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weber texto complementar, Resumos de Sociologia

weber texto complementar para muitas pessoas

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 16/11/2020

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davi-lee-1 🇧🇷

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Weber
Of frin izad or: Gab riel Co hn
Coo rdena dor: Fl orestan Fe rnandes
SOCIOLOGIA ea
Texto 03 - Complementar
Leitura do capítulo 4
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Weber

Offrinizador: Gabriel Cohn

Coordenador: Florestan Fernandes

SOCIOLOGIA

ea

2 3 ^ 3

if' ájMÁRIO

INTRODUÇÃO (por Gabriel Cohn), 7

TEXTOS DE WEBER

1. (^) As causas sociais do declínio da cultura antiga. 37

**2. 0 Estado nacional e a política econômica, 58

  1. A “objetividade" do conhecim ento nas** C iências Sociais, 79 4. (^) Os três tipos puros de dominação **legítim a, 128
  2. Religião e racionalidade econômica, 142**

ÍNDICE ANALÍTICO E ONOMÁSTICO, 160

Textos para esta edição extraídos de:

W e b e r , M. G esam m elte A u fsa tze zur Sozial-und W irtschaftsgeschichte. 1. e d. Tübingen, J. C. B. M ohr (Paul Siebeck), 1924. —. G esam m elte politische Schriften. 3. ed. Tübingen, J. C. B. M ohr (Paul Siebeck), 1971. —. G esam m elte A ufsa tze zur W issenschaftlehre. 4. ed. Tübingen, J. C. B. M ohr (P aul S iebeck), 1973 —. W irtschaft und Gesellschajt. 4. ed. Tübingen, J. C. B. M ohr (Paul S iebeck), 1956. v. II..G esam m elte A u fsa tze zur Religionssoziologie. 5. ed. (6. ed. 1972. v. I). Tübingen, J. C. B. M ohr (Paul S iebeck), 1972. v. II.

“Exagerar é a minha profissão.” Essa resposta de M ax Weber a um colega chocado com a sua veemên cia num debate diz muito a respeito da sua figura hum ana e também da sua obra. O contato apaixona do com os grandes problemas polí ticos do dia, a busca incansável do conhecimento através de uma eru dição sem paralelo nas ciências sociais deste século, a intensidade da dedicação à pesquisa e à re flexão metodológica, o desgaste pessoal até ao pleno colapso psí quico e a recuperação fulgurante da capacidade criadora, o ímpeto exacerbado das investidas contra o que lhe parecia errado, contidas no momento mesmo em que tudo parecia dar-lhe razão; tudo isso está presente no mais alto, no mais exagerado grau na sua vida e na sua obra.

Dois exemplos, retirados de áreas diversas da sua atividade, permitem ilustrar isso. O primeiro diz respeito à sua postura diante das questões práticas do dia. D urante a fase decisiva da Primeira G uerra M undial as críticas de W eber às hesitações e aos erros do governo alemão, representado pelo rei Guilherme II — por exemplo, ao não se dar conta de que, ao intensificar a guerra submarina, a Alem anha atraía contra si a entrada norte-americana no conflito, o que lhe seria fatal — cresciam em virulência, en caminhando aquilo que W eber encarava como um ajuste de contas

Max Weber nasceu em 21 de abril de 1864, como prim o gênito de oito filhos e herdeiro do nome do pai, um jurista e político geralmente descrito como homem pragmático e acomo dado. Sua mãe, Helene Weber, esforçou-se sempre por imprimir no filho o timbre da sua concepção severamente protestante do mundo. H á uma forte tendência entre os intérpretes de Weber, no sentido de atribuírem ao contraste entre seu pai e sua mãe um papel importante na formação daquilo que, adaptando-se um termo do próprio Weber, seria a sua conduta pessoal de vida, sempre tensa entre a reflexão e a ação e entre a repressão ascética dos impulsos em nome da autodisciplina e uma postura mais tolerante e descontraída. N a casa paterna Weber teve oportuni dade de conviver com as figuras de renome no mundo político e intelectual que habitualmente a freqüentavam, num prenuncio do círculo de freqüentadores da sua própria casa na sua maturidade, quando entre seus amigos se incluíam figuras tão estimulantes e diversas entre si como Georg Simmel * e Georg Lukács. ** Durante toda a vida teve a atenção dividida — e, dada a sua concepção das coisas, esse termo deve ser tomado no seu sentido literal —• entre a atividade intelectual e a participação prática na vida política alemã, embora nessa segunda área ele não tenha chegado a ocupar qualquer posição oficial. O mais próximo que chegou disso foi quando participou da comissão encarregada de redigir a Constituição da República de Weimar, em 1919, e quando integrou o corpo de assessores de alto nível da delegação de paz alemã em Versalhes, também em 1919. Sua formação acadêmica foi muito ampla, concentrada nos estudos de Direito mas com profundas incursões pela História, a Economia, a Filo sofia e mesmo a Teologia. Sua dedicação explícita à Sociologia somente ocorreu na fase final de sua vida, embora suas contribui ções básicas nessa área já estivessem prontas em 1913. Sua obra não é o resultado de um fluxo contínuo e regular de trabalho, mas de períodos de concentração e produção extremamente intensivas. O período de 1891 a 1897 foi de atividade muito acentuada, in terrompida por uma profunda crise psíquica que durou cinco anos

