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escolha do curativo
Tipologia: Notas de estudo
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Franco et al. Feridas Cutâneas: A Escolha do Curativo Adequado Vol. 35 - Nº 3, Mai. / Jun. 2008
Diogo Franco^1 ; Luiz Fernando Gonçalves^2
Os curativos são uma forma de tratamento das feri- das cutâneas e sua escolha depende de fatores intrínsecos e extrínsecos. O tratamento das feridas cutâneas é dinâmico e depende, a cada momento, da evolução das fases de cicatriza- ção. Atualmente são inúmeras as opções de curativos exis- tentes no mercado. Os recursos financeiros do paciente e/ou da unidade de saúde, a necessidade de continuidade da utili- zação do curativo, inclusive com visitas domiciliares, e a ava- liação de benefícios e custos são alguns dos aspectos a se- rem considerados no momento da escolha do tipo de curati- vo, que devem ser adequados à natureza, à localização e ao tamanho da ferida. Embora haja uma grande variedade de cu- rativos, um só tipo de curativo não preenche os requisitos para ser aplicado em todos os tipos de feridas cutâneas. Para incisões cirúrgicas, a oclusão deverá ser por 24 a 48 horas mantendo o curativo seco. Nas feridas abertas, a antiga controvérsia entre cu- rativo seco e curativo úmido deu lugar a uma proposta atual de oclusão e manutenção do meio úmido. A cicatrização através do meio úmido tem as seguin- tes vantagens quando comparadas ao meio seco1-7: prevenir a desidratação do tecido que leva à morte celular; acelerar a angiogênese; estimular a epitelização e a formação do tecido de granulação; facilitar a remoção de tecido necrótico e fibrina; servir como barreira protetora contra microorganismo; pro- mover a diminuição da dor; evitar a perda excessiva de líqui- dos; e evitar traumas na troca do curativo.
CURATIVOS COM POMADAS OU ÓLEOS – têm como exemplos comumente utilizados os seguintes curati- vos1,2,5,8,9.
Curativo com Sulfadiazina de Prata Composição: sulfadiazina de prata a 1% hidrofílica. Mecanismo de ação: o íon prata causa a precipitação de proteínas e age diretamente na membrana citoplasmática da célula bacteriana, exercendo ação bactericida imediata, e ação bacteriostática residual, pela liberação de pequenas quan- tidades de prata iônica. Indicação: feridas causadas por queimaduras ou que necessitem ação antibacteriana.
Contra indicação: hipersensibilidade a sulfas. Modo de usar: remover o excesso de pomada e teci- do desvitalizado. Lavar a ferida e aplicar o creme, assepticamente, em toda extensão da lesão (5 mm de espes- sura). Colocar gaze de contato úmida. Cobrir com curativo estéril. Periodicidade de troca: no máximo a cada 12 horas ou quando a cobertura secundária estiver saturada. No mo- mento da troca a pomada pode apresentar aspecto purulento devido a sua oxidação sem, contudo apresentar infecção real. Exemplo comercial: Dermazine®; Pratazine®
Curativo com Pomada Enzimática – Colagenase Composição: colagenase clostridiopeptidase A e enzimas proteolíticas. Mecanismo de ação: age degradando o colágeno nativo da ferida. Indicação: feridas com tecido desvitalizado. Contra indicação: feridas com cicatrização por pri- meira intenção. Modo de usar: aplicar a pomada sobre a área a ser tratada. Colocar gaze de contato úmida. Cobrir com gaze de cobertura seca e fixar. Periodicidade de troca: a cada 24 horas. Exemplo comercial: Iruxol®; Kollagenase®; Santyl®
Curativo com Ácidos Graxos Essenciais (AGE) Composição: óleo vegetal composto por ácido linoleico, ácido caprílico, ácido cáprico, vitamina A, E e lecitina de soja. Mecanismo de ação: promove a quimiotaxia e a angiogênese, mantém o meio úmido e acelera o processo de granulação tecidual. A aplicação em pele íntegra tem grande absorção, forma uma película protetora na pele, previne esco- riações devido à alta capacidade de hidratação e proporciona nutrição celular local. Indicação: prevenção de úlceras de pressão, feridas abertas superficiais com ou sem infecção. Contra indicação: não relatada. Modo de usar: remover o exsudato e o tecido desvitalizado. Espalhar o AGE no leito da ferida ou embeber gazes estéreis de contato o suficiente para manter o leito da ferida úmido até a próxima troca. Ocluir com cobertura secun- dária estéril de gaze e fixar.
Feridas Cutâneas: A Escolha do Curativo Adequado Diogo Franco et al. Rev. Col. Bras. Cir.
Periodicidade de troca: sempre que o curativo secun- dário estiver saturado ou, no máximo, a cada 24 horas. Exemplo comercial: Agederm®; Ativoderme®; Dersani®
CURATIVOS ESPECIAIS – são curativos desen- volvidos com propostas bem definidas 3,4,6,10-14.
