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Apostila Unicamp
Tipologia: Notas de estudo
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PULINUS^ sq
Departamento de Matem´atica Aplicada Instituto de Matem´atica, Estat´ıstica e Computa¸c˜ao Cient´ıfica Universidade Estadual de Campinas Caixa Postal 6065, CEP 13083–859, Campinas, SP, Brasil E–mail: [email protected] Homepage: www.ime.unicamp.br/∼pulino/ALESA/
©cPetronio Pulino, 2008 DMA – IMECC – UNICAMP
2.1 Matrizes................................ 30 2.2 Tipos Especiais de Matrizes.................... 39 2.3 Inversa de uma Matriz....................... 57 2.4 Matrizes em Blocos......................... 61 2.5 Opera¸c˜oes Elementares. Equivalˆencia.............. 74 2.6 Forma Escalonada. Forma Escada................ 79 2.7 Matrizes Elementares........................ 82 2.8 Matrizes Congruentes. Lei da In´ercia.............. 99 2.9 Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares.................. 105
30 Algebra Linear e suas Aplica¸´ c˜oes: Notas de Aula
Defini¸c˜ao 2.1.1 Denominamos matriz a um conjunto de n´umeros reais (complexos) dispostos em linhas e colunas, numa certa ordem, e colocados entre colchetes. Assim, uma matriz real (complexa) A com m linhas e n colunas ´e representada da forma:
a 11 a 12 · · · a 1 n a 21 a 22 · · · a 2 n ... ... ... am 1 am 2 · · · amn
com aij ∈ IR (ou aij ∈ C). Os escalares aij s˜ao denominados elementos da matriz, onde o primeiro ´ındice indica a linha e o segundo ´ındice indica a coluna `as quais pertence o elemento. Neste caso, dizemos que a matriz A ´e de ordem m × n. Por simplicidade, vamos utilizar a indica¸c˜ao A = [aij ] para denotar a matriz A e seus elementos.
Defini¸c˜ao 2.1.2 Dizemos que uma matriz A = [aij ] de ordem m × n ´e quadrada se m = n, isto ´e, se possui o mesmo n´umero de linhas e de colunas. Neste caso, dizemos simplesmente que A ´e uma matriz de ordem n.
Defini¸c˜ao 2.1.3 Dizemos que uma matriz A = [aij ] de ordem m×n ´e a matriz nula se seus elementos aij s˜ao todos nulos. Neste caso, denotamos A = 0. Freq¨uentemente, indicamos (^0) m×n para denotar uma matriz nula de ordem m×n, onde pode causar alguma d´uvida sobre a ordem da matriz.
Defini¸c˜ao 2.1.4 Sejam A = [aij ] e B = [bij ] duas matrizes de ordem m × n. Dizemos que as matrizes A e B s˜ao iguais se, e somente se,
aij = bij ; i = 1, · · · , m e j = 1, · · · , n.
Defini¸c˜ao 2.1.5 Dizemos que uma matriz A = [aij ] de ordem m × 1 ´e uma matriz coluna, que representamos por:
a 11 a 21 ... am 1
32 Algebra Linear e suas Aplica¸´ c˜oes: Notas de Aula
Defini¸c˜ao 2.1.7 Considere os seguintes subconjuntos de IN
Im = { 1 , 2 , · · · , m } e In = { 1 , 2 , · · · , n }.
Uma matriz sobre o corpo IF de ordem m × n ´e uma fun¸c˜ao
A : Im × In −→ IF
que para cada para ordenado (i, j) ∈ Im × In est´a associado um ´unico escalar
aij = A(i, j) ∈ IF ,
denominado elemento da matriz A.
Rigorosamente falando, a tabela retangular exibida na Defini¸c˜ao 2.1.1, n˜ao ´e uma matriz, mas sim a representa¸c˜ao de uma matriz.
Exemplo 2.1.5 Considere o seguinte conjunto I 3 = { 1 , 2 , 3 }. Vamos definir uma matriz real A : I 3 × I 3 −→ IR da seguinte forma:
aij = A(i, j) = 1 i + j − 1
que ´e denominada matriz de Hilbert de ordem 3 × 3.
De acordo com a Defini¸c˜ao 2.1.1, representamos a matriz A da seguinte forma:
De modo an´alogo, definimos a matriz de Hilbert de ordem n × n.
Petronio Pulino 33
Defini¸c˜ao 2.1.8 Sejam A = [aij ] e B = [bij ] duas matrizes de ordem m × n. Definimos a soma das matrizes A e B, que denotamos por A + B, como sendo a matriz C = [cij ] , de ordem m × n, onde cada elemento ´e definido da seguinte forma:
cij = aij + bij ; i = 1, · · · , m e j = 1, · · · , n.
Por simplicidade, indicamos A + B = [aij + bij ] para denotar a soma das matrizes A e B. De modo an´alogo, definimos a diferen¸ca das matrizes A e B, que denotamos por A − B = [aij − bij ].
