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Cinemática direta de robôs manipuladores - Capítulo 1 do livro inacabado do prof Cabral para Robótica - PMR2560
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Cinemática da Posição de Robôs Manipuladores 1
A cinemática de um robô manipulador é o estudo da posição e da velocidade do seu efetuador e dos seus ligamentos. Quando se menciona posição, está se referindo tanto à posição propriamente dita, como à orientação e quando se fala em velocidade, considera-se tanto a velocidade linear como angular. Pode-se distinguir dois tipos de cinemática, a cinemática direta e a inversa. Na cinemática direta deseja-se obter a posição e velocidade do efetuador, para uma dada posição das articulações. A cinemática inversa é o oposto da cinemática direta, ou seja, são fornecidas a posição e a velocidade do efetuador e quer se obter as posições e velocidades correspondentes das articulações.
No capítulo 4 foram vistas as ferramentas matemáticas necessárias para se determinar a posição e orientação de corpos rígidos que se baseia na transformação de coordenadas. Neste capítulo, é apresentada a cinemática direta. A cinemática inversa será analisada no capítulo 5. Observa-se que neste capítulo, será visto como se calcula a posição, a orientação, a velocidade linear e angular do efetuador de um robô manipulador. A posição e velocidade dos outros ligamentos do robô podem ser facilmente calculadas de forma análoga às do efetuador.
Um manipulador consiste basicamente de uma série de corpos rígidos unidos entre si por articulações. A Figura 5-1, mostra um esquema de um manipulador. Será considerado somente manipuladores com estrutura cinemática do tipo aberta, como foi visto no capítulo 2.
Cada ligamento do manipulador pode ser numerado de 0 a n , como mostra a Figura 5-1. O ligamento da base, que é usualmente fixo em relação ao mundo externo, é numerado por conveniência como 0 e o efetuador, que é o último ligamento, é numerado como n. O objetivo é analisar a posição e a orientação do efetuador em função da posição de cada uma das articulações.
Para representar a posição e a orientação do efetuador, é posicionado o sistema de coordenadas On -x (^) n y (^) n z (^) n no efetuador. A posição e orientação deste sistema de coordenadas é descrito em relação ao sistema O 0 -x 0 y 0 z 0 , fixo na base, isto é, no primeiro ligamento. Define- se, também, para cada um dos demais ligamentos, um sistema de coordenadas Oi -x (^) i y (^) i z (^) i. É
pelo uso de matrizes homogêneas relacionando a transformação entre estes sistemas. Dessa forma, a posição e a orientação do efetuador em relação à base é obtida por uma composição de transformações homogêneas consecutivas, partindo-se do sistema da base para o último sistema (sistema do efetuador).
Para posicionar os sistemas de coordenadas nos ligamentos do manipulador de forma
Análise de Robôs (E. L. L. Cabral) 2
sistemática, é utilizada a notação de Denavit-Hartenberg. A notação de Denavit-Hartenberg é um método sistemático de descrever a posição e a orientação relativa entre dois ligamentos consecutivos, baseado na transformação homogênea.
Figura 5-1: Esquema da Estrutura de um Manipulador.
Notação de Denavit-Hartenberg
A Notação de Denavit-Hartenberg baseia-se no fato de que para determinar a posição relativa de duas retas no espaço, são necessários somente dois parâmetros. O primeiro parâmetro é a distância medida ao longo da normal comum entre as duas retas e o segundo é o ângulo de rotação em torno da normal comum, que uma das retas deve girar, de forma que fique paralela à outra. Observa-se que a normal comum entre duas retas no espaço é definida por uma terceira reta que intercepta as duas primeiras retas, com ângulos de 90°. Além disso, a distância medida entre as duas retas, ao longo da normal comum, é a menor distância entre as mesmas. A Figura 5-2 apresenta duas retas no espaço e os dois parâmetros necessários para descrever sua posição relativa.
-^ a^ •
Normal comun
Figura 5-2: Posição relativa de duas retas no espaço.
