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Versos Áureos de Pitágoras, Teses (TCC) de Filosofia

Versos de Pitágoras comentados pelo Filosofo Mário Ferreira dos Santos .

Tipologia: Teses (TCC)

2021

Compartilhado em 21/06/2021

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danilo-dalla-vecchia-rocha-4 🇧🇷

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`Versos Áureos´
de
PITÁGORAS
Comentados por Mario Ferreira dos Santos
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`Versos Áureos´

de

PITÁGORAS

Comentados por Mario Ferreira dos Santos

VERSOS ÁUREOS

(Pitágoras)

Mário Ferreira dos Santos

Índice

Apresentação O pensamento pitagórico Versos Áureos Introdução aos comentários Comentários de Hiérocles aos Versos Áureos Comentários aos comentários de Hiérocles Verso I Comentários Verso II Verso III Verso IV Comentários Verso V Comentários Verso VI Versos VII-VIII-IX Comentários Versos X-XI Comentários Versos XII-XIII Versos XIV-XV-XVI-XVII Comentários Versos XVIII-XIX-XX-XXI Comentários Versos XXII-XXIII-XXIV Versos XXV-XXVI-XXVII Comentários Versos XXVIII-XXIX-XXX Comentários Versos XXXI-XXXII Comentários Versos XXXIII-XXXIV-XXXV Comentários Versos XXXVI-XXXVII-XXXVIII-XXXIX Comentários Verso XL Comentários Versos XLI-XLII-XLIII-XLIV-XLV Comentários Versos XLVI-XLVII-XLVIII-XLIX

Apresentação

Fazem parte dos manuscritos inéditos de Mário Ferreira dos Santos os comentários

aos Versos Áureos de Pitágoras. Sua intenção era publicá-los, tendo assim se manifestado:

..."Quanto aos Versos Áureos de Pitágoras comentados, consiste no seguinte: resolvi fazer

uma edição com a tradução integral dos comentários de Hiérocles, porque sem dúvida, não

só por serem os primeiros comentários a chegarem até nós, como também por seu imenso

valor. Abrem campo para que despertemos em muitos setores a consciência de que a

concepção que Pitágoras trouxe ao mundo, provinha de um pensamento mais longínquo

certamente, do qual encontramos raízes também em Melquisedec, e no mais profundo

pensamento dos egípcios, e que este pensamento vence as características do tempo e torna-

se eternamente atual, apresentando a sua completa validez hoje. Aproveito os comentários

realizados por outros autores, como Fabre D'Olivet, Paul Carton, etc., e faço uma espécie de

síntese, acrescentando junto aos comentários de Hierócles, as minhas contribuições".

Em seu livro, "Pitágoras e o Tema do Número" manifesta a intenção de desenvolver

mais pormenorizadamente a biografia do Mestre de Samos tendo compilado grande parte do

material a ser utilizado. Infelizmente não teve tempo de elaborar o texto final. Por este

motivo inserimos "O pensamento pitagórico" publicado no Dicionário de Filosofia e

Ciências Culturais.

A presente edição dos "Comentários aos Versos Áureos de Pitágoras" não teve a

correção completa do autor, principalmente na parte correspondente aos "Comentários aos

comentários de Hiérocles", cabendo a nós completá-la na medida do possível.

Yolanda Lhullier Santos Nadiejda Santos Nunes Galvão

O pensamento pitagórico^1

Pitágoras (de Samos – 569?-470? a.C.). Segundo alguns foi discípulo de Ferécides de Siros e de Anaxágoras, porém são contraditórias as informações que nos oferecem os historiadores. No entanto, tudo indica que formou sua cultura no Oriente, no Egito, em Babilônia, em Creta, por onde viajou. De retorno a Samos, tentou fundar aí uma escola, mas tendo que abandonar sua pátria, foi residir na Itália do Sul, por 530, na aristocrática Crotona, onde fundou uma comunidade ou ordem religioso-moral, que se estendeu a outras cidades, às quais foi, por vezes, chamado como legislador, influindo em seus costumes políticos e sociais. É difícil separar-se a obra pessoal de Pitágoras da de seus discípulos e de sua escola, bem como o que há de lenda e de realidade, razão pela qual preferimos aqui examiná-lo dentro do pitagorismo.

Sabe-se que Aristóteles escreveu uma obra em três volumes sobre o pitagorismo , porém irremediavelmente perdida. Nas passagens sobre o pitagorismo, que encontramos esparsas em seus livros, conclui-se que devera ter-se dedicado, seriamente, ao exame dessa doutrina. Contudo, é de salientar que apenas cita três vezes o nome de Pitágoras, enquanto ao referir-se a esta doutrina, constantemente refere-se aos “pitagóricos”, aos que “se dizem pitagóricos”. A análise, que Aristóteles faz do pitagorismo, refere-se propriamente à doutrina como a concebiam os discípulos posteriores, e não ao pensamento do sábio de Samos. Como a construção do verdadeiro pensamento de Pitágoras é obra de exegese e implica providências que não caberiam no âmbito de uma Sinopse da História da Filosofia, preferimos tratar a seguir do “pitagorismo”, e não, propriamente, de Pitágoras, deixando a nossa crítica para depois.

