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Apostila de Produção de Textos
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!























Esta apostila foi elaborada com o objetivo de complementar a bibliografia
básica da disciplina “Produção de Textos”. Por meio de exercícios e propostas
de produção de textos, este material visa a orientar o aluno quanto ao
desenvolvimento de habilidades de leitura e de escrita, no âmbito acadêmico e
profissional.
É importante ressaltar que a leitura desta apostila não substitui a leitura de
textos básicos, presentes na bibliografia da disciplina, e de outros textos que
poderão ser sugeridos durante o semestre letivo.
De acordo com o plano da disciplina, trabalharemos, na unidade I , uma
reflexão acerca dos conceitos de língua, linguagem e texto, observando
aspectos ligados à norma culta e às variedades linguísticas da língua
portuguesa. Abordaremos também aspectos ligados às condições de produção
e de recepção de textos, destacando restrições de ordem situacional, como os
interlocutores e suas relações, o contexto social e histórico das interações, as
condições materiais e comunicacionais envolvidas nas interlocuções de um
modo geral. Destacaremos também restrições de ordem cognitiva, a exemplo
dos objetivos e expectativas dos interlocutores, da atividade inferencial, dos
conhecimentos prévios (de mundo e lingüístico), necessários à produção e à
recepção de um texto.
Na unidade II , trabalharemos com os conceitos de textualidade, com
enfoque nos princípios de coesão e coerência, intertextualidade e polifonia, a
fim de analisarmos a produção e recepção de textos, do ponto de vista de sua
materialidade linguística.
Na unidade III, focalizaremos os processos de construção discursiva da
argumentação, abordando as condições de produção e as estratégias discursi
vas utilizadas em textos argumentativos, a exemplo do artigo de opinião, do
editorial, do fórum de discussão e da carta de leitor.
Na unidade IV, que será desenvolvida parcialmente em concomitância com
as três primeiras, nos dedicaremos à dimensão prática do curso, ou seja, à
produção de textos em sala e, eventualmente, em casa, abordando, sobretudo,
os gêneros acadêmicos, enfatizando a leitura e a produção de esquemas,
resumos e resenhas, com vistas a desenvolver habilidades de documentação
de leitura, de síntese crítica e de gestão de vozes por meio do trabalho de
citação.
Unidade 4 4.1. Leitura e produção de parágrafos, com vistas ao desenvolvimento da capacidade de estruturação de períodos e de organização tópica. 4.2. Leitura e produção de artigos de opinião, cartas de leitor e comentários de fórum de discussão, tematicamente orientados em função de determinadas condições de produção. 4.3. Produção e apresentação de esquemas de textos lidos no curso, visando à habilidade de filtragem e articulação conceitual. 4.4. Leitura e produção de resumos de textos lidos no curso, enfatizando a capacidade de filtragem/articulação conceitual e de gestão das vozes (pontos de vista). 4.5. Leitura e produção de comentários e resenhas de textos teóricos, com ênfase na capacidade de argumentação crítica e de gestão das vozes (pontos de vista).
ANTUNES, I. Análise de Textos – fundamentos e práticas. São Paulo: Parábola, 2010. COSTA VAL, Maria da Graça. Redação e textualidade. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. ELIAS, Vanda Maria; KOCH, Ingedore Villaça. Ler e escrever – estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2010. EMEDIATO, Wander. A fórmula do texto – redação, argumentação e leitura. São Paulo: Geração Editorial, 2012. ILARI, Rodolfo., BASSO, Renato. O português da gente – a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2009. KOCH, Ingedore G. V; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Coerência Textual. São Paulo: Contexto,
KOCH, Ingedore. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. MACHADO, Ana Raquel. et al. Resenha. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. _____________. Resumo. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. SILVA, Ana Virgínia. Recursos linguísticos em resenhas acadêmicas e a apropriação do gênero. Curitiba: Appris, 2011.
ANTUNES, I. Lutar com palavras: coesão e coerência. São Paulo: Parábola Editorial, 2005. _________. Muito além da gramática – por um ensino de línguas sem pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. FARACO, C. A.; TEZZA, C. Prática de texto para estudantes universitários. Petrópolis: Vozes, 1992. FIORIN, J. L. Lições de texto. São Paulo: Ática, 2000. GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas,
GNERRE, M. Linguagem, escrita e poder. São Paulo: Martins Fontes, 1998. KOCH, I. V. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1998. _______. Introdução à linguística textual. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
Os materiais abaixo indicados são sugestões que lhe fazemos para futuras aquisições,
visando à composição de sua biblioteca particular de obras de consulta e referência
quanto à norma padrão da língua escrita, o que é de grande valia para o profissional de
qualquer área de conhecimento. Vale destacar, no entanto, que, mesmo de posse desses
títulos, no momento da escrita é necessária a adequação do gênero textual à situação
comunicativa (interlocutores envolvidos, objetivo pretendido, conteúdo abordado etc.),
o que significa considerar mais do que o uso da norma padrão.
