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Apostilas de Português sobre a Literatura, Romantismo, o Modernismo, o Realismo, o Simbolismo, o Parnasianismo e o Concretismo, Contexto Histórico, Produção literária da terceira fase, Contexto Filosófico, As correntes modernistas.
Tipologia: Notas de estudo
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Tentar-se-à mostrar nesta obra uma pesquisa bastante aprofundada sobre algumas das principais épocas e acontecimentos da literatura brasileira, falando sobre os autores mais destacados e emergentes do mercado que durante muito tempo foi os principais acontecimentos da época, mas hoje por causa da mídia, a literatura brasileira deixou de ser um fato exuberante e de máxima importância, hoje um acontecimento literário não é mais motivo de capa de jornal, como na semana de 11 a 18 de fevereiro de 1922, onde houve a Semana de Arte Moderna, fato considerado marco inicial do modernismo no Brasil, naquela época foi realmente tudo o que se falava em jornais e em todos os meios de comunicações não tão avançados como hoje. Mostrar-se-à com êxito total o resultado esperado de semanas e semanas de pesquisas por toda cidade, em todos os livros, para resultar em uma abordagem dinâmica e real dos fatos, é claro que, não esquecendo de que o leitor é a peça principal desta obra, foi feita toda uma linguagem simples, mas não coloquial, para facilitar o entendimento.
O termo modernismo, na história das artes, foi usado para designar dois movimentos: um na América espanhola e na Espanha, no fim do século XIX, predominantemente literário, e o outro no Brasil das décadas de 1920 e 1930, que abriu um prolongado processo renovador de literatura e das artes plásticas. Em Portugal, nas décadas de 1910 e 1920, os grupos de renovação estética só empregaram a palavra casualmente, junto a outras como futurismo.
Modernismo, na literatura de língua espanhola, é um movimento originário de países hispano-americanos e que se firmou por volta de 1880, principalmente sob influência do parnasianismo e simbolismo franceses. A renovação das técnicas literárias caracterizou-se sobretudo pelo refinamento verbal e pela inovação de metros, ritmos e imagens. Impôs-se, também, uma espécie de nova sensibilidade, marcada pelo amor do raro, do requintado e exótico.
Os primeiros poetas a destoarem da retórica romântica, prejudicada pelo sentimentalismo e, em alguns, pelo caráter melodramático -- e que podem ser considerados precursores da corrente modernista -- foram os cubanos José Martí e Julián del Casal, os mexicanos Díaz Mirón, Manuel Gutiérrez Nájera e Manuel Othón, e o colombiano Asunción Silva. É com o nicaragüense Rubén Darío, contudo, que o movimento se delineia de maneira mais nítida: ampla liberdade de invenção nos temas, imagens e metros, gosto pelo raro e exótico, atitude aristocrática, valorização da musicalidade, vocabulário suntuoso e preciosismo. O livro Azul (1888), de Darío, é obra definitiva, de sentido inovador e revolucionário. A partir de Darío e sob sua liderança, o movimento propagou-se rapidamente por todos os países da América espanhola. O argentino Leopoldo Lugones, já em seu primeiro livro de poemas, Las montañas del oro (1897; As montanhas do ouro), apresenta notável versatilidade e orquestração verbal, domínio pleno das palavras, musicalidade que se enriquece com extraordinária riqueza de timbres. O mexicano Gutiérrez Nájera, capaz de muito requinte formal e cultor de uma arquitetura estilística haurida em Baudelaire e nos parnasianos franceses, foi o fundador da revista Azul, órgão divulgador do modernismo. No Uruguai, Julio Herrera y Reissig, por alguns considerado voz mais forte e genuína do que o próprio Darío, escreve poesia de intensos traços modernistas: satanismo, exotismo, metáforas arrojadas, sinestesias. Também sobressaíram o peruano José Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o