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Escala fenológica do Algodao, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

Escala fenológica do Algodao

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 07/02/2010

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alex-furquim-pereira-1 🇧🇷

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Escala do Algodão
Celso Jamil Marur & Onaur Ruano
As espécies mais cultivadas, como milho, soja e trigo, possuem escalas de crescimento e
desenvolvimento, conhecidas como “Escala de Hanway”, “de Fehr” e “de Zadocks”, respectivamente. A
importância dessas escalas é que elas são ferramentas úteis para determinação mais precisa do
momento adequado de se efetuar práticas recomendadas de manejo da cultura, bem como tornar
possível a troca de informações entre pesquisadores, técnicos da Extensão Rural e agricultores.
A execução das práticas culturais nos momentos mais apropriados no cultivo das espécies é fator
fundamental para um melhor resultado econômico, assim como um menor impacto ambiental. No cultivo do
algodoeiro, como exemplos, podemos citar o uso de fertilizantes e de reguladores de crescimento, e o
levantamento populacional de insetos visando o manejo integrado de pragas (ver Anexo 1).
O algodoeiro, por ser uma planta de crescimento indeterminado, possui uma das mais
complexas morfologias entre as plantas cultivadas. Ademais, as diversas cultivares de algodoeiro
apresentam diferentes ciclos, ou seja, podem ser precoces ou tardias (algumas fecham seu ciclo
produtivo em 130 dias, enquanto outras podem faze-lo em mais de 170 dias). Essas características
impossibilitavam a confecção de uma escala única para todas as condições de plantio ao redor do
mundo.
Em função da inexistência de uma escala para o algodoeiro, é usual dizer que uma prática ou
observação ocorre aos “tantos“ dias após a emergência e/ou início do florescimento. No entanto, a
caracterização das fases de desenvolvimento da cultura pelo parâmetro cronológico resulta em
variações importantes quanto ao real estádio fenológico, em comparações de ambientes e/ou anos
diferentes, por serem altamente influenciáveis pelo ambiente, principalmente quanto às suas exigências
térmicas.
Como exemplo, podemos comparar o desenvolvimento de uma cultivar semeada em duas
diferentes épocas (final de setembro e final de novembro). A lavoura semeada em setembro terá um
desenvolvimento mais lento, em função das temperaturas mais amenas. Por outro lado, a lavoura de
novembro apresentará um desenvolvimento mais rápido, devido às temperaturas mais altas. Assim, ao
se adotar o critério cronológico para adoção de uma prática, o extensionista e/ou o agricultor vão errar
em algum momento. Se forem utilizadas cultivares com diferentes ciclos, os erros serão ainda maiores.
Com o objetivo de minimizar os efeitos de problemas dessa natureza, uma escala de
desenvolvimento do algodoeiro foi desenvolvida no IAPAR. A “Escala do Algodão” começa a ser
difundida junto às universidades e aos órgãos de assistência técnica e de extensão rural, para utilização
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Escala do Algodão

Celso Jamil Marur & Onaur Ruano

As espécies mais cultivadas, como milho, soja e trigo, possuem escalas de crescimento e desenvolvimento, conhecidas como “Escala de Hanway”, “de Fehr” e “de Zadocks”, respectivamente. A importância dessas escalas é que elas são ferramentas úteis para determinação mais precisa do momento adequado de se efetuar práticas recomendadas de manejo da cultura, bem como tornar possível a troca de informações entre pesquisadores, técnicos da Extensão Rural e agricultores. A execução das práticas culturais nos momentos mais apropriados no cultivo das espécies é fator fundamental para um melhor resultado econômico, assim como um menor impacto ambiental. No cultivo do algodoeiro, como exemplos, podemos citar o uso de fertilizantes e de reguladores de crescimento, e o levantamento populacional de insetos visando o manejo integrado de pragas (ver Anexo 1). O algodoeiro, por ser uma planta de crescimento indeterminado, possui uma das mais complexas morfologias entre as plantas cultivadas. Ademais, as diversas cultivares de algodoeiro apresentam diferentes ciclos, ou seja, podem ser precoces ou tardias (algumas fecham seu ciclo produtivo em 130 dias, enquanto outras podem faze-lo em mais de 170 dias). Essas características impossibilitavam a confecção de uma escala única para todas as condições de plantio ao redor do mundo. Em função da inexistência de uma escala para o algodoeiro, é usual dizer que uma prática ou observação ocorre aos “tantos“ dias após a emergência e/ou início do florescimento. No entanto, a caracterização das fases de desenvolvimento da cultura pelo parâmetro cronológico resulta em variações importantes quanto ao real estádio fenológico, em comparações de ambientes e/ou anos diferentes, por serem altamente influenciáveis pelo ambiente, principalmente quanto às suas exigências térmicas. Como exemplo, podemos comparar o desenvolvimento de uma cultivar semeada em duas diferentes épocas (final de setembro e final de novembro). A lavoura semeada em setembro terá um desenvolvimento mais lento, em função das temperaturas mais amenas. Por outro lado, a lavoura de novembro apresentará um desenvolvimento mais rápido, devido às temperaturas mais altas. Assim, ao se adotar o critério cronológico para adoção de uma prática, o extensionista e/ou o agricultor vão errar em algum momento. Se forem utilizadas cultivares com diferentes ciclos, os erros serão ainda maiores. Com o objetivo de minimizar os efeitos de problemas dessa natureza, uma escala de desenvolvimento do algodoeiro foi desenvolvida no IAPAR. A “ Escala do Algodão ” começa a ser difundida junto às universidades e aos órgãos de assistência técnica e de extensão rural, para utilização

no manejo da cultura. O trabalho tem o objetivo de padronizar a linguagem para identificação de cada uma das fases do algodoeiro, a exemplo de escalas já existentes para as principais culturas como, milho, trigo, soja e feijão.