Análise de Robôs (E. L. L. Cabral) 4
A posição relativa entre dois sistemas de coordenadas consecutivos, sistemas Oi − 1 - x (^) i − 1 y (^) i − 1 z (^) i − 1 e Oi -x (^) i y (^) i z (^) i , é completamente determinada pelas posições relativas entre os eixos x (^) i − 1 e x (^) i , e entre os eixos z (^) i e z (^) i − 1 , que são definidas pelos quatro parâmetros seguintes:
Com estes quatro parâmetros, a posição e orientação do sistema de coordenadas i em relação ao sistema i −1 pode ser definida como uma sequência de quatro transformações:
Assim, tem-se, em resumo, as seguintes transformações:
onde os símbolos Rot e Trans significam respectivamente transformação de rotação e de translação. Em termos de transformações homogêneas, tem-se o seguinte:
. (5-2)
0 0 0 1
0
cos
0 0 0 1
0 0
0 0
1 0 0 0
0 0 0 1
0 0 1 0
0 1 0 0
1 0 0
0 0 0 1
0 0 1
0 1 0 0
1 0 0 0
0 0 0 1
0 0 1 0
0 0
0 0
−
−
=
−
−
− =
i i i
i i i i i i i
i i i i i i i
i i
i i
i
i
i i
i i
S C d
S C C S aS
C S C S S aC
S C
C S
a
d
S C
C S
α α
θ θ α θ α θ
θ θ α θ α θ
α α
θ θ α α
θ θ i Ai 1
Cinemática da Posição de Robôs Manipuladores 5
visto no capítulo 2, existem dois tipos de articulações em braços robóticos: articulações de revolução (ou de rotação) e articulações lineares (ou prismáticas). Se a articulação i for de
di é constante. Se a articulação i for prismática, o parâmetro di é a variável que representa a
Existem algumas exceções à notação de Denavit-Hartenberg , sendo estas as seguintes:
Posição e Orientação do Efetuador
Com a notação de Denavit-Hartenberg definida, pode-se obter a posição e orientação do efetuador em relação ao sistema da base (sistema O 0 - x 0 y 0 z 0 ) em função dos deslocamentos
do tipo de articulação. Para facilitar a nomenclatura, a posição das articulações será denotada por qi , definido como:
qi = di , se a articulação i for prismática.
Dessa forma, a posição e orientação do ligamento i relativo ao ligamento i −1 é descrita em
função de qi , através da matriz homogênea A ii − 1 ( qi ).
Como visto, um manipulador consiste de n + 1 ligamentos, com a base sendo o ligamento 0 e o efetuador o ligamento n. Portanto, do efetuador à base existem n transformações homogêneas consecutivas, assim, a posição e orientação do efetuador é dada por:
A n 0 = A^10 ( q (^) 1 )A^21 ( q 2 )...Ann − 1 ( qn ) , (5-3)
onde, A 0 n^ é a matriz homogênea que representa a posição e orientação do efetuador em
relação ao sistema da base, em função das posições de todas as articulações. Como A n 0 é uma
matriz homogênea ela tem a seguinte forma:
R x (^00 )
n 0
n 0
n (q ,...,q )
(q ,...,q ) (q ,...,q ) n
n n 1
Cinemática da Posição de Robôs Manipuladores 7
xn (direção normal)
zn (direção de ataque)
yn (direção de escorregamento)
Articulação n
Efetuador
zn − 1
On
Figura 5-4: Sistema de coordenadas do efetuador.
Exemplo 5.1 : Robô plano de duas articulações de revolução (2R).
A Figura 5-5 apresenta um esquema de um robô plano de duas articulações de revolução, com os sistemas de coordenadas posicionados nas articulações e no efetuador.
x 0
y 0
x 1
y 1
x 2
y 2
a 1 a 2
Figura 5-5: Esquema de um robô plano com duas articulações de revolução.
Os parâmetros de Denavit-Hartenberg para este robô são definidos na Tabela 5-1.
Tabela 5-1: Parâmetros de Denavit-Hartenberg do robô plano com dois graus de liberdade de revolução.
Análise de Robôs (E. L. L. Cabral) 8
Com estes parâmetros de Denavit-Hartenberg e a eq. (5-2) pode-se definir as matrizes de transformação homogênea do sistema de coordenadas da base para o sistema 1 e do sistema 1 para o sistema 2, fixo no efetuador, como abaixo.