O movimento pitagórico – Movimento não só intelectual mas religioso-moral e político. Organizado em forma de comunidade, com iniciações, linguagem simbólica, cercado de mistérios e de segredos, onde predominam o respeito sagrado à palavra de ordem e a obediência cega. Representava um movimento, que foi combatido severamente pelas organizações e governos democráticos da época. Os pitagóricos foram dissolvidos por um movimento popular. Pitágoras conseguiu fugir para Metaponto, onde faleceu. A missão da escola de Crotona era ensinar métodos de purificação, reservados aos iniciados. Atribuem ao pitagorismo a promessa de uma vida futura, após a morte, onde os homens seriam recompensados, desde que cumprissem as ordens da organização e os princípios morais estabelecidos. A escola estava aberta tanto aos homens como às mulheres, independentemente de nacionalidade. Apresentam-na como uma doutrina cheia de tabus e proibições, cujas significações têm servido para diversas interpretações. A crença na transmigração das almas através dos corpos de homens e animais era uma das crenças dessa doutrina, não, porém de Pitágoras, mas de alguns de seus discípulos.

A concepção de Anaxímenes de que o mundo estava submergido no infinito também era aceita por Pitágoras.

(^1) Capitulo retirado da Sinopse da História da Filosofia , do Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. Mário Ferreira dos Santos, São Paulo, Ed.Matese, 1966.

possível conhecê-las; mutabilidade dos números e imutabilidade do um. (Há influência do pitagorismo na ciência moderna, cujas teorias atômicas terminam por ter uma noção apenas matemática da energia subatômica. Só é compreensível à razão o que é espacializado, portanto, numerável).^2

Atribui-se, também, a Pitágoras o primeiro emprego da palavra filósofo, termo que se tornou universal, significando os investigadores do absoluto e intérpretes do mundo, estudiosos da sabedoria.

O PITAGORISMO

A afirmativa comum de que para o pitagorismo os números são sensíveis, deve- se atribuir apenas a alguns pitagóricos, e não a Pitágoras, nem aos grandes discípulos, que receberam os ensinamentos diretos do mestre ou de discípulos que com ele privaram. O pitagorismo é uma das concepções mais caricaturizadas e falsificadas na história da filosofia, e isso se deve, sobretudo, ao caráter iniciático dessa doutrina, que exigia uma mistagogia toda especial, para que o discípulo chegasse ao conhecimento dos segredos da escola.

Essa a razão por que neste trabalho temos de nos furtar ao estudo mais acurado da matéria e atermo-nos ao que é comumente divulgado, frisando, porém, a validez relativa e improvável da maioria das afirmações, provindas de Diógenes Laércio, de Pedro e Estobeu, que se utilizaram de textos apócrifos. Ademais, o intuito de menoscabar os pitagóricos, por razões sobretudo de ordem política, levaram a muitos a atribuir-lhes afirmações que jamais fizeram.

As dificuldades em estabelecer com segurança qual o verdadeiro pensamento pitagórico, levou Zeller a estabelecer, como certas, estas afirmações fundamentais: 1) que o sistema pitagórico, tal como o conhecemos, é obra de distintos homens em diversos tempos;

  1. que é difícil discernir, nele, os elementos que, propriamente, pertencem a Pitágoras. Consequentemente, é mister reconhecer, no pitagorismo, um processo de desenvolvimento, que foi elaborado em diversos estágios e que teve contribuições das mais diversas origens.

Podemos ainda salientar, que as divisões dos pares de contrários, que abaixo reproduzimos, sabe-se, hoje, que não pertencem a Pitágoras. Depois foram atribuídas a Alcmeon. Hoje, contudo, sabe-se que provieram, posteriormente, de pitagóricos menores.

As polaridades são:

  1. Limitado - ilimitado
  2. Par e impar (o 2 é o primeiro número par, e 3, o primeiro impar)
  3. Unidade - pluralidade
  4. Esquerda - direita
  5. Masculino - feminino
  6. Quietude - movimento
  7. Reto - curvo

(^2) A lenda está presente na vida de Pitágoras. Os "Versos Áureos", que lhe são atribuídos, são de composição de seus inúmeros discípulos, possivelmente de Lysis.

  1. Claro-escuro
  2. Mau - bom
  3. Quadrilátero - oblongo

Outras classificações, como o 1, simbolizando a Razão; 2, a Opinião; 3, a Santidade; 4, a Justiça; 5, o Matrimônio; 6, o princípio da Vida; 7, a Saúde; 8, o Amor, a Amizade; 9, a Justiça em grau superior, e 10, o número sagrado e perfeito, etc. são também da mesma espécie que as anteriores.

