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volei 03, Notas de estudo de Educação Física

Curso de Voleibol: iniciação e formação de equipes

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 17/09/2010

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daiane-carneiro-4 🇧🇷

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Curso de
Voleibol: Iniciação e Formação
de Equipes
MÓDULO III
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Curso de

Voleibol: Iniciação e Formação

de Equipes

MÓDULO III

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada, é proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados a seus respectivos autores descritos na Bibliografia Consultada.

MÓDULO III

3. FUNDAMENTOS

Definem-se fundamentos como sendo as partes que, quando somadas compõem o jogo como um todo. Os fundamentos técnicos do jogo são: o saque, a recepção, o levantamento, o ataque, o bloqueio e a defesa (RIBEIRO, 2004). De acordo com a sua dependência ou não do adversário, podem ser classificados como princípios ofensivos, que são os que podem resultar em ponto (saque, levantamento, ataque); e princípios defensivos, que não resultam em ponto direto (recepção, defesa) (RIBEIRO, 2004). O bloqueio, por suas particularidades pode ser considerado um princípio tanto ofensivo, quanto defensivo. Além dos fundamentos, nós temos os chamados elementos, que são recursos técnicos utilizados para a execução dos fundamentos. Nesta categoria temos as posturas básicas ou posições de expectativa, deslocamentos, toque e manchete, além de outros menos utilizados. Os fundamentos e elementos caracterizam o voleibol. Quanto melhor for a técnica de execução de ambos, maior será o nível de proficiência na modalidade do praticante. 3.1 Descrição dos fundamentos: 3.1.1 Saque Uma das principais características do saque é o fato de ser a única ação do jogo que depende somente do executor. O saque é a primeira ação do rally. Portanto, o executor pode planejar com antecedência todo o movimento, diferentemente das demais situações de jogo. Desta forma, O saque é a única habilidade motora fechada do voleibol (ZACARON e KREBS, 2006). Quando o voleibol foi criado, o objetivo do saque era eminentemente colocar a bola em jogo. Com a evolução do desporto, passou a ser uma forma de dificultar as ações do

Os jogadores iniciantes devem se preocupar prioritariamente em acertar a técnica para a execução do saque. Na medida em que o nível técnico vai aumentando e o aluno tem um maior controle sobre o saque, deve ser incentivado que o aluno busque alvos específicos, direcionando o saque para estes (MACHADO, 2006). 3.1.2 Recepção Como visto anteriormente, a construção de uma jogada é realizada, normalmente, através dos três toques que a equipe tem direito. Quando a bola é originária de um saque do adversário, a ação de jogo é denominada recepção (RIBEIRO, 2004). Portanto, a recepção atua diretamente contra o saque do adversário. É um fundamento que tem importância essencial na finalização da jogada ofensiva da equipe. Quanto mais precisa for, maior possibilidade de êxito terá levantamento e, consequentemente, o ataque. É realizada normalmente através do toque ou da manchete. Sua ineficácia pode proporcionar um ponto direto para o adversário ou uma maior possibilidade disto acontecer. É importante em situações de jogo delimitar a área de responsabilidade de cada aluno, dividindo as responsabilidades (MACHADO, 2006). O estado de prontidão, que permite ao atleta reagir o mais rapidamente possível quando da detecção de uma ação do oponente e a capacidade de antecipação são pré- requisitos fundamentais para a obtenção de uma recepção de qualidade. 3.1.3 Levantamento É a ação preparatória para a finalização da jogada ofensiva da equipe, sendo normalmente o segundo toque dos três que a equipe tem direito. É uma habilidade que requer extrema precisão, sendo considerada uma habilidade motora fina. Assim, o toque é o recurso que mais é utilizado para a sua realização (BOJIKIAN, 2003).