C S a C S C a S
1 1 1 1 1 1 1 1
, e A 12 =
C S a C S C a S
2 2 2 2 2 2 2 2
matrizes resulta na matriz de transformação homogênea da base para o efetuador, como se segue:
C S a C a C S C a S a S
12 12 1 1 2 12 12 12 1 1 2 12
os dois primeiros elementos da quarta coluna são as componentes x e y do ponto O 2 , ou seja, as coordenadas do efetuador descritos em relação o sistema da base ( O 0 - x 0 y 0 z 0 ). Observa-se, também, que a orientação do efetuador é dada por uma rotação em torno do
Exemplo 5.2 : Robô de Stanford. A Figura 5-6 apresenta o robô de Stanford de 6 graus de liberdade, sendo 5 articulações de revolução e uma prismática.
A Figura 5-7 apresenta um esquema deste robô com as suas articulações e com os sistemas de coordenadas posicionados nos ligamentos. Os parâmetros de Denavit- Hartenberg correspondentes aos sistemas de coordenadas definidos na Figura 5-7 são apresentados na Tabela 5-2. Note que na configuração instantânea da Figura 5-7, o manipulador apresenta os sistemas de coordenadas 3 e 5 como sendo coincidentes e o eixo x 4 também coincidente com x 3. Contudo, qualquer alteração nas posições das
sistemas seja eliminada.
Tabela 5-2: Parâmetros de Denavit-Hartenberg do robô de Stanford.
3 0 0 d 3 * 0
Análise de Robôs (E. L. L. Cabral) 10
z 0
y 0
x 0
l 1
x 1
z 1
l 2
x 2
z 2
d 3
z 4
z 6
z 3 ≡ z 5
x 6
l 6
x 3 ≡ x 4 ≡ x 5
Figura 5-7: Esquema do robô de Stanford com os sistemas de coordenadas das articulações.
A posição e orientação do efetuador é obtida a partir das matrizes homogêneas acima e da eq. (5-3), resultando no seguinte:
r r r x r r r y r r r z
o
1 1 1 2 1 3 0
6
2 1 2 2 2 3
6
3 1 3 2 3 3 0
6
0 0 0 1
, , , , , , , , ,
onde os elementos da matriz A 06 acima, são dados pelas expressões seguintes:
r C C C C C S S S S C S S C C C S
r S C C C C S S S S C C S C C C S
1 1 1 2 4 5 6 4 6 2 5 6 1 4 5 6 4 6
2 1 1 2 4 5 6 4 6 2 5 6 1 4 5 6 4 6
,
,
Cinemática da Posição de Robôs Manipuladores 11
r S C C C S S C
r C C C C S S C S S S S S C S C C
r S C C C S S C S S S C S C S C C r S C C S S C C
3 1 2 4 5 6 4 6 2
1 2 1 2 4 5 6 4 6 2 5 6 1 4 5 6 4 6
2 2 1 2 4 5 6 4 6 2 5 6 1 4 5 6 4 6 3 2 2 4 5 6 4 6 2
,
,
, ,
5 6
5 6 r C C C S S C S r S C C S S C C r S C S C C x C S d S l l C C C S C S C S S S y S S d C l l S C C S S S C C
1 3 1 2 4 5 2 5 1 2 3 1 2 4 5 2 5 1 3 3 2 4 5 2 5 0
6 1 2 3 1 2 6 1 2 4 5 1 2 5 1 4 5 0
6 1 2 3 1 2 6 1 2 4 5 1 2 5 1
, , ,
4 5 4 5
z (^) o l C d l C C S C S
4 5 6 1 2 3 6 2 5 2 4 5
Observa-se que os elementos r (^) i,j formam a matriz de rotação da transformação do sistema da base para o sistema do efetuador, ou seja, a orientação do efetuador, e os elementos, x (^) 06 , y (^) 06 , e z 06 representam a posição do efetuador.
