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Este trabalho foi feita na zona sul de Moçambique em que queria se saber mais sobre o funcionamento da cadeia de valor de banana, relação entre os intervenientes da mesma, margens financeiras, oportunidades de negócio e muito mais
Tipologia: Trabalhos
Oferta por tempo limitado
Compartilhado em 22/09/2014
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Lista de abreviaturas
Lista de tabelas Tabela 1 : Número de caixas comercializadas pelas empresas produtoras de Banana na região seul (Gaza e Maputo) em Moçambique......................................................................................................... 6 Tabela 2: Volume médio de produção e venda da banana. ................................................................... 8 Tabela 3: Preços de compra e venda da Banana por caixa..................................................................... 8 Tabela 4: Margens financeiras ................................................................................................................ 9 Lista de figuras Fig.1. Umbigo da banana ........................................................................................................................ 3 Fig. 2. Moleque-da-bananeira................................................................... Erro! Marcador não definido. Fig 3. Mapa da cadeia de valor da banana na região sul de Moçambique.............. Erro! Marcador não definido.
Sendo a banana constituida por macronutrientes, minerais e vitaminas, para uma fruta importante na dieta Moçambicana é imprenscindível que se conheça quem são os intervenientes do processo de produção da mesma. Os actores envolvidos no processo necessitam de ter uma visão holística de toda a cadeia, a fim de identificarem os seus inter-relacionamentos e consequentemente traçarem as suas estratégias de forma conjunta. Neste contexto, surge a seguinte questão: Como funciona a cadeia de valor da banana na região sul de Moçambique (Províncias de Gaza e Maputo)?
3. OBJECTIVOS E MÉTODOS DO ESTUDO 3.1 Objectivo geral Analisar o funcionamento da cadeia de valor da banana na zona sul de Moçambique, concretamente nas Províncias de Gaza e Maputo. 3.2 Objectivos específicos Identificar os intervenientes da cadeia de valor da banana; Descrever o funcionamento da cadeia de valor da banana; Identificar os principais constrangimentos e oportunidades na cadeia de valor da banana. 3. 3 Métodos O estudo consistiu em três componentes chave: Pesquisa bibliográfica, recorrendo-se as fontes publicadas na internet, dissertações e relatórios do SDAE^1 ; Pesquisa de levantamento, que foi desenvolvida através de uma entrevista semi- estruturada para a recolha de dados referentes a cada interveniente principal (fornecedor de insumos, produtor, distribuidor, grossistas, retalhistas e consumidor final); Observacões no campo. 4. DESCRIÇÃO DA CADEIA DE VALOR DA BANANA O ciclo de produção de banana leva entre 6 a 9 meses. Primeiro planta-se a soca, levando 3 meses até à florescência e mais três meses para o crescimento do cacho. Após a sua maturação, é distribuído para o mercado por via de grossistas, retalhistas ou o próprio consumidor vai até ao produtor. Envolvem-se assim vários actores na cadeia de valor (Figura 3). (^1) Serviços Distritais de Actividades Econômicas