Não consideremos apenas lenda o que se escreveu sobre a vida de Pitágoras, porque há, nessas descrições, sem dúvida, muito de histórico e de verdadeiro. O difícil, porém, está em poder separar o que é histórico do que é fruto da imaginação e do ficcional.

O fato de negar-se, peremptoriamente, a historicidade de Pitágoras (como alguns o fazem), por não se ter às mãos documentação bastante, não impede que seja o pitagorismo uma realidade empolgante na história da filosofia, cuja influência atravessa os séculos até nossos dias.

Acontece com Pitágoras o que aconteceu com Shakespeare, cuja existência foi tantas vezes negada. Se não existiu Pitágoras de Samos, houve com certeza alguém que construiu essa doutrina, e que, por casualidade, chamava-se Pitágoras. Podemos assim parafrasear o que foi dito quanto a Shakespeare. Mas, pondo de lado esses escrúpulos ingênuos de certos autores, que preferem declará-lo como não existente, como se houvesse maior validez na negação da sua historicidade do que na sua afirmação, vamos dar sinteticamente elementos que nos auxiliarão para melhor compreensão de uma figura que tem sido impiedosamente falsificada durante vinte e cinco séculos.

Em 1919, perto de Porta Maggiori, sob os trilhos da estrada de ferro, que liga Roma a Nápoles, foi descoberta uma cripta, que se julgou a principio fosse a porta de uma capela cristã subterrânea. Posteriormente verificou-se que se tratava de uma construção dos tempos de Cláudio (41 a 54 d.C.) e que nada mais era do que um templo, onde se reuniam os membros de uma seita , que afinal averiguou-se ser pitagórica. Sabe-se hoje, com base histórica, que antes, já em tempos de César, proliferavam os templos pitagóricos, e se essa seita foi tão combatida, deve-se mais ao fato de ser secreta do que propriamente por suas idéias. Numa obra de Carcopino^3 há um amplo relato desse templo. E foi inegavelmente essa descoberta tão importante que impulsionou novos estudos, que se realizaram sobre a doutrina de Pitágoras, os quais tendem a mostrar o grande papel que exerceu na história, durante vinte e cinco séculos, essa ordem, que ainda existe e tem seus seguidores, embora esteja em nossos dias, como já esteve no passado, irremediavelmente infectada de idéias estranhas que, a nosso ver, desvirtuam, como iremos provar, o pensamento genuíno de Pitágoras de Samos.

É aceito quase sem divergência por todos que se debruçaram a estudá-lo que nasceu em Samos, entre 592 e 570 antes da nossa era; ou seja, naquele mesmo século em que surgiram grandes condutores de povos e criadores de religiões, como Gautama Buda, Zoroastro (Zaratustra), Confúcio e Lau-Tsê. As cinco maiores figuras , às quais se deve um papel eminente na história do pensamento humano, quer religioso, quer filosófico.

(^3) Carcopino, Jerome. "La Basilique pythagoricienne de la Porte Majeure". Paris, L'Artisan du Livre, 1943.

nos daria a felicidade, pois afirmava ele que a felicidade suprema consiste na verdadeira eudamonia da alma, na contemplação da harmonia dos ritmos do Universo, ou melhor, reproduzindo as suas palavras “ tes teleiótetos tón arithmôn” , a perfeição dos Números, o número como ritmo a proporção, como nos conta Clemente de Alexandria.

Antes de chegar a Magna Grécia, esteve em contato com os órficos, já em decadência, no Peloponeso, tendo conhecido a famosa sacerdotisa Teocléia de Delfos.

Mas é na Itália que vai desempenhar um papel extraordinário. Funda o famoso Instituto, o qual, combatido pelos democratas de então, foi finalmente destruído, contando- nos a lenda que em seu incêndio, segundo alguns, ele pereceu junto com os seus mais amados discípulos, enquanto outros afirmam que conseguiu fugir, tomando um rumo ignorado.

Segundo as fontes mais fidedignas Pitágoras deve ter falecido entre 510 a 480. A sociedade pitagórica continuou após a sua morte, tendo desaparecido quando do famoso massacre de Metaponto, depois da derrota da liga crotoniata. A fraternidade pitagórica teve um grande papel histórico na liga crotoniata, por sua influência política quase absoluta.

Segundo se sabe havia nessa época, três espécies de iniciados: os filósofos contemplativos, que eram os matemáticos; os nomotetes, aos quais cabiam a direção política e a atividade social; e os políticos, que não haviam ainda alcançado os graus de iniciação, e que eram instrumentos para a execução dos planos que elaboravam os dirigentes. Havia, para os escolhidos, um grau de noviciado e uma iniciação de grau de aprendiz, que levava cinco anos (grau de paraskeiê, de preparação), seguindo-se, depois, o de cathartysis , de purificação ( catharsis) , que corresponde ao companheiro maçônico, e, finalmente, o de teleiôtes (de telos, fim) que era o de mestre , ao qual eram reveladas as primeiras e últimas causas das coisas.