DESCRIÇÃO DA “ESCALA DO ALGODÃO”

Os estádios de crescimento e desenvolvimento serão caracterizados basicamente em função de suas fases fenológicas, ou seja, vegetativa (V), formação de botões florais (B), abertura da flor (F) e abertura do capulho (C). No período vegetativo, entre a emergência da plântula e até que a primeira folha verdadeira tenha o comprimento de 2,5 centímetros de nervura principal, o estádio será V 0 (Fig. 1) A partir do limite anterior e até que a segunda folha verdadeira tenha a sua nervura principal com comprimento de 2, centímetros, o estádio será V 1. Sucessivamente, aplicando o mesmo critério, a planta avançará para os estádios V 2 , V 3 , V 4 , V 5 etc (Fig. 1). Nesta fase, considera-se folha verdadeira expandida quando a nervura principal de seu limbo foliar for maior que 2,5 centímetros.

Fig. 1

ESTÁDIO V (^0)

V (^1)

V 2 V 3 V (^4)

V (^5)

No início da fase reprodutiva, ou seja, quando o primeiro botão floral estiver visível, o estádio passa a ser B 1 (Fig. 2). Quando o primeiro botão floral do terceiro ramo reprodutivo estiver visível, a planta estará no estádio B 3 (Fig. 2). Neste momento, estará sendo formado, também, o segundo botão floral no primeiro ramo frutífero. Sucessivamente, à medida que o primeiro botão floral de um novo ramo frutífero estiver visível, o estádio passará a ser Bn (Fig. 3). A indicação B não será mais utilizada a partir do momento em que o primeiro botão floral do primeiro ramo frutífero transformar-se em flor. A partir de então, o estádio de desenvolvimento passará a ser F 1 (Fig. 4). O estádio de desenvolvimento será F 3 na abertura da primeira flor do terceiro ramo frutífero (Fig. 4). Nota-se nessa fase, também, a abertura da flor na segunda estrutura do primeiro ramo frutífero. Sucessivamente, à medida que ocorrer a abertura da primeira flor do ramo frutífero de número n , o estádio passará a ser F (^) n.

Fig. 4

F 1 F 3

h h h

h

a

f

f f

e e e

g g

g d g d c

c

i i i i i b

Fig. 5

C 1 C 5

ANEXO 1

Fertilizantes muito solúveis aplicados na semeadura, como o nitrogênio (N), suprem as necessidades iniciais da planta mas não persistem disponíveis, em quantidades adequadas, por tempo suficiente para suprir a demanda da planta para o período reprodutivo. A aplicação deste fertilizante em cobertura é efetuada como suplementação à adubação de base, visando disponibiliza-lo em períodos de necessidade ao longo do desenvolvimento da planta. Estudos realizados no IAPAR, sobre doses e épocas de aplicação de N, demonstraram ser possível a obtenção de um acréscimo de até 20% na produção, para a melhor época e dose de aplicação do fertilizante, quando se estudou o parcelamento da aplicação em até 3 épocas, em relação à testemunha, sem o nutriente aplicado (Costa, 1993). Assim, a suplementação deverá ser efetivada no momento mais adequado do desenvolvimento fenológico da planta , que demanda aquela suplementação, preferivelmente ao tempo cronológico decorrido da aplicação anterior. A aplicação de redutores de crescimento tem como finalidade evitar que a planta atinja excessivo crescimento e autossombreamento, o que dificulta a execução das práticas culturais, e favorece o apodrecimento de estruturas frutíferas, respectivamente (Carvalho et al., 1994 e Beltrão et al., 1999). Aqui também o parcelamento e a aplicação nas épocas corretas promovem produções maiores (por evitar perdas) e com melhor qualidade do produto. Da mesma forma, o conhecimento dos principais períodos de ocorrência das inúmeras pragas que atacam o algodoeiro, ao longo das fases fenológicas , é importante para racionalizar a atividade do extensionista e também do pragueiro (profissional especialista no levantamento de pragas), de modo a proceder às aplicações dos agrotóxicos nos momentos mais adequados.

Literatura citada

Beltrão, N.E.M., J.G. Souza. e outros. 1999. Manejo cultural do algodoeiro herbáceo na região do cerrado. In: Mato Grosso. Liderança e Competitividade. Rondonópolis: Fundação MT / EMBRAPA, 182p.

Carvalho, L.H. E.J. Chiavegato e outros. 1994. Fitorreguladores de crescimento e capação na cultura algodoeira. Bragantia 53(2): 247-254.

Costa, A. 1993. Correção do solo e adubação do algodoeiro. Informe da Pesquisa, IAPAR, 16(107): 29-