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alav689 algodao
Tipologia: Notas de estudo
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54 FEVEREIRO/2012 A Lavoura
ALEXANDRE CUNHA DE BARCELLOS FERREIRA ENGENHEIRO AGRÔNOMO – D. SC., PESQUISADOR DA EMBRAPA ALGODÃO / NÚCLEO CERRADO – GOIÁS
ALEXANDRE CUNHA DE BARCELLOS FERREIRA
Flor aberta no ponteiro (terceiro nó de cima para baixo), o que corresponde à fase de declínio da taxa de crescimento do algodoeiro
54 FEVEREIRO/2012 A Lavoura
A Lavoura FEVEREIRO/2012 55
Algodoeiros BRS 293 na fase limite (35-40 cm de altura) para a primeira aplicação de crescimento
ALEXANDRE CUNHA DE BARCELLOS FERREIRA
M
ais de 90% da produção de algodão herbáceo no Bra- sil ocorre no Cerrado, sobretudo nos estados de Mato Grosso, Bahia e Goiás. Na cotonicultura do cerrado são cultivadas extensas áreas, usadas variedades com alto po- tencial produtivo, altas doses de fertilizantes, muitos defen- sivos agrícolas, sendo imprescindível o uso de máquinas e im- plementos. Nesse sistema produtivo também é essencial o uso de reguladores de crescimento, para que os algodoeiros não cresçam demasiadamente e comprometam o manejo e o ren- dimento da cultura, e ainda que as plantas apresentem altura adequada ao manejo e à colheita mecânica. O algodoeiro herbáceo apresenta hábito de crescimento in- determinado, ou seja, durante a fase reprodutiva, ele continua a emitir estruturas vegetativas, que podem competir entre si pelos produtos da fotossíntese. Quando o algodoeiro é cultivado em condições em que a disponibilidade de água, de nutrientes e as condições climáticas são favoráveis ao crescimento, há pro- dução excessiva de estruturas vegetativas, o que pode interfe- rir negativamente na produção final, pois o crescimento vegeta- tivo exagerado predispõe a queda de estruturas reprodutivas, principalmente de botões florais, flores e frutos jovens. Os algodoeiros que crescem de forma descontrolada, de- pendendo da condição do ambiente, podem apresentar mai- or apodrecimento ou queda das maçãs posicionadas nos pri- meiros ramos frutíferos. Para a colheita mecanizada, o ideal é que os algodoeiros tenham altura de no máximo 1,30 m; acima deste limite, pode interferir negativamente na eficiência do processo. Além dis- so, a colheita mecânica dos algodoeiros de porte alto favo- rece a contaminação da fibra com galhos, folhas e cascas dos ramos, depreciando a sua qualidade.
As variedades de algodão usadas no Brasil geralmente apre- sentam porte médio a alto, ou seja, crescem vigorosamente, sendo necessário o uso de reguladores de crescimento. A mani- pulação da arquitetura do algodoeiro com reguladores de cresci- mento é uma estratégia agronômica que normalmente não gera incremento de produtividade, porém, observa-se melhoria da eficiência da aplicação de inseticidas, fungicidas e da penetra- ção da luz, a qual contribui para a abertura mais rápida e unifor- me dos frutos. O controle do crescimento do algodoeiro por meio
M do uso de fitorreguladores é uma estratégia agronômica muito usada no Brasil e em vários outros países, e tradicionalmente essa prática agrícola ocorre via pulverizações nas folhas. Os dois fitorreguladores de crescimento usados na coto- nicultura brasileira são o cloreto de mepiquat e o cloreto de clormequat. São substâncias químicas sintéticas, que apre- sentam efeito sobre o metabolismo vegetal, inibindo a for- mação do ácido giberélico, com consequente redução do cres- cimento, por causa da menor elongação celular.
Os principais sintomas dos reguladores de crescimento sobre os algodoeiros são: redução do comprimento do cau- le; diminuição do número de nós, do comprimento dos ra- mos vegetativos e reprodutivos; redução da área foliar; fo- lhas com coloração verde-escura e mais espessas e melhor retenção de frutos nas primeiras posições.
Os efeitos dos reguladores de crescimento sobre o algo- doeiro dependem de alguns fatores, como temperatura, dis- ponibilidade de nutrientes no solo, população de plantas, cul- tivar, disponibilidade de água no solo, precipitação pluvial, dose, época e forma de aplicação. Destes, é importante des- tacar a dose e a forma de aplicação. Com relação à dose, ela pode variar de 50 a 100 g/ha do ingrediente ativo, a depender do porte e das condições do solo e da lavoura, da época de semeadura, em síntese, da expectativa de crescimento do algodoeiro.
Cultivares* Dose (g/ha) do ingrediente ativo cloreto de mepiquat ou de clormequat
Porte alto 85 a 100
Porte médio 60 a 85
Porte baixo dose μ 50