Após a catástrofe, salvaram-se apenas Lysis e Filolau, que possivelmente, (e há suficientes elementos a favor dessa possibilidade), nem tenham conhecido Pitágoras pessoalmente. Junto com eles salvaram-se alguns noviços, entre os quais Hipócrates de Quios, que viveu depois em Atenas, Hiparco e Hípias, posteriormente considerados traidores, por terem revelado certos segredos da ordem, merecendo a “excomunhão”. Dos seguidores próximos dessa época salienta-se Arquitas de Tarento, considerado um dos dez maiores pitagóricos.

O próprio Filolau também foi considerado por muitos pitagóricos como traidor, por haver publicado trabalhos, nos quais revelava aspectos da filosofia de Pitágoras, e também por ter vendido três livros secretos a Dion, irmão de Dionísio o Antigo.

O pitagorismo na cultura grega – São muitas vezes os gregos acusados de haverem imposto um modelo ao mundo, de terem racionalizado de tal modo o mundo fenomênico, que o modelo, por eles construído, impôs-se como sendo a própria realidade. Nessa capacidade de ultrapassar as fronteiras da aparência estaria, em suma, toda a razão do chamado “milagre grego”. E ainda se acrescenta que esse modelo foi apenas um ato de fé.

Essa maneira dual de visualizar o mundo não surge com a filosofia grega. Esta apenas lhe deu novos contornos e novas justificações. Ela pertence a toda maneira religiosa e psicológica do grego considerar o mundo, sempre feito à imagem dos deuses, em que o mundo dos fenômenos copia ou participa da realidade superior do mundo das formas. Assim se pode estabelecer que o mais típico no pensamento grego é a visualização dos dois planos, o plano das idéias puras e imutáveis, eternas e ingeneradas, e o plano do mundo das aparência, do fenômeno, mundo do devir, da constante mutação das coisas.

É precisamente em Pitágoras que essa maneira de ver toma uma forma filosófica e torna-se o fundamento de toda a sua doutrina. Para muitos, é esse o grande mito grego, e, quando dele se afasta, a Grécia afunda-se nas formas viciosas da sofística_._ Poder-se-ia dizer, à imitação de Spengler, que toda a essência da cultura grega está na aceitação desse mito, suficiente para explicar sua arte, sua religião, sua filosofia, sua política, seus ideais e também o seu desfecho melancólico.

Todo o afã de seus grandes filósofos como Pitágoras, Sócrates e Platão cingiu-se à justificação dessa tese. Aristóteles, com seu empirismo racionalista, seria apenas um bárbaro, no conteúdo mais nobre desse termo. Realmente vinha ele das fronteiras da Grécia, e isso nos explicaria porque se afastara do grande mito, buscando outra maneira de visualizar o mundo. Também essa a razão porque influíra tanto, depois, no Ocidente, através da Escolástica. Seu modelo não era helênico. Se passarmos os olhos pelos cultos gregos, desde os mais primitivos até o pitagorismo, tomado aqui em seu sentido religioso, realmente os dois planos são patentes. Na decadência, as religiões de empréstimo, cultos vindos do Oriente, já não eram gregos, eram pseudomorfoses de uma cultura, porque apenas se revestiam de algumas formas exteriores da Grécia, mas seu conteúdo não tinha mais raízes na alma daquele povo, porque este já a perdera.

Há em tudo isso um pouco de razão. Mas seria primarismo pensar que apenas nessa explicação pudéssemos incluir todo o filosofar grego.

Bastaria um sucinto exame do pitagorismo para, desde logo, termos de nos afastar dessa teoria. Os cultos dionisíacos eram de origem trácia e é impossível ocultar as influências que o misticismo oriental e também o de origem egípcia, exerceram sobre o pensamento religioso dos gregos em seus primórdios. É inegável que o orfismo, vindo da Frígia, sofreu influências fenícias, e a fusão desses dois cultos se deu, sem dúvida, graças ao contato com os egípcios e o Oriente. Na verdade, o pitagorismo não está infenso do orfismo, uma vez que, após Pitágoras, é difícil distinguir os autores órficos dos autores pitagóricos. Muitos dos rituais e cerimonias destes foram cópias de outras, de origem órfica. E são fatos como esses que permitem considerar Pitágoras como um verdadeiro reformador do orfismo. Mas seria erro não considerar, contudo, as inovações extraordinárias que ele trouxe a tal culto, e de tal modo que a sua doutrina termina por tomar uma fisionomia própria. Todo o século V, e parte do século IV, sofreram sua influência. Grandes foram os pitagóricos deste período, como Timeu, Arquitas de Tarento, Filolau e Teodoro. Uma das suas maiores figuras foi sem dúvida Sócrates, cujo acabamento se processa no seu grande discípulo Platão, a expressão mais brilhante do pitagorismo, como, de resto, do pensamento humano. Em Platão, o pitagorismo encerra a sua grande fase.

