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Apostilas sobre as Drogas, Efeitos nocivos das drogas maconha, Reações e dependências das drogasmaconha, Drogas - uma viagem pelo corpo humano, Conseqüências com o uso crônico
Tipologia: Notas de estudo
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uma semana. Não sei onde estive, apenas me recordo que no primeiro dia troquei o Fiat Tipo de minha mãe por 40 pedras de Crack", diz.
Ele admite ter perdido qualquer referencial com a sociedade. Nem sequer o sexo lhe despertava interesse. "Quando se está envolvido com o Crack, ele vira a única razão de viver. É diferente de outras drogas. Às vezes eu usava cocaína para me sentir forte e fazer alguma coisa.
O Crack, a gente usa e nada acontece. Você se desliga do mundo." O psiquiatra Arthur Guerra explica essa relação. Segundo o médico, a sensação de prazer provocada pelo Crack ocorre apenas nas primeiras vezes de uso. "Depois de seis ou sete pipadas, as pessoas passam a usar a droga apenas para evitar o desprazer da fissura - a compulsão - e não para encontrar alguma satisfação", diz Guerra.
O crescimento do consumo de Crack entre os jovens abastados é recente e avassalador. Começou no ínicio desse ano e preocupa. O psiquiatra Rubens Campos Filho relata que, até o final do ano passado, de cada 100 pacientes apenas cinco ou seis eram usuários de Crack. Hoje, em 100 pessoas que o procuram, cerca de 60 estão fumando o Crack.
O Centro de Estudos Karl Kleisti conta com o telefone (011) 543-1157 para orientar usuários de droga que queiram se recuperar. Até dezembro, 15 viciados em Crack ligavam, por dia. Hoje, esse número chega a 50. No Denarc, a divisão de prevensão e educação também já confere o aumento do uso de Crack entre profissionais liberais e jovens de auto poder aquisitivo. "A polícia é o último lugar a ser procurado por um dependente de drogas que tenha dinheiro. Mesmo assim, já verificamos que o Crack entrou na alta sociedade", afirma o delegado Corazza. No ano passado, o Denarc era procurado por uma média de duas pessoas com nível universitário e bom poder aquisitivo a cada mês. Neste ano, o número de casos dobrou. Só em junho, Corazza encaminhou para tratamento três médicos e um empresário.
O pior do Crack é o que acontece quando passa o efeito. "Após a breve viagem, os dependentes apresentam quadros de alucinação e paranóia, além de depressão e confusão mental", diz o psiquiatra Mário Biscaia, da Casa de Saúde Doutor Eiras, no Rio de Janeiro. As manifestações mais comuns da paranóia entre os usuários de Crack são a sensação de perseguição e a busca por algo que não se sabe o que é.
O representante comercial Zoroastro foi diversas vezes surpreendido pela mulher e os filhos no meio da madrugada, revirando o guarda roupa e olhando sob a cama. "Era um bom ator. Dizia que estava procurando um chinelo ou outra coisa qualquer e eles acreditavam. Enganava não só a minha família como a mim mesmo", relata. O executivo Marcos tinha mania de perseguição. Ele lembra que entra a segunda e a terceira pedra procurava um lugar para se esconder. "Achava que todos queriam me matar.
Cheguei a pipar dentro de bueiros, imaginando os helicópteros da polícia sobrevoando o bairro para me capturar."
Essa paranóia é uma das responsáveis por cenas de violência que o Crack provoca. O psiquiatra Rubens de Campos Filho narra um caso extremo. Em fevereiro deste ano, dois casais foram fumar em um hotel na zona leste de São Paulo. Ocuparam quartos vizinhos e, durante a noite, um dos rapazes ficou sem pedras. Desesperado, ele foi buscar mais droga com um amigo. Saiu nu no corredor e bateu à porta do quarto.
O amigo estava em paranóia. Achou que alguém o queria matar e ao abrir a porta golpeou o colega com uma faca. Por razões de ética, o médico não revela os nomes dos dependentes. "Uma noite cheguei a surrar meu avô com pedaço de pau porque ele bateu à porta do banheiro do quintal onde eu estava em paranóia", lembra o estudante Marcelo.