Defini¸c˜ao 2.1.9 Sejam A = [aij ] uma matriz de ordem m × n e um escalar λ. Definimos a multiplica¸c˜ao da matriz A pelo escalar λ, e denotamos λA, como sendo a matriz C = [cij ] , de ordem m × n, onde cada elemento ´e definido da seguinte forma:
cij = λ aij ; i = 1, · · · , m e j = 1, · · · , n.
Por simplicidade, indicamos λA = [λaij ] para denotar a multiplica¸c˜ao da matriz A pelo escalar λ.
Exemplo 2.1.6 Considerando as matrizes A = [aij ] e B = [bij ] de ordem 2 × 3 ,
A =
e B =
a matriz C = A + 2B = [aij + 2bij ] ´e dada por:
C =
Teorema 2.1.1 Sejam A, B e C matrizes de mesma ordem. Ent˜ao,
(a) A + B = B + A.
(b) A + (B + C) = (A + B) + C.
(c) Existe uma matriz nula 0 , da mesma ordem da matriz A, tal que A + 0 = A.
(d) Existe uma matriz D, da mesma ordem da matriz A, tal que A + D = 0.
Demonstra¸c˜ao – A prova ´e feita utilizando as defini¸c˜oes das opera¸c˜oes de soma de matrizes e da multiplica¸c˜ao de uma matriz por escalar, juntamente com as propriedades das opera¸c˜oes com n´umeros reais (complexos). ¤
Petronio Pulino 35
Exemplo 2.1.9 Dada a matriz A de ordem 3 × 2 e a matriz B de ordem 2 × 4 ,
e B =
a matriz C = AB de ordem 3 × 4 ´e dada por:
Exemplo 2.1.10 Dada a matriz coluna X , de ordem 3 × 1 ,
determine a matriz Z = XXt^ de ordem 3 × 3.
Exemplo 2.1.11 Dada uma matriz coluna X , de ordem m × 1 ,
x 11 ... xi 1 ...
xm 1
deduza uma regra para a forma¸c˜ao da matriz Z = XXt^ de ordem m × m.
Exemplo 2.1.12 Dada a matriz coluna X , de ordem 3 × 1 ,
determine todas as matrizes Y , de ordem 3 × 1 , tais que Y tX = 0.
Exemplo 2.1.13 Determine um escalar λ tal que AX = λX, onde
A =
e X =
36 Algebra Linear e suas Aplica¸´ c˜oes: Notas de Aula
Teorema 2.1.2 Sejam as matrizes A = [aij ] de ordem m × n, B = [bij ] de ordem n × p e C = [cij ] de ordem n × p. Ent˜ao, A(B + C) = AB + AC.
Demonstra¸c˜ao – Chamando D = A(B + C) = [dij ] , sabemos que
dij =
∑^ p k=
aik(bkj + ckj ) =
∑^ p k=
aikbkj +
∑^ p k=
aikckj
para i = 1, · · · , m e j = 1, · · · , n.
Logo, temos que a primeira parcela ´e o elemento da i–´esima linha e da j–´esima coluna do produto AB e a segunda parcela ´e o elemento da i–´esima linha e da j–´esima coluna do produto AC. Portanto, provamos que A(B + C) = AB + AC. ¥
Teorema 2.1.3 Sejam as matrizes A = [aij ] de ordem m × n, B = [bij ] de ordem m × n e C = [cij ] de ordem n × p. Ent˜ao, (A + B)C = AC + BC.
Demonstra¸c˜ao – A prova pode ficar a cargo do leitor. ¤
Teorema 2.1.4 Sejam as matrizes A = [aij ] de ordem m × n, B = [bij ] de ordem n × p e C = [cij ] de ordem p × q. Ent˜ao, A(BC) = (AB)C.
Demonstra¸c˜ao – A prova pode ficar a cargo do leitor. ¤
E importante observar que^ ´
(a) AB 6 = BA , em geral.
(b) AB = 0 n˜ao implica necessariamente que A = 0 ou B = 0.
(c) AB = AC n˜ao implica necessariamente que B = C.
Exemplo 2.1.14 Dadas as matrizes
e C =
Mostre que AB = BA = 0 , AC = A e CA = C.
38 Algebra Linear e suas Aplica¸´ c˜oes: Notas de Aula
Exerc´ıcio 2.1 Considere A = [aij ] uma matriz de ordem m × n e λ um escalar. Mostre que se λA = 0, ent˜ao λ = 0 ou A = 0.
Exerc´ıcio 2.2 Dadas as matrizes
A =
a + 2b 2 a − b 2 c + d c − 2 d
e B =
Determine os parˆametros a, b, c e d tal que A = B.
Exerc´ıcio 2.3 Dadas as matrizes
a 2 1
, Y =^ [ − 1 b 2 ] e Z =
Determine os parˆametros a e b tais que Y X = 0 e Y Z = 1.
Exerc´ıcio 2.4 Determine todas as matrizes X tais que Y X = 0, onde
a b c
e Y =^ [ 1 1 − 1 ].