A verdadeira doutrina só pode ser interpretada assim: as coisas consistem em números sob o plano eidético , e são formadas, no plano natural, graças às leis matemáticas, que as regulam, à imitação dos números. Materialmente, as coisas imitam os números e são, por isso, também números. Não há contradição aí senão aparente, como teremos ocasião de ver mais adiante.

No Sofista (238 b) diz Platão: “Segundo o nosso modo de ver, o número, em seu conjunto, é o Ser”. A qual ser ele se refere, veremos oportunamente.

Inegavelmente, a matemática teve seu grande impulso epistêmico com os gregos. É com eles, realmente, que se desenvolve a demonstração. Não se deve pensar que, com aqueles, tenha-se iniciado a demonstração, a prova, porque já a empregavam os egípcios. Há um fragmento da obra de Demócrito, que é expressivo. Ao descrever suas viagens ao Egito diz: “Percorri muitos países... e conversei com muitos homens sábios, mas quanto à combinação das linhas com a demonstração, ninguém me ultrapassou, nem mesmo aqueles que, no Egito, chamamos os harpedonatas ”...

Ninguém o ultrapassou na demonstração ( apodeixos, de onde apodítico, demonstração, prova); passagem dos Strômatas , de Clemente de Alexandria. Atribuía Demócrito aos harpedonatas uma ciência demonstrativa, que não superava a dele, o que comprova que os egípcios usavam também a demonstração na matemática, o que aliás decorre do próprio espírito da matemática.

Muito antes de Demócrito, os pitagóricos dedicavam-se à demonstração. Pitágoras, segundo os documentos de que dispomos, afirmava sempre aos discípulos a diferença que se devia estabelecer entre a doxa e a epistéme. O ideal pitagórico da Mathesis Megiste, Suprema, da suprema instrução, só poderia ser alcançado pelo homem através da epistéme, do saber culto, da sophia demonstrada, que é o caminho do homem anelante de saber, desse ser que ama o conhecimento, o filósofo (de philon, eu amo e sophia , saber). É preciso considerar as profundas raízes filosóficas que o pitagorismo lança na Grécia e na Magna Grécia, e que dão ao pensamento grego um novo rumo. O amante do saber que se satisfaz apenas em saber o que há, e como se dá, mas também o porquê do que é.

Mas até este ponto ainda não se caracteriza a contribuição do pensamento pitagórico. Sabemos que havia uma forte dose de cepticismo entre os gregos e Pitágoras trouxera para os gregos as grandes contribuições da matemática, da física e das artes. E ante esses é natural que demonstrasse os seus conhecimentos e procurasse provar as suas teses. Não é sem fundamento que se atribui a Pitágoras a fundação da geometria baseada em teoremas demonstrados. Nem só na matemática, mas também na filosofia ele expunha aos iniciados as razões de suas teses, demonstrando-as.

Vejamos estas palavras de Nicômaco de Gerasa: "Os antigos, que sob a direção espiritual de Pitágoras, deram em primeiro lugar à ciência uma forma sistemática, definiram a filosofia como o amor do Conhecimento. As coisas incorpóreas -como as qualidades, as configurações, a igualdade, as relações, os arranjamentos, os lugares, os tempos...- são, pela essência, imitáveis e incambiáveis, mas podem, acidentalmente, participar das vicissitudes dos corpos aos quais eles estão ligados". E prossegue: "Esse, acidentalmente, o

Conhecimento se ocupa também dos corpos, suportes materiais das coisas incorpóreas, é contudo a estas que ele se ligará especialmente. Pois essas coisas imateriais, eternas, constituem a verdadeira realidade. Mas o que está sujeito à formação e à destruição...(a matéria, os corpos) não é atualmente real por essência".

O caráter especulativo da filosofia grega, a busca dos juízos apodíticos, universalmente válidos, em contraposição aos juízos meramente assertóricos, que vemos surgir nas obras da filosofia ocidental, surgem, sem dúvida, graças às grandes contribuições do pitagorismo. A Mathesis , a suprema instrução, é algo ativo, que o homem deve afanar-se em conquistar. Esse afanar-se pelo saber é um apetite, um amor ao conhecimento da Mathesis , é a filosofia. O conteúdo desse conhecimento é um mathema , cuja arte em alcançá-lo é a mathematika , arte de obter os conteúdos do saber supremo. Nesse sentido, a matemática é o saber supremo dos pitagóricos, e não no sentido tomado comumente de disciplina que estudas as abstrações de 2ºgrau.