O delegado Corazza tem razão ao afirmar que o Crack virou uma epidemia. Mas não se trata de uma preferência nacional. Por enquanto, é uma praga paulistana. Em outras capitais, o Crack ainda não aparece de forma expressiva. Em Brasília, a polícia não tem nenhum registro de apreensão de Crack. Segundo o chefe da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes do Distrito Federal, Manoel Mascarenhas da Silva, a droga mais forte que tem chegado ao Planalto Central é a Merla.
Trata-se da pasta-base de cocaína que é fumada junto com o gigarro comum. Embora menos potente, ela tem efeitos parecidos aos do Crack. O ponto de fusão da Merla é mais baixo que o do Crack. Por isso, a droga perde parte de seu potencial antes de chegar ao organismo do usuário. No Rio de Janeiro, são poucos os casos de Crack. Dos doze viciados internados atualmente na Casa de Saúde Doutor Eiras, apenas três já usaram a droga que tem assustado São Paulo.
"O Crack é bastante raro no Rio", diz a diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), Maria Tereza de Aquino. A droga pode não ser representativa nos registros médicos do Rio, mas entre os jovens da classe média, já começa a marcar presença. O músico Bernardo, 31 anos, filho de profissionais liberais e morador da zona sul do Rio, começou a consumir cocaína com 15 anos de idade. Com o tempo, seu septo nasal foi totalmente destruído pelo pó.
"Quando cheirava ficava tudo bem, mas horas depois a dor era insuportável", lembra Bernardo. Em 1989 ele experimentou Crack pela primeira vez, na casa de um amigo. Voltou a fumar as pedras no começo desse ano e não conseguiu parar mais. Hoje, está internado em uma clínica e ainda não venceu as convulsões. "No Rio, não se vende o Crack pronto. Então, eu subia os morros e comprava cocaína para produzir as pedras.
E é certeza. É certeza. Não é uma dúvida. Aos 15 anos, eu já fumava maconha e cheirava cocaína. Nessa época, numa certa noite, quando cheguei em casa, fui intimado por meu pai. "Você fuma maconha?", ele me perguntou. Não tive como negar. Começamos a discutir. Na manhã seguinte, fui mandado embora de casa. "Quando uma das laranjas do saco é podre, a gente tira, para não estragar as outras", foi o que ouvi.
As outras laranjas eram meus dois irmãos. Reconciliamo-nos muitos anos depois, quando comecei a trabalhar na Zorba como assistente de marketing. Trabalhava muito. Porque o viciado é um sujeito compulsivo. Tudo vira vício na vida dele. Todas as mulheres de minha vida, por exemplo, foram obsessão. Nessa época criei o famoso passarinho da Zorba, aquele que fez sucesso nas campanhas publicitárias. Mas aos 26 anos, decidi parar de trabalhar. Virei roqueiro. Montei um grupo, o Abrão e os Lincolns.
Mas, apesar de o som ser do barulho, não emplacamos. Sem dinheiro, precisava roubar para conseguir comprar a droga. Comecei a vender tudo o que tinha na casa de meu pai, à revelia dele. Televisão, esse tipo de coisa. Até o dia que os tiras da Polícia Civil me pegaram. Tinha comprado 5 gramas de cocaína e estava louquinho para aplicar. De cara, assumi que era viciado. Levaram-me à delegacia. Foi traumático. Queriam saber de onde vinha aquela mercadoria. Começaram a me ameaçar. Deram uns socos na minha cara.
Me deixaram pelado. Fui parar no xadrez. Foi nojento. Um lugar que fedia a xixi, com ratos embaixo do cano. Achei um absurdo. Rasparam meu cabelo, dizendo que eu parecia mulher. Rasparam até minhas sobrancelhas. Péssimos dias. O sol mal penetrava na cela. Ficava fazendo exercício. Também meditava, fazia ioga, o que era motivo de piada entre os carceiros. Yoga naquele chão nojento, nem Buda seria capaz! Saí de lá no terceiro dia cheio de piolhos e umas perebas no corpo. Tive de me depilar todo.
Saí aliviadíssimo, porque reconquistara a liberdade. A prisão me fez perceber que estou mesmo fora da realidade. O futuro do viciado é a morte ou a loucura total.
6. ESPECIAL CRACK:· DROGA ESTÁ ENTRE AS DE MAIOR IMPACTO O Crack é considerado uma das drogas mais implacantes , pois multiplica seu efeito devastador quando em contato com organismos ainda em desenvolvimento, como é o caso de crianças e adolescentes.