Bom proveito!
HOUAISS, Antônio & VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. (Elaborado no Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa S/C Ltda .). Disponível em versão impressa ou digital, O dicionário Houaiss foi desenvolvido por uma equipe formada por mais de 150 especialistas -
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do Português contemporâneo. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. Esta Gramática é uma descrição do português atual em sua forma culta, ou seja, da língua como a têm utilizado os escritores brasileiros, portugueses e africanos do Romantismo para cá, como privilégio concedido aos autores de nossos dias.
ortografia, pontuação e acentuação
coerência e contradição
[ ] estruturação sintática inadequação vocabular
colocação pronominal, concordância e regência
argumentação
articulação conceitual
]
CONCEITOS BÁSICOS: Nesta unidade, trataremos de conceitos básicos para se tornar
um bom produtor e leitor de textos, tais como: língua , linguagem , texto , variação
linguística. Para começar a refletir sobre tais conceitos, leia os textos 1 e 2, presentes no
Texto 1: Conceito de língua, linguagem e texto (Solange Bonomo Assupção).
Texto 2: O que é linguagem. SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Educação. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. Subsídio à Proposta Curricular ao ensino de Língua Portuguesa. São Paulo. SE/CENP, 1988.
Para aprofundar a sua reflexão, vejamos os posicionamentos de dois linguistas
acerca de algumas noções básicas sobre o nosso objeto de estudo, apresentados em
entrevistas publicadas na obra Conversas com Linguistas (2003)^1.
O que é língua?
“Olha... isso é uma coisa difícil, porque cada vez mais eu tenho dúvidas a respeito do que seja a língua por causa da complexidade. Veja, não me satisfazem definições como instrumento de comunicação, ou como um sistema ordenado com vistas à expressão do pensamento, nada disso. Eu penso, na verdade, que linguagem humana é a condensação de todas as experiências históricas de uma gramática, ela tem um léxico, eu não estou negando isso, mas, para mim, o aspecto mais relevante a verificar é que a língua é, de certa forma, a condensação de um homem historicamente situado. Uma língua é isso.”
Qual a relação entre língua, linguagem e sociedade?
“A língua é uma maneira particular pela qual a linguagem se apresenta. A linguagem humana é essa faculdade de poder construir mundos. Isso para mim é o relevante. A linguagem dá ao homem uma possibilidade de criar mundos, de criar realidades, de evocar realidades não presentes. E a língua é uma forma particular dessa faculdade de
(^1) CORTEZ, Suzana; XAVIER, Antônio Carlos. Conversas com lingüistas. São Paulo: Parábola, 2003.
Com base nos pontos de vista apresentados acima, analise os exemplos a seguir e elabore um comentário de um ou dois parágrafos.
Exemplo1:
Exemplo 2:
Adaptado da tirinha de Adão Iturrusgarai)
1- De acordo com a tirinha, o personagem Otto não consegue entender o que o primo da Aline está dizendo. Por que isso acontece? Que elementos lingüísticos presentes na fala do primo dificultaram a compreensão de Otto?
2- Transforme a fala do primo, no segundo quadro, adequando-a ao padrão culto da língua portuguesa?
3- Depois da transformação da linguagem caipira, no segundo quadro, você acha que a compreensão da tirinha continua a mesma? Justifique.
LEMBRE-SE: o uso da língua varia conforme a situação de comunicação em que o texto está inserido (e-mail, relatório acadêmico, notícia, etc.), os participantes envolvidos (médico, professor, adolescente, etc.), os objetivos subjacentes ao texto (informar, opinar, entreter, convencer etc. Portanto, não convém dizer que um determinado uso da língua está certo ou errado, pois tudo dependerá de uma série de fatores interdependentes e não somente de um determinado padrão de uso ou mesmo dos preconceitos que circulam na sociedade com relação às várias formas de comunicação. O importante é saber usar a melhor forma (oral, escrita, formal ou informal) de acordo com situação de comunicação, a fim de ser o mais bem sucedido possível em suas interações cotidianas. A nossa maneira de falar faz parte da nossa identidade, pois revela boa parte de nossas características, tais como, a nossa idade, sexo, profissão, grau de escolaridade, região de nascimento e isso deve ser respeitado. Porém, é importante aprendermos a utilizar a linguagem formal em algumas de nossas interações, como é o caso dos textos do universo acadêmico-profissional, das entrevistas de emprego, dos textos jornalísticos, etc.
