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curativos e coberturas, Notas de estudo de Enfermagem

escolha do curativo

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 27/02/2013

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Franco et al. Feridas Cutâneas: A Escolha do Curativo Adequado
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Vol. 35 - Nº 3, Mai. / Jun. 2008
Artigo de Atualização ISSN 0100-6991
FERIDAS CUTÂNEAS: A ESCOLHA DO CURATIVO ADEQUADO
SKIN WOUNDS: ADEQUATE DRESSING CHOICE
Diogo Franco1; Luiz Fernando Gonçalves2
1. Mestre e Doutor em Cirurgia Plástica pela UFRJ; Professor Adjunto do Serviço de Cirurgia Plástica do HUCFF – UFRJ; TCBC.
2. Mestre em Cirurgia Plástica pela UFRJ; TCBC.
Recebido em 15/08/2007
Aceito para publicação em 23/10/2007
Conflito de interesses: nenhum
Fonte de financiamento: nenhuma
Trabalho realizado no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
INTRODUÇÃO
Os curativos são uma forma de tratamento das feri-
das cutâneas e sua escolha depende de fatores intrínsecos e
extrínsecos. O tratamento das feridas cutâneas é dinâmico e
depende, a cada momento, da evolução das fases de cicatriza-
ção. Atualmente são inúmeras as opções de curativos exis-
tentes no mercado. Os recursos financeiros do paciente e/ou
da unidade de saúde, a necessidade de continuidade da utili-
zação do curativo, inclusive com visitas domiciliares, e a ava-
liação de benefícios e custos são alguns dos aspectos a se-
rem considerados no momento da escolha do tipo de curati-
vo, que devem ser adequados à natureza, à localização e ao
tamanho da ferida. Embora haja uma grande variedade de cu-
rativos, um só tipo de curativo não preenche os requisitos
para ser aplicado em todos os tipos de feridas cutâneas.
Para incisões cirúrgicas, a oclusão deverá ser por 24
a 48 horas mantendo o curativo seco.
Nas feridas abertas, a antiga controvérsia entre cu-
rativo seco e curativo úmido deu lugar a uma proposta atual
de oclusão e manutenção do meio úmido.
A cicatrização através do meio úmido tem as seguin-
tes vantagens quando comparadas ao meio seco1-7: prevenir
a desidratação do tecido que leva à morte celular; acelerar a
angiogênese; estimular a epitelização e a formação do tecido
de granulação; facilitar a remoção de tecido necrótico e fibrina;
servir como barreira protetora contra microorganismo; pro-
mover a diminuição da dor; evitar a perda excessiva de líqui-
dos; e evitar traumas na troca do curativo.
CURATIVOS COM POMADAS OU ÓLEOS – têm
como exemplos comumente utilizados os seguintes curati-
vos1,2,5,8,9.
Curativo com Sulfadiazina de Prata
Composição: sulfadiazina de prata a 1% hidrofílica.
Mecanismo de ação: o íon prata causa a precipitação
de proteínas e age diretamente na membrana citoplasmática
da célula bacteriana, exercendo ação bactericida imediata, e
ação bacteriostática residual, pela liberação de pequenas quan-
tidades de prata iônica.
Indicação: feridas causadas por queimaduras ou que
necessitem ação antibacteriana.
Contra indicação: hipersensibilidade a sulfas.
Modo de usar: remover o excesso de pomada e teci-
do desvitalizado. Lavar a ferida e aplicar o creme,
assepticamente, em toda extensão da lesão (5 mm de espes-
sura). Colocar gaze de contato úmida. Cobrir com curativo
estéril. Periodicidade de troca: no máximo a cada 12 horas
ou quando a cobertura secundária estiver saturada. No mo-
mento da troca a pomada pode apresentar aspecto purulento
devido a sua oxidação sem, contudo apresentar infecção real.
Exemplo comercial: Dermazine®; Pratazine®
Curativo com Pomada Enzimática – Colagenase
Composição: colagenase clostridiopeptidase A e
enzimas proteolíticas.
Mecanismo de ação: age degradando o colágeno
nativo da ferida.
Indicação: feridas com tecido desvitalizado.
Contra indicação: feridas com cicatrização por pri-
meira intenção.
Modo de usar: aplicar a pomada sobre a área a ser
tratada. Colocar gaze de contato úmida. Cobrir com gaze de
cobertura seca e fixar.
Periodicidade de troca: a cada 24 horas.
Exemplo comercial: Iruxol®; Kollagenase®; Santyl®
Curativo com Ácidos Graxos Essenciais (AGE)
Composição: óleo vegetal composto por ácido linoleico,
ácido caprílico, ácido cáprico, vitamina A, E e lecitina de soja.
Mecanismo de ação: promove a quimiotaxia e a
angiogênese, mantém o meio úmido e acelera o processo de
granulação tecidual. A aplicação em pele íntegra tem grande
absorção, forma uma película protetora na pele, previne esco-
riações devido à alta capacidade de hidratação e proporciona
nutrição celular local.
Indicação: prevenção de úlceras de pressão, feridas
abertas superficiais com ou sem infecção.
Contra indicação: não relatada.
Modo de usar: remover o exsudato e o tecido
desvitalizado. Espalhar o AGE no leito da ferida ou embeber
gazes estéreis de contato o suficiente para manter o leito da
ferida úmido até a próxima troca. Ocluir com cobertura secun-
dária estéril de gaze e fixar.
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Franco et al. Feridas Cutâneas: A Escolha do Curativo Adequado Vol. 35 - Nº 3, Mai. / Jun. 2008

