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Regime Transitório em Circuitos: Estudo de Exemplos RC, RL e RLC, Exercícios de Circuitos Elétricos

Neste documento, aprenda a compreender o regime transitório em circuitos elétricos, especificamente no contexto de circuitos rc, rl e rlc. Saiba como determinar as correntes, tensões e cargas a partir do momento em que um interruptor se fecha, utilizando equações diferenciais e soluções genéricas. Ensaie exercícios para consolidar o conhecimento.

Tipologia: Exercícios

2021

Compartilhado em 15/05/2021

paulo-sergio-dalvi
paulo-sergio-dalvi 🇧🇷

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bg1
Regimetransitórioemcircuitos
Éconhecimentocomumqueaquasetotalidadedoscircuitosreaisqueconhecemostemuminterruptor
atravésdoqualiniciameterminamoseufuncionamento.
Atéaqui,onossoestudodecircuitostemignoradoaquestãodesaberoquesepassanatransiçãodo
“antes”parao“depois”dofecho(ouaocontrário)desseinterruptor.
Oconhecimentorigorosodestatransiçãoémuitoimportanteeédelequeagoranosvamosocupar.
Comoéhabitual,vamosestudaroscasoscanónicos,poisapartirdestespodemdeduzirsetodosos
outros.
CircuitoRC.
Onossoobjectivoéconheceraformacomoevoluemascorrentes,tensõesecargaapartirdoinstante
emquesefechaointerruptorS,nocircuitodafigura.
QuandoSfecha,estabeleceseumacorrentei(t)quecarregaoC.Aequaçãodamalhaqueentãose
formapermiteescreveraequaçãodocircuito:
.󰇛󰇜󰇛󰇜
,ou(1)
.
 󰇛󰇜
 pois

Estaequaçãodiferencialpodeescreverseusandoumanotaçãoconhecida
VR.∆q
C
Etem,comosesabe,umasoluçãoqueéasomadointegralgeraldaequaçãohomogénearespectiva
comumintegralparticulardaeq.completa.
Oraaeq.homogéneaé
.∆
0ou󰇡.
󰇢0 ouainda󰇡∆
󰇢0
easoluçãoé
V
SR
C
V
SR
C
+
i(t)
Figura1RegimetransitórionumcircuitoRC.Àesquerda,ocircuitoantesdofechodointerruptorcomC
descarregado.Àdireita,depoisdofechodointerruptorS,omesmocircuitocomacorrentei(t)quese
estabeleceparacarregarC.
pf3
pf4
pf5

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Baixe Regime Transitório em Circuitos: Estudo de Exemplos RC, RL e RLC e outras Exercícios em PDF para Circuitos Elétricos, somente na Docsity!

Regime transitório em circuitos

É conhecimento comum que a quase totalidade dos circuitos reais que conhecemos tem um interruptor

através do qual iniciam e terminam o seu funcionamento.

Até aqui, o nosso estudo de circuitos tem ignorado a questão de saber o que se passa na transição do

“antes” para o “depois” do fecho (ou ao contrário) desse interruptor.

O conhecimento rigoroso desta transição é muito importante e é dele que agora nos vamos ocupar.

Como é habitual, vamos estudar os casos canónicos, pois a partir destes podem deduzir‐se todos os

outros.

Circuito RC.

O nosso objectivo é conhecer a forma como evoluem as correntes, tensões e carga a partir do instante

em que se fecha o interruptor S, no circuito da figura.

Quando S fecha, estabelece‐se uma corrente i(t) que carrega o C. A equação da malha que então se

forma permite escrever a equação do circuito :

௤ሺ௧ሻ

, ou (1)

ௗ௤

ௗ௧

௤ሺ௧ሻ

pois ݅ ൌ

ௗ௤

ௗ௧

Esta equação diferencial pode escrever‐se usando uma notação já conhecida

V ൌ R. ∆q ൅

C

E tem, como se sabe, uma solução que é a soma do integral geral da equação homogénea respectiva

com um integral particular da eq. completa.