nenhuma ciência pode considerar a existência de erros em seu objeto de estudo (os erros, falhas e equívocos podem ocorrer nas metodologias de pesquisa, nos procedimentos de análise, na elaboração de construtos teóricos, nos preconceitos de natureza ideológica que o cientista pode assumir consciente ou inconscientemente, mas não no objeto em si). No entanto, mesmo que tenhamos tudo isso muito claro, é preciso sempre lembrar que, do ponto de vista sociocultural, o “erro” existe, e sua maior ou menor “gravidade” depende precisamente da distribuição dos falantes dentro da pirâmide das classes sociais, que é também uma pirâmide de variedades lingüísticas. Quanto mais baixo estiver um falante na escala social, maior número de “erros” as camadas mais elevadas atribuirão à sua variedade lingüística (e a diversas outras características sociais dele). O “erro” lingüístico, do ponto de vista sociológico e antropológico, se baseia, portanto, numa avaliação negativa que nada tem de lingüística: é uma avaliação estritamente baseada no valor social atribuído ao falante, no seu poder aquisitivo, no seu grau de escolarização, na sua renda mensal, na sua origem geográfica, nos postos de comando que lhe são permitidos ou proibidos, na cor de sua pele, no seu sexo e outros critérios e preconceitos estritamente socioeconômicos e culturais. Por isso é que, muitas vezes, um mesmo suposto erro é considerado como uma “licença poética” quando surge num texto assinado por um autor de renome ou na fala de um membro das classes privilegiadas, e como um “vício de linguagem” ou um “atentado contra a língua” quando se materializa na fala ou na escrita de uma pessoa estigmatizada socialmente. Do ponto de vista estritamente lingüístico, não existe diferença funcional (nem, muito menos, erro) entre dizer os menino tudo veio e os meninos todos vieram, mas do ponto de vista social a regra é avaliada negativamente e rotulada de “erro”, rótulo que, automaticamente, é aplicado a todas as demais características físicas e psicológicas, bem como a todos os outros comportamentos sociais do falante que se serve dela. Tem havido muitos equívocos no tratamento da questão do “erro” gramatical. Poderíamos classificar esses equívocos em dois grandes grupos. No primeiro, estão as atitudes das pessoas que, fascinadas pelos avanços da pesquisa científica, se limitam a considerar os “erros” exclusivamente do ponto de vista lingüístico e negam totalmente sua existência, uma vez que todos os fenômenos divergentes da norma-padrão codificada podem e devem ser explicados à luz de teorias lingüísticas consistentes. No segundo grupo, estão as atitudes daquelas pessoas que só consideram o ponto de vista sociocultural e se deixam comover por uma boa intenção baseada na ilusão de que o domínio da tal “norma culta” permite “ascensão social”: assim, elas têm consciência de que o não-respeito às formas gramaticais normatizadas pode ser prejudicial ao futuro do indivíduo que as desobedece, e acreditam que é preciso substituir essas formas não- normatizadas pelas formas canônicas, que gozam de prestígio na sociedade. Ora, não podemos perder de vista a “dupla personalidade” daquilo que tradicionalmente se chama de “erro”. O erro é uma moeda, e como toda moeda, ele tem duas faces: uma face lingüística e uma face sociocultural. Como já disse, do ponto de vista estritamente lingüístico não existe erro na língua, uma vez que é possível explicar cientificamente toda e qualquer construção lingüística divergente daquela que a norma- padrão tradicional cobra do falante. Mas, do ponto de vista sociocultural, o erro existe, sim, e não podemos fingir que não sabemos do peso que ele tem na vida diária dos falantes. É na face sociocultural dessa moeda que está impresso o valor que se atribui ao suposto “erro”. Uma das tarefas de um ensino de língua mais esclarecido seria, então, discutir os valores sociais atribuídos a cada variante lingüística, enfatizando a carga de discriminação que pesa sobre determinados usos da língua, de modo a conscientizar o aluno de que sua
produção lingüística, oral ou escrita, estará sempre sujeita a uma avaliação social, positiva ou negativa.
b) Depois de ‘dialogar’ (tomar notas, marcar trechos lidos, etc) com o texto, faça um parágrafo, posicionando-se com relação aos dois lados dos “erros de português” apresentados por Bagno.