Segundo pesquisas, 80% dos meninos que usam Crack desenvolvem, a médio prazo, idéias persecutórias (mania de perseguição). Quase sempre o fim do processo é a paranóia. A droga também destrói neurônios, prejudicando diversas funções cerebrais. Por ser fumado, o Crack diminui o volume de brônquios, permitindo a instalação de bronquite crônica em 70% dos casos.
Deficiências cardíacas, doenças gástricas e infecções nos olhos, são outros estragos provocados pela droga. O crescimento é afetado, porque além de
debilitar o organismo, o uso do Crack tira o apetite e os jovens passam a se alimentar com deficiência. A desagregação social é uma conseqüência inevitável, com o jovem abandonando família, escola e trabalho.
O Crack abrevia a vida dos jovens de inúmeras formas. Há os fatores associados, como a violência característica do mundo das drogas. Como muitas vezes o crime é a única fonte de dinheiro para o Crack, eles vivem sob risco de morte, pelas mãos da Polícia ou dos traficantes, em "queima de arquivo", como é chamada a eliminação de participantes do tráfico que se tornam incômodos.
O alto potencial tóxico do Crack se deve principalmente à sua forma de uso: como é fumada, a absorção do potencial ativo da droga pelo organismo é maior, pois atinge diretamente a circulação arterial. É muito rápida também, na ordem de três segundos. A cocaína, quando injetada, demora dez segundos para fazer efeito.
A difusão do Crack provocou uma reviravolta nas etapas do processo tradicional de contato dos jovens com as drogas. Antes, eles começavam cheirando cocaína e só com mais idade passavam a injetar; o que os colocavam em risco constante de overdose ou contágio por Aids. Agora, já entram direto na modalidade mais impactante do uso, o que representa riscos de vida bem mais cedo.
A dependência advém após o uso por quatro vezes, no máximo. Como a tendência atual é o jovem conhecer o Crack antes de drogas mais leves, como a maconha, essa falta de experiência reforça a instalação do vício. No tratamento, a desintoxicação é possível mediante o uso de medicamentos. Há uma fase aguda, que dura duas semanas. Se ela for superada, a compulsão de fumar pode ser vencida em seis semanas. Para meninos de rua, mais difícil que se curar da dependência é chegar ao tratamento, por causa da forma como vivem.
COMO É FEITO COMO É FUMADO COMO E PORQUE VICIA Os traficantes misturam a cocaína com bicarbonato de sódio ou amoníaco em um recipiente com água. Usa-se um pote de iogurte com um tubo ("cachimbo") introduzido em sua metade e água no fundo.
A droga inalada leva quatro segundos para percorrer o caminho dos pulmões ao cérebro pela corrente sanguínea Os traficantes fervem a mistura Recobre-se o pote com papel laminado perfurado
Após fumar o Crack, a pessoa sente euforia durante 10 a 20 minutos Com o calor, a cocaína se solidifica, transformando-se em cristais que sobem à superfície.
Da euforia passa-se para uma forte depressão. Os cristais ou pedras são "fumados" ou colocados à venda em papelotes Queima-se o Crack com
( DOZE PRINCÍPIOS QUE UM VICIADO DEVE TER EM MENTE)
É uma mistura de substâncias alucinógenas e estimulantes, geralmente com maior quantidade de anfetamina.
O QUE PROVOCA
A anfetamina é um estimulante que aumenta a quantidade de neurotransmissores (substâncias químicas) liberados, o que causa agitação, ansiedade e sensação de "estar ligado". Alguns tipos de Ecstasy podem conter heroína.
RISCO DE CONSUMO
O usuário de ecstasy está sujeito a reações causadas pelos alucinógenos e estimulantes, como por exemplo convulsões, parada cardíaca e queda de pressão. Existem vários tipos de Ecstasy. Cada um pode provocar uma reação diferente no usuário. O tempo de duração do efeito pode ser de até 12 horas.
COMO FUNCIONA NO SISTEMA NERVOSO
As informações, como imagem ou som, "caminham" no sistema nervoso através de células chamadas neurônios, que não se tocam. Eles dependem dos neurotransmissores para se comunicarem. Os neurotransmissores são liberados na extremidade de um neurônio e vão até o neurônio vizinho. O Ecstasy impede as pessoas de manter atividades normais como dormir e se alimentar.