mexicano Amado Nervo. Da América o movimento adentrou a Espanha, onde teve em Salvador Rueda seu precursor e em Francisco Villaespesa, Manuel Machado, Eduardo Marquina e Emilio Carrère os nomes mais proeminentes. A influência estética de Darío fez-se sentir, particularmente a de suas Prosas profanas (1896), de forma burilada e viva sonoridade. Buscava-se a superação das fronteiras nacionais, sonhava-se com países distantes, com o encanto de Paris. Evocações do Oriente enfeitiçavam os espíritos, a exemplo da América, onde o movimento cultuava a mitologia e as reminiscências históricas estrangeiras. A realidade hispano-americana afigurava-se de tal modo contraditória a seus escritores, que eles se evadiam para realidades ideais, em busca de maior encanto e significado poético nas coisas: Grécia, Roma, o Renascimento, os reinos orientais, a Versalhes do século XVIII. Se o principal traço do modernismo foi a renovação poética, não podem ser esquecidos alguns de seus mais brilhantes escritores que se dedicaram ao romance, conto e ensaio. Foi grande nome do romance modernista o venezuelano Manuel Díaz Rodríguez, em livros como Ídolos rotos (1901) e Sangre patricia (1902; Sangue patrício), de personagens pessimistas, derrotistas, em que se projeta a situação do autor, intelectual culto em país ainda algo bárbaro. Outros nomes de importância indiscutível são o do argentino Enrique Larreta, que escreveu La gloria de don Ramiro (1908; A glória de dom Ramiro) e o do colombiano José Maria Rivas Groot, autor do romance Resurrección (Ressurreição). No ensaísmo, o uruguaio José Enrique Rodó passou a ser o ideólogo do movimento: em Ariel (1900), explica, em estilo inconfundivelmente modernista, a aversão do movimento ao materialismo dos Estados Unidos e o orgulho de pertencer à "raça latina espiritualista". Por volta de 1914, concomitantemente ao desgaste dos modelos europeus, tão caros aos hispano-americanos, o movimento modernista esgotou-se, com seus cultores já
Ainda nesse ano, Anita Malfatti fez sua segunda exposição de pintura, que mobilizou intelectuais e artistas inconformados. Suas telas, muito renovadoras, sofreram feroz crítica de Monteiro Lobato, que preveniu os espíritos conservadores contra as novas concepções. Em 1918, Andrade Muricy chamou a atenção, num ensaio crítico, para a presença de novas vozes na poesia nacional. Em 1920, a obra do escultor Vítor Brecheret, o "Monumento às bandeiras", em São Paulo, empolgou os novos artistas. Finalmente, em 1921, a atuação dos rebeldes fez-se ostensiva e com alto senso de cumplicidade: repudiaram as visões de mundo expressas nos ideais romântico, parnasiano e realista; empenharam-se na independência da mentalidade brasileira e abandonaram as sugestões de origem européia, sobretudo de Portugal e da França; rejeitaram o aprisionamento da linguagem nas preocupações com a rima, a métrica e a rigidez gramatical que caracterizava a dicção lusitana e apregoaram a necessidade de uma nova linguagem, mais adequada à representação da vida e dos problemas contemporâneos. Os novos autores rejeitaram também o regionalismo, que caricaturava o Brasil como país involuído, ignorante do progresso e da técnica, cujos influxos, na verdade, já percebia e assimilava. Foi então que Oswald de Andrade divulgou Paulicéia desvairada (1922), livro de poemas de Mário de Andrade, mais uma fonte de polêmica e escândalo. Mário, por sua vez, publicou a série de artigos "Mestres do passado", em que analisou à luz de critérios então inusitados a poesia de Francisca Júlia, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Vicente de Carvalho. De retorno ao Brasil, Graça Aranha foi escolhido pelo grupo para liderar a projetada Semana de Arte Moderna, cuja idéia surgiu durante uma exposição de pintura de Di Cavalcanti, na livraria de Jacinto Silva, onde habitualmente se reunia um grupo de jovens escritores e artistas.
