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Este documento estabelece as normas para a coleta, armazenamento e rotulagem de leite humano, incluindo procedimentos higiênico-sanitários, pré-estocagem e rotulagem de recipientes. As normas são baseadas em estudos científicos sobre a qualidade do leite humano e sua susceptibilidade à ação de microbiota e enzimas. O leite humano ordenhado cru deve ser armazenado em temperaturas adequadas e por períodos limitados antes do processamento.
Tipologia: Notas de estudo
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BLH-IFF/NT- 16.04 - Ordenha: Procedimentos Higiênico-Sanitários
BLH-IFF/NT- 17.04 - Rotulagem do Leite Humano Ordenhado Cru
BLH-IFF/NT- 17.04 - Pré-estocagem do Leite Humano Ordenhado Cru
Ordenha:
Procedimentos Higiênico-Sanitários
Rede Nacional de Bancos de Leite Humano
FIOCRUZ/IFF-BLH Av. Rui Barbosa, 716 – Flamengo Rio de Janeiro CEP 20550- Tel/fax: (021) 2553- www.redeblh.fiocruz.br
Origem Centro de Referência Nacional para Bancos de Leite Humano – Instituto Fernandes Figueira / Fundação Oswaldo Cruz / Ministério da Saúde
Autores João Aprígio Guerra de Almeida; Vander Guimarães & Franz Reis Novak
Palavras-Chave: Banco de leite humano. Doadora. Ordenha. (^) 5 páginas
3.3 Não-conformidade : não atendimento aos requisitos de qualidade estabelecidos.
3.4 Nutriz : termo utilizado para designar a mulher que esteja amamentando.
3.5 Ordenha : refere-se à extração da secreção lática da nutriz.
3.6 Pré-estocagem : armazenamento, sob condições térmicas adequadas, do leite humano ordenhado antes da sua pasteurização.
3.7 Rotulagem : processo para indicar o conteúdo do recipiente ou frasco através da aplicação de um rótulo que, entretanto, não é parte integrante do mesmo.
4. Fundamentos
4.1 Quadro Teórico
O referencial teórico que confere sustentação técnico-científica aos fundamentos que compõem esta Norma foi extraído das seguintes fontes:
ALMEIDA, J. A. G., 1986. Qualidade do Leite Humano Coletado e Processado em Bancos de Leite. Dissertação de Mestrado, Viçosa: Faculdade de Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Viçosa.
ALMEIDA, J. A. G., 1992. Fatores de Defesa do Leite Humano: Ecologia microbiana (filme- vídeo). 1 cassete VHS, 34 minutos, color., sonoro. Rio de Janeiro: Núcleo de Vídeo – CICT/Fundação Oswaldo Cruz.
ALMEIDA, J. A. G.; NOVAK, F. R. & SANDOVAL, M. H., 1998. Recomendaciones tecnicas para los bancos de leche humana II – Control de calidad. Archivos Venezolanos de Puericultura y Pediatria , 61(1):12-15.
NOVAK, F. R.; ALMEIDA, J. A. G. & SILVA, R. S., 2003. Casca de banana: uma possível fonte de infecção no tratamento de fissuras mamilares. Jornal de Pediatria , 79:221-226.
4.2 Princípio
A qualidade do leite humano ordenhado não deve ser considerada como fenômeno casual, mas sim resultado de esforço inteligentemente direcionado, desde a ordenha até o momento do consumo. Quando focada sob a perspectiva microbiológica, a qualidade depende fundamentalmente dos cuidados higiênico-sanitários dispensados à manipulação do leite, sobretudo no que diz respeito à ordenha.
