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Zoneamento de Risco Climático e Aptidão de Cultivo para o Município de Picuí – PB
Tipologia: Notas de estudo
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ISSN:1984- 2295
Homepage: www.ufpe.br/rbgfe
Paulo Roberto Megna Francisco^1 ; Frederico Campos Pereira^2 ; Raimundo Mainar de Medeiros^3 ; Talita Freitas Filgueira de Sá^4 (^1) Doutorando em Engenharia Agrícola - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Email: [email protected] 2 3 Professor^ –^ Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Campus Picuí 4 Doutorando em Meteorologia - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Doutoranda em Agronomia – Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Artigo recebido em 10/12/2011 e aceito em 27/12/ R E S U M O Este trabalho teve como objetivo apresentar o mapeamento do estudo e descrição das potencialidades climáticas e edáficas do município de Picuí visando à exploração racional, seu desenvolvimento sustentável e econômico, com base nas aptidões de solo, clima e as recomendações das portarias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o município de Picuí.Identificou-se 21.459,96ha de terras do tipo 1 representando 32,24% da área total podendo ser cultivadas preferencialmente sob regime de sequeiro as culturas da Palma e Sisal.Identificou-se áreas de terras do tipo 2 que perfazem um total de 6.555,35 ha, representando 9,85% da área total podendo ser cultivadas preferencialmente sob regime de sequeiro as culturas da Palma, Sisal e Sorgo. As culturas do Abacaxi, Banana, Coco, Mamão e Maracujá devem ser cultivados preferencialmente sob irrigação tanto nos solos de tipo 1 como no de tipo 2.As áreas identificadas como Proibidas perfazem um total de 43.591,04 ha, representando 57,91% da área total não sendo recomendadas as culturas do Algodão Herbáceo, Amendoim, Arroz, Caju, Cana-de-açúcar, Feijão Caupi, Girassol, Mamona, Mandioca, Milho e Pimenta-do-reino. As maiores limitações são devidas aos solos predominantes: Luvissolo Hipocrômico Órtico e o Neossolo Litólico Eutrófico. Palavras-chave:Sig, Mapeamento, Desenvolvimento Sustentável, Semiárido,Seridó.
ABSTRACT This work aims to show the mapping of the study and description of potential climate and soil of the city of Picuí aimed at rational exploitation, and economic development sustainable, skill-based soil, climate and the recommendations of the ordinances of the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply in the city of Picuí. It was identified 21459. ha of land of type 1 representing 32.24% of the total area may preferably be grown under rainfed crops scheme and the Sisal Palma. We identified areas of land of type 2 for a total of 6555.35 ha, representing 9.85% of the total area may preferably be grown under rain-fed crops regime of Palm, Sisal and sorghum. Cultures of Pineapple, Banana, Coconut, Papaya and Passion Fruit should preferably be grown under irrigation in the soil of both type 1 and type 2. The areas identified as Prohibited for a total of 43,591.04 hectares representing 57.91% of the total area and are not recommended crops of herbaceous cotton, peanuts, rice, cashew, sugar-cane, cowpea, sunflower, castor, cassava, corn and pepper-the- realm. The major limitations are due to the predominant soil: Luvisol and Orthic hypochromic Udorthent Eutrophic. Keywords: Gis,Mapping, Sustainable Development, Semiarid,Seridó.
1. Introdução A produção agrícola no semiárido é fortemente dependente da precipitação
pluviométrica, e, por conseguinte, as suas variações provocam graves prejuízos na agricultura (Menezeset al., 2008). O clima
atuando como fator de interações entre componentes bióticos e abióticos. No Nordeste do Brasil, em especial na região semiárida, que frequentemente enfrenta os problemas da seca e estiagens prolongadas dentro do período chuvoso, estas condições se tornam ainda mais graves (Nobreet al., 2001). A Paraíba tem, como características climáticas marcantes, as irregularidades, tanto espacial quanto temporal, do seu regime de chuvas. Essas condições climáticas interferem diretamente na produção de alimentos, fazendo com que haja a necessidade de se aumentar a produção e produtividade das culturas, mas para que haja esse aumento é indispensável que sejam aplicadas tecnologias já adaptadas para cada região, bem como, pesquisar novas tecnologias (Menezes et al., 2010). A agricultura é uma atividade econômica dependente, em grande parte, do meio físico e o aspecto ecológico confere fundamental importância ao processo de produção agropecuária (Chagaset al., 2006). Diante das adversidades climáticas que ocorrem constantemente e da interferência negativa que essas causam na produção agrícola, instituições de pesquisas passaram a partir da década de 70 a desenvolver mecanismos que permitissem indicar, com maior margem de segurança, o local e a data mais apropriada para plantar determinada cultura, como também o tipo de cultivar mais adequada para cada região (MAPA, 2008).