Pode-se definir o vetor q , como sendo um vetor coluna, que contém as posições de todas as articulações, da seguinte maneira, q = (q 1 , q 2 ,..., qn ) t^. Nota-se que o vetor q tem dimensão n x1, onde n é o número de articulações. O objetivo é encontrar o vetor velocidade linear, v (^) n ( ) q , e o vetor velocidade angular do efetuador, w (^) n ( ) q , descritos em relação ao
sistema de coordenadas da base, em função das velocidades das articulações.
Velocidade Linear do Efetuador
Como visto, x n 0 ( ) q é o vetor de posição do efetuador em relação ao sistema da base,
sendo função das posições de todas as articulações. Portanto, para obter a velocidade linear do efetuador, basta derivar este vetor em relação ao tempo, ou seja:
v
x n
0
n = =
d dt
dx dt dy dt dz dt
n
n
n
0
0
0
onde x (^) 0 n , y (^) on, e zon são as componentes x , y e z do vetor posição do efetuador. Como o vetor
x 0 n^ é função da posição de todas as articulações, as derivadas das suas componentes em
relação ao tempo são obtidas pela regra da cadeia, sendo dadas por:
v x
x q
q
x q
q
x q n x n q
n n n
n
, =^ &^0 =^ &^ +^ &^ +...^ + & n
0 1
1
0 2
2
Cinemática da Posição de Robôs Manipuladores 13
sistema de coordenadas do efetuador, ponto On , descrito em relação ao sistema de coordenadas da base.
Observando as eq. (5-12) e (5-13) pode-se concluir que a coluna i da matriz Jv é dada por:
− −
− , seaarticulacão forde revolucão.
, seaarticulacão forprismatica,e i
i i i 1 i1, n
i 1 v (^) z r
z J (5-14)
Velocidade Angular do Efetuador
A velocidade angular do ligamento i ou, do sistema de coordenadas i , relativa ao
seguinte expressão:
w
k i
(i ) qi^ i i
1 0
, se a articulacao for de revolucao; se a articulacao for de translacao;
Observa-se que w (^) i^ (^ i^ −^1 )^ é a velocidade angular da articulação i vista pelo sistema de
Para exprimir a velocidade angular w (^) i^ (^ i^ −^1 )^ em relação ao sistema de coordenadas da
base, basta descrever o versor k em relação ao sistema da base. Para isso realiza-se a transformação de rotação que leva o sistema da base ao sistema i −1, ou seja,
R i 0^ −^^1 w (^) i (^ i −^1 )^ = R 0 i^ −^1 q & (^) i k = q & i zi − 1. (5-16)
Note que o produto R 0 i^ −^^1 k representa o versor do eixo da articulação i (eixo z (^) i − 1 ) descrito em
relação ao sistema de coordenadas da base, que é denominado por zi − 1.
A velocidade angular do efetuador descrita em relação ao sistema da base, é a soma das velocidades angulares de todos os ligamentos, expressas todas em relação ao sistema de coordenadas da base. Assim, a velocidade angular do efetuador, descrita em relação à base, é dada por:
Obviamente, se a articulação i for prismática, ela não contribui para a velocidade angular do
representa o seguinte:
0 ,seaarticulacão fordetranslacão.
1 ,seaarticulacão forderevolucão; i
i
Análise de Robôs (E. L. L. Cabral) 14
A velocidade do efetuador escrita em função das velocidades das articulações, pode ser obtida pela substituição da eq. (5-16) na expressão acima, obtendo-se o seguinte resultado:
w (^) n = ρ i q & 1 z 0 + ρ 2 q & 2 z 1 + ... + ρ n q & n zn 1 −. (5-18)
Esta equação pode ser escrita de forma matricial, da seguinte maneira:
w (^) n = J (^) w ( ) q q &^ , (5-19)
onde Jw é uma matriz de dimensão 3x n , cujas colunas são os eixos das articulações descritas no sistema da base multiplicados por um indicador que fornece o tipo da articulação, ou seja,
Observa-se que cada coluna de Jw representa a contribuição da respectiva articulação na velocidade angular do efetuador.