Após atingidas as metas da Semana, o grupo de 1922 entrou num processo de desagregação: estavam unidos em torno do repúdio ao que não queriam e agora dividiamse em correntes à procura de uma identidade mais definida. As principais sãs as que se seguem. (1) Corrente dinamista (Rio de Janeiro), cujo traço marcante foi um espírito futurista, uma valorização poética da técnica no mundo moderno, uma preocupação com o progresso material, o movimento, a velocidade. Ronald de Carvalho, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Agripino Grieco, Villa-Lobos e Álvaro Moreyra foram seus representantes mais expressivos. (2) Corrente primitivista ou anarcoprimitivista (São Paulo), encabeçada por Oswald de Andrade, que propôs-se remontar às fontes originais da civilização brasileira, anterior à colonização portuguesa, e ao primitivismo, sem compromisso com a ordem social estabelecida. Considerava a moral cristã uma moral de escravos e suas posições foram apresentadas inicialmente no "Manifesto do Pau-Brasil" (1924), com a divisa "Tupi or not tupi", e retomadas na Revista de Antropofagia e no "Manifesto Antropofágico" (1928), que se opôs ao movimento Anta (1927). (3) Corrente nacionalista (São Paulo), contra a influência européia e a favor de uma literatura de motivos brasileiros, folclóricos e indígenas. Englobou os seguintes movimentos: (a) verde-amarelismo (1925), de tendências políticas direitistas e que via na poesia pau-brasil uma imitação mal-feita do dadaísmo francês; (b) movimento Anta (1927), que, inspirado nas obras de Euclides da Cunha e Oliveira Viana, entre outros,
buscava analisar em profundidade os problemas da vida brasileira; derivou daí o integralismo de Plínio Salgado; (c) movimento da Bandeira (1936), de filosofia autoritária, que desembocou no Estado Novo. (4) Corrente espiritualista (Rio de Janeiro), que defendeu a tradição do mistério, a herança simbolista, a conciliação do passado com o futuro e a universalidade temática; foi o grupo da revista Festa, integrado por Cecília Meireles, Augusto Frederico Schmidt e Tasso da Silveira, entre outros. (5) Corrente desvairista (descentralizada), que preconizou a criação de uma língua nacional e a renovação da poesia por meio dessa língua, além de advogar a liberdade da pesquisa estética. Teve como figura central Mário de Andrade. (6) Corrente do sentimentalismo intimista e esteticista, definida no próprio nome e representada pelos poetas Guilherme de Almeida e Ribeiro Couto. Quando o modernismo chegou ao ponto decisivo de seu ciclo histórico, por volta de 1930, começaram a surgir outras orientações, valores, pesquisas, buscas artísticas. Os pioneiros da semana de 1922 e seus seguidores desbastaram o terreno para os pósteros, em meio a dificuldades e esforços nem sempre reconhecidos, e deixaram um legado que redefiniu e enriqueceu o patrimônio cultural brasileiro. Avultam, entre os melhores frutos da arrancada modernista, a música de Villa- Lobos, Camargo Guarnieri e Francisco Mignone; a escultura de Vítor Brecheret, Bruno Giorgi e Mário Cravo; as obras em prosa e verso de Mário de Andrade (como Macunaíma) e de Oswald de Andrade (como Memórias sentimentais de João Miramar); e de Manuel Bandeira do Ritmo dissoluto (1924) e de Libertinagem (1930). A geração seguinte, dita de 1930, em que se afirmaram autores como Jorge de Lima, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos, levou adiante e aperfeiçoou a liberdade estética, a autenticidade cultural e vários outros valores de inspiração modernista, a ponto de se poder dizer que a verdadeira identidade da literatura brasileira, embora já se anunciasse, pioneiramente, em poemas de Gregório de Matos, só a partir de Mário de Andrade iniciou seu processo de amadurecimento. Brasileira, arte
Uma das maiores preocupações na composição poética dos parnasianos era a precisão das palavras. Esses poetas chegaram ao ponto de criar verdadeiras línguas artificiais para obter o vocabulário adequado ao tema de cada poema. Movimento literário surgido na França em meados do século XIX, em oposição ao romantismo, o parnasianismo representou na poesia o espírito positivista e científico da época, correspondente ao realismo e ao naturalismo na prosa. O termo parnasianismo deriva de uma antologia, Le Parnasse contemporain (O Parnaso contemporâneo), publicada em fascículos, de março a junho de 1860, com os versos dos poetas Théophile Gautier, Théodore de Banville, Leconte de Lisle, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, François Coppée, o cubano de expressão francesa José Maria de Heredia e Catulle Mendès, editor da revista. O Parnaso é um monte da Grécia central onde na antigüidade acreditava-se que habitariam o deus Apolo e as musas.