  • P ro g ra m a d o nesta coleção, volum e o rg an iz ad o p o r E v âristo de M oraes F ilho. (N. d a E d .) 4:5 Lukács. Org. José P aulo N etto, v. 20 desta coleção. (N. da E d.)

e praticamente o afastou da atividade docente (que detestava) pelo resto da vida. Em 1903 recebeu o título de professor honorário da presti giosa Universidade de Heidelberg, o que lhe permitiria dispor livremente do seu tempo de trabalho acadêmico. A m aior parte da produção que lhe deu fama foi realizada em três períodos de quatro anos cada — de 1903 a 1906, de 1911 a 1913 e de 1916 a 1919. No primeiro deles, publicou a sua célebre análise sobre A ética protestante e o espírito do capitalismo e os seus princi pais estudos metodológicos, além de importantes análises sobre a revolução russa de 1905, escritas no calor dos próprios aconteci mentos. No segundo, redigiu o essencial da sua obra máxima, Economia e sociedade, e publicou o seu único trabalho em que o termo “sociologia” figura no título, “Sobre algumas categorias da Sociologia compreensiva”. No último, retomou e deu forma final a vários temas de que já se vinha ocupando anteriormente, redigiu três dos seus quatro estudos previstos sobre a “ética econômica das religiões mundiais” e dedicou-se intensamente ao exame das tendências da política alemã da época. Após a sua morte, em 14 de junho de 1920, a sua viúva M arianne Weber, que também se dedicava ao trabalho intelectual e participara do movimento feminista da época, organizou muito do material disperso por ele deixado e promoveu a sua publicação, além de redigir uma extensa biografia de Max Weber, publicada em 1926, e que por muito tempo constituiu a única fonte de con sulta nessa área.

  • • • Os textos selecionados para este volume proporcionam uma visão panorâm ica da produção de Weber, desde a sua primeira etapa até à sua maturidade intelectual. Permitem também cons tatar a notável coerência da sua obra, na qual os temas e o modo de tratá-los vão ganhando forma ao longo dos anos, mas já estão claramente delineados nos seus primeiros trabalhos. Vale a pena, assim, iniciar o exame da contribuição weberiana através de um levantamento das primeiras questões contidas neles, na ordem em que se apresentam. O primeiro deles, sobre as causas sociais do declínio da cultura antiga, baseia-se numa conferência pronunciada em 1896 e incorpora os resultados das intensivas pesquisas históricas nessa