Ora a eq. homogénea é

ൌ 0 ou ቀ .ܴ∆ ൅

ቁ ݍൌ 0 ou ainda ቀ∆ ൅

ோ஼

e a solução é

V

S

R

C

V

S R

C

i(t)

Figura 1 – Regime transitório num circuito RC. À esquerda, o circuito antes do fecho do interruptor com C

descarregado. À direita, depois do fecho do interruptor S, o mesmo circuito com a corrente i(t) que se

estabelece para carregar C.

qሺtሻ ൌ A. εି

భ RC

୲ , em que A é a constante de integração.

A solução completa escreve‐se

qሺtሻ ൌ A. εି

భ RC

  • k (2)

em que k é o integral particular da eq. completa.

Determinemos A e k a partir de condições fronteira conhecidas:

  1. ݍሺ0ሻ ൌ 0 (o condensador está inicialmente descarregado)

(o condensador acaba por carregar até ficar com a tensão V)

A primeira permite escrever 0 ൌ ܣ൅݇ ՜ ݇െ ൌ ܣ

e a segunda

஼ ௏

qሺtሻ ൌ ܸܥെ ܸܥ. εି

భ ೃ಴ ୲

qሺtሻ ൌ CV ቀ1 െ εି

భ RC

୲ ቁ (3)

que é a solução procurada.

Notemos que o factor ܴ ܥ tem a dimensão ିݐ

ଵ , de tal forma que o expoente da exponencial fica

adimensional, como tinha de ser. Este factor chama‐se constante temporal do circuito e tem um signi‐

ficado físico óbvio: dá uma medida da rapidez com que o regime transitório se estabelece ou extingue.

O conhecimento de qሺtሻ através da equação (3) permite conhecer todas as outras correntes e tensões

do circuito:

iሺtሻ ൌୢ

୯ୢ

V

R

εି

భ RC ୲^ (4)

vR ሺtሻ ൌ R. iሺtሻ ൌ V εି

భ RC ୲^ (5)

vC ሺtሻ ൌ

୯ሺ୲ሻ

C

ൌ V ቀ1 െ εି

భ RC

୲ ቁ (6)

Circuito RL.

Equações do circuito

ௗ௜

ௗ௧

, ou (1)

V ൌ ሺL∆ ൅ Rሻi

A solução desta eq. diferencial é da forma

ோ ௅௧^ ܤ ൅

V

S R

L

iሺtሻ ൌ

V

L

க ∆భ౪ ି^ க ∆మ౪

∆ (^) భି ∆ (^) మ

Para dar forma à solução, podem distinguir‐se três casos

1. ܴට^

3. ܴට ଶ^ െ 4

Caso 1.

A solução assume a forma de soma de duas exponenciais. No caso de ser ainda ܴ ଶ^ 0 ب ܥܮ4 െ a solução

fica

భ ೃ಴

ೃ ಽ

Caso 2.

No limite, quando ܴට ଶ^ െ 4

tende para zero, fica

ோ ଶ௅௧

O regime transitório, neste caso, tende a desvanecer‐se mais rapidamente.

Caso 3.

Aqui, as raízes ߣଵ e ߣଶ não são reais mas, antes, complexas.

Fazendo ݓ௡ ൌ ට^

௅஼

ோ మ

ସ௅మ

vem ߣଵ ߣ െଶ ݓ݆2 ൌ (^) ௡

e

A equação (11) pode escrever‐se

ோ ଶ௅

௝௪೙ ௧

௝௪ (^) ೙ ௧

que simplifica para

ோ ଶ௅

sin ݓ௡ ݐ

Esta expressão significa que a corrente oscila com uma frequência angular ݓ௡ e amplitude a decair

exponencialmente.

Na figura seguinte estão representados os traçados típicos da corrente nos três casos estudados.

Corrente

Caso 1 Caso 2 Caso 3

Tempo ‐ segundos