Artigo de Atualização ISSN 0100-

FERIDAS CUTÂNEAS: A ESCOLHA DO CURATIVO ADEQUADO

SKIN WOUNDS: ADEQUATE DRESSING CHOICE

Diogo Franco^1 ; Luiz Fernando Gonçalves^2

  1. Mestre e Doutor em Cirurgia Plástica pela UFRJ; Professor Adjunto do Serviço de Cirurgia Plástica do HUCFF – UFRJ; TCBC.
  2. Mestre em Cirurgia Plástica pela UFRJ; TCBC. Recebido em 15/08/ Aceito para publicação em 23/10/ Conflito de interesses: nenhum Fonte de financiamento: nenhuma Trabalho realizado no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

INTRODUÇÃO

Os curativos são uma forma de tratamento das feri- das cutâneas e sua escolha depende de fatores intrínsecos e extrínsecos. O tratamento das feridas cutâneas é dinâmico e depende, a cada momento, da evolução das fases de cicatriza- ção. Atualmente são inúmeras as opções de curativos exis- tentes no mercado. Os recursos financeiros do paciente e/ou da unidade de saúde, a necessidade de continuidade da utili- zação do curativo, inclusive com visitas domiciliares, e a ava- liação de benefícios e custos são alguns dos aspectos a se- rem considerados no momento da escolha do tipo de curati- vo, que devem ser adequados à natureza, à localização e ao tamanho da ferida. Embora haja uma grande variedade de cu- rativos, um só tipo de curativo não preenche os requisitos para ser aplicado em todos os tipos de feridas cutâneas. Para incisões cirúrgicas, a oclusão deverá ser por 24 a 48 horas mantendo o curativo seco. Nas feridas abertas, a antiga controvérsia entre cu- rativo seco e curativo úmido deu lugar a uma proposta atual de oclusão e manutenção do meio úmido. A cicatrização através do meio úmido tem as seguin- tes vantagens quando comparadas ao meio seco1-7: prevenir a desidratação do tecido que leva à morte celular; acelerar a angiogênese; estimular a epitelização e a formação do tecido de granulação; facilitar a remoção de tecido necrótico e fibrina; servir como barreira protetora contra microorganismo; pro- mover a diminuição da dor; evitar a perda excessiva de líqui- dos; e evitar traumas na troca do curativo.

CURATIVOS COM POMADAS OU ÓLEOS – têm como exemplos comumente utilizados os seguintes curati- vos1,2,5,8,9.

Curativo com Sulfadiazina de Prata Composição: sulfadiazina de prata a 1% hidrofílica. Mecanismo de ação: o íon prata causa a precipitação de proteínas e age diretamente na membrana citoplasmática da célula bacteriana, exercendo ação bactericida imediata, e ação bacteriostática residual, pela liberação de pequenas quan- tidades de prata iônica. Indicação: feridas causadas por queimaduras ou que necessitem ação antibacteriana.