(entre as quais ele inclui o materialismo histórico), que ele acaba não se dando conta de toda a amplitude desse tema, que muito o ocuparia mais tarde. É que, se esse espetáculo histórico é digno de ser visto apesar de não haver qualquer vínculo objetivo, de caráter evolutivo ou outro, entre ele e o mundo contemporâneo, deve haver naquilo que diz respeito ao caráter particular de que se reveste para nós — ou seja, que solicita o nosso interesse histó rico — algo que justifique a sua seleção. Vale dizer que o simples fato de ter sido feita a seleção desse processo específico, o da derrocada de uma cultura, já é significativo, não tanto em relação ao caráter objetivo do próprio tema mas sim quanto à orientação do interesse do historiador. Falar num estrito interesse histórico por um evento ou pro cesso implica, afinal, levantar a questão da presença desse próprio interesse. E isso só é reforçado pela idéia weberiana, já implícita nesse texto, de que, não havendo uma linha unívoca nem um curso objetivamente progressivo no interior da História, cabe à pesquisa histórica tratar do que é particular, daquilo que permite identificar na sua peculiaridade uma configuração cultural e buscar explica ções causais para essa particularidade. Essa questão somente viria a ser examinada a fundo por W eber em 1904, no ensaio sobre a objetividade nas ciências sociais, incluído neste volume. Neste momento interessa examinar como ela se apresenta na sua forma ainda embrionária e ver as implicações disso. A leitura do texto permite constatar, desde logo, que na realidade Weber não se limita a uma postura contemplativa diante do processo que examina e que as referências e alusões a proble mas contemporâneos se multiplicam no texto. Com efeito, já aqui transparece uma característica básica do estilo weberiano, que é o seu caráter eminentemente crítico: ele sempre escreve contra alguém ou alguma coisa do seu tempo. Esse tom polêmico, sempre orientado pela busca de uma posição autônoma, manifesta-se tanto no tratam ento de questões substantivas do dia quanto no domínio teórico. Este último ponto, por sinal, merece uma referência agora, para evitar mal-entendidos na leitura do texto selecionado. Nesse encontram-se termos tomados de empréstimo ao marxismo, como “infra-estrutura” e “superestrutura”, o que pode dar a impressão de que ele estaria de algum modo aderindo à teoria da qual esses termos fazem parte. Mas não é bem assim. Trata-se mais de um recurso polêmico. Ele usa esses termos para enfatizar a impor

tância dos fatores econômicos, “materiais” para a explicação do processo em exame, contra as interpretações “idealistas” correntes na época; mas ao mesmo tempo afasta-se do materialismo histó rico ao negar a possibilidade de encontrar-se um curso objetivo e determinado dos processos históricos. No tocante às referências a questões substantivas não é difícil discernir na exposição webe- riana dos dilemas políticos e econômicos de um império antigo em declínio a marca das suas preocupações com os problemas da Alem anha pós-bismarckiana às voltas com difíceis problemas de liderança política. É mesmo possível demonstrar, com base nesse texto e na obra de m aior envergadura que lhe serviu de base, que já nessa época W eber estava às voltas com a distinção metodológica entre duas ordens diversas de problemas, que somente se definiria para ele mais tarde e que resultaria na diferenciação entre uma perspec tiva historiográfica e um a sociológica. Por um lado, temos a preocupação com o caráter peculiar de uma configuração cultural e com as causas disso; por outro, põe-se a questão dos elementos dessa configuração que tenham um caráter mais geral e possam ser encontrados em outras épocas e outros lugares. Já na sua obra mais abrangente sobre história antiga, publicada em 1891 sob o título de A história agrária de R om a e sua importância para o Direito Público e Privado, Weber lançava as bases para um trata mento mais amplo de praticamente todos os aspectos que o absor veriam ao longo da sua vida acerca do seu grande tema de estudos: o capitalismo moderno e o processo de racionalização da conduta de vida da qual ele é expressão. Isso ficaria explícito numa retom ada sintética da mesma temática, publicada em 1909, sob o título de “Condições agrárias da Antigüidade”. No final desse trabalho lê-se: “T odo capitalism o converte a ‘riqueza’ das cam adas proprietárias em ‘capital’ — o Im p ério R om ano elim inava o ‘capital’ e atinha-se à ‘riqueza’ das cam adas proprietárias. C om petia às classes p ro prietárias servi-lo com a sua propriedade com o garantia de suas rendas e necessidades estatais e não m ais com a espada e o es cudo com o ocorria n a pólis antiga. P a ra que essa utilização direta dos súditos providos de posses na form a do E stado litúr- gico fosse substituída pela utilização indireta na form a da aliança entre m onarquia e capital no E stado mercantilista m oderno foi necessário o desenvolvim ento do capitalism o industrial e o exem plo da riqueza capitalista privada dos Países Baixos e da