PARA SABER MAIS! Leia fragmentos dos textos: ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente. São Paulo: Contexto, 2009 e CASTILHO, Ataliba T. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010. ANEXO I
Finalizando o comentário sobre variação linguística, vejamos os dois textos abaixo:
Texto 1
A Peda de Oro
Tinha um viúvo que tinha treis rapaz e o pai já era bastante avançado na idade, já num trabaiava mais. Os treis rapaz dentro de casa era muito obidiente do pai. Intão fazia lavora e tudo... Um dia os rapaz ta lá trabaiano na roça e passo um home. Chego ‘sim, oiô ês:
Texto 2
Folha de Minas – Terça-feira, 02 de março de 2003 - Página 12
CADERNO GERAL
Jovens irmãos se matam no Buraco Fundo Desconfia-se de envolvimento com o tráfico de drogas
Adriana Melo
No domingo, 29 de fevereiro, às 16h30minutos, foram encontrados mortos os irmãos Galdino, 22 anos, Gualberto, 24, e Guilherme Moreira, 20. Os rapazes não traziam no corpo escoriações, cortes ou quaisquer outras marcas que indicassem uma briga. Foram encontrados estirados à beira de uma estrada, num lugar conhecido como Buraco Fundo, próximo à cidade de Fé Cega. Segundo os habitantes da região, o local é ermo e dado a aparições fantasmagóricas e demoníacas. Um dos rapazes estava com o corpo queimado e desconfia-se que tenha sido assassinado pelos irmãos. Segundo o pai dos rapazes, eles se encontravam fora de casa há algumas semanas e haviam sido aliciados por um homem muito suspeito para transportar uma carta misteriosa. A
polícia local imagina tratar-se de tráfico de drogas. Os objetos encontrados no local onde os corpos foram deixados são: uma garrafa de cachaça vazia, uma caixa com palitos de fósforos e uma pedra. O homem que aliciou os irmãos está foragido e suspeita- se que o mesmo possua explicações sobre o que aconteceu realmente.
“Eles eram bons meninos. Nunca me deram trabalho. Apenas foram ingênuos.”
A polícia iniciou perícia no local do crime e mandou os três corpos para o IML, onde serão submetidos à necropsia para elucidação do caso, uma vez que há suspeita de overdose, como causa da morte de dois dos irmãos. O pai dos rapazes mortos, Idelfonso Moreira, mostrava-se muito abalado com a morte dos garotos. Depois de
chorar, ao reconhecer os corpos dos filhos, declarou: “eles eram bons meninos. Nunca me deram trabalho. Apenas foram ingênuos”. O erro dos três irmãos foi fatal. Segundo o Sr. Idelfonso Moreira, os meninos foram embora para ver a cidade, ganhar dinheiro, viver coisas novas. Talvez os irmãos tenham se envolvido com o tráfico de drogas e não tenham tido estrutura ou maldade suficientes para lutar com os patifes que comandam o crime nas grandes cidades. A polícia está trabalhando no sentido de deslindar o mistério e dar uma reposta ao pai dos rapazes sobre a causa dessas mortes, aparentemente sem sentido.
Agora que você já substituiu a dicotomia certo x errado por adequado x inadequado , com relação aos textos que circulam na sociedade, é preciso avançar um pouco mais, no intuito de desenvolver a sua competência comunicativa, ler e produzir textos adequados a situações de comunicação específicas. Para ajudá-lo nesse percurso, introduziremos outros conceitos importantes.
1) As condições de produção e recepção de textos Esta noção refere-se aos elementos que condicionam o processo que os interlocutores desenvolvem, isto é, as suas estratégias de recepção e produção de textos orais ou escritos. Alguns desses elementos são discriminados em função de uma situação de comunicação* específica. 1.1 Objetivo de produção: Na produção de textos orais e escritos, o objetivo é aquilo que o autor de um texto pretende alcançar, no leitor, através de seu texto. Pode ou não ser consciente. Mesmo que um autor não tenha consciência de suas motivações, há algo que, com certeza, deseja alcançar escrevendo ou falando: informar, persuadir, polemizar, convencer, refletir, lembrar, emocionar, divertir, etc. dependendo da perspectiva teórica, o objetivo do autor é também denominado “intenção” ou “efeito buscado”. Os termos também são utilizados em estudos sobre a recepção de textos orais e escritos para designar aquilo que o leitor busca ao interagir com o outro.
