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as Drogas II Parte1, Notas de estudo de Comunicação de Massa

Apostilas sobre as Drogas, Efeitos nocivos das drogas maconha, Reações e dependências das drogasmaconha, Drogas - uma viagem pelo corpo humano, Conseqüências com o uso crônico

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 25/10/2013

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DROGAS II
1. OS EFEITOS NOCIVOS DAS DROGAS MACONHA
Nome dado no Brasil para uma planta chamada Cannabis sativa. É extraída do
cânhamo, planta da família das Moráceas, originária da Ásia e conhecida no
Oriente com o nome árabe de hashishin.
Difundida na América Central sob o nome de marijuana e la soñadora, não
são bem claros os conhecimentos toxicológicos a seu respeito. Sobre seu
princípio ativo dizem alguns autores tratar-se do canabinol, isolado de extratos ou
da rezina da planta. Parece possível afirmar que a maconha não é entorpecente,
não produzindo sono, mesmo ligeiro, e levando apenas a um estado de excitação
dependente da quantidade e da qualidade da droga, usada sob a forma de cigarro
("baseado" ou "dólar") ou em cachimbo do tipo narguilé, só que mais curto.
THC, princípio ativo da maconha, corresponde a apenas 1% de seu peso. Assim
em 1 grama de erva há cerca de 10 miligramas do princípio ativo. (No Haxixe, uma
variedade da maconha, a concentração de THC é maior.) Praticamente, a
maconha não oferece nenhum tipo de risco em relação a overdose, mas usada a
longo prazo causa perda de motivação.COCAÍNA
A coca, cujo princípio ativo é a cocaína, é extraído da planta da família das
eritroxiláceas, Erythroxylon coca, originária da América do Sul, é usada desde
tempos imemoriais pelos indígenas desde o norte da Argentina, onde é conhecida
sobre o nome de acullico,+ até próximo da América Central e Vale do Amazonas.
Para obtenção desta droga, os produtores maceram folhas de coca junto com
água. Em seguida misturam solventes (querosene ou gasolina) e ácido sulfúrico. A
partir dessas substâncias consegue-se separar a cocaína, que em seguida passa
por um processo para secagem. Dessa forma é obtida uma pasta básica, tratada
com éter, acetona e ácido clorídrico. Esta droga pode ser injetada, numa
mistura com água destilada, ou aspirada (o efeito de uma "carreira" dura de trinta
minutos a uma hora; um dependente moderado, consome 3 gramas por dia).
CRACK Até pouco tempo atrás era uma das drogas mais consumidas, mas
devido a forte dependência causada por esta, está sendo menos utilizada no
momento. O CRACK é o produto da cocaína com uma substância básica, como
bicarbonato de sódio ou bicarbonato de amônia. A combinação faz com que a
droga se cristalize, podendo ser colocada no cachimbo e fumada, ao contrário da
cocaína, que ao ser aquecida se decompõe. Quando em combustão, no
cachimbo, o cristal faz um "crack". Daí o barulho ter se transformado no nome da
droga. Vicia com uma rapidez impressionante: após quinze dias de uso algumas
pessoas apresentam alto nível de dependência. Uma pedra, que contém, em
média 1 grama, dá um "barato" intenso, que dura de três a 10 minutos .
Comparada à cocaína, o crack tem um custo inferior, por isso, um dos
alucinógenos mais consumidos, principalmente em São Paulo. Após o vício, a
conseqüência mais temível do "crack" é o alto risco de overdose.
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DROGAS II

1. OS EFEITOS NOCIVOS DAS DROGAS MACONHA

Nome dado no Brasil para uma planta chamada Cannabis sativa. É extraída do cânhamo, planta da família das Moráceas, originária da Ásia e conhecida no Oriente com o nome árabe de hashishin.