A partir de 1830, alguns poetas românticos se agruparam em torno de certas idéias estéticas, entre as quais a da arte pela arte, originária daquele movimento. Duas tendências se defrontavam: a intimista (subjetiva) e a pitoresca (objetiva). O romantismo
coração e mente", foi um brilhante mestre do soneto e grande amigo de Leconte de Lisle. Ele reuniu as duas tendências principais do parnasianismo -- a inspiração épica e o amor à arte-- e procurou sintetizar quadros históricos em sonetos perfeitos, com rimas ricas e raras. Heredia foi a expressão derradeira do movimento, e sua importância é fundamental na história da poesia moderna. O parnasianismo foi substituído mas não destruído pelo simbolismo. A maioria dos poetas simbolistas na verdade começou fazendo versos parnasianos. Fato dos mais curiosos na história da poesia foi Le Parnasse contemporain ter servido de ponto de partida tanto do parnasianismo quanto do simbolismo, ao reunir poetas de ambas as escolas, como Gautier e Leconte, Baudelaire e Mallarmé. Da França, o parnasianismo difundiu-se especialmente pelos países de línguas românicas. Em Portugal, seus expoentes foram Gonçalves Crespo, João Penha e Antônio Feijó. O movimento alcançou êxito principalmente na América espanhola, com o nicaragüense Rubén Darío, o argentino Leopoldo Lugones, o peruano Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o uruguaio Herrera y Reissig.
O movimento parnasiano teve grande importância no Brasil, não apenas pelo elevado número de poetas, mas também pela extensão de sua influência. Seus princípios doutrinários dominaram por muito tempo a vida literária do país. Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento. Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (1880; Sonetos e rimas) e Teófilo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias). O parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo. Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Augusto de Lima e Luís Murat.
A partir de 1890, o simbolismo começou a superar o parnasianismo. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo. O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o simbolismo, o parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.
Impetuoso e vital, o romantismo surgiu como um movimento que privilegiava a subjetividade individual, em oposição à estética racionalista clássica, e representou a exaltação do homem, da natureza e do belo. Dá-se o nome de romantismo à tendência estética e filosófica que dominou todas as áreas de pensamento e criação artística de meados do século XVIII a meados do XIX. Como expressão do espírito de rebeldia, liberdade e independência, o romantismo propôs-se a descortinar o misterioso, o irracional e o imaginativo na vida humana, assim como explorar domínios desconhecidos para libertar a fantasia e a emoção, reencontrar a natureza e o passado. O qualificativo "romântico" começou a ser usado, em inglês e francês, no século XVII, no sentido de "relativo a narrativa imaginosa", e aplicava-se a um tipo de forma poética -- o roman ou romant --, herdeira dos romances medievais e dos contos e baladas que floresceram na Europa nos séculos XI e XII. O fascínio pelo misterioso e sobrenatural e a atmosfera de fantasia e heroísmo que dominavam essas composições ampliaram o sentido do qualificativo, que, símbolo de uma nova estética, encontrou suas primeiras manifestações, eminentemente literárias, nos movimentos pré-românticos britânicos e alemães. A partir do fracasso das revoluções políticas de 1848 no continente, seus postulados entraram em decadência e o movimento terminou por se desagregar em ecletismo. A importância subjetiva da arte e das ciências no Ocidente acentuou-se a partir do declínio da sociedade medieval, estruturada sobre os dogmas da religião. A comprovação científica dos fatos substituiu o estabelecimento dogmático das verdades e o culto à arte tornou-se uma das principais alternativas de expressão da espiritualidade entre os intelectuais ocidentais. Filósofos e artistas como Hegel e Berlioz afirmaram que, para eles, a arte era uma religião. No período romântico, esse fervor aliou-se ao amor, à natureza e à idolatria de homens de gênio, cujo primeiro objeto foi Napoleão. A mentalidade do homem do século XX formou-se com a marca dessas grandes rupturas explicitadas pelo romantismo. A reivindicação de total liberdade criadora e de expressão para o artista; a idéia da "arte pela arte", como depositária de verdades que não podiam ser contaminadas por interesses econômicos, políticos ou sociais; a ética do artista, que deveria agir de acordo com aquilo que sentia ser necessário comunicar aos outros homens; o desprezo pelas conveniências, pelo utilitarismo, pela monotonia da vida diária, são idéias já expressas em 1835 por Gautier, poeta romântico, no prefácio à novela Mademoiselle de Maupin e que, no final do século XX, norteavam ainda a identidade social do gênio artístico.