Chamemo-la de Metamatemática , que é a verdadeira filosofia para Pitágoras. E era ele que dizia que o verdadeiro amante do saber é aquele que expressa com clareza o que sabe, e procura demonstrar o que sabe, seguindo as normas da matemática, isto é, fundando- se em juízos apodíticos, universalmente válidos. Quando se intitulava um amante do saber, um filósofo, não dizia tudo quanto exigia do verdadeiro discípulo, mas apenas o que era possível dizer aos não-iniciados.

A verdadeira filosofia, para Pitágoras, é a Metamatemática, a arte que consiste em alcançar os conteúdos do saber supremo, e que demonstra suas afirmações (teses) por meio de juízos apodíticos (universalmente válidos), a verdadeira ciência em suma.

Para que uma disciplina se torne epistêmica deve afastar-se da doxa , das opiniões, da matéria sobre qual todos opinam e apresentam pontos de vista diametralmente opostos, a ponto de o que é afirmado com convicção de certeza e de verdade por um, ser considerado falso por outro, como sucede no âmbito das chamadas ciências culturais. A avaliação de um conhecimento só pode ser obtida epistêmicamente, se o critério que serve de avaliação fundar-se realmente em bases objetivas. E como se obterão tais bases senão nas demonstrações apodíticas, como as que nos oferece a matemática?

A doxa funda-se em critérios subjetivos, a epistéme em critérios objetivos. Para essa razão, a estética moderna, que está ainda no âmbito da doxa , permite que os seus estudiosos se digladiem em campos opostos e até contraditórios; o que é possível, porque não se estabeleceu ainda a fundamentação apodítica dos postulados estéticos, pelo menos entre os estetas modernos, que ignoram os trabalhos dos pitagóricos. Assim se pode estabelecer que, nas ciências naturais, onde os critérios objetivos predominam, é mais fácil a matematização no bom sentido, enquanto nas ciências culturais, devido à predominância de preconceitos enraizados, a matematização, também empregado o termo em sentido pitagórico, torna-se mais difícil, não porém, impossível, como desejam alguns, na ânsia natural de se entregarem às divagações e às afirmações imponderadas e fáceis.

“Nenhuma pesquisa merece o nome de ciência se ela não passa pela demonstração matemática”. Máxima de Leonardo da Vinci, genuinamente pitagórica e genuinamente grega, pois é o espírito da ciência grega que nela está presente. A

Não é o número (arithmós) apenas uma abstração de segundo grau da quantidade, como se poderia julgar se nos basearmos apenas nas obras dos pitagóricos de grau de paraskeiê.

Não há dúvida que a constante na exegese pitagórica, que se conhece através dos tempos, sempre confundiu o conceito do número em seu aspecto genérico com o número quantitativo, que é apenas uma espécie de número, ou seja, que é apenas “esquema da participação da quantidade”. Esse aspecto quantitativo é a diferença específica do gênero arithmós , mas não é tudo e apenas ele. É este um modo de ver que insistentemente teimamos em salientar, embora reconheçamos que há pitagóricos que jamais alcançaram outra visão, senão a meramente quantitativa, como se observa na obra de alguns pitagóricos e neo-pitagóricos.

Que não são os números a última natureza das coisas, é evidente em face das afirmações da escola de que o número tem sua origem na combinação harmônica do ilimitado e do limitado (infinito e finito, par e impar). Ademais, o Um não é número.

Por outro lado, também não se pode afirmar que a concepção do mundo de Pitágoras fosse atomística, pois neste caso, haveria o descontínuo como última natureza das coisas. Não procede essa afirmação, porque ele afirmava que o último hiporkeimenon , o último sustentáculo das coisas, é o aither , o éter, e este é pura continuidade e imutabilidade em sua essência.^5

Para os pitagóricos havia, sem dúvida, uma matemática transcendente , em oposição à matemática imanente. Esta última é a que corresponde às abstrações da quantidade, enquanto a primeira é aquela que se refere às formas ou idéias, seguindo a ordem que expusemos da matematização ontológica, como o fizemos em Filosofia Concreta. Há, no diálogo Das Leis de Platão, várias alusões a essa matemática transcendente, que só era conhecida e manejada pelos iniciados em graus mais elevados, inclusive na escola platônica.^6

