulo: Civilização Brasileira, 1971. p.125.) Divulgação Ministério da Saúde. IESDE Brasil S.A.
As principais características do coloquia- lismo são: frases curtas, de estruturação sin- tática simples; uso de gírias e de expressões populares; simplicidade vocabular – o repertório utilizado é pequeno; redução e simplificação fonológica de vocábulos; presença rara de nexos subordinativos. Essas não são as únicas variações linguísticas existentes. Há vários tipos de coloquialismo e de informalidade linguística – todas legítimas. Mas essa tabela já nos dá uma boa ideia do que estamos analisando. Analisemos primeiro as variações linguísticas da fala.
Nos textos narrativos, o discurso coloquial pode caracterizar profundamente as personagens. As falas delas devem ser coerentes com sua posição social, econômica e cultural. Daí a necessidade de conhecer- mos bem a variação coloquial para a empregarmos nas situações pertinentes. Veja outro exemplo nesta tira: ◗ Exemplo:
- Onde é que tu vai, moço? Não te falei que é melhor tu esperá aqui? Ela vai voltar, se aguenta aí... essa juventude de hoje... é tudo apressado, quer tudo na hora. Espera que a moça já vem. Observe que não há uma preocupação exces- siva com a concordância na linguagem coloquial. Também pode ocorrer mudança no tratamento do interlocutor. Note também a simplicidade na seleção das palavras. Veja: Observe o uso da palavra “rango”, substituindo “comida”.
◗ Exemplo:
_- Você sabe que eu te amo. Há mistura no tratamento: primeiro “você”; depois “tu”.
◗ Exemplo:
- Caros senhores, estamos reunidos aqui para uma discussão muito importante. Na semana passada, fomos surpreendidos pela decisão do conselho de demitir três funcionários deste setor. Diante das causas apresentadas, não podemos aceitar tal determinação. Observe que no discurso formal da fala, já ocor- Observe a complexidade das construções, quan- do comparadas com o discurso formal.
re uma preocupação com aspectos gramaticais que inexiste na linguagem coloquial.
O nível oratório de linguagem é usado por pou- cos falantes do idioma. Em discursos diplomáticos é mais empregado. No dia-a-dia, é mais rara sua constatação. ◗ Exemplo: Em seus discursos, o Padre Antônio Vieira tinha uma preocupação linguística tamanha, que até hoje o registro escrito de seus sermões é tido como texto li- terário. Vejamos um trecho de um de seus sermões. ◗ Exemplo: Será porventura o não fazer fruto hoje a palavra de Deus, Observe a ausência de nexos entre as frases. A preocupação é pouca com a gramática, e o texto se concentra na mensagem a ser transmitida. pela circunstância da pessoa? Será porque antigamente ` os pregadores eram santos, eram varões apostólicos e exemplares, e hoje os pregadores são eu, e outros como eu? – Boa razão é esta. A definição do pregador é a vida e o exemplo. Por isso Cristo no Evangelho não o comparou ao semeador, senão ao que semeia. Reparai. Não diz Cristo: saiu a semear o semeador, senão, saiu a semear Exemplo: Nesta manchete, vemos expressões típicas do o que semeia. (...) Entre o semeador e o que semeia há muita diferença: uma coisa é o soldado e outra coisa o que peleja; uma coisa é o governador e outra o que governa. Da mesma maneira, uma coisa é o semeador, e outra o que semeia; uma coisa é o pregador e outra o que prega. O semeador e o pregador é nome; o que semeia e o que prega é ação; e as ações são as que dão o ser ao pregador. Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o Mundo. (VIEIRA, Antônio (Pe). Os Sermões. Seleção de: Jamil Almansur Ha- ddad. São Paulo: Melhoramentos, 1963, p. 80.) uso popular da língua. É notável também um “erro gráfico” na utilização do hífen em “semifinal”.
As principais características da variação formal escrita são: preocupação tanto com a mensagem quanto com a gramática normativa; construções sintáticas mais rebuscadas que no informal; ampla seleção vocabular; preocupação com nexos coesivos; pouco uso de expressões coloquiais; pontuação a favor da compreensão do texto – uso do ponto, da vírgula, dos travessões etc. Flamengo bota pra quebrar e detona Vasco na semi-final. Mamãe, Não venho dormir hoje em casa. Deixei comida pronta na geladeira. O papai ligou, deve chegar mais tarde hoje. Beijos. As principais características do discurso oratório são: frases de estruturação sintática rebuscada; seleção vocabular ainda mais acu- rada – o repertório utilizado é mais vasto que no discurso formal. permissão de uso de expressões coloquiais; pontu- ação aleatória, uso principalmente do ponto. As principais características da variação informal escrita são: preocupação maior com a mensagem e menor com a gramática normativa; construções sintáticas simples; seleção vocabu- lar simplificada; pouco uso de nexos coesivos;