Contra indicação: hipersensibilidade a sulfas. Modo de usar: remover o excesso de pomada e teci- do desvitalizado. Lavar a ferida e aplicar o creme, assepticamente, em toda extensão da lesão (5 mm de espes- sura). Colocar gaze de contato úmida. Cobrir com curativo estéril. Periodicidade de troca: no máximo a cada 12 horas ou quando a cobertura secundária estiver saturada. No mo- mento da troca a pomada pode apresentar aspecto purulento devido a sua oxidação sem, contudo apresentar infecção real. Exemplo comercial: Dermazine®; Pratazine®

Curativo com Pomada Enzimática – Colagenase Composição: colagenase clostridiopeptidase A e enzimas proteolíticas. Mecanismo de ação: age degradando o colágeno nativo da ferida. Indicação: feridas com tecido desvitalizado. Contra indicação: feridas com cicatrização por pri- meira intenção. Modo de usar: aplicar a pomada sobre a área a ser tratada. Colocar gaze de contato úmida. Cobrir com gaze de cobertura seca e fixar. Periodicidade de troca: a cada 24 horas. Exemplo comercial: Iruxol®; Kollagenase®; Santyl®

Curativo com Ácidos Graxos Essenciais (AGE) Composição: óleo vegetal composto por ácido linoleico, ácido caprílico, ácido cáprico, vitamina A, E e lecitina de soja. Mecanismo de ação: promove a quimiotaxia e a angiogênese, mantém o meio úmido e acelera o processo de granulação tecidual. A aplicação em pele íntegra tem grande absorção, forma uma película protetora na pele, previne esco- riações devido à alta capacidade de hidratação e proporciona nutrição celular local. Indicação: prevenção de úlceras de pressão, feridas abertas superficiais com ou sem infecção. Contra indicação: não relatada. Modo de usar: remover o exsudato e o tecido desvitalizado. Espalhar o AGE no leito da ferida ou embeber gazes estéreis de contato o suficiente para manter o leito da ferida úmido até a próxima troca. Ocluir com cobertura secun- dária estéril de gaze e fixar.

Feridas Cutâneas: A Escolha do Curativo Adequado Diogo Franco et al. Rev. Col. Bras. Cir.

Periodicidade de troca: sempre que o curativo secun- dário estiver saturado ou, no máximo, a cada 24 horas. Exemplo comercial: Agederm®; Ativoderme®; Dersani®

CURATIVOS ESPECIAIS – são curativos desen- volvidos com propostas bem definidas 3,4,6,10-14.

Curativo com Hidrocolóides Composição: camada externa de espuma de poliuretano e outra interna composta de gelatina, pectina e carboximetilcelulose sódica. Mecanismo de ação: estimula a angiogênese e o desbridamento autolítico. Acelera o processo de granulação tecidual. Indicação: feridas abertas não infectadas, com leve a moderada exsudação. Prevenção ou tratamento de úlceras de pressão não infectadas. Contra indicação: feridas colonizadas ou infectadas. Feridas com tecido desvitalizado ou necrose e queimaduras de 3o^ grau. Modo de usar: lavar a ferida. Escolher o hidrocolóide, com diâmetro que ultrapasse a borda da ferida pelo menos 3 cm. Periodicidade de troca: a cada um a sete dias, depen- dendo da quantidade de exsudação. Vantagens: é à prova d’água e lavável, retém odores, tem boa aparência e formas variadas que possibilitam adequa- ção à área cruenta, podendo inclusive ser empregado em le- sões da articulações. Desvantagens: a pele poderá ficar macerada se a exsudação se tornar abundante. Exemplo comercial: Comfeel®; Duoderm®; Hydrocoll®; Tegasorb®

Curativo com Hidrogel Composição: gel transparente, incolor, composto por: água (77,7%), carboximetilcelulose (CMC-2,3%) e propilenoglicol (PPG-20%). Mecanismo de ação: amolece e remove tecido desvitalizado através de desbridamento autolítico. A água mantém o meio úmido, o CMC facilita a re-hidratação celular e o desbridamento. O PPG estimula a liberação de exsudato. Indicação: feridas superficiais moderada ou baixa exsudação. Remover as crostas, fibrinas, tecidos desvitalizados ou necrosados. Contra indicação: pele íntegra e incisões cirúrgicas fechadas. Modo de usar: lavar o leito da ferida. Espalhar o cura- tivo ou introduzi-lo na cavidade assepticamente. Ocluir a feri- da com cobertura secundária estéril. Periodicidade de troca: a cada um a três dias, depen- dendo da quantidade de exsudato. Vantagens: sensação de alívio na ferida e promove o desbridamento autolítico. Desvantagens: desidrata rapidamente e é relativa- mente caro.

