


Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Apostilas de Português sobre Platão, Modelo político de Platão, Pedagogia platônica, Lógica de Aristóteles e a teoria do silogismo.
Tipologia: Notas de estudo
1 / 4
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!



Platão nasceu em Atenas, em 428/7 a.C. Portanto, seu nascimento ocorreu logo após a morte de Péricles, com quem Atenas chegara ao apogeu de sua democracia, e o falecimento cerca de dez anos antes da batalha de Queronéia, que efetivou o domínio de Filipe da Macedônia sobre a Grécia. Platão viveu entre a fase áurea da democracia ateniense e o final do período helênico. Esse contexto histórico determinaria o caráter essencialmente político de sua filosofia como estabelecimento das condições para um estado político perfeito, o filósofo como o dirigente político ideal. O interesse pela política estava ainda mais intimamente ligado a Platão por ele pertencer a uma família aristocrata que tinha participação efetiva nos destinos políticos da Grécia. Contudo, o acontecimento que mais marcou foi seu encontro com Sócrates, mestre que, sem escola e sem livros, usando apenas o diálogo, levava seus discípulos ao conhecimento de si mesmos, do bem e das virtudes, ao mesmo tempo em que demolia preconceitos e abalava falsos valores e reputações. Já restaurada a democracia, Sócrates, acusado de corromper os jovens, foi condenado à morte. Esse acontecimento revelou a Platão as profundas falhas de um sistema político que fazia desaparecer “o mais sábio e o mais justo de todos os homens”. Tornava- se evidente que a democracia grega deveria passar por profundas reformulações, sendo necessário para isso buscar novas bases educacionais para os homens que exerceriam as funções governamentais. Depois da morte de Sócrates, Platão viajou: foi a Megara, em seguida para o Egito, à Itália meridional e Siracusa, na Sícila. Nesta faculdade conheceu Dion, cunhado de Dionísio I, tirano da cidade. A inteligência de Dion e seu interesse pela filosofia encantaram Platão, que via agora uma possibilidade de colocar em prática, através do grande amigo, suas concepções políticas. ao voltar para Atenas, Platão já havia concluído os primeiros Diálogos: Críton, Lísis, Cármides, Eutifron, além da Apologia de Sócrates. A personagem central desses diálogos é Sócrates. Visando a concretizar seu projeto de educar os cidadãos para a vida política, em 387 a.C. Platão fundou sua escola, a Academia. Para implantar seu pensamento e seu método de ensino, voltado para a busca da verdade, opôs-se aos sofistas, mestres de eloqüência e de retórica que, em geral, preocupavam-se mais que com a habilidade verbal em si do que com seu objetivo. Fundamentavam a retórica em uma
concepção da linguagem como nomos (“convenção”) e não como expressão da natureza das coisas: para Platão, ao contrário, a linguagem só tinha valor por poder exprimir a verdade, traduzir a essência do real. Durante os vinte anos que se seguiram, ele dedicou-se ao ensino na Academia e à elaboração de novos diálogos. Datam desse período: Mênon, Fédon, Banquete, República, Fedro, Eutídemo e Crátilo. Essas obras vão superando progressivamente as posições da filosofia socrática e formulando uma concepção propriamente platônica, cuja base é a doutrina de idéias. Em 367 a.C., Platão fez uma segunda viagem a Siracusa, a convite de Dion (que via grandes possibilidades de influenciar a política da cidade, dirigida agora por Dionísio II). Relatos antigos afirmam que o novo governante, temendo perder o poder, expulsou Dion e prendeu o filósofo, que teve grandes dificuldades para voltar a Atenas. Nos seis anos seguintes, passados na Academia, Platão escreveu outras obras que revelam sua plena maturidade intelectual: Parmênides, Teeteto, Sofista e Político. Em 361 a.C, Platão recebeu um convite de Dionísio II para visitar Siracusa. Dion, apesar de exilado, aconselhou-o a aceitar, com a esperança de poder retornar à sua cidade. Assim o filósofo decidiu-se a embarcar. Mas nada do que se esperava aconteceu. Ao voltar para Atenas, Platão encontrou Dion a caminho de Siracusa, chefiando uma expedição armada que derrubaria Dionísio II. Mas o amigo do filósofo não conseguiu governar com tranqüilidade e acabou assassinado pelos próprios amigos. essa nova decepção minou todo o desejo de Platão de participar da política. Ele passou o resto da vida a exercer o magistério filosófico na Academia e a escrever novas obras: Timeu, Filebo, Críticas e Leis. Tendo sua vida limitada à Academia, Platão pôde dedicar-se à elaboração de seu sistema filosófico, cujo fundo e originalidade são constituídos pela sua teoria das idéias. No Fédon, essa teoria surge como uma hipótese: o mundo sensível teria sua causa explicativa situado num plano de realidade transcendente e constituído pelas idéias (essências existentes em si, independentes das coisas e do intelecto humano). Essa hipótese resulta da utilização generalizada do chamado “método dos geômetras”: uma hipótese é levantada e dela se extraem as conseqüências lógicas. Assim, através de um jogo de hipóteses, vai se construindo o sistema filosófico de Platão.
dramático para tornar-se um método impessoal e teórico que visa os próprios problemas, e não apenas à sondagem da consciência dos interlocutores. A nova dialética articula-se, de início, em uma forma ascendente: do mundo das idéias. No plano sensível, a constatação de existência dos seres, dá-se através dos sentidos, o conhecimento não ultrapassando a esfera da opinião (doxa). A superação da doxa tem início com a passagem ao plano inteligível, através do conhecimento discursivo e mediatizador (diânoia): esse primeiro nível de conhecimento inteligível estabelece ligações racionais (como ocorre na matemática), mas o conhecimento inteligível só chega à plenitude ao conseguir a evidência puramente intelectual (noêsis) das idéias. As várias etapas do conhecimento estão metaforizadas na República através da alegoria da caverna : o homem saindo da caverna onde estivera prisioneiro por diversos graus de sombra e luz, que simbolizam os diversos graus de conhecimento , até olhar diretamente o sol , fonte de toda luz, símbolo do último da ascensão e dialética. Fundamentado na Teoria das Idéias e nas possibilidades apresentadas pelos indivíduos para realizar a ascensão dialética. Platão cria um sistema político apresentado primeiramente na República e posteriormente reformulado nas Leis. A base fundamental postulada para o Estado é a justiça, virtude que seria conseguida na medida em que cada parte da alma (a razão, a coragem, e o instinto) estivesse preenchendo suas funções. Assim,o governo da cidade seria composto por três classes, formando um todo harmonioso: os magistrados – filósofos , representando a razão; os guerreiros, a coragem; e os trabalhadores, encarregados da satisfação das necessidades materiais. A realização de tal modelo de sociedade resultaria da adoção de determinado sistema educacional: os cidadãos, homens e mulheres, em igualdade de condições, seriam encaminhados desde pequenos para as funções que poderiam desempenhar com mais aptidão. Visando a prevenir as divisões políticas, Platão propõe a participação comum dos cidadãos nos bens materiais e também a supressão da família. As Leis introduzem modificações no modelo político de Platão: suprime-se a comunidade de bens, mulheres e crianças, havendo uma espécie de conciliação entre a monarquia constitucional e a democracia. Consciente da complexidade de seu sistema político assentado na teoria das idéias , Platão previa as dificuldades que grande parte da população da polis teria