Difundida na América Central sob o nome de marijuana e la soñadora, não são bem claros os conhecimentos toxicológicos a seu respeito. Sobre seu princípio ativo dizem alguns autores tratar-se do canabinol, isolado de extratos ou da rezina da planta. Parece possível afirmar que a maconha não é entorpecente, não produzindo sono, mesmo ligeiro, e levando apenas a um estado de excitação dependente da quantidade e da qualidade da droga, usada sob a forma de cigarro ("baseado" ou "dólar") ou em cachimbo do tipo narguilé, só que mais curto. THC, princípio ativo da maconha, corresponde a apenas 1% de seu peso. Assim em 1 grama de erva há cerca de 10 miligramas do princípio ativo. (No Haxixe, uma variedade da maconha, a concentração de THC é maior.) Praticamente, a maconha não oferece nenhum tipo de risco em relação a overdose, mas usada a longo prazo causa perda de motivação.COCAÍNA

A coca, cujo princípio ativo é a cocaína, é extraído da planta da família das eritroxiláceas, Erythroxylon coca, originária da América do Sul, é usada desde tempos imemoriais pelos indígenas desde o norte da Argentina, onde é conhecida sobre o nome de acullico,+ até próximo da América Central e Vale do Amazonas. Para obtenção desta droga, os produtores maceram folhas de coca junto com água. Em seguida misturam solventes (querosene ou gasolina) e ácido sulfúrico. A partir dessas substâncias consegue-se separar a cocaína, que em seguida passa por um processo para secagem. Dessa forma é obtida uma pasta básica, tratada com éter, acetona e ácido clorídrico. Esta droga pode ser injetada, numa mistura com água destilada, ou aspirada (o efeito de uma "carreira" dura de trinta minutos a uma hora; um dependente moderado, consome 3 gramas por dia). CRACK Até pouco tempo atrás era uma das drogas mais consumidas, mas devido a forte dependência causada por esta, está sendo menos utilizada no momento. O CRACK é o produto da cocaína com uma substância básica, como bicarbonato de sódio ou bicarbonato de amônia. A combinação faz com que a droga se cristalize, podendo ser colocada no cachimbo e fumada, ao contrário da cocaína, que ao ser aquecida se decompõe. Quando em combustão, no cachimbo, o cristal faz um "crack". Daí o barulho ter se transformado no nome da droga. Vicia com uma rapidez impressionante: após quinze dias de uso algumas pessoas apresentam alto nível de dependência. Uma pedra, que contém, em média 1 grama, dá um "barato" intenso, que dura de três a 10 minutos. Comparada à cocaína, o crack tem um custo inferior, por isso, um dos alucinógenos mais consumidos, principalmente em São Paulo. Após o vício, a conseqüência mais temível do "crack" é o alto risco de overdose.

HEROÍNA

Parte do grupo dos opiáceos, deriva da papoula (Papaver somnífera) e origina o ópio e a morfina. A papoula é considerada um dos maiores males da humanidade, tendo mesmo motivado verdadeiras guerras de domínio e arrastado às condições mais miseráveis países inteiros. Contra o uso de morfina e heroína, os países civilizados fundam organizações internacionais, políticas, policiais e sanitárias. Seu emprego como agente medicamentoso foi regulamentado, e nenhuma prescrição médica de entorpecente é hoje feita sem rigoroso controle. A heroína pode ser aspirada, injetada ou fumada. Produz um entorpecimento agradável. Após semanas de uso intenso a pessoa torna-se viciada. Libertar-se da dependência física e psicológica é muito difícil: além do mais, a abstinência provoca fortes dores no corpo. No Brasil, embora esse alucinógeno esteja circulando com freqüência, são raros seus viciados. Custa cerca de dez vezes mais do que a cocaína.

ALUCINÓGENOS/LSD LSD--- Ácido Lisérgico. Produzido pela primeira vez por um químico, na Suíça, em

  1. Sobre um pedaço de papel, uma dose de apenas 25 microgramas é suficiente para uma "Viagem" de uma noite inteira (só para ter uma idéia, um selo de correio pesa 60.000 microgramas). O micro-ponto custa 25 dólares.

TRANQUILIZANTES Uma das drogas mais consumidas no Brasil, já que as pessoas conseguem comprá-las sem receitas médicas. Contém substâncias como o diazepam, que provoca efeitos similares ao álcool: desinibição e loquacidade, seguidas de sonolência. Custam menos que a cocaína.

ANFETAMINA A anfetamina vem sendo utilizada ultimamente para a composição de fórmulas para emagrecer, já que ela desestimula a fome. Fora do Brasil ela pode ser encontrada também como um pó branco, o qual é geralmente misturada ao bicarbonato de sódio. Pode ser aspirada, engolida ou injetada.