4.1 Fornecedor de insumos Os fornecedores de insumos dos produtores da banana na região sul de Moçambique (Maputo e Gaza) localizam-se maioritamente na África de Sul, destacando-se a Papeline e a OMNEA. Estes, fornecem produtos tais como: o adubo orgânico, inorgânico e produtos fitofarmacêuticos (produtos químicos para a pulverização). Figura 3. Mapa da cadeia de valor da banana na região sul de Moçambique Fonte: O presente estudo (2014). 4.2. Produtor Os maiores produtores da banana na zona sul de Moçambique (Gaza e Maputo) são empresas como a Bananalândia (Rio Verde), localizada no distrito de Boane e The African Food Company (TAFC), localizada no distrito de Guijá. Para o início das actividades a TAFC e a Bananalândia continham uma área de 180 e 128 hectares respectivamente, e produziam as variedades William, Asdiam e Cavendish. Para além destes, existem produtores de pequena escala, destacando-se os produtores da localidade de Bungane (Distrito de Xai-Xai) e os denominados G21 (Distrito da Manhiça). Fornecedores de insumos: OMNEA & PAPELINE Produtores: TAFC & Bananalândia Grossistas: Mercados de Xai-Xai, Manjacaze, Bilene, Chóckwè, Massingir e Zimpeto Retalhistas: Mercados de Xai-Xai, Manjacaze, Bilene, Chóckwè, Massingir e Zimpeto Consumidor: Público das províncias de Gaza e Maputo
coberta por lonas. Deste constrangimento, surge outro que é o roubo, pois a banana fica exposta à comunidade e isso reflecte-se num rendimento baixo. Quanto à taxa paga ao governo distrital pela exploração da actividade económica, os grossistas pagam diáriamente, em cada dia de trabalho, 100 meticais, e pagam mais 150,00 meticais mensais para os guardas do mercado (Zimpeto). Como forma de melhorar o sector da banana, os grossistas do mercado acham que o Governo devia baixar as taxas pois elas não correspondem às condições que são oferecidas, devem-se construir bancas específicas e, criarem-se condições oara regular o preço para todos os vendedores do mercado. 4.4. Retalhistas Os retalhistas geralmente encontram-se na faixa etária dos 20 aos 30 anos de idade, e são na sua maioria do sexo masculino. Estes adquirem a banana dos grossistas ou directamente dos produtores em diferentes mercados formais e informais da região, e vendem a banana em molhos^2. Geralmente a qualidade da banana que provêm do grossista, em relação ao preço praticado, mostra uma proporcionalidade directa. Contudo, verificam-se algumas discrepâncias dependendo dos dias, mas o preço não altera em função do seu estado (fresco ou não). O volume de compras e vendas diárias tem sido em média três e duas caixas respectivamente por cada retalhista e, dependendo da demanda, este produto tem ficado no máximo três dias do período de conservação à temperatura ambiente (de forma idêntica ao processo usado pelos grossistas). Relativamente ao tamanho da banana que os clientes procuram, este depende dos gostos e preferências de cada um, e consomem-na pequena, média e grande. A taxa paga pelos retalhistas é de 50 meticais diários. Os retalhistas também reclamam das taxas altas, justificando que o Governo coloca-os em locais de venda inadequados^3 para esta actividade; propõe a redução das taxas. Os constrangimentos que os retalhistas têm sofrido estão relacionados ao apodrecimento da banana. Como forma de minimizar os prejuízos, optam por reduzir os preços de venda. (^2) Um molho corresponde a 4 - 5 bananas. (^3) Refere-se à segurança dentro do espaço de venda.
4.5 Consumidores Devido às preferências e valor nutritivo que a banana fornece (vitaminas A, B, C e D), este tem sido um dos produtos mais consumidos diariamente, e é adquirido tanto no mercado formal como no informal. A maioria dos consumidores preferem a banana nacional pois adquirem-na ainda fresca e é mais saborosa. Dependendo do tamanho da banana vendida nos mercados de Chibuto e Zimpeto, é cobrado um valor de 5 meticais por quatro bananas pequenas, 10 meticais pelas médias e 20 meticais pelas grandes. Em relação ao preço e qualidade, os consumidores defendem que há uma proporcionalidade directa na medida em que quanto maior for a qualidade, maior será o preço. Os intervalos de compra da banana pelos consumidores tem vindo a crescer, variando de 1 a 4 vezes por semana. Os consumidores são unânimes em afirmar que a banana está sempre presente no mercado nas quantidades e qualidades desejadas.