Le Génie du christianisme (1802; O gênio do cristianismo) não impediu as dúvidas acerca de seu espírito católico, foram considerados os primeiros escritores românticos do país. Na França a classificação do vocabulário em "nobre" e "comum" -- ou seja, impróprio para a poesia -- estava firmemente estabelecida, inclusive em dicionários. Os românticos, liderados por Victor Hugo, usavam as palavras proibidas sempre que possível e a estréia de Hernani, de Hugo, em 1830, causou por isso grande escândalo. Seu prefácio ao drama Cromwell (1827) constitui verdadeiro manifesto literário. Dentre seus principais romances destacam-se Notre-Dame de Paris (1831) e Les Misérables (1862; Os miseráveis). Na Rússia, Espanha e Polônia, a literatura romântica também se desenvolveu. Na Itália, Portugal e Estados Unidos, o movimento teve forte caráter nacionalista.
A expressão Sturm und Drang, que designou o movimento pré-romântico alemão, foi retirada do título de uma peça de Friedrich Maximilian von Klinger Der Wirrwarr, oder Sturm und Drang (1776; Confusão, ou tempestade e tensão). No entanto, no efervescente clima romântico, a produção teatral não passou de alguns poucos trabalhos isolados, de Shelley, Byron e, mais notavelmente, de Heinrich von Kleist. Ironicamente, o novo papel de Shakespeare como emancipador produziu uma paralisia na criação dramática até meados do século XIX. Os poetas ingleses, sobretudo, sucederam-se em tentativas frustradas de produção teatral, intimidados pelo gênio do passado.
Arquitetura. Na esteira do nacionalismo que ressurgiu em toda a Europa, cada país buscou as próprias raízes. A arquitetura romântica abandonou os ideais clássicos e recriou estilos da Idade Média, principalmente o gótico, por sua exaltação espiritual. Construíram-se edifícios neogóticos, neo-românicos, neobizantinos, e mesclaram-se estilos, numa reprodução dos cenários dos romances históricos. O neogótico desenvolveu-se principalmente no Reino Unido, onde se transformou em estilo oficial. Entre os monumentos do período destaca-se o Parlamento de Westminster, projeto de Sir Charles Barry e Augustus Welby Northmore Pugin. Na França merecem menção a obra neogótica de Viollet-le-Duc, restaurador de monumentos medievais, e o grandioso edifício eclético da Ópera de Paris, de Jean-Louis Charles Garnier. Os mais consagrados monumentos românticos da Alemanha são as catedrais neogóticas de Estrasburgo e Colônia. Uma nova arquitetura surgiu na construção de estradas. Túneis, pontes e terminais foram concebidos sob a pressão dos novos problemas relativos à topografia e velocidade dos veículos. O notável uso feito do concreto e do aço inspirou a arquitetura do século XX. Pintura. A visualização dos sentimentos dos personagens retratados e a expressividade das paisagens foram a tônica da pintura romântica, que exaltou o passional e destacou a morte e a loucura como o fatal destino do homem. Priorizou a intimidade do indivíduo e o confronto com o desconhecido e o misterioso na busca do sentido da vida. A visão trágica do homem imerso na natureza poderosa e imponente trouxe a idéia do "sublime". O Reino Unido teve dois paisagistas românticos magistrais. John Constable pintou paisagens com cores vívidas, inaceitáveis para o gosto da época. William Turner
antecipou o impressionismo em seu trabalho com as cores e, como Constable, incorporou a técnica da aquarela a seus quadros a óleo. William Blake, poeta e pintor do fantástico e visionário, elaborou uma cosmologia própria baseada em mitos cristãos e utilizou primorosa técnica de aquarela. Contra a visão clássica de que a mais elevada forma de pintura deveria descrever a verdade mais abrangente, Blake afirmou: "Particularizar é o único mérito." Em 1824, a exposição de paisagens britânicas no Salão de Paris serviu de marcante inspiração aos artistas franceses. Eugène Delacroix é considerado o principal pintor romântico francês. Com cores fortes e vivas e pinceladas livres e pastosas, Delacroix criou tonalidades até então desconhecidas e retratou com vívido realismo episódios literários e históricos de sua época, como "A matança de Quios", massacre dos camponeses gregos pelos turcos. Fascinava-se com a vida nômade dos habitantes do deserto no norte da África e outros temas exóticos para a cultura européia. Théodore Géricault chocou o público parisiense com "A balsa de Medusa", que retratava os sobreviventes de um naufrágio ocorrido em 1816, à deriva e à míngua. Realizou também uma série de retratos de loucos. A pintura romântica alemã floresceu nas primeiras décadas do século XIX com as obras dos chamados nazarenos, alemães radicados em Roma que, com seus temas religiosos, contribuíram para a propagação do cristianismo. Entre eles, estavam Johann Friedrich Overbeck, Peter von Cornelius e outros. A paisagem como experiência grandiosa aparece idealizada nos quadros de Caspar David Friedrich. Ante a glória de uma natureza misteriosa, com montanhas imensas e planícies desertas, a mesquinhez do homem.