Todos os tratamentos aplicáveis ao leite humano ordenhado podem ser eficazes para a manutenção da sua qualidade, porém são incapazes de reverter alterações que ocorreram em fases anteriores. Como ilustração, podemos citar o crescimento bacteriano no leite humano a partir da utilização da lactose como fonte de carbono e energia, resultando na produção de ácido lático. A pasteurização praticada no Banco de Leite é capaz de inativar 100% dos microrganismos patogênicos e 99,9% da microbiota saprófita, contudo jamais reverterá a alteração química produzida sobre a lactose, que originou a produção de ácido lático e
conseqüente redução no valor calórico do produto, bem como na biodisponibilidade de cálcio e fósforo. Outro aspecto relevante é a relação entre as barreiras bioquímicas que o leite humano oferece ao crescimento microbiano e a contagem total de bactérias presentes. Quanto maior a carga microbiana da amostra, mais rápida será a saturação dos fatores de defesa e, por conseguinte, mais acentuado o crescimento bacteriano. Estudos revelam que quando a carga bacteriana inicial é inferior a 1,0 x 10 3 UFC/mL, as barreiras bioquímicas se mostram muito mais eficazes para impedir o crescimento, demandando tempo superior a 72 horas para que a contagem total atinja o seu nível máximo, mantido o produto a 37 O^ C.
Por outro lado, quando a contagem é superior a esse limite, o tempo para atingir a população máxima é sempre inferior a 24 horas, variando de forma inversamente proporcional à magnitude da população: maior a contagem, menor o tempo. Em resumo, quanto menor o numero de bactérias presentes no leite humano ordenhado, maior o seu valor biológico e menor o risco de ocorrência de não-conformidades.
Uma ordenha conduzida com rigor higiênico-sanitário é capaz de produzir um leite humano ordenhado com contagem total na ordem de 10 2 UFC/ml. Para tanto, as seguintes medidas fazem-se necessárias: os utensílios que entrarão em contato direto com o leite devem ser previamente esterilizados; a utilização de gorro e máscara é mandatória; desprezar os primeiros jatos de leite obtidos no momento da ordenha. Inúmeros estudos evidenciam que esses cuidados básicos possibilitam a obtenção de produto com microbiota cuja contagem total oscila em torno de 1,0 x 102^ UFC/mL e isenta de patogênicos.
Utensílios sanitizados de forma indevida, a exemplo de bombas tira-leite de diferentes espécies e frascarias não esterilizadas, podem contribuir com até 3,5 x 10 7 UFC/mL na contagem total. Além do aspecto quantitativo, a inobservância desse cuidado pode acarretar o aparecimento de microbiota secundária, que inclui microrganismos representantes dos grupos: coliformes, estafilococos, psicotróficos, termodúricos, termodúrico-psicotróficos, bolores e leveduras, lipolíticos e proteolíticos. Todos esses microrganismos desqualificam o leite humano para o consumo.
A eliminação dos primeiros mililitros (2 a 5mL) no momento da ordenha, ou dos jatos iniciais, contribui para a redução de até 90% da população inicial de bactérias. Isso porque as regiões mais periféricas dos ductos mamilares são colonizadas por microrganismos, de modo geral com características saprofíticas, que, por estarem ecologicamente adaptados, crescem com rapidez. Esse fato decorre da permanência de resíduos de leite na região, entre o intervalo das ordenhas. Por ação física de arraste, os primeiros mililitros ejetados trazem consigo a quase totalidade dessas bactérias. Assim, ao desprezar os primeiros jatos, descarta-se também essa microbiota secundária – desejável quando se trata de amamentação direta ao seio – mas que representa fator de risco para a ocorrência de não-conformidades quando se trata de leite humano ordenhado.
Com relação à higiene das mamas, além dos cuidados higiênicos pessoais de rotina, deve-se orientar a nutriz a utilizar o seu próprio leite sobre a região mamilo-areolar após cada ordenha. Como se trata de leite de final da ordenha, rico na fração emulsão, esse produto contém níveis elevados de substâncias que contribuem para a manutenção da elasticidade do tecido, como os cerebrosídeos, além de apresentar ésteres e ácidos graxos de cadeia curta, que atuam como bactericidas. Dentre esses bactericidas encontra-se o fator antiestafilococos, que protege o
6.6 Os primeiros jatos do leite coletado deverão ser desprezados, a fim de eliminar possíveis microrganismos patogênicos e garantir uma contagem microbiana menor no leite ordenhado.