ou de qualquer noção similar, que pressuponha a presença das mesmas causas operando ao longo do tempo em diferentes con figurações históricas. Mas isso não impede um exame comparativo entre traços de um período e traços encontrados em outros, admitindo-se a espe cificidade de cada um e a circunstância de que a comparação sempre incidirá sobre aspectos parciais e selecionados dos pro cessos em confronto. No texto aqui utilizado cabe apontar, a propósito, o exemplo do confronto entre a cidade antiga e a cidade medieval. W eber afirma que, sob determinado aspecto, ambas têm características semelhantes; mas as suas análises mais amplas do tema assinalam que, colocados nos seus contextos par ticulares, esses dois tipos de cidade são inteiramente diversos, pois a cidade antiga é uma instituição basicamente política, ao passo que a cidade medieval é fundamentalmente econômica. A análise comparativa não opera, então, na busca do que seja com um a várias ou a todas as configurações históricas mas, pelo contrário, permitirá trazer à tona o que é peculiar a cada uma delas. Nas análises a que Weber se dedicaria posteriormente, essa visão comparativa ir-se-ia apurando cada vez mais, orientada pela busca daquilo que é específico ao mundo ocidental moderno — a presença de um capitalismo organizado em moldes racionais e a racionalização da conduta em todas as esferas da existência hum ana — em termos da busca, em outras configurações históri cas, de traços que não fossem congruentes com essa racionalização especificamente européia da vida. Desde logo, portanto, a pesquisa histórica pode ajudar-nos em duas coisas: apontar os traços que reputamos importantes no nosso mundo contemporâneo e que também estejam presentes em outras épocas e lugares, devido a causas específicas a serem examinadas em cada caso, e assinalar traços existentes no nosso universo histórico particular que possam ser apontados como responsáveis pelas diferenças entre ele e os demais (sendo que eles figurarão na análise como causas dessa diferença). N a realidade a atenção de Weber sempre se concentrou sobre a particularidade da configuração histórica em que vivia, e a extraordinária envergadura do seu conhecimento empírico e teó rico sempre foi subordinada a isso. Mas o seu ponto de referência concreto era ainda mais particular: o Estado nacional e, mais

especificamente, a Alemanha da sua época. Isso transparece de maneira especialmente acentuada no segundo texto do presente volume, sobre o Estado nacional e a política econômica. Nele reproduz-se a conferência proferida por W eber em 1895, na con dição de professor recém-designado para a disciplina Ciência do Estado na Universidade de Freiburg. Trata-se de texto muito expressivo do estilo weberiano. Nele com bina-se a tom ada de posição muito firme, até às vezes um tanto chocante no tom (convém não esquecer que se trata de um discurso destinado a suscitar controvérsias, e não um trabalho estritamente científico) em face dos problemas práticos do dia, com reflexões bastante amplas sobre temas teóricos. Para o leitor atual é um tanto estranho defrontar-se com um texto apresentado como tratando do “papel que as diferenças raciais entre nacionalidades desempenham na luta econômica pela existência”. Logo se verá, contudo, que esse é apenas o ponto de partida para a discussão dos problemas prioritários para Weber na época: a integridade cultural da nação alemã e a definição dos seus segmentos aptos a dirigi-la num período de crise do poder. A noção de “diferenças raciais” é trabalhada criticamente e dife renciada da de “cultura”, sobretudo através da demonstração de que uma alta capacidade adaptativa às condições exteriores de vida não é sinônimo de nível cultural elevado. Mais importante do que a idéia de adaptação, no entanto, é a de “seleção”. Weber encara com reservas o seu uso em termos em um “darwinismo social” mas não a abandona de todo. Ao contrário: uma vez despojada das analogias biológicas, ela seria incorporada ao seu esquema analítico e associada à idéia de luta, que desempenha papel fundamental no esquema weberiano, como um componente significativo nuclear de toda a relação social. A persistência dessa idéia em Weber pode ser apreciada quando se lê o que ele publicou na sua fase de plena maturidade, em 1917, retomando trabalho originalmente escrito em 1914 sobre o “sentido da neutralidade valorativa nas ciências sociais” :

“Som ente se pode falar de problem as realm ente solucionáveis po r meios em píricos nos casos em que procurem os os meios apropriados a um fim dado de m odo absolutam ente unívoco. A proposição é o único meio p ara y' não passa, na realidade, da simples inversão da proposição ‘a x segue-se y ’. O conceito de ‘adaptabilidade’ (e todos os sim ilares) nunca oferece — e isso é essencial — a m ínim a inform ação acerca das avaliações