ÁLCOOL É a droga mais consumida pelos adolescentes. Até porque ela é legal, quer dizer, ninguém precisa se esconder da polícia para beber. Em muitos barzinhos, mesmo que a venda de bebidas alcoólicas seja proibida para menores de 18 anos, é possível descolar um chope ou uma tequila. Cerca de 5% dos jovens brasileiros entre 9 e 18 anos (perto de 1 milhão e meio de pessoas) exageram na dose regularmente. Embora muitos acreditem que uma caipirinha possa funcionar como um aditivo para se ficar muito alegre, porém o álcool é na verdade um depressor do sistema nervoso central.

Extremamente perigoso, o LSD eleva muito a percepção do usuário, por isso não é consumido diariamente.

Faz a pessoa perder a noção da realidade e provoca fortes alucinações.

TRANQUILIZANTES Deixam o cérebro trabalhando em baixa rotação, por isso diminuem a ansiedade levando ao sono e ao relaxamento muscular. Quando misturados com álcool provocam muitos danos. Imagine só o perigo de se usar não apenas uma, mas duas drogas agindo ao mesmo tempo no cérebro! Aí está um "coquetel" que pode levar uma pessoa ao estado de coma ou mesmo à morte.

Outro sério problema é que, em poucos meses, os tranquilizantes podem causar dependência. Sem eles, a pessoa se sente mal, irritada, com falta de sono, dor no corpo inteiro e assim por diante. Os médicos chamam isso de "crise de abstinência". Quer dizer, o organismo emite um monte de sinais para avisar que "sente" falta da droga.

ANFETAMINA Meio grama já é o suficiente para manter-se acordada por durante horas, não raro, causa palpitações e estimula a vontade de urinar; depois da "viagem", você sente-se deprimida e com a sensação de cansaço. Se uma pessoa erra na dose, os efeitos causados por esta droga ficam mais fortes, principalmente os mais negativos como taquicardia, aumento do suor e palidez. Para não falar em agressividade e mania de perseguição. Às vezes, durante uma overdose, a temperatura aumenta tanto que a pessoa pode entrar em convulsão, exigindo atendimento médico imediato.

ÁLCOOL Diminui as atividades cerebrais (reflexo, coordenação motora, memória) e, aos poucos, vai deixando a pessoa "desligada", parada, sem condições de tomar decisão. Aí começam as conseqüências imediatas do álcool: dirigir embriagado ou sair de carro "pra tirar racha", por exemplo, sem muita consciência do perigo. A médio prazo, quem erra na dose, sempre acaba tendo problemas de aprendizado, pois já foi provado que o álcool afeta a capacidade que as pessoas têm de reter novas informações. Com o passar do tempo, o álcool pode provocar tudo: desde tremores e problemas de estômago, fígado e pâncreas, até alucinações horríveis e assustadoras.

INALANTES OU SOLVENTES O éter e da benzina ao serem inalados vão diretamente para o pulmão, passando para o sangue e atingindo o cérebro. O efeito é rapidíssimo. De segundos a minutos, no máximo, a pessoa fica "ligada" - as sensações são muito parecidas com as provocadas pelo álcool. Depois vem a fase da depressão, com o cérebro trabalhando em ritmo lento e deixando tudo confuso. A voz torna-se pastosa e a pessoa pode ver ou ouvir coisas que não existem. Quem costuma inalar solventes

com freqüência, em geral tem dificuldade para se concentrar, não fica com vontade para nada e pode até sofrer uma destruição das células cerebrais conhecidas como neurônios.

XAROPES A pessoa fica apática e sem ânimo. O coração trabalha mais devagar. Quem se vicia precisa aumentar cada vez mais a dose para sentir o mesmo efeito do início - o que torna a codeína bastante perigosa porque, se exagerar, há o risco de convulsões ou parada respiratória. O resultado pode ser FATAL.

3. DROGAS - UMA VIAGEM PELO CORPO HUMANO

As passageiras comuns vão aos portões de embarque da boca e das narinas. Mas algumas têm direito a um tratamento vip, embarcando mais rápido, direto na veia. Uma vez acomodadas no sangue, as drogas iniciam a sua viagem pelo corpo humano. A circulação, propulsionada pela turbina do coração, é um transporte a jato, percorrendo cerca de 100 quilômetros de vasos, com conexões para toda parte. A eventual escala no fígado, porém, pode barrar parte dos viajantes.