6.7 No caso de novas coletas para completar o volume de leite no frasco, empregar um copo de vidro previamente submerso em água fervente por 15 minutos e resfriado. O leite recém- coletado deverá ser colocado sobre aquele que se encontra no congelador.
6.8 A rotulagem e a pré-estocagem do leite humano ordenhado cru deverão obedecer ao disposto nas Normas específicas: BLH-IFF/NT 17.04 – Rotulagem do LHO cru e BLH-IFF/NT 18.04 – Pré-estocagem do LHO cru.
7. Técnica
7.1 Fazer anti-sepsia das mãos com água e sabão, tentando evitar ao máximo que o leite possa ser contaminado.
7.2 Secar as mãos com toalha limpa.
7.3 Fazer massagem circular da base da mama em direção ao mamilo.
7.4 Estimular suavemente os mamilos estirando-os ou rodando-os entre os dedos.
7.5 Colocar o polegar sobre a mama, onde termina a aréola e os outros dedos abaixo, na borda da aréola.
7.6 Comprimir a aréola e mama subjacente contra as costelas, através dos dedos polegar e indicador.
7.7 Extrair o leite e desprezar os primeiros jatos de cada lado.
7.8 Repetir o movimento de forma rítmica, rodando a posição dos dedos ao redor da aréola para esvaziar todas as áreas.
7.9 Alternar as mamas a cada 5 minutos ou quando diminuir o fluxo de leite. Repetir a massagem e o ciclo tantas vezes se fizerem necessárias.
7.10 A quantidade de leite que se obtém em cada extração pode variar, sem que isso represente alguma alteração na fisiologia da lactação.
7.11 Depois da ordenha, passar um pouco do leite nos mamilos.
Rotulagem do
Leite Humano Ordenhado Cru
Rede Nacional de Bancos de Leite Humano
FIOCRUZ/IFF-BLH Av. Rui Barbosa, 716 – Flamengo Rio de Janeiro CEP 20550- Tel/fax: (021) 2553- www.redeblh.fiocruz.br
Origem Centro de Referência Nacional para Bancos de Leite Humano – Instituto Fernandes Figueira / Fundação Oswaldo Cruz / Ministério da Saúde
Autores João Aprígio Guerra de Almeida; Vander Guimarães & Franz Reis Novak
Palavras-Chave: Leite humano cru. Rotulagem. (^) 2 páginas
4.2 Princípio
A composição do leite humano está sujeita a uma série de variações, que podem ser ocasionadas por fatores inerentes à própria fisiologia da lactação ou decorrentes da ação de agentes externos. Dentre esses agentes destacam-se os microrganismos que compõem a microbiota de contaminação secundária.
As mudanças na composição do leite humano ordenhado implicam modificações de suas propriedades físico-químicas, sem que isso necessariamente represente a ocorrência de não- conformidades. Contudo, é preciso que se obtenham meios capazes de detectar tais modificações no momento em que o produto é submetido a seleção e classificação.
Na abordagem desses aspectos sob a perspectiva da qualidade, surge um novo e indispensável elemento – a rastreabilidade. O significado do termo resume a possibilidade de obtenção de toda a história do leite humano ordenhado coletado, tornando possível a identificação da doadora, o local de doação, a data da coleta, as condições de pré-estocagem e transporte, entre outros. Esses dados compõem um quadro referencial mínimo necessário para assegurar as informações relativas à classificação do produto, como o período de lactação, bem como garantir os elementos demandados por uma análise de risco em controle de qualidade dinâmico.
5 Condições Específicas
5.1 Todos os recipientes ou frascos que forem encaminhados ao Banco de Leite contendo o produto para doação devem possuir um rótulo que contenha, no mínimo, as seguintes informações: a) Nome da doadora b) Data (dia/mês/ano) da primeira coleta
5.2 Os rótulos devem ser afixados de tal maneira que sua substituição por outros rótulos somente seja possível no momento da lavagem do frasco para novo uso.
5.3 A embalagem para a primeira coleta domiciliar de leite materno deverá ser obtida pela doadora seguindo orientações fornecidas pelo funcionário, no momento do seu cadastro no Banco de Leite.