Usuários tomam a droga para desinibir, dançar à noite em reuniões de grupos, danceterias e fazer sexo
O consumo e a difusão do Ecstasy estão diretamente relacionados com a chamada cultura "dance". Das "rave parties" inglesas ( megafestas realizadas em galpões industriais abandonados a partir de meados dos anos 80 ( às festas alternativas, embalam as noites dos consumidores do Ecstasy. "Uma coisa não existe sem a outra. Uma boa noite de curtição começa com Ecstasy e dance music", disse o estilista Sérgio M.A., que consome a droga duas vezes por mês em média.
Cada um custa em média entre R$ 40,00 e R$ 50,00 e é ingerido com água, com efeito retardado, ou bebida alcoólica, quando o efeito é mais imediato. "Com o Ecstasy vejo muito mais colorido e me sinto mais solto", disse o empresário S., que consome a droga entre três a quatro vezes por mês. "É como um orgasmo prolongado", afirmou a estudante da faculdade de Comunicação da Puccamp (Pontífica Universidade Católica de Campinas) Paula M. S.. A Polícia Civil de Campinas diz que desconhece a entrada da droga em Campinas. Até agora a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) ainda não fez nenhuma apreensão do material. O Ecstasy é uma droga usada principalmente por "clubbers", versão dance dos antigos boêmios. A intensão é, obviamente, fazer sexo.
Nós, como jovens, preocupamo-nos com essa assombrosa realidade que atinge neste final de século XX, não só o Brasil, mas todo o mundo. A cada semana, novos casos assustam a sociedade. O poder que as drogas exercem sobre o ser humano é enorme, a ponto de ser capaz de tornar jovens, antes com perspectivas futuras de vida, em marginais. Quem pensa que somente os jovens usam drogas, engana-se profundamente. Na maioria dos casos, a pessoa se inicia no mundo dos entorpecentes na adolescência (a maioria com 15 ou 16 anos), às vezes cessa ou não o consumo por um pequeno espaço de tempo e, mais tarde volta a consumir drogas. Muitas vezes, perde totalmente o controle de sua vida pessoal, profissional e social, vivendo apenas em função das drogas. O Crack, criado a partir da pasta de cocaína com uma mistura de bicarbonato de sódio, é uma das drogas mais perigosas, pelo simples fato de que tem um alto poder viciante e, depois da pessoa fumar uma, duas vezes, não consegue parar mais de "pipar" (termo usado pelos usuários cujo o significado é "fumar"). Por ser mais barato que a cocaína o Crack vem sendo usado constantemente por milhares de pessoas e, a cada dia outras centenas delas tornam-se viciadas, assustando médicos, delegados e a nós mesmos. Quem, alguma vez já presenciou um garoto (de 8 ou 9 anos) utilizando um copinho qualquer para fumar Crack? Não queiram vê-lo. É triste saber, porém é mais ainda VER. Nos perguntamos por que tantos jovens, tantos médicos, executivos, atores, seres humanos sem exceções, mesmo sabendo dos perigos que os entorpecentes causam no organismo e na vida de um modo geral, entram neste "túnel escuro", jogando praticamente toda a vida por um penhasco. Obtivemos várias respostas. Mas a maioria "entrou nesse ramo" por curiosidade. Todos pensavam que, quando desejassem, parariam, pois eram
"donos de suas vontades". E eram. Mas o vício é uma doença. Sua cura? Positiva em alguns casos, negativa em outros. Nas clínicas de recuperação de viciados em drogas, os voluntários e médicos afirmam que o usar da força, obrigar, exigir, impor de um ser humano (no caso o adolescente) algo, não resolve. Principalmente em tratando-se das drogas. Depois de um longo período de uso, o organismo acostuma-se com a droga e, de repente quando não a tem mais, luta contra isso. E o resultado? Depende de cada caso, do tempo de uso, da droga usada (o Crack, por exemplo: o usuário sente uma vontade "quase" incontrolável de fumar uma pedra atrás da outra). Nos casos mais graves, o paciente tem convulsões, dores incontroláveis, vômitos, ânsias e mais inúmeras reações. O fim deste túnel escuro e assombroso? Incerto. O melhor a fazer é não entrar. Mas, se a curiosidade, ou melhor, o caminho da morte venceu a razão, muita gente está disposta a ajudá-lo. Mas, a fé, a esperança, a persistência e a vontade.