Pode-se unir as relações das velocidades linear e angular do efetuador em função das velocidades das articulações em uma mesma equação, resultando no seguinte:
v w
J q J q
q n n
V W
ou, definindo o vetor Vn = ( v , w (^) n n ) t^ , tem-se:
Vn = J q q ( ) &^. (5-22)
A matriz J ( q ) é definida como sendo a Matriz Jacobiano do efetuador. Esta matriz relaciona as velocidades linear e angular do efetuador, expressas no sistema de coordenadas da base, com as velocidades das articulações, para uma dada configuração do manipulador.
Em resumo, a coluna i da Matriz Jacobiano de um manipulador é dada pela seguinte expressão:
z r i z
i 1 i 1,n i 1
− − −
, se a articulação i for de revolução; e (5-23)
z i
− 0
, se a articulação i for de translação. (5-24)
A dimensão da Matriz Jacobiano é m x n , onde m é o número de linhas, que é igual ao número de graus de liberdade do campo de trabalho do robô e n é o número de colunas, que é igual ao número de articulações do robô. Para um robô que trabalha no espaço, m será no máximo igual a 6 e para um robô que trabalho no plano, m será no máximo igual a 3. Os 6 graus de liberdade do espaço correspondem aos três graus de liberdade de posicionamento e
Análise de Robôs (E. L. L. Cabral) 16
v 2 =
a S a S a S a C a C a C
1 1 2 12 1 2 12 2 1 1 2 12 1 2 12 2 0
θ θ θ θ ; w (^) 02 1 2
θ&^ θ&
Observa-se que a velocidade linear do efetuador poderia também ser obtida pela derivação no tempo do vetor posição do efetuador ( O O 0 2 ), conforme as eq. (5-6), (5-7) e (5-8), resultando exatamente na mesma expressão acima.
Exemplo 5.4: Velocidade linear e angular do centro do segundo ligamento de um robô de três articulações de revolução no plano.
x 0
y 0
θ 1
x 1
y 1
θ 2
x 2
y 2 θ 3
x 3
y 3
O c
l c
a 1
Figura 5-8: Esquema de um robô plano com três articulações de revolução.
A Figura 5-8 apresenta um esquema do robô de 3 articulações no plano. Da mesma forma que realizado no exemplo anterior, a eq. (5-23) pode ser aplicada para se obter a velocidade angular e linear de qualquer ponto dos ligamentos de um robô. A única diferença é que os vetores posição utilizados relaciona a posição do ponto desejado ao centro de cada um dos sistemas de coordenadas, como se segue:
z z z z
0 1 0 1
O O 0 (^) c 2 O O 1 c 2 0 0
onde;
a C 0 1 a S
1 1 1 1 0
a C l C c a S^ l^ S
c 0 2 c
1 1 2 12 1 1 2 12 0
Cinemática da Posição de Robôs Manipuladores 17
l C c c l^ S
c 1 2 0 2 0 1 c
2 12 2 12 0
; z 0 = z 1 =
Observa-se que a terceira coluna da Matriz Jacobiano neste caso é igual a zero porque a velocidade linear e angular do segundo ligamento não é afetada pelo movimento da terceira articulação.
Substituindo as expressões dos vetores de posição e dos eixos das articulações na expressão da Matriz Jacobiano resulta em:
a S l S l S a C l C l C
c c c c
1 1 2 12 2 12 1 1 2 12 2 12 0 0 0 0 0 0 1 1
As velocidades linear e angular do centro do segundo ligamento são obtidas pela multiplicação da Matriz Jacobiano correspondente pelo vetor velocidade das articulações, resultando no seguinte:
v (^) c2 =
a S l S l S a C l C l C
c c c c
1 1 2 12 1 2 12 2 1 1 2 12 1 2 12 2 0
θ θ θ θ ; w (^) c2 =
1 2
Um dos conceitos mais complexos na área de cinemática de corpos rígidos é o conceito de velocidade angular. Este fato é reconhecido por diversos atores, podendo-se destacar algumas citações, como as seguintes:
A definição encontrada para a velocidade angular de um corpo rígido na maioria dos livros, é a seguinte:
w t t
∆→
Cinemática da Posição de Robôs Manipuladores 19