5. MARGENS FINANCEIRAS Os dados que constam das tabelas 2 e 3 são referentes à produção e à comercialização média anual de alguns intervenientes da cadeia de valor da banana na zona sul de Moçambique (Gaza e Maputo). TABELA 2 : Volume médio de produção e venda da banana Actor Quantidade Média Anual Kg/caixa Produtor 27 3 000 caixas 19 , 2 Grossista 14 040 caixas 19 , 2 Retalhista 950 caixas 19 , 2 Fonte: O presente estudo (201 4 ). Tabela 3 : Preços de Compra e Venda da banana por caixa Actor Unidade Custos (Meticais) Preço de Venda (Meticais) Produtor Caixa 100 160 Grossista Caixa 160 200 Retalhista Caixa 200 420 Fonte: O presente estudo (201 4 ). Na tabela 4 são indicados os valores referentes às margens financeiras na cadeia de valor da banana. Os retalhistas ganham mais pelo facto de terem a possibilidade de comprar a banana do produtor ao mesmo preço que o dos grossistas.
O individualismo na actuação dos elementos da cadeia de valor (i.e. não se verifica a coordenação entre os intervenientes da cadeia de valor); Falta de fornecedores nacionais de matéria prima. 7.2. Oportunidades Falta de uma empresa que preste serviços de apoio (consultoria) na produção e comercialização da banana; Falta de viaturas com câmaras frigoríficas para o transporte da banana do produtor para o mercado local; Falta de câmaras frigoríficas nos mercados, para a conservação da banana; Inexistência de uma empresa nacional fornecedora de insumos para a produção.
8. CONCLUSÕES Após a elaboração deste trabalho, verificou-se que a cadeia de valor da banana na região sul de Moçambique é constituída por fornecedores de insumos (localizam-se na vizinha África de Sul), produtor, grossistas, retalhistas e consumidor final. Nesta cadeia, os produtores é que se responsabilizam em ir à busca da matéria prima, e desempenham ainda a função de distribuidores. Existe individualismo (i.e. não se verifica a coordenação entre os intervenientes) na actuação dos elementos da cadeia de valor: isto contribui para a ausência de coordenação entre os intervenientes e permite que todos os vendedores (produtor, grossista, retalhista) tenham contacto directo com o consumidor final; os intervenientes acabam assim desempenhando mais de uma função na cadeia. Existe um nível elevado de burocracia para a abertura do negócio por parte dos produtores, pois a legislação é muito rígida, envolve um longo processo para aquisição de DUAT e, existem cortes frequentes da corrente eléctrica. Existe a falta de transporte especializado para o transporte da banana do local de produção para os mercados de venda (principalmente para o mercado nacional), e a banana é transportada em condições impróprias às recomendáveis. Os mercados de venda da banana não possuem câmaras frigoríficas instaladas o que dificulta a conservação do produto. Esta situação também limita o número de lotes a recomendar aos grossistas e retalhistas, pois estes deixam a banana à temperatura ambiente; esta situação não é recomendável para a conservação da banana e assim, a fruta facilmente se deteriora, representando quebras (prejuízo) para os vendedores. 9. RECOMENDAÇÕES Recomenda-se ao sector privado, que adquira veículos com câmara frigorífica para evitar quebras na comercialização da banana. Recomenda-se aos grandes produtores que vendam a banana apenas para os grossistas de modo a permitir que estes disponibilizem-na para os retalhistas, e estes por sua vez façam a entrega do produto ao consumidor final. Assim, a cadeia da banana funcionará de forma coordenada.
Recomenda-se aos Governos Distritais (Guijá e Boane) que criem condições para reduzir-se o nível de burocracia na abertura de empresas produtoras de bananas, de modo a atrair mais investimentos e tornar o sector mais atractivo. Recomenda-se igualmente a redução das taxas actualmente pagas para a exploração desta área. Recomenda-se aos Municípios de Chibuto e Maputo para instalarem câmaras frigoríficas nos mercados, que irão permitir que os comerciantes conservem os seus produtos a temperaturas adequadas, o que poderá assim diminuir o prejuízo causado pelo apodrecimento. 10.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Leite, G.L.D & Alves, S.M (2008). Pragas da bananeira. Universidade Federal de Minas Gerais: Instituto de Ciências Agrárias. Manica (1997). Fruticultura Tropical. Cinco Continentes Editora. Sebrae (2008). Banana: Relatório completo.