Será da competência do Banco de Leite o fornecimento de embalagens e rótulos para as coletas subseqüentes
Pré-estocagem do
Leite Humano Ordenhado Cru
Rede Nacional de Bancos de Leite Humano
FIOCRUZ/IFF-BLH Av. Rui Barbosa, 716 – Flamengo Rio de Janeiro CEP 20550- Tel/fax: (021) 2553- www.redeblh.fiocruz.br
Origem Centro de Referência Nacional para Bancos de Leite Humano – Instituto Fernandes Figueira / Fundação Oswaldo Cruz / Ministério da Saúde
Autores Vander Guimarães; João Aprígio Guerra de Almeida & Franz Reis Novak
Palavras-Chave: Leite humano cru. Pré-estocagem. (^) 3 páginas
ALMEIDA, J. A. G., 1992. Fatores de Defesa do Leite Humano: Ecologia microbiana (filme-vídeo). 1 cassete VHS, 34 minutos, color., sonoro. Rio de Janeiro: Núcleo de Vídeo – CICT/Fundação Oswaldo Cruz.
ALMEIDA, J. A. G., 1992. O Leite Humano: aspectos relativos à composição (filme-vídeo). 1 cassete VHS, 34 minutos, color., sonoro. Rio de Janeiro: Núcleo de Vídeo – CICT/Fundação Oswaldo Cruz.
LIRA, B. F., 2002. Qualidade da fração lipídica do leite humano ordenhado e processado. Dissertação de Mestrado, Recife: Departamento de Nutrição, Universidade Federal de Pernambuco.
4.2 Princípio
O leite humano ordenhado cru se mostra susceptível à ação da microbiota e à ação das enzimas capazes de promover reações de oxidação, tanto da matéria lipídica quanto dos demais constituintes sensíveis às variações do potencial de oxi-redução do meio. Em ambos os casos, a efetiva ação de controle se encerra no emprego de baixas temperaturas ou na manutenção do produto sob a cadeia de frio.
Imediatamente após a ordenha, o produto deve ser submetido a um resfriamento rápido, observando procedimentos capazes de assegurar temperatura final igual ou inferior a 5O^ C. Nessa condição de temperatura, tanto as enzimas do leite humano ordenhado como as que integram a rota metabólica dos microrganismos contaminantes têm sua velocidade reduzida de forma substancial, de maneira a garantir que reações indesejáveis não ocorram por períodos de até 12 horas, uma vez respeitado o limite de 5O^ C.
Contudo, quando há necessidade de estocar o produto cru por períodos superiores, podendo chegar a até 15 dias, o congelamento se faz imperioso. O leite humano ordenhado congela, em média, a -0,55 OC. A partir de então, a observância de temperaturas inferiores assegura a redução da atividade de água livre do produto, necessária tanto aos microrganismos quanto nas reações de oxi- redução dos constituintes do leite. Em se tratando de reações químicas indesejáveis, melhores resultados são obtidos – no sentido de evitá-las – quando se observam temperaturas inferiores a – 4 OC.
5 Condições Gerais
5.1 A embalagem para estocar o leite humano ordenhado cru deverá obedecer às especificações de acordo com a Norma BLH-IFF/NT 31.04 – Embalagem para o Leite Humano Ordenhado. 2004.
5.2 Antes de se proceder à pré-estocagem, a doadora deverá identificar a embalagem contendo o leite humano ordenhado, conforme as orientações estabelecidas pela Norma BLH-IFF/NT 17.02 – Rotulagem do Leite Humano Ordenhado cru. 2004.
5.3 Para o cumprimento desta Norma, exige-se, como requisito mínimo, um refrigerador que contenha congelador ou um freezer.
6 Condições Específicas
6.1 O leite humano ordenhado cru poderá ser estocado em refrigerador por um período máximo de 12 horas, a uma temperatura de até 5 O^ C.
6.2 O leite humano ordenhado cru poderá ser estocado em congelador ou freezer por um período máximo de 15 dias, a uma temperatura de –3 O^ C ou menor.