Para essa víscera,com função de um policial de fronteira, as drogas não têm visto de entrada no organismo. Afinal, como qualquer substância tóxica, elas acabam causando muita destruição por onde passam. Mas, enquanto as células hepáticas fiscais prendem e liqüidam algumas dessas moléculas criadoras de encrenca, a maioria das turistas baderneiras terminam escapando e seguindo em frente - ou melhor, para o alto, em direção ao cérebro. E é ali que causam a maior confusão.

Trata-se, afinal de contas, de um órgão especialíssimo. Da dor de um beliscão à alegria de encontrar um amigo, da imagem de um rosto ao som de uma música, das recordações à imaginação, da fome de comida à sede de conhecimento - a pessoa só sente o que passa pelo cérebro. Para este, por sua vez, emoção,sensação ou razão, tudo é pura eletricidade. Pois suas células, os neurônios, se comunicam através de impulsos nervosos, que nada mais são do que correntes elétricas. Mas para que haja a transmissão de uma mensagem qualquer, é preciso que as células cerebrais secretem as chamadas substâncias neurotransmissoras.

Os neurônios nunca encostam um no outro. Os neurotransmissores, então, saltam de um neurônio para outro, passando o impulso elétrico em frente. A produção dessas substâncias porém, tem de acontecer na dose exata - se faltam neurotransmissores, a mensagem nervosa se perde no meio do caminho; em compensação, em excesso, são capazes de fazer uma informação ficar reverberando. As drogas, no caso, alteram o comportamento de seus usuários, justamente porque suas moléculas, clandestinas no sistema nervoso, conseguem mexer no nível dos neurotransmissores.

Algumas fazem as substâncias mensageiras jorrar a tal ponto que os impulsos se mutiplicam ou começam a trafegar mais depressa. Outras agem de modo inverso:

chamados narcóticos - produtos derivados do ópio, como a heroína - são extremamente parecidas com as de uma família de substâncias que os neurônios fabricam para controlar a dor física e moderar emoções como o medo e a angústia. Assim, além de servirem de anestésico, os narcóticos diminuem a ansiedade e induzem o sono. Mas o uso contínuo das substâncias opiáceas leva o cérebro a poupar suas energias, deixando de produzir os neurotransmissores com moléculas similares as das drogas.

O álcool pode agir de maneira semelhante. Mas para criar tamanha dependência é preciso que uma pessoa beba, com freqüência, tremendas quantidades de bebidas alcoólicas a qual chegue a absolver a ingestão cautelosa. Doses moderadas de uísque, especificamente, podem até combater a hipertensão. O álcool é um depressor do funcionamento do sistema nervoso. O mais curioso, porém, é que ele parece agir em etapas, ao chegar ao cérebro. A primeira região a ser deprimida é aquela do comportamento voluntário, na superfície da víscera cinzenta, responsável por decisões do tipo "o que devo e o que não devo fazer". Ou seja, em um só golpe, o álcool derruba a autocensura.

Depois de alguns goles, a pessoa passa a liberar pensamentos e emoções que estavam, de alguma maneira, bloqueados - pode, assim, falar mal da sogra, cair na gargalhada, soltar o choro, mostrar o cansaço do dia e adormecer em público.

O próximo passo do álcool no sistema nervoso é ir para as áreas encarregadas da concentração e da coordenação motora. Da mesma forma que a bebida alcoólica, os remédios barbitúricos, criados a partir de 1903, deprimem o sistema nervoso. No entanto, se o cérebro passa a trabalhar em marcha lenta, o fígado fiscal, depois de quebrar as moléculas dessas substâncias, funciona como se tivesse recebido uma injeção de ânimo.

Por isso, outros remédios costumam deixar de fazer efeito quando associados ao uso de calmantes - afinal, mal entram na circulação sangüínea, são arrasados pelas células hepáticas. Estas, por sua vez - na trama complexa da mistura de drogas -, são disputadas pelas moléculas de álcool e de barbitúricos, quando ambas chegam na mesma hora ao organismo. Essa briga pode ser fatal para quem engoliu os dois tipos: sem dar conta do recado, o fígado libera a passagem das drogas, que uma vez unidas no cérebro podem provocar a morte. Esse excesso é a overdose, que ao contrário do que muitos imaginam não é um jeito suave de morrer.

A primeira área do cérebro a entregar o jogo é a que controla a respiração. Como conseqüência a pessoa morre por asfixia. Pior, graças a um mecanismo de defesa, sempre que falta oxigênio para o organismo, a pessoa fica em estado de alerta. Ou seja, quem morre por ingestão de calmante, em vez de se desligar da vida dormindo, provavelmente fica consciente da enrascada que se meteu. Algumas misturas são mais perigosas do que outras. Existem também vários mitos. O álcool não potencializa o efeito da cocaína, por exemplo.

