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Fungos algodão
Tipologia: Notas de estudo
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Outubro de 2001 (^) www.cultivar.inf.br Cultivar 23
e todas as doenças que atacam o algodoeiro, o “tombamento”
O “tombamento” é uma doença que ocorre na fase de plântula (tombamento de pós-emergência) e as sementes por oca- sião da germinação (tombamento de pré- emergência). Essa doença é causada por um complexo de fungos do solo e da se- mente, cujas espécies podem variar gran- demente de um lugar para outro. São elas: R solani, C. gossypii, C. gossypii var. cepha- losporioides, Fusarium spp., Pythium spp, Botriodiplodia theobromae e Macrophomina phaseolina. Alguns poucos relatos da ocor- rência de tombamento causado por C. gos- sypii, C. gossypii var. cephalosporioides e
Fusarium spp. foram registrados, porém numa freqüência muito baixa. Nas condições do Brasil, principalmente em se tratando do algodão do cerrado, o principal agente causal do tombamento de plântulas é R. solani, pela freqüên- cia que ocorre (mais de 95% dos casos) e pelos danos que causa na fase inicial de estabelecimento da lavoura.
Rhizoctonia solani é um fungo polífago, pois ataca um grande nú- mero de espécies vegetais. Esse pa- tógeno é habitante natural do solo. Pode ser transmitido pelas semen- tes, porém raramente isso ocorre, motivo pelo qual a semente não é considerada a principal fonte de inóculo desse patógeno. É consi- derado, dentre os componentes do “complexo de fungos que causam o tombamento”, o mais prejudicial,
Murchamento das folhas; sintoma inicial do tombamento ...... .........
Fotos Embrapa Agropecuária Oeste
24 Cultivar www.cultivar.inf.br Outubro de 2001
por causar, em maior intensidade o tom- bamento de pré-emergência, além daque- le de pós-emergência. O ataque desse pa- tógeno freqüentemente reduz o estande da lavoura, levando, muitas vezes à resseme- adura. Os sintomas caracterizam-se inici- almente pelo murchamento das folhas com posterior tombamento das plântulas. Esse fungo provoca lesões deprimidas e de co- loração marrom-avermelhada no colo e nas raízes das plântulas de algodão.
Para se ter uma idéia da importância que essa doença assume nesse contexto, alguns dados levantados sobre perdas de- vido à sua ocorrência assustam, como pode ser observado a seguir. Na Califórnia, se- gundo dados oficiais, foram perdidos anu- almente, no período de 1991 a 1993, em torno de 12.733 toneladas de algodão, de- vido ao tombamento. Nos EUA, em 1995, estimou-se uma redução na produtivida- de do algodoeiro devido às doenças inici- ais da ordem de 180 mil toneladas. Na Ca- lifórnia, nesse mesmo ano, essas perdas fo- ram estimadas em 17,85 mil toneladas, maiores do que aquelas registradas em anos anteriores. Nos últimos 10 anos, nos EUA, estimativas de perdas têm revelado valores médios de 2,8% por ano. Até o momento, não foram levantados dados dessa nature- za no Brasil.
Em função de baixas temperaturas fa- vorecerem a severidade e a incidência do tombamento causado por R. solani, reco- menda-se evitar semeaduras anteriores a meados de outubro. Sob baixas tempera- turas, sementes de algodoeiro exsudam
maior quantidade de açúcares e amoniáci- dos, o que é extremamente favorável ao ata- que do patógeno. Essas condições atrasam a germinação ou tornam mais lento o pro- cesso de emergência, mantendo a plântula num estágio suscetível por um período mais longo. Assim, a necessidade de ado-
ção de medidas de controle, tais como o tratamento de sementes com fungicidas, tem sido claramente demonstrada sob con- dições de solo com temperaturas baixas.
De todas as práticas recomendadas para o controle do tombamento, o trata- mento das sementes com fungicidas efici- entes assume um importante papel, sendo
considerado, até o momento, a principal medida a ser adotada e a opção mais segu- ra e econômica para minimizar os efeitos negativos dessa doença. Trata-se de práti- ca indispensável quando se reduz a quan- tidade de sementes na semeadura, com vis- tas a eliminar a operação de desbaste, sen- do reconhecida em todo o mundo como uma medida das mais eficazes e conveni- entes, tornando-se cada vez mais difundi- da e adotada em esquemas de controle in- tegrado de doenças do algodoeiro. A cada ano, um grande número de fungicidas é testado com o objetivo de verificar sua efi- ciência no controle do tombamento. A per- formance desses produtos depende da po- pulação desses fungos no solo, ou seja, é influenciada pela pressão de inóculo do pa- tógeno no solo e também pelas interações com outros fungos, o que pode evidenciar um controle biológico. Igualmente, a sus- cetibilidade das cultivares também poderá influenciar nos benefícios do tratamento de sementes com fungicidas. Por outro lado, os benefícios do tratamento de se- mentes de algodão com fungicidas são menos evidentes em áreas onde a densida- de de inóculo do patógeno é relativamente baixa ou quando as condições de umidade e temperatura do solo são ideais a uma rá-
pida germinação e emergência. Entretan- to, deve-se considerar que, até o momen- to, não se têm evidências de que o uso de fungicidas em tratamento de sementes com ação específica contra R. solani possa ser dispensado em áreas com histórico de ocorrência desse patógeno. Deve-se ressal- tar que o efeito principal do tratamento de sementes de algodão com fungicidas é observado na fase inicial do desenvolvi-
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Lesões deprimidas e marrom- avermelhadas no colo e raízes das plântulas
Combinação de fungicidas sistêmicos com protetores proporciona melhor emergência de plântulas e melhores índices de controle do tombamento
Fotos Embrapa Agropecuária Oeste