Curativo com Hidrocolóides Composição: camada externa de espuma de poliuretano e outra interna composta de gelatina, pectina e carboximetilcelulose sódica. Mecanismo de ação: estimula a angiogênese e o desbridamento autolítico. Acelera o processo de granulação tecidual. Indicação: feridas abertas não infectadas, com leve a moderada exsudação. Prevenção ou tratamento de úlceras de pressão não infectadas. Contra indicação: feridas colonizadas ou infectadas. Feridas com tecido desvitalizado ou necrose e queimaduras de 3o^ grau. Modo de usar: lavar a ferida. Escolher o hidrocolóide, com diâmetro que ultrapasse a borda da ferida pelo menos 3 cm. Periodicidade de troca: a cada um a sete dias, depen- dendo da quantidade de exsudação. Vantagens: é à prova d’água e lavável, retém odores, tem boa aparência e formas variadas que possibilitam adequa- ção à área cruenta, podendo inclusive ser empregado em le- sões da articulações. Desvantagens: a pele poderá ficar macerada se a exsudação se tornar abundante. Exemplo comercial: Comfeel®; Duoderm®; Hydrocoll®; Tegasorb®
Curativo com Hidrogel Composição: gel transparente, incolor, composto por: água (77,7%), carboximetilcelulose (CMC-2,3%) e propilenoglicol (PPG-20%). Mecanismo de ação: amolece e remove tecido desvitalizado através de desbridamento autolítico. A água mantém o meio úmido, o CMC facilita a re-hidratação celular e o desbridamento. O PPG estimula a liberação de exsudato. Indicação: feridas superficiais moderada ou baixa exsudação. Remover as crostas, fibrinas, tecidos desvitalizados ou necrosados. Contra indicação: pele íntegra e incisões cirúrgicas fechadas. Modo de usar: lavar o leito da ferida. Espalhar o cura- tivo ou introduzi-lo na cavidade assepticamente. Ocluir a feri- da com cobertura secundária estéril. Periodicidade de troca: a cada um a três dias, depen- dendo da quantidade de exsudato. Vantagens: sensação de alívio na ferida e promove o desbridamento autolítico. Desvantagens: desidrata rapidamente e é relativa- mente caro.
Exemplo comercial: Duoderm Gel®; Hydrosorb®; Hypergel®; Nu-Gel®
Curativo com Alginato de Cálcio Composição: fibras de puro alginato de cálcio deri- vado de algas marinhas. Mecanismo de ação: o sódio presente no exsudato e no sangue interage com o cálcio presente no curativo de alginato. A troca iônica auxilia no desbridamento autolítico, tem alta capacidade de absorção, resulta na formação de um gel que mantém o meio úmido para a cicatrização e induz a hemostasia. Indicação: feridas abertas, sangrantes, altamente exsudativas com ou sem infecção, até a redução do exsudato. Contra indicação: lesões superficiais com pouca u nenhuma exsudação; queimaduras. Modo de usar: remover exsudato e o tecido desvitalizado. Modelar o alginato no interior da ferida umede- cendo a fibra com solução fisiológica. Não deixar que a fibra de alginato ultrapasse a borda da ferida. Ocluir com cobertura secundária estéril. Periodicidade de troca: feridas infectadas (24 horas), feridas limpas com sangramento (48 horas), feridas limpas ou exsudação intensa (quando saturar). Trocar o curativo secun- dário sempre que estiver saturado. Vantagens: elevado poder de absorção e eficiente estímulo à granulação. Desvantagens: poderá lesar as bordas da ferida pela sua função autolítica. Exemplo comercial: Algoderm®; Curasorb®; Sorbalgon®; Tegagen®
Curativos com Carvão Ativado Composição: tecido carbonizado e impregnado com nitrato de prata a 0,15%, envolto por camada de tecido sem carvão ativado. Mecanismo de ação: o carvão ativado absorve o exsudato e filtra o odor. A prata exerce ação bactericida. Indicação: feridas fétidas, infectadas e exsudativas. Contra indicação: feridas limpas e lesões de queima- duras. Modo de usar: remover o exsudato e o tecido desvitalizado. Colocar o curativo de carvão ativado sobre a ferida.e oclui-la com cobertura secundária estéril. Periodicidade de troca: a cada 1-4 dias, dependendo da quantidade de exsudação. Vantagens: método eficaz para controle do mau odor e é de fácil aplicação. Desvantagens: não pode ser cortado, pois ocorre liberação do carvão e da prata. Exemplo comercial: Carboflex®; Vliwaktiv®
Curativo Adesivo de Hidropolímero Composição: almofada de espuma composta de ca- madas sobrepostas de não tecido e hidropolímero e revestida por poliuretano. Mecanismo de ação: proporciona um ambiente úmi- do e estimula o desbridamento autolítico. Absorve o exsudato e expande-se à medida que a absorção se faz.
Feridas Cutâneas: A Escolha do Curativo Adequado Diogo Franco et al. Rev. Col. Bras. Cir.
Como citar este artigo: Franco D, Gonçalves LF. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. Rev Col Bras Cir. [periódico na Internet] 2008; 35(3). Disponível em URL: http://www.scielo.br/rcbc
Endereço para correspondência: Dr. Diogo Franco Praia de Botafogo, 528 apto 1304 – A 22250- Rio de Janeiro - RJ E-mail: [email protected]