Com a evolução do voleibol, o levantamento deixou de ser apenas a ação de erguer a bola para o alto para ter um aspecto tático/estratégico vital para a finalização das jogadas. O levantamento é um fundamento primordial para o sucesso da jogada ofensiva da equipe. O atleta que desempenha esta função deve ter uma visão apurada do jogo, conseguindo ter uma boa leitura das características de seus adversários, para explorar suas possíveis falhas, além de perceber as virtudes e o momento psicológico de seus atacantes. Por tantas atribuições complexas, o levantador é considerado a alma da equipe (RIBEIRO, 2004). Diversas formas de toque podem ser efetuadas para sua realização. O mais fácil e comum é o toque para frente. Porém, levantadores habilidosos utilizam-se dos toques laterais, para trás e em suspensão (toque com salto) para a sua realização. Em casos de recepção inadequada, recursos como à manchete e o levantamento com apenas uma das mãos devem ser utilizados (RIBEIRO, 2004). O levantador pode optar pela execução do levantamento obedecendo a diferentes empregos estratégicos no contexto do jogo, condicionados a sua habilidade e a dos seus atacantes. Sendo assim, temos as alternativas de ataque denominadas de ataque de ponta, com bolas altas ou rápidas; ataque de meio (rápidas); jogadas combinadas; ataques de fundo da quadra; entre outras. 3.1.4 Ataque É o fundamento do jogo que desperta o maior interesse na maioria dos praticantes. Constitui-se de uma combinação de movimentos que culmina com um golpe na bola no ponto mais alto possível, que na maioria das vezes encerra um rally. O ataque é um fundamento que normalmente motiva o aprendiz e é praticado espontaneamente pelos alunos nos momentos de intervalo de treinamento e mesmo nos momentos em que não está treinando. Atualmente temos ciência de um grande número

Talvez seja o fundamento que maior desgaste ocasiona em seu treinamento e, ao contrário do ataque, não é dos mais estimulantes para o aluno, provavelmente pelos poucos sucessos conseguidos em sua execução (RIBEIRO, 2004). 3.1.6.Defesa É a ação que visa impedir o ataque adversário, quando este passa pelo bloqueio. É o fundamento que mais recursos são utilizados para a sua execução, com o próprio corpo servindo como uma espécie de escudo para defender a bola. A coragem é um pré- requisito indispensável para a formação de um bom defensor (BIZZOCHI, 2004). A importância da defesa na dinâmica do jogo pode ser entendida a partir da constatação que cada vez que se executa uma defesa com sucesso, o adversário deixa de pontuar e a equipe que defendeu tem condições de executar um contra-ataque, passando a ter uma maior possibilidade de vencer o rally em disputa (RIBEIRO, 2004). O ângulo descrito pelo ataque e a velocidade do mesmo são fatores que contribuem para a dificuldade em obter sucesso nas ações defensivas. O jogador de defesa deve atuar em conjunto com seu colega de bloqueio, procurando minimizar os espaços vulneráveis na quadra, já que o tempo não é suficiente para realização de deslocamentos. O entendimento do jogo faz com que o jogador tenha uma melhor leitura das ações do seu oponente, podendo se antecipar à ação deste, diminuindo sua desvantagem. Aspectos importantes a serem analisados pelo defensor são a velocidade da bola, a proximidade da bola com a rede, as características individuais dos atacantes, entre outras (BOJIKIAN, 2003). 3.2 Técnica de execução dos fundamentos e elementos 3.2.1 Saque. Para a execução do saque por baixo, temos dois momentos:

1 – Fase preparatória: De frente para a quadra adversária, tronco ligeiramente inclinado à frente. A bola deverá ser segura com a mão que não golpeará a bola, aproximadamente na altura do quadril. O pé contrário à mão que golpeará a bola deve estar à frente. O braço que irá realizar o golpe na bola deve estar estendido para trás. 2 – Execução: O aluno deverá fazer um movimento único do braço que golpeará a bola, tocando nesta com a mão fechada e em supinação. A bola deverá ser solta pela outra mão um pouco antes do golpe. O golpe deve ser efetuado aproximadamente na altura do quadril (BIZZOCHI, 2004). Saque por cima: 1 – Preparação: De frente para a quadra adversária, corpo ereto, segurando a bola com a mão contrária a que executará o saque ou com ambas as mãos. O Pé contrário à mão que golpeará a bola deverá estar posicionado à frente (Rocha, 2004). 2 – Execução: O aluno lançará a bola acima da sua cabeça, na direção do ombro do lado que a bola será golpeada. Em um movimento firme, deverá golpear a bola com a palma da mão aberta, buscando uma angulação que a permita passar sobre a rede. Figura 3.1. Saque por cima

