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doenças no algodão
Tipologia: Notas de estudo
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Para o cotonicultor é extremamente importante identificar as causas de aumento do custo de controle de doenças na sua lavoura. Amostragens confiáveis e amostradores técnicos de campo capacitados são excelentes ferramentas que identificam as condições de ambiente e clima favoráveis à evolução dos patógenos, antecipando as ocorrências; identificam as lesões iniciais, corrigindo os problemas em tempo hábil, e as lesões evoluídas, diagnosticando a severidade da ocorrência; e diferenciam as lesões de ocorrência simultânea.
Este manual é destinado a orientar os profissionais amostradores técnicos de campo, responsáveis em amostrar, identificar e monitorar a evolução de doenças nas lavouras de algodão, e todas as pessoas que necessitam de auxílio para identificação e para supervisão dos trabalhos de amostragens feitas a campo. O material fotográfico nele contido busca representar com máxima fidelidade a evolução dos sintomas, preservando cores, relevos e depressões das lesões, facilitando a identificação não só da doença, mas do estágio da infecção na planta ou nas mais variadas partes infectadas da planta, e as diferentes características de cada uma delas.
As doenças que ocorrem no algodoeiro sempre tiveram importância pela capacidade de provocar perdas na rentabilidade, reduzindo a produtividade ou depreciando a qualidade do produto colhido de forma direta ou indireta. São conhecidos mais de 250 agentes que ocorrem no algodoeiro, sendo que apenas alguns têm capacidade de provocar danos econômicos às lavouras. Nas últimas safras se observou um sensível aumento do custo de produção para controle de doenças tanto por meio do aumento do número de novas doenças que ganharam importância econômica quanto por meio do aumento do número de aplicações para as doenças já conhecidas. O aumento do número de aplicações para as novas doenças é consequência do plantio de novas variedades, das variações climáticas atípicas em períodos críticos para a cultura, dos períodos de plantio prolongados e dos plantios sequenciais de algodão sobre algodão. O aumento do número de aplicações para as doenças já conhecidas é consequência de um menor intervalo ou menor efeito residual observado no controle dessas doenças e das combinações necessárias para um melhor controle de uma ou mais doenças, diversificando o modo de ação ou aumentando o espectro de controle para as doenças de ocorrência simultânea. A ocorrência de novas doenças em plantio de novas variedades com tolerâncias e susceptibilidades ainda desconhecidas está associada à exposição das lavouras às condições climáticas atípicas, a novos períodos de plantio e a plantios sequenciais (algodão sobre algodão). As condições climáticas atípicas expõem os cultivos a umidades e temperaturas desfavoráveis à cultura e favoráveis à evolução de patógenos. A umidade excessiva ou deficiente favorece a evolução de agentes existentes do solo (fungos e nematoides) nas raízes e as temperaturas baixas aumentam o tempo de germinação das plântulas e favorecem a evolução de alguns fungos para as plantas adultas. Os plantios prolongados expõem a cultura a condições climáticas variadas e a patógenos disseminados de outras lavouras com datas de plantios deferentes. Os plantios de algodão sobre algodão expõem os novos cultivos aos patógenos já existentes nas áreas que evoluem, influenciados por variedades susceptíveis e/ou condições climáticas favoráveis. O aumento do número de aplicações é a consequência de todos esses fatores associados ou isolados.
Tombamento (Fig. 01)
Agente causal — Fusarium spp ., Pythium sp. , Alternaria sp. , Colletotrichum gossypii, Rhizoctonia solani, Macrophomina phaseolina, Thielaviopsis basicola, Glomerella gossypii e Botriadiplodia theobromae.
Disseminação — Pela semente, por restos culturais, pelo solo contaminado e pela chuva.
Condições favoráveis — Temperaturas baixas aumentam o tempo de germinação e favorecem o complexo de patógenos. Temperaturas entre 18ºC e 30ºC e a umidade elevada do solo contribuem para a infecção da planta.
Descrição dos sintomas — O nome “tombamento” está relacionado ao sintoma mais evidente da ocorrência da doença quando as plantas infectadas tombam (Fig. 01). Os sintomas do tombamento podem ser observados antes e depois da germinação (Fig. 02) até 20 dias após a emergência (Fig. 03), quando se completa a lignificação do caule. O primeiro sintoma observado em uma planta infectada é o murchamento das folhas cotiledonares. No colo ou nas raízes das plantas infectadas são observadas lesões com aspecto deprimido de cor parda escura ou parda avermelhada (Fig. 04) dependendo do patógeno. Ferimentos provocados por pragas, nematoides ou atritos (principalmente em solos arenosos) e decomposição de matéria orgânica de cultivos anteriores como soja (Fig. 05 e Fig. 06) , milho ou forrageiras (Fig. 07 e Fig. 08) facilitam as infecções, o que torna a doença mais severa.
Importante — A Rhizoctonia solani é um fungo parasita necrotrófico habitante do solo. Sob temperaturas baixas as sementes do algodoeiro exsudam maior quantidade de açúcares e aminoácidos, o que é sumamente favorável ao patógeno. As temperaturas baixas atrasam a germinação e a emergência das plântulas, mantendo-as por mais tempo em um estágio susceptível. O Colletotrichum gossypii pode viver saprofiticamente em restos de cultura por um período de vários meses, mas são as sementes infectadas que constituem a principal fonte de inóculo.
Tombamento (Fig. 02) Tombamento (Fig. 03)
Tombamento (Fig. 06) Tombamento (Fig. 07)
Agente causal — (“Abutilon mosaic virus” – AbMV)
Transmissão — Transmitida pelo vetor Bemisia tabaci (mosca-branca) de maneira circulativa não propagativa.
Descrição dos sintomas — Inicialmente são observadas manchas amarelas (Fig. 01) que, ao se desenvolver, apresentam lesões cloróticas de cor amarela e descoloridas no limbo foliar (Fig. 02 e Fig. 03) , tornando-se avermelhadas com a maturação da folha (Fig. 04). A planta infectada precocemente apresenta entrenós curtos e porte reduzido. A esterilidade da planta infectada pode ser parcial ou total (Fig. 05).
Importante — O vírus não se multiplica no vetor e não é transmitido para seus descendentes. Observar plantas infectadas próximas umas das outras é raro (Fig. 06) , já que o vírus não é transmitido de planta a planta de algodoeiro, apenas de plantas daninhas (malváceas) (Fig. 07) para plantas de algodão, pelo inseto vetor.
Tombamento (Fig. 08)
Mosaico comum (Fig. 03) Mosaico comum (Fig. 04)
Mosaico comum (Fig. 05) Mosaico comum (Fig. 06)
Mosaico das nervuras (Fig. 01) Mosaico das nervuras (Fig. 02)
Mosaico das nervuras (Fig. 03) Mosaico das nervuras (Fig. 04)
Mosaico das nervuras (Fig. 07) Mosaico das nervuras (Fig. 08)
Mosaico das nervuras (Fig. 09) Mosaico das nervuras (Fig. 10)