Exerc´ıcio 2.5 Dadas as matrizes
A =
cos(θ) sin(θ) − sin(θ) cos(θ)
e Y =
Determine os valores do parˆametro θ ∈ IR de modo que AX = Y.
Exerc´ıcio 2.6 Dadas as matrizes
A =
e C =
Verifique que AB = AC.
Exerc´ıcio 2.7 Dada a matriz
A =
Determine as matrizes B tais que AB − BA = 0 , se poss´ıvel.
Petronio Pulino 39
Defini¸c˜ao 2.2.1 Seja U = [uij ] uma matriz de ordem n × n. Dizemos que U ´e uma matriz triangular superior se os elementos abaixo da diagonal principal s˜ao todos nulos, isto ´e, uij = 0 para j < i.
Exemplo 2.2.1 A matriz U dada por:
´e uma matriz triangular superior.
Defini¸c˜ao 2.2.2 Seja L = [lij ] uma matriz de ordem n × n. Dizemos que L ´e uma matriz triangular inferior se os elementos acima da diagonal principal s˜ao todos nulos, isto ´e, lij = 0 para j > i.
Exemplo 2.2.2 A matriz L dada por:
´e uma matriz triangular inferior.
Exemplo 2.2.3 Mostre que o produto de duas matrizes triangulares superiores ´e uma matriz triangular superior.
Exemplo 2.2.4 Mostre que o produto de duas matrizes triangulares inferiores ´e uma matriz triangular inferior.
Defini¸c˜ao 2.2.3 Seja D = [dij ] uma matriz de ordem n × n. Dizemos que D ´e uma matriz diagonal se os elementos fora da diagonal principal s˜ao todos nulos, isto ´e, dij = 0 para j 6 = i. Freq¨uentemente, indicamos D = diag(d 1 , · · · , dn) , para dizer que D ´e uma matriz diagonal de ordem n × n.
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Defini¸c˜ao 2.2.5 Uma matriz diagonal D = diag(d 11 , · · · , dnn) cujos elementos da diagonal principal s˜ao todos iguais, isto ´e, dii = α para i = 1, · · · , n, ´e denominada matriz escalar.
Exemplo 2.2.8 A matriz D dada por:
´e uma matriz escalar de ordem 3.
Defini¸c˜ao 2.2.6 Uma matriz diagonal cujos elementos da diagonal principal s˜ao todos iguais a 1 ´e denominada identidade. Freq¨uentemente, indicamos In para denotar uma matriz identidade de ordem n.
Exemplo 2.2.9 A matriz I dada por:
´e uma matriz identidade de ordem 3.
Exemplo 2.2.10 Seja A uma matriz de ordem m × n. Podemos verificar facilmente que ImA = AIn = A.
Defini¸c˜ao 2.2.7 Se A ´e uma matriz de ordem m × n , denominamos transposta de A `a matriz de ordem n × m obtida trocando–se as linhas pelas colunas. Denotamos a transposta da matriz A por At.
Exemplo 2.2.11 Temos o seguinte exemplo de uma matriz real A de ordem 4 × 3 e de sua respectiva transposta At^ de ordem 3 × 4.
At^ =
Exemplo 2.2.12 Seja A uma matriz real de ordem n. Podemos verificar facilmente que tr(At) = tr(A).
42 Algebra Linear e suas Aplica¸´ c˜oes: Notas de Aula
Exemplo 2.2.13 Temos o seguinte exemplo de uma matriz complexa A de ordem 2 × 3 e de sua respectiva transposta At^ de ordem 3 × 2.
2 1 + i i 3 + i 2 i 1
At^ =
2 3 + i 1 + i 2 i i 1
Defini¸c˜ao 2.2.8 Seja A = [aij ] uma matriz quadrada. Dizemos que A ´e sim´etrica se At^ = A, isto ´e, aij = aji para todos i, j.
Exemplo 2.2.14 As matrizes A e B dadas por:
e B =
1 + 2i 2 + i 2 + i 3
s˜ao matrizes sim´etricas, isto ´e, At^ = A e Bt^ = B.
Defini¸c˜ao 2.2.9 Seja A uma matriz quadrada. Dizemos que A ´e anti–sim´etrica se At^ = −A, isto ´e, aij = −aji para todos i, j.
Exemplo 2.2.15 As matrizes A e B dadas por:
e B =
0 2 − i − 3 −2 + i 0 i 3 −i 0
s˜ao matrizes anti–sim´etricas, isto ´e, At^ = −A e Bt^ = −B.
Defini¸c˜ao 2.2.10 Considere A = [aij ] uma matriz complexa de ordem m × n. A matriz obtida de A substituindo cada elemento por seu conjugado ´e denominada matriz conjugada da matriz A, que denotamos por A. Assim, A = [aij ].
Exemplo 2.2.16 Dada a matriz complexa
A =
1 + 2i i 3 2 − 3 i
A matriz conjugada de A, que denotamos por A, ´e obtida da seguinte forma:
A =
1 − 2 i −i 3 2 + 3i