flexão do punho por sobre a bola, no momento de contato com a mesma, de forma que a bola saia girando no sentido de cima para baixo, alcançando uma maior velocidade. Figura 3.2. Saque viagem ao fundo mar Figura 3.2. Extraída do site www.cbv.com.br 3.2.2 Toque O toque é o elemento mais característico de um jogo de voleibol e deve ser dominado por todos os jogadores. Sua descrição será feita em duas etapas: 1 – Entrada sob a bola: Os joelhos e cotovelos devem estar semi-flexionados, os membros inferiores com um afastamento suficiente para proporcionar equilíbrio ao corpo. A bola deve estar exatamente acima da cabeça no momento do contato. Um pé deverá estar ligeiramente à frente do outro. As mãos devem estar com os dedos estendidos, com um formato arredondado para melhor acomodar a curvatura da bola. 54

2 – Execução: O contato com a bola deve ser feito com a parte interna dos dedos, com uma pequena flexão do punho. Os dedos devem encaixar perfeitamente na bola, como se fossem segurá-la. Os polegares são a base principal, auxiliados pelos indicadores e médios. Os anulares e os mínimos participam menos da execução. Os cotovelos e joelhos deverão estender-se simultaneamente impulsionando a bola (MACHADO, 2006). As variações do toque (toque lateral, toque de costas) seguem o mesmo princípio básico. A única forma que tem uma diferença considerável é o toque em suspensão, onde o aluno deverá realizar um salto e tocar na bola no ponto mais alto possível. 3.2.3 Manchete Deve ser realizada com os braços estendidos à frente do corpo. As mãos se unem de forma que seja conseguida a maior simetria possível, além de oferecer uma ampla superfície de contato. As pernas devem estar ligeiramente afastadas, com um dos pés estando um pouco à frente do outro, com os joelhos devendo estar semi-flexionados. O corpo deve estar atrás da linha da bola, sempre direcionado para o local que se pretende enviar a bola. O contato com a bola deve ser feito com o antebraço, jamais com o punho. Deve ser feita uma extensão do joelho e do tronco, além de uma breve elevação dos braços, sem haver a flexão do cotovelo. A manchete foi o último dos fundamentos a aparecer no jogo de voleibol. Como o saque foi ficando mais potente, e o toque, que era o recurso utilizado para a recepção não era mais tão eficaz, abrindo espaço para a implantação da manchete (BIZZOCHI, 2004). 3.2.4 Recepção A recepção é geralmente realizada através da manchete, sendo utilizado o toque em algumas ocasiões. Tem como principais objetivos, primeiramente evitar que o saque do adversário se transforme em ponto; e posteriormente, buscar a máxima qualidade possível para facilitar as ações subseqüentes da equipe.

3.2.6 Ataque É o fundamento com maior riqueza de movimentos dentro do voleibol. Requer uma combinação de movimentos extremamente complexa para a sua execução. Pode ser feito através de bolas com altura variada; diferentes velocidades e distância da rede. Um bom atacante deve dominar golpes variados para maior eficiência no fundamento. Para melhor entendimento, vamos fracionar sua execução em seis fases: Fase 1 : Deslocamento ou passadas: Quantidade de passos que serão dados até o local do salto. O número de passos varia geralmente entre dois e quatro. Porém este número não deve ser pré-determinado e sim ajustado de acordo com as características do aluno. A velocidade horizontal proveniente do deslocamento deve ser aproveitada no salto. Fase 2 : Preparação ou ajuste: É o último contato do corpo com o solo. Normalmente a última passada é a mais larga e a finalização deve ser feita com o pé contrário à mão que vai golpear a bola estando ligeiramente à frente. O aluno deverá estar a aproximadamente 80 cm da rede. Os membros inferiores se flexionam, o tronco é trazido um pouco para frente e os membros superiores são estendidos atrás do corpo. Fase 3 : Salto: Os braços são trazidos estendidos para a frente do corpo, sendo ainda lançados para o alto. Os membros inferiores se estendem, assim como o tronco. A velocidade horizontal da corrida auxilia na impulsão vertical, ajudando na busca pelo máximo alcance. Fase 4 : Fase aérea: Após sair do chão há toda uma preparação para o ataque. O tronco faz uma leve hiper-extensão, as pernas são flexionadas para trás, o braço que vai golpear a bola vai para trás da cabeça. Fase 5 : Golpe na bola: O corpo se fecha sobre a bola, através de uma flexão do tronco e da volta das pernas que estavam flexionadas para trás. O braço de ataque vem para