Entre os pitagóricos ilustres, podemos citar Cercops, Petrônio de Hilera, Brotino de Metaponto, Hipaso de Metaponto, Califônio de Cnidos, Demócedes de Crotona, Parmenisco de Metaponto, Epicárnio de Siracusa, Icco, Parônio, Ameinias (mestre de Parmênides), Xuto, Boidas, Trasíalas, Teodoro de Cirene, Eurito de Crotona, Lysis ( a quem se atribuem os Versos Áureos ), Arquipos de Tarento, Opsimos de Requim, Fáleas de Calcedônia, Enópedes de Quios, Hipócrates de Quios, Ocelo de Leucínia, Nicretas de Siracusa, Ecfanto de Siracusa, Xenófilo de Cálcis, Diócles, Equecrates, Polinastro, Fantônio, Ário, Proso de Cirene, Amiclas de Tarento, Clénias de Tarento, Damônio, Fíntias de Siracusa, Simos, Minômides, Eufranor, Eicônio de Tarento, e as famosas pitagóricas Tiyka, Filtys, Cratesicléia, Teano, Lastenéia, Abrotélia, Execratéia, Eliasia, Tyrsenis, Peisirrode, Nisteadousa, Boiô, Babelyka, Kleaickna, Ekelô, Keilonis e Muia.

(^5) À primeira conclusão chega P. Kucharski, ao criticar as opiniões de E. Taylor em seu "Étude sur la doctrine pythagoricienne de la tétrade". 6

León Robin em "Platon" (Paris, Alcan, 1935) teceu comentários nesse sentido.

Versos Áureos

Preparação

Aos deuses imortais, antes de tudo, honra-os, presta o devido culto, E conserva a tua fé. Venera com a memória todos os heróis benfeitores, e os semideuses.

Purificação

Sê bom filho, irmão justo, esposo terno, bom pai, para amigo escolhe o da virtude. Ouve seus bons conselhos, e por sua vida modela a tua, dela não te afastes nunca se assim o puderes; uma lei severa relaciona a Vontade à Necessidade. A ti cabe, entretanto, lutar e vencer tuas loucas paixões; aprende a dominá-las. Sê sóbrio, sê ativo e casto, sem cólera. Ante os outros – e só – de mal nada permitas, e respeita a ti mesmo acima de tudo. Não fales e não procedas sem ter refletido. Sê justo. Lembra sempre que um fatal poder ordena tudo à morte; que os bens e as honras, que facilmente adquires, facilmente perdes e também quanto aos males, que traz o destino, julga-os como são; suporta-os, e cuida, o máximo que possas, reduzir seus traços: aos mais cruéis os deuses pouparam os sábios.

Como a verdade, o erro tem seus amantes; Defende-a o filósofo; o erro enfrenta prudente; se o erro vencer, ele se afasta; e espera. Grava bem em ti minhas palavras: fecha os olhos, o ouvido a todos preconceitos, teme o exemplo alheio, pensa por ti mesmo: consulta, delibera, escolhe livremente. Deixa aos loucos agirem sem fim e seu causa. Tu deves, no presente, olhar o futuro. O que não sabes tu, não pretendas fazer. Instrui-te; obterás tudo com o seu tempo. Cuida a tua saúde, gasta com medida, ao corpo alimentos, repouso ao espírito. Nem de mais nem de menos; pois a um excesso o outro se junta logo igualmente. O luxo e a avareza são bem semelhantes. Deves escolher em tudo o meio justo, e bom.

Introdução aos comentários

Neste trabalho juntamos comentários que se podem fazer aos comentários de Hiérocles buscando permanecer distante dos intérpretes pitagóricos, para que esta contribuição seja a mais pessoal possível e não sofra a influência da exegese de outros, já que nela serão aplicadas as regras da nossa dialética concreta.

A Dialética Concreta demonstra que se pode construir uma hermenêutica segura, mesmo trabalhando com a dialética simbólica, desde que esta esteja orientada por aquela.

Muitos colocam em dúvida a verdade histórica de Pitágoras. Não vamos discutir este tópico. O que nos interessa é partir da realidade do pitagorismo, aceita pelos seus contemporâneos, daquele a quem se “chamou” Pitágoras, no século ao qual se atribui ter vivido e o pitagorismo como uma criação sua. Alguns discípulos a ele se referem como uma pessoa com quem conviveram, e estas afirmações nos parecem suficientes para a sua historicidade e não para a sua negação.

Temos, além de um arquétipo psicológico, a tendência de tornar mítico ou de criar mitos sobre os criadores das grandes idéias, um anti-arquétipo que nega a realidade dos mitos e, consequentemente, nega a realidade histórica de certas figuras como Orfeu, Homero, Thot, Cristo, Shakespeare e outros.

À Pitágoras foram atribuídas muitas obras. Segundo vários autores chegariam a umas quinze, dentre as quais duas, pelo menos, são consideradas as mais importantes: " Perí tou hólou .", "Em torno do Universo", do universo organizado, cósmico e a famosa " Hiéros Logos ", “A Palavra Divina”, escrita em caracteres simbólicos - somente do conhecimento dos iniciados – e assim seu conteúdo não chegaria às mãos de qualquer um. Portanto, o que se sabe sobre Pitágoras é através dos discípulos ou seja, daqueles que se “chamaram seus discípulos”, os propagadores das suas idéias e que costumavam afirmar ser algumas das citações do grande Mestre.