Exemplo comercial: Duoderm Gel®; Hydrosorb®; Hypergel®; Nu-Gel®

Curativo com Alginato de Cálcio Composição: fibras de puro alginato de cálcio deri- vado de algas marinhas. Mecanismo de ação: o sódio presente no exsudato e no sangue interage com o cálcio presente no curativo de alginato. A troca iônica auxilia no desbridamento autolítico, tem alta capacidade de absorção, resulta na formação de um gel que mantém o meio úmido para a cicatrização e induz a hemostasia. Indicação: feridas abertas, sangrantes, altamente exsudativas com ou sem infecção, até a redução do exsudato. Contra indicação: lesões superficiais com pouca u nenhuma exsudação; queimaduras. Modo de usar: remover exsudato e o tecido desvitalizado. Modelar o alginato no interior da ferida umede- cendo a fibra com solução fisiológica. Não deixar que a fibra de alginato ultrapasse a borda da ferida. Ocluir com cobertura secundária estéril. Periodicidade de troca: feridas infectadas (24 horas), feridas limpas com sangramento (48 horas), feridas limpas ou exsudação intensa (quando saturar). Trocar o curativo secun- dário sempre que estiver saturado. Vantagens: elevado poder de absorção e eficiente estímulo à granulação. Desvantagens: poderá lesar as bordas da ferida pela sua função autolítica. Exemplo comercial: Algoderm®; Curasorb®; Sorbalgon®; Tegagen®

Curativos com Carvão Ativado Composição: tecido carbonizado e impregnado com nitrato de prata a 0,15%, envolto por camada de tecido sem carvão ativado. Mecanismo de ação: o carvão ativado absorve o exsudato e filtra o odor. A prata exerce ação bactericida. Indicação: feridas fétidas, infectadas e exsudativas. Contra indicação: feridas limpas e lesões de queima- duras. Modo de usar: remover o exsudato e o tecido desvitalizado. Colocar o curativo de carvão ativado sobre a ferida.e oclui-la com cobertura secundária estéril. Periodicidade de troca: a cada 1-4 dias, dependendo da quantidade de exsudação. Vantagens: método eficaz para controle do mau odor e é de fácil aplicação. Desvantagens: não pode ser cortado, pois ocorre liberação do carvão e da prata. Exemplo comercial: Carboflex®; Vliwaktiv®

Curativo Adesivo de Hidropolímero Composição: almofada de espuma composta de ca- madas sobrepostas de não tecido e hidropolímero e revestida por poliuretano. Mecanismo de ação: proporciona um ambiente úmi- do e estimula o desbridamento autolítico. Absorve o exsudato e expande-se à medida que a absorção se faz.

Feridas Cutâneas: A Escolha do Curativo Adequado Diogo Franco et al. Rev. Col. Bras. Cir.

REFERÊNCIAS

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  4. Hutchinson JJ, McGuckin M. Occlusive dressings: a microbiologic and clinical review. Am J Infect Control. 1990; 18(4):257-68.
  5. Johnson A. Journal of Wound Care Nursing. Dressings for deep wounds. Nurs Times. 1992; 88(4):56-8.
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  8. Declair V, Carmona MP, Cruz JA. Ácidos graxos essenciais (AGEs) protetores celulares dos mecanismos agressivos da lesão hipóxica. Dermatologia Atual. 1998; 4(1):1-7.
  9. Salcido RS. Silver: an old wine in a new bottle. Adv Skin Wound Care. 2006; 19(9): 472-4.
  10. Worley CA. So, what do I put on this wound? Making sense of the wound dressing puzzle: Part I. Medsurg Nurs. 2006; 15(2): 106-7.
  11. Worley CA. So, what do I put on this wound? Making sense of the wound dressing puzzle: Part II. Medsurg Nurs. 2006; 15(3):182-4.
    1. Worley CA. So, what do I put on this wound? Making sense of the wound dressing puzzle: Part III. Medsurg Nurs. 2006; 15(4):251-2.
    2. Stoeckel WT, David L, Levine EA, Argenta AE, Perrier ND. Vacuum-assisted closure for the treatment of complex breast wounds. Breast. 2006; 15(5):610-3. Epub 2006 Jan 27.
    3. Campbell PE. Surgical wound case studies with the versatile 1 wound vacuum system for negative pressure wound therapy. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2006;33(2):176-85; discussion 185-90.
    4. Kirshen C, Woo K, Ayello EA, Sibbald RG. Debridement: a vital component of wound bed preparation. Adv Skin Wound Care. 2006; 19(9):506-17; quiz 517-9.

Como citar este artigo: Franco D, Gonçalves LF. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. Rev Col Bras Cir. [periódico na Internet] 2008; 35(3). Disponível em URL: http://www.scielo.br/rcbc

Endereço para correspondência: Dr. Diogo Franco Praia de Botafogo, 528 apto 1304 – A 22250- Rio de Janeiro - RJ E-mail: [email protected]