Procure estabelecer os objetivos de produção/recepção para os textos abaixo:
Texto 1 Os ingredientes: 1 copo de arroz 1 dente de alho amassado ou [muito bem picado]² Opcional: 1/6 de uma cebola média, picada 3 copos de água Sal 10 ml de óleo (de novo, lembre-se: o suficiente pra melar o fundo da panela).
Modo de Preparo Enquanto você coloca a água pra ferver, vá descascando e picando (ou amassando, no caso do alho) a cebola e o alho. Em outra panela já pré-aquecida de leve, você vai dourar os dois (lembre-se da ordem alho-cebola) no óleo. Caso você já tenha visto sua mãe lavando o arroz, aqui vai uma informação: eu perguntei a uma doutoranda em nutrição e ela me confirmou que não há necessidade em fazer isso.
Objetivo de produção/recepção_______________________________________________
*Esse termo se refere às condições linguísticas e extralinguística s que organizam uma interação comunicativa.
Observe a página abaixo, retirada do minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa.
Objetivo de produção/recepção__________________________________________
Leia o texto abaixo. Em seguida, reúna-se em grupo com alguns colegas e aguarde as instruções do professor. Esta atividade irá ajudá-lo a refletir sobre estratégias de leitura e produção de textos, no que tange aos objetivos projetados pelo autor e pelo leitor.
Os dois garotos correram até a entrada da casa. “Veja, eu disse a você que hoje era um bom dia para brincar aqui, disse Eduardo. “Mamãe nunca está em casa na quinta-feira”, ele acrescentou. Altos arbustos escondiam a entrada da casa; os meninos podiam correr no jardim extremamente bem cuidado. “Eu não sabia que a sua casa era tão grande”, disse Marcos. “É, mas ela está mais bonita agora, desde que meu pai mandou revestir com pedras essa parede lateral e colocou uma lareira. Havia portas na frente, atrás e uma porta lateral que levava à garagem, que estava vazia exceto pelas três bicicletas com marcha guardadas aí. Eles entraram pela porta lateral; Eduardo explicou que ela ficava sempre aberta para suas irmãs mais novas entrarem e saírem sem dificuldade. Marcos queria ver a casa, então Eduardo começou a mostrá-la pela sala de estar. Estava recém pintada, como o resto do primeiro andar. Eduardo ligou o som: o barulho preocupou Marcos. “Não se preocupe, a casa mais próxima está a meio quilômetro daqui, gritou Eduardo. Marcos se sentiu mais confortável ao observar que nenhuma casa podia ser vista em qualquer direção além do enorme jardim. A sala de jantar, com toda a porcelana, prata e cristais, não era lugar para brincar: os garotos foram para a cozinha onde fizeram um lanche. Eduardo disse que não era para usar o lavabo porque ele ficara úmido e mofado uma vez que o encanamento arrebentara. “Aqui é onde meu pai guarda suas coleções de selos e moedas raras”, disse Eduardo enquanto eles davam uma olhada no escritório. Além do escritório, havia três quartos no andar superior da casa. Eduardo mostrou a Marcos o closet de sua mãe cheio de roupas e o cofre trancado onde havia jóias. O quarto de suas irmãs não era tão interessante, exceto pela televisão com o Atari. Eduardo comentou que o melhor de tudo era que o banheiro do corredor era seu, desde que um outro foi construído no quarto de suas irmãs. Não era tão bonito como o de seus pais, que estava revestido de mármore, mas para ele era a melhor coisa do mundo.
Traduzido e adaptado de Pitchert, J. & Anderson, R. Taking different perspectives on a story. Journal of Educational Psychology, 1997, p. 69.
1.2) Os interlocutores e suas identidades
Ao produzir ou ler um texto oral ou escrito, lançamos mão do conhecimento que temos sobre nossa identidade. Na linguagem escrita de caráter público (livros, jornais, artigos, etc.), em que não podemos contar com a presença física de quem escreveu o texto, as identidades, tanto do autor quanto do leitor, referem-se não propriamente às pessoas concretas que leem ou escrevem, mas a uma hipótese de leitor ou de autor que construímos, através dos conhecimentos e disposições que esperamos que nossos interlocutores possuam e de ‘marcas/pistas’ deixadas no texto que produzimos ou lemos. Todo texto é produzido por alguém para ser lido/ouvido por alguém, mas nem todas as pessoas podem produzir qualquer tipo de texto. Por exemplo, só um sacerdote pode dizer “Eu te batizo”. Só um Juiz pode dar uma sentença. Só o presidente da república pode sancionar uma lei. Cada situação de comunicação exige que assumamos uma identidade específica. Se o mesmo Padre estiver em uma consulta médica, ele se torna paciente. Se ele