“devem ser encaradas como um a suavização ou mais propriamente como uma interiorização e aguçamento da luta”. A té na escolha dos termos isso soa como se fosse uma resposta a Durkheim, que via na diferenciação social e sobretudo na divisão do trabalho uma forma de “suavização da luta pela vida”. É que, diversa mente de Durkheim, é Weber o analista por excelência do conflito, do confronto de interesses e valores inconciliáveis, da dominação e do poder. N o texto selecionado, a luta pela existência que ocorre no confronto entre alemães e poloneses, nas fronteiras da Prússia, é analisada contra o pano de fundo da luta pela direção da socie dade alemã como um todo, da qual a organização do Estado e a política econômica são expressões. É da discussão disso que W eber extrai a sua tese central, de que “o poder econômico e a vocação para a direção política nacional nem sempre coincidem”, com base na qual condena o domínio político dos estamentos agrários, ao mesmo tempo que aponta a falta de “m aturidade” da burguesia alemã — e dos trabalhadores — para substituí-los. Merece também atenção nesse texto o modo pelo qual Weber conduz a análise dos dados empíricos. Nele transparece tanto a sua formação prévia de historiador habituado a m anejar vasta documentação quanto a sua experiência de pesquisa propriamente sociológica, devida à sua participação em minuciosos levanta mentos sobre a situação agrária na Alemanha, realizadas no período de 1892-1894. Digno de nota é o desembaraço no manejo dos dados estatísticos, incluindo o modo como determinados dados são usados como indicadores de condições para os quais não há informações diretas disponíveis. Nessa etapa da sua ati vidade científica W eber dedicou-se intensamente à pesquisa social empírica, trabalhando com diversas fontes de dados e com questões também variadas, que iam das condições agrárias à organização do trabalho industrial, passando por uma pesquisa planejada e não realizada sobre a imprensa, para a qual ele previa uma análise de jornais, em termos daquilo que atualmente se designaria por “ análise de conteúdo”. Finalmente, esse texto deve ser lido com atenção no seu tratam ento do tema, tão im portante para Weber, da relação entre juízos de valor e conhecimento científico. Nele, bem mais clara

mente do que nos trabalhos anteriores, fica explícita a posição de que a adesão a determinados valores (éticos, estéticos ou de qualquer natureza) sempre está envolvida na seleção de um tema para análise, ainda que esta necessariamente seja despojada de valorações no seu desenvolvimento interno. Aponta-se especial mente que noções como “cultura” e “nação” são conceitos de valor, que orientam a pesquisa e não podem ser neutralizadas ou eliminadas como simples prejuízos. Igualmente fica m arcada a posição destacada que dimensão política — vale dizer, relativa à luta pelo poder — ocuparia sempre no pensamento weberiano. Daí a sua ênfase, nesse texto, sobre a Economia entendida como ciência da “política econômica nacional”, subordinada aos inte resses de poder nacionais. Isso não significa, é claro, que a Economia perca a sua autonomia como ciência e como dimensão particular da atividade humana. O que se está defendendo é a autonomia da dimensão política, em parte para exorcizar a idéia de que ela seja determi nada pela Econom ia, sobretudo no sentido mais extremo que W eber atribui a essa idéia, de que o exame das condições da atividade econômica permitiria “deduzir” de alguma forma as condições correspondentes da atividade política. Deve-se distinguir claramente, no entanto, entre a ciência econômica no sentido es trito do termo, como disciplina preocupada com o uso mais adequado de meios específicos para a obtenção de fins também específicos num contexto de escassez, da política propriamente dita, que envolve decisões baseadas em valores fundamentais e inquestionados. Enquanto economista no sentido estrito do termo, o cientista deve abster-se de qualquer juízo de valor na sua análise, precisamente porque enquanto cientista não lhe cabe reivindicar um caráter imperativo para as suas conclusões. Isso anuncia um dos grandes temas weberianos, que seria retomado nos seus últimos trabalhos, as conferências sobre “Ciên cia como vocação” e “Política como vocação”. Trata-se da distinção muito enfática que ele propõe entre a postura correta do cientista, para quem só é lícito reconstruir os fatos considera dos significativos e analisá-los conforme as exigências universais do método científico e a do homem de ação voltado para as questões práticas, que deve tom ar decisões impulsionadas por interesses que entrarão em choque com interesses alheios e que têm por fundamento último certos valores que igualmente colidem