O romantismo trouxe grande mudança para a vida profissional dos músicos, seus instrumentos e a própria criação musical, que viveu uma época de grande esplendor. Com a formação de um público urbano burguês, pagante, freqüentador de teatros -- os novos locais de espetáculo --, os compositores deixaram de trabalhar para a igreja e os príncipes tornaram-se autônomos, na busca de maior independência em seu trabalho. Foram inventados novos instrumentos e a orquestra incorporou o flautim, o corne-inglês, o contrafagote e vários instrumentos de percussão. A criação de novos elementos formais, as transformações harmônicas e os novos timbres permitiram a expressão cada vez mais elaborada das emoções, das nuanças sutis às mais extremadas paixões. O lied, gênero romântico por excelência, atingiu a máxima pureza melódica e fusão musical entre a voz e o piano nas peças compostas por Schubert, Schumann, Brahms e Wolf. O grande gênio romântico foi Beethoven, iniciador de uma tradição sinfônica grandiosa, que utilizava seqüências harmônicas inusitadas, de grande impacto aos ouvidos do público da época, habituado à previsível e equilibrada harmonia clássica. Berlioz criou a sugestiva sinfonia programática, em que uma idéia extramusical, ligada à ação dramática, conduz a composição. A instrumentação é utilizada para criar uma ambientação sonora que pode incluir motivos musicais que representam fatos ou personagens e até mesmo imitam certos ruídos. Também na música o romantismo significou a afirmação da individualidade do artista. Isso se evidencia nas inúmeras obras para um só intérprete, como as compostas por Chopin, Liszt e Schumann para piano solo. A ópera recebeu um impulso especial com o conceito de Gesamtkunstwerke, a
minas de prata (1865), O gaúcho (1870), O sertanejo (1876). O regionalismo foi representado sobretudo na obra de Bernardo Guimarães, com O seminarista (1872) e A escrava Isaura (1875), e Alfredo Taunay, com Inocência (1872). Antônio Gonçalves Dias é considerado o maior poeta romântico brasileiro. Sua vasta e multiforme obra compreende a poesia lírica e intimista de Primeiros cantos (1847) e Segundos cantos (1848), e outras, de caráter medieval, como as Sextilhas de frei Antão (1848). Seguiu-se um período de individualismo subjetivista e angústia existencial, de amores contrariados e tédio. Transparece na produção dos jovens poetas a influência do "mal do século", do satanismo de Byron, da melancolia de Musset e do amargo pessimismo de Leopardi e Espronceda. A Lira dos vinte anos (1853, póstumo), de Álvares de Azevedo, é obra típica desse romantismo em que predominava a idéia da morte prematura, que realmente atingiu seus representantes. Mesmo Casimiro de Abreu, que cantou em As primaveras (1859) a vida, a força da juventude e a natureza, morreu jovem como os demais. Fagundes Varela, autor de Cantos e fantasias (1866) e Cantos meridionais (1869), dispersou seu talento na boêmia e na vida desregrada e inconstante. O último período teve como paradigma a poesia dita "condoreira", de versos grandiloqüentes, inspirada em Victor Hugo. Manifestou-se primeiramente no agitado ambiente da Faculdade de Direito do Recife, de onde se difundiu para todo o país. Caracterizou-se por temas sociopolíticos e patrióticos e idéias igualitárias. Invadiu salões, ruas, praças e teatros e proporcionou às platéias animados duelos declamatórios. Os intelectuais, empolgados pelas campanhas da guerra do Paraguai, da abolição e da república, ansiavam por transformações liberais e democráticas como as que ocorriam na Europa. Dominou a cena Antônio de Castro Alves, com uma obra lírica e combativa, em que se destacam Espumas flutuantes (1870) e Os escravos (1883, póstumo). O movimento se prolongou até a década de 1880, quando foi eclipsado pelo parnasianismo e pelo realismo. Ainda nas primeiras décadas do século XX, no entanto, registraram-se algumas manifestações extemporâneas do estilo. Gonçalves Dias foi o mais importante autor teatral brasileiro do final do século XIX. Embora inferior a sua produção poética, sua dramaturgia adquiriu alguma importância histórica em meio à fraca produção romântica do teatro nacional.