Em " Pitágoras e o Tema do Número "^7 mostramos que, na exegese do autor, levamos em consideração a coerência da obra, sob dois aspectos: o intrínseco e o extrínseco.

Se queremos nos basear na coerência, sob o aspecto extrínseco, teremos de procurar os textos que se ligam uns com os outros para saber se realmente um autor quanto à um tema tomou uma determinada atitude. Este é o trabalho que consideramos secundário para o exegeta – apanágio dos exegetas menores – que são, entretanto, os mais numerosos. O trabalho exegético que vem a ser o mais difícil e complexo é o que vai buscar a coerência interna da obra de um autor procedendo, na Filosofia, do mesmo modo como Cuvier fez na Paleontologia: de posse de uma simples rótula construiu toda a anatomia do ser e dela partiu para a sua constituição física, a ponto de elaborar qual seria a flora que deveria existir para a manutenção deste ser. Através do estudo das proporções intrínsecas e das coerências intrínsecas que se impunham, construiu na Paleontologia uma obra de exegese

(^7) Ferreira dos Santos, Mário – “Pitágoras e o Tema dos Números”. São Paulo, Ed. Logos, 1960, 2ª ed. 1965.

paleontológica intrínseca. Similar ao que alguns estudiosos fizeram, partindo dos poucos fragmentos que existem, por exemplo sobre Heráclito e dali construíram a sua filosofia. Eles partiram apenas da aceitação de um postulado – o ponto de partida – de que deve existir uma coerência intrínseca na obra de um autor. Se considerarmos que Pitágoras, em todos os tempos e para todos os seus discípulos, foi consagrado como uma figura divina (a ponto deles terem querido transformá-lo numa verdadeira divindade, o que ele não aceitava) não podia, evidentemente, deixar de ser um homem de pensamento coerente e os pitagóricos sempre afirmaram esta coerência. Não há um momento qualquer de vacilação neste ponto. Partimos, então, desse princípio: de que há uma coerência na obra pitagórica e isto é comprovado pelo fato de não encontrar-se nenhuma idéia incoerente, e daí nos ser possível construir a sua concepção.

Alguém pode dizer que um determinado pensamento não é genuinamente pitagórico; esta afirmação tem tanto valor como qualquer outra sobre as idéias do Mestre. O que nos interessa é saber se o postulado atribuído à Pitágoras foi ou não aceito pelos pitagóricos através dos tempos, como um postulado de sua autoria. Se foi, se constitui os pontos fundamentais, sobre os quais não pode haver dúvida aplicando-se as regras da Dialética Concreta, que procede no campo do pensamento especulativo, do mesmo modo como trabalha com as proporções analógicas (usadas por Cuvier, como vimos), chegamos a reconstruir o pensamento coerente de Pitágoras, e podemos saber que ele, neste ou naquele ponto, não poderia ter outra maneira de sentir e de ver, pois do contrário entraria em oposição contraditória com o que é aceito como fundamental e verdadeiro na sua doutrina.

O que não podemos fazer, e isto é importantíssimo, porque muitos o fazem, é basearmo-nos em postulados que são dados por adversários do pitagorismo, onde é atribuído à Pitágoras aquilo que não temos certeza porque não tem, a seu favor nenhum pitagórico importante a defendê-la. É assim que se procede porque o pitagorismo, por muitas razões que não podem ainda ser expostas, continua sendo uma doutrina perigosa aos interesses daqueles que gostam de exercer o poder sobre os outros, já que ele não favorece a ascensão da mediocridade, o que é perigosíssimo para os medíocres, que geralmente estão à frente dos destinos da humanidade.

O poema – Os Versos Áureos – são compostos de 71 ou 73 versos^8.

A autoria deles é atribuída a Lysis. Lysis de Tarento foi um dos discípulos imediatos de Pitágoras, e conta-se ter sido um dos que escaparam à destruição do Instituto Pitagórico, em Crotona. Refugiando-se em Tebas foi mestre de Epaminondas, general tebano. Pouco nos resta de fragmentos de sua obra, a não ser uma carta à Hiparco onde reprova a este de ter desobedecido as ordens do Mestre quanto à divulgação de certos segredos de sua filosofia.

Eles se tornaram mais conhecidos ao mundo quando Hiérocles^9 os transmitiu e os comentou. São estes os comentários que traduzimos nesta obra.^10 Não temos o texto

(^8) O texto grego dos “Versos Áureos” contém 71 versos, enquanto que a tradução francesa de Paul Carton apresenta 73

versos.

(^9) Hiérocles, filósofo do século V, provavelmente nasceu no Egito, mas viveu em Alexandria. Daí chamar-se Hiérocles de Alexandria. Ensinou as doutrinas do pitagorismo e do neo-pitagorismo. Foi levado aos tribunais em Bizâncio,