frente até o encontro com a bola, no ponto de maior alcance possível. Deve ser feita ainda uma flexão de punho, para imprimir rotação à bola. Fase 6 : Aterrissagem : Os membros inferiores devem flexionar-se, para recuperação do equilíbrio e preservação das articulações. O aluno deve voltar ao solo em condições que lhe permita dar seqüência ao jogo (BIZZOCHI, 2004). Figura 3.3. Golpe na bola no ataque. Figura 3.3. Extraída do site www.cbv.com.br 58

Figura 3.4. Extraída do site www.cbv.com.br Figura 3.5. Bloqueio duplo. 60

Figura 3.5. Extraída do site www.cbv.com.br O bloqueio pode ser: Defensivo: Quando o objetivo é fazer com que a bola toque no bloqueador e o jogo tenha prosseguimento. Normalmente é realizado quando o bloqueador tem um alcance menor do que o atacante. Ofensivo: Quando o objetivo é finalizar o ponto diretamente. Geralmente é realizado quando o alcance do bloqueador é maior do que o do atacante. O bloqueio sofre influência de fatores como tempo de bola do atacante e do bloqueador; trajetória descrita pela bola a partir do levantamento; número de alternativas de ataque; entre outras. 3.2.8 Defesa 61

São as movimentações específicas necessárias para o emprego dos fundamentos a situações de jogo. Os deslocamentos no voleibol são realizados normalmente através de passadas e, esporadicamente, através de pequenas corridas. Quanto maior é o nível dos praticantes, mais velocidade tem o jogo e maior será a necessidade de movimentações velozes e eficazes (BIZZOCHI, 2004). O discernimento do aluno pode o levar a escolher mais rapidamente qual deslocamento irá utilizar. As passadas mais comuns são realizadas para frente, lateralmente, em diagonal e para trás. 3.3.3 Toque Considerado o elemento mais característico e preciso do jogo de voleibol, o toque pode ser utilizado para a recepção, o levantamento, a defesa e até mesmo para o ataque. Auxilia tanto nos princípios ofensivos quanto nos princípios defensivos. 3.3.4 Manchete Ação eminentemente defensiva, utilizada nos fundamentos recepção e defesa, além do levantamento, em situações de necessidade. Também pode ser um recurso para o envio da bola para a quadra adversária, embora promova pouca perturbação na equipe oponente. 3.3.5 Saque De acordo com os diferentes tipos de execução o saque pode ser utilizado para um dos seguintes objetivos:

  • Colocar a bola em jogo
  • Dificultar ao máximo a recepção adversária
  • Conseguir o ponto direto

O saque possui ainda outras características relacionadas a sua trajetória, podendo ser (BIZZOCHI, 2004):

  • Longo ou curto
  • Alto ou rasante
  • Distante ou próximo da linha de fundo
  • Diagonal ou paralela 3.3.6 Recepção Tem funções inversamente proporcionais ao saque, ou seja:
    • Evitar o ponto do adversário
    • Proporcionar uma maior facilidade para a finalização da jogada ofensiva. 3.3.7 Levantamento Normalmente é o segundo toque da equipe, usado para a preparação do ataque e é realizado preferencialmente através do toque, por este ser mais preciso e pelo fato do levantador estar mais próximo com os braços elevados da mão do atacante (BIZZOCHI, 2004). O levantador pode também efetuar o ataque de segunda, buscando enganar o bloqueio adversário. O levantador é o principal responsável pela organização da equipe dentro de quadra, principalmente relacionado aos aspectos ofensivos. 3.3.8 Ataque Fundamento responsável pela finalização da maioria dos rallys. O ataque pode ser realizado através de golpes potentes, podendo ser em diagonal ou na paralela; pode ser feito através de largadas; ou por ataques de meia força.