Ao lado da literatura, a música brasileira expressou as principais características do movimento romântico mundial, ligadas sobretudo ao nacionalismo e à afirmação da identidade cultural. Carlos Gomes foi o principal compositor romântico do país. Suas obras, que denotam forte influência da música italiana, então dominante, apresentam traços tipicamente brasileiros. A maior parte dos músicos da época buscou a valorização de elementos nacionalistas, embora a formação do compositor erudito no Brasil dependesse ainda completamente das escolas européias. Isso muitas vezes resultou apenas em abordar temas folclóricos nativos numa linguagem musical francesa ou alemã. Na virada do século, o nacionalismo iniciado com o movimento romântico expressou-se mais fortemente na obra de Alberto Nepomuceno e Antônio Francisco Braga e, já em pleno século XX, configurou-se como a mais importante e autônoma tendência estética da história da música erudita no país. Destacaram-se compositores como Henrique Oswald, Leopoldo Miguez, Francisco Mignone e, sobretudo Heitor Villa- Lobos, internacionalmente reconhecido.
Um artigo publicado em 1826 no Mercure Français du XIXème Siècle apresentou a doutrina estética chamada realismo. O movimento foi o primeiro a retratar a vida, aparência, problemas e costumes das classes média e baixa, com seus fatos ordinários e banais. Realismo é o estilo artístico baseado na fiel e minuciosa reprodução de modelos da natureza e da vida contemporânea. Em sentido amplo, o termo designa toda atividade artística baseada na reprodução da realidade. Assim compreendido, o realismo se encontra, por exemplo, nas artes plásticas de diferentes períodos, como entre os antigos gregos, na obra de pintores do século XVII, como Caravaggio, Velázquez e Zurbarán, e na literatura inglesa do século XVIII, com Daniel Defoe, Henry Fielding e Tobias Smollett. Em sentido estrito, realismo é o movimento cultural predominante na França entre 1850 e 1880, mas estendido a toda a Europa e a outros continentes, que adotou pela primeira vez a reprodução da realidade como programa estético, em substituição à arte inspirada em modelos do passado. Os teóricos franceses do realismo manifestavam seu repúdio à artificialidade do classicismo e do romantismo, e enfatizavam a necessidade de conferir verdade e contemporaneidade ao trabalho artístico. Os artistas integrantes do movimento propunham-se conscientemente a retratar aspectos até então ignorados da sociedade e da vida contemporâneas, no que diz respeito a atitudes mentais, condições materiais e ambientes físicos. O realismo foi estimulado por várias manifestações intelectuais da primeira metade do século XIX, entre as quais o movimento alemão anti-romântico, com sua ênfase no homem comum como objeto da obra de arte; o positivismo de Comte, que enfatizava a importância da sociologia como estudo científico da sociedade; o surgimento do jornalismo profissional, com a proposta de um registro isento dos eventos contemporâneos; e o advento da fotografia, capaz de reproduzir mecanicamente e com extrema precisão as informações visuais.
No início da década de 1830, um grupo de pintores, entre os quais Théodore Rousseau, Charles-François Daubigny e Jean-François Millet, estabeleceu-se no povoado francês de Barbizon com a intenção de reproduzir as características da paisagem local. Cada um com seu estilo, enfatizaram em seus trabalhos o simples e ordinário, ao invés dos aspectos grandiosos da natureza. Millet foi um dos primeiros artistas a pintar camponeses dando-lhes um destaque até então reservado a figuras de alto nível social. Outro importante artista francês freqüentemente associado ao realismo foi Honoré Daumier, ardente democrata que usou a habilidade como caricaturista a favor de suas posições políticas. O primeiro pintor a enunciar e praticar deliberadamente a estética realista foi Gustave Courbet. Como a enorme tela "O estúdio" foi rejeitada pela Exposition Universelle de 1855, o artista decidiu expor esse e outros trabalhos num pavilhão especialmente montado e deu à mostra o nome de "Realismo, G. Courbet". Adversário da arte idealista, incitou outros artistas a fazer da vida comum e contemporânea motivo de suas obras, no que considerava uma arte verdadeiramente democrática. Courbet chocou o público e a crítica com a rude franqueza de seus retratos de operários e camponeses em cenas da vida diária. O realismo tornou-se uma corrente definida na arte do século XX. A ela se