O pó branco da família dos estimulantes não costuma ser metabolizado no fígado. O único perigo é a pessoa alcoolizada perder a noção do que faz e usar mais cocaína do que o tolerável peloorganismo. Aliás, esse tipo de observação é válido para qualquer mistura de drogas.

Normalmente, quando um neurônio libera uma microdose de neurotransmissores, para alcançar os neurônios vizinhos, essas substâncias são reabsorvidas. É justamente essa reabsorção que a cocaína impede, ao ser injetada ou inalada na forma de pó. Ou seja, todas as mensagens que transitam no cérebro, enquanto dura o efeito da droga, ficam reverbando - daí o jeito agitado e confuso do usuário.

A linha cruzada de várias informações, depois de certo tempo ou conforma a quantidade da droga no organismo, provoca panes - as convulsões do cérebro, geralmente fatais. Na realidade, as anfetaminas podem levar ao mesmo efeito, por um caminho diferente: em vez de as mensagens se repetirem, do ponto de vista químico, elas começam a passar mais depressa.

Os alucinógenos, como o LSD, são drogas peculiares, porque não costumam matar quem as consome. As moléculas de LSD enviam mensagens falsas, especialmente na área do cérebro que se encarregam de compreender aquilo que os olhos registram. Com isso, durante a viagem da substância pelo sistema nervoso, a pessoa passeia por cenários imaginários. Existem teorias de que a droga danifica os neurônios, mas não estão muito claras.

A maconha, substância alucinógena, também provoca controvérsias. Das mais de 400 substâncias que as compõem, só uma minoria foi isolada. Daí a dificuldade dos cientistas em afirmar que o chamado THC, um dos seus componentes, é de fato o responsável pelo relaxamento muscular e pela perda de noção do tempo, por exemplo. A maconha provoca ainda a liberação de adrenalina, o hormônio que acelera os batimentos cardíacos.

O coração então chega a bater cerca de 160 vezes por minuto, quando o normal seria entre 80 e 100. Só para se ter idéia, durante o orgasmo, o músculo cardíaco pode atingir 180 batidas por minuto. Experiências mostram que ninguém morre de overdose dessa droga, cujos efeitos maléficos seriam os mesmos do cigarro de tabaco - o qual provoca dependência, síndrome de abstinência e uma série de males, como câncer de pulmão, embora não seja comercializado por traficantes nem seus usuários perseguidos pela polícia.O tempo que algumas drogas levam para fazer estragos...

AS CONSEQÜÊNCIAS COM O USO CRÔNICO

álcool gastrite, hipertensão, hepatite, cirrose, distúrbios neurológicos cocaína emagrecimento acentuado, lesões na mucosa nasal, convulsões

classificou Cláudio Alvarenga. Na avaliação médica, com diversos trabalhos publicados nos Estados Unidos da América, país onde se originou a nova droga, o Crack é tão maléfico à saúde como cria dependência física rapidamente. Apesar da nova onda de apreensões de materiais para fabricação do Crack, o delegado da Delegacia de Narcóticos não vislumbra a disseminação do uso em Campinas.

"A droga está restrita, realmente, aos marginais da sociedade", acredita Cláudio Freire. Na avaliação do delegado as pessoas, mesmo usuárias de drogas como a cocaína, não se submetem ao Crack, provavelmente pelo conhecimento que possuem dos efeitos destrutivos do Crack.

O Crack consumido pelos norte-americanos é diferente da droga utilizada no Brasil. Nos Estados Unidos, ela é feita a partir da pasta base de cocaína. A pasta é a forma da cocaína antes do refino.

No Brasil, utiliza-se a cocaína refinada. No processo de refinamento, essa droga é "batizada" pelo éter, ácido clorídrico e outros produtos químicos. A pasta de cocaína é menos letal do que a cocaína consumida na forma de sal (pó branco cristalino). O sal é mais lucrativo para os traficantes e facilmente adulterável: pode ser misturado com produtos de cor semelhante, como o talco, por exemplo.