Dentre os principais mecanismos criados, pode ser citado o zoneamento agrícola de risco climático que considera o balanço hídrico, e o risco quantificado através de análises probabilísticas e frequenciais no tipo de solo, clima local, e ciclo fenológico da planta, com o objetivo de quantificar o risco de perda das lavouras com base no histórico de ocorrência de eventos climáticos adversos, principalmente a seca,onde publica recomendações por município, tipo de solo e ciclo da cultivar. Desde 1996 por determinação do Conselho Monetário Nacional, o Banco Central do Brasil publicou resoluções passando a considerar o zoneamento agrícola de risco climático como referência para aplicação racional do crédito agrícola e para o Programa de Garantia Agropecuária que passou a orientar outros seguros governamentais como o Seguro da Agricultura Familiar, sob responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Seguro Rural do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2008). Iniciado na safra de 1996, esse zoneamento vem sendo gradativamente ampliado e utilizado em larga escala no País, consolidando-se como ferramenta técnica científicade auxílio à gestão de riscos climáticos na agricultura. O Zoneamento Agrícola de Risco Climáticocontem os parâmetros edafoclimáticos utilizados para cada cultura na região estudada e leva em consideração a
Figura 1. Localização espacial da área de estudo.
Na Tabela 1 podemos observar dados Climatológicos mensais e anuais, os quais representam médias de, no mínimo, trinta
anos de dados e foram obtidos através da publicação da AESA.
Tabela 1. Distribuição Pluviométrica e Precipitação Média Mensal e Anual Registrada no Município nos últimos 30 anos. Município Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual Picuí 29.7 50.8 88.1 85.7 36.8 19.7 10.6 4.0 1.4 1.1 3.7 9.9 339. Fonte: AESA (2011).
Segundo Souza et al. (2003) o Planalto da Borborema uma unidade geomorfológica denominada Superfície de Planalto, com domínio de relevo suave ondulado e ondulado, representa uma das unidades mais amplas e regulares no conjunto da Borborema e se constitui no mais importante acidente geográfico da Região Nordeste, exercendo na Paraíba um papel de particular importância no conjunto do relevo e na diversificação do
clima. De acordo com os dados do Atlas do Plano Estadual de Recursos Hídricos da Paraíba (PARAÍBA, 2006), a geologia predominante está representada pela Formação Seridó e Grupo Seridó indiscriminado; Complexo Serrinha Pedro Velho; Granitóide de quimismo indiscriminado e Suíte Poço do Cruz.
Figura 2. Variação pluviométrica espacial da área de estudo. Fonte: Adaptado de AESA.
Conforme Plano Estadual de Recursos Hídricos (PARAÍBA, 2006) e a conversão conforme EMBRAPA (2006) de Campos & Queiroz (2006) para estes solos, na área do município de Picuí é encontrado basicamente
o Latossolo Amarelo Distrófico argissólico; o Luvissolo Crômico Órtico típico; o Neossolo Flúvico Ta Eutrófico solódico; os Neossolos Litólicos Eutróficos e os Neossolos RegolíticosEutróficos(Figura 3).
Figura 3. S olos do município de Picuí. Fonte: Adaptado de PARAÍBA (2006; 1978).
continuação Meses Maio Junho Julho Agosto Períodos 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Datas 110 a^1120 a^21 0 a 31 a 10 11 a (^20) a^21 31110 a^1120 a^ 21a 30 1 a 10 11 a 20 21 a 31 Meses Setembro Outubro Novembro Dezembro Fonte: MAPA (2011). As culturas zoneada pelo MAPA e estudada neste trabalho são a do abacaxi, algodão herbáceo, amendoim, arroz, banana, caju, cana-de-açúcar, coco, feijão caupi,
girassol, mamão, mamona, mandioca, maracujá, milho, palma, pimenta do reino, sisal e sorgo.
Tabela 3. Período de semeadura das culturas para cada grupo e tipo de solo.
Cultura
Grupo I Grupo II Grupo III Períodos de semeadura Períodos de semeadura Períodos de semeadura Solo Tipo 1
Solo Tipo 2
Solo Tipo 3
Solo Tipo 1
Solo Tipo 2
Solo Tipo 3
Solo Tipo 1
Solo Tipo 2
Solo Tipo 3 Algodão herbáceo * * * * * * * * * Abacaxi irrigado 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 Amendoim * * * * * * * * * Arroz sequeiro * * * * * * * * * Banana irrigada 7 a 15 7 a 15 7 a 15 7 a 15 7 a 15 7 a 15 7 a 15 7 a 15 7 a 15 Caju * * * * * * * * * Cana-de-açúcar * * * * * * * * * Coco irrigado 7 a 18 7 a 18 7 a 18 7 a 18 7 a 18 7 a 18 7 a 18 7 a 18 7 a 18 Feijão caupi * * * * * * * * * Girassol * * * * * * * * * Mamão irrigado 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 1 a 36 Mamona * * * * * * * * * Mandioca * * * * * * * * * Maracujá irrigado 1 a 12 1 a 12 1 a 12 1 a 12 1 a 12 1 a 12 1 a 12 1 a 12 1 a 12 Milho * * * * * * * * * Palma 25 a 33 25 a 33 25 a 33 25 a 33 25 a 33 25 a 33 25 a 33 25 a 33 25 a 33 Pimenta do reino * * * * * * * * * Sisal 31 a 9 31 a 9 31 a 9 31 a 9 31 a 9 31 a 9 31 a 9 31 a 9 31 a 9 Sorgo * 4 a 5 4 a 6 * 3 a 4 3 a 4 * 2 a 3 2 a 3 Fonte: Adaptado de MAPA (2011). Obs: (*) Não foi recomendado para o município.