Por outro lado, tem-se que a velocidade linear do ponto P , cuja posição é definida pelo vetor r 0 no sistema O 0 - x 0 y 0 z 0 , fixo em um corpo rígido girando com velocidade angular w em relação ao sistema O 0 - x 0 y 0 z 0 , é dada pela seguinte expressão:
v = w × r 0 , (5-28)
onde o símbolo × denota produto vetorial. Esta expressão pode ser escrita de outra forma mais conveniente, ou seja,
v = Ω r 0 , (5-29)
onde Ω é uma matriz de dimensão 3x3, dada por,
w w w w w w
z y z x y x
Observa-se que as expressões (5-28) e (5-29) fornecem o mesmo resultado, sendo que a matriz Ω representa simplesmente uma forma mais conveniente de escrever o vetor velocidade angular de um corpo rígido. Substituindo a expressão (5-26) na eq. (5-30), resulta no seguinte:
v = Ω Rr (^) 1. (5-31)
Igualando-se as expressões (5-27) e (5-31) obtém-se uma relação entre a derivada da matriz de rotação e a velocidade angular, ou seja:
ou, invertendo-se,
Ω = RR & t^. (5-33)
Estas duas expressões são muito importantes, pois elas relacionam a velocidade angular de um corpo com a matriz de rotação e com a derivada da matriz de rotação. Observa-se que a matriz de rotação R representa a orientação do corpo no sistema O 0 - x 0 y 0 z 0 e a sua derivada representa a variação da orientação do corpo.
Observa-se que na expressão (5-21), a velocidade linear do efetuador pode ser obtida simplesmente pela derivação no tempo da posição do efetuador. Assim, se for conhecida a posição inicial do efetuador e a sua velocidade linear em função do tempo, a posição do efetuador em qualquer instante pode ser calculada pela integração da sua velocidade no tempo. Contudo, o mesmo raciocínio não é válido para a orientação, pois, no caso de robôs manipuladores, o eixo instantâneo de rotação normalmente não é conhecido, além de variar a todo instante. Dessa forma, a integração da velocidade angular do efetuador não fornece a sua
Análise de Robôs (E. L. L. Cabral) 20
posição angular ou, sua orientação. Nestes casos, a parcela da eq. (5-21) que fornece a velocidade angular do efetuador em função das velocidades das articulações às vezes não é muito útil. Nesta seção será obtida uma expressão para descrever a variação da orientação do efetuador em função das velocidades das articulações.
Como visto na seção 5.1, a orientação do efetuador é função das posições das articulações, dessa forma, pode-se definir o seguinte sistema de equações não lineares:
y 0 n^ = f q ( ) , (5-34)
onde o vetor y n 0 , de dimensão m x1, contém a orientação do efetuador e f é um vetor de
funções de dimensão m x1. A orientação do efetuador pode ser descrita por diversos parâmetros, como por exemplo, os elementos da matriz de rotação, os ângulos de Euler, os parâmetros de Euler-Rodrigues e outros.
A partir da teoria de cálculo diferencial, dado o sistema de equações não lineares, da forma da eq. (5-34), a derivada em relação ao tempo da orientação do efetuador, ou seja, do
vetor y 0 n^ é dada por:
y^ &^ 0 n = J (^) o ( ) q q &, (5-35)
onde Jo é uma matriz jacobiano de dimensão m x n. Podem existir várias matrizes Jo , dependendo dos parâmetros utilizados para descrever a orientação do efetuador contidos no
vetor y 0 n^. Assim, se for utilizada a matriz de rotação, como obtido na eq. (5-4), repetida
abaixo:
R x (^00 )
n 0
n 0
n (q q )
(q q ) (q q ) n
n n 1
tem-se, para o vetor y 0^ n^ , o seguinte:
y 0 n^ = ( r 1 1 (^) , , r 1 2 (^) , , K , r 3 3,)t^ (5-36)
e para a matriz Jo ,
J (^) o =
r q
r q
r q r q
r q
r q
r q
r q
r q
n
n
1 1 1
1 1 2
1 1
1 2 1
1 2 1
1 2 1
3 3 1
3 3 2
3 3
, , ,
, , ,
, , ,
onde r (^) i,j é o elemento da i -ésima linha e j -ésima coluna da matriz R 0 n^. Observa-se que neste
caso o vetor y 0 n^ terá dimensão 9x1.