Cada grama de cocaína "batizada" permite a produção de cinco papelotes de Crack. Hoje, em São Paulo, cada papelote dessa droga custa o mesmo que o grama da cocaína. O traficante de Crack lucra no mínimo quatro vezes mais o que ele pagou na compra da cocaína refinada.

Extraído do jornal "Tribuna Policial" · Em 1995: Crack, a superdroga vira epidemia, conquista a classe média e já contabiliza 150 mil viciados em São Paulo.

O Crack é uma droga superpoderosa. Hoje, esse coquetel explosivo não é mais uma droga que atinge apenas os meninos de rua e adolescentes de baixo poder aquisitivo. O Crack rompeu as barreiras sociais, circula entre jovens de classe média, empresários, e já disputa espaço com a cocaína em bares e portas das escolas particulares dos bairros nobres, principalmente em São Paulo. "Usei o Crack pela primeira vez em uma festa no bairro paulistano de Higienópolis.

Quem me ofereceu a pedra foi um colega da Escola Panamericana de Arte", lembra o estudante Marcelo, 26 anos, ex-proprietário de uma agência especializada na criação de logotipos. "Eu faturava mais de R$ 7 mil por mês. Mesmo assim, virei ladrão para poder comprar pedras", lamenta.

O aumento do consumo de Crack nos últimos seis meses tem impressionado a polícia, os médicos e até mesmo os usuários de cocaína e maconha. "De março para cá, está cada vez mais difícil encontrar outro tipo de droga. Os traficantes estào trabalhando só com o Crack", diz o executivo Marcos, 34 anos, pai de dois filhos e ex-diretor de vendas da indústria de seu pai.

A velocidade com que o Crack se alastra é alarmante. "Trata-se da droga com maior poder viciante já vista", diz o psiquiatra Rubens Campos Filho, do centro de estudos e Pesquisas Karl Kleist, de São Paulo. "Em 20 anos, não vi nada que proliferasse com tanta rapidez". Os números da polícia comprovam isso. Os primeiros registros sobre o uso do Crack no Brasil datam de 1988. Hoje, segundo o Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos), apenas em São Paulo existem cerca de 150 mil usuários do Crack.

Ou seja, nos últimos sete anos, a cada dia 60 pessoas engrossaram a legião de dependentes. "Precisamos tratar o Crack como uma epidemia", recomenda o delegado Alberto Corazza, do Denarc, que há mais de 20 anos se dedica ao estudo de entorpecentes. "Na maioria dos casos há uma dependência rápida, intensa, preocupante e cega", adverte o coordenador do grupo interdisciplinar de estudos de álcool e drogas, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Arthur Guerra de Andrade. "Fumei a primeira pedra de Crack em março. Foi uma sensação maravilhosa. Um orgasmo no céu.

A viagem durou apenas alguns minutos e dois dias depois fumei outra pedra. Foi o suficiente para não conseguir ficar sem o Crack por mais de 24 horas. Dez dias depois da primeira fumada estava consumindo cerca de 20 pedras por noite", relata o executivo Marcos. O Crack atua diretamente no cérebro, com uma rapidez e intensidade não encontrada em nenhuma outra droga.

O ex-executivo Marcos conta que, depois de ter fumado Crack por cinco ou seis vezes consecutivas, não se sentia capaz de permanecer mais de meia hora sem pipar - expressão usada pelos dependentes para designar o ato de fumar Crack. "Não conseguia sequer permanecer nas reuniões com meu pai e os demais diretores da empresa. Saía da sala para fumar no banheiro e quando voltava não tinha nenhum discernimento", recorda-se.

O representante comercial Zoroasto Gomes (o nome é falso), 38 anos, formado em ciências contábeis e pai de três filhos, também viveu experiências complicadas, durante dois anos de dependência. Ele chegou a ficar acordado uma semana. Esperava a mulher e os filhos dormirem para usar o Crack no banheiro ou no quintal.

Muitas vezes, durante a madrugada, precisou sair em busca de mais pedras. Nessas ocasiões, ele chegava a atrasar todos os relógios da casa. "Se eram quatro horas, colocava os ponteiros marcando uma hora. Assim se alguém acordasse pensaria que ainda era cedo e por isso eu não estava dormindo", narra Zoroastro.

Com o estudante-empresário Marcelo as coisas não eram diferentes. Após começar a usar Crack, em menos de três meses ele faliu e foi obrigado a fechar sua agência de criação em Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Na primeira semana de julho, Marcelo pediu o carro da mãe emprestado e desapareceu por