Após foi elaborado o mapa do zoneamento de risco climático onde consta as culturas aptas e seus respectivos períodos de semeadura e grupos com o objetivo de facilitar sua interpretação.
3. Resultados e Discussão O mapa de zoneamento de risco climático apresenta a distribuição espacial na área de estudo. De acordo com a Figura 4 identificou-se 21.459,96hade terras do tipo
1representando 32,24% da área total do município distribuídas na região sudeste e pequena parte a sudoeste do município. São áreas estas compostas pelos Neossolos Regolítico Eutrófico, que conforme Cavalcante et al. (2005), são solos submetidos a uma intensa utilização agrícola, e apresentam como principais limitações, a baixa fertilidade natural, a deficiência de água e em algumas áreas impedimentos ao uso de implementos agrícolas.
Figura 4. Zoneamento de Risco Climático do município de Picuí. Fonte: Adaptado de PARAÍBA (1978); PARAÍBA (2006); IBGE (2009); MAPA (2011).
Ficam indicadas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático para o solo do tipo 1, as culturas irrigadas do: Abacaxi ( Ananas comosus L. Merril ) do período de semeadura entre as semanas 1 a 36; Banana ( Musa spp ) de 7 a 15; Coco ( cocos nucifera
L. ) de 7 a 18; Mamão ( Carica papaya L .) de 1 a 36; e Maracujá ( Passiflora spp ) de 1 a 12; a de sequeiro Palma ( Nopalea cochenilifera Salm Dyck; Opuntia fícus-indica (L.) Mill; Opuntia sp ) de 25 a 33; e o Sisal ( Agave sisalana ) de 31 a 9; todas atendidas as
sobremaneira para a degradação dos solos em questão, e ainda o agricultor corre o risco de perder as culturas relacionadas devido à irregularidade das precipitações no período de condução das lavouras. Dos resultados obtidos neste trabalho, as culturas não indicadas, estão de conformidade com os resultados encontrados ao cultivo da Mamona por Araújo et al. (2000) e Amorim Neto et al. (2001a);a cultura do Amendoim por Silva & Rao (2006); do Feijão Caupi por Silva et al. (2005);ao Algodão Herbáceo por Amorim Neto et al. (2001) e Silva et al. (2005a); a cultura do Girassol encontrado pela AESA (2008); ao Caju por Aguiar et al. (2001); ao Milho por Sans et al. (2003);a Cana-de-açúcar em trabalho realizado pela EMBRAPA (2009); onde relatam que a áreacaracteriza-se por acentuada variabilidade temporal e espacial das precipitações pluviais, contribuindo para o alto risco da agricultura de sequeiro e obtenção de baixas produtividades das culturas exploradas, ocorrendo deficiência hídrica no estádio crítico da cultura, em função dos menores valores de armazenamento de água no solo.
4. Conclusões Deve ser levado em conta, que a precisão das informações apresentadas nas conclusões deste trabalho está diretamente relacionada ao nível imposto pela escala do levantamento de solo (1:250.000), base deste trabalho. Sendo assim, pode se afirmar que:
As culturas zoneadas do Abacaxi, Banana, Coco, Mamão e Maracujá devem ser cultivados preferencialmente sob irrigação tanto nos solos de tipo 1 como no de tipo 2. As culturas zoneadas daPalma e Sisalpodem ser cultivadas preferencialmente nas áreas de Tipo 1 sob regime de sequeiro. As culturas zoneadas da Palma, Sisal e Sorgo podem ser cultivadas preferencialmente nas áreas de Tipo 2 sob regime de sequeiro. As culturas do Algodão Herbáceo, Amendoim, Arroz, Caju, Cana-de-açúcar, Feijão Caupi, Girassol, Mamona, Mandioca, Milho e Pimenta-do-reino não são recomendadas. As maiores limitações são devidas aos solos predominantes.
5. Agradecimentos Os autores agradecem a CAPES pela concessão de bolsa de doutorado ao primeiro autor. 6. Referências Aguiar, M. de J. N.; S. Neto, N. C. de; Braga, C.C.; Brito, J. I. B.; Silva, E. D. V.; Varejão Silva, M. A.; Costa, C. A. R.; Lima, J. B. de. (2001). Zoneamento pedoclimático para a cultura do cajueiro ( Anacardium occidentale L. ) na Região Nordeste do Brasil e no norte de Minas Gerais. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Passo Fundo, v.9, n.3, p.557-563.
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